Alice Através do Espelho (2016). O Tempo Salva a Continuação…

alice-atraves-do-espelho_2016_posterPor: Beathriz.
Alice Através do Espelho” é um filme fantasia inspirado na obra de Lewis Carroll, claro. Que não foi dirigido por Tim Burton, mas por James Bobin. Como sequencia do primeiro filme de Alice no Pais das Maravilhas.

alice-atraves-do-espelho_2016_04O filme se passa anos depois do desfecho do primeiro, com Alice (Mia Wasikowska) na carreira náutica. Sendo capitã do navio de seu pai. Ela é ótima no que faz, porém em meio a desavenças com sua mãe entre o que quer fazer e o que uma mulher tem de fazer. Ela está a beira de perder o Wonder, o navio. E é ai que ela vai para o Pais das Maravilhas, porque o Chapeleiro, interpretado por Johnny Depp, está com problemas.

Então é ai que está o problema. Eu sou uma fã de Alice, gostei do primeiro filme. Mas esse filme não consegui engolir. A historia é toda cheia de remendos, você não vê uma motivação real, algo realmente especial. São pequenas coisas que juntaram para tentar fazer um enredo de um filme grande. Não deu certo. Todos os pontos no enredo foram mal utilizadas, com exceção na volta ao tempo, que fez sentido e foi bem explicada. Colocaram um pouco de empoderamento feminino, relação de família, questões de manicômio, romance e independência na história fora dos pais das maravilhas. Mas tudo isso foi muito jogado, como forma de fazer uma média para o publico.

Ah, vocês gostam de Alice doidona? Toma uma cena dela no manicômio pra ficarem felizes!

alice-atraves-do-espelho_2016_02Faltou historia! As obras de Alice tem várias referencias, é tanta loucura e pequena referencia nos livros que você tem liberdade para seguir para qualquer lugar. Então eu não fico chateada quando não seguem a risca. Mas simplesmente eu vi uma tentativa de fazer dinheiro bem bonita, não vi um filme com história.

Existem algumas referencias aos livros: o espelho, o Humpy Dumpy, o tabuleiro de xadrez, o Tempo amalçoando a hora do chá. Mas poderiam ter colocado todos os personagens originais que ainda não ia conseguir salvar o enredo pobre que foi utilizado.

Alice cresceu, gostei mais da atuação de Mia nesse filme. No anterior ela parece bem perdida em como proceder. Aqui ela está mais familiarizada, porem continua sem muito tempero. A Rainha Vermelha, interpretada pela Helena Bonham Carter, está engraçada e eu gostei dela. Gostei da relação dela com a Mirana, Anne Hathaway, apesar de achar um pouco forçado demais. Mas enquanto Iracebeth está com média, Mirana está com notas vermelhas. Sua atuação assim como do Chapeleiro está extremamente forçada. Quase que caricata.

alice-atraves-do-espelho_2016_03Então temos o Chapeleiro e sua motivação mais sem pé nem cabeça. Ele está triste porque acha que sua família ta viva, e fica tão triste que quase morre. Sério mesmo? A atuação de Johnny Depp está muito robótica, chega a ser bem ridículo. A maquiagem que colocaram na cara dele foi tanta que você perde uns bons 5 segundo tentando encontrar uma pessoa por trás de tanta base. E quando vemos sua família, surpresa, parece que adotaram o pobre Tarrant (Que descobrimos ser o nome dele) de tão diferentes. São pessoas normais e comuns, o que foi muito decepcionante.

E é ai que poderiam ter buscado inspiração nas obras originais, nos livros, o chapeleiro só é louco em referencia aos chapeleiros da época de Lewis que usavam uma substancia que os deixavam doidos. Eu queria uma família toda de chapeleiros doidos.

alice-atraves-do-espelho_2016_05O destaque maior, foi o Tempo. Que sempre foi citado, porém nunca mostrado. Todos sabemos que Tempo sempre foi tratado quase que como uma pessoa nas obras. E aqui ele ganha forma e é interpretado por Sacha Baron Cohen. Ele tem personalidade, motivação e camadas de profundidade. Tem horas no filme que você gosta mais dele do que de Alice, que você torce para ele. Ele é misterioso, e você não sabe logo de cara se é do bem ou do mal. Mas sabe que ele é muito importante para o universo das maravilhas. Quase que um Deus.

alice-atraves-do-espelho_2016_01O filme esteticamente é lindo, você fica estasiado com cada cenário e animação. Com destaque para o castelo do Tempo, que é realmente deslumbrante e a casa da Rainha Vermelha. O 3D é realmente de fazer os olhos brilharem. Eu até vi referencia do jogo que tanto amo, Alice Madness Return.

