Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011)

Eles sabem o preço de tudo e o valor de nada.” (Oscar Wilde)

Primeiramente eu diria que se faz necessário buscar na memória as aulas de História sobre a década de 60 (Surgimento do Feminismo, dos Movimentos Civis em favor dos Negros e dos Homossexuais, a Contracultura, a Revolução Cubana com Fidel Castro, os Hippies, a Guerra Espacial, o assassinato de John F. Kennedy…), como também é válido lembrar das aulas de Geo-Política. Já que estamos falando de Porto Rico, que ainda se mantém ligado aos Estados Unidos como ‘Estado Livre Associado’, e cuja localização era um importante ponto econômico-militar no Caribe para o Tio Sam. Como também, pela beleza natural do Caribe, a especulação imobiliária é como achar uma arca de tesouros. Vimos essa parte, mas em outra “colônia” do Tio Sam em “Os Descendentes“. Digo isso que assim poderão absorver melhor o filme “Diário de um Jornalista Bêbado“.

Por se tratar de período e local dessa história. Onde entre uma golada e outra, o Roteiro do também Diretor do filme, Bruce Robinson, traz muita informação histórica. Claro que em pequenas doses. Mas que deixaram uma vontade de ler o livro, “The Rum Diary“, do jornalista Hunter S. Thompson, o qual o filme foi baseado. E que para entender um pouco mais do personagem principal, também se faz necessário algo da realidade de Thompson. É que ele foi um criador de um estilo denominado Jornalismo Gonzo: em seus artigos há uma total liberdade em narrar um fato, intercalando ficção e realidade, colocando seu parecer. Um jornalista cronista. Nada imparcial. No filme “O Solista” se tem uma ideia de que Thompson realmente fez escola!

Então, por conta disso a ida do personagem principal para Porto Rico caiu como uma luva para uns investidores do ramo hoteleiro. Ele é o jornalista Paul Kemp, vivido por Johnny Depp. Kemp abandonou a Big Apple. Queria Rum, Mulheres e liberdade para escrever do seu jeito as crônicas do dia a dia. Muito sagaz, em seus momentos sóbrios, por tudo aquilo que vê, quase prefere voltar a ficar ébrio por mais tempo. Ciente de que para levar a vida ao seu estilo, precisará de alguém que banque.

Kemp ao largar tudo em Nova Iorque, nem imagina o que vivenciará em Porto Rico. Na bagagem, levará o seu talento para escrever. Aceitando um emprego num jornal local, vai com a cara e a coragem, mas só toma ciência do cargo já estando na ilha, e na presença do Editor-Chefe Lotterman. Personagem do sempre ótimo Richard Jenkins! Coube a Kemp a Coluna de Horóscopo e a de Turistas. Sem outro jeito, ele aceita.

Na Redação ele conhece o Fotógrafo Sala. Papel muito bem interpretado por Michael Rispoli. Houve uma química ótima entre esses dois. Como também há uma cena que entra para a História do Cinema no quesito: dois no volante. É hilária! Como só ela já pagaria em assistir esse filme. Se Kemp realizou o sonho de morar em Porto Rico, Sala mantém o sonho de ir para o México. Mas sem a coragem de largar tudo, vai levando a vida como pode. Kemp e Sala tornam-se grandes amigos. Companheiros também na esbórnia. Mas que os deixa como ‘Dom Quixote e Sancho Pancha’ porque um consegue frear o outro quando se faz necessário.

Sala apresenta a sua Porto Rico para Kemp: lugares e habitantes. É quando Kemp conhece outro jornalista etílico: Moberg. Numa magistral interpretação do Giovanni Ribisi. Ele quase rouba todas as cenas, só não faz isso porque chama a todos para o pódio. Sem querer, Moberg fará com que Lotterman “promova” Kemp. E sem ter planejado, Kemp tem o seu talento também cobiçado por Sanderson. Personagem Aaron Eckhart, que não faz feio, mas pelo personagem poderia ter voado mais alto.

O Grupo de Sanderson quer construir um grande Hotel, aliás, dois. Um, para a Elite. E o outro para os Turistas de Classe Média. Esses, só ficam mesmo no perímetro do Hotel. Têm medo de saírem pelas ilhas, por acharem perigoso. Em parte é! Já que são vistos como os brancos colonizadores. Que lhes tomam o belíssimo litoral.

Kemp vai tentando levar os “dois patrões”, até porque ainda não conseguiu encontrar o tom certo em seu texto. Ele quer ouvir a sua voz interior. Mais uma vez, será Moberg que o levará a isso. Pelo jeito, naquela ilha encantada, entre vudus e muito rum, existe um anjo da guarda um tanto quanto torto. Mas com tanto imprevistos, Kemp não contava por um: o se apaixonar pela mulher de um dos seus patrões, o Sanderson. Ela é Chenault, personagem de Amber Heard. Loura e linda, será disputada por dois galos de brigas: Kemp versus Sanderson. E será uma briga feia! Por fim, a Voz é ouvida. Lhe dando munição para lutar contra os que fazem parte do Sistema, a quem Kemp chama de ‘Bastardos’.

O “Diário de um Jornalista Bêbado” está todo amarradinho. Conseguindo mostrar, e sem entediar, a passagem de Paul Kemp por Porto Rico. Para alguém que só trouxe como bagagem um talento ainda adormecido, ele cresce como pessoa e no campo profissional também. Johnny Depp está excelente! Seu Kemp é único. Muito bom quando um ator consegue diferenciar todos os personagens. Ainda mais que estando no Caribe poderia ter escorregado para o seu Jack Sparrow. Great!

