A Família Bélier (La Famille Bélier. 2014)

a-familia-belier_2014E tem um passarinho querendo abandonar o próprio ninho… Mas que para essa gaiola há uma muito chave especial

O filme “A Família Bélier” traz como pano de fundo a entrada para a adolescência, mas muito mais daqueles que não passam o dia com seus celulares nas mãos. Daqueles que já levam uma vida bem mais produtiva ajudando aos pais nos afazeres diários e de onde sai o sustento da família. Nesse em especial, a criação de um pequeno gado leiteiro para o fabrico de queijos. O que já é um convite parra assistir e ver um cenário bucólico. O filme se passa num Um vilarejo na região do Mayenne, na França. É! O filme fala dos que ainda nem descobriram o próprio talento e que o levaria a abandonar o ninho familiar.

a-familia-belier_2014_01Em muitas das vezes o talento é nato precisando apenas vir à superfície, e de ter alguém com um olhar mais apurado, ou mais específico para essa descoberta. Nesse filme veio de um professor: o meio ranzinza Professor Thomasson. Numa bela atuação de Eric Elmosnino. Ele também se sente engaiolado: dando aula de canto numa escola no campo. E o primeiro vislumbre de uma joia rara entre os alunos veio meio que por intuição. Mas esse diamante a ser lapidado parecia estar intimidada até de fazer uso da própria voz…

a-familia-belier_2014_02Em “A Família Bélier” temos então a jovem Paula (Louane Emera). Uma adolescente que se divide entre a escola, a labuta na fazendola, o gerenciar preços de compra e venda desse negócio familiar e além de ajudar a família na feiras de produtores… Sem quase tempo de sobra, correndo de um lado para outro… Tem em seus breves momento de lazer, o conversar com a única amiga, Mathilde (Roxane Duran), e que esta está sempre levantando o astral “cansado” da Paula. Pois é! Com tantas atividades diárias, Paula nem tem tempo para os “dramas” tão comuns na adolescência, principalmente dos sem responsabilidades… Mas eis que nesse novo ano letivo para bagunçar o coração dessa jovem, surge um belo príncipe, Gabriel  (Ilian Bergala)… É! Até o primeiro amor veio nesse pacote surpresa…

a-familia-belier_2014_03Assim temos Paula tentando conciliar tudo que veio num rompante mexer com sua vida de corre-corre rotineira. Onde o cuidado maior estaria em cortar o cordão umbilical, mas muito mais dos pais para com ela… E essa inversão se dá pelo fato de que seus pais – Rodolphe (François Damiens) e Gigi (Karin Viard) – e o irmão caçula (Luca Gelberg) serem surdos. Paula era a ponte que ligava essa família ao mundo sonoro e um onde quase ninguém sabia a língua dos sinais. Fora ela, apenas um outro morador local que conhecia, o Rossigneux (Bruno Gomila), mas tendo esse um certo retardamento mental tal feito o levava a não ter o mesmo jogo de cintura em “traduzir” o humor ácido de Rodolphe… Humor esse que nos leva a certas situações cômicas. Até porque saindo do lugar comum, as falas são um dos pontos altos do filme.

lingua-dos-sinaisO filme “A Família Bélier” é mais um a não fazer uma dramalhão com certas limitações pessoais, tal e qual em “Os Intocáveis“, de 2011. A surdez na família em questão é mostrada com humor. Claro que há momentos que levariam qualquer um ao desespero na vida real. Mas o filme não veio para isso, seria mais para mostrar que assim como essa filha que eles também poderiam encontrar um jeito de ficarem mais independente dela. E assim deixá-la seguir seu próprio caminho. Ele mostra o dia a dia da família de surdos, até dos voos de alguns deles, como o pai querer adentrar na carreira política… Mas mais para mostrar a ligação dela para com eles. Sim! Porque esse filme é dela, da Paula!

a-familia-belier_2014_04Gente! É Cinema Francês! Logo sem nenhuma pressa em contar uma história. Dessa em questão, de uma deliciosa e até comovente momento na vida de uma jovem onde tudo acontece quase ao mesmo tempo. Onde o peso maior será abandonar a família. Nas esperanças e desistências dessa tomada de decisão. De uma adolescente que a vida a levou a amadurecer antes do tempo. O que dificulta ainda mais a ir adiante com a cara e a coragem, sem medo de ser feliz. Tendo como bagagem o talento recém descoberto. Ficar, seguir… Tendo apenas a certeza de que sempre terá um ninho para voltar. Até porque ela nunca deixará de ama-los. E mesmo sendo uma Comédia, não deu para segurar as lágrimas em dois momentos: um deles da Paula “cantando” para o pai…