Mas como forma de desfecho de tudo isso que poderia ser bom mas não foi, o final é tão clichê que você sabia. Se pausassem o filme no cinema e perguntassem, “Então Beatriz o que você acha que acontece?” Eu narraria o fim do filme sem saber.

Então entramos na questão, filmes infantis não precisam ser retardados para atraírem sue público! Eu pensei que nesse século a gente já tinha combinado que é muito ruim subestimar a capacidade de nossas crianças. E de nós mesmos, pois todo mundo sabe que não é só criança que assiste Alice. (Inclusive, não vi uma criança na sessão que eu fui.)

criancasVivemos num mundo de Divertida Mente, ToyStory e Shrek. Eu sinto ódio quando para explicar um filme fantasia rum dizem “é para crianças”. Gente, mas isso não pode, eu sou uma eterna criança e estou aqui pra dizer que isso não é desculpa. As crianças gostam de coisinhas meio bestas sim, mas isso não segura nenhum filme. A gente precisa de história, e existem sim ótimos roteiristas prontos para dar uma historia fantástica para adultos e crianças com leveza e carga critica.

No fim eu aconselho você a assistir depois, sem gastar muito. No final de tudo senti que aconteceu um amaldiçoamento dos roteiristas para o filme. O que é um pecado, poderiam ter feito isso com qualquer filme mais superficial, que não tem o que explorar. Mas não com Alice.

Alice Através do Espelho (Alice Through the Looking Glass. 2016)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Minha Querida Dama (2014). Com a Herança, um Divã a Três em Paris!

Minha-Querida-Dama_2014_cartazSó em ter Maggie Smith e Kristin Scott Thomas – duas Divas do Cinema Britânico – nos créditos de um filme já é um belo convite para assistir. Mesmo se seus personagens só iriam orbitar em torno do protagonista já que a presença delas deixaria no ar que seriam coadjuvantes de peso. Agora quando uma delas está até inserida no título deixa no ar que os papéis podem no mínimo inverter. Mais! Quando a sinopse do filme diz o peso de que sua personagem terá na vida do protagonista e com quem seria o ator, Kevin Kline, se vislumbra grandes cenas entre eles. Era então conferir a Comédia Dramática “Minha Querida Dama“. E sendo em Paris, com direitos a um Romance.

Minha-Querida-Dama_2014_01O personagem de Kevin Kline é Mathias Gold. Que de repente seus problemas monetários acabariam: herdara uma mansão na encantadora Marais, região nobre da capital parisiense. Se despede de Nova Iorque e parte para a França com a intenção de vender a propriedade e começar uma nova vida em algum lugar qualquer. Onde a vinda desse dinheiro sepultaria de vez todos os seus fantasmas. Sem saber que foram juntos na bagagem. Até porque essa herança lhe mostra que nem manteve um relacionamento com o pai após se tornar adulto. Mas uma relação como essa – Pai e Filho – para ser mantida num clima razoável a aproximação deveria partir de ambos os lados. Mathias sentiu o impacto dessa indiferença ainda muito jovem. Pior! Fora punido por sua própria mãe: algo que vem à tona durante o filme. Ele até tentou manter relações amorosas, mas que terminaram levando sua estima por si próprio como também o seu dinheiro da venda de seus livros. E a bebida levou o que restara até das amizades. Assim, ele chega na França: com uma esperança, livros em fase final e sem um tostão no bolso.

Acontece que não seria tão simples como desejara na venda da tal mansão. É que a antiga proprietária, e ainda moradora, teria que morrer primeiro. Tudo porque seu pai a comprara no sistema de “viager“: paga-se por um preço bem abaixo do valor do imóvel, mas não apenas permitindo que o antigo proprietário resida no local até morrer, como também que o novo contribua mensalmente com uma renda para que o antigo até possa cuidar do imóvel.