Então é isso! Com um elenco afinado. Paisagem belíssimas. Trilha Sonora à altura da obra. O filme cumpre a sua missão, de entreter, e de querer rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011). EUA. Direção e Roteiro: Bruce Robinson. Elenco: Johnny Depp, Richard Jenkins, Giovanni Ribisi, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Amaury Nolasco, Karen Austin, Marshall Bell, Andy Umberger, Bill Smitrovich. Gênero: Aventura, Comédia, Drama, Romance. Duração: 110 minutos. Baseado no romance homônimo de Hunter S. Thompson.

Curiosidades:
» Bruce Robinson rodou o filme em 2009, em Porto Rico.

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Amizade Colorida (Friends with Benefits. 2011)

Muito bom quando um filme me surpreende! Pois foi o que aconteceu com esse aqui, “Amizade Colorida“. Confesso que mesmo achando que seria mais do mesmo, eu queria muito assistir um novo trabalho com a Mila Kunis. Amei seu trabalho anterior em “Cisne Negro“. E o filme foi me conquistando logo no início. A partir dai, assisti atenta até o final. Mais! Com brilhos nos olhos, que em algumas cenas se encheram de lágrimas. Mas também houve cenas em que eu ri muito.

Amizade Colorida” é uma Comédia Romântica, logo com todos os ingredientes comuns a todas. O diferencial nesse viria em se espelhar nos relacionamentos familiares. Tenha sido uma união perfeita ou não, às vezes ao fugir com receio de não virar meras cópias, termina sendo. E acaba se desiludindo. Ou o que é pior, sufocando o querer ter, vivenciar uma relação duradoura. A relação dos próprios pais, invariavelmente pesa na avaliação das que os filhos querem para si próprios. Além disso o filme brinca com outros desse gênero, mas mais como uma homenagem a eles, como também a nós fãs de Comédias Românticas.

O título dado no Brasil descaracteriza o que os dois jovens queriam de fato. Já que amizade colorida denota ser meio pueril, sem identificação entre o casal. Eu traduziria o título original assim: Amizade com Praticidade. Sem os eufemismo que tantos amam, o lado prático de uma relação a dois acaba sendo ignorado. Mas seria o ideal com a tal da ponte que comentei em “Comer Rezar Amar“. Uma relação sem cobranças, sem querer anular o outro, saboreando com prazer o momento a dois, respeitando a individualidade um do outro. A responsabilidade com essa união viria de um comum acordo. E o romantismo, por exemplo, na hora da transa, seria nas preliminares, como também no depois. Porque na hora mesmo do sexo é puro prazer da carne. Um satisfazendo o corpo do outro. Claro que não estou falando de sexo doentio.

Vale lembrar também que complica racionalizar um sentimento. Quando a emoção aflora, se tentar pelo controle total, periga perder o vivenciar momentos que poderiam marcar como um capítulo importante na vida de uma pessoa. Então, bom quando alguém ou algo vem com o “Acorda! A vida é curta!“. Por ai que será a caminhada do casal protagonista em “Amizade Colorida“. Eles se conheceram num encontro não por acaso. Dois jovens com talento na profissão que abraçaram, mas desiludidos no lado amoroso. Ambos levaram um fora de seus respectivos parceiros.

Um perfil desse casal principal. São eles:
– Ela é Jamie, personagem de Mila Kunis. Uma caça-talentos, não só de Artistas, mas também de profissionais de outras áreas. Se de um lado é alguém super extrovertida, de outro é alguém super romântica, de sonhar por um príncipe encantado. Por conta da mãe ainda viver nos tempos de Woodstock, ela não sabe quem foi seu pai. E no fundo gostaria mesmo de um relacionamento “careta”.
– Ele é Dylan, personagem de Justin Timberlake. Um Web Designer. Que aceita o trabalho em NY, mas mais por estar meio fugindo de uma barra maior: a doença do pai. Para Dylan que teve que superar tantas limitações, ver o pai com Alzsheimer, algo irreversível, o deixa sem ação. Dylan é o oposto de Jamie, um cara travado fora do ambiente de trabalho. Além dela, terá mais um a lhe apoquentar a sua timidez: um novo companheiro de trabalho.

A princípio Jamie e Dylan vão descobrindo que gostam da companhia um do outro. Com a afinidade em alta combinam transarem sem envolvimento emocional. Tudo parecia ir bem até passarem um feriado juntos com a família de Dylan. Onde as emoções afloraram e o que era doce, salgou…