Então é isso! O filme “A Família Bélier” é Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Família Bélier (La Famille Bélier. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013)

trem-noturno-para-lisboa_2013trem-noturno-para-lisboa_2013_04Pensamento e ação unos. Assim eram os antigos romanos…

Sou apenas uma admiradora do legado de Jung. Com isso, é muito mais uma visão leiga do pensamento junguiano. Digo isso porque creio que esse filme é um belo exemplo de um de seus estudos. Já que ele traz uma sucessão de eventos cujo final trouxera significado para alguém. Eventos esses que de repente levou um certo professor a sair de sua rotina… Que levaria o nome de sincronicidade. Parece até que o primeiro sinal viera com a caixa de chá vazia. Um simples esquecimento bem casual a muitos, fez com que ele buscasse por uma solução bem fora do comum. O alerta mesmo que diminuto, já deixara o cérebro processando…

trem-noturno-para-lisboa_2013_01O verdadeiro cenógrafo da vida é o acaso, um cenógrafo repleto de crueldade, de compaixão, de fascinante encanto“.

Mas teria sido o acaso que levou aquele professor a passar naquela ponte justo a tempo de salvar aquela jovem de tentar se jogar lá do alto? Mais! Teria sido levado apenas por um impulso que o levou a fazer tudo mais a partir desse episódio? Fora de fato um sinal do destino? Essas são só algumas das reflexões que deixa desde o início e até mesmo pela conclusão de “Trem Noturno para Lisboa“.

As horas decisivas da vida, quando a direção dela muda para sempre, nem sempre são marcados por dramatismos ruidosos. Aliás, os momentos dramáticos das experiências que a alteram são frequentemente muitíssimo discretos. Quando exibem os seus efeitos revolucionários e se certificam que a vida é mostrada a uma nova luz, e fazem silenciosamente. E é nesse maravilhoso silêncio que está sua especial nobreza“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_06Uma chuva… um pequeno atraso… eis que avista a jovem já de pé na amurada… corre… a pasta se abre espalhando os trabalhos de seus alunos… o guarda-chuva sai voando até o rio… mas ele então consegue salvá-la a tempo! A jovem em choque, talvez nem acreditando que tomara tal decisão, encontra nele um amparo imediato. Uma segurança para que pudesse concatenar seus próprios pensamentos. Daí segue-o até a sala de aula. Lá, até causa espanto aos alunos vê-lo com a jovem. Tentando não perder o foco, ele dá início a aula.

Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido.”

trem-noturno-para-lisboa_2013_03Passado um tempo, talvez já refeita do susto, ou nem tanto assim já que ao ir embora, a jovem esquece o casaco. Ele ainda tenta alcançá-la, mas ela se foi. Então, vasculhando os bolsos do mesmo, encontra um livro com o carimbo de uma livraria conhecida. Segue para lá, deixando seus alunos sozinhos. Causando espanto até no Diretor do Colégio… Bem, se aquele dia já o fizera sair de sua rotina… Era então seguir pela noite adentro. Que foi o que fez! Pois encontrando uma passagem de trem para Lisboa, e na tentativa de encontrar a tal jovem na estação… ela não estando lá… ele então embarca… E de Berna, Suíça, até Lisboa ele aproveita para ler o tal livro, cujo titulo era “Um Ourives das Palavras“. Apontamentos num diário de um jovem médico em constante ebulição com tudo que o cercava.

trem-noturno-para-lisboa_2013_07Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever“.

