Série: Gotham (2014-). Uma Nova Ótica Lançada Sobre um Conteúdo Aparentemente Inesgotável

Gotham_seriePor: Cristian Oliveira Bruno.
Batman_KaneQuando adapta-se uma cosmologia tão rica e tão famosa quanto a do Batman, icônico personagem de Bob Kane, se faz necessário manter uma cautela toda especial no que diz respeito às alterações que serão feitas tanto na cronologia quanto na concepção dos personagens. No caso do super-herói em questão, tudo é mais complicado ainda, pois quase não há o que já não tenha sido feito. O tom mais cartunesco já fora ditado e orquestrado com maestria por Tim Burton em seus Batman (1989) e Batman – O Retorno (1992). A atmosfera mais sombria e pesada a qual parece ter sido a versão definitiva dada ao personagem nos anos 80, com O Cavaleiro das Trevas, do Deus dos quadrinhos Frank Miller – a melhor série já feita sobre o Homem-Morcego – foi recente elevada a um outro estágio com a consagrada trilogia de Christopher Nolan (Batman Begins [2005], The Dark Knight [2008] e The Dark Night Rises [2012]). Mesmo a inocência e a fantasia dos primeiros exemplares dos quadrinhos teve sua vez entre 1966 e 1968, com uma série de TV contendo 60 episódios da dupla dinâmica. Assim sendo, o que de novo e diferente o produtor Bruno Heller (The Mentalist [2008-2015]) e o diretor e produtor executivo Danny Cannon (O Juiz [1995]; Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado [1998]) poderiam apresentar em mais uma adaptação para a TV? A resposta veio com o título da série: Gotham.

Gotham_01Voltando pelo menos 15 anos no tempo, a proposta desta vez é apresentar uma nova ótica e lançar o olhar sobre a cidade, ao invés de seu mais ilustre residente, e mostrar como uma cidade tão corrupta e dominada pelo crime chegou ao ponto de precisar de um justiceiro mascarado para manter a ordem. E isso é o mais interessante em Gotham. Mais do que acompanhar os primeiros passos e a origem de vários personagens do universo dos quadrinhos (alguns famosos, outros nem tanto), a série se baseia no fato de que ainda não há um justiceiro mascarado para defender Gotham. E com a polícia, a justiça e o próprio prefeito Aubrey James (Richard Kind) e o comissário Loeb (Peter Scolari) nas mãos dos dois chefões das famílias mafiosas que controlam todo o crime da cidade, Carmine Falcone (John Doman) e Salvatore Maroni (David Zayas), cabe ao ainda jovem detetive James Gordon (Ben McKenzie) assumir o papel de paladino solitário da justiça. E quando eu digo solitário, não é força de expressão. Embora com o passar do tempo Gordon vá adquirindo aliados em sua inspiradora jornada de combate ao crime mais do que organizado, até um certo ponto dela ele se vê abandonado por seus companheiros, chefe e seu parceiro Harvey Bullock (Donal Logue).

gotham_02O plot da série é o assassinato de Thomas e Martha Wayne e a promessa feita por Gordon ao pequeno Bruce Wayne (David Mazouz) – retratado aqui aos 12 anos – de encontrar o responsável. A partir desse momento, Gordon adentra de vez no submundo e começa a entender como a cidade funciona. Não é que todos os seus habitantes sejam corruptos, mas todos têm família e jamais arriscariam oporem-se a Falcone ou Maroni. Essa faceta de uma Gotham dominada por figuras poderosas, mas sem super-poderes acaba por tornar-se, naturalmente, o segmento mais interessante da série. Não que a relação tutor/serviçal/pai entre Alfred Pennyworth (Sean Portwee) e seu determinado protegido não seja deveras comovente, ou que a luta da ambígua e maliciosa Selina Kyle (Carmen Bicondova) para sobreviver nas ruas não tenha seus momentos – embora seja a ramificação mais trôpega do programa -, mas é no núcleo criminoso que encontram-se os melhores personagens, situações e conflitos mais tensos e interessantes.

