Uma História de Amor e Fúria (2011)

Certamente, um dos mais elaborados desenhos animados já feitos no Brasil, o filme atravessa quatro períodos da história do país desde o descobrimento até uma visão apocalíptica em 2096 quando o mundo enfrentaria um sério problema de escassez de água. Tudo na ótica de um ser de cerca de 600 anos que vai reencarnando em busca do seu grande amor sempre em combate contra o Anhanguera (O mal).

Camila Pitanga dubla Janaína, a heroína do filme com o talento de sempre. Já a voz do ótimo ator Selton Mello incomoda eventualmente quando soa destoante na pele de um índio Tupinambá e outros personagens similares pouco adequados ao seu timbre monocórdio.

As épocas distintas às vezes são mal entremeadas mas mantém o interesse na trama recheada de momentos curiosos como quando converte um famoso herói da pátria em vilão sanguinário.

Ainda que o traço modernoso embace o tom épico da obra em alguns momentos, o apuro visual e técnico impressiona especialmente na quarta parte do desenho, quando surge a futurista cidade do Rio de Janeiro anunciada como muito segura e cheia de tecnologia com o seu monumento mais famoso pichado e mutilado por um suposto passado violento.

O maior mérito de “Uma História de Amor e Fúria” é a ousadia de abrir caminhos para uma arte ainda pouco desenvolvida no Brasil com um trabalho marcante e de qualidade.

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Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011)

Gostei do filme em preto e branco do diretor José Henrique Fonseca que trata de ressaltar o caráter perfeccionista de uma pessoa controvertida, da linda e muto linda fotografia de Walter Carvalho que traz todo o glamour de uma época em que todos eram tão superficiais quanto a base da importância de se pertencer ao Hgh society.

O suspense do longa ignora as prováveis curiosidades do espectador em conhecer detalhes da história dessa figura de final já conhecido, nos trai nas imagens das idas e vindas, flash back que percorrem o presente, o delírio, o passado. A narrativa não é confusa, mas não esclarece substancialmente pequenas curiosidades. Há a mensagem subliminar para aqueles que desejem saber mais: “leiam o livro”. O compromisso da telona é com o mito – O que fez muito bem a direção de Fonseca que passa com sutileza a imagem do bom humor do craque, e até permite que os mais atentos percebam sua arrogância na obra cinematográfica como uma arma defesa de alguém que consciente da sua genialidade no gramado, ciente da admiração das mulheres pelo seu rosto bonito, porte imponente, educação e refinamento imaginava conviver com a inveja do restante do mundo, perpetuando aquela arrogância característica da juventude. Em certos momentos me pareceu que Heleno não passou dos 17 anos.

O filme colore a característica de um homem apaixonado por sua  atividade esportiva num tempo de transição entre o amadorismo e o profissionalismo ainda praticamente inexistente.

Um homem advogado, filho da riqueza do café que só queria jogar bola e, como sabia que jogava bem queria ser aplaudido, ovacionado. Sua paixão pelo ato de jogar bola e pelo time que defendia, sua ânsia passional de ver expresso por todos a sua capacidade muito acima da média.

Retratando Heleno, o homem, num contexto de uma sociedade  que ainda tateava no aprendizado de como tratar as  figuras públicas de um setor esportivo que não tinha ainda delineadas suas regras e estatutos.

Ao nos poupar dos detalhes mais dramáticos que a doença impingiu ao craque, a obra preserva a imagem de alguém que tendo o necessário para fazer tudo, fez muito, mas não realizou suas ambições, vítima da sua própria escolha, mesmo aquela que não se sabe exatamente o momento em que é feita.

A demência total talvez lhe tenha protegido das muitas frustrações. Não participou de nenhuma copa mundial, não deu título ao seu time do coração, não viu seu filho crescer e não viveu tanto tempo com a mulher que escolheu para casar. Mas no auge dos efeitos característicos da insanidade mental povocada pela sífilis, esquecido do que era, batia no peito orgulhoso de dizer quem era: “Eu sou Heleno”!

Sim, era e como era!

Também fora boleiro genial, impaciente e até agressivo com os “cabeça-de-bagre”. Corajoso de dizer sobre como se entra em campo defendendo o time e honrando a camisa. Não fosse tão “louco” seu modo de encarar o maneira de exercer a profissão seria argumento de palestras motivacionais.

Ele era Heleno e hoje seria dito “mascarado”, mas ainda na atualidade seria muito mais incompreendida a sua postura de recusar “bicho” pago pelo clube num jogo onde não houve vitória, recebido por colegas que ao seu ver não jogavam pela camisa. Arrepia essa cena que Rodrigo Santoro, incorporado pela entidade Heleno de Freitas bate no peito  e declara sua ética de amor ao clube, comprometimento com resultado e orgulho por seus passes. (ok, que ele era rico e os amigos jogavam para ganhar dinheiro, mas isso não diminui a emoção, por mais que a distribuição da sua parte no “bicho” e queima do dinheiro restante possam parecer arrogância).

Adentra no vício pela inocente porta das drogas permitidas, socialmente aceitas e naquele tempo até  com uso admirado por expressar o glamour da riqueza – o lança-perfume, cigarros e as bebidas alcoólicas. Perde a saúde pela falta de orientação e ignorância vigente numa época em que preservativos praticamente não existiam como prevenção de DSTs; segue orgulhoso, negando-se ao tratamento que acreditava lhe causaria impotência; ruma impávido colosso pelo caminho que lhe foi permitido como celebridade optar  pelo não tratamento de uma doença ainda, quem pode saber, em estado inicial.