Agora, um pouco de outros personagens que ora nos diverte noutras emociona:
– Mr. Harper, o pai de Dylan, personagem de Richard Jenkins. Em uma cena faz um solo lindo ao mesmo tempo que machuca na alma. Num momento de lucidez mostra o quanto é cruel o Mal de Alzsheimer, e para alguém que ainda teria muito a contribuir com a sociedade, com os familiares, e até consigo próprio. Essa cena me fez lembrar de uma em “Longe Dela“. Richard Jenkins nesse filme aqui continua mostrando que ele pertence ao topo dos atores. E que quer continuar atuando. Bravo!
– Lorna, a mãe de Jamie, personagem de Patricia Clarkson. Uma porra-loka que encontra na filha um porto-seguro. Meio que irrita Jamie, mas que no fundo entende que ela não conseguiria levar uma vida “certinha” demais. Meu único porém nesse filme foi que pareceu que travaram a Patricia Clarkson. Para alguém bem cuca-fresca sua personagem estava um tanto quanto intimidada. Espero que não tenha sido por recear ofuscar Mila Kunis. Seria infantilidade da Direção.
– Tommy, personagem de Woody Harrelson. Ele faz um Editor de Esportes onde Dylan foi trabalhar. Um homossexual assumido, divertidíssimo, que não apenas encabulará Dylan, mas que depois se tornarão bons amigos. Tommy proporcionará um belo momento de vida numa hora de lucidez para o pai de Dylan. Que me fez lembrar de uma cena do filme argentino “O Filho da Noiva“. E ver Woody Harrelson como um desportivo, me fez querer revê-lo em “Homens Brancos Não Sabem Enterrar” (White Men Can’t Jump. 1992).
Ainda vale destacar as presenças de: Annie (Jenna Elfman) e Sam (Nolan Gould). Irmã e sobrinho de Dylan.

Contar mais é cair em spoiler, embora não seja um Thriller essa estória é para ser saboreada aos poucos. Até o desfecho. Estória, Atuações, um convite a visitar Nova Iorque, participar de Flash Mob, a Trilha Sonora… fazem de “Amizade Colorida” um filme Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amizade Colorida (Friends with Benefits. 2011). EUA. Direção: Will Gluck. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 105 minutos.

Dizem Por Aí… (Rumor Has It… 2005)

Com um tempinho chuvoso, ligo a tv e no Guia um título chamou a minha atenção. Curiosa, fui olhar mais informações sobre o filme. Ali mesmo, era só teclar mais um botão no controle remoto. Numa de curtir um momento preguiçoso, em vez de cair no sono, o filme me cativou. Dai trouxe-o para vocês, mas terá alguns spoilers. Foi inevitável. Mas nada que vá tirar o prazer em ver o filme. Em ver ‘Dizem por aí…

Foi o nome do Diretor me fez de imediato querer ver o filme. Ele é o Rob Reiner. Reiner tem um jeito todo especial de falar sobre relacionamentos entre pessoas que de certa forma passam por algum momento junto. Seus filmes podem não atrair milhões de espectadores, mas seu público meio que segue seus filmes com carinho. Sendo que alguns ficam em nossa memória cinéfila, nem que o mote maior tenha sido mais por uma cena em especial. Como exemplo: é dele a cena onde Meg Ryan simula um orgasmo em pleno restaurante, no filme ‘Hally & Sally‘. Mesmo com um certo glamour, mostrando pessoas de uma classe média dos Estados Unidos, suas estórias mostram situações comuns em todas as classes sociais, e em outros lugares. É em ‘Hally & Sally’ que temos uma das frases mais românticas que alguém pode ouvir daquele que muito ama, uma verdadeira declaração de amor:

Eu vim aqui hoje porque quando você se toca que quer passar o resto de sua vida com alguém, você quer que o resto de sua vida comece o quanto antes.”

Claro que os nomes no elenco também eram um belo convite: Shirley MacLaine, Richard Jekins, Kevin Costner, Jennifer Aniston, Mark Ruffalo e a sempre maravilhosa mesmo em uma participação pequena Kathy Bates.

O filme faz uma brincadeira muito gostosa. Que acredito fazer parte do imaginário de muitos Diretores: contar o que aconteceria a mais num dos Clássicos. E Rob Reiner escolheu ‘The Graduate‘. Ficamos sabendo disso logo no início do filme. Quem nos conta é Sarah, a personagem da Jennifer Aniston. Ela vem a ser a neta daquela que inspirou e se tornou a Sra. Robinson, do Livro e depois do Filme. Quem faz a sua avó é Shirley MacLaine.

Sarah está indo com o recente noivo (Mark Ruffalo) assistir o casamento da irmã caçula. Ela não entende a calma da irmã às vésperas do matrimônio. Como também a sua própria reação no momento do pedido. Ficara muito aquém do que idealizara.

Será que só quem ouve os sinos tocando são as personagens dos filmes? Como saber se é mesmo com aquela pessoa que você quer para uma vida a dois? O que de fato fará o casamento não morrer com a rotina diária? Porque com o passar dos anos o convívio pode tirar a paixão ardente dos primeiros anos.

Não tendo a mãe enquanto crescia, Sarah se achava não pertencendo a sua própria família. Não se identificava com seu pai e com sua irmã. Achando que caíra de pára-quedas no seio daquela família. Dai, lhe veio a dúvida de ter um outro pai. Ainda como a somar nesses seus anseios, sua vida profissional não decolara. Jornalista em um grande jornal, mas escrevendo Obituários. Assim, tentando se achar, Sarah resolve investigar um mistério que ronda o passado de sua mãe. Tendo ela morrido quando Sarah era uma criança é com a sua avó que colhe as primeiras informações. Cruciais ou não, naquele momento era uma desculpa perfeita para se afastar também do noivo. Então ela parte…

Mulher pode tudo sim! Até em experimentar outros prazeres antes de tomar uma decisão tão séria: o “até que a morte os separe“. Mas desde que se desligue da relação atual. E isso vale para homens e mulheres.