Para alguém já acostumado a dormir pouco, passar uma noite lendo seria tranquilo. Talvez até pegasse o trem de volta… Mas a história do livro lhe tocou tão profundamente que resolveu ficar em Lisboa e tentar conhecer os personagens daquele livro de memórias. Pelo menos parte deles que pelo contexto vivenciaram uma parte importante da história daquele país e culminando com a Revolução dos Cravos…

Se descer sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será concretizada, subitamente deixamos de saber viver o tempo que já não pode fazer parte da nossa vida“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_02

Embarquemos junto com Jeremy Irons nessa comovente viagem com o seu Professor Raimund Gregorius. Que quase vira um menino levado até pela curiosidade, mas muito mais com o coração aberto que acaba descobrindo também mais de si próprio. Nem precisa dizer que ele está esplêndido! Aliás, o filme também conta com um time de primeira: Mélanie Laurent, Bruno Ganz, Lena Olin, Christopher Lee, Charlotte Rampling… Mesmo tendo como pano de fundo uma História real de Portugal – Ditadura de Salazar -, o Diretor Bille August deixa tudo fluir com um timing preciso entre passado e presente. Como nos versos do tal livro. Deixando até a vontade de ler o livro de Pascal Mercier o qual o filme foi inspirado. Filme para ver e rever! Cujo único senão foi que também deveria ter falas em português. Mesmo assim… Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012).

as-vantagens-de-ser-invisivel_2012_personagensPor Francisco Bandeira.
Em um mundo cheio de pessoas chatas e enfadonhas, ou simplesmente “normais” como manda a sociedade, as pessoas diferentes, malucas ou revolucionárias sempre se destacam, sejam de forma boa ou ruim. Mas há também aquelas pessoas que acham uma vantagem serem invisíveis.

O filme mostra as afetações que um jovem pode ter se não possuir uma boa base familiar. Charlie (Logan Lerman) parece pertencer a outro mundo, até conhecer Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller), dois jovens que parecem livres, que não ligam para a opinião dos outros e vivem a vida da forma que acham melhor para eles. Logo eles adotam o protagonista, mostrando pra ele a vida que o mesmo está desperdiçando se fechando em seu mundo.

A obra realmente é repleta de ternura e melancolia, tendo um final sem muito impacto (sim, não achei foda), porém profundo e tocante. A mistura entre melancolia e inocência casa perfeitamente com a proposta do livro, além de ter uma visão bem interessante sobre essa geração.

Ainda que você não goste da fita, vale pelo questionamento sobre relacionamentos x amor verdadeiro e a cena que Charlie se sente infinito. Todos nós devíamos sentir essa sensação, talvez seja essa a real vantagem de ser invisível.

As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower. 2012). Ficha Técnica: página no IMDb.

O Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985)

clube-dos-cinco_1985Por Francisco Bandeira.
Um clássico absoluto sobre o tema, escrito e dirigido pelo mestre John Hughes, O Clube dos Cinco vai muito além de um típico filme sobre adolescentes em crise, explorando os estereótipos que nos são dados por toda vida, mostrando que somos muito mais que aquilo. Somos apresentados a cinco personagens: o rebelde, sem futuro (Judd Nelson); o nerd, filhinho da mamãe (Anthony Michael Hall); a patricinha mimada e puritana (Molly Ringwald); a louca sem salvação (Ally Sheedy); o atleta burro ou brutamontes (Emilio Estevez). Ainda há um professor (Paul Gleason) linha dura que parece querer infernizar a vida dos cinco alunos que ficaram de castigo. Porém, nesta fita, o cineasta faz uma bela desconstrução de todos esses rótulos, encorajando os personagens a mostrarem quem realmente eles são.

clube-dos-cinco_01Talvez o aprendizado de uma longa conversa, onde o objetivo não é só conhecer ao próximo, mas sim olhar para dentro de si mesmo e ver o que existe de verdade lá. Esse sim é VOCÊ, e nunca, jamais deixem que te façam pensar o contrário! Você pode ser o que quiser, não o que os outros querem que seja. E nada demonstra melhor isso do que o soco no ar de John Bender ao som de Don’t You (Forget About Me), do Simples Minds, enquanto sobem os créditos finais, simbolizando a liberdade enfim encontrada por todos eles.

Clube dos Cinco (The Breakfast Club. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

O Substituto (Detachment. 2011)

o-substituto_2011Por: Francisco Bandeira.
E eu nunca me senti tão imerso em uma pessoa ao mesmo tempo em que estou tão desapegado de mim mesmo e tão presente no mundo.” (Albert Camus)

Tony-Kaye_CineastaMas Tony Kaye escancara que os problemas da sociedade hoje são ligados diretamente a criação dos jovens e a um mal que vem tomando conta do mundo: A SOLIDÃO. Sim, essa que nos afeta, que nos faz guardar nossos segredos, ao ponto de virarmos uma verdadeira bomba relógio prestes a explodir. É a solidão que nos deprime que nos enfraquece e que nos coloca o medo e nos tira sentimentos preciosos como amizade e compaixão.

