Minissérie: The Honourable Woman (2014). Dentro do Conflito Israel-Palestina

The-Honourable-Woman_cartazPara um conflito de longa data onde há muitos mais interesses para que se perpetue do que chegar a uma solução definitiva qualquer passo na busca de um entendimento já seria de mais valia. Conflito esse que faz parte da História real e atual. Assim em meio até a uma liberdade de criação pelo autor em nos contar essa história o Diretor Hugo Blick, e que também assina o Roteiro, decidiu humanizar nos dando a visão feminina desse conflito, o da protagonista e de outras mais, como até por alguns personagens masculinos. Com todos eles vivenciando seus próprios dramas pessoais e aos que os ligam um aos outros e por esses longos anos da guerra de Israel contra a Palestina. E que é o pano de fundo da minissérie “The Honourable Woman“.

the-honourable-woman_maggie-gyllenhaalEm “The Honourable Woman” temos uma jovem britânica com raízes judia, ela é Nessa Stein. Personagem de Maggie Gyllenhaal que está se saindo bem na performance de uma inglesinha atrevida em adentrar num mundo que mata em vez de mandar recado. Mesmo assim Nessa investe seu tempo, seus recursos financeiros, e até colocando em risco sua própria vida como também dos seus entes queridos, pela causa Palestina. Onde ciente do campo minado que tem pela frente, tem como armas levar conhecimento a um povo oprimido até no direito de ir e vir. E o faz logo com a fortuna deixada por seu próprio pai. Ele fortificara Israel com morteiros, fuzis, tanques… Ele fora mais um a fazer de Israel um estado poderoso e insaciável.

Entre as maiores ameaças a Israel está a pobreza do povo palestino. O terror prospera na pobreza e morre em riqueza.”

The-Honourable-Woman_02Aos poucos vamos conhecendo essa mulher. Mesmo tendo presenciado o assassinato do próprio pai, ela e o irmão Ephra (Andrew Buchan) já adultos decidem dar uma guinada com o nome da família: ele não mais estaria escrito em armas. Com a fortuna criam então uma Empresa de Telecomunicações e uma Fundação com fins filantrópicos. Construindo Universidades, Escolas, Hospitais em territórios da Cisjordânia. Se os tentáculos dessa guerra em pleno Oriente Médio atravessa até oceanos… Os cabos da internet levaria muito mais do que conhecimento, pois levaria as vozes dessas pessoas ao mundo.

The-Honourable-Woman_01A outra personagem feminina relevante é Atika (Lubna Azabal) que a princípio serviu de tradutora para Nessa, mas indo parar de babá na casa de Ephran. Algo que causa estranheza em sua esposa, Rachel (Katherine Parkinson), mais ainda porque Ephran parece manter um segredo entre Nessa e Atika. No início da história o filho de Atika, Kasim, é sequestrado. E indicando que fora algo político.

The-Honourable-Woman_03As investigações começam até porque paralelo a isso um empresário palestino aparece morto. Justo o que ganhara a concorrência das Indústrias Stein para uma ampliação do cabos de fibra óptica. Uma morte com ares de suicídio, mas com indícios de assassinato. Pior! Com ordens superiores de não evoluírem nas investigações. Mas acontece que o responsável pela pasta Oriente Médio dentro do serviço secreto britânico é um agente um tanto quanto “certinho”: ele é Hugh Hayden-Hoyle. Personagem de Stephen Rea que vem roubando as cenas! Embora sua chefe tenha deixado tranquilo aos seus próprios superiores… ciente de quem é Hugh dá a ele acesso a pasta dos Stein. Sem pressa ele então segue com as investigações.

É o Oriente Médio. Os inimigos são o que você faz.

Há várias passagens de tempo, onde o passado ora volta para mostrar uma situação como uma peça de um intrincado quebra-cabeça, ora até elucidando um fato. Mas sobretudo abrindo um leque de tramas paralelas com muitos segredos a serem elucidados, ou não. Até porque “The Honourable Woman” vem para mostrar o que essa mulher está fazendo na tentativa de igualar o outro lado. Há uma fala onde ela mostra essa discrepância: que enquanto o PIB de Israel ultrapassou 220 bilhões de dólares, no mesmo período o somado pelos Territórios Palestinos mal chegara aos 4 bilhões de dólares. É a pobreza desse povo que ela e o irmão querem diminuir. Com isso, aumentando seus inimigos. “Em quem confiar?” é algo que ela se pergunta no início de cada episódio!

