Atração Fatal (Fatal Attraction, 1987)

atracao-fatalO cinema recentemente assumiu uma posição importante não só no ramo do entretenimento, mas também na dimensão social dos assuntos que são discutidos, porém durante a produção seus responsáveis não têm a mínima ideia de como ele vai ser recebido pelo público, uma prova disso é o filme de Adrian Lyne, Atração Fatal (1987).

Que Glenn Close é motivo para assistir qualquer filme que tenha seu nome na ficha técnica, qualquer cinéfilo que se preze sabe, porém, aqui, ela não é o único motivo para descobrir o filme, seu excelente roteiro e forma como ele é conduzido com extrema segurança por Lyne, são outros motivos suficientes para dar uma olhada.

O filme foi lançado na década de 1980 e toca em diversos assuntos como relação extra-conjugal e família, mas tem um assunto que seus produtores jamais poderiam imaginar que iria chamar tanta atenção, o feminismo. O fato é que o filme traz à tona a realidade da mulher americana independente profissionalmente e solteira em uma época onde as mulheres lutava de forma fervorosa pelos seus direitos em todas as áreas. Só que retratar o tipo de mulher que acabei de citar acima, como uma desequilibrada e psicótica, não agradou nada as fervorosas feministas, levando o discurso em questão a nível nacional, transformando o filme em um célebre exemplar de discussão social.

Comentado tanto por sociólogos quanto por psicanalistas, o filme surge como um belo exemplo do cinema como prática social, espaço aberto para trazer à tona tabus engessados por uma sociedade ainda pouco evoluída quando o assunto é a categoria Mulher.

Só para finalizar, Glenn Closse é extremamente hábil ao não transformar Alex Forrest em uma vilã sem escrúpulos. Em todo momento vemos a personagem como alguém completamente alheia aos atos cruéis que comete, ciente de que aquilo é para o bem de todos, o que reforça ainda mais o seu desequilíbrio psicológico. No fundo, Alex Forrest não chega nem perto de ser o exemplo da mulher contemporânea como todos afirmavam cheios de medo, mas é uma mulher única, que representa somente a natureza cruel de alguém que recebeu pouca atenção na vida.

Por Kauan Amora

Anúncios

Entre Irmãos (Brothers. 2009). Se nem os dedos da mão são iguais…

Entre Irmãos nos leva a algumas reflexões. Embora trechos dele remete a outros filmes, num todo, ele ganhou uma estória única: a relação entre dois irmãos. Num momento da vida deles. Como canalizaram os ressentimentos guardados com os acontecimentos presente. Mais! Será que o amor constrói, ou destrói a vida de um homem? E o desamor, que consequências futuras trará? Já adiantando que mesmo sendo um bom filme, não me deixou uma vontade de rever.

A relação entre esses dois irmãos – Sam (Tobey Maguire) e Tommy (Jake Gyllenhaal) -, não é transparente. Embora se gostem, não há intimidades, entre eles. Como se vivessem em lugares distantes. Há um tipo de competição entre eles. Inconscientemente. Traçando um paralelo com a realidade… Que como toda relação entre irmãos, essa competição começa na primeira infância. Como também, com o passar dos anos ela se intensifica. Mais! Em vez de acabarem com ela, é alimentada pelos próprios pais. Por conta das comparações entre seus filhos. Será que não entende que cada um é um ser único?

Como se quebra um ciclo vicioso desses? De imediato: seria se dando conta de que tem algo errado consigo próprio, e que não tem como resolver sozinho. Do contrário, poderá chegar num momento que irá explodir. Mais que arcar com as consequências, não deve é transferir para outros, esse seu erro.

O Mito Caim e Abel não se encaixa nessa história. Já que Sam sempre recebeu muito amor do pai, Hank (Sam Shepard). Era tido como o filho exemplar. Se ele fez o que fez, fora levado… talvez por uma superproteção. Sam pelo seu temperamento meio introvertido, pelo peso em ser um bom filho, tenha preferido seguir a carreira militar para sentir-se sobre controle. Nem era porque o pai também fora um militar. Sentia-se muito mais em casa no Quartel, do que em sua própria casa. Mas uma coisa era estar aquartelado, em plena segurança. Outra coisa era estar num campo de batalha. Ai, se vive e como se comete atos desprezíveis.

