Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles, 1984)

gatinhas-e-gatoes-1984Por Francisco Bandeira.
John Hughes começaria aqui seu estilo único que marcou sua carreira, mesclando com perfeição comédia e romance, transformando os problemas adolescentes em comédias bobas e divertidas, como somente ele sabia fazer.

Molly Ringwald e Anthony Michael Hall

Molly Ringwald e Anthony Michael Hall

Gatinhas & Gatões é sim um filme repleto de clichês, mas que nunca deixa de prender a atenção do público, e que é capaz de causar um misto de sentimentos deliciosos, sejam eles lacrimosos ou sorridentes.

O filme tem a marca registrada de Hughes, da desconstrução dos estereótipos, onde os personagens do começo do filme vão mostrando quem realmente são e, ao final, são notórias suas mudanças. Mas não só deles, pois o público começa a ver melhor quem eles são de verdade. E talvez isso que torne Gatinhas & Gatões tão especial, pois é impossível não torcer por um final feliz para cada personagem de seu filme. Lindo, inocente, divertido e bobo, como todo bom filme desse cineasta que entendia os jovens dessa geração como poucos.

Gatinhas & Gatões (Sixteen Candles. 1984). Ficha Técnica: página no IMDb.

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Livro: Um Dia (2009), de David Nicholls.

Livro_Um-Dia_de-David-NichollsAcabei de ler ‘Um Dia‘ e ainda me sinto no mundo deles. Eles: Dex e Em, Em e Dex. Dois amigos que se conheceram bem no último dia de faculdade, justo quando cada um iria seguir sua vida e provavelmente nunca mais iriam se ver, a não ser pelo fato de que eles resolveram manter contato. Eles se apaixonaram, porém nem um, nem outro teve coragem de assumir (até pra eles mesmos).

Em é a garota inteligente e que não tem nem um pouco de confiança em si; não quer mudar o mundo, mas um pouquinho ao redor; sonha em ser escritora e ter uma carreira bem sucedida. Dex é aquele que não liga pra nada e acha que a vida vai se resolver sozinha, mesmo que não faça nada pra ela se resolver; tem muita confiança em si e se acha o lindo (e ele é mesmo); vive bêbado e drogado e acha que a juventude nunca vai embora.

Você é linda, sua velha rabugenta, e se eu pudesse te dar um presente para o resto da vida seria este. Confiança. Seria o presente da Confiança. Ou isso ou uma vela perfumada.” Dex para Em.

É um livro com tantas emoções que as vezes eu precisava fechar o livro e respirar. Eu ficava muito curiosa nos finais dos capítulos, o autor, David Nicholls, fez questão de terminar todos os capítulos nas partes de maior emoção. Eu ficava curiosa até que em alguns capítulos depois algum deles acabava comentando sobre aquele dia, já que o próximo capítulo seria um ano depois. O que me irritava era como eles acabavam se afastando sempre, mesmo se gostando (ou amando); ou como Dex estava acabando com sua vida estando sempre bêbado e vivendo na farra; ou como Em acabava com sua vida, colocando o diploma na gaveta e trabalhando com coisas idiotas e falando o quanto odeia sua vida; ou como eles sempre tinham oportunidade de ficarem juntos, mas desperdiçavam.

É um romance, mas não é aquele romance que o casal se olha, se apaixona, ficam juntos, algo da errado, ficam juntos de novo e pronto: final feliz. É mais real, é mais intenso. É especial. A vida realmente da voltas. As pessoas realmente vão por caminhos errados e fazem coisas que se arrependem. A vida é feita de erros e desencontros. Acho que é por isso que o livro é tão especial e entrou pra lista de favoritos no skoob (aliás, me adiciona lá).

O autor é demais e eu pretendo ler outros títulos dele ♥ A margem, a fonte e o espaçamento são ótimos e a as páginas são amareladas (♥). A capa é linda, linda. Eu encontrei alguns erros na edição, mas nada que tenha me atrapalhado muito e que eu tenha guardado pra falar (sou muito cabeça de vento e esqueci hehe).

Super recomendo o livro, é muito lindo e intenso.

Por Isabele Martins.

Procurando Amy (Chasing Amy. 1997)

No imperdível “Procurando Amy”, Holden (Ben Affleck) e Banky (Jason Lee) são amigos de infância, que moram e trabalham juntos, eles são os criadores de uma história em quadrinhos de muito sucesso “Bluntman e Chronic” inspiradas em Jay e Silent Bob.

Quando Holden conhece a bela Alyssa (Joey Lauren Adams), imediatamente se encanta por ela, os dois se dão muito bem, e o apaixonado Holden acredita que ela é a mulher de sua vida, o que ele não sabe, porém, é que Alyssa é homossexual. Mesmo assim Holden insiste na amizade com Alyssa e a situação fica cada vez mais insustentável para ele. Isto também abala sua amizade com o hilário Banky, que tenta de todas as formas terminar o relacionamento platônico do amigo.

Quando Alyssa corresponde Holden, o que parecia ser o final feliz se revela apenas o início desta história que durante os seus 105 minutos de emoções e risadas, consegue abordar de forma muito inteligente e engraçada, as dificuldades de Holden, Banky e Alyssa, em compreender e conseguir lidar com sua sexualidade, seus preconceitos, e a dificuldade de conviver, sem enlouquecer com as experiências do passado.

Como não poderia deixar de ser, o filme tem a participação da dupla Jay (Jason Mewes) e Silent Bob (Kevin Smith), a curta participação da dupla é suficiente para explicar o nome do filme e fazer Holden compreender melhor o que sente. A solução que Holden encontra para resolver os problemas com os outros dois protagonistas é esdrúxula, e fica impossível não chorar de tanto rir.

Este é o 3ª filme de Kevin Smith, com um elenco muito parecido com o de “Mallrats” (1995), a grande mudança deste para os filmes anteriores do diretor e roteirista é a capacidade de discutir temas mais “profundos”, (o que também aconteceria em seu próximo filme “Dogma”) porém sem perder a leveza, o bom humor e as longas e hilárias discussões sobre assuntos triviais como a sexualidade de um personagem de história em quadrinhos.

Por: Fry, só um pequeno camundongo…

Procurando Amy (Chasing Amy). EUA. 1997. Direção e Roteiro: Kevin Smith. Elenco: Ben Affleck, Joey Lauren Adams, Jason Lee, Dwight Ewell, Jason Mewes. Gênero: Comédia. Duração: 105 min.