As Montanhas se Separam (2015). Numa Promessa de uma Vida Melhor

as-montanhas-se-separam_2015_cartazPor Christine Marote.
Assisti o filme “As Montanhas se Separam”, do diretor chinês Jia Zhang-ke, e resolvi dividir com vocês, por alguns motivos. O filme é em mandarim, legendado em português. E sempre se fala que uma boa maneira de se aprender uma outra língua é assistindo filmes… Isso é fato. Mas nunca me atrevi a assistir um filme em mandarim desde que comecei a aprender essa língua. Achava que nunca iria entender nada, que ficaria perdida. Ok, também morando na China nunca havia encontrado um filme com legenda em português. Mas o fato é que fiquei super empolgada em reconhecer as palavras e expressões da fala cotidiana. Como usam expressões que eu achava que só servia para uma situação, e percebi que não. E faz todo sentido. Muito legal.

as-montanhas-se-separam_2015_02“As Montanhas se Separam” retrata a China do começo do século 21. Ele começa na virada do século, e algumas cenas que vi, me lembrou muito algumas situações que presenciamos em Chang Chun, quando chegamos na China em 2004. Até porque ele é rodado no interior do país, o que mostra uma outra realidade, bem diferente de Shanghai, mesmo naquela época.

A abertura econômica e as possibilidades que se abriram para o enriquecimento da população, ou não. As consequências que esse dinheiro, que chegou muito rápido, trouxe para as pessoas e a sociedade chinesa. Bem interessante.

Ele está em todos os cinemas do Brasil! Essa é a melhor parte, né? Estou falando de um filme que todos terão acesso. Não esperem uma produção hollywoodiana, mas um filme cativante e bem interessante sobre uma sociedade, que apesar de estar na mídia mundial, poucos conhecem de perto.

as-montanhas-se-separam_2015_01Um resumo de “As Montanhas se Separam”: Uma história narrada em três períodos: 1999, 2014 e 2025. Começando pela China em 1999. A professora Tao (Zhao Tao) é cobiçada pelos seus dois amigos de infância, Zang (Zhang Yi) e Lianzi. Zang (Jing Dong Liang) é proprietário de um posto de gasolina e tem um futuro promissor, enquanto Liang trabalha em uma mina de carvão. No coração dos dois homens, Tao terá de fazer uma escolha que determinará o seu destino e o futuro de seu filho, Dollar. Zhang, com espírito empreendedor capitalista, vai se tornar dono da mina em que Liangzi trabalha e, assim, o confronto amoroso se espelha e se reflete no confronto da China moderna, entre trabalho e capital, que põe em xeque a própria identidade do país.

Tempo depois, entre uma China em profunda mutação e uma Austrália com a promessa de uma vida melhor, esperanças, amores e desilusões, esses personagens irão encontrar os seus caminhos.

As Montanhas se Separam (Shan he gu ren. 2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Vai, Eddy! (Allez, Eddy!. 2012)

allez-eddy_2012Por que essas crianças não gostam das que são diferentes?

Sim! O filme “Vai, Eddy!” é mais um a mostrar a dor de uma criança diante do bullying. Mesmo por aquela disfarçada vinda da própria família. Pois ele também mostra a exclusão de dentro do que deveria ser o lar: de um porto seguro para essa criança. Há pais que disfarçam ao manterem o filho confinado dizendo de que seria para lhes proteger, quando no fundo é por sentirem vergonha dele “diferente”. Como virar esse jogo? E é pelo olhar dessa criança que conhecemos a história do pequeno Eddy (Jelte Blommaert). Sua própria história num capítulo especial por ter sido um divisor de água.

allez-eddy_2012_02Com tanta pressão e contras ele precisaria de pelo menos um pequeno incentivo para conseguir superar a si mesmo e então realizar um sonho. Pequeno ainda, mas impossível diante do seu problema. Até pelo bullying que sofreria. Tal incentivo veio por uma mudança que chegou ao pequeno vilarejo onde morava. Algo que faria frente ao seu próprio pai, um açougueiro, que via na chegada de um supermercado um concorrente desigual. Mas essa mudança trouxera bons ventos para si: a jovem Marie (Coline Leempoel), filha do proprietário do tal supermercado.