The-Honourable-Woman_04The Honourable Woman” nos coloca dentro de uma crise internacional. Que mesmo com tramas fictícias não deixa de ser uma aula de geopolítica. Com cenários pulando entre esses locais: Inglaterra, Israel, Palestina… Com também um intrincado jogo sombrio do “Quem ordenou?“. Que sendo uma produção da BBC deixa a curiosidade de que jogará com qual a “Inteligência” (Bureau) é a melhor. Há sim vilões até porque é uma guerra de grandes interesses! Numa mistura de Ação, Suspense, Drama, com uma pitada de Comédia, Romance tudo na dosagem certa. Num timing perfeito que nos mantém atentos. Nota 10!

Em oito episódios transmitidos aos sábados pelo canal TNT Séries. Fica a dica! Eu vou até querer rever quando começarem a reprisar!
Minissérie The Honourable Woman. 2014!
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

Um Tour pelo Oriente Médio Através dos Filmes

onde-no-mundo-esta-osama-bin-ladenUm tempinho atrás li que o Turismo por regiões em conflitos está sendo bem rentável. Eu, mesmo com todas as belezas naturais, não iria. Preferindo conhecer certos lugares através dos filmes. E para quem quiser fazer o mesmo, trago um tour pelo Oriente Médio, e um pouco além. Vem comigo!

Se na infância o que vinha de toda essa região do planeta eram as histórias das Mil e Uma Noites, atualmente o que os noticiários nos trazem maciçamente são as guerras. Internas e externas. Dependendo de quem quer que ela seja divulgada. Me faz lembrar da frase dita por uma jornalista ao seu chefe que abortara a sua reportagens por ordens superiores, essa:

Se ninguém ver, talvez signifique que não tenha acontecido.”

Ou, como querem que seja divulgado a notícia. Às vezes fazem de um cordeiro, um leão. Certeza mesmo, temos que há o interesse material por trás de tudo. As tidas guerras santas, as ideologias são apenas para fazer a cabeça do povão.

Por vezes, ficamos nós presos aos esteriótipos que nos passam. Foi até para clarear a impressão que eu tinha dos homens-bombas, que assisti “Paradise Now“. Limpar, limpou, mas não a ponto de aceitar tal coisa. Fora dos bancos escolares, se quisermos saber mesmo o que de fato ocorre por lá, precisaremos fazer uma filtragem nas News. Ou, usar também um filtro nas histórias que os livros e os filmes contam. No filme “O Preço da Coragem” (A Mighty Heart), uma jornalista, por conta de vivenciar um grande drama – o marido ser seqüestrado por ser americano, judeu, e repórter de um influente jornal -, ela tenta ser imparcial no relato. O filme é baseado num caso real.

as-1001-noitesNum resgate às lembranças da infância, temos alguns Animações, ou mesmo filmes do tipo sessão-da-tarde, para mostrar um pouco de tão rica são as histórias dessa região. Tais como: “Ali Babá e os Quarenta Ladrões“, “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa“, “Simbad, o Marujo“, “As Mil e Uma Noites” (Nights Arabian)… Assim, a Sherazade que há em nós, pode passar aos mais jovens que com criatividade podemos ir longe. E numa visão bíblica, o “O Príncipe do Egito“.

Ao fazer uma pesquisa, eu encontrei um, que fiquei com vontade de ver. É esse: “As Aventuras de Azur e Asmar“. ‘A história de Azur e Asmar é disfarçadamente armada para fazer ponte com a atual relação entre europeus e africanos/árabes. Durante a ação, situações de choque entre uma cultura e outra, mostrando o quanto a intolerância entre Ocidente e Oriente é absurda. É antes de tudo um filme sobre descobertas. Sobre abrir a cortina que esconde a beleza de uma cultura e desvendar seu colorido, sua estranheza e complexidade.‘ Tem mais aqui.

Outro filme que ainda atrairia um público jovem para uma aula de história disfarçada, é o “O Caçador de Pipas“. Com a invasão do Iraque, o Bush achou que tudo terminaria logo, mais ainda há distúrbios. Pior! Os talibãs estão ganhando terreno. Para conhecer um pouco mais dos conflitos ocorridos no Afeganistão que inflamou a esses fanáticos, além de saber como e porque o Congresso dos Estados Unidos ‘cooperam’ com os que estão em guerra, cito dois: “Jogos do Poder” e “Tiros em Columbine“.

