Série: Caras e Caretas (1982-1989). O que transmitir ou não as novas gerações?

caras-e-caretas_serie_1982-1989Por: Morvan Bliasby.
Nestes tempos aziagos de “Escola Sem Partido“¹, golpes institucionais e outras ideias ‘jeniais‘, além de uma mesmice estarrecedora das SitComs, das Soap Operas, etc., numa revisita quase mandatória à década de 80 do Século XX, a sua explosão de comédias de situação e o começo da distensão “lenta e gradual”, como preconizavam os donos do mundo, entre as potências que alimentavam a fogueira da Guerra Fria. Deste caldeirão ultra efervescente se sobressai a SitFamily Ties“², nominada, no Brasil e em Portugal, respectivamente “Caras & Caretas” e “Quem Vem Aos Seus“, neste segundo estranho título temos, claramente, uma ironia, pois parece degenerar, e muito.

O Enredo

Steven (Michael Gross) e Elyse Keaton (Meredith Baxter) são dois hippies classe média típicos, economicamente falando, ultra liberais nos costumes e que se casaram havia duas décadas.

Um tanto quanto nonsense, no tocante à educação dos filhos, eles creem piamente que os filhos os seguiriam em seus valores, teriam uma vida “zen” e seriam filosoficamente parecidos com estes.

O tempo lhes mostrou o quão errados estavam, mormente no tocante ao filho mais velho, Alex (Michael J. Fox). Este, um executivo, na cabeça e nos valores (um admirador incorrigível de Ronald Reagan!). Isso mesmo. Reagan. Importante para nos ambientarmos. Reagan, Tatcher e a ideia do Estado mínimo, do tamanho de uma bacia, nas palavras dos próprios. Este é o ambiente da série. Alex utilizava chavões dos republicanos e portava até mesmo um cartão de sócio do clube dos conservadores. Inteligente, ganancioso, reacionário. uma cópia (carbono) exata de seus pais. Alex se encaixa perfeitamente no estereótipo do “self-made man”, tão usual, à época e hoje.

Já a moça, Mallory (Justine Bateman), ao contrário, relaxada, preguiçosa, fútil e cujo círculo de interesse consistia em compras, rapazes e… compras e rapazes.

Vem, a seguir, Jennifer (Tina Yothers), a caçula. Todo o seu sonho era ser uma pessoa normal. Dependendo da situação, razoável, não?

Family_Ties_castA série, malgrado de forma às vezes sutil, até demais, teve a virtude de discutir preconceitos, censura, gravidez adolescente, vício (drogas), relacionamento familiar e círculos criados em torno de interesses similares. Todos os personagens da série, inclusive os papeis satélite, contribuem para uma discussão sutil e ao mesmo tempo rica sobre os valores de então.

O sucesso estrondoso da Sit tem a ver com isso. quem sabe, além do fato de ter sido a propulsora e impulsionadora de celebridades precoces, como o Micheal J. Fox.

Mas a discussão subjacente da comédia de sucesso parece ser a questão educacional (não somente educativa, educacional, de finalidade da formação). Até que ponto a formação dos nossos filhos, de uma geração, por exemplo, pode ser vilipendiada, a ponto de achar que as coisas se repetirão por osmose. Que não precisaremos assumir uma posição mais protagonista, com relação ao tipo de pessoa humana que queremos formar, subvertendo, se necessário, os valores vigentes e até a educação formal, via escola. A ‘Escola Sem Partido‘, esta aberração imposta pelos nossos nefandos “amigos” ideólogos, daqui e d´alhures, por exemplo, é uma mostra de protagonismo às avessas, ou seja, não seja inocente de pensar que existe neutralidade em qualquer aspecto da vida. Tal movimento aposta na interdição do debate natural na escola, na vida, para a nova geração de zangões…

Séries como Family Ties e “Todo Mundo Odeia o Chris” são muito eficazes em, sob o pretexto de discutir amenidades, ir bem fundo nos costumes e preconceitos e acabam, neste roldão, se tornando fotografia de uma época. Family Ties parece bem atual, traçando um paralelo com o momento em que assistimos ao desmonte de vários Estados nacionais. Esta já é uma boa razão para assisti-la, como análise comparativa. Além dos canais da tevê paga, que vez por outra a reprisa, geralmente com o título original, além de poder vê-la nos sítios dos Estúdios originais ou nos canais de “stream“.

Série: Caras e Caretas (1982-1989)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

¹ Uma ideia tão imbecil para se acreditar ter saído da cabeça de educadores. Felizmente, não!.
² No Brasil, curiosamente, uma novela, tempos após, recebeu o nome literal da comédia de situação: Laços de Família.

