Curta: A Inovação da Solidão (2013). As Redes Sociais e o Medo da Solidão

curta_a-inovacao-da-solidaoPor Josie Conti
A sociedade atual valoriza o individualismo e a competitividade.

Os funcionários das empresas, hoje chamados erroneamente de colaboradores, recebem mensagens de que trabalhar em equipe é um valor da empresa. Entretanto, qualquer pessoa com um pouco de bom senso e olhar crítico verá que o que acontece o tempo todo é um total aniquilamento da individualidade e da fidelidade entre eles. Quem não se destaca é demitido. As terceirizações não param de crescer. Logo, o colega de trabalho é tido como rival.

A pessoa passa muito mais horas trabalhando em um ambiente que é hostil e onde não pode confiar verdadeiramente nas pessoas, portanto, sem vínculos verdadeiros. Resultado: menos tempo com família e amigos, pois precisa manter o emprego.

Quando chega em casa, muitas vezes sozinha, a pessoa ainda tem que vender uma imagem de felicidade e boas relações (isso faz parte de seu papel social). E é aí que chegamos no ponto, pois é esse o questionamento relativos às redes sociais, por exemplo, onde as pessoas fabricam e postam imagens de viagens, fotos felizes, reuniões de amigos. É só entrar e veremos a infinidade de pessoas felizes (na maioria aparentemente mais felizes do que nós) falando de seus eventos sociais e outras realizações.

as-redes-sociaisSendo assim, é possível perceber que as redes sociais tornaram-se mais uma vitrine da imagem que as pessoas gostariam de passar do que propriamente um espaço para relações.

Outra coisa que as redes sociais parecem ilusoriamente sanar é a sensação de que estamos cada vez mais isolados e sem vínculos reais, ou seja, os amigos e os contatos virtuais preenchem de alguma forma o medo e a solidão.

Eu compartilho. Portanto eu existo”. Esse é o tema da animação intitulada “The Innovation of Loneliness” (A Inovação da Solidão, em tradução livre), inspirado no livro da psicóloga Sherry Turkle: Alone Together, onde ela analisa como os nossos dispositivos e personalidades online estão redefinindo a conexão humana.

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Série – ER: Plantão Médico (1994 / 2009). Está de Volta na Íntegra!

er-plantao-medico_serie-de-tver-plantao-medico_elencoOba! A Série “ER: Plantão Médico” está de volta na íntegra pelo canal Warner! Sem dúvida ela consta da lista das séries mais marcantes para mim e acredito que para muitos! A série mostra o cotidiano de médicos e enfermeiras que trabalham na sala de emergência (Daí o título original “ER” abreviatura “Emergency Room“) do County General Hospital, um fictício hospital de Chicago. Teve 15 Temporadas, de 1994 à 2009. O Roteiro original de Michael Crichton – baseado em algumas de suas experiências trabalhando num pronto-socorro -, seria para um filme. Mas o Diretor Steven Spielberg visualizou que teriam trama para uma série e então Crichton concordou. Para deleite nosso!

Pela falta de tempo e de dinheiro o piloto da série foi gravado num hospital real que se encontrava inativo em Los Angeles. Depois, já com a aprovação do projeto foi construído um set parecido com esse outro hospital nos estúdios da Warner Bros que se encontra na Califórnia. Com muitas cenas externas gravada diretamente em Chicago. Bem, tendo Steven Spielberg no projeto já é sinônimo de muitos efeitos especiais nas gravações. Mesmo revendo agora e numa atualidade com avanços na tecnologia para tais efeitos, há de se dar todos os créditos para ele nessa empreitada. Lembrando que o início de “ER: Plantão Médico” se deu na década de 90.

ER-Plantao-Medico_Julianna-Margulies_e_George-ClooneyEm “ER: Plantão Médico” foi onde decolou a carreira de George Clooney. Na série ele interpreta o pediatra Dr. Doug Ross. Já atriz Julianna Margulies que atualmente se encontra na série “The Good Wife” faria apenas uma participação no primeiro episódio, mas até por pedido de Steven Spielberg ela continuou com sua personagem, a enfermeira Carol Hathaway. Outros atores que também fizeram parte do elenco fixo: Anthony Edwards (como o médico residente Dr. Mark Greene), Sherry Stringfield (como a médica residente Dra. Susan Lewis), Noah Wyle (como o estudante de medicina John Carter), Eriq La Salle (como o médico residente Dr. Peter Benton). Todo o cast pode ser visto aqui.