Ah! Estamos falando da década de 70, onde esses tipos de mudanças foram bem marcantes para quem vivenciou essa época. Que como é dito no filme, o mundo estava mudando e as pessoas deveriam também mudar junto com ele. Mas não apenas no material. Esse é ponto alto do filme: mudar o modo de pensar. De ser mais livre de preconceitos. Em aceitar as “diferenças”. Como também em ser aquele que fará a diferença no coração desse ser “excluído”. Pois com bem diz a letra “É preciso ter garra, ter força, sempre…” até para se adaptar diariamente as contingências do destino. Com ajuda essa “concorrência” não fica tão desleal.

Eddie vinha de uma família de “mestres da carne”: passado de pai para filho. É que dizer apenas açougueiro não mostra de que há toda uma técnica por trás de um corte de carne. Quem viveu a era antes dos grandes mercados, sabia disso. Tinha respeito e confiança no açougueiro do bairro, e ele por sua clientela. Ele até dava dicas no preparo da carne comprada. Acontece que Eddie não herdou esse talento. Mesmo que as técnicas possam ser aprendidas, aperfeiçoadas, o dom pela profissão também conta muitos pontos. O talento de Eddie estava no Ciclismo. Que por viver confinado arrumou uma solução: prendeu a bicicleta alta do chão. Assim treinava diariamente em seu quarto, no sótão da casa. E “percorria” longos trechos lá do alto.

allez-eddy_2012_00Na inauguração do tal supermercado haveria uma corrida de bicicletas entre os jovens da localidade,, até como uma política de boa vizinhança. Mas alguns dos moradores locais relutaram em aceitar esse progresso que entre outras coisas trazia comidas embaladas, enlatadas… Agora, uma outra parte amou. Levando o pai já de cara perder uma grande parte da clientela. Dividido entre ajudar o pai no açougue e enfrentar seus próprios medos… Eddie também estava sozinho para ir disputar a tal prova. Ou quase. Porque como citei no início o destino lhe trouxera um “anjo da guarda”: Marie. Foi ela quem iniciou a preparação psicológica para o primeiro passo. Ou melhor, para as primeiras pedaladas fora de casa. Até o dia da corrida, teria que também guardar segredo: a família dera o contra.

Muita coisa acontecendo na vida do pequeno Eddie, que na verdade se chamava Freddie. A alcunha vinha de um ídolo: o grande ciclista Eddy Merckx. Aliás, o motivador mesmo de participar da tal corrida fora porque o primeiro prêmio seria em ir conhecer pessoalmente esse herói nacional. Mas é melhor não contar mais. Para deixar-lhes a surpresa em acompanhar sua história. Pois “Allez Eddy!” é um filme emocionante! É dolorido, mas também gratificante! Daqueles de lavar a alma! Até por desnudar certas fachadas familiares. Bom quando se consegue trazê-las para uma sociedade mais justa, mesmo sendo num núcleo familiar. Que todos vejam que cada um é um ser único e especial, mas que faz parte da engrenagem chamado vida. Filme para ver e rever! Ah! Eu vi pela televisão.
Nota 10!

Vai, Eddy! (Allez Eddy!. 2012). Bélgica. Diretor: Gert Embrechts. Elenco: Barbara Saafian, Julian Borsani, Jelte Blommaert. Gênero: Aventura, Comédia, Drama. Duração: 100 minutos.

Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez? (And When Did You Last See Your Father?. 2007)

quando-voce-viu-seu-pai-pela-ultima-vez_2007O filme é baseado numa história real. Como só isso não bastasse, é o personagem principal, o escritor Blake Morrison, quem nos conduz nessa viagem por algo que lhe era muito doloroso: o relacionamento com o pai. Mais do que um conflito familiar é um filho ainda sedento por amor e respeito pelo próprio pai. Quem assina o Roteiro é David Nicholls, autor do livro “Um Dia“. Ele conseguiu ser a ponte para que o Diretor Anand Tucker não ficasse apenas num drama pessoal, até porque deu ao asas ao ator Colin Firth para que não caísse na mesmice de um personagem já comum em sua carreira. Era o meu receio antes de ver o filme de o terem escolhido pelo estereótipo. Mas ele soube dar voos incríveis fazendo do seu Blake único. Comprovando que Colin Firth é um excelente ator!