gotham_03Com um elenco bastante regular e em sua maioria experiente, os personagens acabam ganhando uma roupagem diferenciada e uma cara própria, embora não abandonem os aspectos e traços mais fortes pelos quais ficaram mundialmente conhecidos. Ben McKenzie (do seriado OC e de 88 Minutos) compõe um Jim Gordon intenso e forte, com uma segurança e uma presença em cena muito boas, mostrando o quanto evoluiu com o passar dos anos. Sua parceira inicial, Erin Richards – que interpreta Barbara Keen, primeiro par romântico de seu personagem na trama – não está tão mau, mas carece de uma química maior com o protagonista. Falha esta corrigida absurdamente com a inserção da personagem da Dra. Leslie “Lee” Thompson, interpretada pela brasileira Morena Baccarin (do seriado V – Invasores), cônjuge do ator, tornando a interação entre ambos algo natural, e isso reflete-se na tela. Também destaca-se neste quesito, sem a menor sombra de dúvidas, Oswald Cobblepot, o Pinguim, de Robin Taylor Lord, tão afetado e tresloucado quanto ameaçador e doentio. Taylor Lord vive a dolorosa saga de ascensão daquele que será o futuro Rei do crime da cidade. Donal Logue recebe uma tarefa ao mesmo tempo motivadora e arriscada ao viver o Det. Bullock como um dos protagonistas, já que o personagem não havia ganhado tanto destaque até aqui fora dos quadrinhos – olhe lá uma rápida aparição no primeiro filme de Tim Burton – e sempre fora retratado como policial corrupto e desonesto, com o perdão da redundância. Aqui, Bullock ganha um novo ponto de vista e é retratado não apenas como um mau policial, como alguém que viveu a vida inteira em Gotham e conhece aquela cidade e como ela funciona, sabendo jogar de acordo com suas regras. O choque de personalidades com Gordon faz com que Bullock passe de um obstáculo para ser o primeiro aliado de Gordon – e um importante aliado, pois Bullock conhece o crime da cidade.

gotham_os-viloesCriada especialmente para a série, Fish Mooney (interpretada com muita ferocidade e ímpeto por Jada Pinkett Smith) não só possui um papel importantíssimo na trama, tanto no andamento desta quanto na formação de background de demais personagens, e com certeza agradou (ou agradará) grande parte dos fãs – embora o desfecho dado a ela não seja dos mais agradáveis, ou mesmo bem pensados, provavelmente sua relação com seu fiel capanga Butch Gilzean (Drew Powell) promete arrebanhar muitos fãs para a dupla. Vários outros personagens tradicionais nas páginas das revistas da DC Comics dão as caras por aqui, sendo que alguns são bastante conhecidos do público, como Harvey Dent (Nicholas D’Agosto) – o Duas-Caras -, Edward Nygma (Cory Michael Smith) – O Charada -, Victor Szasz (ANthony Carrigan), Dr. Francis Dulmacher (Colm Feore) – o Mestre dos Bonecos -, Dr. Gerald Crane (Julian Sands) – criador do gás alucinógeno usado por seu filho Jonatan, o futuro Espantalho – e outros mais conhecidos apenas pelos mais familiarizados com o universo Batman, como Jack Buchinski (Christopher Heyendahl) – o Eletrocutador -, a policial Renee Montoya (Carmen Cartagena), Richard Sionis (Todd Stashwick) – o Máscara Negra -, Aaron Helzinger (Kevin McCormick) – o Amígdala, vilão muito semelhante e freqüentemente confundido com Bane – e Larissa Diaz (Lesley-Ann Brandt) – a Cobra venenosa.

