“NO” (2012). E a Derrota das Velhas Ideologias

no-2012_posterPor Eduardo Carvalho.
NO 01Em sua “retomada” nos anos 90, o cinema brasileiro parece ter perdido muito de sua veia política. A extensa variedade de ofertas – filmes históricos, comédias, dramas com crítica social, policiais, documentários musicais – não privilegiaria hoje obras como “Terra em Transe” ou “Pra Frente Brasil” (talvez com exceção do documentário “Marighella”, de 2011). Em vista de tal lacuna – e pelo fato de muita gente ter saudades da ditadura militar -, ver “No” já seria imprescindível. O longa de Pablo Larrain aborda o período em 1988 no Chile, em que o ditador Augusto Pinochet, sob pressões internacionais, convocou um plebiscito para legitimar sua permanência no poder. Assim, a oposição, constituída por uma esquerda dividida, inicia uma campanha pelo “Não” a Pinochet; o governo, certo de manter o ditador no cargo de uma forma ou outra, começa uma indolente campanha pelo “Sim”.

NO 03Mas a simples sinopse não faz jus ao filme. A escolha de Larrain em centrar o desenvolvimento da narrativa na campanha publicitária, e não propriamente no embate político, é um dos grandes achados da obra (na verdade, baseada numa peça inédita, El Plebiscito). René Saavedra (Gael Garcia Bernal) é um publicitário e filho de exilado que, ao ser contatado pela esquerda, aceita colaborar com a criação da campanha do “Não”. Por sua vez, o chefe de Saavedra, Lucho Guzmán (Alfredo Castro), simpatizante da ditadura e com contatos na alta cúpula, passa a chefiar a campanha governista. Aos poucos, a princípio sem deixar-se levar pelas paixões políticas ou pela pressão do chefe e rival, Saavedra adere à campanha, insistindo em um tom alegre e festivo da mesma, como se tratasse de uma mera conta publicitária da Coca-Cola ou do MacDonald’s, certo de que teria melhores resultados. Insatisfeita com a decisão de Saavedra, a qual contraria por completo a seriedade do tema e suas ambições, a oposição paulatinamente torna-se simpática à insistência do publicitário, à medida que a campanha vai ganhando pontos junto à população. Quando o governo acorda, já é tarde, e vale-se da truculência para intimidar os virtuais vencedores. Ao final, é mostrado como a vitória do “Não” abriu caminho para a derrocada do regime de Pinochet.

NO_2012O maniqueísmo passa longe de “No”, quase um paradoxo, já que trata de uma “simples” escolha entre duas (o)posições. Seria fácil criar uma identificação do espectador calcada nessa ou naquela escolha política, em um herói e um vilão excessivamente estereotipados e/ou ideologicamente bem definidos. Mas não; o diretor se vale de outros artifícios para conseguir seu intento. Como componente visual, auxiliando o mergulho da plateia no clima da época, Larrain inseriu cenas reais dos filmes publicitários, além de filmar no formato utilizado nos anos 80 com uma câmera utilizada naquele período, arrematada no site Ebay, de forma a não haver quase distinção entre real e ficcional. E Bernal e Castro – este, com menor tempo de projeção na tela – criam dois profissionais de publicidade cheios de ambiguidade, pragmatismo, e fiéis a uma outra ideologia que não a das partes envolvidas: para eles, o capitalismo, acima de tudo. Alguns críticos perguntaram: vitória da esquerda ou do marketing? A História, bem como a conclusão do filme, parece mostrar que é a lógica da linguagem da publicidade que prevalece e vence, e não uma simples crença no certo ou no errado. Inequívoco sinal dos tempos.

NO (2012). Chile. Direção: Pablo Larraín. Elenco: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Néstor Cantillana, Luis Gnecco, Marcial Tagle, Diego Muñoz, Manuela Oyarzún, Jaime Vadell. Gênero: Drama. Duração: 110 minutos.

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Cilada.com – O Filme (2011)

Cilada!? Ou teria recebido um troco na medida certa?

Valeu o ingresso! Porque eu queria ri muito, e o Diretor José Alvarenga Jr. me proporcionou ótimas risadas com essa Comédia Romântica. Tem hora que o que se quer é apenas se divertir com um filme. Sem se preocupar com furos no roteiro, enquadramentos de câmeras… Claro que para esse enlace entre o espectador e o filme em si só será perfeito esquecendo-se do politicamente correto. Até porque enquanto algo é cômico para muitos, é quase uma tragédia para quem o está vivenciando.

Mas em “Cilada.com” não é apenas hora e meia de diversão. Pois o filme traz um drama pelo o qual o jovem publicitário Bruno está passando, mas ainda sem se dar conta. Ele não percebeu que não é tão bom como pensava ser. Nem profissionalmente, nem na vida pessoal. E aquilo que se é negado internamente, tende a levar a pessoa a fazer uma besteira atrás da outra.

Bruno Mazzeo além de assinar o Roteiro faz um Bruno impagável! Daqueles que tendemos a exclamar um “Bem Feito!” pelo o que está passando, para logo em seguida ficar na torcida para que aprenda logo com a lição. Outra atriz e personagem que também dá um show, e que se vier outras ciladas por ai não poderão faltar é Augusta, a empregada de Bruno. Vivida pela atriz Karla Karenina. E ela faz mais! Consegue com que o Serjão Loroza cresça como ator. Seu personagem é o Marconha. Um videomaker por profissão, e um pretenso cineasta por paixão. Um trio inusitado que já daria alguns bons sketch.