Minha-Querida-Dama_2014_02A proprietária anterior é a personagem de Maggie Smith, Madame Mathilde Girard já por volta dos 90 anos. Que ouvindo o relato de Mathias, de que estaria sem dinheiro, permite que ele resida num dos quartos. Onde além de uma serviçal, na mansão também reside a filha de Mathilde, a Chloé, personagem da atriz Kristin Scott Thomas. Essa a princípio não concorda com a presença de Mathias, mas depois aceita até para demovê-lo da ideia em vender para alguém que demoliria a mansão para construir um hotel. Que não deixa de ser uma crítica que o Diretor Israël Horovitz faz para as especulações imobiliárias que acabam com o lado histórico de certas regiões e em grandes metrópoles.

Com a tal renda mensal já preste a ser paga, Mathias encontra uma solução nada ortodoxa para conseguir o dinheiro. Uma outra também para não se sujeitar ao ultimato dado por Chloé. E enquanto ganha tempo para vender a mansão… Mas revirando as coisas um certo quarto… Descobre coisas do seu próprio passado que até então não lembrava mais: fotos dele em criança… Ao inquerir Mathilde, lhe bate uma de “meu mundo caiu”, entregando-se as bebidas da ótima adega da mansão. Acontece que sobram estilhaços também para Chloé e a própria Mathilde… Pronto! Estava formado um Divã a Três!

O Diretor Israël Horovitz, que também assina o Roteiro, coloca dois únicos cenários como pano de fundo nessa história. Onde de um lado ficaria a mansão com todo o peso do passado principalmente para Mathias que foi quem mais sentiu, já que ela trouxera novos fantasmas. E de outro, os passeios pelas margens do Sena, como a convidar Mathias que mesmo diante das coisas mais improváveis enquanto seu próprio coração pulsar há de se adequar as novas mudanças.

Minha-Querida-Dama_2014_03Minha Querida Dama” traz os ressentimentos como sequelas das falhas dos próprios pais. Num raio-X do que estaria por trás de alguém que se sente um fracassado na vida. Sem julgá-lo, apenas nos levando a conhecer por esse personagem, e já perto de completar 60 anos, um sentimento que pesa em muitos vivendo conflitos iguais. São segredos de família que quando verbalizados podem sim gerar explosões de raiva, dor, frustração, impotência… mas que mais do que uma aceitação se vier como lições pode revigorar e cicatrizar de vez essas feridas na alma.

Então é isso! Num timing perfeito entre tudo e todos! Com uma ótima também participação de Dominique Pinon cujo personagem juntamente com Mathias voltam após os créditos finais comentando sobre um outro tema também abordado no filme: aulas de língua estrangeira. Mas em qual delas é de mais serventia para cada pessoa. É o uso dos meios mais prazerosos para chegar a um fim! Fica a dica! Fica também a sugestão de um filme Nota 10! Mas que não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha Querida Dama (2014. My Old Lady)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Magnólia (1999). Um Complexo Mosaico da Vida Cotidiana

magnolia-1999_cartazmagnolia-1999_01Por: Cristian Oliveira Bruno.

Uma vez montado, o quebra-cabeças de P.T. Anderson forma uma das mais belas pinturas sobre a difícil vida cotidiana, tão em voga no final do século passado.

Linda Partridge (Julianne Moore) é uma mulher que se casou por puro interesse financeiro com Earl (Jason Roboards), um milionário idoso consumido pelo câncer. Sentindo-se culpada e cada vez mais apaixonada pelo marido, Linda está entregue aos antidepressivos e contrata o enfermeiro Phill Pharma (Phillip Seymour Hoffman) para tomar conta de seu marido moribundo enquanto tenta cancelar o testamento que lhe coloca como única herdeira de toda a fortuna de Earl. Phill, tentando realizar o último desejo de seu paciente, tenta contatar Frank Mackey (Tom Cruise) o único filho de Earl, com quem ele não fala há anos. Frank é um astro do universo masculino escrevendo livros de auto-ajuda e palestrando para homens fracassados sobre ‘como dominar as vaginas’. Enquanto isso, Jim Kurring (John C. Reilly) é um religioso policial que faz sua patrulha rotineira pelas ruas do vale que acaba atendendo a um chamado de perturbação da paz. Na residência, conhece e inicia um flerte com Claudia (Melora Watters), uma drogada traumatizada que odeia seu pai, Jimmy Gator (Phillip Baker Hall) com todas as forças. Jimmy é apresentador de um programa de perguntas e respostas com crianças prodígio na TV, que esconde estar com câncer e tenta reaproximar-se de sua filha que o acusa de ter abusado dela quando criança. Stanley Spector (Jeremy Blackman)é um dos garoto prodígio estrela do programa de Jimmy, explorado pelo pai que parece esquecer-se de que trata-se de um garoto apenas e não uma máquina. No meio disso tudo, Donnie Smith (William H. Macy) ficou famoso quando criança ao participar do programa de Jimmy, mas agora luta para se auto-firmar e para assumir sua sexualidade”.