gotham_04Mas dois vilões destacam-se neste paraíso dos “Batmanáticos“, cada um a sua maneira. O primeiro deles é Jerome Valeska (Cammeron Monaghan) que, mesmo sem ser oficialmente apresentado como tal, trata-se da versão do seriado para o maior inimigo do Homem-Morcego: o Coringa. O episódio onde o vilão aparece não é um dos melhores da temporada, mas Monaghan destaca-se no diálogo final quando a referência ao coringa é feita, em uma atuação muito boa. O outro é apresentado apenas no episódio 19 (e mantém-se ate o episódio 21, penúltimo da temporada – tendo sido especulado também na segunda temporada, embora fique claro e óbvio que isso não ocorrerá). Jason Solinski, o “Ogro” (Milo Ventimiglia), surge como o principal vilão da série até então, oferecendo sensação de risco real para os mocinhos. O Ogro é aquele com quem todo policial da cidade tem medo de mexer. Gordon também, mas isso não o faz recuar. Esse ponto da trama é um dos pontos altos da série e poderia ser, inclusive, o desfecho (não que o episódio 22 não seja satisfatório, mas o 21 é ainda melhor.

gotham_06Mas a própria Gotham City é a principal personagem da série. Todo personagem da cosmologia criada por Bob Kane, de Bruce Wayne à Mr. Freeze, é composto com base em traumas, seja a perda de um ente querido ou a sensação de impotência perante as situações enfrentadas diariamente. E Gotham está repleta de traumas os todos os cantos. Traumas e mitos. Em Gotham qualquer um pode ser o que quiser. Heróis e vilões usam máscaras visíveis, enquanto a alta sociedade usa máscaras políticas e diplomáticas. Por isso o Bandido do Capuz Vermelho representa mais do que um simples elemento daquela sociedade, mas também um sentimento. Gotham resume o sonho americano de ser a terra das oportunidades. Qualquer um pode ser rei em Gotham, basta tomar o que é seu por direito. Mesmo que não seja seu de direito. E a maneira como Heller e Cannon retratam esteticamente a atemporalidade da mística cidade é curioso. Há celulares e computadores, o que nos põe imediatamente nos dias de hoje. Os carros são das décadas de 60, 70 e 80 e os prédios e as ruas remetem aos anos 30 e 40. Sabemos que Gordon lutou recentemente em uma guerra, mas não sabemos qual foi. Nada é dito sobre o que ocorre além das fronteiras da cidade. Quem é o presidente, de onde vêm as pessoas de fora e tudo mais que não envolva Gotham permanece um mistério. Gotham é uma cidade que existe apenas no imaginário e está sempre em constante formação e Cannon e Heller nos permitem preencher estas lacunas, cada um a nosso modo.

gotham_05A primeira temporada, apesar do caráter experimental, foi melhor do que o esperado. Sofre alguma irregularidade com relação ao ritmo e a consistência – coisa mais do que comum em séries sem um diretor fixo -, mas no fim das contas Heller e Cannon seguram bem as pontas e trilharam um belíssimo caminho para ser expandido nas próximas temporadas já anunciadas. Foi muito bom ver que ainda há o que explorar – com dignidade – de um universo já tão esmiuçado no decorrer dos anos. Este que vos escreve é fã do herói em questão e confessa sem vergonha que estava desesperançoso com esta série, mas fiquei bastante satisfeito com o resultado final desta primeira temporada e a recomendo sem medo para os fãs de Batman e até mesmo para os não fãs, dada a boa distribuição dos núcleos.

Avaliação Geral da Primeira Temporada: 7,5.

Série: Gotham (2014 – )
Ficha Técnica: na página no IMDb.

RoboCop (2014). Uma Análise Retrô

robocop-2014_cartazRobocopsPor Ivan Anderson.
Lançado em 2014 para se tornar um grande blockbuster do cinema, RoboCop 2014 se tornou um filme controverso e gerou grandes discussões a respeito das comparações com o filme cult de 1987. Com direção do brasileiro José Padilha, a releitura do policial do futuro, apesar de ser um bom filme, decepcionou os maiores fãs da série principalmente pela leveza com a qual o policial biônico Alex Murphy passou a encarar os criminosos no século 21.