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Terra Prometida (2012). O american dream não é igual para todos…

terra-prometida_2012terra-prometida_2012_01Por: Valéria Miguez (LELLA).
O filme “Terra Prometida” permeia entre um alerta dos riscos ambientais advindas das perfurações em busca do gás natural até a fragilidade da natureza humana. E embora tenha atores de peso ele se calca nas histórias dos personagens. Mais! Na tentativa de dar um basta a algo já cultural para eles: o ganhar dinheiro fácil e rápido demais. É! O american dream não precisa ser igual para todos…

terra-prometida_2012_02O filme não veio para dissecar o fato em si, que ainda é atual, e nem mesmo em trazer alternativas… pois ele já traz o avanço da exploração do “gás de xisto” em solo americano. Passando quase rapidamente por fatos que também são reais. Como o de já ter comprometido um grande aquífero… No porque em vez de mais estudos sobre os impactos ambientais as grandes corporações prefiram “investir” em leis que lhes deem carta branca para continuarem agindo… Onde a grande cena que resumiria toda essa parte contextual estaria numa apresentação de um ambientalista para um grupo de crianças em sala de aula… Aliada a reação das crianças, sem esquecer do caráter informativo para a formação delas – uma sementinha sendo plantada e para um bem em prol de muitos… Esse ativista é Dustin Noble. Personagem do sempre ótimo John Krasinski. Dustin fará o contraponto com o protagonista. Ou um deles! Como eu já citei, “Terra Prometida” é um filme do modo de cada um ver a vida, ou de levar a vida com o seu quinhão de terra…

A terra em si já estava lá! O que chegaria a aquela pequena localidade seria a promessa de um ganho financeiro extra ao cederem o subsolo para uma mega corporação. Para tanto ela enviaria para lá alguém que teria um predicativo a mais: o de “falar a língua do campo“. Mas o fato de se ter nascido numa região rural não qualifica ninguém em entender o que de fato passaria no interior dessas pessoas… Até porque ele próprio partira cedo para um grande centro urbano… De qualquer forma cada um pode ter ideias próprias sem se deixar levar até por algo já enraizado culturalmente. Enfim, o escolhido estava disposto a mostrar resultados! Além do que receberia… Vaidoso até por ser um grande vendedor… Parte já se achando vitorioso… Ele é Steve Butler. Personagem de Matt Damon. Cuja performance deixou um pouquinho a desejar. Eu cheguei a pensar se um outro ator levaria esse personagem a voos mais altos… E não o fez não por falta de história… Enfim, não deixou o personagem memorável!

terra-prometida_2012_03Butler leva como assessora Sue Thomason. Alguém ainda presa a velhos costumes… Ela é a personagem da sempre ótima Frances McDormand. Muito embora nesse me levou a lembrar de sua personagem em “Fargo“, de 1996… Não que isso pesasse contra. Talvez até por sua performance nesse outro tenha sido o motivo para fazer a Sue em “Terra Prometida“. De qualquer forma ela deu asas ao esteriótipo do caipira. E o filme traz os preconceitos acerca dos que vivem em regiões rurais pelos os dos grandes centros urbanos. Como também traz outros preconceitos sócio-culturais. E tanto Butler quanto Sue ganharam um aliado nessa empreitada: Rob (Titus Welliver). O dono de um pequeno comércio local. Que deu dicas para mais do que adentrarem nas casas daquela gente, que conquistassem seus corações… Mesmo com essa grande ajuda… Butler encontraria umas pedras nesse caminho…

terra-prometida_2012_04O preço daquelas terras iam além de pagamento de propinas… De usar a vaidade das pessoas… Pois mesmo que entrasse no campo sentimental dos moradores… Alguns mostraram que o peso para elas era outro… Colocando-o em xeque! Até porque alguns deles também moraram em grandes cidades… Só que na atualidade escolheram ali viver… Um até nem saiu dali, o Jeff Dennon (Scoot McNairy), fora um irmão. Alguém que pelo o que vivenciou… Deixava Jeff ciente de tudo que envolvia o xisto e não apenas em solo americano… Desconcentrando Butler! Também há o personagem de Hal Holbrook: o professor aposentado Frank Yates. Um dos que passou com louvor por um dos preconceitos do Butler… Outra que também o desarma, até mais do que ele contava é Alice (Rosemarie DeWitt), a professora das crianças: alguém que o intimida até com algo do tipo “E porque não?“… Butler recebera lições até de uma criança… Dos reais valores para alguns dali…

Matt Damon é um dos que assina o Roteiro. Tendo na bagagem o excelente “Gênio Indomável“, de 1997. Também dirigido por Gus Van Sant. Se antes Gus tinha em mãos um jovem ator a ser lapidado, talvez nesse de 2012 ele o tenha deixado intimidado… É que faltou algo dessa vez! Enquadramento demais? Pode ser! Que pode ter desvirtuado o perfil do personagem… É que ele deveria ter passado uma imagem de alguém que vendera a alma… O que por exemplo ocorreu com John Krasinski! Seu personagem mais parecia um diabo confrontando Butler… De qualquer forma, ambos – Matt e Krasinski -, merecem os aplausos por trazerem um alerta a todos sobre a exploração do xisto! Um tema ainda desconhecido para muitos de nós. Assistam e confiram! Nota 09!

