Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2010)

coracoes-perdidos_2010Por Norma Emiliano.

A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe”. Allá Bozarth-Campbell

A morte de um filho, principalmente jovem, bem como a da mãe quando se é criança, provoca sentimentos ambivalentes, nos quais a culpa, a raiva, o desalento constroem muros, isolando as pessoas até de si mesmo.

O filme Corações Perdidos cruza as vidas de um casal (Lois e Doug), que perdera sua filha adolescente, e de uma jovem órfã (Allison) que perdera a mãe desde os cinco anos.

O silêncio impera entre o casal que não fala da morte e de nada que os incomode; na casa, o quarto da filha mantém-se intacto sinalizando a negação da morte. Alisson vaga solitária pela vida sem amor a si própria, trabalhando como strip, sujeitando-se à prostituição.

Na trama, Lois, após a morte da filha, fica deprimida, não consegue sair de casa e sua relação com Doug é distante e conturbada. Ele vive uma relação extraconjugal, e a morte abrupta da amante o deixa sem direção. Porém, quando viaja à negócios, seu encontro com Allison lhe desperta os cuidados paternos e ele abandona a esposa.

Lois tenta superar seu pânico e vai ao encontro do marido e acaba também se envolvendo com as questões de Alison. No desenrolar do roteiro, Allison fará com que o casal lembre-se do real motivo que os uniu e sua relação com eles transforma suas vidas.

O luto é inevitável; superar a dor da perda é um processo cujo tempo é subjetivo, pois cada pessoa tem um “tempo emocional”. No filme os personagens encontram-se aprisionados à negação, “dormência emocional”. O cruzamento das histórias (casal e jovem prostituta) dispara o movimento para cura através da quebra do silêncio, da recuperação da autoestima e da mudança de hábitos.

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Sudoeste. (2011)

Cuidado! Definitivamente, “Sudoeste” de Eduardo Nunes não é para qualquer plateia acostumada aos produtos de fácil digestão ou sequências vertiginosas e barulhentas que infestam as telas. No entanto, está longe de ser pretensioso ou chato se houver disposição para encarar uma experiência nova, intimista e silenciosa. Portanto é necessário esquecer COMPLETAMENTE os celulares (Por que parece tão difícil e doloroso nos dias de hoje?), os cochichos e pensamentos evasivos. Relaxe, respire fundo e tente imergir no estranho e fascinante clima ambientado numa vila pacata, carente e supersticiosa perto do mar.

Magnificamente fotografado em preto e branco num ousado e raro formato panorâmico muito mais estreito do que o usual 2:35.1, valorizando os horizontes das paisagens à larga, as imagens deslumbrantes começam a surgir para contar sem nenhuma pressa a saga de Clarice, uma menina cuja mãe faleceu no parto e foi resgatada em segredo por Dona Iraci (Léa Garcia). A velha é conhecida como bruxa pelo povo da região e atiça a curiosidade das crianças que se aproximam de sua palafita no meio da água para descobrir seus segredos e supostas forças ocultas. Logo, Clarice decide explorar a vila à procura dos meninos e encontra personagens e situações que parece ter vivenciado em algum outro momento.  A partir deste momento, é exigida do espectador uma boa dose de sensibilidade para perceber que não se trata de uma estória ordinária e linear. Clarice, já crescida (A ótima Simone Spoladore) oscila intemporalmente seus momentos de criança e adulta onde encontra personagens que se confundem e convergem com habilidade para um momento chave: Uma situação de violência sexual que irá marcar a vida de Clarice em toda a sua existência. João que é seu novo amigo poderá ter sido seu irmão e algoz num outro momento, bem como seu próprio pai pode ser um estranho ou inimigo disfarçado por uma máscara bizarra de folia folclórica. Os papéis secundários como o da amante vivida por Dira Paes são perturbados pelos acontecimentos aparentemente sobrenaturais, tanto quanto a audiência menos experiente que corre o risco de estranhar este intrincado jogo de cena.

A obra deve ser encarada como um experimento belo, original, onírico, singular e poético sobre um ciclo de pessoas que chegam e partem como o vento do título (Que permeia todo o filme como outros sons da natureza). Definitivamente ou não.

Por: Carlos Henry.

Sudoeste. 2011. Brasil. Diretor: Eduardo Nunes. Roteiro: Guilherme Sarmiento, Eduardo Nunes. Elenco: Simone Spoladore, Raquel Bonfante, Julio Adrião, Dira Paes, Mariana Lima, Everaldo Pontes, Victor Navega Motta, Regina Bastos, Léa Garcia. Gênero: Drama. Duração: 129 minutos. Classificação: 12 anos.

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2010)

coracoes-perdidos_2010

A vida é uma história contada por loucos, cheia de som e de fúria, que nada significa.” (Macbeth – Cena V, Ato V)

Logo no início do filme me veio uma fala já ouvida tantas vezes: “Ruim com ele, pior sem ele!“. É! Ela é dita por uma escolha de tantas mulheres casadas. Por talvez terem medo da solidão, terminam fechando os olhos às puladas de cerca do marido. Mas também por ainda amá-lo como antes. Sem saber o que fazer ao certo, termina por afastá-lo de vez. Mais ainda há um outro fator que em muita das vezes acaba roubando toda a sua atenção: os filhos. Um filho é para somar a uma relação. Mas se a balança está pendendo toda para ele, mais a frente virá uma cobrança.

