Os Infiltrados (The Departed)

Por: Alex Ginatto.

Mais um filme que tive a vontade de rever com aquele olhar mais crítico. Excelente! A começar pela escolha do elenco! Difícil lembrar de um filme com tantos bons atores reunidos: Damon, DiCaprio, Wahlberg, Martin Sheen, Alec Baldwin e…Nicholson! UAU!

Mas só isso não faz um filme ser bom, sabemos disso. Quem é o diretor? Scorsese…Quê?? Sério?? Bom, aí já começa ficar difícil acreditar que o filme não será bom!

Uma trama muito bem armada, não só pelos papéis de infiltrados, mas pela parte psicológica de ambos…”O que estou fazendo com minha vida? É isso mesmo que desejo? Quero continuar com isso?

Concordo com Lella, DiCaprio cresce no filme e se sobressai em relação a Damon, mas acredito que a razão seja muito mais a superioridade, a força do personagem Costigan em relação ao menino Sullivan, aflito desde o momento em que é atraído por Frank (Nicholson) na mercearia do começo do filme. Costigan vem de uma família sofrida, querendo crescer na vida.

Baldwin, Wahlberg e Sheen tiveram papéis que talvez não correspondam à altura dos atores que são, mas executaram com perfeição o que Scorsese planejou para cada um deles. Nos passam aquela impressão de “conheço esse cara” durante o filme todo, como se fosse um “All Star Game” dos filmes, com os melhores no melhor filme! rs

Paro por aqui para não criar spoilers, mas recomendo a quem gosta deste tipo de filme: imperdível. A quem não é muito fã, recomendo que tenha a curiosidade de ver e acho que este filme poderá mudar suas impressões sobre o estilo.

Nota 8.

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Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2. 2004)

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Aviso: Caso ainda não tenha assistido ao filme, o texto a seguir contém spoilers.

Quando saí do cinema tive a sensação de ter assistido um ótimo… episódio de um seriado de tv. Parece que eles pegaram um capítulo de uma série de 50 minutos e esticaram por duas horas usando toda a sorte de truques possíveis.

Homem-Aranha 2 é muito superestimado. É o que me vêm à cabeça quando penso nesse filme. Eu me lembro da época, ficava procurando alguma crítica que não necessariamente dissesse que ele era ruim (até porque não é) mas, em vez de só enaltecer as suas qualidades, reconhecesse também os seus defeitos, e olha que alguns são primários.

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Bom, o longa continua acompanhando a vida de Peter Parker após os eventos do primeiro filme. Agora morando sozinho, ele está mais azarado do que nunca nos dois empregos, mal consegue falar com Mary Jane, não consegue controlar o ódio de Harry pela morte do pai, e os estudos estão péssimos. Tudo pelo stress de sua vida dupla como Homem-Aranha. Existe principalmente, até mais do que no primeiro filme, uma tendência desde a primeira cena a focar a história na relação entre Peter e Mary Jane, o que é um equívoco, pois joga o filme no nicho dos romances lugar-comum. Afinal, Peter idealiza a Mary Jane (não é bem a Mary Jane) e não convence que realmente gosta da pessoa dela. Ao menos, a mim não convenceu…

O melhor do filme é mesmo Sam Raimi mostrando que sabe dirigir drama. A rotina estafante de Peter não cansa o público, pelo contrário.

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Por outro lado a trama da origem do Dr. Octopus é completamente largada no meio do filme. O Alfred Molina pode ser um ótimo ator, as cenas de ação podem ser fodas, mas não dá comparar em importância na vida do Peter (e esse é justamente o filme que mais foca no seu lado pessoal) o Duende Verde com ele. Primeiro ponto fraco do roteiro é não conseguir amarrar bem as ações do Octopus na trama.

Mas a verdadeira escorregada começa quando o herói perde os poderes. Tá certo que ele perde gradativamente, mas haja abstração do público pra entender como funciona a biologia do Homem-Aranha.

Mas isso logo é esquecido por aquela belíssima sequência com o Tio Ben no carro, extremamente simbólica.