Bruno é pego transando pela namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) e por todos os convidados em uma festa de casamento, durante o discurso do pai da noiva. Uma ótima participação de Marcos Caruso. Como se não bastasse uma mancada só, no dia seguinte, mal refeito da ressaca, tem seu projeto recusado. O que faz seu emprego ficar por um fio. E pelos companheiros da Agência, descobre que a Fernanda dera o troco. Colocando num site um certo vídeo que mostra sua performance na cama.

Virando chacota das pessoas por conta de que o vídeo ganhou fama: milhares de visualizações no Intube. Uma ficção mostrando o quanto do verdadeiro Youtube pode fazer com a vida de alguém. Nesse filme, deu a Bruno um tipo de fama nunca sonhada. Mas que leva Bruno a aceitar a ideia de um amigo. Em fazer um outro vídeo onde mostraria que não é daquele jeito.

Acontece que Bruno não está, não quer ver o que realmente teria que fazer. E nessa comédia de erros… são risadas garantidas até a cena final. Há passagens que até seriam desnecessárias, como a conversa do chefe com a filha, mas que valeram pela cara do Bruno. O elenco por um todo esteve bom. A ótima trilha sonora até ganhou uma nova gravação do Lobão de uma das suas músicas. Enfim, o filme é muito bom! Um segundo filme será bem-vindo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cilada.com. (2011). Brasil. Direção: José Alvarenga Jr. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 95 minutos.

A Estranha Perfeita (Perfect Stranger. 2007)

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Como não existe perfeição no mundo, o título já começou imperfeito ou sugestivo? Não sei… sei que me chamou a atenção. Penso que num filme de suspense, as atenções quando postas em holofotes merecem considerações, pois a intenção é a de sempre desviar a atenção… pra outras coisas. Hummmm! Stranger…

Tal como o Roteirista que escreve a obra para vender o peixe da idéia, eu poderia escrever e vender esse filme a partir de minha escrita, mas serei clara: não valeria a pena.

Um suspense raso, com vários clichês e um final sugestivo. Sugere que pode ter a continuação, mas essa seria completamente previsível.

Algo nele me chamou mais atenção do que o suspense em si: as propagandas para o Google.

Tem sido recorrente filmes que colocam o Google no pedestal do conhecimento. Pior é que tem quem compre essa idéia. No próprio Arquivo X (o segundo filme), Dana Scully busca no Google conhecimentos a respeito da difícil e complicada cirurgia com célula-tronco; submete o cristão (menino doente) à ela depois de uma vasta “pesquisa”… Por favor! Menos, muito menos, quase nada!!!

Nesse estranho suspense, a vida das pessoas ficam expostas nesse site. O que eu acho um crime. E de fato é!

Anyway…

Saudações Vampirescas.

Por: Vampira Olímpia.

A Estranha Perfeita – Perfect Stranger

Direção: James Foley

Gênero: Suspense

EUA – 2007

Sinopse: A jornalista Rowena (Halle Berry) resolve fazer uma investigação independente do assassinato de uma amiga. Assim, ela começa a mergulhar no universo dela, disfarçando-se tanto no mundo real quanto no virtual, da internet, e acaba se envolvendo em um relacionamento complicado e obsessivo on-line com um homem (interpretado por Bruce Willis).

A Estranha Perfeita (Perfect Stranger. 2007)

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Começarei pelos atores:
Bruce Willis, foi ele o motivador para ver esse filme. Mas… Atuação mediana.
Halle Barry atuou legal. Mas não sei porque, durante o filme tinha a impressão de a qualquer hora veria ali nela, na Halle, a Angelina Joulie.
Giovanni Ribisi, gostei. Um coadjuvante que rouba a cena!

Agora, a trama: Halle Berry faz uma jornalista (Rowena). Em suas investigações conta com o apoio logístico do amigo, personagem do Giovanni Ribisi. Juntos vão fundo para não apenas fazer com que a matéria seja publicada, mas também para que chegue aos tribunais. Até que uma amiga de infância lhe passa um envelope contendo informações sobre um cara que ela conheceu via online e que acreditou que ele ficaria com ela fora do virtual. O tal em questão (personagem de Bruce Willis) é um publicitário conceituado. Casado. Que curte os namoros virtuais e reais.

Com a perda do emprego e a morte da tal amiga somos levados juntos na investigação que ela e o amigo fazem. Mais do que achar o assassino eles vão atrás das pistas certas para colocá-lo atrás das grades.

Agora o que eu gostei mesmo nesse filme foi em mostrar um pouco desse lado da apuração de fatos por um jornalista. Como também em mostrar a censura, ou mesmo o jogo de influência com que abortam, que impede da matéria ser veiculada. Uma democracia cerceada como na frase dita por ela ao Chefe:

Se ninguém ver, talvez signifique que não tenha acontecido.

Enfim, um filme bom para passar um tempo. Revê-lo? Talvez apenas para ver algo que soube depois: que foi filmado no Marco Zero, NY.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Estranha Perfeita (Perfect Stranger). EUA. 2007. Direção: James Foley. Com: Halle Berry, Bruce Willis, Giovanni Ribisi. Gênero: Suspense. Duração: 109 minutos. Classificação: 14 anos.