Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles, 1984)

gatinhas-e-gatoes-1984Por Francisco Bandeira.
John Hughes começaria aqui seu estilo único que marcou sua carreira, mesclando com perfeição comédia e romance, transformando os problemas adolescentes em comédias bobas e divertidas, como somente ele sabia fazer.

Molly Ringwald e Anthony Michael Hall

Molly Ringwald e Anthony Michael Hall

Gatinhas & Gatões é sim um filme repleto de clichês, mas que nunca deixa de prender a atenção do público, e que é capaz de causar um misto de sentimentos deliciosos, sejam eles lacrimosos ou sorridentes.

O filme tem a marca registrada de Hughes, da desconstrução dos estereótipos, onde os personagens do começo do filme vão mostrando quem realmente são e, ao final, são notórias suas mudanças. Mas não só deles, pois o público começa a ver melhor quem eles são de verdade. E talvez isso que torne Gatinhas & Gatões tão especial, pois é impossível não torcer por um final feliz para cada personagem de seu filme. Lindo, inocente, divertido e bobo, como todo bom filme desse cineasta que entendia os jovens dessa geração como poucos.

Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles. 1984). Ficha Técnica: página no IMDb.

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O Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985)

clube-dos-cinco_1985Por Francisco Bandeira.
Um clássico absoluto sobre o tema, escrito e dirigido pelo mestre John Hughes, O Clube dos Cinco vai muito além de um típico filme sobre adolescentes em crise, explorando os estereótipos que nos são dados por toda vida, mostrando que somos muito mais que aquilo. Somos apresentados a cinco personagens: o rebelde, sem futuro (Judd Nelson); o nerd, filhinho da mamãe (Anthony Michael Hall); a patricinha mimada e puritana (Molly Ringwald); a louca sem salvação (Ally Sheedy); o atleta burro ou brutamontes (Emilio Estevez). Ainda há um professor (Paul Gleason) linha dura que parece querer infernizar a vida dos cinco alunos que ficaram de castigo. Porém, nesta fita, o cineasta faz uma bela desconstrução de todos esses rótulos, encorajando os personagens a mostrarem quem realmente eles são.

clube-dos-cinco_01Talvez o aprendizado de uma longa conversa, onde o objetivo não é só conhecer ao próximo, mas sim olhar para dentro de si mesmo e ver o que existe de verdade lá. Esse sim é VOCÊ, e nunca, jamais deixem que te façam pensar o contrário! Você pode ser o que quiser, não o que os outros querem que seja. E nada demonstra melhor isso do que o soco no ar de John Bender ao som de Don’t You (Forget About Me), do Simples Minds, enquanto sobem os créditos finais, simbolizando a liberdade enfim encontrada por todos eles.

Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

Os Outros Caras (The Other Guys. 2010)

Quando um filme se propõe a dar destaque a uma dupla, para mim, é primordial que haja uma química entre eles. Mais importante que a trama em si. Até para ficar memorável. Exemplo disso seria com o filme ‘Lethal Weapon’, onde só com a menção do título me vem à mente os dois atores: Mel Gibson e Danny Glover. E não foi o que aconteceu com ‘Os Outros Caras‘. Pois nele tivemos dois solos onde não deveria ter. Houve um solo maior que a mim pareceu que fora involuntário. O lance é que Will Ferrell (Gamble) levou o filme quase todo nas costas. Pois não houve uma afinidade com Mark Wahlberg (Hoitz).

Outro ponto que eu não gostei foi com explicações demais. Uma narração em Off até traz um certo charme ao filme. Mas desde que não detalhem tanto. Deveriam deixar que aquele que vê o filme tire as suas próprias conclusões. Afinal, piada não se explica!

Ainda há dois outros pontos pesando contra, mas falo deles mais adiante. Agora, entrando na estória do filme. De quem seriam esses outros caras.

Mas para entender um pouco de como eles entrariam em cena, deixando de serem os outros, se faz necessário contar quem seriam aqueles que eles tomariam o lugar. Para isso, uma fala já faria um raio-x completo. Algo mais ou menos assim:

O que justificaria milhões em prejuízos numa perseguição de uma apreensão com algumas gramas de maconha?