Terra Prometida (Promised Land. 2012)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curiosidade: A principal razão para a preocupação dos ambientalistas é que os poços de fraturamento hidráulico estão sujeitos a vazamentos. Nesses locais, a água, produtos químicos e areia são bombeados em alta pressão de forma vertical para fraturar o xisto do subsolo. Entre os principais impactos ambientais estão a contaminação da água e do solo, riscos de explosão com a liberação de gás metano, consumo excessivo de água para provocar o fracionamento da rocha, além do uso de substâncias químicas para favorecer a exploração. Ainda há a preocupação de que a técnica possa estimular movimentos tectônicos que levem a terremotos. Em resumo, o solo e os lençóis freáticos podem ser contaminados com substâncias nocivas à saúde.

Casa Grande (2014). Até que Ponto Somos uma Democracia Racial?

casa-grande_2014_01Por: Eunice Bernal.

Todo brasileiro traz na alma e no corpo a sombra do indígena ou do negro.” (Gilberto Freyre)

O Cinema Brasileiro quando quer também sabe fazer bonito não deixando nada a desejar ao de outras nacionalidades, e de vez em quando nos brinda com um de tema excepcional e atual condizente aos anseios e desejos de nossa gente. O nacional do momento que destaco é CASA GRANDE, um drama, às avessas, com argumento e direção do jovem carioca Fellipe Barbosa que conta com Karen Sztajnbeg na elaboração do roteiro. Estiloso! Usou e abusou do formato simples de narrar, porém, com capricho, contando de uma forma inusitada um drama familiar real mesclando situações cotidianas desta sociedade.

O filme me chamou a atenção mais por um dos assuntos abordados na história, e que na época de sua implantação no país, gerou polêmica e a sociedade viu-se num impasse, dividida entre ser favorável ou não; seria benéfico ou daria dor de cabeça à população, e parece que até agora ninguém chegou a conclusão alguma, mesmo sabendo que se tornou lei e já vigorando tanto que muitos vieram a usufruir, porém, a questão ainda impera.

casa-grande_2014_02Casa Grande é baseado em fatos reais, na vida do próprio diretor do longa. Conta história de Jean, narrado em primeira pessoa, um adolescente de 17 anos, sua irmã Nathalie e seus pais Sonia e Hugo; família rica e feliz que, de repente, se encontra em séria dificuldade financeira decretando falência justamente no momento em que o filho mais precisa de atenção e apoio porque vai prestar concurso para ingressar na faculdade; fase de escolhas de carreira na vida do jovem brasileiro, momento único, curso preparatório, pré-vestibular, estresse, noites insones debruçados em livros pensando em rumos a seguir na vida que muitas vezes deixa essa fase da vida e a juventude insegura e por isso vale contar com apoio e compreensão dos entes queridos. O filme já nasceu grande de ideias, apesar de o diretor ser bem jovem, já traz na bagagem este seu primeiro ‘filho’ de dar inveja santa a colegas de profissão e aos mais experientes, pois o filme imediatamente conquistou alguns prêmios quando foi lançado em 2014. Sei lá, uma ideia que já passeava pelo país, e ele sortudo, se apropriou.

A família de Jean vive em uma mansão na Barra da Tijuca, um dos bairros considerados nobres da elite carioca; com piscina, carros na garagem, três empregados, enfim, uma vida, antes, financeiramente, digamos, confortável. O filho estuda no tradicional Colégio São Bento, uma das melhores escolas particulares do Rio de Janeiro referência em Educação e Conceito A no país. De repente, a história dessa família, muda radicalmente para o lado B da vida quando o patriarca começa a perder seus investimentos e bens, e por vergonha não revela isso aos filhos, amigos e vizinhos passando a viver de aparências. O filme é bem um reflexo da crise atual que o Brasil atravessa. A história é espelho da sociedade brasileira; talvez sirva apenas para esta nacionalidade por ser assunto mal resolvido deste país.