magnolia-1999_03Por esta ‘pequena’ sinopse acima, nota-se que tão difícil quanto acompanhar Magnólia (1999) é mostrar-se indiferente com a obra-prima de Paul Thomas Anderson. Exímio conhecedor e estudioso de cinema, o diretor é pertencente a uma casta cada vez mais escassa de cineastas que ainda põem o cinema e a arte em primeiro lugar. O que por vezes pode aparentar arrogância, aos meus olhos é pura e simplesmente uma demonstração de respeito para com o espectador. P.T. Anderson não apenas quer, mas exige que nos entreguemos por completo ao filme e o acompanhemos com atenção quase letárgica para assimilar ao máximo os pormenores desta magnífica e esplendorosa alegoria.

magnolia-1999_cartazAcompanhando um único dia da vida de dez personagens, cujas estórias encontrar-se-ão entrelaçadas em determinado ponto (daí a associação fantástica com as flores do título, inseridas cirurgicamente ao fundo de cenas aparentemente despretensiosas, como se cada vida e cada história fosse uma pétala que em determinado ponto se unem para formar algo muito mais complexo e bonito), o excelente roteiro de Anderson é transposto para a tela de forma brilhante em uma narrativa extremamente atípica e nada convencional. Todo aquele arsenal de jogadas e macetes cinematográficos demonstradas em Boogie Nights (1997) agora seriam elevadas à máxima potência e detalhadamente trabalhadas em 3h e 10 minutos de filme. E os artifícios empregados pelo diretor para evitar que seu filme acabe por se tornar cansativo e desinteressante (afinal não é todo mundo que tem paciência para acompanhar um filme de três horas sem uma gota de ação sequer), já que exige uma dose cavalar de boa vontade por parte do espectador, são tão amplos e ricos que chega a ser até ultrajante tentar identificá-los e enumerá-los. Mas, talvez o mais perceptível de todos seja o tempo que Anderson desprende para cada personagem e estória paralela. Quando uma das subtramas começa a tornar-se prolongada demais, Magnólia corta de imediato para aquela que a mais tempo abandonada pelo filme, obrigando você não só a tentar remontar aquele estória na memória, como também a prestar uma enorme atenção ao que está por vir. E este ciclo repete-se incessantemente até o final, quando alguns dos personagens se cruzaram. Mas também se faz necessário citar o excelente ‘clipe’ inserido no início do longa apresentando rápida, porém certeiramente cada personagem e seu universo, num momento interessante momento de instante de inspiração narrativa – bem como alguns belos planos-seqüência bem elaborados ao longo da obra.

magnolia-1999_chuva-de-saposP.T. Anderson permite-se uma liberdade poética genial em alguns pontos chave, mais evidentes linda na montagem onde todos os personagens cantam a mesma canção e depois seguem as cenas de onde elas pararam e na enigmática e controversa chuva de sapos. E essa liberdade reflete diretamente no talentosíssimo elenco magistralmente dirigido por Anderson, onde todos recebem personagens riquíssimos com histórias densas e emocionantes. Isso faz com que nenhuma passagem seja gratuita ou desinteressante, pois afinal, nos identificamos seus defeitos e nos importamos com cada um deles. Impressionante como Anderson compreende que os defeitos de seus personagens são aquilo que mais nos aproxima deles, ao invés de depor contra eles. Desse modo, ao acompanharmos um filho proferindo palavras duras e cheias de ódio para seu pai no leito de morte do mesmo, não sentimos raiva dele, mas sim tristeza, pois reconhecemos ali uma intensa mágoa e uma desilusão quase mortífera em seu olhar (e o fato de ele pronunciar as frases “eu espero que você sofra muito, pois eu te odeio” e “não morra, por favor, não morra” nos dá a dimensão do real estado conflitante do personagem).

Magnólia é daqueles filmes que não é pra qualquer um. Acompanhá-lo exige mais de nós e em alguns momentos exige demais. No entanto, apreciá-lo é uma das mais magnificamente prazerosas experiências que o cinema nos proporcionou nas últimas décadas. Quem se dispor a assisti-lo, ficará maravilhado com forma como todas as subtramas se conectam perfeitamente para formar um complexo mosaico da vida cotidiana atual. Magnólia não fácil, não é simples e não é para qualquer um. É simplesmente magnífico!!! Nota 9;5.