E o que falar da loucura deste mundo de hoje? Que abraçar uma pessoa pode te colocar como suspeito de um crime grave, porém matar a sangue frio um animal é algo que parece rotineiro em nosso cotidiano. Que mundo é esse que o desapego parece ser hereditário? Que mundo é esse onde os pais estão mais despreparados que os filhos? Que não sabem decifrá-los, que não sabem orientá-los para o melhor caminho. Que mundo é esse, onde as pessoas que querem fazer algo para mudar parecem perder a esperança ao ponto de escolherem tirar suas próprias vidas de tão exaustos que estão delas mesmas?

o-substituto-2011_adrien-bodryO Substituto‘ poderia soar cansativo pelo teor extremamente cru e pessimista, porém neste aspecto a montagem é brilhante por dar um ritmo agradável ao longa e usando flashbacks de forma inteligente durante o filme. A fotografia do próprio Kaye é interessante, alternando cores fortes, preto e branco, usando as sombras quando Adrien Brody aparece sozinho, fazendo meio que um depoimento e embaçando o rosto do protagonista de forma curiosa durante a projeção. Seu trabalho de direção é preciso, empregando um tom quase documental a obra, aumentando ainda mais o impacto de algumas cenas. O roteiro é o ponto forte do filme, com questionamentos fortes, inteligentes e conduzidos com maestria. Reparem no tom pessimista através dos monólogos de Barthes, como se tivesse perdido a esperança nos jovens e, especialmente, em sua família, mostrando que não resta muita coisa aos professores que operam verdadeiros milagres em sala de aula.

O elenco está fabuloso, repleto de nomes conhecidos como Lucy Liu, James Caan, Blythe Danner e Marcia Gay Harden brilhando em cena. A surpresa fica por conta da estreante Sami Gayle, que consegue pegar uma personagem meio batida e inserir uma enorme complexidade nela, graças a coragem em sua composição. Ainda tem Louis Zorich espetacular como o avô do protagonista, em um homem que sofre de Mal de Alzheimer e pensa sinceramente que sua vida não merece ser lembrada, afinal, nem ele se lembra dela mesmo. Mas o grande destaque fica pela atuação visceral de Adrien Brody. O ator vive Barthes de forma intensa, oferecendo um dos melhores (senão o melhor) desempenhos de sua carreira. E o interessante em seu desempenho vem de sua postura com os ombros curvados, do olhar cabisbaixo, devastado, da mudança em seu tom de voz, a fúria contida explodindo de dentro pra fora. Suas lágrimas, que soam verdadeiras, assim como a profunda melancolia estampada em seu rosto, em suas lembranças e na desesperança presenciada em seu dia-a-dia, mostrando todo peso que aquele homem carrega mesmo tendo como regra a INSENSIBILIDADE.

o-substituto-2011_01Bullying, suicídio, assédio, abuso, prostituição infantil, desigualdade social, sistema de ensino público e hospitais com pessoas desinteressadas e desmoralizadas regendo algo de fundamental importância. Todos esses problemas são tratados com extrema atenção por Kaye, que dá a cara para bater, nunca fugindo dos questionamentos levantados durante a fita, que permeiam este vigésimo primeiro século de vida. O filme não é uma crítica direta a “Geração Y” como muitos apontam, mas sim aos pais destes jovens de hoje. “Deve haver um currículo para ser um pai“, fala Barthe durante o longa. Nas reuniões das escolas, onde a pergunta que ecoa pelos corredores escuros e vazios são “onde estão os pais dessas crianças?“, em um tom quase desesperador. É o desapego passando quase que de forma hereditária, sendo refletida em manchetes de primeira página dos jornais, mas que ninguém parece ligar para isso.