RoboCop em sua versão original era uma verdadeira máquina de aniquilar vagabundos, segundo a linguagem oitentista: aquele tira que atira primeiro e faz as perguntas depois, o que tornava muito divertidas e únicas cada uma das suas empreitadas contra o crime. O bandido não pensava duas vezes em tentar ceifar a vida do policial, então o robô atuava conforme a demanda, se posso assim dizer.

robocop-2014_02Em sua versão moderna, além de ser mais polido e atender a atual visão global de que o bandido (mesmo com toda a crueldade) é ser humano também, o novo policial do futuro começou torcendo o nariz dos fãs quando sua principal arma, antes uma beretta modificada, tornou-se um teaser para eletrocutar os foras da lei. O que também assustou os fãs foi o novo design de seu corpo, agora negro, o que gerou muitas comparações com Batman e até com o vilão McGaren, do seriado japonês Jaspion. (A blindagem prata também utilizada no filme ficou fantástica.)

robocop-2014_03Mas o longa tem também seus pontos positivos: a inovação tecnológica pela qual o protagonista passa, e explanações sobre a forma como a parte humana é alimentada, e fundida à máquina deixam um ar de satisfação grande aos expectadores mais curiosos e também aos mais críticos. A forma como a armadura é trocada, fazendo de Murphy uma espécie refil, ficou muito interessante e obviamente atuações como as de Michael keaton, Abbie Cornish, Gary Oldman e Samuel L. Jackson sempre brilham muito. Não deixando de lado, é claro, Joel Kinnaman, que encarnou muito bem o papel do primeiro ciborgue do mundo.

No fim das contas e apesar dos percalços RoboCop 2014 ainda vale o ingresso, principalmente por abordar de forma mais intensa o drama de um homem preso dentro de uma máquina, e pelas já citadas impecáveis atuações do glorioso elenco.

RoboCop (2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: Os Mistérios de Laura (2014 / )

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Lucille Ball - Debra Messing - Sitcom

Lucille Ball – Debra Messing – Sitcom

Ver Debra Messing integrando uma nova Série deixa uma tristeza porque com isso se vai a esperança de novas Temporada para a Série “Smash”. Mas por outro lado, e até porque o show deve continuar, é muito bom vê-la atuando em uma nova Série! É que ela é uma ótima atriz! E ela me leva a lembrar de Lucille Ball. Já que Messing também ocupa o espaço que Ball fez tão bem, as comédias de situações (sitcom) na televisão americana. Se a Ball estampava o papel da mulher em décadas passadas, estereotipando mesmo esse papel na sociedade de então, a Messing a coloca na nova realidade da mulher, com multi-tarefas, inclusive trabalhando fora, sem esquecer do humor. Primeiro com a Série “Will & Grace” e agora com “Os Mistérios de Laura“. É! O lar não é mais o limite da mulher!

os-misterios-de-laura_02Assim, temos como pano de fundo em “Os Mistérios de Laura” o drama da mulher moderna em conciliar o papel de mãe, dona de casa com o lado profissional. E em se tratando de uma série cômica há de se exagerar nessa balança… Enquanto a detetive da polícia tem que encarar até marginais barra pesada, a mãe precisará lidar e tentar por freios nos próprios filhos que são hiperativos: os gêmeos Nicholas e Harrison Broderick (Charles e Vincent Reina). Mais! Com doçura ou firmeza, de qualquer forma a mulher atual ainda tem diante de si um mundo ainda dominado por homens, e mesmo dentro da cultura ocidental.

os-misterios-de-laura_josh-lucas_e_debra-messingA personagem de Debra Messing é a Detetive Laura Diamond, da Homicídios de Nova Iorque, que prima mais pela intuição para solucionar os casos. Laura logo no início vê a tão sonhada promoção se esvair: é que colocam um homem para o tal cargo. Como se não bastasse quem ocupa a vaga é seu ex-marido, o agora Capitão Jake Broderick, personagem vivido por Josh Lucas. Jake ainda nutre um desejo de voltar a ocupar o coração de Laura, mas a pulada de cerca que dera ainda está bem viva nas lembranças dela. Pelo menos ambos mantém um clima mais tranquilo diante dos filhos.

