Um Crime de Mestre (Fracture. 2007)

Um Crime de mestre é diferente de um crime perfeito.

Me parece que a diferença é que um crime de mestre é possível. A Polícia consegue descobrir quem matou, e até o por que matou, mas não sabe como provar por não ter provas.

Já um crime perfeito cometido por um animal imperfeito, me parece impossível; e de fato, é. O homem, como qualquer outro animal, deixa rastros, marcas, impressões, que o denunciam em seus atos, mesmo com uso de luvas etc e tais.

O mestre desse filme é um mestre como ator: Anthony Hopkins! Marido traido por sua esposa decide matá-la. Faz, mata. Consegue burlar todas as provas contra ele, e numa luta entre o bandido e o mocinho, o filme se desenrola de uma maneira muito interessante e até cômica. Convenhamos que o humor de Hopkins não é abalado nunca rsrsrsr. Quem ganha somos nós, fãs de carteirinha.

Uma curiosidade: Hopkins escolheu Ryan Gosling para contracenar com ele tão logo recebeu o roteiro do filme em mãos.

Achei a escolha muito assertiva. Deu muito certo o casamento do protagonista com antagonista. Afinal, a Polícia para alcançar o bandido tem que pensar como ele…

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Código de Conduta (Law Abiding Citizen)

Vi o trailer desse filme quando fui ver ‘Substitutos‘, e gostei da trama. Assim, assisti. E… Eu também gosto de filmes que nos traz os bastidores de um Tribunal de Júri. Os acordos entre as partes. Ou seria, os conchaves? Mais uma outra motivação veio se unir. Foi em lembrar do Conselho de Ética do Senado em 2009. Chega a dar náuseas. Como teve “acordos” nos bastidores. Tudo elevando a uma oitava maior: a impunidade na política do Brasil.

Impunidade! Só tendo esse termo em mente, que eu engoli o fato de em ‘Código de Conduta‘ ter um final politicamente correto, mas para o Tio Sam. É! Torci para um P.I. Meio paradoxal. Embora querendo ver o fim da impunidade nos Três Poderes, no mundo real, eu quis desse filme, algo do tipo: que exploda com eles. Seria catártico!

Nossa! Já comecei falando do fim, sem nem contar do início. E qual seria ele? Uma tragédia que bate à porta de um pacato cidadão, Clyde Shelton (Gerard Butler). Dois ladrões – Darby (Christian Stolte) e Ame (Josh Stewart)s -, não contente no saque na casa, matam a esposa e a filha de Clyde. Nem é um spoiler, porque isso é que irá deslanchar toda a trama do filme. Entrando o outro lado da balança: O ambicioso Promotor Público Nick Rice (Jamie Foxx). Ao longo do filme, cheguei a pensar se um outro ator teria agigantado esse personagem. Não que o Foxx tenha saído mal. Mas ficou devendo uma grande atuação. Quero vê-lo como em ‘Ray‘.

Rice pensando muito mais nos seus – 96% de causas ganhas -, faz um acordo nojento. O que deixa Clyde com raiva de todo aquele circo. Que Justiça era aquela que aceitava aquilo? É de enlouquecer um cara que estando amordaçado e amarrado, viu assassinarem cruelmente seus bens mais preciosos: filha e esposa. E agora se via também atado e com um cale-a-boca-e-aceite vindo de quem estava ali era para punir os infratores. Que Lei era essa? Ou, que servidores públicos eram esses que fecharam os olhos a um crime tão hediondo?

Então o filme dá um salto de 10 anos. De cá pensei: ‘É muito tempo!‘ Daria tempo até do cara recomeçar sua vida. Catar os cacos. Enfim, seguir em frente mesmo com uma grande ferida no coração. Já que dizem que o tempo cicatriza essas dores na alma. Por outro lado, até pelo o que eu contei no início, fiquei foi na torcida por ele. Que não faria somente uma simples vingança. E não fez!

Clyde quis mais que lutar, provar o quanto o Sistema era injusto. Já que a Justiça responde mesmo ao o que se pode provar à ela, ele usaria da mesma arma. Numa de: ‘Prove, se for capaz!‘. Mas nem conseguiram provar, como o Sistema mais uma vez fechou os olhos. Fazendo pior! Mandando às favas toda conduta ética. E o que fizeram dessa vez foi injusto!