As cenas de Peter voltando ao “normal” são ótimas. Como o primeiro filme já tinha visitado toda a fase clássica e procurado transformar numa história de começo, meio e fim pra um longa, o segundo recuou um pouco pra aproveitar o que tinha sido pulado, como fica claro na antológica cena do uniforme na lata do lixo.

Também é muito positivo a forma como Peter vai percebendo que tem que ser o Homem-Aranha, como na cena do incêndio.

É interessante como a única trama que anda nesse momento é a do Peter. Mary Jane tá cuidando do enxoval, Harry tá bêbado em algum lugar e o Dr. Octopus só vai reaparecer como capanga desse último. O universo do Aranha nunca apareceu tão pobre diante da excelente caracterização do protagonista.

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Mesmo assim, mais um vez o filme dá uma bela guinada quando Peter revela a Tia May como o Tio Ben morreu. Essa é A cena do filme! O jeito como ela se levanta quando ele vai segurar sua mão é de partir o coração. A cena é tão boa que em nenhum momento Peter precisou mencionar o Homem-Aranha.

Logo vem outro ótimo momento, quando a Tia May diz a Peter com uma naturalidade comovente o que é um verdadeiro herói. Tia May está pra Homem-Aranha 2 como o Tio Ben pro Homem-Aranha 1. Fantástica!

Infelizmente, a seguir a coisa degringola.

A cena de Peter conversando com Mary Jane no restaurante quando Octopus ataca é um ótimo comercial de carro, mas esquisita demais nesse longa. Pior é o jeito ridículo como Peter sai dos escombros já com os poderes de volta num estalo. Isso depois dele sofrer a perda dos mesmos bem lentamente.

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Então, mais uma vez, temos um ponto alto pra compensar o furo anterior. A luta no trem é incrível mesmo. E a na sequência, o jeito como o Aranha para o trem é extraordinária. Só que ele ser visto logo depois por meio mundo não é exatamente a idéia mais bem bolada possível. É o tipo ame ou odeie.

O que realmente odiei é o que vem depois.

Aquele final é bizarro. Quando você ainda está se acostumando com a idéia de que tanta gente viu o Homem-Aranha sem máscara, o Dr. Octopus o deixa à mercê do filho de seu inimigo… e Harry Osborn desmascara o Homem-Aranha de novo! E do jeito mais clichê possível!

Daí na sequência vai Peter salvar Mary Jane, que foi gratuitamente sequestrada pelo vilão e, para convencer Octopus a impedir a explosão de uma bomba para destruir Nova York, Peter… TIRA A MÁSCARA OUTRA VEZ! Eu, que me emocionei nas cenas com a Tia May e vendo o Aranha se arrebentando pra parar o trem, tive uma súbita vontade de levantar e ir embora do cinema!

O pior de tudo não é ele perder a máscara três vezes seguidas! A essa altura o que eu me perguntava era porque diabos eles deram ao trabalho de fazer ele RECOLOCAR A MÁSCARA PRA PERDÊ-LA AUTOMATICAMENTE NA CENA SEGUINTE!

Na sequência, enquanto Dr. Octopus dá razão a Peter após conversar com seus tentáculos… Ops! CONVERSAR COM OS TENTÁCULOS? De ONDE tiraram uma idéia tão cretina, Meu Deus? O que o bom doutor diria pra alguém que o estivesse incomodando? Em vez de “Fala com a minha mão”, “Fala com o meu tentáculo”? kkkk

Bom, pra acelerar as bizarrices e chegarmos logo ao fim…

O Dr. Octopus se sacrifica pra salvar a cidade. Peter salva Mary Jane, que descobre sua identidade secreta ao vê-lo sem máscara.. .ela e a torcida do Flamengo! Essa cena da revelação é TÃO sem sal… num comparativo ela não tem um pingo da sutileza da revelação de Bruce a Rachel em Batman Begins, que é um clichê, mas bem-feito e não jogado de qualquer jeito como aqui. A seguir tem um momento visualmente bonito da conversa entre Peter e Mary Jane.

