Então Morri (2016). Aparente simplicidade e assombrosa sabedoria

entao-morri_2016_bia-lessaPor Carlos Henry.
A ideia do filme de Bia Lessa e Dany Roland é contar a vida de um ser humano desde o primeiro dia de vida até o falecimento através de vários testemunhos. O tom da narrativa é documental com um toque de Eduardo Coutinho, importante colaborador deste trabalho que atravessou décadas desde sua ideia até sua finalização. Na tela desfilam personagens riquíssimos de aparente simplicidade e assombrosa sabedoria pinçados dos sertões e áreas mais carentes do Brasil. O panorama humano ali criado exibe um curioso sentido reverso à cronologia natural da linha da vida.

No início são exibidos vários funerais seguidos de depoimentos de pessoas muito idosas, jovens casadouras, adolescentes e crianças até chegar a um parto de um bebê que já havia sido doado antes de chegar ao mundo. As imagens são todas reais e recheadas de emoção com um humor peculiar que está quase sempre presente nas situações mais inusitadas. O que tenta unificar a história e contá-las como se fossem uma única existência é a edição que, embora eficiente, poderia ser mais sensível para valorizar momentos impactantes e imagens raras de beleza crua.

entao-morri_2016O resultado é bastante satisfatório, combinando o grotesco e o onírico para narrar diversas vidas como se fosse uma só. Há uma senhora muito idosa que ainda diz coisas muito curiosas e coerentes no seu leito, a outra que não dispensa uma bebidinha cada vez que vai às compras, o padre que não aparece no animado casamento da roça, o dentista improvisado que sem camisa e sem luvas, arranca vários dentes de uma menina à força e finalmente o bebê que já nasce prometido, doado de forma abrupta por uma mãe sofrida e sem alternativas num desfecho que choca e emociona.

Um retrato belo e pungente de um grande pedaço do País que poucos conhecem e ousam desbravar.

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Curta: Ilha das Flores (1989)

ilha-das-flores_curtaPor: Joma Bastos.
Este filme, Ilha das Flores, embora seja de 1989, continua atual e simboliza as mais variadas situações de profunda Desigualdade Social existentes na nossa Sociedade.

Os políticos só vão ter credibilidade quando sobrepuserem os valores da População aos dos seus partidos, e procurarem as melhores soluções para atender à Sociedade, sem olharem a diferenças econômicas, sociais e sem fazerem distinção entre as Pessoas.

São cerca de 60 milhões de brasileiros muito pobres, que vivem na miséria ou perto dela, quase que excluídos da sociedade, e acontece que pouco fazemos para os inserir econômica e socialmente entre todos nós.

Esperemos que haja um desenlace, um término para o grave problema da miséria e da pobreza no Brasil, e não podemos dar oportunidade para a existência de políticos picaretas, que têm como finalidade o enriquecimento ilícito e a destruição do potencial econômico e social desta Nação.

Por um Brasil com maior Igualdade Econômica e Social!

Ilha das Flores (1989). Brasil. Direção e Roteiro: Jorge Furtado. Elenco: Paulo José (Narração), Ciça Reckziegel (Dona Anete), Douglas Trainini (o marido), Júlia Barth (a filha), Igor Costa (o filho), Irene Schmidt (a compradora), Gozei Kitajima (Sr. Suzuki 1), Takehiro Suzuki (Sr. Suzuki 2), Luciane Azevedo (Ana Luiza Nunes), Antônio da Silva (o dono do porco), Marcos Crespo (o empregado). Gênero: Curta. Duração: 13 minutos.

Sinopse: Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. ILHA DAS FLORES segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.

Intocáveis (2011). Toque-me!

Por Josiane Mayr Bibas.

Um filme imperdível. Fala de superação, da relação de pessoas totalmente diferentes, da raça à cultura, do nível social às expectativas. Mas fala principalmente do preconceito. Ou da falta dele, o que é muito melhor.