Pois é! Os policiais que amam armar um circo como esse ai são os Tiras do momento. São eles: Highsmith (Samuel L. Jackson) e Danson (Dwayne Johnson). E até que com essa dupla houve química. Agora, não gostei de como saíram de cena. Foi algo surreal demais. Que ficou sem graça. Poderiam ter um final à altura do espetáculo que tanto amavam, ou algo do tipo pastelão. Por mais sátira a filmes de Tiras, fazer o que fizeram seria o mesmo que dizer que não tinham cérebros. Enfim…

Com isso, temos os outros: aqueles que ficam nos bastidores, ou melhor, os que fazem o trabalho burocrático da Polícia. Até os que encontrariam desculpas que justificassem os prejuízos dos que saem em campo. Para lá vão os que cumprem alguma punição – que é o caso do Hoitz -, como também aquele que gosta da investigação sem ação, pesquisando no Sistema – que é o que Gamble prefere fazer. A comandar todos, até os policiais que vão nas capturas, há Capitão Gene. Personagem de Michael Keaton. Um personagem que poderia ter rendido muito mais. Pena!

Hoitz queria os holofotes da mídia, mas mostrando que era um bom policial. Mais! Para que esquecessem de vez o grande fora que dera. Como para descontar toda a sua raiva, ele desconta em Gamble. Que para todos: é um nerd para saco de pancadas. Acontece que Gamble era um nerd sim, mas com algo a esconder. Assim, via também nesse trabalho burocrático, uma auto punição.

O filme é uma comédia que em vez de pastelão beira ao escatológico. A cara que Wahlberg faz ao ver que as gatas amam Gamble, é onde seu solo voa mais alto. Clichê ou não, é hilário. Ferrell está ótimo em todas as cenas. Que me levou a querer só elas. Até entendo que teriam que mostrar também um pouco da vida, do drama do Hoitz, mas ficaram enfadonhas. Ah! As louras terão um momento de revanche com a personagem da Eva Mendes, que no caso é morena. Enfim, é um bom sessão pipoca. Mas esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Outros Caras (The Other Guys). 2010. EUA. Direção: Adam McKay. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 107 minutos.

Kick Ass – Quebrando Tudo

Kick

O nerd. Sujeito ignorado pelas garotas, ignorado pelas pessoas, apenas o Dave. Ele só existe. Mas até que um dia, encontra a chance de aparecer para as pessoas, impressionar a garota por quem é apaixonado e acalmar seu ego. Não estou falando do Homem Aranha nem de qualquer outro sujeito que apareceu numa fantasia e decidiu ajeitar o mundo. Estou falando do KICK ASS!

Ele possui todos os atributos, é desajeitado, é nerd e viciado em HQs. Mas a partir do momento que decide comprar uma roupa de mergulho na internet e sair pelas ruas defendendo os cidadãos indefesos, sua vida muda repentinamente. Sem querer, acaba envolvido com outros heróis e conseqüentemente com um vilão de verdade, que quer sua cabeça numa lança. E daí o filme acaba indo por duas frentes – por sinal, muito bem trabalhadas. A primeira é a adolescência do Kick Ass, na verdade, Dave Lizewski, que num misto de coragem e insânia decide lutar contra o crime.

O ato do jovem rapaz é louvável, mas poderia muito bem deixar passar o tanto que se pode trabalhar dentro disso. E o fato de o filme usar a adolescência do protagonista como pano de fundo é uma sacada muito boa. Ele com a menina por quem é apaixonado, ele e os amigos, como ele vive e tudo o que passa na cabeça dele. A abertura é excelente. Em poucos minutos resumem todos os pensamentos de um nerd no auge de sua vida estudantil.

Diferente das abordagens dadas por Homem Aranha por exemplo, aqui é tudo tratado com mais humor, sem deixar de ser verdadeiro. No caso de Peter Parker, tudo ganha ares mais fantásticos. Com Dave é tudo diferente, é tudo tão real e a realidade é tão engraçada.

Aos que são fãs de HQs e acompanham avidamente tudo o que rodeia esse universo, o filme é também quase uma homenagem. Ainda que em alguns momentos aborde de maneira escrachada até demais – chegando ao ponto de “parecer” ofensiva – atinge seus objetivos e só ganha méritos com isso. Todos vão se identificar com alguma passagem do filme, e isso gera uma interação bastante curiosa.

Eu mesmo, assistindo me vi naqueles pensamentos. Creio que muitos quando criança queriam ter super poderes, sair por aí acabando com o crime, e o filme consegue resgatar de forma sutil isso tudo. O resultado é: acompanhamos o filme de maneira diferente, torcendo pelos protagonistas até o fim. O diretor consegue isso com muita facilidade. Matthew Vaughn tem esse talento, de nos inserir na trama para que possamos caminhar conforme o que ele mostra.

