Serra Pelada (2013)

serra-pelada_cartazSerra Pelada de Heitor Dhalia é um filme incrível. Incrível as reconstituições, figurinos, os cenários, com montagem perfeita, com perfeitas as inserções de imagens reais da época, incluindo os noticiários, fotografia, edição e o roteiro amarra muito bem o drama das personagens fictícias tão reais e para a minha alegria no final uma cena feliz!

Eram garimpeiros, mas poderiam ser jogadores de futebol ou qualquer outra profissão que possibilitasse a realização dos sonhos pela posse repentina de muita grana e o acesso aos caminhos do poder.

A narrativa em primeira pessoa feita pela personagem Joaquim (Juliano Andrade) coloca a gente dentro do espírito das cenas que se sucedem possibilitando que nossa  percepção vá além da ação, deixando o filme longe de ser apenas um filme de ação.

serra-pelada_joaquim-e-julianoAmigos de infância fracassados cada um a seu modo, Joaquim e Juliano (Juliano Cazarré) vão à corrida do ouro. Juliano não tem família, é boxeador de apostas e foge de uma dívida com um agiota que o ameaça. Joaquim é professor que fica desempregado, com mulher grávida e decide que seu filho será rico. Um é grande e forte o outro magro e mirrado. Poderia ser uma dupla tipo Master and Blaster de “A máquina mortífera”, mas o fortão da história decide pensar, descobrir que tinha talento e gostava de matar e dar asas às suas ambições.

serra-pelada_os-amigos-de-infanciaO ouro transforma Juliano e o sonho não abandona Joaquim. Se a sede de poder traz para Juliano a liberação de seus instintos opressores e assassinos, onde o ter sobrepõe a outros valores, é a fidelidade a tônica de Joaquim. Fiel ao amigo, fiel ao projeto de enriquecer para o bem de sua família. Juliano se integra perfeitamente ao ambiente violento, torna-se personagem do faroeste caboclo que era Serra Pelada, uma terra onde a lei era a força, tirania e corrupção.

serra-pelada_garimpoO filme de milhares de figurantes é enxuto focando poucos personagens, enfatizando no drama de cada um em detrimento de entrar em aspectos históricos da loucura que foi tudo aquilo e o contexto político da época. O que não deixa de explicar os jargões locais, a estrutura da exploração e venda e o seu domínio tomado pelo governo militar com mudanças das leis do garimpo que passou a ser oficialmente o único comprador de ouro, proibir a presença de mulheres o que “privilegiou” os homossexuais – chamados Marias (que com a chegada da AIDS foram expulsos do garimpo) -, armas e bebidas alcoólicas o que não evitou as bebedeiras, prostituição, tiroteios e mortes  transferidos para 30 km adiante.

serra-pelada_01Juliano e Joaquim prosperam e tornam-se proprietários de um pequeno barranco tornando-se prisioneiros da febre do ouro, num mundo onde se busca e encontra riqueza, mas onde não há nenhum interesse em se tornar mais civilizado.

serra-pelada_sophie-charlotte-e-mateus-nachtergaleO barranco desperta o interesse dos donos de vários outros e Juliano resolve a situação à moda local. Um deles é Carvalho (Matheus Nachstergale), mantenedor de Tereza (Sophie Charlotte)  com quem Juliano irá se envolver. O outro é vivido por um Wagner Moura calvo e carismático, gângster e até engraçado, num papel menor, mas de muita importância na trama.

Wagner interpretaria Juliano, mas devido à proibição de gravar no local e a necessidade de se recriar todo o ambiente atrasou e impediu o ator de interpretar esse papel, tal qual Daniel Oliveira que daria vida ao Joaquim.