E depois de não terem feito nada de útil o filme inteiro…

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Na última hora Harry descobre o legado do Duende Verde. Mary Jane “recebe” Julia Roberts e sai correndo da igreja largando o filho de Jameson no altar para ir atrás de Peter. Essa parte é tão atroz que vendo ela correndo eu tive a nítida impressão que o Peter estava prestes a embarcar num avião pra bem longe… Mas lá estava Peter Parker, sentado no seu apartamentinho… mais broxante impossível! hehehehe!!!

O roteiro desse filme não consegue criar uma história bem amarrada, com começo, meio e fim como o anterior. O que se vê aqui caberia melhor numa série de tv. Outro erro é não pensar a longo prazo, o que ajudou a prejudicar a franquia como um todo.

Se Norman, além da fórmula do Duende, precisava de uma armadura pra enfrentar o Aranha no primeiro filme, como o Dr. Octopus pode sair na porrada com o Escalador de Paredes se ele só tem tentáculos acoplados ao corpo e não super-força e muito menos proteção? Raimi peca pelo exagero em ambos, mas no caso de Octopus beira a inverossimilhança, já que vai contra a lógica criada pelo próprio diretor.

E se em vez do síndico e de sua filha, não seria melhor que quem ocupasse esse espaço fossem o Capitão Stacy e Gwen, assim já apresentando-os ao público? Mas não, eles acabaram sendo jogados no 3, que acabou sendo um filme ainda mais equivocado do que esse…

Quando o Octopus mata a equipe de cirurgia. Essa cena fez referência ao cinema de terror, tem momentos em que só aparecem as sombras dos tentáculos, sem falar da serra elétrica. O Sam Raimi está habituado com isso, desde os tempos de Uma Noite Alucinante. Mas eu fiquei meio frustrado de no fim o vilão ser a inteligência artificial dos braços e não o próprio Octavius.

Continuo achando o primeiro filme melhor do que esse.

O filme 3 só é bom naquelas propagandas compradas que passavam na tv quando o filme estava em exibição no cinema. Era um negócio tão exagerado que estava na cara que era pra melhorar a imagem do filme.

harry-osborn-in-spider-man2Quanto ao 2 continuo achando que exatamente a bela caracterização do Peter Parker/Homem-Aranha deixa mais nítido o quanto o universo dele foi pobremente adaptado no cinema. Nesse filme Harry fica bêbado metade do tempo, Mary Jane fala com o Peter como se fosse a Gwen Stacy (por que não usaram a Gwen logo então?) e Tia May e Jameson são os únicos coadjuvantes que aparecem bem desenvolvidos. O filho do Jameson está fazendo o que nessa história, meu Deus? Até o Octopus querendo fazer um aparelhão de fusão nuclear que destruiria a cidade parece mais assunto pra um episódio de uma série do que de um longa-metragem. E não podemos esquecer da brilhante participação do mordomo de Harry Osborn… que aparece em UMA CENA em HA 2 e no HA 3 resolve tudo! rsrs

Por: Guilherme Cunha.   Blog: Panorama Imaginário.

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2). 2004. EUA. Direção: Sam Raimi. Elenco: Tobey Maguire (Peter Parker / Homem-Aranha), Kirsten Dunst (Mary Jane Watson), Alfred Molina (Otto Octavius / Dr. Octopus), James Franco (Harry Osborn), Elizabeth Banks (Betty Brant), Bruce Campbell (Snooty Usher), Rosemary Harris (Tia May), J.K. Simmons (J.J. Jameson), Vanessa Ferlito (Louise), Ted Raimi (Hoffman), Dylan Baker (Dr. Curt Connors), Joanne Baron (Jane Brown), Daniel Gillies (John Jameson), Donna Murphy (Rosalie Octavius), Willem Dafoe (Norman Osborn). Gênero: Ação, Aventura, Crime, Sci-Fi, Thriller. Duração: 127 minutos. Baseado em estória de Miles Millar, Alfred Gough e Michael Chabon e nos personagens criados por Steve Ditko e Stan Lee.

Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road)

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“Revolutionary Road” de Sam Mendes não tem grande valor cinematográfico embora cresça bastante na parte final e conte com as vigorosas interpretações do trio de “Titanic”: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet e Kathy Bates. No entanto é um interessante exercício de reflexão com relação às decisões que norteiam nossas vidas.