casa-grande_2014_03O motorista da família, um senhor de meia idade vindo da região nordeste do país era quem levava o rapaz todos os dias à escola e ia buscá-lo; davam-se bem, consideravam-se amigos, e no caminho, altos papos entre ambos; por causa da crise financeira que a sua família estava passando e por contenção de despesas, o motorista foi despedido e felizmente conseguiu outro emprego em seguida na Comunidade da Rocinha, próximo de onde ele vivia com a família. Rocinha está localizada na zona Sul no Rio, espremida entre o Leblon e São Conrado – caminho que divide a Zona Sul do RIO da Zona Oeste e Norte, e no enredo isso está explícito para mostrar como é composta a sociedade brasileira, (pobres e ricos) e como e onde se vive = casa grande X senzala = as raízes do Brasil Sudeste X Nordeste; os bairros são chamados em outras sociedades de distritos, e como distrito o país está dividido em abastados e miseráveis. Mas todos podem viver pacificamente na CASA GRANDE, o direito de ir e vir é igual para todo cidadão brasileiro, amparado perante lei, com os mesmos direitos (Bem, isso está claro na Constituição Federal). A Comunidade Rocinha (lembra um muro isolando tribos porque para ir de um lado a outro o caminho é esse, ou atravessando um túnel ou indo pelo elevado do Joá) ou os ricos dos pobres grifando as desigualdades sociais.

casa-grande_2014_04Sem motorista, Jean passou a ir à escola de ônibus e, graças a essa mudança radical em sua vida, conheceu na viagem uma garota – Luisa (Bruna Amaya) que estudava no Colégio Pedro II – também Educação de excelência e qualidade em Ensino, só que esta difere da outra por ser da rede pública Federal (Pedro II, apesar de ser Escola Pública, é considerado uma das melhores do Estado, comparado ao Colégio Militar e a algumas Escolas Particulares), e o casal passou a ter um relacionamento mais que amizade. A jovem embarcava no meio do caminho e descia no ponto da Rocinha. Começa aí para Jean descoberta de um sentimento novo e de amor, além da atração física e desejo que nutria por Rita, a empregada mais jovem de sua casa, e por isso suas as investidas constantes nas madrugadas para encontrá-la em seu quarto para ganhar sua confiança e carinho, e ela sempre arrumava jeito de lhe dar atenção, de ouvi-lo e conversas triviais e não passava disso e o desejo dele pela moça não passava do platônico até então.

A trama aborda assuntos relevantes e continuamente atuais; entre eles destaco dois:

livro_casa-grande-e-senzala_gilberto-freyrePrimeiro que me reportou imediatamente à obra Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre trazendo à tona algumas lembranças de QUEM SOMOS, e a formação sócio-econômico-político-cultural do povo brasileiro no contexto da miscigenação entre brancos, índios e negros; ricos e pobres, de oportunidades (des)iguais para todos; de escolhas entre estudar em escola particular ou pública; patrão e empregado; casarão x casebre ou melhor, Casa Grande e Senzala, além dos muros regionais, que, sutilmente, discrimina e divide o país. Não sei se Fellipe Barbosa fez de propósito apostando nesse título ou seria mera coincidência. Independentemente de qualquer motivo, ele fez a coisa certa e foi feliz na escolha tornando a obra aberta a tantas reflexões, principalmente no que tange a atual situação do país – e crise econômica não escolhe classe social. E Gilberto Freyre diz que “Casa Grande” é moradia de todos: do proprietário, escravos, parentes, filhos, esposa, amantes, padres, políticos cachorro e papagaio. O sociólogo diz que este domínio se estabeleceu incorporando tais elementos e não os excluindo. Ele também desmistifica a ideia de que no Brasil teria uma raça inferior devido à miscigenação. Antes, aponta para os elementos positivos da formação cultural brasileira, oriundos desta miscigenação entre culturas tão distintas, ou seja, o Brasil do ‘todos juntos e misturados’!

Quando fala em democracia racial, você tem que considerar que o problema de classe se mistura tanto ao problema de raça, ao problema de cultura, ao problema de educação. (…) Isolar os exemplos de democracia racial das suas circunstâncias políticas, educacionais, culturais e sociais, é quase impossível. (…). É muito difícil você encontrar no Brasil [negros] que tenham atingido [uma situação igual à dos brancos em certos aspectos…]. Por quê? Porque o erro é de base. Porque depois que o Brasil fez seu festivo e retórico 13 de maio, quem cuidou da educação do negro? Quem cuidou de integrar esse negro liberto à sociedade brasileira? A Igreja? Era inteiramente ausente. A República? Nada. A nova expressão de poder econômico do Brasil, que sucedia ao poder patriarcal agrário, e que era a urbana industrial? De modo algum. De forma que nós estamos hoje, com descendentes de negros marginalizados, por nós próprios. Marginalizados na sua condição social. […]. Não há pura democracia no Brasil, nem racial, nem social, nem política, mas, repito, aqui existe muito mais aproximação a uma democracia racial do que em qualquer outra parte do mundo. Gilberto Freire. Casa Grande & Senzala” foi publicado em 1933 e parece que foi hoje, não acha?