Sua forma de dirigir é fantástica e real ao mesmo tempo. Muitas passagens do filme mostram isso como por exemplo, Kick Ass tentando pular de um prédio. Entra uma trilha sonora inspiradora, cortes e ângulos que enchem os olhos, o personagem dizendo algo encorajador e no fim, ele para na beira do prédio. A cena diz muito do que é o filme. Os heróis que nascem do nada e muitas vezes, quando pensam estar preparados para tudo, acabam se deparando com algo pior. A visão é até um pouco pessimista, mas o filme leva tudo com tanto humor e gore que é quase impossível não viajar na trama, e ao fim, sair pensando consigo mesmo a respeito de tudo isso.

O bom humor que vem no filme, preserva o humor peculiar e não caricato dos quadrinhos criados por Mark Millar e John Romita Jr. A desromantificação (criei uma palavra?) dos super heróis, tornando eles mais humanos e menos poderosos ainda é mantida no filme. Sem, é claro, tornar ninguém ali um anti herói. Estão todos bem caracterizados, com seus trejeitos e manias. Sabemos bem quem é herói e quem é bandido. Isso pode até soar clichê, mas é tão bem trabalhado, e parece até que a falta de reviravoltas mais instigantes nem tem importância.

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Continuamos adorando o filme mesmo assim.

Até o fato de o filme fugir um pouco da HQ que o inspirou não atrapalha. Problemas como esse sempre diminuem o filme ou fazem dele uma grande droga. Exemplos não faltam. Só que aqui, o roteiro soube bem brincar com isso. Usando o mesmo pano de fundo dos quadrinhos e retorcendo as personagens para dentro do roteiro do filme e pronto. Detalhes importantes como o fim de alguns personagens como o Big Daddy e a Hit Girl, ou do próprio Kick Ass não passam de “aperfeiçoamento” diante dos quadrinhos. Consultei alguns fãs para saber se isso atrapalhou e foi quase unânime: o filme é incrível e não deixou faltar nada da essência do Kick Ass de verdade. E eles tem razão.

O roteiro é inteligente, com humor bem sagaz, às vezes caricato, mas sempre eficiente. Mantêm-se durante todo o filme, gags, piadas, tudo bem encaixado e nunca fugindo do foco. É tudo quase uma sátira dos heróis mais famosos. O filme copia com gosto seus gestos, chavões até mesmo algumas manias. Muito bacana o filme usar isso a seu favor e só abrilhantar mais a delirante história do herói às avessas. Com isso, é totalmente perdoável qualquer alteração que tenham feito dos originais.

Meu medo quando soube que Matthew Vaughn estava na direção, era de que ele usasse os cortes que usou em seus filmes de gângster inglês. Idas e vindas e tudo confuso e depois se explicando. E assim como seu protegido Guy Ritchie em Sherlock Holmes ele não fez isso. O filme flui tão tranquilamente, o que dá tempo de desenvolver sem muita pressa os outros personagens. E dentro disso, ele ainda mesclou referencias a outros filmes, o que deixou ainda mais bacana Kick Ass.

Há uma seqüência, onde conta a história do Big Daddy, toda feita em quadrinhos, lembrando de certa forma a seqüência em animê de Kill Bill Volume I, ou um “Say Hello to my little friend! ou melhor, um final digno de Charles Bronson. E unindo a tudo isso, referencias mil a todos os personagens de quadrinhos que puderam. As referencias são bastante notórias e resta aos fãs se deliciarem com tudo o que é mostrado. Não apenas aos fãs de Kick Ass, mas de cinema e quadrinhos em geral.

O que acaba sendo outro acerto do diretor, que com isso nos brinda com uma adaptação dentro de tudo o que os quadrinhos quiseram: um herói diferente que nos fizesse ver além do fantástico sem deixar de ser fantástico. Só faltou um pouco mais de violência e sangue.

E o elenco mais confortável impossível. Aaron Johnson está ótimo como Dave/Kick Ass. Mark Strong está caricato e maravilhoso como o vilão Frank D’Amico, e até Nicolas Cage como Big Daddy está bem. Nem seu olhar de peixe morto conseguiu comprometer o filme. Todas as suas aparições são ótimas. Só que, o filme não seria o mesmo sem a presença de Chloe Moretz a Hit Girl! Sim, ela é a personagem do filme. Doce, violenta, esperta, corajosa, mais macho que o próprio Kick Ass! Ela profere palavrões, desmembra seus oponentes e ainda nos conquista com seu sorriso lindo e jeitinho de menina doce. Ela está perfeita. O problema foi que não pode ver o filme, já que pegou censura alta nos Estados Unidos.