Magnólia (1999).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Livre (Wild. 2014). A Jornada de uma Rebelde Sem Causa

livre_2014_filmeEm “Livre” temos a jornada de uma rebelde sem causa em que só vai tomando consciência disso milha após milha, vendo passar diante de si – em flash back para nós – a vida que levava e que reclamava tanto. Queria tanto sofisticação e dinheiro, mas se entregara às drogas pesadas numa vida promíscua… Reclamava do pai, mas nem enxergava o real valor da mãe que pode não ter dado a vida de luxo que tanto queria, mas dera amor e ótimas lições de vida… E após o destino ter levado sua mãe ainda na flor da idade… essa jovem resolve carregar também todas as suas “assombrações” (Sombra – Jung) percorrendo a pé uma longa trilha e fazendo dela o seu próprio purgatório…

Completaria toda a trilha da Costa do Pacífico? Quantas e quais bagagens iria deixando pelo caminho? Entenderia o quanto desperdiçou de tempo de vida? Por que escolhera essa longa caminhada e em contato com uma natureza ainda selvagem? Percorrendo em grande parte sozinha o que nunca fora ligada a uma vida assim em contato direto com a natureza. Se até odiava… Enfim, vejam o filme! Que daqui por diante terá spoiler!

Nos últimos anos agi como ela se fosse nada. Mas ela era tudo mesmo.”

livre-2014_laura-dernEnquanto essa jovem se auto destruía – sexo com qualquer um e muita droga pesada -, a mãe continuava levando sua vida por eles. Fora esposa e depois mãe em tempo integral. E só às vésperas da morte se deu conta de que não vivera por si mesmo. Nem fora um lance de egoísmo, apenas sentira um certo vazio dentro de si… Quem sabe por conta de nem ter recebido dessa filha um gesto de carinho. Uma filha que em vez de sentir vergonha de si própria, sentia do jeito caipira de ser da própria mãe.

Nós somos ricas em amor.”

Um câncer leva a doce e gentil Barbara “Bobbi” Grey. Numa ótima performance de Laura Dern. Uma mãe que ensinou que ela deveria encontrar o melhor de si e se valer dele pois dias piores poderiam vir. Que também ante a fazer uso de uma grosseria que buscasse ser gentil. Pois é! Gentileza gera gentileza… Uma mãe que ensinou a ela que há um nascer do sol todos os dias e que a vida dava a ela a opção de estar lá para ver.

Se sua coragem sumir, vá além.

livre_2014_01A jovem até tentou fazer uma terapia, mas como ainda não estava pronta… escolhe quase um auto flagelo percorrendo uma trilha muito longa. Para alguém que até então levara uma vida desregrada, e que nunca tivera um espírito desportivo, como também meio que odiava uma vida na roça, a trilha viria como uma punição… Como uma dívida com sua mãe… Onde o cansaço, a dor física, o suor, o frio, o medo… fizesse transpirar tudo fizera até então… Ela era a Cheryl, vivida por Reese Witherspoon que mostrou e bem toda a superficialidade da personagem: da rebelde sem causa que iniciou a jornada.

Cheryl precisava mesmo resgatar a si própria nessa natureza selvagem que também impõem limites e superações. Muito mais do que uma comunhão com a natureza, ela caminhava em direção a sua própria redenção. Assim como em se render de fato ao amor que recebera de sua mãe. Um pouco tarde, mas teria no irmão o sentimento família que antes não dava valor. Assim, Cheryl consegue expurgar o passado, com páginas em branco a vivenciar o presente, com muitas bagagens a menos para a vida que teria pela frente.

livre-2014_reese-witherspoonÀs vezes colocam maquiagem demais, mas nesse aqui faltou. Até para dar mais realidade a atriz Reese Witherspoon pelo o que vivenciou a personagem. A não ser que tenha usado um protetor solar de última geração, já que a pele do rosto continuou como bumbum de neném ao final da jornada de uns quatro meses. Teria vindo a calhar uma maquiagem que mostrasse por todas as intempéries que enfrentou. Mas enfim, sua performance foi excelente!