Esse filme também me fez lembrar algo dito pelo jornalista Caco Barcellos numa entrevista na TV. Que por conta do seu livro – Rota 66 -, fez uma pesquisa, e nela viu que 93% da população carcerária no Brasil tem uma renda inferior a 3 salários mínimos. 93% é um percentual muito grande. Como se aqueles que podem pagar por Firmas de Advogados sairão impunes de seus delitos. (E eu gostaria de saber de quanto seria esse percentual agora.)

Mais que uma caça ao rato Rice corta um dobrado em, primeiro descobrir como parar um assassino que já está atrás das grades, depois em tentar mostrar que o Sistema funciona sim. Imperfeito, mas necessário ao mundo civilizado. Afinal, não se deve fazer justiça com as próprias mãos. Se bem que vez por outra também se faz necessário dar-uma-mãozinha à Justiça de direito.

Um spoiler, até porque me fez exclamar um ‘Merda!’: É que Rice não fez justiça de fato. Dai o Sistema mostrou que continua imperfeito. Até por avalizar atitudes assim.

É um ótimo filme! Cumpre bem a sua proposta. Eu recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Código de Conduta (Law Abiding Citizen). 2009. EUA. Direção: F. Gary Gray. +Cast. Gênero: Ação, Crime, Drama, Suspense. Duração: 109 minutos.

Trama Internacional (The International. 2009)

trama-internacional_posterNão é um filme de ação, e sim de investigação. Se gostas, terá em ‘Trama Internacional‘ uma surpreendente. Fora outras nformações trazidas com essa grande investigação que nos leva a mais reflexões.

Há nele algo bem comum: um agente tentando se redimir de um passo errado no passado. O diferencial estaria na forte pressão que o fará ficar balançado. Numa de: se não pode ir contra o sistema, junte-se a ele. Ou como numa fala do filme: ‘Quem sabe se o seu caminho está num que tanto evitas?‘ É o que o destino colocou para o personagem de Clive Owen, o agente da Interpol Louis Salinger.

Se há atualmente, e já de conhecimento geral, o poderio de duas grandes indústrias – a bélica e a farmacêutica -, com ‘Trama Internacional‘ ficamos conhecendo uma terceira, tão forte quanto: a dos bancos.

Mas antes que pensem na que causou uma recessão há pouco tempo – a do mercado imobiliário -, o banco aqui é outro. Ele aproveita-se tanto da bélica, como da farmacêutica para continuar no comando. Pois para se livrar sem deixar pistas de quem se põe no caminho utiliza-se do que há de mais novo na bio-química. Até porque não há pé-de-chinelo: são todos da fina flor do jet set internacional.

Seus interesses não estão numa ‘revenda’ de armas. Seu interesse é outro… “Armas pequenas são as únicas usadas em 99% dos conflitos mundiais.” E quem compram? Ou! Por que fomentam as guerrilhas sem cessar?

Trama Internacional‘ nos leva a pensar até onde vai a ficção ao nos mostrar semelhanças com fatos reais. Se haveria algo dessa trama no FMI… Se antes existia apenas uma certeza de que pessoas físicas e jurídicas que usavam certos bancos para lavarem seus dinheiros, aqui verão as nações também fazendo isso. Assim, seria muito ingenuidade da personagem da Naomi Watts, a Promotora americana Eleanor Whitman, achar que colocará a todos no banco dos réus? A teia é mundialmente gigantesca…

Como citei no início, o filme é válido por todas as informações trazidas nessa monumental investigação. Prestem atenção a todas. Até nas ‘grandes’ informações passadas em pequenas notinhas de jornais. É a globalização a serviço da especulação financeira.

O que teria em comum a maioria das nações com conflitos internos? Pertencentes ao 3º Mundo. Se estivessem se preocupando mais com seu povo, tratariam de não gastar tanto em armas. Num desarme-se mundial. Veríamos mais falências de banqueiros. Mas por conta da paz, o povo aplaudiria. E o pior, que há quem culpe os grandes donativos no campo social aos países do 3º Mundo como sendo um vilão que impede o crescimento interno. Santa ingenuidade!