when-did-you-last-see-your-father_cartazReviver antigos fantasmas foi o que o destino aprontou para Blake. Mas de um jeito que criou uma ponte para chegar ao coração do pai. Com isso, esses sentimentos puderam fluir sem mais barreiras. Mas ainda teria tempo de fazer as pazes com o pai, e até consigo próprio? Porque esse reencontro se deu por conta de um câncer devastador que estava levando Arthur Morrison. Vivido pelo ator Jim Broadbent, numa performance também excelente!

Pai e Filho de temperamentos tão opostos têm a chance de passarem esse relacionamento a limpo no leito de morte de um deles. Mas essa busca fica muito mais por Blake, até porque no passado fora Arthur quem tentou uma aproximação. Mesmo que tenha sido de um jeito tosco. Mas na cabeça do então jovem Blake já se acumulava tantos traumas que rejeitou, além de também criar muralhas nessa relação.

Quando se é muito jovem o que os olhos veem, o coração pressente. Só não se tem discernimento bastante para entender a real situação. Ou mesmo uma vivência que o faria perceber. Mas aí corre-se o risco de sofrer mais porque teria comparações. Muita das vezes uma terapia é que pode mostrar que nunca o teria como desejava. Como também que por mais que não aceitasse há uma herança genética ligando-os. Que dessa outra pessoa por mais que menosprezasse há algum traço em comum. Seria tão mais leve para muitos desses filhos que sofrem por essa rejeição, se desde cedo não se importasse muito com isso. Que pudessem crescer desencanados, ou que não pesassem tanto tal fato ao longo da sua jornada chamada vida.

Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez?” veio como um exorcismo a uma tristeza de anos para então o já adulto Blake. No decorrer do filme o personagem também terá a fase em criança – vivida pelo ator Bradley Johnson -, quando sente que a mãe, Kim (Juliet Stevenson), também guarda um segredo do relacionamento dela com o marido. Na adolescência quem o interpreta é o ator Matthew Beard. Blake então cada vez mais tímido e intimidado pela personalidade do pai. De um caráter duvidoso que ia aumentando ainda mais os pesos para esse jim-broadbent_e_colin-firth_quando-voce-viu-seu-pai-pela-ultima-vezjovem.

Assim eram as coisas com meu pai. Trapaças insignificantes, pequenas fraudes. Minha infância foi uma teia de pequenas fraudes e triunfos. Estacionar onde não se devia. Beber depois do horário permitido. Os prazeres da ilegalidade. Ele ficava perdido se não conseguisse trapacear um pouco.”

O tão terrível pai de Blake – grande interpretação de Jim Broadbent que ganha maquiagem para o envelhecimento – é tão carismático que faz com que os fantasmas de Blake foram carregados na tinta e por ele próprio. Claro que ele teve motivos até para o distanciamento tido até então do pai. Mesmo extrovertido, no fundo Arthur também se ressentia do seu próprio passado. Só que sabia mascarar seus segredos, diferente de Blake.

O título do filme “And When Did You Last See Your Father?” veio para mostrar que conflitos como esse podem ir passando de uma geração para a outra até que alguém se toque e rompa esse ciclo. Mesmo que um pouco tarde demais para a então relação, mas a tempo de seguir livre desse passado e sem cometer os mesmos erros com as próximas gerações.

Bem, cada um sabe da dor que carrega, e se quer exteriorizá-la ou não. Blake um escritor de talento, e que só não tinha o reconhecimento pelo próprio pai, resolve colocar tudo isso em palavras escritas. Contar todo o drama vivido lhe fora salutar. Até em descobrir que recebera de herança paterna o de ser original. Ser o que é!