Estudar cinema, cursar Belas Artes, se dedicar ao que te faz feliz ou prestar um concurso público e garantir um futuro seguro e medíocre? No caso do filme o dilema é se valeria a pena deixar uma carreira promissora nos EUA para tentar uma vida nova em Paris ainda mais havendo dúvidas sobre o que fazer exatamente na Europa dos anos 50.

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O personagem que faz o doente mental (Michael Shannon) no filme parece ter uma resposta sensata para a dúvida do casal protagonista, mas ela não se encaixa numa dura realidade capitalista onde não há lugar para os sonhos.

Por: Carlos Henry.

Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road). 2008. EUA. Direção: Sam Mendes. Elenco: Leonardo DiCaprio (Frank Wheeler), Kate Winslet (April Wheeler), Michael Shannon (John Givings), Ryan Simpkins (Jennifer Wheeler), Ty Simpkins (Michael Wheeler), Kathy Bates (Mrs. Helen Givings). Gênero: Drama, Romance. Duração: 119 minutos. Baseado em livro de Richard Yates.

Marley e Eu (Marley & Me. 2008)

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Assim como eu sugeri sobre o filme “O Caçador de Pipas“, quem ainda não leu o livro, veja o filme “Marley e Eu”, primeiro. Pois pode correr o risco de se desencantar como eu. Confesso que fui assistir, esperando muito mais. Mas já de início, uma decepção. Ele diz que nunca tiveram um cachorro na infância, nem ele, nem a sua esposa. E não sei se por conta dessa mudança, uma outra também me desagradou. A de que a sugestão de terem um cachorro, veio do amigo, e não da própria mulher. No livro esse trecho é tão cativante. Não entendi porque optaram por isso.

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Passando para os atores… Não sei se por conta da Jennifer Aniston, mas sentia falta do David Schwimmer, o Ross de “Friends”. Owen Wilson não deu química, nem com ela, nem com Marley. Com o cachorro então, parecia até que nunca teve um, ou que nunca gostou de fato de um. Pena! Um outro ator, teria feito muito melhor o personagem. Quem mais se identificou com o Marley foi quem fez o filho mais velho, Nathan Gamble. Esse tem futuro até para fazer uma série de tv, ou com o Marley, ou em remake da Lassie. A que fez a babá do Marley, também não me cativou. Klathleen Turner, que faz a instrutora de cachorros… Não sei se a convidaram por sua atuação em “Mamãe é de Morte”. Mas também foi fraco sua atuação. E confesso que na hora pensei no Damon Wayans, no filme “Pelotão em Apuros”, no que ele fez ao cão-guia de um dos internos. Alguém, nesse estilo teria sido mais engraçado. Afinal, mudaram trechos interessantes do livro.

Assim, quem leva o filme nas costas, é mesmo o Marley! Quem já teve, ou tem cachorro em casa, e mais, que os ama de verdade, em pelo menos algumas das artes, ou seduções do Marley, vai rir ou se emocionar com ele. Agora, quem detesta cachorros… terá um prato feito para continuar não gostando. Eu, que sempre gostei mais das raças caninas de porte médio para cima, me apaixonei por Marley! A ele, dou 10 com louvor. Ao filme como um todo, dou 7,5.

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Ah sim! Não deixem de ler o livro. Esse sim vale muito a pena ler!

“Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz.” (Milan Kundera)

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Marley e Eu (Marley & Me). 2008. EUA. Direção: David Frankel. Elenco: Owen Wilson (John Grogan), Jennifer Aniston (Jennifer Grogan), Eric Dane (Sebastian), Kathleen Turner (Ms. Kornblut), Alan Arkin (Arnie Klein), Nathan Gamble (Patrick -Age 10), Haley Bennett (Lisa), Finley Jacobsen (Conor – Age 8), Lucy Merriam (Colleen – Age 5). Gênero: Comédia, Drama, Família, Romance. Duração: 123 minutos. Baseado no best-seller homônimo escrito por John Grogan.

La Antena: A Volta do Expressionismo Alemão

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Desde que assisti ao espetacular Ensaio Sobre a Cegueira do cineasta Fernando Meirelles, baseado na obra máxima de José Saramago, estou por procurar alguma outra película que me deixe tão perplexo quanto este filme.