Desliguem celular, esqueçam dos compromissos posteriores… e foquem nesse excelente filme. Que também tem cenas de ação sim: um eletrizante tiroteito dentro do Museu Guggenheim, de Nova Iorque. Não deixem de ver ‘Trama Internacional‘!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trama Internacional (The International). 2009. EUA. Direção: Tom Tykwer. Elenco. Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 118 minutos.

Um Crime de Mestre (Fracture. 2007)

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Quem ama mata? Mas mata o que? A perda desse amor para outra pessoa? Por saber que não tem mais um lugar de destaque na mente da pessoa amada? Essas, e até outras questões mais que me vieram à mente não são o tema principal nesse filme. Mas sim de um homem já idoso ao descobrir a traição da jovem esposa resolve matá-la. Friamente. E de um jeito que sairá impune. É, ele planeja um crime de mestre. Ele é Ted (Anthony Hopkins), um engenheiro. Alguém muito meticuloso. Que não foi capaz de dar a liberdade a mulher amada. Que usou até o amante nesse seu plano.

Dois fatores me motivaram a ver esse filme. Um, foi o Anthony Hopkins. O outro, o título nacional. Ambos, por uma lida numa sinopse, me fizeram pensar se o convite a ele fora um pouco pelo o seu Hannibal. Claro que com as devidas proporções entre os dois personagens, mas uma frieza elegante na execução, como também no desenrolar da trama, sem dúvida, os créditos, os aplausos são ao ator. Hopkins transmite nos filmes que gosta de dividir a bola para o outro personagem, principalmente sendo alguém muito mais jovem. Antes, quero ressaltar a presença de David Strathairn. Até pelo pano de fundo do filme: um amor desmesurado. Não sei se o convite a esse ator veio por conta da sua brilhante participação em ‘Um Beijo Roubado‘. Se sim, parabéns ao Diretor! Soube escolher bem os atores. Strathairn é Lobruto, o Chefe do jovem. Ambos, pelos seus propósitos, farão o jovem ver além do seu umbigo.

Quem seria esse jovem nesse filme? Ele é Willy (Ryan Gosling), um jovem por demais ambicioso. O estar na Promotoria Pública é apenas um caminho para chegar as grandes firmas de advocacia. Ao topo em matéria de status. Para isso, muito sagaz, escolhe a dedo os casos em que ganhará fácil. E conseguiu, pois tem uma média de 97% de condenações. Acontece que, já com um pé na firma tão ardorasamente desejada, tendo ainda que cumprir uns dias na Promotoria Pública, vê o caso Crawford como fácil demais para condenar Ted, aceitando-o então como sua despedida na Defesa do Povo.

Comete um erro primário: o de não dar atenção ao caso. Com isso Ted é solto, e mais completamente inocente. E Willy decepciona a todos. Inclusive a ele mesmo. Ai junta-se, orgulho ferido… uma boa dose em se ver como incompetente… um desejo de vingar aquela mulher ainda mantida viva por aparelhos… a paixão pelo que ainda acredita que sabe fazer… Willy pede a Lobruto para voltar ao caso, mesmo ciente que poderá perder até esse cargo. Pois o outro, já fora para o espaço.

O filme prende muito mais pelo jogo de cena, pela caça ao rato. Pois logo no início, já dá para fazer uma idéia do que o Ted arquitetou. E claro, fica uma torcida para que o Willy encontre a chave do mistério. Para que possa condenar de vez o Ted. Numa de mostrar que o crime não compensa. Que não há crime perfeito. Que numa Promotoria Pública há bons funcionários defendendo o povo.

Gostei! E deixo um convite aos que estudam advocacia para que não deixem de ver. Também aos que, assim como eu, gostam de filmes, livros, com os bastidores de um Tribunal. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Crime de Mestre (Fracture). 2007. EUA. Direção: Gregory Hoblit. Elenco: Anthony Hopkins (Ted Crawford), Ryan Gosling (Willy Beachum), David Strathairn (Joe Lobruto), Rosamund Pike (Nikki Gardner), Embeth Davidtz (Jennifer Crawford), Billy Burke (Rob Nunally), Cliff Curtis (Detective Flores), Fiona Shaw (Judge Robinson), Bob Gunton (Judge Gardner), Josh Stamberg (Norman Foster), Xander Berkeley (Judge Moran). Gênero: Crime, Drama, Suspense. Duração: 120 minutos.