No decorrer da séries alguns dos atores foram saindo, mas para os últimos episódios eles aceitaram voltar, como também alguns dos que fizeram participações especiais, para uma homenagem também a nós, os fãs de “ER: Plantão Médico“, sendo eles: Anthony Edwards, George Clooney, Sherry Stringfield, Noah Wyle, Julianna Margulies, Eriq La Salle, Laura Innes, Alex Kingston, Paul McCrane, Maura Tierney, Shane West, Abraham Benrubi e William H. Macy. E sem desmerecer ninguém, é claro que a volta de George Clooney fora muito aguardada. Se foi ou não emocionante para eles, com certeza foi para os fãs a qual me incluo.

Então é isso! Mesmo sendo uma reprise a Série “ER: Plantão Médico“, mas até pelo tempo, rever agora vem com gosto de primeira vez! Quem não acompanhou desse a primeira temporada, não deixe de ver! Irá sorrir, chorar, torcer… Amar! A Warner a exibirá de segunda à domingo às 13h. Começando nessa segunda-feira, dia 06 de julho, em comemoração aos 20 Anos do canal. Seja muito bem-vinda nessa volta! Uma Série Nota 10!

Simplesmente Acontece (Love, Rosie. 2014)

simplesmente-acontece_2014Eu resolvi fugir do lugar comum, do meu é claro, e começar falando da Trilha Sonora de “Simplesmente Acontece“. Primeiro porque as músicas parece terem sido escolhidas a dedo tamanho é o casamento entre cada uma delas com a respectiva cena do filme. Depois mesmo sem ser um Musical, além de destacar também a passagem do tempo na história, de deixar uma sensação de “minha vida tem trilha sonora“, de quase como uma pausa para um café… É que para mim a Trilha Sonora veio como o diferenciador de ambas as mídias: o filme do livro o qual foi inspirado (“Where Rainbow’s End”, de Cecelia Ahern). Só por conta dela eu já daria os parabéns ao Diretor Christian Ditter! Agora, pelo filme por um todo,  seguem também os votos de uma carreira longa!

A nossa vida é feita de tempo. Nossos dias são mesurados pelas horas… Agarramos uns minutinhos do nosso dia sempre ocupado… bem lá no fundo você se pergunta se… foram gasto da melhor maneira possível.”

simplesmente-acontece_2014_00Em “Simplesmente Acontece” temos sim todos os clichês de uma Comédia Romântica: o “casal” que até levam um tempo para admitirem que estão apaixonados um pelo o outro… o “causador” de um afastamento entre eles… Por aí! Assim, é um filme para os que também amam esse gênero. Que mesmo assistindo sem barreiras, fica um querer que ele traga um diferencial ao mostrar sua história nos levando a se encantar! E nesse tem um sim! Que é o tempo que se vive durante essa tal “separação”. Que diferente da “Cinderela” que dormiu por décadas… A protagonista aqui encarou de frente a virada do destino…

Acho que a vida gosta de fazer isso com a gente de vez em quando; te joga num mergulho em alto-mar e, quando parece que você não vai suportar, ela te traz pra terra firme de novo.”

simplesmente-acontece_2014_02Aliás, há uma tirada ótima sobre as protagonistas dos Contos de Fadas com a realidade das mulheres. Num mundo ainda machista, até em se farrear – beber, transar… – ainda na adolescência pode não ser encarado como uma “despedida” antes de encarar as responsabilidades da fase adulta da vida. Ponto para o suporte que vem por pelo menos um dos próprios pais. Que nessa história vem da relação dela com o pai. Pode até ser um clichê… Mas que não deixa de ser um porto seguro importante na vida de um ser que ainda tem muito a aprender. Destaque também para a atuação de Lorcan Cranitch!