casa-grande-2014_02Em segundo lugar, destaco na obra do roteirista a abordagem da Lei de Cotas Raciais. O jovem leva Luisa à sua casa onde está acontecendo um churrasco, e lá estão alguns parentes e amigos da família. No meio da festa surge o assunto ENEM, Vestibular, Carreira e também a Lei de Cotas Raciais. A namorada de Jean muito eloquentemente começa a explanar sobre suas raízes, dizendo o porquê de suas características físicas. Diz que a mãe é mulata e o pai japonês. E daí começa a ‘discussão’ sobre Cotas Raciais para ingresso ao nível superior, perguntam se ela escolheria ou não se inscrever por meio de Cotas. Falar sobre Cotas Raciais é um assunto delicado e o brasileiro ainda não chegou a um denominador comum; difícil se situar e não alterar o tom de voz; uns sendo a favor e outros contra. E ninguém se entende. Um diz que Cotas é uma forma de preconceito que isso não é fator para medir intelecto de ninguém. Como em qualquer roda de conversa que o assunto surge sempre acontece de ter defensores e atacantes para as duas correntes – dos favoráveis à lei de Cotas e dos contrários. É claro que esse almoço na casa de Jean também não acabou bem.

A Lei de Cotas foi regulamentada em 2012, e promove diversas políticas públicas para os afrodescendentes visando criação de oportunidades e a igualdade racial. É atribuída 50% das vagas em instituições e Universidades Federais destinadas a estudantes egressos de escolas públicas e com renda familiar igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita, e a outra porcentagem de cota a critérios raciais (negros, pardos e indígenas). Ninguém também se entende quando a cota é para estudante de Escola Pública, pois Colégio de Aplicação, Pedro II, Fundação Osório e Colégio Militar são alguns dos Públicos de Educação de qualidade, e usar a lei de cotas para concorrer a uma vaga é tirar a chance de outros candidatos sem cotas conseguirem pontuação para ingressassem. Concorrência desleal? E voltando a citar Casa Grande & Senzala de Gilberto Freire, ele diz também o seguinte: Não é que inexista preconceito de raça ou de cor conjugado com o preconceito de classes sociais no Brasil. Existe. É verdade que a igualdade racial não se tornou absoluta com a abolição da escravidão. (…). Houve preconceito racial entre os brasileiros dos engenhos, houve uma distância social entre o senhor e o escravo, entre os brancos e os negros (…).

Se o brasileiro é um povo miscigenado, resultado de negro, branco, índio, vermelho, japonês, verde e amarelo, por que deveria existir uma política de cotas raciais? Os investimentos em educação no país estão cada vez mais precários que a condição de todo cidadão independentemente de raça se igualou. As pessoas que discordam das cotas raciais afirmam que ela é discriminatória e causa conflito racial. Em um país com grande diversidade racial, as dificuldades são encontradas no momento de decidir se uma pessoa é branca ou parda. Parece que a nação brasileira redescobriu o Brasil, deu volta ao mundo e parou no mesmo lugar.

casa-grande-2014_cartazO filme pretende ainda ser uma crítica à alta sociedade, como explica o próprio diretor: “Busco trazer perguntas nesse filme. Por que a gente deseja tanto? Qual a vantagem disso? Por que viver assim?Fellipe Barbosa. O direito de ir e de vir é lei. Um ponto alto do filme todos iguais, oportunidades iguais, direitos iguais. Casa Grande ou Senzala não faz diferença… Conclui-se que todos carregam no dna certo parentesco, a condição financeira pode ser o muro, abismo social, mas nada impede que se pule passando para o outro lado. É o que Jean fez indo à Senzala; é o que Severino fez indo à Casa Grande. E despido a diferença entre pobre e rico desaparece. O Poster do filme conclui essa ideia.

Como dizia um pensador “Entrar na Faculdade é muito fácil; difícil é sair” (com o canudo ele quis dizer). E acrescentava que infelizmente sempre haverá ricos e pobres. A riqueza pode ser do eu interior em potencial e se pode escolher ser rico assim ou pobre de espírito. No final das contas, conseguindo passar pela peneira, pelo funil ou pulando o muro, a luta será constante e indispensável para a vida que não costuma distribuir cotas para se chegar aos finalmentes, ou àquilo que se almeja conseguir para se chegar a algum lugar. “Até que ponto nós somos uma democracia racial?” Foi o que perguntou Lêda Rivas para Gilberto Freyre. Cabe a cada um tentar encontrar a resposta.

de Eunice Bernal.

TRINTA (2012). E o Brasil Conheceu um Gênio!

trinta-2012_cartazPor: Carlos Henry.
trinta_cena-do-filmeO filme de Paulo Machline sobre a trajetória do carnavalesco Joãosinho Trinta poderia ganhar tons de um documentário chato, não fosse a feliz opção do diretor em pinçar o importante episódio da tumultuada estreia solo do artista no Salgueiro quando já havia deixado o corpo de baile do Teatro Municipal para se dedicar ao carnaval. O foco do roteiro é a preparação do inesquecível e premiado enredo “O Rei da França na Ilha da Assombração (In credo em Cruz)” no ano de 1974. Enfrentando todo tipo de percalços e preconceitos, Joãosinho revolucionou o espetáculo das Escolas de Samba, consagrando-se como o mais importante artista da área.