Jennifer Aniston, a impagável Rachel em ‘Friends‘, tem feito muitas Comédias Românticas ultimamente. Com altos e baixos nesses filmes. Em ‘Dizem Por Aí…‘ a performance dela me surpreendeu. Creio que o mérito é o Diretor que tirou o melhor dela.

Os demais personagens estão bem, tanto em atuação como no contexto da estória. Assim, destacarei um deles, Richard Jenkins, que faz o pai de Sarah. Aquele que ela diz que não tem nada a ver com ela. Esse pai que criou as duas filhas praticamente sozinho. O filme também pode ser visto por esse ângulo: uma paternidade abraçada por amor e devoção as filhas. Uma única fala dele já traduziria tudo isso. Num dos questionamentos dela, ele responde:

“_Porque você estava dentro dele.”

A cena por si só, já emociona. Mas também faz uma bela homenagem a pais como ele.

Não é um filme que ficará memorável como ‘Harry & Sally‘, mas deixo a sugestão. Mas mais precisamente para um público que dá valor a um relacionamento duradouro; as relações que queremos que se perpetuem. Um bom filme. Que vale a pena ver e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dizem Por Aí… (Rumor Has It…). 2005. Austrália / EUA. Direção: Rob Reiner. Roteiro: Ted Griffin. +Elenco. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 96 minutos.

COMER REZAR AMAR (2010). Um Mergulho no Universo Feminino.

_Sabe quando reformou a cozinha, comprou um livro de receitas, e disse que iria aprender a cozinhar? Pois bem! Isso é o mesmo que ir meditar na Índia. Só que em cultura diferente.” (*)

Deixo um convite a Todos, não importando o sexo, e quase para todas as faixas etárias – para os adolescentes também. Que vão assistir esse filme – “Comer, Rezar, Amar“. Para que conheçam, entendam, sintam o que é ser mulher. Porque nele não é mostrado apenas a cabeça da personagem principal, mas de muitas. Desde a cabeça de uma menina aos quatro anos de idade, até de mais idosas. Aos homens, fica um convite especial. Verão qual é o limite que leva a uma mulher a dar um basta numa relação. Mesmo ainda sentindo amor por ele.

Assim, após assistirem, o convite é para uma troca de impressões. O porque disso? É que a partir daqui, o texto terá spoiler. Hesitei um pouco se traria ou não, mas senti uma vontade intensa em destacar vários trechos desse filme. O que ficaria complicado sem contar os detalhes.

Não li o livro, mas fiquei com vontade de ler. Como também, de ter o dvd. Até porque nele há várias falas que eu gostei. Clichês ou não, elas traduzem uma cabeça comum: livre de um certo pedantismo advindos de muitos estudos. Mas também sempre gostei de colecionar Citações, que para mim segue junto na composição de um texto. Gosto tanto, que até abri uma comunidade no Orkut de Frases de Filmes. Em “Comer, Rezar, Amar“, essas frases, a maioria delas, são como peças de um quebra-cabeça para se chegar a mente feminina. São várias reflexões que na montagem final temos o universo singular e particular de cada uma delas. E porque não, de cada uma de nós.

A fala com que iniciei o artigo, a escolhi, primeiro por mostrar um dos propósitos da protagonista, depois pela sapiência contida nela. Pela Liz (Julia Roberts), surgiu nela uma busca espiritual. Pela frase como um todo, em mostrar que essa busca não depende muito do lugar, mas sim da ferramenta usada. Mais até, em desligar a mente da questão maior fazendo outra coisa até fora da rotina diária. O que me lembrou de uma frase que ouvi num filme (Layer Cake): “Meditar é concentrar parte da mente numa tarefa mundana para que o restante encontre a paz.“ Também por mostrar que cada pessoa agirá de um jeito próprio, quando se dispõe a se conhecer por inteiro. Alguns levarão anos, outros, o farão num tempo menor. Outros nem terão esse desejo, e nem por isso serão infelizes. O que a estória mostrará, é um encontro com a religiosidade.

Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa realmente ter certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer.”

A Liz encontra-se às vésperas de completar trinta anos de idade. Que seria uma data marcada para uma mudança radical em sua vida. Algo decidido num passado recente, por ela e o então marido, Stephen (Billy Crudup). Talvez uma promessa feita no calor da paixão. Haviam decidido que ela sossegaria, teriam filhos, que se dedicaria mais ao lar. Tudo já planejado. Num processo depressivo, em vez de remédios, decide rezar. Pedir a Deus que lhe mostre um caminho. E é quando se houve: se sua mente estava conturbada, seu corpo, cansado fisicamente, clamava por uma boa noite de sono.

Acontece que Liz não se via como mãe. Não ainda. Diferente de sua grande amiga Delia (Viola Davis). É Delia quem tenta convencê-la a não partir, a não abandonar a casa que ela, Liz, participou ativamente da reforma à decoração, e principalmente a não se separar de Stephen. Delia sempre quis ser mãe, dai não entendia muito o fato da amiga não querer. O que me fez lembrar de um fórum recente. São escolhas que em nenhum momento denigre uma mulher. Aliás, um dos pontos positivos que esse filme trouxe, é o fato da mulher se libertar daquilo já imposto pela sociedade. Uma liberdade que ainda pesa quando parte da mulher. Um largar tudo e botar o pé na estrada ainda é um território masculino. Assim, quando uma jornada dessa é feito por uma mulher: recebe a minha benção.

As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho: a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo, para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não! Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesma, e depois vão embora.