Esses gêmeos meio que desconcentram a mãe na educação deles. O que ao longo da série tem surgido babás que tentarão ajudá-la nesse intento. Até porque pelo pai “ausente” eles acabam é ganhando mais pilha para a bagunça. Laura até contratou uma ativista que tinha sido presa: uma jovem mimada que mostrou ter um certo poder de intimidação sobre os gêmeos em visita a chefatura de polícia. Ambos os atores mirins ainda não demonstraram todo o talento que os personagens pedem. O que é uma pena! Tomara que consigam! Até porque o contexto pede carisma desses personagens. Do contrário quem continuarão roubando as cenas, além da Laura, serão as babás. A tal ativista, Sami (Kahyun Kim), merece até voltar mais vezes!

os-misterios-de-laura_03Laura tem como parceiro o Detetive Billy Soto (Laz Alonso). Por querer muito bem a ela, e até em respeito a essa parceria que tem dado certo quando estão em campo, sente que poderá ser pressionado pelo novo chefe. Mas Billy é um cara safo, logo podendo ficar sem tomar partido entre Laura e Jake! Alonso até que faz uma boa dobradinha com a Messing. Ainda na Chefatura há Meredith Bose (Janina Gavankar) e Max Carnegie (Max Jenkins). Enquanto Meredith tenta mostra sua competência no campo da investigação, Max prefere mais é ficar nas pesquisas via internet. Além da Laura, outro que rouba as cenas quase sempre é ele, o Max.

Os Mistérios de Laura” é muito mais um sitcom – mesmo não tendo as risadas de fundo tão comuns a esse tipo de comédia -, do que uma série policial: é puro entretenimento. Que em meio a tantas séries criadas sem saber se sobreviverão ao mercado da audiência da televisão nos Estados Unidos, já chega pelas bandas de cá com duas temporadas. É transmitida pelo canal Warner. Se haverá uma terceira, ainda é uma incógnita. O bom mesmo é em ver Debra Messing atuando! Que também pode ser vista nas reprises da outra série, a ótima “Will & Grace“, que o canal Sony resolveu dar mais espaço, já que antes só era transmitida pela madrugada. Pois é! É uma série puxando outra… Bom para nós, fãs de Debra Messing!

Ah! “Os Mistérios de Laura” é uma adaptação de uma série mexicana. Onde até o momento ainda não entendi bem o porque desse “mistérios” no título. Não sei se porque a série original pende mais para o drama… Enfim, com ou sem mistérios de fato, a versão americana é uma comédia. Fica a sugestão pois é uma ótima distração! Eu estou gostando! Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mini-Série: Gracepoint (2014). Um Morto Desenterrando Velhos Fantasmas

gracepoint_2014_serie-de-tv_cartazgracepoint_2014_03Em uma Mini-Série presume-se ser uma obra fechada: com um desfecho já pronto. Acontece que assim como Hollywood, Canais da Televisão americana também gostam de levar Séries com relativo sucesso em seus países de origens. Onde também é de praxe essas versões ficam à mercê da audiência americana: não rendendo a desejada, não são renovadas. E foi o que ocorreu com essa versão americana de uma britânica, a “Broadchurch“, que não alcançou a audiência desejada, com isso “Gracepoint” mal foi exibida nos Estados Unidos e logo passando ao status de Mini-Série: com 10 uns episódios e um desfecho. Assim ela também nos chega, público brasileiro, e pelo canal TNT Séries. O que até tem um lado bom: o de terminar logo. Faltando então conferir o conteúdo, já que eu gostei das chamadas antes da estreia.