Ser deficiente é algo tão específico, que recusa generalizações. Quem é deficiente, em geral, é deficiente em uma habilidade, mas tão ou mais eficiente em tantas outras. E todas essas outras habilidades querem ser tratadas com normalidade, não sei se me entende.

O personagem principal do filme é tetraplégico, mas não quer ser subestimado, não quer ser tratado como coitado, não quer se esconder da vida e tudo isso acontece pela convivência com uma pessoa sem ideias preconcebidas que se relaciona com seu patrão-amigo como se ele pudesse fazer tudo. E isso é o que toda pessoa com necessidades especiais quer: que se lembre do que ela pode, e não apenas do que ela não consegue.

Deficiência acontece. Pense nisso. Hoje estou super bem, penso direitinho, me expresso com clareza, vou e volto por minha conta, levo um garfo à boca sem deixar cair um grão de arroz, enxergo do longe à letra miúda, escuto do passarinho ao sussurro, discrimino sabores, odores e texturas. Tudo em mim funciona, mas até quando? Idade, acidente, doença, peças pifadas podem diminuir meu grau de eficiência de uma hora para outra.

Portanto, lute contra os preconceitos. Eles nem sempre são mal-intencionados, na maioria são apenas burros. Generalizações não funcionam bem nunca. E presumir que pessoas não podem, não sabem ou não conseguem por que são isso ou aquilo, é uma bobagem sem fim.

Por Josiane Mayr Bibas, Blog Arte Amiga.

Curta: Ilha Das Flores (1989)

Por Sara Lasi.

O ser humano se diferencia dos outros animais pelo telencéfalo altamente desenvolvido, pelo polegar opositor e por ser Livre. Livre é o estado daquele que tem liberdade. Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”

Podem me chamar de idealista, romântica, sentimentalóide, tola, sonhadora, mas eu creio numa coisa: o Capitalismo rouba a Liberdade das pessoas. Liberdade no seu conceito mais puro e desejado, que traz intrínseco todas as causas e consequências que o estado nos expõe.

Então, aqui e agora, você terá a ‘liberdade’ de achar que estou falando besteira, mas mesmo que discorde de mim, ou até concorde (é mesmo?!), assista este curta e deixe-se conduzir pela lógica simples, que tão inteligente e ironicamente ele expõe, sobre o funcionamento da sociedade de consumo, que em muitos momentos chega a ser tão podre quanto o lixo que produz.

Ainda dentro do tema trouxe algo sobre a teoria da indústria cultural, para reflexão e apreciação de quem gostou desse Curta:

Os meios de comunicação de massa (veículos da indústria cultural) nos prometem, através da publicidade e da propaganda, colocar a felicidade imediatamente em nossas mãos, por meio da compra de alguma mercadoria: seja ela um CD, um calçado, uma roupa, um comportamento, um carro, uma bebida, um estilo etc. A mídia nos promete e nos oferece essa felicidade em instantes. O público, infantilizado, procura avidamente satisfazer seus desejos. Uma vez que nos tornamos passivos, acríticos, deixamos de distinguir a ficção da realidade, nos infantilizamos e, por isso, nos julgamos incapazes, incompetentes para decidirmos sobre nossas próprias vidas etc. Uma vez que não nos julgamos preparados para pensar, e desejamos ouvir dos especialistas da mídia o que devemos fazer, sentimo-nos intimidados e aceitamos todos os produtos (em formas de publicidade e propaganda) que a mídia nos impõe.” (http://www.urutagua.uem.br//005/14soc_barbosa.htm)

Ilha das Flores“, criado há mais de 20 anos, mas extremamente atual. Não deixem de assistir, é muito, muito bom!!

ILHA DAS FLORES – curta metragem
Brasil – 1989 – Direção: Jorge Furtado – Elenco: Paulo José (narração) e Ciça Reckziegel (D. Anete).