Liz não entendia ainda o porque do desconforto sentido em seu relacionamento com Stephen. O amava, mas seu interior estava sufocado. Ao se separar, apesar do litígio, se sentia culpada pelo rompimento. Só se libertaria desse peso, em sua passagem pela Índia. Uma cena emocionante, que me levou às lágrimas. É que meus olhos já estavam marejados pela anterior a essa. Quando a vida apresenta que não podemos nem esperar muito de alguém, nem que esse alguém, também espere muito de nós, vem como uma libertação. Para alguém com o pé no mundo, cada dia era de fato um novo dia.

Liz após esse rompimento, conhece David (James Franco). Um jovem ator. Com esse romance, era mais uma tentativa de se encaixar nas tradições. Mas por ser alguém muito Zen, David leva Liz a conhecer um lado religioso. Por ele, indiretamente, lhe vem a vontade de ir a Índia. Conhecer de perto o Templo, e a comunidade da Guru. Mas isso só se concretizou, quando viu que com David também levaria um casamento tradicional. O acorda veio com uma observação de um amigo. Com David, o rompimento em definitivo, vem num email.

Aprenda a lidar com a solidão. Aprenda a conhecer a solidão. Acostume-se a ela, pela primeira vez na sua vida. Bem-vinda à experiência humana. Mas nunca mais use o corpo ou as emoções de outra pessoa como um modo de satisfazer seus próprios anseios não realizados.

Liz se dá conta de que passou grande parte da vida sem um tempo só pra si. Tão logo saia de um relacionamento, entrava em outro. Então resolve fazer a sua jornada. Como era alguém que queria sempre ter controle da sua vida, mesmo querendo fugir de tudo planejado, traçou uma rota. Ficaria um ano longe de família, amigos, carreira, NY… Passaria quatro meses em cada um desses países: Itália, Índia, Indonésia. Ela vê uma curiosidade na escolha dos três: começam com “I”, que em sua língua, é “Eu”. Faria um encontro com ela mesma; com o seu self. Algo que eu adorei nessa sua peregrinação foi o fato de não fazer um caminho solitário. Mesmo indo sozinha, não se isolou do mundo, das pessoas.

Seu período na Itália veio como puro prazer. Quase como o alimentar o corpo. Transgredindo o pecado da gula. Primeiro, ou melhor, a escolha por esse país partiu porque sempre quis aprender a língua italiana. Mas chegando lá, descobriu também o prazer em comer. Ela tinha fome! De comer sem culpa. Comer sem se preocupar em engordar. De comer até se fartar. Afina o seu paladar entre sabores, aromas e saberes.

A cena da Julia Roberts saboreando um espaguete – e do jeito que eu amo: com muito molho de tomates -, ficará na memória. Sabe aquele prato que te leva a esquecer do mundo? Que lhe vem à mente – Não quero que nem Deus me ajude!? A cena em si, nos leva a pensar nisso. E regada ao som de: Der Hölle Rache Kocht In Meinem Herzen.

Mas esse período não ficou só em comilanças, e conhecendo a cultura e o jeito de levar a vida dos italianos. Liz faz uma descoberta de si mesma. A de que há partes da sua personalidade que ficarão para sempre. Que se adaptarão a cada nova realidade que a vida lhe trouxer. O que me levou a pensar nessa frase da Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” Liz aprenderá a canalizar essas forças dentro de si, nos períodos passados nos outros dois países.

Ainda na Itália, lhe vem o desejo de encontrar a sua palavra: aquela que a definirá. Que será o seu norte. E a palavra vem na Itália, mas só terá consciência dela em Bali. Voltarei a ela mais para o final.

Galopamos pela vida como artistas de circo, equilibrados em dois cavalos que correm lado a lado a toda velocidade – com um pé sobre o cavalo chamado ‘destino’, e o outro sobre o cavalo chamado ‘livre arbítrio’. E a pergunta que você precisa fazer todos os dias é: qual dos cavalos é qual? Com qual cavalo devo parar de me preocupar, porque ele não esta sob meu controle, e qual deles preciso guiar com esforço concentrado.”

Na Índia, antes de chegar ao Templo da Guru, fica assustada com o trânsito local. Numa de se perguntar em como do caos chegam ao equilíbrio zen. Já no Templo, constata que tal como o de NY, não há a presença física da Guru, mas sim um retrato. Depois entenderá que a busca é para dentro de si.

Essa sua passagem pela Índia, nos leva do riso às lágrimas. A diferença cultural, mais que deixá-la em choque, a levará a se por em xeque. Ela quis aprender a se devotar a algo maior. A encontrar a espiritualidade em si.

Duas forças amigas serão o peso em sua balança. De um lado, uma jovem indiana, Tulsi (Rushita Singh) que sonha seguir carreira como Psicóloga. Que gostaria de se rebelar com o seu destino: um casamento arranjado. Tradição familiar e cultural. Liz vai a cerimônia de casamento, e dá um belo presente a jovem. Algo não material. E que também fez com que Liz descobrisse mais de si. Que fazemos parte de uma engrenagem, não somos, não devemos nos ver como peça isolada o tempo todo. Há vários momentos que estaremos em contato com alguém. Então, é saber a arte de uma boa convivência. Mais! Que há vivências que não teremos como escapar. Assim, o melhor a se feito é tirar um proveito da situação.