Esse é um filme que vale a pena ser visto e sua beleza justifica os 11 milhões da produção e os quase 5 anos que Heitor demorou para concluir o roteiro. Uma obra de arte.
Nota: 9

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Série de Tv: The Big Bang Theory

the-big-bang-theory_serie-de-tv_2007Algumas (muitas) pessoas costumam detonar um filme argumentando que têm clichês demais. Daí não deixo de ter uma curiosidade de se fariam então o mesmo com essa série já que em “The Big Bang Theory” há uma explosão deles. São mais que conceitos. É como a personificação e junção de cada um dos esteriótipos tão usados no Cinema. Basicamente em “The Big Bang Theory” temos um grupo de nerdsSheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali – convivendo pacificamente com uma que seria a “loura” – Penny -, mas que no fundo tem inteligência bastante para lidar com eles. Onde a escolha dos atores assim como a caracterização de cada um foi mais que perfeita!

jim-parsons_como_sheldon-cooperComeço por aquele que deu vida a Sheldon, o ator Jim Parsons. Que o faz de um jeito que não dá para pensar em outro ator fazendo o Sheldon. Dizer que esse personagem é inteligente seria um eufemismo. Ele é um super dotado com uma mente brilhante no campo científico. Físico teórico com doutorado, trabalha na Universidade Caltech. Além disso possui outras particularidades. Manias bem sintomáticas que nele acaba unindo uma síndrome à outra. Como TOC (Transtorno obssessivo compulsivo) à Asperger, por exemplo. Uma outra mania é o pavor aos germes; de ser infectado. Também se ver inapto para dirigir automóveis. O que o leva a depender dos outros que possuem carros. Bem, dependência em termos! Já que Shelton no fundo vence porque assim se livrarão mais rapiamente dele. Como um meio de se sociabilizar usa o termo “Bazinga” para mostrar sua “emoção” a algo. Ficando para os demais interpretar o que de fato ele expressou com ela. Até porque para ele que interpreta tudo literalmente, e naturalmente, há diferenças significativas em seu comportamento. Outra de suas manias é ser totalmente avesso às mudanças. A performance de Jim Parsons é tão perfeita que nessa onda de dublarem tudo na televisão até bate um receio do dublador não captar também a mesma essência do Sheldon. Até o seu modo de bater à porta de sua vizinha: “Penny, Penny, Penny!

johnny-galecki_como_leonard-hofstadterCom Sheldon vai morar Leonard. Tão bem interpretado por Johnny Galecki. Esse é um nerd mais tranquilo e o mais sensato do grupo. O que até vem a calhar para aturar todos os tiques e manias de Sheldon. Do grupo, Leonard seria a ponte que levaria a todos para um mundo nada acadêmico. Mas é como ele ter um manual para uma vida bem social sem saber como colocar isso em prática. O que seria o seu lado sombra, já que profissionalmente sabe executar o que estava em teoria. Sua timidez não faz dele um líder. Para poder dividir o apartamento com Sheldon teve que passar por um extenso interrogatório. Mais que um acordo de uma agradável convivência, foi mesmo um contrato que teria que ser cumprido. Algo que levaria qualquer um a desistir. Denotando o quanto ele não se importa com bizarrices alheias. Alé de Penny, Leonard irá namorar a irmã de Raj, a Prya (Aarti Mann). Ele trabalha num dos Laboratórios da Caltech.

kunal-nayyar_como_raj-KoothrappaliNo prédio, mas em outro andar mora o indiano Raj. Uma ótima interpretação de Kunal Nayyar. Ele vive com o receio de ter que voltar à terra natal, e lá voltar a conviver novamente com os costumes locais. Ele não se ocidentalizou de todo, mas muito mais por ser extremamente tímido. Sem esquecer de aprendeu a amar Hambúrguer de carne de vaca. Mantém contato pela internet com os pais que moram na Índia, e que sonham ver os filhos Raj e Prya casados. Mas Raj só consegue dialogar com as mulheres quando bebe, e mesmo assim não sai muito bem nas conquistas. Aliás, foi por conta de um drinque criado por Penny que todos eles notaram que ele precisava desse “aditivo” para vencer a timidez. Raj também trabalha na Caltech.