Além das performances, da Direção num timing perfeito com o Roteiro, a Trilha Sonora vem como coadjuvante de peso. É um filme que emociona até a cena final. Mais do que doer na alma, lava a alma. Simplesmente perfeito! Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez? (And When Did You Last See Your Father?. 2008). Reino Unido. Direção: Anand Tucker. Roteiro: David Nicholls. +Elenco. Gênero: Biografia, Drama. Duração: 92 minutos. Baseado em livro homônimo de Blake Morrison.

Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)

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“Beginners” é um belo filme sobre amor, perda, vida, família, amizades e um cachorro falante (com uso de legendas). O roteirista e diretor Mike Mills me surpreendeu, fazendo um filme que tem um pouco de Woody Allen, com estrutura de filmes como “(500) Days of Summer” (2009), e, gastando apenas 3,5 milhões de dolares.

O filme começa com uma montagem de imagens narrado por Oliver (o sempre talentoso Ewan McGregor), um artista comercial que acaba de perder seu pai (Christopher Plummer). Com fotos diante dos nossos olhos, indo e voltando entre 1955 e 2003, a narrativa cresce e encanta, pois em poucos minuto, eu senti que conhecia Oliver e seus pais por anos.

Para quem é? 

ImagemPara quem gosta de um filme leve, e bem humano, “Beginners” é um aqueles filmes que encantam, e  não apenas por seu teor gay – o pai de Oliver sai do armário, quatro anos antes de sua morte. A mudança no estilo de vida do seu pai veio como um choque, mas sentimentos também a honestidade da relação entre Oliver e o seu pai.

Atores:

Provavelmente, Plummer vai levar o Oscar de melhor coadjuvante, e ele merece, mas seu personagem teria metade da humanidade que tem se ele não tivesse um parceiro de cena tão maravilhoso quanto McGregor. Achei que o filme é “quase” todo astro de “Moulin Rouge!” (2001).

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Na fase depressiva da sua personagem, Oliver conhece uma jovem atriz vivida por linda Melanie Laurent. Há uma atração instantânea entre eles, mas na cabeça de Oliver – por causa de sua melancolia – a relação parece encontrar barreiras. Entre as cenas de monólogo interior, Mike Mills brilha num truque narrativo, acrescando legendas entre o dialogo entre Oliver e o seu cachorro. Essa ferramenta apenas aumenta a forca dramatica de McGregor, que nos dar ainda mais introspecção no processo de pensamento de Oliver e suas decisões privadas.

Bem, o filme ilustra que a vida move rapidamente, e que cada um de nós temos que nos certificar que tevemos viver a vida ao máximo e nos cercarmos de pessoas que que nos ama, e amá-las de volta. E nos faz lembrar que a cada dia é um novo dia, e uma nova vida- sendo assim, posso dizer que somos todos iniciantes, certo?

Nota 9,0

Querido John (Dear John. 2010)

Ainda vendo o filme – Querido John -, fiquei pensando se teria que me posicionar como uma estadunidense para entender melhor o que ia pela cabeça do casal de protagonistas. Para pelo menos não ser tão crítica com eles vendo-os como superficiais demais. Até o engajamento de ambos não pareceu vir de dentro. Talvez por uma fuga, ou mesmo por não ter uma perspectiva maior para si mesmos. Claro que nem todos precisam nadar contra a correnteza. Nem todos precisam ter ambições profissionais. Até entenderia que a personagem aqui tivesse “saído” da Escola do filme ‘O Sorriso da Monalisa‘. Que a estória deles até possa ter dado certo no Livro. Mas no filme a estória de ambos se perdeu. Eu não sabia se abandonava a sessão ou se ansiava que chegasse logo ao final. Por fim, terminei de assistir. E… Tudo por conta de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried).

Começando por John e por algo positivo do personagem. Algo que costumo ressaltar em meus textos. O de canalizar um aspecto próprio que poderia até destruir a vida de uma pessoa. Pois já que é nato o melhor a fazer é encontrar um outro caminho, num fim benéfico, ou menos destruidor. John era extremamente forte. Mais! Reagia muito rápido, e com violência, a até a uma agressão verbal. Muito embora fosse uma pessoa pacata. Por conta de uma briga… se alistou. Para mim foi para ter como descarregar essa força e sob um comando. Criado pelo pai (Richard Jenkins – Sempre ótimo!) desde a infância. A mãe abandonara os dois. Seu pai colecionava moedas. Um hobby passado pelo filho após esse ter-se encantado com uma visita na Casa da Moeda quando criança. Ambos, de pouca fala. Seu pai era uma pessoa extremamente metódica. E tendo boa índole também.