Do outro lado, estava Richard (Richard Jenkins), o seu James Taylor. Richard ficava levando-a a conhecer seus limites, para então ultrapassá-los. Além do ex-marido, do jovem ator, ele foi mais um personagem masculino a mostrar que não basta só um querer manter a relação a dois. No caso dele, o desrespeito chegou aos extremos: bebidas, drogas, relações extra-conjugais… Ao contar a sua estória, dá um aperto no coração. Principalmente quando pessoas como ele, fazem parte do nosso ciclo, ou familiar, ou de amizade. Certa vez, eu perguntei a uma pessoa se fora preciso mesmo abraçar uma religião, para então dá valor a linda família que possuía, e ele disse que sim.

Liz, Richard e Tulsi foram parar ali por motivos diferentes, mas igual no que buscavam: depurar o passado, se adequarem ao presente, para então seguirem mais confiantes para o futuro. Inconscientemente, um ajudou o outro nessa busca. Dos três, o fardo maior trazido do passado, era o de Richard. Perdera um tempo enorme de não ver o filho crescer, por não o ter colocado antes em sua vida. Voltando ao tema do início. De que maternidade e paternidade tem que querer de fato. Até pela responsabilidade que terá com a criança. E quando Liz consegue perdoar a si própria… minhas lágrimas desceram. Leve. Por me levarem a pensar num momento meu.
Eu quero vê-la dançar novamente“… Livre, era chegada a hora de seguir em frente. Próxima parada: Bali.

Imagine que o universo é uma imensa máquina giratória. Você quer ficar perto do centro da máquina – bem no eixo da roda -, e não nas extremidades, onde os giros são mais violentos, onde você pode se assustar e enlouquecer. O eixo da calma fica no seu coração. É aí que Deus reside dentro de você. Então, pare de procurar respostas no mundo. Simplesmente retorne sempre ao centro, e sempre vai encontrar a paz.”

Da vez anterior, que estivera a trabalho em Bali, Liz conhecera um Xamã: Ketut. Uma figuraça! Então, o procura. Gostei muito mais de Ketut – até pelo seu jeito irreverente de ser -, do que da Guru da Índia. Ketut, mesmo com todo o peso de ser um Xamã, é alguém mais objetivo. Ligado com o que há por vir. Por conta disso, propõe uma troca a Liz: ela transcreveria seus manuscritos – que com a ação do tempo estavam se esfarelando – e ele a ajudaria nesse seu vôo em sua alma. Ah! A companheira de Ketut mostra-se uma mulher de grande sapiência.

Se na Índia, Liz se livrou de bagagens inúteis para seguir em frente, em sua passagem por Bali iria aprender de fato a adequar sua personalidade com tudo mais a sua volta. A ter um equilíbrio, até quando a vida lhe tirasse dele.

Em Bali, Liz conhece uma Doutora da Floresta: alguém que cura pelas plantas. Ela é Wayan (Christine Hakim). Tem uma filha, Tutti (Anakia Lapae). Uma menina que aos 4 anos de idade, dá um sábio conselho à mãe. Que mesmo sendo penoso, até por conta da cultura local, Wayan aceita. As três ficam amigas. E por elas, Liz entende que há mais religiosidade num ato, do que passar horas num templo. Seu ato, faz um resgate a uma vida condigna a essas duas amigas. Mãe e filha não precisariam mais ficarem peregrinando. Ganham de Liz, e de seus amigos, um porto seguro. O mundo carece de atitudes como essa.

Ao longo dessa sua peregrinação, Liz convive com várias mulheres. De culturas diferentes. Algumas, como ela, nadando contra a correnteza, ou pelo menos, tentando. Mas mesmo as que seguem como reza a tradição, não estão infelizes. Esse é um dos pontos altos desse filme. É um verdadeiro ode a alma feminina.

Quando tudo parecia seguir por um caminho certo, Liz se vê literalmente jogada para fora da estrada. Bagunçando o seu equilíbrio novamente. Seria o destino testando-a? O autor dessa proeza seria o homem que Ketut viu nas linhas de sua mão? Aquele com quem teria um longo relacionamento? O que sustentaria essa ligação por anos? É quando entra em cena o personagem de Javier Bardem: Felipe. Alguém que trazia também um peso do passado.

Pausa para falar do ator, ou melhor, do homem: Javier Bardem. Ele está um tesão nesse filme. A maturidade o deixou mais sedutor. Lindo demais! Mesmo eclipsado pela performance da Julia Roberts, eu gostei dos dois juntos. Deu química.

Seu personagem é um brasileiro que adotou Bali como Lar. Tal como Liz, é alguém que ama viajar. O prazer nisso, até por força da profissão. No momento da estória, ele é um Guia Turístico em Bali. Leva Liz a conhecer aromas e sabores da cultura local.

Fazendo ele um brasileiro, fica difícil não comentar duas coisas:
– o filme passa a ideia de que pais brasileiros beijam seus próprios filhos na boca. De que isso é algo cultural. Como eu não li o livro, não sei de onde tiraram isso. Não há esse costume aqui.
– o lance dele dizer muito “Darling!”. Se é como “Querido(a)!”, também o costumeiro por aqui, ganha a conotação de algo superficial. Mas o seu personagem passa a ideia de um tratamento afetuoso, de intimidade com a pessoa.
É o único ponto negativo em todo o filme. Nem a longa duração do filme, me fez perder o brilho nos olhos. Até porque, sendo bem contada, eu gosto de uma longa estória.