raj_coquetel-grasshopperReceita do Coquetel Grasshopper,o favorito do Raj:
Ingredientes:
40 ml de vodka
20 ml de creme de menta
20 de creme de cacau branco.
Modo de preparo: Coloque todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo. Chacoalhe e depois verta o conteúdo em um copo de martini. Algumas pessoas acrescentam creme Chantilly à receita. (Fonte.)

simon-helberg_como_howardO quarto integrante desse grupo é Howard. Também fica difícil pensar em outro ator interpretando-o. Aplausos também para Simon Helberg. Dos quatro é o único que ainda mora com a mãe, e em outra parte de Pasadena. Não se sabe ao certo se ele foi agregado ao grugo por fazer parte do mesma universidade, a Caltech, ou pela paixão em comum aos quatro: historias em quadrinhos, star wars, jogos virtuais… Howard se acha um grande conquistador, mas fica mais na vontade. Dos quatro amigos é o único que não tem doutorado. Seu mestrado em engenharia vira piada para os outros três. Ele trabalha com Engenharia Espacial. Howard ainda é bem dominado pela mãe judia, fato esse que quem tentará cortar esse cordão umbilical será Bernadette (Melissa Rauch). Ela tem doutorado em Biologia, o que faz com que ele se sinta inferiorizado. Bernadette também terá um salário bem mais alto. Fato esse que deixará Howard em dúvida, pois seria como deixar de depender financeiramente da mãe e passar a depender da futura esposa. A questão maior é que ele não abre mão de gastar seu salário com seus hobbies e invenções. Aliás, as suas invenções são um show à parte. Howard também gosta de fazer mágicas.

apartamentos_the-big-bang-theorykaley-cuoco_como_pennyDesde a primeira Temporada temos a Penny, a “loura” da história. Outra grande interpretação dessa Série: Kaley Cuoco. Ela mora no apartamento frontal ao de Sheldon e Leonard. Penny veio morar na Califórnia para tentar uma carreira de atriz, mas enquanto não “acontece” é garçonete da lanchonete Cheesecake Factory, onde os quatros amigos vão lanchar num certo dia da semana. Consumidora, acaba deixando suas contas sempre no vermelho. Aliás esse seu orçamento acaba “enriquecendo” a trama. Além das compras, se endivida por emprestar dinheiro para seus namorados. Que aliás só namora caras fortes e nada inteligentes. O que dá um um tempero maior em sua vida, já que no lado profissional é decepcionante. Após ter um envolvimento com Leonard não vê mais graça nos de então. Ambos após terminarem o namoro volta e meia transam. No fundo ela é apaixonada por ele. Talvez por ele ser além de inteligente, é um cavalheiro. Algo tão diferente dos truculentos que cruzaram a sua vida amorosa. Sua cultura se baseia em saber tudo das celebridades. De todos é a única personagem sem sobrenome, o que deixa a ideia de que o motivo irá aparecer mais tarde. E Penny é então a ponte entre os nerds e a vida social.

mayim-bialik_como_amy-farrah-fowlerMas a Série não ficou só em “meninos” nerd, trouxeram uma “menina”. Que não é a Bernadette, já que essa faz a mulher moderna: inteligente, que trabalha fora, e desencanada até com o fato de deixar as tarefas domésticas para o marido. A entrada dessa jovem nerd veio para abalar outra estrutura. Pois é! Se Penny já fazia Sheldon estremecer até por sua casa está quase sempre bagunçada, suas discussões se tornam um drama menor com a entrada de Amy Farrah Fowler (Mayim Bialik) na vida dele. Sem o conhecimento desse, Howard e Raj o inscrevem em um programa de encontros pela internet na busca de um par perfeito para Sheldon e terminam encontrando a Amy. Ela é uma neurocientista. Levando todos a verem-na como uma versão feminina do Sheldon. Sheldon e Amy então começam uma amizade. Até porque namorar não está nos planos dele. Ele se dedica mesmo a carreira profissional, como também a uma premiação maior: o Nobel de Física. Amy acaba se apaixonando perdidamente por ele. Como também aceita ter um falso namoro porque a ajudaria a dar uma satisfação a pressão que sofre da própria família por sua solteirice. Para alguém que diz ser desprovido de sentimentos, o arrojo de Amy vira um grande pesadelo para Sheldon. Mas que até por sua curiosidade científica ele aos poucos acaba deixando-a avançar nesse terreno. A convivência com Penny e Bernadette levará Amy a se preocupar mais com a aparência. Ficar mais feminina.