Como a vida é engraçada, né? Bem na hora que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começa a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e se sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repente vira sul, o leste virá oeste, e você fica perdido. Como é fácil perder o rumo, a direção…

simplesmente-acontece_2014_01Muito embora não se tratando de um Suspense, muito embora tenha ficado com vontade de esmiuçar a vida principalmente dos dois protagonistas, Rosie (Lily Collins) e Alex (Sam Claflin), optei em não trazer spoiler. Até porque o filme também mostra que no mundo de hoje muito do que fica exposto pela internet não é a visão real de cada pessoa: seu dia a dia, seus dramas, seus choros, nem seus momentos felizes. E nem se trata de mentir, muitas das vezes trata-se de omitir. Tal qual Rosie fez em não contar a Alex ao ganhar uma bolsa de estudos e indo então morar nos Estados Unidos. Para Alex nem seria ir atrás do american dream… nem meio que para fugir do cotidiano bucólico de onde cresceram… a questão que ficando ali seria como caminhar pelos pés do próprio pai… Ele queria mesmo ser protagonista da própria história. Ele até tentou colocar Rosie nesse contexto, mas…

Você deveria sair e se divertir, parar de carregar o peso do mundo sobre as suas costas. E parar de esperar por ele.”

simplesmente-acontece_2014_04Rosie e Alex se tornaram amigos ainda no Jardim de Infância. Meio que subvertendo a ordem das coisas onde nessa fase já começam se separar meninas de meninos, a amizade deles os levaram até a trocarem os assuntos mais íntimos. Com isso, até o fato dele ir morar em outro continente ajudou nessa sua tomada de decisão… Seria então algo importante demais em sua vida que não iria compartilhar com Alex. Tudo mais continuaram a compartilhar muito mais via internet… Para Rosie deixá-lo ir era que pelo menos um deles pudesse ir atrás do próprio sonho… Onde o dela seria em ter seu próprio hotel, mesmo que um dos pequenos… Sonho esse que seu pai a incentivava, e que nem seria para não mais trabalhar em abrir portas para os hóspedes do hotel de luxo, mas sim em se livrar do gerente que vivia controlando os horários de todos… Mas…

Às vezes você não percebe que as melhores coisas que irão lhe acontecer estão bem do seu lado…”

simplesmente-acontece_2014_03Bem, se o destino pregou uma peça em Rosie, algumas até bem tristes… Ele também foi generoso… Lei da compensação? Talvez por um olhar a vida por um outro ângulo… E quem sabe assim descobrir certos “presentes” advindos desses dramas que o destino nos impõe… Alguns deles, seriam tremendos spoilers… Assim, até seguindo pelo pano de fundo em “Simplesmente Acontece” que é o tempo… Rosie ganhou uma grande amiga, Ruby (Jaime Winstone). Uma amizade que veio para ficar! Ah! O tempo também mostrou a Alex o significado dos seus “sonhos estranhos“…

Estou tentando encontrar sentido na frase ‘tudo tem uma razão para acontecer’, e acho que descobri essa razão: para me irritar.”

Em “Simplesmente Acontece” tudo está em uníssono! Além da Direção de Christian Ditter e da Trilha Sonora já citados no início… Atuações, com total química entre eles! Um Roteiro afinado, e assinado por Juliette Towhidi; que talvez até por ser de uma mulher conseguiu não deixar cair nos esteriótipos principalmente os personagens femininos. Não tem como não se encantar em especial por Rosie! Um filme que além de me deixou vontade de rever, também me fez querer ler o livro. Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Acontece (Love, Rosie. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Curiodades:
– O livro do qual o filme foi baseado é o “Where Rainbow’s End”, de Cecelia Ahern, e de 2004. Foi publicado no Brasil em 2006 como “Onde Terminam os Arco-Íris”… Mas com o filme, o livro volta com nova roupagem: título igual “Simplesmente Acontece” e com os personagens do filme na capa. E Cecelia Ahern também é autora do livro que inspirou o filme homônimo “P.S. Eu Te Amo”, de 2007″. 
– As frases do filme que permeiam esse meu texto eu as trouxe daqui:
http://www.mensagenscomamor.com/livros/frases_simplesmente_acontece.htm

Trailer Dublado

Boyhood: Da Infância à Juventude (2014)

boyhood_2014_posterPor Luz de Luma.
A banalidade da vida é tediosa para aqueles que estão fora dela.

boyhood_2014_personagensDoze anos se passaram em marcha lenta desde que Yellow tocava. O mundo continuava a girar e canções, filmes, videogames e livros serviam de referência para aqueles dias.

Boyhood“, o filme que levou 12 anos para ser feito.  Vale conferir o trailer e imaginar o que se passa na vida de um garoto dos 5 aos 18 anos. Mason (Ellar Coltrane), cresce na tela diante de nossos olhos. Foram usados os mesmos atores em todos os anos de filmagem; eles se encontravam alguns dias por ano entre 2002 e 2013. Ethan Hawke e Patricia Arquette interpretam os pais, Lorelei Linklater, a irmã de Mason em torno do qual gira o filme.