Como citei anteriormente, “Comer, Rezar, Amar” traz várias falas reflexivas, e uma delas vem com a palavra que Liz então escolhe para si. Que para mim, é a que melhor traduziria como deveria ser uma relação a dois: attraversiarmo. É, ela a escolheu na língua italiana. Ela faz a ponte para a união de dois seres distintos. Donos de suas particularidades, um não anulará isso no outro. Saberão encontrar o ponto em comum, e respeitando as diferenças. Mas principalmente, respeitando o parceiro, a união, o porto seguro que farão com essa relação.

E é Ketut que leva-a a descobrir que estava pondo tudo a perder, ao voltar aos velhos hábitos. Deveria se entregar de corpo e alma a esse universo que chegara à sua porta. Isso, se colocava fé nessa relação. Até porque, os relacionamentos certinhos demais, de outrora, nunca a deixara satisfeita. Também, algo como o jovem Ian (David Lyons) propunha não era o que queria. Então, por que não vivenciar o que Felipe lhe propôs? Uma ponte entre NY e Bali… Em sua despedida ao Ketut, minhas lágrimas desceram…

A estória, ou as estórias, a Fotografia, a Trilha Sonora, as atuações… tudo em harmonia para um filme nota 10. E que entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Não deixem de ver.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Comer, Rezar, Amar (Eat, Pray, Love). 2010. EUA. Direção: Ryan Murphy. +Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 133 minutos. Baseado no livro homônimo e autobiográfico de Elizabeth Gilbert.

(*) Foram tantas as Citações, que essa logo no início, me fugiu um pouco a lembrança palavra por palavra. Quando eu encontrar a transcrição literal, eu trarei para cá. Por hora, fica o sentido da fala.

Querido John (Dear John. 2010)

Ainda vendo o filme – Querido John -, fiquei pensando se teria que me posicionar como uma estadunidense para entender melhor o que ia pela cabeça do casal de protagonistas. Para pelo menos não ser tão crítica com eles vendo-os como superficiais demais. Até o engajamento de ambos não pareceu vir de dentro. Talvez por uma fuga, ou mesmo por não ter uma perspectiva maior para si mesmos. Claro que nem todos precisam nadar contra a correnteza. Nem todos precisam ter ambições profissionais. Até entenderia que a personagem aqui tivesse “saído” da Escola do filme ‘O Sorriso da Monalisa‘. Que a estória deles até possa ter dado certo no Livro. Mas no filme a estória de ambos se perdeu. Eu não sabia se abandonava a sessão ou se ansiava que chegasse logo ao final. Por fim, terminei de assistir. E… Tudo por conta de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried).

Começando por John e por algo positivo do personagem. Algo que costumo ressaltar em meus textos. O de canalizar um aspecto próprio que poderia até destruir a vida de uma pessoa. Pois já que é nato o melhor a fazer é encontrar um outro caminho, num fim benéfico, ou menos destruidor. John era extremamente forte. Mais! Reagia muito rápido, e com violência, a até a uma agressão verbal. Muito embora fosse uma pessoa pacata. Por conta de uma briga… se alistou. Para mim foi para ter como descarregar essa força e sob um comando. Criado pelo pai (Richard Jenkins – Sempre ótimo!) desde a infância. A mãe abandonara os dois. Seu pai colecionava moedas. Um hobby passado pelo filho após esse ter-se encantado com uma visita na Casa da Moeda quando criança. Ambos, de pouca fala. Seu pai era uma pessoa extremamente metódica. E tendo boa índole também.

John estava de férias – duas semanas -, do serviço militar. Em seu primeiro dia uma jovem chama a sua atenção. Ela nem o notara. Chegara com um grupo no pier onde John olhava o horizonte após surfar. O rapaz que acompanhava a jovem, ao brincar com a bolsa dela, acaba deixando cair no mar. Enquanto ele corre para sair do pier e então ir pela praia buscar a bolsa, John pula lá de cima mesmo. Um gesto imprudente que poderia até ser fatal. Era um macho chamando a atenção da fêmea. E conseguiu. Ela é Savannah. Que se sente na obrigação em retribuir o favor. Já que ele lhe trouxera sua bolsa.  Aos poucos o gelo foi se quebrando e eles começaram a namorar. Cientes que ele voltaria para o Quartel,e ela iria para a Faculdade.

Às vésperas dele embarcar, eles se desentendem. Tudo porque Savannah comenta do problema do pai do John. Ele fica indignado. Na cabeça dele, era como se ela chamasse seu pai de maluco. Savannah tinha percebido que o pai dele era autista. Ela tinha um pouco de experiência nisso por conta do filho, o Alan (Braeden Reed), de um grande amigo, o Tim (Henry Thomas), de seus pais.

Refeito e já mais calmo John vai procurá-la até para se desculpar. Não a encontrando deixa um bilhete com um vizinho. O tal pai do menino e que já sentira fisicamente uma das explosões de John. Mais tarde Savannah vai ao seu encontro e com uma carta. Selando de vez o compromisso de sempre escreverem cartas contando tudo o que faziam, enquanto estivessem longe.