sheldon-socorre-pennyAgora, o grande contraponto de Sheldon é mesmo Penny. Quando juntos, Sheldon e Penny, roubam a cena. Desde ele batendo incessantemente na porta do apartamento dela, até em situações onde ele a leva a um hospital, por exemplo. É o 8º Episódio da 3ª Temporada. Se reprisarem, assistam. É hilário! Deixo aqui parte do diálogo já na sala de espera do hospital:
_ De acordo com a enfermeira inexplicavelmente irritada, será atendida após o homem alegando ataque cardíaco. Mas bem o suficiente para jogar doodle jump no iphone. Temos que preencher isso. Descreva a doença ou ferimento.
_ Desloquei meu ombro.
_ Certo. E como o acidente ocorreu?
_ Já sabe como foi.
_ Causa do acidente? Ausência de adesivos de patos. Histórico médico. Já foi diagnosticada com diabetes?
_ Não.
_ Doenças renais?
_ Não.
_ Enxaqueca?
_ Começando a ter.
_ Está grávida?
_ Não.
_ Tem certeza? Está meio gordinha.
_ Mude enxaqueca para sim.
_ Quando foi sua última menstruação?
_ Próxima pergunta.
_ Vou colocar “em andamento”. Passando para transtornos psicológicos. Liste os sintomas recorrentes, ex: depressão, ansiedade, etc…
_ O que isso tudo tem a ver com meu ombro, estúpido?
_ Ocorrência de raiva psicótica.
_ Idiota.
_ Possível síndrome de Tourette. Verrugas, lesões, ou outras doenças de pele? Tatuagem de sopa na nádega direita.”

kevin-sussman-como-stuartAinda há mais um outro personagem nerd ligado aos demais justamente por trabalhar no local onde os quatro amigos vão muitos: a loja de revistas em quadrinhos. Ele é Stuart (Kevin Sussman). Também é do time dos tímidos como os dos enamorados por Penny. O que deixa Leonard com ciúmes. Por ser ele “um igual”. Stuart é outro aficcionado pelas HQ. Promovendo sempre eventos onde os clientes podem ir com fantasias de seus super heróis preferidos.

Os quatro amigos – Sheldon Cooper, Leonard Hofstadter, Howard Wolowitz e Rajesh Koothrappali -, se dão o direito de zoarem entre si. Até como um jeito de vencerem as barreiras dos preconceitos que sofrem. Ante a um olhar reprovador pelo ângulo politicamente correto, é bom lembrar de um outro grupo bem heterodoxo que também zoavam entre si, no filme “Quinteto Irreverente“. Só para citar um exemplo fora do mundo dos nerds. E é válido também como um “tratamento de choque” para enfrentarem seus piores pesadelos. Como também a história deles mostra que o bullying também se de na própria casa. Onde o trauma perdura com mais força.

the-big-bang-theory_jogos-e-fantasiasEu compro o que a infância sonhou!

Pois é! Todos eles seguem essa máxima. Com o salário na fase adullta eles compram tudo o que desejaram em criança. O que de certa forma não pode ser visto como “síndrome de Peter Pan”. No caso deles pesa o fato que dentro dessa fantasia, se sentem fortes. Se veem como super heróis. Mas sendo eu leiga no campo psico, deixo como sugestão de estudos aos profissionais dessa área. E mais! Excentuando a Penny, que pouco se sabe do seu passado, os quatros amigos tiveram, ou melhor, não receberam carinho e respeito de suas mães. Onde ainda ficam intimidados diante elas.

the-big-bang-theory_a-sexuaidadeMesmo com tanta bagagem cultural excetuando a Penny, todos os demais estão engatinhando na vida sexual. Como também na descoberta da própria sexualidade. Com isso a Série vai deixando no ar até a dúvida de alguns personagens acerca de suas preferências sexuais. Como Raj, por exemplo, que tende às vezes para a homossexualidade. No caso de Amy, ela parece ser bissexual: está apaixonada por Sheldon ao mesmo tempo que sente uma grande atração por Penny. Tesão mesmo. A Série não explicita esses lances, talvez para não bater de frente com os Censores Oficiais. Por outro lado, não mostrando tudo de vez dá vida longa a “The Big Bang Theory”.

