O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985)

o-primeiro-ano-do-resto-de-nossas-vidas_1985Por Francisco Bandeira.
Não há nada melhor que um filme sobre a adolescência, com personagens encantadores, uma boa premissa, com debates ainda presentes na juventude atual, com questionamentos sobre a vida adulta, o poder da amizade, quanto o amor platônico nos consome… E o pior (ou melhor): o quão difícil é assumir responsabilidades.

Esse é o tema abordado por Joel Schumacher neste filme pra lá de simpático, simples, com rostos marcantes no elenco, onde todos estão exalando carisma, esbanjando talento e, por mais que a mão pesada do diretor e o roteiro cheio de furos deixem o filme bem longe de aproveitar seu potencial máximo, não compromete o resultado final do longa que poderia ter alcançado o mesmo “status” de clássico adolescente como os dirigidos por John Hughes na mesma década.

A fita tem alguns momentos marcantes, como quando Billy explica a metáfora do Fogo de Santelmo que dá nome ao filme para consolar sua amiga, ou os personagens se questionando sobre as amizades durarem para sempre, romances impossíveis e o peso que os mesmos têm que carregar na vida adulta. ‘O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas‘ é sim um pequeno filme meio esquecido, mas isso não o torna menos profundo, tocante e divertido, como todo bom filme dessa safra cada vez mais extinta nos dias atuais.

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

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Contato (1997). Ciência e Religião com Ética

contact_1997O filme Contato não traz apenas as pesquisas científicas sobre ETs, mas também aspectos éticos e morais do inconsciente de seus personagens. Nele, tempo e espaço não são apenas conceitos físicos, mas também valores sentimentais: uma viagem na memória afetiva. Buscando vencer os limites dos dois mundos: o interior e o exterior. Com o rádio o homem transcendeu as distâncias muito mais rápido. Indo mais longe. Com isso podendo até pesquisar se existem seres inteligentes fora da Terra. Mostrando o bom e o mau, o filme põe em xeque os valores éticos e morais da ciência e da religião. Numa tentativa de encontrar um equilíbrio.” (A. Mattos)

Contato marcou profundamente minha vida. Foi a partir dele que concluí que realmente eu queria ser astrônoma. Ainda não comecei os estudos da Física, mas em breve prestarei vestibular iniciando minha jornada rumo à Astronomia!

Tinha um dia de chegar (nos filmes) esse conflito entre ciência, religião e ética de uma maneira mais madura e mais centrada em grandes acontecimentos.

Além disso há uma preocupação em manter esses acontecimentos somente com a Dra. Eleanor, creio que para que houvesse a transformação que aconteceu com ela durante todo o filme. No início era ateísta, depois passou a acreditar em algo maior, numa força além de nossas suposições.

Depois disso, não lembro agora direito quem, mas um dos membros do conselho a que ela foi submetida confirmou a veracidade de que tinham se passado 18 horas de estática no vídeo que ela gravou. Como isso seria possível em 3 minutos? (Que foi o tempo que eles a viram na máquina)

Talvez seja a grande jogada do filme. E me pareceu assim: a ciência (representada pela Dra. Eleanor) aceitando a Deus, O conselho (se não me engano era em relação è religião) aceitando, pelo menos parte, da ciência. Isto é, para o progresso da humanidade, ciência e religião deverão tentar andar juntas. Não sei se foi bem isso que o filme quis passar.

O filme foi baseado no livro de Carl Sagan e, sem dúvida, foi o filme sobre Física que mais seguiu as leis da Física. Claro que como todo filme de ficção cometeu suas gafes. Mas inclusive no aspecto científico o filme é hiper interessante!!

Adorei relembrar esse marco!

Por: Thaís D. B.  Blog:  Tempestade Interior.

Contato (Contact). 1997. EUA. Direção: Robert Zemeckis. Elenco: Jodie Foster (Dr. Eleanor Ann Arroway), Matthew McConaughey (Palmer Joss), Tom Skerritt (David Drumlin), David Morse (Theodore Arroway), James Woods (Michael Kitz), Angela Bassett (Rachel Constantine), Rob Lowe (Richard Rank), John Hurt. Gênero: Drama, Mistério, Sci-Fi, Thriller. Duração: 150 minutos. Baseado em livro de Carl Sagan.