Quando li a sinopse de La Antena, filme independente do diretor e roteirista Esteban Sapir, tive a certeza de encontrar a dose exata para aquietar a minha sede de “quero mais cinema inteligente”. De fato, esta produção argentina pode ser encaixada no gênero cult e não é algo para qualquer um assistir.

Há pessoas que vão ao cinema apenas em busca de entretenimento. Outras pessoas assistem filmes apenas para se distraírem. Tem um outro grupo que busca uma história inteligente. Alguns tentam encontrar em alguma cenas significados para sua própria existência.

E há aqueles que apreciam cinema de verdade, os chamados cinéfilos: para esta turma, deve haver sincronismo entre fotografia, produção, direção de arte, efeitos sonoros, efeitos visuais, tomadas de câmera, atuações impecáveis, etc. O gosto deste pessoal é apurado, eles podem ser chatos, mas nada escapa aos seus olhos.

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La Antena foi filmado para este público. O filme é totalmente non-sense, diferente de tudo o que você já viu no cinema atual, tanto no enredo como nas cenas. Enquanto eu assistia um outro filme não saia de minha cabeça: Metrópolis.

Mas porque Metrópolis e porque o filme é assim tão diferente? Em primeiro lugar o filme retoma as técnicas de filmagem do tempo do cinema mudo e é fortemente influenciado pelo expressionismo alemão presente em Metrópolis e em outras obras do cinema, como Nosferatu. Isto significa que o filme é em preto-e-branco, os diálogos são transcritos na tela, os cenários são antigos, assim como o figurino, enfim, toda a fórmula do cinema mágico está ali com um único detalhe: La Antena é de 2007.

Sendo assim, o diretor aproveita de alguns novos recursos para dar mais ênfase a mensagem proposta em cada cena. Até mesmo nos letreiros que estabelecem um diálogo deixam isto mais evidente. A mistura do branco com o preto faz coisas incríveis e efeitos que no cinema tradicional corrente não são permitidos.

Mas qual a motivação de um diretor utilizar uma técnica tão antiga para um filme do presente? Conforme a história se desenvolve, entendemos que esta influência do expressionismo alemão é a que caracteriza melhor a história: Em algum lugar no século XX, alguém roubou as vozes das pessoas e elas foram condenadas a viver sem voz. Nestes tempos, a vida das pessoas são orientadas por uma única empresa: a TV. As pessoas se alimentam com a TV, vislumbram o tempo passar em frente a TV, trabalham para manter a TV funcionando e afins.

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O proprietário da TV é um senhor malvado e totalitário. Ele pretende assumir de vez o controle da sociedade com um plano maligno que envolve raptar uma mulher sem face chamada Voz, justamente porque ela é a única neste mundo que consegue falar, porém ninguém consegue ver quem realmente ela é.

Não vou contar o restante da história porque a experiência deve ser individual e eu não irei me intrometer em seus sentimentos. Porém observamos que é uma bela crítica a manipulação das pessoas pelas mídias e do condicionamento frente a televisão. Espero que vocês tenham a oportunidade de assistir este filme e perceberem mais um alerta de quanto o aparente inofensivo quadrado pode influenciar em sua vida e na sociedade a qual você convive.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.  Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

La Antena (The Aerial). 2007. Argentina. Direção e Roteiro: Esteban Sapir. Elenco: Alejandro Urdapilleta  (Sr. TV), Valeria Bertuccelli (A Voz), Julieta Cardinali (Mãe de Ana), Rafael Ferro (Pai de Ana), Raúl Hochman (Filho do Sr. TV), Ricardo Merkin  (Dr. Y), Sol Moreno (Ana), Gustavo Pastorini (Homem na Rua), Florencia Raggi (Cantora). Gênero: Drama. Duração: 90 minutos.

Fim de Caso (The End of the Affair).

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De vez em quando surgem filmes de romance que nos conquistam, mas existem duas formas de fazer um filme de romance para conquistar o público: 1) Usar de voltas e reviravoltas na narrativa para fazer o público se emocionar, como Diário de uma Paixão, Titanic e tantos outros. 2) Usar a simplicidade de contar uma história triste, de amor, como As Pontes de Madison, Antes do Amanhecer e Fim de caso.