Sim, os pais precisam de pré-requisitos, pois o comportamento dos filhos é de grande parte influenciada por seus genitores, por aqueles que nos criam e que são nossos exemplos diários. Onde estão aqueles que se importam com seus descendentes? O que vemos é o inverso, são os que têm suas crias como verdadeiros fardos, que vão à escola brigar com os professores por ter que ficar em casa cuidando de “seu rebanho”. Cadê os sentimentos básicos como amor, amizade, respeito, cumplicidade e compreensão? Será que tudo está perdido? Em qual universo a depressão é tratada como uma mera bobagem? Em que lugar você discriminar alguém é engraçado? De que maneira desmoralizar as pessoas pode ser um estímulo para que a mesma possa tentar melhorar suas deficiências? Desde quando você tentar ajudar as pessoas é um delito? É revoltante pensar que tantas questões possam ser levantadas durante 97 minutos, e ainda serem tratadas de maneira tão banal pela sociedade. Será que todos precisam de um Henry Barthes? Porque não podemos simplesmente ser um Henry Barthes? A verdade machuca, mas aqui, é necessária… Necessária não, é obrigatória para acordarmos e começarmos a fazer nossa parte, antes que o desapego tome conta e nos faça querer desistir do amanhã.

Por Francisco Bandeira.
Avaliação: 8.5

Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society. 1989)

sociedade-dos-poetas-mortosPor Gabiandre.
Honestamente, não sei como começar essa post. A morte de Robin Williams pegou à mim e a todos de surpresa. Muitos blogs e sites que acompanho já prestaram suas homenagens e eu, como fã, não poderia ficar de fora. Sua carreira e inegável talento já foram temas para muitos posts, por isso, o meu será uma tanto quanto diferente. A minha singela homenagem é sobre algo que Robin nos deixou, como um presente dado a alguém especial.

sociedade-dos-poetas-mortos_01A ‘Sociedade dos Poetas Mortos‘ é, sem dúvidas, o filme mais surpreendente que eu já vi. Um daqueles capazes de mudar vidas, sabe? Eu assisti esse filme pela primeira vez na escola, em uma dessas aulas em que nossos professores nos obrigam a assistir filmes e fazer relatórios. Imagino que saibam o que acontece durante essas aulas… As pessoas dormem, escutam músicas, fofocam sobre o gatinho novo na escola e quando chegam em casa procuram qualquer resumo e lá começa o “ctrl+c e ctrl+v”. Simples assim. Porém, naquele dia em especial, nada disso aconteceu. Pelo menos não comigo.

O filme conta a história de Welton Academy, uma tradicional escola para homens, onde o tratamento é rígido e são impostas muitas regras. É importante lembrar que o filme passa-se em 1959, portanto o perfil dos alunos é de jovens submissos aos professores e a seus pais, que decidem o futuro dos filhos. Porém, muita coisa muda com a chegada do novo professor de literatura (Robin Williams), um ex aluno, que faz com que seus alunos não simplesmente absorvam o conhecimento, mas que busquem e questionem-o.

sociedade-dos-poetas-mortos_03Com os novos métodos implantados pelo professor Keating, nos quais ensinava aos alunos à amar e pensar Carpe diem (aproveite o dia) os alunos começam a mudar seu comportamento. Quando acham o antigo anuário do professor descobrem a Sociedade dos Poetas Mortos, um grupo de amigos que se reuniam a noite em uma caverna para declamar poesias e refletirem sobre elas. Então, liderados por Neil (Robert Sean Leonard), um dos alunos de Keating, criam uma nova sociedade. A partir daí estes alunos começam a expressar suas opiniões, vivem intensamente suas vontades e lutam por seus objetivos.

A razão pela qual me apaixonei por esse filme é que, muito embora, a história seja datada há muitos anos, ainda é possível encontrar partes do enredo nos dias atuais. É claro que de forma menos rígida, muitos jovens ainda são submissos e até desvalorizados pelas autoridades, sejam essas seus pais ou professores.

sociedade-dos-poetas-mortos_02Outro fator bem real nos dias de hoje é o impacto que um professor pode causar na vida de um aluno, tanto positiva quanto negativamente. Pessoalmente, tive uma professora de literatura, a mesma que me fez assistir o filme, que teve uma grande importância na minha formação não só acadêmica, mas também pessoal. E grande parte disso teve incio com esse filme! Dar voz aos jovens é como dar-lhes asas para que possam voar e ser livres. Tudo que nós, jovens, queremos é sermos ouvidos.

Para finalizar gostaria de agradecer à Robin por esse e muitos outros legados que nos deixou aqui na terra. E também à todos os professores e outros profissionais que conseguem, com poucas atitudes, contribuir para o futuro da humanidade. E se você ainda não viu esse filme, corre para ver, vale super a pena! E por ultimo, desejo à todos que aproveitem o dia.carpe-diem