Gracepoint” traz uma ótima trama! O corpo de um pré-adolescente aparece numa praia. Numa comunidade com pouquíssimos habitantes, mas que tem seus dias de agito quando recebe turistas por conta da migração de baleias antes do verão, essa tragédia acontece um pouco antes desse evento turístico, o que também abala a economia local. Até porque era local sem um registro policial desse porte. Essa morte não apenas irá abalar a todos os moradores, como também colocará alguns como possíveis suspeitos. Algo que também irá gerar grandes injustiças.

gracepoint_2014_01O que houve com ‘Precisamos de mulheres em mais cargos de chefia neste departamento’?

A polícia local recebe ajuda de fora, do detetive Emmett Carver (David Tennant). Vindo para liderar a investigação, Emmett termina sem querer adiando a promoção da Detetive local Ellie Miller (Anna Gunn). Esta por sua vez até pela gravidade da situação, acaba engolindo tal tal fato, e no decorrer da história fica ciente de que fora preterida por alguém não tão perfeito. É! Emmett traz um velho fantasma na bagagem, assim como um outro grande segredo que o deixaria longe do caso. A primeira a descobrir será a dona da única pousada. Ellie tem também pela frente conhecer mais de perto sua gente, e se espanta com o que vem à tona.

gracepoint_2014_02O tal corpo é do filho caçula do casal Beth (Virginia Kull) e Mark Solano (Michael Peña). Onde a outra filha ao esconder algo do namorado em sua própria casa fará com que a investigação rume para outro lado. Aliás, Mark por não ter álibi para a noite do provável crime também atrasará as investigações. E antes de enterrar de vez o corpo do jovem… No desenrolar das investigações muitas outras histórias dos demais moradores serão “desenterradas”.

Gracepoint” já segue rumo ao desfecho por aqui. Exibido às segundas-feiras pelo canal TNT Séries, no horário das 22 horas, com uma reprise do episódio anterior antes. No elenco também consta Nick Nolte, Josh Hamilton e Jacki Weaver entre outros. A cada virada da trama o suspense aumenta. Fazendo dela uma ótima mini-série! Bem, pelo menos até agora! Tomara que o final esteja a altura. Se reprisarem desde o primeiro episódio, fica a dica! Eu estou gostando.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mini-Série: Gracepoint (2014).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Série: “CSI: Cyber” (2015 / ). A Realidade do Mundo dos Softwares Supera a Ficção!

csi-cyber_2015A Série “CSI: Cyber” ganha identidade própria em vez de ser apenas mais um dos laboratórios dentro da “nave mãe“. E talvez nesse início uma parcela dos fãs de “CSI: Investigação Criminal” ainda não perceberam que deveriam sim dar mais atenção a ela. Será que por exemplo já se esqueceram do que Edward Snowden contou ao mundo? Do quanto há de vulnerabilidade por ela para os que sabem se mover lá por dentro? Ou mesmo que atualmente cada vez mais estamos mais dependentes da Internet! Dai ser um prato cheio para um hacker black hat invadir perfis, contas bancárias… E muito mais!

Antes da informática, pedófilos usavam uma caixa para manter suas fotos embaixo da cama. Sendo geograficamente isolados dos outros pedófilos eram obrigados a reprimir os desejos socialmente inaceitáveis. Mas hoje a Internet conecta pessoas com as mesmas tendências depravadas. E uma vez que se reúnem, eles normalizam o comportamento e encorajam os outros.

Mary-Aiken_e_Anthony-Zuiker_CSI-Cyber_2015Anthony Zuiker, criador das “CSI“, teve a ideia para mais essa, a “CSI: Cyber” pelo do trabalho de Mary Aiken: psicóloga especializada em crimes na internet. Vale lembrar que a Internet vem desde a década de 90, daí haja chão para todos os tipos de estudos. Bem, entre a ideia até a concretização do projeto levaram alguns anos. Até que Mary Aiken se juntou a equipe como produtora e consultora. Emprestando assim sua experiência em inteligência e comportamento de cyber criminosos. Participando desde elaboração dos episódios até o andamento com o roteiro e as filmagens. Também em instruir a protagonista, Patrícia Arquette, em como agir em situações onde a personagem precisa analisar os suspeitos cara a cara.