Escrito e dirigido por Richard Linklater, da trilogia: “Antes do amanhecer”, “Antes do pôr-do-sol” e “Antes da meia-noite”, é um filme ambicioso e diferente de qualquer outro já feito. É ao mesmo tempo uma cápsula nostálgica do tempo do passado recente e uma ode ao crescimento e parentalidade. É impossível não assistir Mason e sua família, sem pensar em nossa própria jornada.

Quando recebi o convite para assistir “Boyhood“, aceitei rapidinho por ser fã do trabalho de Linklater. Eu realmente gostei da trilogia de “Antes do Amanhecer” que também contou com a participação de Ethan Hawke. Mas não foi amor à primeira vista. Quando assisti achei monótono e com muito blá-blá-blá, até que entendi toda a tônica de uma história baseada em fatos reais. Ficou mais interessante. Foi como fechar um livro e começar a lembrar cada vez mais das partes e perceber que é um filme em que as mensagens (diálogos) são mais importantes que a história em si.

boyhood_richard-linklaterInfelizmente Amy Lehrhaupt morreu um ano antes do primeiro filme ser lançado; foi ela a mulher que passou uma noite com Richard Linklater em 1989 e o inspirou a escrever: “Da meia-noite a seis da manhã (…) andando por aí, flertando, fazendo coisas que você nunca faria agora“. O encontro, por acaso, foi dentro de uma loja de brinquedos e antes de se despedirem, seguiu-se a conversa:
Ele: “Vou fazer um filme sobre isso.”
Ela: “Como assim, isso? Do que você está falando?
ELe: “Apenas isso. Este sentimento. Essa coisa que está acontecendo entre nós“.

E minhas expectativas foram atendidas, em ambos os casos e estou admirada com a ambição e paciência para produzi-los. Ainda mais porque “Boyhood” não é enigmático, apesar de acompanhar o envelhecimento dos personagens envolvidos, mas não é o foco central e a história se move de forma natural, não há tensão artificial e dramas inventados para manipular o público. Realmente capta o sentimento do que é ser jovem para muitas pessoas. Mas nem todas, é claro. Nem mesmo para todos os meninos. Qual é a minha queixa sobre o filme: O título é horrível.

boyhood_a-familiaAs escolhas dos pais e as interferências que essas escolhas causam no futuro dos filhos. Escolhas feitas em busca da sobrevivência, exigindo resistência e força. E vidas são moldadas pelas escolhas ou pela falta de opções? Os pais podem sair de casa, mudar de cidade e carregar os filhos como se eles fossem ocos e sem apego, que não sentirão saudades, que na infância muita coisa será esquecida e que muito se perderá na memória.

A questão é que a memória é feita de uma forma para não apenas termos lembranças, mas dela tirarmos base para que acontecimentos futuros entrem no roll das boas memórias, ou não. Freud afirmou que “sofremos de reminiscências que se curam lembrando”, na pior das hipóteses, são as reminiscências também a causa de todos os males.

boyhoodO Aparelho psíquico interage e reflete no corpo, pois também é um órgão. Ele precisa se alimentar de ações e pensamentos saudáveis. Lembrando um fato, ampliamos a ideia da reconstrução histórica, repetindo e recolocando no presente aquilo que não teve lugar psíquico em seu próprio tempo. Lembrar é colocar na consciência do ego, que evolui o fato e esse passa a significar.

Quando o assunto é o padrão humano, ele não tem que responder por todos os outros. Não é como preencher um formulário em que se verifica a escrita sempre na mesma “caixa” (espaço) de resposta.

É sucesso, virou meme!! “Cathood” (ou “Boyhood – Cute Kitten Version”), Manboyhood, Potterhood (Harry Potter), Apehood (Planeta dos macacos)…

Boyhood: Da Infância à Juventude (2014). EUA. Direção e Roteiro: Richard Linklater. Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Ethan Hawke, +Cast. Gênero: Drama, Família. Duração: 165 minutos.

P.s: Segue o link do texto original: http://luzdeluma.blogspot.com.br/2014/08/a-banalidade-da-vida-e-tediosa-para.html

The Yankles (2009). Um ato de bondade humana.

The-Yankles_2009Por: Pedro Moreira da Silva.

