Então Morri (2016). Aparente simplicidade e assombrosa sabedoria

entao-morri_2016_bia-lessaPor Carlos Henry.
A ideia do filme de Bia Lessa e Dany Roland é contar a vida de um ser humano desde o primeiro dia de vida até o falecimento através de vários testemunhos. O tom da narrativa é documental com um toque de Eduardo Coutinho, importante colaborador deste trabalho que atravessou décadas desde sua ideia até sua finalização. Na tela desfilam personagens riquíssimos de aparente simplicidade e assombrosa sabedoria pinçados dos sertões e áreas mais carentes do Brasil. O panorama humano ali criado exibe um curioso sentido reverso à cronologia natural da linha da vida.

No início são exibidos vários funerais seguidos de depoimentos de pessoas muito idosas, jovens casadouras, adolescentes e crianças até chegar a um parto de um bebê que já havia sido doado antes de chegar ao mundo. As imagens são todas reais e recheadas de emoção com um humor peculiar que está quase sempre presente nas situações mais inusitadas. O que tenta unificar a história e contá-las como se fossem uma única existência é a edição que, embora eficiente, poderia ser mais sensível para valorizar momentos impactantes e imagens raras de beleza crua.

entao-morri_2016O resultado é bastante satisfatório, combinando o grotesco e o onírico para narrar diversas vidas como se fosse uma só. Há uma senhora muito idosa que ainda diz coisas muito curiosas e coerentes no seu leito, a outra que não dispensa uma bebidinha cada vez que vai às compras, o padre que não aparece no animado casamento da roça, o dentista improvisado que sem camisa e sem luvas, arranca vários dentes de uma menina à força e finalmente o bebê que já nasce prometido, doado de forma abrupta por uma mãe sofrida e sem alternativas num desfecho que choca e emociona.

Um retrato belo e pungente de um grande pedaço do País que poucos conhecem e ousam desbravar.

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War. 2007)

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Três destinos que se uniram para ajudar um povo. Um Congressista (Tom Hanks), cuja fama não era das melhores. Uma ricaça (Julia Roberts) do Texas, com muitas influências/amigos em diversos segmentos mundiais. E um agente da CIA (Seymour Hoffman), que fora preterido para uma missão o qual se empenhara tanto por – oficialmente por não ter uma postura diplomática -, mas na verdade por ser filho de imigrantes.

Aos três parece que o destino conspirou a favor nessa missão. Pois mesmo estando numa hidro com strippers, reconhecendo um jornalista numa reportagem pela tv – ele lá no Afeganistão -, acende algo nele. Eis que ao chegar no Congresso fica ciente que fora designado para o comitê que responde por uma grana “invisível” para o “tio-sam-protetor-do-mundo“. Ele é o Deputado Republicano Charlie Wilson. Alguém que não dorme no ponto.

Outra que também tem olhos e ouvidos atentos é a Joanne Herring. Já ciente da nova “invisibilidade” nas mãos do Congressista faz contato com ele. E já com uma entrevista marcada para ele com o presidente do Paquistão.

Após ver o que viu numa fronteira do Paquistão com o Afeganistão, Charlie decide comprar aquela guerra. E nesse engajamento é “presenteado” com Gust Avrakotos. Gust é outro que também tem muita presença de espírito.

Aqueles que leram o livro “O Caçador de Pipas” tiveram um refresco na memória por mostrar um pouco da invasão russa no Afeganistão. Em “Jogos do Poder” temos como os russos foram expulsos de lá. Agora, lembrando que cada um conta a história do seu jeito.

Seymour, dá um show! Hanks, também está bem no papel! Mas a Julia, a sua personagem não fluiu naturalmente.

A trilha sonora é ótima! Já iniciando com o vozeirão, que eu adoro, do Barry White.

Estas coisas aconteceram; foram gloriosas; mudaram o mundo… e nós fuck eles no final do jogo.

Gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Jogos do Poder (Charlie Wilson’s War. 2007). EUA. Direção: Mike Nichols. Com: Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman, Julia Roberts, Amy Adams. Gênero: Comédia; Drama; Guerra. Duração: 97 minutos. Classificação: 14 anos.