E o que falar da trilha sonora? Ver Hit Girl matando os bandidos ao som de Ennio Morricone ou ao som de Joan Jett “Bad Reputation” creio eu resumem bem. E esses não são os únicos momentos.

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E com aproximadamente duas horas de duração, Kick Ass é diversão garantida, diferente de tudo o que os filmes de heróis tem feito ultimamente. Imperdível aos fãs da HQ, imperdível aos fãs de quadrinhos, imperdível aos fãs de cinema.

Nota: 9,5
Cotação: *****.

Kick Ass, Reino Unido/EUA (2010)

Direção: Matthew Vaughn.
Atores: Aaron Johnson , Nicolas Cage , Chloe Moretz , Christopher Mintz-Plasse , Mark Strong.
Duração: 117 minutos.

Juno (2007). Gravidez na Aolescência. E Agora?

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Transar é muito bom! Mais há de se pensar no amanhã. Onde até os cuidados para isso podem ser prazeirosos nas preliminares. Além das DSTs corre-se o risco de uma gravidez. E se ela veio sem ser planejada. Fazer o que? O Filme “Juno” traz à mesa de discussão esse tema: gravidez precoce.

Simplesmente encantador esse filme! São raros os filmes que mostra esse universo adolescente sem os eternos clichês. E d um jeito mais real. Até porque nós que passamos por essa fase sabemos quais foram os nossos verdadeiros dramas; e queríamos respeitos por isso. Afinal, todos compõem essa tribo, quer seja um nerd, ou um alienado, ou um do meio-termo…

Merece elogios também por abordar algo que está em triste ascensão: a gravidez na adolescência. Os problemas advindo com esse ato. Aborto… Adoção… Os Pais… A escola… Por aí…

Claro que também para quem já conhece minhas resenhas… Nesse EU dou um BRAVO por ser mais um que aborda o universo feminino sem estereótipos, e o faz com muito respeito. Ainda mais com algo tão feminino: a concepção. E o desejo de fato de querer ser mãe ou não. Pois não basta só gerar uma criança.

Outro grande trunfo está nos atores. Bela escolha de elenco!

Entrando na história… Juno (Ellen Page) tem consciência do que fez. Não fora algo apressado. Aconteceu. Ou melhor! É o quem tem grande chances de ocorrer numa transa se não se precavem: a gravidez. Ao contar primeiro a uma amiga Juno nos conquista de vez!! É! O “pai” (Michel Cera) fica sabendo depois. E dentro de todo um aparato…

O lance seguinte é contar aos seus pais. A mãe, mora longe; fez outra família. A presenteia com cactos. Juno mora com o pai e a madrasta. Contar. Como contar a eles… Outro ponto alto do filme! A cena é perfeita! Os medos e anseios que passam na cabeça de cada um antes de ouvir… E no modo maduro após a notícia. Afinal, já está feito.

Nesse ponto há algo de muita maturidade. Algo que muitos adultos ainda não alcançaram esse nível de desprendimento. Quando Juno decide que uma outra família é que criará seu filho. E o faz com tanta naturalidade. Sem os preconceitos morais, religiosos tão comuns no mundo adulto. Eu amei!

Juno segue na escolha de um casal feliz, que se amam, que darão muito amor ao seu filho! Mas existe um casal perfeito? Uma criança precisa realmente de ter pai e mãe perto dela para ser feliz?

Juno e o Pai (J.K. Simmons) se querem muito bem. E durante uma conversa, querendo saber da tristeza dela em querer saber se duas pessoas podem mesmo ficar juntas para sempre… Ele então diz: “Que o melhor a fazer é achar alguém que a ame pelo que você é. De bom ou mau humor. Feia ou bonita. O que for… Esse é o tipo de pessoa com a qual vale a pena ficar.” Lindo conselho!

E destaque também para a trilha sonora!

Ah sim! Já me disseram que não sou um parâmetro em saber se o filme tem trechos que emocionam ou não. Hehe… Por eu ser manteigona. Bem, nesse para mim teve sim. De lágrimas riscarem a minha face com algumas cenas.

Amei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Juno. EUA. 2007. Direção: Jason Reitman. Roteiro: Diablo Cody. Com: Ellen Page, Michel Cera, J.K. Simmons, Allison Janney, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman.

Curiosidade: Diablo Cody levou o 0scar 2008 em Roteiro Original. E foi a sua estréia como roteirista. Premiação merecida!