John estava de férias – duas semanas -, do serviço militar. Em seu primeiro dia uma jovem chama a sua atenção. Ela nem o notara. Chegara com um grupo no pier onde John olhava o horizonte após surfar. O rapaz que acompanhava a jovem, ao brincar com a bolsa dela, acaba deixando cair no mar. Enquanto ele corre para sair do pier e então ir pela praia buscar a bolsa, John pula lá de cima mesmo. Um gesto imprudente que poderia até ser fatal. Era um macho chamando a atenção da fêmea. E conseguiu. Ela é Savannah. Que se sente na obrigação em retribuir o favor. Já que ele lhe trouxera sua bolsa.  Aos poucos o gelo foi se quebrando e eles começaram a namorar. Cientes que ele voltaria para o Quartel,e ela iria para a Faculdade.

Às vésperas dele embarcar, eles se desentendem. Tudo porque Savannah comenta do problema do pai do John. Ele fica indignado. Na cabeça dele, era como se ela chamasse seu pai de maluco. Savannah tinha percebido que o pai dele era autista. Ela tinha um pouco de experiência nisso por conta do filho, o Alan (Braeden Reed), de um grande amigo, o Tim (Henry Thomas), de seus pais.

Refeito e já mais calmo John vai procurá-la até para se desculpar. Não a encontrando deixa um bilhete com um vizinho. O tal pai do menino e que já sentira fisicamente uma das explosões de John. Mais tarde Savannah vai ao seu encontro e com uma carta. Selando de vez o compromisso de sempre escreverem cartas contando tudo o que faziam, enquanto estivessem longe.

A princípio, John daria baixa dali a alguns meses. Mas um grande incidente o fez mudar de ideia, e seguir carreira militar. Fora o 11 de Setembro. E é por conta disso, um dos motivos que citei no início do texto. Logo de início, até dá para entender a causa que o Bush levantou: combater os terroristas. Mas com o passar do tempo caberia uma reflexão maior. Mas é o que falei: eu não sou uma cidadã americana. Como já deixei meu ponto de vista sobre o que veio com o 11 de Setembro em alguns textos de filmes como em ‘Soldado Anônimo‘ e ‘No Vale da Sombras‘, para citar dois exemplos.

Com isso o tempo longe um do outro foi aumentando.

Savannah até pelo carinho com o pequeno autista investe seu tempo e dinheiro num Haras para uma ajuda terapêutica, ou até reabilitação de Crianças com algum tipo de sequela. Mas sem nenhum planejamento não soube levar o espaço adiante. Era algo caro demais para se manter. A bem da verdade ela estaria melhor como uma dona de casa que ocupasse seu tempo vago como voluntária em causas humanitárias. Os bastidores, era muito trabalhoso para ela. E sem John por perto a sua realidade como pessoa a levava a tomar uma decisão, e logo. Para ela a receita da felicidade era ter sonhos realizáveis.

A distância consegue matar um grande amor?

Quando se está de fora é até fácil dizer: ‘Isso eu não faria!‘. Até aqui, eu aceito. Mesmo assim o que esses dois fizeram fora um desperdício de vida. Eles se “engajaram” em causa alheia esquecendo deles mesmos. No que ela fez pode até ter um que de humanitário, mas fora precipitado.

Enfim, se enxugassem um pouco o filme ficaria como um bom sessão da tarde. Mas do jeito que está ficou um tédio. Não recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Querido John (Dear John). 2010. EUA. Direção: Lasse Hallström. +Cast. Gênero: Drama, Romance, Guerra. Duração: 105 minutos. Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.