O filme “Livre” muito bom! Parabéns ao Diretor Jean-Marc Vallée que soube contar e bem essa biografia de Cheryl Straved. O cenário da trilha da Costa do Pacífico é belíssimo. A Trilha Sonora também atua como um ótimo coadjuvante! Vale muito a pena ver! Mas não me deixou vontade de rever. Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Livre (Wild. 2014). Uma Jornada de uma Rebelde Sem Causa
Ficha Técnica: na página no IMDb.
Baseado no livro “Livre – A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço”, de Cheryl Strayed
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Simplesmente Acontece (Love, Rosie. 2014)

simplesmente-acontece_2014Eu resolvi fugir do lugar comum, do meu é claro, e começar falando da Trilha Sonora de “Simplesmente Acontece“. Primeiro porque as músicas parece terem sido escolhidas a dedo tamanho é o casamento entre cada uma delas com a respectiva cena do filme. Depois mesmo sem ser um Musical, além de destacar também a passagem do tempo na história, de deixar uma sensação de “minha vida tem trilha sonora“, de quase como uma pausa para um café… É que para mim a Trilha Sonora veio como o diferenciador de ambas as mídias: o filme do livro o qual foi inspirado (“Where Rainbow’s End”, de Cecelia Ahern). Só por conta dela eu já daria os parabéns ao Diretor Christian Ditter! Agora, pelo filme por um todo,  seguem também os votos de uma carreira longa!

A nossa vida é feita de tempo. Nossos dias são mesurados pelas horas… Agarramos uns minutinhos do nosso dia sempre ocupado… bem lá no fundo você se pergunta se… foram gasto da melhor maneira possível.”

simplesmente-acontece_2014_00Em “Simplesmente Acontece” temos sim todos os clichês de uma Comédia Romântica: o “casal” que até levam um tempo para admitirem que estão apaixonados um pelo o outro… o “causador” de um afastamento entre eles… Por aí! Assim, é um filme para os que também amam esse gênero. Que mesmo assistindo sem barreiras, fica um querer que ele traga um diferencial ao mostrar sua história nos levando a se encantar! E nesse tem um sim! Que é o tempo que se vive durante essa tal “separação”. Que diferente da “Cinderela” que dormiu por décadas… A protagonista aqui encarou de frente a virada do destino…

Acho que a vida gosta de fazer isso com a gente de vez em quando; te joga num mergulho em alto-mar e, quando parece que você não vai suportar, ela te traz pra terra firme de novo.”

simplesmente-acontece_2014_02Aliás, há uma tirada ótima sobre as protagonistas dos Contos de Fadas com a realidade das mulheres. Num mundo ainda machista, até em se farrear – beber, transar… – ainda na adolescência pode não ser encarado como uma “despedida” antes de encarar as responsabilidades da fase adulta da vida. Ponto para o suporte que vem por pelo menos um dos próprios pais. Que nessa história vem da relação dela com o pai. Pode até ser um clichê… Mas que não deixa de ser um porto seguro importante na vida de um ser que ainda tem muito a aprender. Destaque também para a atuação de Lorcan Cranitch!

Como a vida é engraçada, né? Bem na hora que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começa a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e se sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repente vira sul, o leste virá oeste, e você fica perdido. Como é fácil perder o rumo, a direção…

simplesmente-acontece_2014_01Muito embora não se tratando de um Suspense, muito embora tenha ficado com vontade de esmiuçar a vida principalmente dos dois protagonistas, Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin), optei em não trazer spoiler. Até porque o filme também mostra que no mundo de hoje muito do que fica exposto pela internet não é a visão real de cada pessoa: seu dia a dia, seus dramas, seus choros, nem seus momentos felizes. E nem se trata de mentir, muitas das vezes trata-se de omitir. Tal qual Rosie fez em não contar a Alex ao ganhar uma bolsa de estudos e indo então morar nos Estados Unidos. Para Alex nem seria ir atrás do american dream… nem meio que para fugir do cotidiano bucólico de onde cresceram… a questão que ficando ali seria como caminhar pelos pés do próprio pai… Ele queria mesmo ser protagonista da própria história. Ele até tentou colocar Rosie nesse contexto, mas…

Você deveria sair e se divertir, parar de carregar o peso do mundo sobre as suas costas. E parar de esperar por ele.”