Guerras! As insanidades, as atrocidades… cometidas e avalisadas por ela. Onde não há códigos de ética, já que atendem aquele que se sente soberano. Ou, as potencias que lucram fomentando as guerras. Por trás delas, uma indústria maior: a bélica. Embora fato real como o com o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, até por não respeitarem a Bandeira da ONU, os Estados Unidos pecaram em invadir o Iraque. Como também em “convencer” até as crianças de seu país, que estavam indo combater o povo mau. A ONU também, nessa Guerra, se preocupava mais com os combustíveis, do que com a população inocente… A estória desse filme, é um desdobramento dessa invasão. No Afeganistão.

“Na guerra, o único heroísmo é sobreviver“. (Samuel Fuller)

Em outras palavras: melhor ser um covarde vivo, do que um herói morto. Agora, é um “vale tudo” mesmo para se manter vivo? Sam mostrou que não estava preparado para esse “poder de matar”. Mas alguém em sã consciência estaria? Mais! Será que faríamos o mesmo que ele? E o que faríamos depois?

Bem, Sam transferiu sua culpa em quem não tinha nada com isso. Por conta disso, é que se eu fosse definir esse filme numa única palavra, ela seria transferência. Mas já dizendo aos da área psico, que aqui eu não sei se teria o mesmo significado do que tem para vocês. Porque esse transferir seria em arrumar um outro pretexto onde culpar alguém por algo, com isso fugindo do seu problema. Não é fuga, mas um descarregar. Sam, por exemplo, não fez aquilo que cobrou do irmão…

Agora ele, seu irmão Tommy. A ovelha desgarrada… Tommy, mais expansivo, ou seria mais explosivo? Um rebelde com causa… Está saindo da prisão, às vésperas de Sam embarcar para o Afeganistão. Como está em condicional, sabe que terá que se comportar. Pagando pelo seu erro. Mas faltava ainda se libertar de outras prisões… Fiquei pensando se alguém mais extrovertido, ou com propensão a ser assim, se levaria mais chances de uma volta por cima.

Sam é dado como morto. Recebeu enterro como Herói de Guerra. Tommy, primeiro se rebela com essa notícia. O amava. Mas sabendo também que ganharia mais um estigma se não se endireita-se de vez. O estigma seria: ‘Por que ele morreu, e não eu?’ Para a Família ele nada valia. Assim, resolve ajudar a cunhada, Grace (Natalie Portman) cuidar das suas sobrinhas: Isabelle (Bailee Madison) e Maggie (Taylor Geare). Carismático, Tommy acaba conquistando as três. Por tabela, uma aproximação do pai.

Ao voltar para a casa… com um pesado fardo… Sam percebe que sua casa ganhou vida com a sua “morte”. Que sua Família estava feliz com o novo Tommy. Mas quem de fato mudara? Sam ou Tommy? Mesmo tendo vivido num inferno, Sam teria o direito de descarregar naqueles que o amavam tanto? Quem mostrou-se mais apto a resolver a questão? Tommy, ao longo da vida, viu, viveu, as mazelas do ser humano. Sam e Hank, só viram, viveram esse lado sombrio da humanidade, nas Guerras.

Sobre os atores… O homem-aranha cresceu! Brincadeirinha! É que ainda está vivo na memória esse personagem de Tobey Maguire. Ele até que atuou direitinho nesse aqui. Mas queria o seu Sam mais arrebatador. De fazer dele um quase vilão, quando fez o que fez. Jake Gyllenhaal sim, esse quase rouba o filme. Só não fez, porque a trama do filme se destaca mais. É uma estória “patrocinada” pela cultura de guerrear com a desculpa de combater o mal. Como a não enxergar que, diante de um desafio, quais valores sobressairão. Em relação aos outros atores, uns, também atuaram direitinho.

Como falei no início, é um bom filme. Vale ser visto mais pela estória desses dois irmãos. A Trilha Sonora está ótima! Mas o filme por um todo não me deixou saudades.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Entre Irmãos (Brothers). 2009. EUA. Direção: Jim Sheridan. +Cast. Gênero: Drama, Guerra, Thriller. Duração: 105 minutos.

P.s(17/03/10): Faltou contar que o ciclo dessa Família iria continuar. Na cena do aniversário da caçula, a filha mais velha mostrou-se ser igual ao pai. Para sua felicidade pessoal, não se intimidaria em mentir, humilhar, magoar, ferir… quem quer que fosse.

Cova Rasa (Shallow Grave. 1994)

covarasa05

Resenha feita por Vinícius Trovão e Publicado aqui por Vampira Olímpia.