A princípio, John daria baixa dali a alguns meses. Mas um grande incidente o fez mudar de ideia, e seguir carreira militar. Fora o 11 de Setembro. E é por conta disso, um dos motivos que citei no início do texto. Logo de início, até dá para entender a causa que o Bush levantou: combater os terroristas. Mas com o passar do tempo caberia uma reflexão maior. Mas é o que falei: eu não sou uma cidadã americana. Como já deixei meu ponto de vista sobre o que veio com o 11 de Setembro em alguns textos de filmes como em ‘Soldado Anônimo‘ e ‘No Vale da Sombras‘, para citar dois exemplos.

Com isso o tempo longe um do outro foi aumentando.

Savannah até pelo carinho com o pequeno autista investe seu tempo e dinheiro num Haras para uma ajuda terapêutica, ou até reabilitação de Crianças com algum tipo de sequela. Mas sem nenhum planejamento não soube levar o espaço adiante. Era algo caro demais para se manter. A bem da verdade ela estaria melhor como uma dona de casa que ocupasse seu tempo vago como voluntária em causas humanitárias. Os bastidores, era muito trabalhoso para ela. E sem John por perto a sua realidade como pessoa a levava a tomar uma decisão, e logo. Para ela a receita da felicidade era ter sonhos realizáveis.

A distância consegue matar um grande amor?

Quando se está de fora é até fácil dizer: ‘Isso eu não faria!‘. Até aqui, eu aceito. Mesmo assim o que esses dois fizeram fora um desperdício de vida. Eles se “engajaram” em causa alheia esquecendo deles mesmos. No que ela fez pode até ter um que de humanitário, mas fora precipitado.

Enfim, se enxugassem um pouco o filme ficaria como um bom sessão da tarde. Mas do jeito que está ficou um tédio. Não recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Querido John (Dear John). 2010. EUA. Direção: Lasse Hallström. +Cast. Gênero: Drama, Romance, Guerra. Duração: 105 minutos. Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty. 2003)

\Confesso que a motivação para esse filme foi George Clooney. Afinal, ele é um colírio! Em segundo lugar por gostar de filmes com advogados, tribunais. Nossa! Que filme! Ou melhor, que causas advogam nesse! E tem uma cena cuja fala vai bem de encontro em porque filmes assim são interessantes de se ver. Essa: “Advogados às vezes seguem as leis“.

Uma consideração inicial. Se Geoffrey Rush não foi dublado, deveriam dar correndo a ele um papel principal num Musical. Porque ele deu um show cantando “The Boxer“, de Simon e Garfunkel. Além claro, de marcar presença com uma pequena grande participação nesse filme.

No início do filme, e bem rápido, me peguei a pensar em como seria um flagrante ao contrário. Até porque é o mais corriqueiro. Ou era. Diante da história do filme, como também do que a mídia sensacionalista conta do mundo real, não sei mais o que pende mais na balança das relações a dois: se homens traindo as(os) companheiras(os), ou o contrário.

Mas logo depois: o choque! Gente! O que era aquele “clubinho” de mulheres. Chega a ser uma falta de respeito, uma falta de consideração às mulheres que lutaram para que nós nos dias atuais pudéssemos estar lado a lado com os homens no campo profissional, e não mais em papéis secundários. Não ficando apenas nesse campo. No Brasil, por exemplo, no campo esportivo a participação das mulheres competindo em alguns, também é recente: e por um Decreto Lei em 1981. Como podem ler no Blog da Lunna: aqui. Embora lamentável, o empreendimento delas na tal reunião também existe no mundo real. Não é pura ficção. Vemos essas alpinistas em todas as classes sociais. É muita falta de perspectiva para uma mulher, nos dias de hoje, procurar num casamento o seu ganha-pão. Casar por interesse financeiro é o fim da picada. Algo só compreensível em gerações passadas.

A personagem da Catherine Zeta-Jones, Marylin Rexroth é mais uma delas. Que busca por marido ricos que gostem de aventuras extra-conjugais para então com um flagrante dessas escapulidas pedir na separação um polpudo quinhão dos bens deles. É! É no plural mesmo pois algumas delas não se contentam com um único: casa-separa.

Acontece que o primeiro e mais arquitetado do seu golpe foi frustrado por conta do melhor advogado nessas causas: Miles Massey (George Clooney). Então o jogo começa. Pois ela vai querer se vingar. E tendo ele uma considerável fortuna, vira a sua próxima vítima.

Mesmo com toda a sua astúcia nesse tipo de investida, nessas armações, Miles encontra-se entediado. Seu sucesso profissional está no topo. Mas para piorar seu ânimo, ao se deparar em como leva a velhice o sócio majoritário, ele fica baqueado. E estando fragilizado, vira uma presa fácil para essa belíssima interesseira. Como ele mesmo diz:: “Indefeso como um patinho na lagoa”.

E o final… Bem, o final é coerente com a proposta do filme. Afinal, business is business. Affe! Até por conta disso, embora com uma excelente trilha sonora, ao término do filme foi essa música que me veio à mente: “Socorro, não estou sentindo nada. Nem medo, nem calor, nem fogo…“. Por fim, não entrou para a minha lista de que vale a pena rever.

Ah! Fiquei em dúvida com o lance do Sr. Smith, se teria sido uma homenagem ao filme “Sr. e Sra. Smith”.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Amor Custa Caro (Intolerable Cruelty). 2003. EUA. Direção: Joel Coen. Elenco: George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Cedric The Entertainer, Geoffrey Rush, Billy Bob Thornton, Richard Jenkis, Edward Hermann, Jack Kyle, Paul Adelstein. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 100 minutos.