simplesmente-acontece_2014_04Rosie e Alex se tornaram amigos ainda no Jardim de Infância. Meio que subvertendo a ordem das coisas onde nessa fase já começam se separar meninas de meninos, a amizade deles os levaram até a trocarem os assuntos mais íntimos. Com isso, até o fato dele ir morar em outro continente ajudou nessa sua tomada de decisão… Seria então algo importante demais em sua vida que não iria compartilhar com Alex. Tudo mais continuaram a compartilhar muito mais via internet… Para Rosie deixá-lo ir era que pelo menos um deles pudesse ir atrás do próprio sonho… Onde o dela seria em ter seu próprio hotel, mesmo que um dos pequenos… Sonho esse que seu pai a incentivava, e que nem seria para não mais trabalhar em abrir portas para os hóspedes do hotel de luxo, mas sim em se livrar do gerente que vivia controlando os horários de todos… Mas…

Às vezes você não percebe que as melhores coisas que irão lhe acontecer estão bem do seu lado…”

simplesmente-acontece_2014_03Bem, se o destino pregou uma peça em Rosie, algumas até bem tristes… Ele também foi generoso… Lei da compensação? Talvez por um olhar a vida por um outro ângulo… E quem sabe assim descobrir certos “presentes” advindos desses dramas que o destino nos impõe… Alguns deles, seriam tremendos spoilers… Assim, até seguindo pelo pano de fundo em “Simplesmente Acontece” que é o tempo… Rosie ganhou uma grande amiga, Ruby (Jaime Winstone). Uma amizade que veio para ficar! Ah! O tempo também mostrou a Alex o significado dos seus “sonhos estranhos“…

Estou tentando encontrar sentido na frase ‘tudo tem uma razão para acontecer’, e acho que descobri essa razão: para me irritar.”

Em “Simplesmente Acontece” tudo está em uníssono! Além da Direção de Christian Ditter e da Trilha Sonora já citados no início… Atuações, com total química entre eles! Um Roteiro afinado, e assinado por Juliette Towhidi; que talvez até por ser de uma mulher conseguiu não deixar cair nos esteriótipos principalmente os personagens femininos. Não tem como não se encantar em especial por Rosie! Um filme que além de me deixou vontade de rever, também me fez querer ler o livro. Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Acontece (Love, Rosie. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curiodades:
– O livro do qual o filme foi baseado é o “Where Rainbow’s End”, de Cecelia Ahern, e de 2004. Foi publicado no Brasil em 2006 como “Onde Terminam os Arco-Íris”… Mas com o filme, o livro volta com nova roupagem: título igual “Simplesmente Acontece” e com os personagens do filme na capa. E Cecelia Ahern também é autora do livro que inspirou o filme homônimo “P.S. Eu Te Amo”, de 2007″. 
– As frases do filme que permeiam esse meu texto eu as trouxe daqui:
http://www.mensagenscomamor.com/livros/frases_simplesmente_acontece.htm

Trailer Dublado

Para Sempre Alice. (Still Alice. 2014)

para-sempre-alice_2014O grande diferencial do drama de Alice estaria em sua vida profissional: cátedra em Linguística. Pois para alguém com o domínio em comunicação ao se deparar com a doença de Alzheimer por certo sentirá bastante a perda da memória. Ou pelo menos deveria ter sido todo o desenrolar dessa história. É que em “Still Alice” faltou algo mais. Está tudo lá, mas…

para-sempre-alice_2014_julianne-mooreJulianne Moore parece levar o filme nas costas. Talvez por ser mais íntima dos dramas do que propriamente ter sido guiada por uma boa direção. O que me levou a saber um pouco dos que assinavam a direção, e que por sinal também assinaram o roteiro: Wash Westmoreland e Richard Glatzer. Wash tem um pouco mais de chão do que o outro, mas em comum têm o reality show “America’s Next Top Model“. Talvez daí veio os enquadramentos que levou o filme a quase parecer um comercial de margarina. Não que precisariam fazer um dramalhão, mas o problema em si ficou meio artificial no seio daquela família.