Habilidades evolutivas de sobrevivência instintamente tendem a levá-los a lugares altos.”

Só a título de curiosidade é uma série que merece ser vista! Além do que Edward Snowden contou sobre espionagem eletrônica de um país para vários outros, temos também a farta documentação que Julian Assange mostrou, mostra pela Wikileaks… Pois é! Nem tudo tem um caráter criminoso… Onde talvez até “CSI: Cyber” mostre algumas dessas histórias mesmo que seja de um modo a “salvar” a própria pátria como em outras Séries e Filmes dos Estados Unidos… É esperar para ver!

mundo-dos-softwaresCoitados desses pais. Eles compram uma babá eletrônica pra proteger o filho deles. E é a mesma coisa que convidar o sequestrador.

Pode ser que “CSI: Cyber” até fique mais em cima dos trojan (software espião), phishing (envio de e-mails fraudulentos para infectar dispositivos e roubar informações), roteador clonado… Em como até por uma babá eletrônica hackeada descobriram um leilão de bebês para adoções. Já que o mesmo aparelho que daria uma pretensa segurança aos pais, também pode dar a sequestradores a chance de pegar o bebê sem serem notados. Ou de como em uma dessas empresas de Táxi por aplicativo também foi invadida… Enfim, se inteirar desse mundo dos softwares que temos também dentro de casa.

Passei a maior parte da minha carreira lutando contra gangues de rua, atentado, tráfico e outras guerras sangrentas… Mas hoje estamos diante de alvos anônimos obcecados em impressionar pessoas que nem mesmo conhecem! Com encorajamento e reconhecimento… vem a escalada.”

csi-cyber_patricia-arquetteCSI: Cyber” tem a frente a personagem de Patricia Arquette, a agente do FBI Avery Ryan que responde pela divisão de Crimes Cibernéticos. Bem, no mundo atual tudo que envolva dispositivos eletrônicos conectados a internet ou não é por definição: Cibernético. O que por si só já mostra o quanto ainda há de desconhecimento de todos nós. Mesmo para os que trabalham com eles. Os softwares se multiplicam. Talvez por isso sua personagem possa aparentar “andar em papel de arroz”. Pois acima de tudo ela estuda o comportamental das pessoas, muito mais do que o trabalho dos aparelhos eletrônicos. Para isso tem a sua equipe. Em sua apresentação inicial em cada episódio temos um perfil do que ela é, do que houve, e de que vem com tudo. Mas também mostra um lado mais sensível. Até de mãezona. Sem estereotipar por também ser uma agente de policial, sua performance está conseguindo sim levar esse personagem! Great!

Contrações das pupilas indicaram que dizia a verdade. As micro-expressões sinalizaram que não mascarava os seus sentimentos. Ele é inocente.

csi-cyber_elencoEnquanto a Agente Avery Ryan (Patricia Arquette) parece ter o “dom” de pegar os suspeitos na mentira por simples reações corporais, já que também é psicóloga, em sua equipe temos:
Elijah Mundo (James Van Der Beek): braço direito de Avery. Agente de campo. Especialista em armamento, veículos e bombas.
Daniel Krummitz (Charley Koontz): agente na área técnica. O melhor hacker “white hat” no mundo. Tem raciocínio rápido. Não tem medo de ser brutalmente honesto. Antissocial. Parece “viver” na sede da divisão de Crimes Cibernéticos.
Brody Nelson (Shad Moss): Hacker “pego” por Krumitz. Escolhendo trabalhar para o FBI em vez de viver uma vida de cibercrime.
Raven Ramirez (Hayley Kiyoko): especialista em investigações de mídia social, relações internacionais e tendências cibernéticas. Ela acha qualquer pessoa em qualquer rede social de qualquer parte do mundo. Detém um segredo que irá colocar a divisão em risco.
E Simon Sifter (Peter MacNicol): Diretor do FBI e superior de Avery. Atua como o meio de comunicação entre a divisão de Crimes Cibernéticos e restante do governo. Ele é duro, justo e sabe jogar o jogo político.