Concentrando-se neste episódio decisivo, o diretor conseguiu satisfazer a curiosidade do espectador, sem se perder em muitas histórias, personagens ou detalhes irrelevantes, dando ênfase ao frenético ritmo dos bastidores da festa, com direito à magia e mistério na participação de Léa Garcia como Nha Zita, humor no ambiente tumultuado do barracão representado pelo personagem Calça Larga (Fabricio Boliveira) e suspense na dose certa na pele do antagonista Tião interpretado pelo sempre visceral Milhem Cortaz.

Matheus-Joaosinho_filmeApesar de não contar a história completa do artista, nem ousar mostrar muito da festa propriamente dita, o que certamente encareceria horrores a produção, Machline traça com competência um perfil abrangente de Trinta, destacando a força criativa que enxergava o desfile como uma verdadeira ópera numa analogia genial que mudou o conceito das Escolas de Samba. Infelizmente, de lá para cá, exageraram a dose na avenida, transformando tudo num exagerado show de efeitos especiais com pouco samba de verdade, sensualidade e brasilidade.

Matheus Nachtergaele compôs o papel principal com maestria assombrosa, sobretudo na difícil cena em que tem uma inesperada e providencial explosão nervosa em torno de um punhado de ajudantes atabalhoados neste filme tão belo e empolgante quanto um desfile de carnaval à moda antiga.

Uma Família no Limite (La Bellezza del Somaro. 2010)

uma-familia-no-limite_2010O Cinema Italiano continua dando as cartas em mostrar os dramas familiares, e num jeito que muito me agrada com muito humor. E que pelo raio-X que traz de cada personagem por vezes alguns acham um tanto amargo na dose.

Em “Uma Família no Limite” temos como pano de fundo conflitos de gerações, mas mais em cima do que de fato se pode retirar da convivência em família. O homem como ser social que é tirando o essencial das regras estabelecidas. O filme até passa por conflitos entre classes sociais, com o foco em indivíduos tentando reintegrar-se com todos na pirâmide social. E por conta disso até onde o belo só é o que se vê pelo próprio espelho? Pelo próprio parâmetro que se dá para as diferenças individuais. A aceitação natural da beleza que há em cada ser do jeito que ele é. Uma beleza que há muito mais quando se é jovem, por ainda não ter ou receber os pesos e medidas que chegam com a fase adulta. E aí é que também entra aos que adentram na velhice de fato, por essa se despir com mais naturalidade das armaduras impostas ao longo da vida. Mas a maturidade mete medo em todas as idades por achar que não terá a formosura de antes. Talvez por usar a medida usada no julgamento do seu semelhante. São os pesos e medidas que mudam ao passar dos anos, mesmo que para alguns fica difícil aceitar essas mudanças. Então se apega a juventude externa. Quando poderia ter, manter um espírito livre que o faria sentir-se jovem. É meio por por aí significado do título original: La Bellezza del Somaro (A Beleza do Asno).

No fundo, o homem se espelha nas coisas, considera belo tudo o que lhe devolve a sua imagem. O Feio é entendido como sinal e sintoma da degenerência. Cada indício de esgotamento, de senilidade, de cansaço… tudo provoca a mesma reação: o juízo de valor ‘feio’. O que odeia aí o ser humano? O próprio declínio?” (Nietzche)

Em “Uma Família no Limite” temos em destaque um casal de classe média alta. O marido, Marcello, é um arquiteto bem conceituado até pelos políticos e clérigos que mesmo não gostando muito do seu trabalho o contratam. Suas linhas tenta o equilíbrio do clássico com o moderno retirando o ideal claustrofóbico do passado. Esse pensamento arrojado com mais liberdade também o leva para a vida pessoal. Uma liberdade bem machista. Quem o interpreta é quem assina a Direção e parte do Roteiro: Sergio Castellitto. Marcello é casado com Marina (Laura Morante), uma psicanalista em crise até por tentar seguir a regra de que é proibido proibir, além também de não conseguir superar um trauma do passado. Aliás, Marcello também traz um trauma mal resolvido. Ambos tentam compensar seus problemas pessoais educando a filha, Rosa, numa de liberdade vigiada. Rosa recebe a alcunha de a ‘Rosa de Luxemburgo‘, mas mais pela rebeldia aos pais, já que não corta o cordão umbilical das mordomias que tem em casa.