The Big Bang Theory” uma criação de Chuck Lorre e Bill Prady teve início em 2007. Com seis Temporadas completas, entrando já na sétima. O que tem deixado a nós, fãs da Série, alegres e na torcida por uma vida bem mais longa. No Brasil é exibida pelo canal Warner.

Então é isso! Uma Série muito engraçada! De se ver e rever. Nota 10!

jargao-do-sheldonPor: Valéria Miguez (LELLA).

Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon. 2010)

Quando vi o trailer desse filme logo me veio o pensamento de um outro cuja a voz do dragão era do ator Miguel Falabella. No qual ficou sensacional. O trailer eu vi com as vozes originais dos artistas escolhidos para essa Animação, mas não sei se por ser muito rápido as vozes não me agradaram muito. O lance é que verdade seja dita: O Brasil tem uma turma de Dubladores nota mil. Aliás, isso vem de longe. Tanto que eu em se tratando de filmes totalmente de Animação até prefiro na versão dublada. Um exemplo: a voz do Bussunda como o Shrek ficou memorável. A própria Disney elogia muito as vozes escolhidas no Brasil. Até me veio a vontade de escrever um texto sobre a voz dos dubladores brasileiros. Assim, gostei desse aqui na versão dublada.

Com o desenrolar da trama me veio a lembrança do Artur de ‘A Espada Era a Lei‘. Até pela estrutura franzina do protagonista de ‘Como Treinar o Seu Dragão‘, o Soluço. Em ambos os filmes privilegiavam mais a força bruta. O que tornava mais difícil a trajetória desses pequenos grandes heróis. O físico deveria ser um ferramental a mais, dando mais ênfase o uso da inteligência mental. Mesmo que não se tenha um raciocínio lógico dominante, e por vezes é até melhor, há de se fazer uso da ponderação. Raciocinar primeiro. Não se deixar levar cegamente pela emoção.

Nesse filme, enquanto os adultos estão sempre divididos entre seus afazeres e na frente de batalha, os adolescentes já são preparados para continuarem a mesma história: enfrentar e matar os dragões alados. Esses são os vilões, os inimigos dos habitantes da ilha. E esses aldeões são vikings.

Soluço fugiu do que seria normal do biotipo viking. O que entristecia o seu próprio pai, Estóico, que era o líder de todo o clã. Matar um outro ser mesmo para se defender não fazia parte da essência do menino. Mas se esse era mesmo o seu destino, ele o faria através de outras armas. É! Soluço gostava de desenhar. Mas projetar armas era mais uma saída inteligente para alguém como ele. Acontece que nem isso lhe davam uma chance de mostrar que seria capaz.

Ambos, Pai e Filho, não conseguiam dialogar. Intimidados até pelas circunstâncias, essa falta de diálogo comprometia o crescimento espiritual e mental do Soluço. Para tentar agradar ao pai, ele se auto-anulava. Por não ter o filho como desejado – sua imagem e semelhança -, seu pai o estava perdendo. Falavam a mesma língua, e não se entendiam. Porque o que contava era o julgamento dos outros. Mais a frente Soluço tem a chance de dialogar por sinais. O que pesou aqui foi o fato de serem diferentes entre os seus. De cara, ele até tentou ser como os demais de sua raça. Estava, como se dizem: com a faca e o queijo na mão. Mas sua essência falou mais alto. O que corrobora que isso é nato. Mesmo que o meio lhe seja desfavorável, a criança encontrará o seu caminho. Conto mais sobre Soluço e esse outro ser, mais adiante.