Como o filme veio de um livro, e que eu ainda não li, parece que pegaram de tudo um pouco, mas não deixando espaço para os sentimentos aflorarem. Parecendo ter havido um corte cirúrgico, preciso, como a querer mostrar tudo. O que tem o lado positivo em nos mostrar todo o drama de Alice. Mas peca em parecer mais um documental do que propriamente em nos contar a história de uma mulher que deixaria de ser a Alice que ela e todos conheciam, para ser uma Alice só um corpo vivente. Sei lá! Posso ter ido com expectativas demais. É um filme onde o impacto maior ficou na subida dos créditos finais. Esplêndido!

para-sempre-alice_2014_elencoPara se ter uma ideia dessa maneira que os Diretores resolveram contar essa história cito os personagens ligados a Alice. O do Alec Baldwin que faz o marido de Alice parecia ter caído ali de para-quedas. Por mais frio que o marido tenha sido na trama do livro, nem isso ele passou. Primeiro que não houve química entre ele e Julianne Moore como ocorreu por exemplo com a Meryl Streep em “Simplesmente Complicado“. Depois que não houve emoção em duas cenas pelo menos. A que encontra Alice após ela não ter achado o banheiro. E a onde passa a “batata quente” para a filha Lydia, personagem de Kristen Stewart. O choro ficou forçado. Baldwin no todo mais parecia perguntar a câmera se ficara bom. A Stewart também parece ter sido podada as asas. Como se o voo maior só poderia ser pela Alice. Para quem a viu em “Corações Perdidos” sabe o quanto de voo ela pode alçar. Lydia o oposto da mãe até em ambições pessoais teria alçado altos voos. Não sei se por também não ter dado química com a Moore. Os demais filhos de Alice também ficaram à margem. O personagem do Hunter Parish, o Tom, até pode ser ter ficado alheio. Mas creio que com a filha Anna (Kate Bosworth, de “Quebrando a Banca“) cujo impacto da doença seria maior, não apenas por conta de um joguinho online entre ambas, mas principalmente porque Anna trazia um aditivo: o de ter pressa em viver intensamente. Nessa altura, destaque então para o neurologista de Alice: o Dr. Benjamin (Stephen Kunken). Que profissionalmente deu um lado humano a doença de Alzheimer.

Viva o momento!“.

para-sempre-alice_borboletaHá outros filmes que também abordam o drama pessoal de quem padece dessa doença. Onde cada um tenta ter o domínio de pelo menos uma parte de sua própria história antes que a doença os atinjam de todo. Em “Longe Dela” houve um procurar por onde passaria seus dias quando enfim a doença se instalasse. A Alice nesse aqui, até foi ver uma Clínica, mas pela a realidade da doença que viu nesse lugar, parece ter deixado isso para a família decidir. Um outro filme seria o “Poesia“, onde a protagonista tem quase uma última tomada de decisão… Cito esse porque a Alice nota de que não há muitos movimentos em favor da doença de Alzheimer, em favor de quem padece desse mal. Então ciente de que ainda tem um pouco do dom da eloquência, procura por atrair mais pessoas pela causa em si. Cena linda com a filha Lydia durante a preparação do discurso, e depois ao lê-lo numa palestra.

Em resumo a doença bate à porta de Alice às vésperas dela completar 50 anos de idade. Onde ainda teria uma longa vida produtiva. Para alguém que tinha como o ganha pão o domínio das palavras, a doença é um duro golpe do destino. O título original do filme “Still Alice” diz melhor sobre quem padece dessa doença: que de apesar de todos os pesares ainda é a Alice naquele corpo. Mas que ela já não saiba mais disso.

para-sempre-alice_2014_smartfone_aliado-da-memoriaAinda um detalhe que eu até já tinha visto num episódio da série “Os Millers“. Uma solução para a perda de memória do personagem de Beau Bridges. Claro que por ser uma comédia tiraram o peso do problema em si. Mas que não deixa de ser de uma grande ajuda para quando ainda se tem alguma memória. É que atualmente graças a tecnologia dos Smartfones essas pessoas ganharam um aliado portátil. E Alice o usa enquanto ainda tem o controle da mente. Porque depois não terá mais a tal serventia para eles. É! É uma doença por demais castradora!

O filme por certo é muito bom: dou nota 08! Merece ser visto. Até pelo lado elucidativo para esse mal ainda sem uma cura. O que valida o rever para clarear as ideias acerca dessa doença, até para reavaliar conceitos, preconceitos… Mas por conta do que falei, de ter ficado um tanto quanto plástico, para mim ele deixou de ser um excelente me levando mais a querer ler o livro homônimo de Lisa Genova o qual o filme foi baseado. O que ficou mesmo após o filme foi a “tradução literal” da doença de Alzheimer na subida dos créditos finais. De ter exclamado um sonoro: “Nossa!”. E para quem já viu o filme a “borboleta” deixa uma reflexão…

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Para Sempre Alice. (Still Alice. 2014). Ficha técnica: página do filme no IMBb.