Para quem já manuseou o Talmud e conquistou dos sábios do passado os bens do presente, não pode deixar de assistir The Yankles que se refere a mitsvá uma ação de bondade humana. Essa visão de transmutação dos que estão decaídos para a divina presença do ato do sujeito é o que mais permanecesse no filme. Ao mesmo tempo em que desloca os sujeitos de suas realidades para ser filho de uma nação (dove), que insere neste sentido, uma porta aberta que só pode ser consentida na modéstia, no ritual. O que nos leva ao pensar rabínico de que não se pode ser judeu sem promover o bem e dele aprender para a vida.

A entrelaçada relação do filme com as dinâmicas do pensamento judaico no jogo de beisebol possibilita através do Rabino (Jesse Bennett), compreendermos o quanto se faz rituais que participam desta tradição. O jogo promove esse enfrentamento com o mítico, com o salto qualitativo de mitsvo (plural).

O filme pede: dá-me a alegria de uma boa ação humana. Não está escalonado aqui as lutas e sim o confronto religioso com a ética dos homens em suas relações.

the-yankles_01A estrutura de roteiro informa claramente que é um filme comum, heróico: o sujeito que tem problemas no meio social, ajudado por um bom amigo a se recuperar, pagou suas dívidas sociais com uma ação moralmente correta que o leva à sua posição anteriormente perdida e, por fim reconquista a sua dignidade. Aparentemente é isso. No entanto, a comédia romântica se perde porque faz nascer desse intrincado novelístico comum a relação do sujeito nos rituais da vida, de sua predisposição em conquistar para o outro um mitsvá (um ato de bondade humana).

Um filme moral, de uma instância que nos recupera do antigo a contemporaneidade múltipla que se faz requerida como dual, dicotômica, e da qual se preenche de encontros e desencontros, mas que se encaminha à sensibilização pela existência na comunidade, o grande ritual humano do círculo da vida.

The Yankles (2009). EUA. Direção: David R. Brooks. Roteiro: David R. Brooks e Zev Brooks. Elenco: Brian Wimmer (Charlie), Michael Buster (Elliot), Susanne Sutchy (Deborah), Don Most (Frankie), Bart Johnson (Sledge). Gênero:   Comédia, Esporte, Romance. Duração: 115 minutos.

Bem Amadas (Les Bien-Aimés. 2011)

Se o filme de Christophe Honoré optasse por um roteiro mais enxuto, certamente teria uma recepção bem melhor de crítica e público. Também a indisfarçável alusão ao trabalho de Jacques (Pele de Asno) Demy prejudica a obra com o excesso de números musicais.

A personagem de Madeleine, vivida em sua fase final pela sempre deslumbrante Catherine Deneuve, é desvendada em cerca de quatro décadas desde 1964 passeando por momentos reais importantes como reformas políticas na Europa, o surgimento de uma doença assustadora e o ataque terrorista no início do século ajudando a tecer as estórias e dramas paralelos da estória.

Madeleine vira prostituta quase por acaso quando desfila em Paris com seus sapatos roubados da lojinha em que trabalhava e acaba atraindo clientes, dentre eles o sedutor médico tcheco Jaromil (Radivoje Bukvic e Milos Forman) que se tornaria o grande amor de sua vida e pai de sua filha Véra (Clara Couste e Chiara Mastroianni).

Se a Primavera de Praga serve como pano de fundo adequado ao conflito romântico inicial que separa o casal perfeito, o mesmo não acontece com os acontecimentos da Aids e da destruição das torres gêmeas que aparecem um tanto forçados dentro do roteiro irregular especialmente ao incluir o bissexual Henderson (Paul Schneider).

Na conclusão, o filme torna a ganhar a vitalidade inicial, quando resume com emoção que amor e liberdade podem ser incompatíveis ao desfilar as dores de Madeleine e Clément (Louis Garrel).

No entanto, Honoré perdeu a chance de dirigir uma cena antológica de uma sugerida e patética dança solitária ao som da sorumbática canção “Missing” (Everything but the girl) logo após a derrubada do WTC. Também deixou de realizar um filme memorável com a ajuda de uma fotografia mais criativa, um script decupado e centrado e principalmente uma montagem eficiente sem pena de cortar os exageros. Pecados que um elenco impecável não conseguiu salvar.

Bem Amadas (Les bien-aimés. 2011). França.
Direção e Roteiro: Christophe Honoré.
Gênero: Drama, Musical, Romance.
Duração: 139 minutos.
Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Milos Forman, Paul Schneider, Radivoje Bukvic.
Classificação: 16 anos.