Jacob’s Ladder (Alucinações do Passado. 1990)

Quem assistiu ao último episódio de Lost, porém não entendeu, poderá encontrar neste cult um bom caminho para ser seguido, visto que ambas as temáticas caminham de mãos dadas e a influência do filme nas diretrizes de Lost não podem ser negadas.

Arrisco a dizer, inclusive, que a ideia principal de Lost é basicamente uma proposta mais elaborada de Jacob’s Ladder (em português, Alucinações do Passado). Enquanto as inúmeras personagens de Lost trazem consigo uma trama complexa, aliada aos mistérios provenientes da ilha, Jacob’s Ladder se resolve em menos de duas horas.

Os fãs de Lost que haviam aproximado o seriado deste filme já haviam dado pistas do final há algum tempo.

Antes de irmos para a trama do filme, vale ressaltar que Jacob’s Ladder é um termo que se refere ao livro de Gênesis (28:11–19), a qual o filme pode ter sido inspirado. Para conhecimento, segue os versículos bíblicos:

E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra;
E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.
Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.
E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Então levantou-se Jacó pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por seu travesseiro, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela.
E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz.

Segundo o wikipedia, uma das diversas representações de Jacob’s Ladder aparece no quarto episódio da sexta temporada (chamado O Substituto) de Lost, o que evidencia ainda mais a conexão entre o filme e a série.

Agora sim, chega de Lost e vamos a trama do filme!

Inicialmente nos é retratado um acampamento americano em plena guerra do Vietnã, a qual é atacado subitamente. Durante o ataque, alguns soldados começam a ter comportamentos insanos e Jacob Singer – a personagem principal – na tentativa de fuga acaba sendo esfaqueado por uma baioneta.

Na sequência, vemos um Jacob num mundo onde é atormentado por lembranças da guerra, alucinações e a culpa por ter deixado o seu filho morrer antes de ir para a guerra.

Dia após dia, Jacob começa a vislumbrar coisas esquisitas, aparições demoníacas e passar a buscar a explicação para estes delírios.

Em sua trajetória, um amigo lhe diz que ele está morto, porém a não aceitação faz com que ele seja atormentado por demônios, que queimam as partes de Jacob que não desejam abandonar a vida, como as memórias. Eles não tentam puní-lo, mas apenas libertá-lo. Caso ele conseguisse ficar em paz, os demônios virariam anjos e os libertariam da Terra, o que indica que o bem e o mal são diferentes faces da mesma moeda, uma experiência relativa para aquele que a vive.

De imediato, ele acredita ser vítima de algum experimento no exército americano, que teria lhe deixado num estado quase insano. Logo se encontra com os seus colegas sobreviventes na campanha do Vietnã, que também vislumbram coisas estranhas e concordam em buscar um advogado que pudesse lhes representar contra o governo americano. Porém logo todos os seus colegas desistem da ideia no dia seguinte. Não acreditando, decide ligar para um deles, que melancolicamente diz “o que aconteceu lá aconteceu, nada mais pode ser mudado”.

Jacob continua sua empreitada e descobre que realmente eles foram vítimas de uma droga que aumentava a agressividade, logo concluímos que Jacob foi atacado não por um inimigo, mas por algum membro de seu próprio batalhão, o que explica por que eles foram pegos desavisados.

No fim sabemos que Jacob nunca saiu do Vietnã, que todos os acontecimentos apresentados fora do exército era uma espécie de purgatório provocado por uma experiência de pré-morte. Neste universo criado por Jacob, assim que ele encontra a paz, após conformar se com a situação, ele encontra o seu pequeno filho, cuja lembrança de sua morte lhe persegue por todo o filme. Os dois dão as mãos e sobem as escadas em direção à uma forte luz.

Assim que Jacob passa pelas fases do purgatório, como a redenção e a resignação, ele aceita a sua morte e fecha os olhos para sempre.

Como dito, é um ótimo filme para aqueles que já estão com saudade de Lost e querem encontrar mais referências e temáticas parecidas. Mesmo aqueles que não se envolveram com a série, podem assistir que não irão se decepcionar. Se trata de algo realizado há 20 anos e que desperta elogios por parte daqueles que prezam o gênero suspense, drama e horror, sem perder o estilo cult.