A tecnologia pode facilitar a vida das pessoas. Mas certamente não a deixou tão segura.”

Então é isso! A Série “CSI: Cyber” também chegou esse ano pelas bandas de cá, Brasil. Transmitida às 22 horas nas quartas-feiras pelo canal AXN. Se vai emplacar mais temporadas? Ainda é duvidoso até porque também fica na pendência da audiência por lá, nos Estados Unidos. Eu espero que sim!

O nosso bandido é um bom empresário. Ele entende de oferta e demanda. Tente adotar uma criança nos dias de hoje. Triagem, lista de espera, contas com advogados… Ele achou uma maneira de encurtá-la.”

Livro: Capitães da Areia (1937), de Jorge Amado

capitaes-da-areia_jorge-amado_capa-do-livroPor: Karla Kélvia, do Blog Livro Arbítrio.

Uma visão social e não apenas policial… Numa obra atemporal.

Eu sou do tipo que tem uma relação bem estreita com os livros, desde criança. Quanto mais um livro me marca, mais eu sinto que as lembranças que eu tenho da história dele fazem parte da minha própria história. Capitães da Areia, de Jorge Amado, está na minha galeria de livros mais que especiais, mais que queridos, daqueles que estão gravados em mim para sempre.

Creio que o lirismo do meu querido escritor baiano está em um dos seus ápices neste livro, que, além disso, possui uma trama extremamente atual. Capitães da Areia foi escrito em 1935, em uma fase engajadíssima de Jorge Amado com o Partido Comunista, fato que transparecia muito em suas obras das décadas que vão de 1930 à 1950, chamadas, por esta razão, de “panfletárias”. O Brasil daquela época estava prestes a entrar na Ditadura Vargas, o Estado Novo; o mundo nazifascista caçava comunistas e judeus, e estava para eclodir a Segunda Guerra Mundial. Apesar de o contexto em que surgiu ser tão diferente dos dias de hoje, ninguém pode negar que a história deste livro seja atemporal.

capitaes-da-areia_personagens-01Os Capitães da Areia são meninos de rua; um bando que vive de pequenos furtos e que conhece toda a Salvador. Eles moram num trapiche, um tipo de armazém abandonado no cais do porto, e formam um número variável. O líder deles é Pedro Bala, e os outros mais conhecidos são Sem Pernas, Volta Seca, Professor, Boa Vida, Gato, Pirulito. O livro é dividido em três partes. Na primeira, “Sob a lua, num velho trapiche abandonado”, vemos histórias de aventuras quase independentes dos garotos pelas ruas da cidade, explorando também suas personalidades e os seus medos. Um dos momentos mais bonitos e agridoces desta parte é “O Carrossel”, quando os garotos, que mesmo tão novos levam uma vida tão dura, deixam seu lado mais infantil vir à tona.

capitaes-da-areia_personagens-02A segunda parte é “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos”, em que Dora e seu irmão pequeno ficam órfãos quando seus pais morrem infectados com bexiga e eles ficam sem ter como e onde viverem. Ela é a única menina dos capitães, a “mãezinha” dos garotos, o amor platônico de Professor e a namorada de Pedro Bala. Depois de voltarem do reformatório, um amor tão lindo e breve tem um desfecho de abalar qualquer coração.

A terceira e última parte é “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, na qual os garotos já não são tão “garotos” assim e cada um vai seguindo seu rumo. O grupo passa a ter participação em greves e a consciência política de Pedro Bala é despertada, seguindo os passos do seu pai. Adoro o final, em que se diz que ele se torna um líder revolucionário.

Capitães da Areia é um livro incrível, pungente, que nos faz pensar em desigualdade social, desamparo das crianças e falta de estrutura familiar, que, infelizmente, ainda vemos tanto no presente.
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