Também onde podemos ver um passado mítico daquela região, seriam em alguns Clássicos, tais como: “O Rei dos Reis“, “Os Dez Mandamentos“, “José e Seus Irmãos“, “Ben-Hur“, “Cleópatra“, “David e Betsabá“, “Spartacus“… São filmes que as televisões costumam passar próximo ao Natal. Mas já fica um adendo em conferir também a geografia do local.

oriente-medioSe a geo-política dessa região já era uma babel no passado longínquo, atualmente é um barril de pólvora. Mais que conquistar territórios como na época das Cruzadas, o agora é marcar o território com companhias petrolíferas. Com acordos entre nações que nem vizinhas são. Essa paz sedimentada pelo ouro negro, foi o que ocorreu entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita. Mas até quando essa paz resistirá? Eu já listei para ver o “Syriana – A Indústria do Petróleo“.

Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

the-kingdomHá uma safra de filmes que estou pretendendo ver. Um deles, é o “O Suspeito” (Rendition), onde um egípcio é torturado, de acordo com a lei Extreme Rendition, por ser suspeito de ser terrorista. Baseado em fatos reais. Outro, “O Reino” (The Kingdom), quando um terrorista detona uma bomba no interior de uma zona residencial americana em Riad, na Arábia Saudita, desencadeando um incidente internacional. Agentes do FBI e oficiais sauditas na caça ao terroristas. Juntos? Irei conferir. Também o Documentário “Caminho para Guantánamo” (Road to Guantanamo), onde três jovens britânicos com origem paquistanesa são levados presos por suspeita de terrorismo. E eles eram inocentes. Esse outro, o “Rede de Mentiras” (Body of Lies), no qual um ex-jornalista ferido na Guerra do Iraque é contratado pela CIA para ajudar na captura de um líder da Al Qaeda na Jordânia. Mais um seria o “Nesse Mundo” (In This World), onde dois refugiados do Afeganistão que viviam em um campo em Peshawar tentam escapar para a Grã-Bretanha, procurando uma vida melhor. A perigosa jornada os leva até a “rota da seda”, passando pelo Paquistão, Irã e Turquia, até chegarem a Londres.

where-in-the-world-is-osama-bin-ladenFiquei com vontade de também ver esse filme documentário: “Onde no mundo está Osama Bin Landen?“. ‘O Diretor Morgan Spurlock está decidido a encontrar SOZINHO a pessoa mais “não encontrável” do planeta. Se o FBI e a CIA não conseguiram ainda, talvez ele seja nossa última esperança não é? Usando uma narrativa documental repleta de humor ácido, semelhante ao quem vemos nas produção de Michael Moore, o filme mostra a jornada de Morgan pelos locais que possam servir de esconderijo do terrorista mais procurado do mundo.‘ Tem mais aqui.

Ainda na linha de comédia, deixo a sugestão do “A Banda“, onde egípcios e israelenses para se entenderem fazem uso da língua inglesa. Mas também mostra que o que realmente nos difere, são os muros das fronteiras. Isso claro, para nós seres pacíficos.

E para terminar, um que envolve guerras por etnia e religião, onde uma mãe abdica de seu único filho, o único que o horror da guerra não matou, para que ele sobreviva. Mais! Para dar a ele a chance de ser alguém. O filme é “Um Herói do Nosso Tempo” (Va, Vis et Deviens). Ele foi um dos sobreviventes da Operação Moisés, que o governo israelense resgatou em 1984, no Sudão.

palestina-israel-libanoPor fim, quem sabe um dia, uma Sherazade surja a cada um desses fomentadores de guerras, e os façam parar, por mil e uma noites, como também mil e um dias. E então, os outdoors com paisagens bucólicas virão nos mostrar e convidarmos a conhecer um Novo Oriente Médio. Um reino de paz e fantasias!

See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 27/09/08).

O Que Resta do Tempo (The Time That Remains. 2009)

Pode existir um filme muito chato que também é muito bom?
Acho que é o caso deste último filme de Elia Suleiman – “O que resta do tempo”. A inevitável comparação com Jacques Tati e Buster Keaton justifica-se pela melancolia de um humor silencioso e sutil que economiza nas palavras e abunda em sugestões ainda que aqueles diretores trabalhassem com argumentos bem mais ingênuos.

O tema aqui é triste: A eterna invasão da Palestina representada pela cidade de Nazaré vista em vários períodos, todos repletos de violência e barbárie.

No entanto, Elia consegue extrair uma graça bizarra daquele conflito infinito numa narrativa incômoda e sem linearidade filmada com rara sensibilidade e competência pontuada de momentos geniais.

Mas é um filme difícil e infelizmente o diretor conseguiu fazer um filme desagradável de ver porque a maioria da plateia suspira aliviada quando se ouve o adequado hit de Bee Gees “Stayin’alive” (irreconhecível remixado por YAS) musicando os créditos finais selando uma irreversível desesperança. Como é uma obra política, talvez seja esta a intenção.