Obrigado por Fumar (Thank you for Smoking. 2006)

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O filme é ótimo! O início é hilário, de querer voltar algumas vezes por se perguntar: “E o pior que estou rindo!”. Pelas argumentações do lobista. Não por uma ingenuidade nossa, mas por ser um retrato da realidade. O roteiro é muito bom. E não se assustem com o título, pois ninguém vai passar a fumar, nem muito menos a largar o vício.

A história do filme: O protagonista (Aaron Eckhart) é um lobista das Companhias de Tabaco. Defende-las é o seu ganha-pão. Ele é um grande manipulador, ou melhor, como ele mesmo diz, é um ótimo argumentador. Separado da mulher, tenta manter um bom relacionamento com o filho. Numa ida a escola do filho, num dia onde os pais falam sobre suas profissões, o filho já ciente da causa defendida pelo pai, diz para ele não arruinar a infância dele… hehe!

As cenas com o filho (Cameron Bright; atuou em “Bird”) ficou muito bom! Houve química entre os dois. O filho acaba admirando o pai. Até por ver que ele é muito bom no que faz. O que leva o pai a reavaliar a sua profissão.

William H. Macy… Me faz lembrar de “Fargo”. Gosto dele. Mas no momento não consigo lembrar de outra atuação onde foge desse estereótipo: perdedor. Mas fez um belo trabalho. Um Congressista que está na outra ponta, a de querer culpabilizar a Indústria do Cigarro por tantas mortes.

Tem uma hora no filme que dá vontade de exclamar: “Que foda!!!” É sensacional! Ah, depois, tem um “troco”. Noutra, de certas “cenas melhoradas”, a minha exclamação foi um: “Que pqp!!” (Mas mais pausadamente; meio que no estilo do “O Filho da Noiva”).  Sorry por essas minhas “exclamações”, mas elas foram ditas com brilhos nos olhos e entre largos sorrisos.

Um trechinho entre pai e filho, até para terem uma idéia do que seria argumentar?

_ Dad, porque o governo americano é o melhor?
_ Pelas apelações infinitas. Está escrevendo o que eu disse?
_ Humhum…
_ Pare um segundo. Qual é o tema?
_Por que o governo americano é o melhor do mundo?
_ Sua professora que elaborou essa pergunta?
_ Sim, por que?
_ Vou ignorar os problemas óbvios da gramática e me concentrar na pergunta. Tem os Estados Unidos o melhor governo? Qual é o critério para julgá-lo? Crime? Pobreza? Analfabetismo? O dos EUA não é o melhor, nem é dos melhores. É um governo divertido.
_ Daaaad!
_ Sorry! Conhece o termo B.S.?
_ Significa “falar merda”.
_ Exato. B.S., se me permite, é feita para perguntas como essa que a professora fez. Ainda que fosse o melhor governo, não conseguiria provar. Quantas páginas?
_ Duas páginas.
_ Duas… Em duas páginas, impossível.
_ Então o que eu escrevo?
_ O que você quiser.
_ Ok.
_ Escreva sobre a incrível habilidade dos EUA de lucrar não cumprindo acordos comerciais internacionais e levando empregos daqui para o terceiro mundo. Ou o quanto somos bons para executar réus. São boas respostas.
_ Posso escrever isso?
_ Essa é a beleza da argumentação. Se argumentar bem, nunca estará errado.

Assistam, é diversão garantida! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Obrigado por Fumar (Thank you for Smoking). 2006. EUA. Direção: Jason Reitman. Elenco: Maria Bello, Aaron Eckhart, Robert Duvall, Katie Holmes, Adam Brody, Kim Dickens, David Koechner, Rob Lowe, Connie Ray, Sam Elliott, Todd Louiso, Cameron Bright, William H Macy, J.K. Simmons. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos. Classificação: 12 anos.