Gata Velha Ainda Mia (2013)

Gata-Velha-Ainda-Mia_filmeRegina Duarte tem a chance de escapar mais uma vez do estigma de “namoradinha do Brasil” que ainda a persegue desde quando estreou na televisão na década de 60.

Neste engenhoso e tenso trabalho de Rafael Primot, Regina encarna a velha escritora ranzinza, Gloria Polk, que não escreve faz tempo. Nessa pausa com as letras, ganha a vida como cozinheira, mas resolve retomar um antigo personagem na forma de um novo livro. O problema é que não sabe como definir o desfecho do romance. Sua mente já perturbada confunde ficção e realidade quando a jovem Carol (Bárbara Paz) chega para entrevistá-la.

gilda-nomacce_em-gata-velha-ainda-miaO encontro das duas suscita uma discussão interessante num embate de gerações cheio de ideias divergentes. Num dos diálogos, a escritora Gloria Polk responde porque gente velha acumula tanto cacareco. Ela explica que os bibelôs agem como alavanca para acionar a memória senil. Complementa que os jovens estão cada vez mais impessoais por não saberem preservar a textura do passado. Digitalizam, editam, deletam, mas não retêm. Essa contenda difícil de concluir é habilmente interrompida pela chegada do bizarro personagem Dida (Gilda Nomacce), uma vizinha estranha e intrometida que começa a dar uma nuance soturna à trama.

Ainda que precise de um ou outro pequeno ajuste, especialmente em sua segunda parte, quando o roteiro ganha tons mais pesados, o filme tem o mérito da ousadia, quando flerta deliciosamente com os gêneros noir e terror, raros no Brasil.

Carlos henry

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