O feio é também um fenômeno cultural. Os membros das classes altas sempre consideraram desagradáveis ou ridículos os gostos das classes baixas.” Umberto Eco)

Às vésperas de completar 50 anos de idade, Marcello e família seguem para um feriado na belíssima residência de campo na também bela região da Toscana. Além de outros familiares, irão também amigos de infância dos três, dois dos pacientes de Marina (Os loucos são os seres humanos mais livres que existem?) que mantém quase uma relação familiar com eles, além de uma empregada de origem alemã meio mal humorada (A classe trabalhadora terá seu dia de glória.). Completando o belo quadro serão apresentados ao novo namorado de Rosa. Que para Marcello e Marina é um jovem negro. Aliás, a alusão que fazem por aceitar o tal jovem na família é ótima. Acontece que na verdade o novo namorado será como um tapa na cara do Marcello no durante, e até no final. Mostrando quem de fato sai imune a cobras e lagartos que terão que digerir após uma grande lavagem de roupa suja que acabou se transformando essa reunião.

Por fim, o filme também põe em xeque os valores de uma elite atual que não necessariamente a italiana. Pode ser vista em outras culturas que estejam mais globalizadas. Em até onde a grama do vizinho incomoda. Em até onde vai a superficialidade quando se desnuda ante a realidade da vida que se leva. Será um divisor de água para alguns. Agora, se terão ou não consciência disso já é outra história!

Eu assisti “Uma Família no Limite” no Cine Conhecimento do canal Futura. Vi e amei! Eu ri muito! Os diálogos são de perder o fôlego tamanha é a velocidade em que são apresentados. Atuações brilhantes! Uma Trilha Musical como coadjuvante. Enfim, tudo em uníssono num filme Nota 10! E que me deixou uma vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Uma Família no Limite (La Bellezza del Somaro. 2010). Itália. Direção e Roteiro: Sergio Castellitto. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 107 minutos. Também assina o Roteiro: Margaret Mazzantini.

Uma Radiografia do Bullying pelo Cinema!

bullyingSerá que um dia o Bullying terá um fim?

Onde tudo isso começa? Se já vem de berço e com o tempo ganha forma? Se é por não saber como lidar com suas próprias emoções? Nesse tocante ela pode ser por revolta, frustração, medo, raiva… ou um mix de tudo isso. Se é por não saber canalizar toda a força que traz dentro de si, e com isso sai cometendo barbaridades? Se o meio influi? Por conta disso, e muito mais, eis o tema da conversa de agora. E que mais que do descobrir o que se passa dentro dos que praticam o bullying, também em ver se há um fim para isso. Vem comigo!

ben-xO tema reacendeu em mim após assistir “Ben X – A Fase Final“. Nele, o personagem Ben padece desde os primeiros anos escolares nas mãos dos colegas de classe. Por não o aceitarem no grupo, por ele ser ‘diferente’. O rapaz sofre da Síndrome de Asperger, um tipo leve de autismo. Frequenta o mesmo colégio dos tidos como normais porque a doença não lhe tirou o entendimento das coisas. É até muito inteligente, com notas altas. Mas em vez de ter solidariedade, recebe é hostilidade. O de ficarem atirando bolinhas de papel o tempo todo é até algo menor diante das outras agressões. A ponto dele querer dar um fim a tanto sofrimento. Pois seu limite chegara ao fim. Tal qual o jogo de RPG que usava como uma válvula de escape. É revoltante o que fazem. Não deixem de ver esse filme.

O filme também deveria ser visto por educadores, que o levassem para sala de aula. Que colocassem em discussão esse fenômeno bullying. Se já recebeu até um nome próprio, também poderia vir a ser um fato passado. Nossa! Seria bom demais se isso viesse a acontecer. As conseqüências dos que padecem nas mãos desses sociopatas, creio que muitos de nós é sabedor. Ou por experiência própria, ou por ter presenciado. Quando não, por o ter praticado.

BULLYING_na-escolaAgora, como cortar esse mal pela raiz? Lembrei da minha avó, em algo que dizia ao ver uma criança fazendo alguma malcriação, pirraça, malfeito… Ela olhava para o responsável pela criança e apenas dizia: ‘É de pequenino que se endireita o pepino!‘.

Eu já citei em um outro texto que filme é antes de tudo um entretenimento. Mas se por ele também se pode suscitar uma busca por uma causa maior. Por que não usá-lo? A partir dele, levar o tema à mesa de debates. Eu meio que entrei numa cruzada após ver esse filme. Levei o tema em algumas comunidades no Orkut. Teve depoimentos emocionantes de pessoas que sofreram nas mãos desses valentões.

rebel-without-a-causeComo também estou numa de ver e rever filmes onde há esse tipo de agressão entre pessoas de uma mesma geração. Dai, fui buscar primeiro em rever um Clássico. O filme “Juventude Transviada” (Rebel without a cause). Nele, o curto diálogo abaixo traz um indício, ou não. Eis:

_Por que temos que fazer isso?
_Porque temos que fazer alguma coisa.