Em “Corações Perdidos” me deixei pensar no porque de um homem estando casado, e ainda amando sua esposa, teria uma amante cativa. Uma relação sem cobranças. Mantida há 4 anos. Onde tendo um único dia da semana para se encontrarem e transarem. Algo também estagnado. Sem paixão. Sem tesão pela vida por estarem vivos.

Assim conhecemos um pouco do casal Rileys: Doug Riley (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo). Que após a perda da única filha pareciam não ter mais um sentido na vida. Ambos, sentiam-se culpados. Lois por ter se intrometido demais na vida da filha. Doug pelo contrário, por ter ficado ausente demais.

Se uma morte os fez ficarem assim apenas sobrevivendo, uma outra leva Doug a acordar. Mas ainda sem saber que novo rumo vai dar a sua vida, aproveita uma viagem de trabalho para pelo menos ficar longe da esposa. Vai a uma Convenção Anual em Nova Orleans. E ali, em meio a rostos conhecidos, vendo todos fazendo tudo igual, Doug foge também dali.

Nessa fuga, até de si mesmo, Doug conhece uma jovem stripper. Ela é Mallory (Kristen Stewart). Alguém a quem o destino também lhe tirou algo caro: sua mãe. Levando-a a enfrentar às ruas bem cedo. Onde para sobreviver, coloca uma couraça em seu coração. Ainda não sabendo ao certo o que estava fazendo, Doug resolve cuidar de Mallory. Tentar dar a ela uma outra expectativa de vida. Mas Mallory não estava acostumada a gentilezas. Nem muito menos em ter um homem querendo apenas ser um pai. Que não queira transar com ela.

Doug então comunica a mulher que vai ficar em Nova Orleans. Vendo que estaria perdendo de vez o marido, Lois tenta vencer o pânico de sair de casa, e viaja até lá dirigindo um carro. Ela também estará acordando para a vida nesse longo trajeto. E será o contraponto na relação entre Doug e Mallory.

Entre fazer uma longa análise com esses três corações perdidos, o que levaria a spoilers, eu preferi traçar apenas um breve perfil e de como o destino levou suas vidas se cruzarem, e ter algum sentido. E com isso motivá-los a assistirem. Pois o filme é ótimo! Com atuações brilhantes!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2010). Reino Unido / EUA. Direção: Jake Scott. Gênero: Drama. Duração: 110 Minutos.

Menina dos Olhos (Jersey Girl. 2004)

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Antes é um filme de Kevin Smith. E ele gosta de falar de pessoas comuns dentro do universo que conhece bem: Nova Jérsey. Algo como morar na periferia, mas de olho na cidade grande. Logo suas histórias tem o gosto de lugar-comum. Quem mora, ou morou em subúrbios, se identifica. Por que disso? Porque eu gosto de seus filmes. Mais um pouquinho! Creio que essa frase – “Aviso: se alguém tentar encontrar um tema nesta narrativa, será processado; se tentar encontrar uma moral, será banido; se tentar encontrar um enredo, será fuzilado.” – de Mark Twain (Em relação ao seu livro: Hucklerberry Finn.) cairia bem a Kevin Smith dizer sobre esse filme. Ou, dizer sobre seus filmes a aqueles que desconsideram seu trabalho.

Agora sim entrando no filme. Além da relação pai/filho há também algo implícito no personagem principal por conta de não ter superado uma perda. Simplesmente a sufocou. E quando ela vem à tona, saiam de baixo! Porque as cobranças não serão nada agradáveis.

O personagem de Ben Affleck é um RP (Relação Pública) de sucesso. Mora em NY e tem suas raízes em New Jérsey; e lá que vive seu pai. A quem apenas visita. Mas fica no ar que tem vergonha dessas raízes. Algo também sufocado. Ao apresentar o pai a futura mulher, mais que obter dela uma aprovação, creio que no fundo ele quis encaixar o pai em sua nova vida. Mas vida só há uma. Nela temos as experiências vividas e que não dá para voltar atrás. Muito menos com a chegada de uma filha. Não é um brinquedinho.

Com a morte da mulher no parto ele fica perdidaço. Pior! Ele surta perdendo aí o emprego que tanto amava e todo o stastus quo. Então volta a casa paterna com a filha, e desempregado. Mas numa de que o seu pai é que seria um pai para a sua filha. O tempo passa, mas em sua cabeça só o voltar a ser o que era.

Sendo um filme de Kevin Smith há: uma locadora de filmes, um balconista – nesse uma balconista -, conversas sobre sexos (transas)… e em New Jersey. Aqui que entra a personagem da Liv Tyler em sua nova via. A tônica está nas falas.

A atriz mirim é um encanto! Salva o Ben Affleck. Outro que rouba a cena, é o George Carlin. E Will Smith é ele mesmo. Mesmo sem maiores pretensões, o filme traz um certo encanto. E emociona! Confesso que chorei no final. A Trilha Sonora é ótima!

Em relação a algo sobre o Will Smith no filme, na cena que culminou com a perda do emprego do personagem do Ben Affleck, me pareceu que foi uma ironia do Kevin Smith aqueles que desdenham alguém em início de carreira.

Peguem a pipoca, e curtam o filme! Nota: 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Menina dos Olhos (Jersey Girl). 2004. EUA. Direção: Kevin Smith. Com: Ben Affleck, Liv Tyler, George Carlin, Raquel Castro, Jason Biggs. Participação especial: Will Smith, Jennifer Lopez, Jason Lee, Matt Damon. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 113 minutos.