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Numa noite chuvosa de 1946, o novelista Maurice Bendrix (Ralph Fiennes) encontra Henry Miles (Stephen Rea), marido de sua ex-amante Sarah (Julianne Moore). Maurice e Sarah tiveram um tórrido caso dois anos antes, até que, sem qualquer explicação, Sarah terminou o romance. O encontro com Henry reacende a obsessão de Maurice por Sarah, num misto de ciúme e desejo em reencontrá-la. Para tanto, começa uma investigação, para poder entender o porquê do rompimento do romance entre os dois.

Ao usar truques de narrativa interessante o roteirista e diretor do filme Neil Jordan, conquista o público mesmo é com a simplicidade da história, é apenas uma história triste de amor impossível, é um filme sobre ódio, culpa, dor, e principalmente, escolhas. Poucos filmes emocionaram tanto quando esse, a veracidade dos diálogos jamais soam como algo falso, superficial.

Neil Jordan trabalha com montagem não-linear, opta por uma ordem não cronológica, e usa truques que outros filmes já usaram, o de ver a mesma cena várias vezes mudando apenas o ponto de vista, de acordo com cada personagem, truque já usado em Elefante, e no recente Desejo e Reparação, montagem muito peculiar essa.

Sobre o elenco, Julianne Moore, como sempre competente, exerce uma personagem amargurada e ao mesmo tempo corajosa, correndo desesperada atrás de sua felicidade, passeando por vários sentimentos como medo, amor, dúvida, é sempre bom ver o trabalho minimalista dessa atriz, que a cada trabalho muda, ela não engorda ou emagrace, mas muda, a forma de andar, a voz (é impressionante o trabalho de voz de Julianne Moore), não é a toa que tem o reconhecimento que tem, é porque merece.

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Agora chegando ao ponto surpreendente do elenco, Ralph Fiennes, contracenando ao lado de Moore, mas não é ela quem chama a atenção, é Fiennes, estabelecendo Maurice como um sujeito dúbio, em certo momento do filme ele pede á Sarah: “Por favor, não vá”, até então o personagem não sabe que ao ir embora, Sarah o estará deixando para sempre, mas Fiennes estabelece um jogo dúbio com o expectador, falando como se já soubesse que provavelmente não veria mais sua amante. É bom quando o ator estabelece esse jogo de ambigüidade ao expectador, permitindo várias interpretações daquilo, e ao dizer “Por favor, não vá”, poucas vezes vimos tamanho desespero e amor sem o ator sequer piscar os olhos, acredito que só vi esse tipo de cena uma vez, em Sleepers – Vingança Adormecida, quando Dustin Hoffman ameaça outro personagem sem sequer olhar para ele. Tenho certeza de que se Ralph Fiennes fosse indicado ao Oscar, essa seria sua cena exibida, e com méritos.

Por último, Stephen Rea, competente no que lhe é proporcionado, apesar de seu personagem não ser bem desenvolvido pelo roteiro e não ter a importância que merecia e podia, ele se sai bem como o desiludido Henry Miles.

A trilha de de Michael Nyman, o mesmo do ótimo O piano, é excelente, comovente e triste. A fotográfica é ótima, desde as cenas de bombas perto do apartamento de Maurice aos enquadramentos de quando os dois estão junto, quando Maurice e Sarah se beijam na chuva.

Só tem uma palavra que pode resumir Fim de caso: antológico. Daqui a 10 ou 20 anos, quando se falar em filmes de romance, não só As Pontes de Madison ou Antes do Amanhecer serão citados, mas Fim de Caso também estará nessa lista. Um filme inesquecível.

NOTA: 7,5.

Por: Kauan Morgan.   Blog: Sobre Cinema e Lobos.

Fim de Caso The End of the Affair). 1999. EUA. Direção e Roteiro: Neil Jordan. Elenco: Julianne Moore, Ralph Fiennes, Stephen Rea. Gênero: Drama, Guerra, Romance. Duração: 105 minutos. Baseado em livro de Graham Greene.