Pois é, antes de iniciarem a tal prova estúpida para provar que não era covarde, o personagem do James Dean pergunta isso. Com a resposta do outro… Não seria apenas por falta do que fazer. Fica mais parecendo que não param nem para questionarem a si próprio. Fazer por fazer é atributo de uma máquina, não de um ser humano. E uma fala da personagem da Natalie Wood, meio que se constata isso. Que se tornam robozinhos. Ela diz mais ou menos assim:

_Não dê créditos ao que eu falo quando estou com o grupo. Ali ninguém está falando a verdade. Somos fachada.

greaseEsse lance de ser apenas uma aparência, que é regra geral nesses grupos, tem como um exemplo o filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina“. Onde não mostram, alguns deles, o seu verdadeiro ‘eu’. Onde têm sempre que não apenas bancar o durão, como também mostrar que o é de fato. E nesse também há os que são discriminados. Esses, por assumirem o que são de fato. Parece até que só é aceito no grupo se vier com o carimbo de fábrica. De que saíram da mesma linha de montagem. Por que não aceitar a diversidade da vida?

Agora, onde tudo começou? Não dá para aceitar apenas de que todos eles vieram de uma família (lar) desestruturada. Embora seja um fator preponderante. Numa de manterem o ciclo de violência. Mas tem que ter algo mais que aflore neles esse lado violento. Bem, as sociopatias não são a minha praia. Não tenho o conhecimento que me embase. Dai fico nas conjecturas.

a-curaSe querem no grupo ‘iguais’, isso viria de copiar os pais, ou alguém que foram eles que elegeram como a figura paterna/materna? E até nisso há exceções. Pois há os que não seguem a mesma carga de preconceitos que veem em seus pais. Ou mesmo num deles. No filme “A Cura” (The Cure) há uma cena onde a mãe de um menino aidético é que mostra a mãe de um outro o quanto o filho dela é humano. Usando uma gíria antiga… O quanto ele é gente paca! Pois ele, por amizade, por carinho ao filho dela, enfrentou o mundo… Gente! A primeira vez que eu vi esse filme, eu chorei muito. Esse é outro filme que deveria ser exibido nos colégios. É lindo demais!

tepegolaforaAs afinidades entre uns, por ser discriminados por outros. Ou os que discriminam… Me fazem lembrar de alguns filmes que eu vi nas sessões da tarde… Que eu até gostaria de rever. Citando alguns: “Te pego lá fora” (Three O’Clock High); “Manobra Super Radical” (Airbone)… Um outro que eu não consegui lembrar o título, mas se a memória não falhou de todo, nele há a união de dois ‘diferentes’: um é deficiente físico, e o outro só é bom de briga, mas como o valentão precisa de notas há uma troca de favores entre eles. Um acordo de cavalheiros: o valentão o protege da turma dos bullying.

Um outro que faz os ‘diferentes’ se unirem para mostrarem os seus reais valores é o “Dias Incríveis” (Old School). Esse me pegou de surpresa por fazer a diferença entre outros tão iguais. No caso, refiro-me a trama. Por levar uma história nada rara – em mostrar rixas entre as fraternidades estudantis. Ele é um ótimo sessão pipoca.

freedom-writersUm que mesmo eu já o tendo sugerido em outro texto não tem nem como deixar de trazê-lo para esse. Refiro-me ao “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers). Onde uma Professora mostra a eles, seus alunos, o peso em discriminar um ‘diferente’. E o bom é que entenderam a lição! Pondo um fim nas discriminação.

E para finalizar, um que se não é a solução definitiva para por um fim nesse ‘fenômeno bullying’, pelo menos é um caminho. Por ser um mostrando um Diretor de Escola que traz uma punição adequada a um desses valentões. É o “Um Amor para Recordar” (A Walk to Remember).

Talvez esse assunto também toquem em velhas feridas… Sorry! Mas não dá para evitar se o que queremos de fato é não mais ver isso acontecendo. Principalmente com as crianças. Nem para as que poderão vir a sofrerem tal perseguição. Como também as que poderiam continuar perpetuando o bullying. Ficando um desejo de tirá-las disso. See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 29/08/08).

P.s. (Em 02/08/10): Serginho Groisman – Campanha contra o Bullying. Para quem conhece meus textos sobre filmes sabe que também estou nessa cruzada, e já há algum tempo. Agora, é muito bom quando uma Campanha contra o Bullying, tem uma mídia como a Globo. Até pelo alcance dela. Valeu Serginho!

P.s 2 (Em 07/10/2013): Em 2011 eu postei esse texto numa das páginas desse blog, mas resolvi trazer para cá, em post, por ter um alcance maior. Também vou repostar os comentários.