Carlos Henry

O Que Resta do Tempo (The Time That Remains). 2009. Reino Unido. Direção e Roteiro: Elia Suleiman. Elenco:  Elia Suleiman (ES), Ali Suliman (Amigo da Eliza), Saleh Bakri (Fuad), Samar Tanus (Mãe), Shafika Bajjali (Mãe – 80 anos), Zuhair Abu Hanna (ES, criança), Amer Hlehe (Anis), Lotuf Neusser (Abu Elias), Tareq Qobti (Vizinho), Yasmine Haj (Nadia), Ziyad Bakri (Jamal), +Cast. Gênero: Drama, Guerra. Duração: 109 minutos.

Curiosidade: Versão ficcional de quatro episódios que marcaram a família do diretor desde 1948. Inspirado pelos diários de seu pai, combatente da resistência palestina, e pelas cartas de sua mãe aos familiares expatriados, ele reconstitui o cotidiano dos chamados árabes-israelenses a partir do momento em que escolheram permanecer em sua terra natal e passaram a viver como minoria. Memórias íntimas que se confundem com a história coletiva de um país em desaparecimento.

Paradise Now (Paradise Now. 2005)

Imagine there’s no countries… Nothing to kill or die for…

Nossa! O filme deu um nó na minha cabeça. Eu estava muito querendo assistir. Para saber pelo menos um pouco o que se passa na cabeça de um homem-bomba. Sei que não há lógica nisso. Ou sabia… É tenso! É angustiante! E é sensacional! Se é que se pode definir assim. Me fez ficar com vontade de ver novamente e dessa vez com um mapa ao lado.

Se eu fosse definir o filme em uma única palavra ela seria: oprimidos. Numa parte do filme me veio à mente essa estrofe: “Sertanejo é forte, supera a miséria sem fim…“. Mas lá é mais que isso, é ter a morte rodando aquela gente. Antes de receberem a missão os dois personagens principais descortinam toda a cidade. Lá de cima até parece que há tranquilidade no meio daqueles destroços. Só que é uma região sitiada. Que obriga as pessoas a seguirem por caminhos tortuosos. Oprimindo-os até num direito de ir e vir.

O filme tem início um dia antes do recrutamento de dois amigos: Khaled (Ali Sullman) e Said (Kais Nashef). De temperamentos opostos. Khaled é do tipo pavio-curto. Já Said é mais ponderado. Levam a vida sem grandes ambições. Curtindo o dia-a-dia que têm. Em comum, o respeito às tradições e o amor à família. Quando recebem a convocação a alegria vai embora. Mesmo já sabendo que um dia seriam chamados, ficam balançados. Aceitam a missão. Daí até o final, será um longo caminho… Como citei, de acompanhar quase sem respirar.

Um não tão imprevisto fato, separa esses dois jovens ao cruzarem a cerca. Sendo que eles queriam morrer juntos. Com o explosivos atados ao corpo, onde somente o encarregado da operação é que tem como retirar… Said fica peregrinando… Para ele mais que o peso do artefato, mais que a missão, tem em seus ombros o peso do pai ter sido um colaborador do outro lado. Khaled sai a procura do amigo para provar que ele não traiu aos seus como o pai. O que para eles antes tudo estaria liquidado em pouco tempo, com esse atraso os questionamentos afloram

No meio do caminho de ambos há Saha (Lubna Azabal). Filha de um mártir palestino. Ela tenta demovê-los. Mas para eles ela não tem dentro de si a causa palestina. Por ter morado em outros lugares. Por viver num mundo fora daquele cerco. Como se a Palestina para ela seria mais um lugar a se visitar. Mas Saha traz o contra-ponto dessa luta que já dura anos. E isso é mais um ponto positivo no filme. Quiçá, o mais importante. Por mostrar com clareza os dois lados: israelenses e palestinos aproveitando-se do poder que cada um detém.

Há uma cena entre Said e o Comandante da Operação… Bem, nessa hora não deu para segurar umas lágrimas. Enfim, creio que ninguém sairá indiferente após esse filme. Claro que não em por aprovar atitudes tão extremadas assim. Mas limpará as visões estereotipadas para com esses jovens recrutas. Filmaço! Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Paradise Now (Paradise Now). 2005. Palestina. Direção e Roteiro: Hany Abu-Assad. Elenco: Kais Nashif, Ali Suliman, Lubna Azabal. Gênero: Crime, Drama. Duração: 90 minutos.