“Alex (Ewan McGregor), David (Christopher Eccleston) e Juliet (Kerry Fox), que dividem um apartamento, concordam em permitir que Hugo (Keith Allen), um desconhecido, vá morar com eles, mas logo ele aparece morto, vítima de overdose. Entre seus pertences existe uma mala cheia de dinheiro, os três que dividem o ap enchem o olho pelo dinheiro e aí que a coisa toda começa…

A ambição humana é algo extravagante. O dinheiro movimenta o mundo tanto interno quanto externo. Nem preciso comentar sobre o capitalismo, suponho. A movimentação interna que o dinheiro causa, provoca afloramentos de sentimentos até então adormecidos; com certeza, com destinos diferentes, já que somos diferentes.

No caso do filme, ‘o enriquecimento’ aflorou sentimentos paranóicos, persecutórios, ambiciosos, infiéis, traiçoeiros etc. Os três cometeram atos “absurdos” o que provocou um certo “poder” num deles…

Essa Cova Rasa é rasíssima, está na superfície toda a podridão que advém do dinheiro, do poder. Podridão que nós criamos e inventamos porque nós somos assim: a espécie animal mais ambiciosa que há na Terra.

Onde ficam as amizades? O capitalismo é “eterno”, os amigos não?”

Por: Vinícius Trovão; Publicado por: Vampira Olímpia.

Ficha Técnica:
Título Original: Shallow Grave
Gênero: Suspense
Ano de Lançamento (EUA): 1994
Direção: Danny Boyle

Quebra de Confiança (Breach)

breach

Os EUA podem ser comparados a uma criança forte, mas atrasada. Potencialmente perigosa, mas jovem, imatura e facilmente manipulável.

O filme é inspirado em fatos reais. Isso já é grande incentivo para que eu o assista. Esse ainda teve mais um fator: envolve espionagem e dentro do FBI. Acontece que já de início, ficamos ciente de quem é – Robert Hanssen (Chris Cooper) -, e de que o prenderam. Depois volta para onde começaria mais uma tentativa de pegá-lo. Para isso convocam um jovem aspirante – Eric ONeill (Ryan Phillippe).

Se pensam que essa caçada não traz novidade, eu digo que sim. E que está no desfecho do filme. Mas também toda a investigação. Eric a princípio não recebe todas as informações desse caso. Com isso, com o passar dos dias ao lado de seu novo Chefe, Hanssen, fica dividido. Não acreditando muito que aquele santo homem, é tudo aquilo o que contaram. Além de espião, ele filma suas transas e a trafica. Mais tarde, Eric conhecerá quem também está nas fitas.

Mesmo tendo alcançado seu sonho, em ser um agente, e pela importância do caso torna-se um top de linha, mesmo assim, ainda não acredita que errou tanto no julgamento de uma pessoa. É então que sua verdadeira Chefe, Kate Burroughs (Laura Linney), abre todo o jogo. Além dos arquivos, lhe mostra toda a equipe que está trabalhando nisso já alguns anos. Mas antes, sem saber quem era o verdadeiro espião. As suspeitas eram que ele começou a espiar para os russos antes dos anos 90; a história do filme ocorre em 2001.

breach-1

Ele foi mais esperto do que nós todos. Na verdade, essa parte eu até aguento. A idéia de que toda a minha carreira foi uma perda de tempo, essa é a parte que odeio. Tudo o que fiz desde que cheguei a este escritório, tudo o que nos fazíamos, ele desfazia. Mais valia termos ficado em casa.”

Eric entende que tem que dar crédito a sua voz da razão. Embora tendo se afeiçoado ao Hanssen. Prossegue então. E na de que já tendo ficado íntimo dele, tentar descobrir pistas que os levem a provas contundentes. Das quais ele não terá defesa… Hanssen, mesmo também tendo se afeiçoado a Eric, o testa a cada instante. Mas será essa afeição, que dará um pequeno acesso para que Eric o pegue.

Se eu fosse definir esse filme, eu diria que ele aborda a profissão de fé de cada um. Mesmo achando que a que exerce é a tão sonhada, é a que habita na alma a verdadeira profissão. Hanssen mesmo que tenha iniciado tudo por se sentir menor… o seu lado vilão falou mais alto. Chega a ser repugnante como castigou alguém que só lhe quis o bem. E quanto a Eric, qual seria a sua profissão de fé? Com toda essa história, ele descobre a sua.

O filme é muito bom, dentro daquilo que veio mostrar. Eu recomendo. Mas não me deixou uma vontade em rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebra de Confiança (Breach). 2007. EUA. Direção: Billy Ray. Elenco: Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney, Caroline Dhavernas, Gary Cole, Dennis Haysbert, Kathleen Quinlan. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 110 minutos. Censura: 12 anos.