Soluço trabalhava como ajudante de ferreiro. Com um grande amigo de seu pai, o Bocão. Esse, também era o responsável em treinar os jovens a matarem os dragões. Bocão, por não poder estar mais a frente das grandes batalhas, no fundo torcia por Soluço.

Os dragões atacavam ao cair da noite, vinham atrás de alimentos. Era quase um – ‘Salve-se, quem puder! -, por conta da desigualdade entre eles: vikings no chão versus dragões alados. Numa dessas noites, Soluço com uma das suas engenhocas, consegue atingir um. Um da espécie Fúria da Noite. O mais temido. Mas esse temor era por conta de não saberem nada dessa espécie. No Grande Livro, sua pagina estava quase em branco.

Chateado por não acreditarem em seu grande feito Soluço se embrenha pela floresta. Nessa fuga descobre o tal dragão. Que além de ferido estava preso num emaranhado de cordas. É o momento que citei: Soluço teve a chance de matá-lo. Mas não quis. Mais! Sentindo-se responsável por ele não poder mais voar Soluço fabrica um meio. A grande questão era: colocar aquilo no dragão, e o ensinar a usá-lo. Ah sim! Nesses primeiros contatos, lembrei de ‘E.T.

E com essa nova amizade que surgia somos brindados com altas aventuras. Soluço o batiza de Banguela. Se faltou diálogo com o pai, aqui houve de sobra. Ambos foram se conhecendo. Onde além do querer bem, há o de se observar os detalhes. Isso não só ajuda a relação fluir melhor, mas o aprendizado também cresce, e a ponto de transmitir aos outros. Só que sendo ainda um menino, e muito do ridicularizado pelos outros, Soluço usa esse conhecimento para superar os outros concorrentes no curso com o Bocão. Era o uso da Razão no lugar da Força Física. Ah sim! Banguela retribui, levando Soluço a fazer uma grande descoberta…

Acontece que alguém ficou intrigada com o crescimento do Soluço no curso. Era a Astrid. A única mulher da turma. Que tinha também que mostrar, provar, que era uma brava guerreira. Colocando mais dificuldade na trajetória desse ainda iniciante herói. Mas ela não contava que Soluço era alguém sem armas. Que isso não fazia parte do seu ser. E nem seria com ela, que ele faria uso disso.

Soluço vem para mostrar que o mundo está armado demais. Que as pessoas reagem com mais agressividade. Sem dar chance até para perceber que o outro foi levado a também reagir assim, como no filme. Perpetuando um ciclo. É preciso que haja mais como o Soluço, para o mundo ficar em paz. É quase uma bandeira que levanto em meus textos: Pedindo que as pessoas se desarmem! Até porque muitas das vezes esses dragões não passam de moinhos de ventos.

Agora, eu quase estive a ponto de sair do Cinema. Tudo porque exibiram uma versão em 3D numa Sala que não está preparada para isso. A Fotografia ficou péssima. Só uma parte central que ficava nítida. Tudo mais ficava esbranquiçado. Tirando isso… O filme é excelente!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Como Treinar o seu Dragão (How to Train Your Dragon). 2010. EUA. Direção: Dean DeBlois e Chris Sanders. Elenco/Vozes: America Ferrera, Gerard Butler, Jonah Hill, Jay Baruchel, Christopher Mintz-Plasse. Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família, Fantasia. Duração: 98 minutos. Adaptação do livro infantil ‘How to Train Your Dragon’, de Cressida Cowell.

Os Dubladores de ‘Como Treinar o Seu Dragão’:
Soluço – Gustavo Pereira
Stoico – Mauro Ramos
Astrid – Luisa Palomanes
Bocão – Claudio Galvan
Melequento – Paulo Mathias
Perna-de-Peixe – Charles Emmanuel
Cabeçaquente – Lina Mendes
Cabeçadura – Caio Cesar
Tem mais aqui (Muito bom o trabalho de pesquisa de lá.): http://www.animatoons.com.br/how-to-train-your-dragon/os-dubladores-de-como-treinar-o-seu-dragao/