O que eu não gostei no filme é que tudo é tão sutil, apenas o destino implacável e soberano, como aquelas antigas  fábulas de moral e bons costumes que os avós  contavam na  esperança que com elas os netinhos se tornassem bons meninos.

Não aparece no filme, a derrocada do atleta devido o erro do diagnóstico que apontava esquizofrenia, em vez da sífilis cerebral que lhe corroeu os nervos e destruindo os seus neurônios, mostra com clareza a isenção dos médicos do clube em não obrigá-lo a tratar-se. A trama nos conduz ao pensamento que ele foi apenas alguém que perdeu para si mesmo e a derrota assumiu forma retumbante porque ele não sabia perder. A tranquilidade da normalidade com que o seu melhor amigo lhe rouba a mulher parece dizer “bem feito pra esse menino mal”…

Como o jogador protagonista da 1ª maior negociação no futebol na época,  Heleno volta desprestigiado tanto por ter amargado a reserva como pela dispensa do Boca Juniors da Argentina, com neurônios a menos e ouvindo vozes dá ao Vasco o campeonato Carioca de 1949, único da sua careira sem aparecer no pôster oficial dos campeões pelo rotineiro motivo:  suas brigas. Sem noção da realidade, certo de que o tempo, a doença e o vício em álcool e éter não lhe atingiriam vai para a Colômbia e se torna lá, ídolo. Já muito atingido pela doença, cheirando éter para sobreviver,  sua esposa Hilma, no filme, Sílvia (Aline Moraes) pede o divórcio e  Heleno tenta com desespero recomeçar no América do Rio onde realiza o sonho de pisar no Maracanã, mas por apenas 35 minutos.

O que não está no filme:

· A Segunda Guerra Mundial impediu a realização de duas copas, 42 e 46, duas oportunidades a menos para um jogador cujo tempo corria mais rápido que para os outros. A cena em que Heleno, depois de ameaçar o técnico Flávio Costa com uma arma sem balas, toma uma surra, o tiraria da sua última oportunidade de deefender o Brasil no campeonato mundial de 1950.

· Em 1942, Heleno foi o artilheiro do campeonato Carioca com 28 gols, marca até hoje não atingida no Botafogo que teve como sucessores de Heleno, Dino, Paulo Valentim, Amarildo, Garrincha, Jarizinho, Roberto Miranda e Túlio Maravilha.

· Em 1952 Heleno estava louco e foi diagnosticado como esquizofrênico. Internado numa clínica do Rio de Janeiro amarrado em uma camisa-de-força, tomou choques, apanhou e fugiu. Foi encontrado com uma faca nas mãos gritando que mataria se o levassem de novo para a clínica.

· Sua esposa, Hilma (que no filme se torna Silvia) era filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes. Este, dedicou ao noivo “Poema dos Olhos da Amada” – obra que seria seresta na voz do cantor Sílvio Caldas.

· Foi no Fluminense, em 1938, através de Carlomagno, que Heleno de Feitas apresentado como jogador de meio-campo, passou a atacante.

· “Jogo do Senta” em 10 de setembro de 44, Heleno era o capitão e principal jogador do Botafogo, que vencia o Flamengo por 5 x 2 e o jogadores rubronegros sentaram-se no gramado. A torcida alvinegra gritava “senta para não levar mais”.

· Mania de grandeza, discurso sem nexo e confusão entre fantasia e realidade são as principais manifestações psiquiátricas da doença também conhecida neurossifilis ou sífilis terciária, a PGP é uma manifestação tardia da doença que paralisou cada órgão do ex-atleta.

· Aos trinta 38 anos, Heleno pesava pouco mais de 40 quilos, tinha o quadro mental de uma criança de 5, falecendo vítma da PGP – Paralisia Geral Progressiva.

Estatísticas:

Data de nascimento: 12/02/1920 / São João Neponucemo (MG)
Data falecimento: 08/11/1959 / Barbacena (MG)
Posição: Atacante

Clubes
1939-1948: Botafogo-RJ
1948-1949: Boca Juniors – Argentina
1949-1950: Vasco da Gama-RJ
1950: Atletico Barranquilla – Colômbia
1951: America-RJ

Títulos
Copa Roca: 1945
Copa Rio Branco: 1947
Carioca: 1949.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011)

Desprezando o tom clássico de uma biografia tradicional, José Henrique Fonseca criou um filme irretocável, quando optou por tratar da vida do jogador Heleno de Freitas realçando o lado cinematográfico da estória. Realçou o ídolo e mito enfatizando o lado perfeccionista do personagem que por vezes justifica sua arrogância e violência em limites extremos sem enfatizar sua origem nobre ou apelar sem critérios para o seu conhecido e voraz apetite sexual.

O trabalho extraordinário de Rodrigo Santoro, no melhor papel de sua carreira até então, ajuda a amalgamar talentos quem incluem um roteiro preciso recheado de diálogos e falas inteligentes, o elenco de qualidade, montagem e música (ópera e canções famosas) perfeitas além de uma maquiagem notável entre vários outros méritos na obra.

O resultado calcado na atmosfera glamorosa dos anos 40 é esplêndido, sobretudo por conta da acertada decisão de realizar a bela e delicada foto em preto e branco que valorizou o lado poético do personagem em closes impressionantes e sequências granuladas emocionantes, dentre os quais vale destacar a pungente discussão dos doentes no sanatório e a briga das crianças fãs na praia.

No final, o personagem precocemente devastado pelo éter e pela sífilis, mantem a altivez honrando o apelido de “Gilda”, uma alusão ao célebre papel sedutor de Rita Hayworth. Pelo menos no mundo do cinema, parece que em telas distintas e não menos clássicas, nunca haverá mesmo uma mulher como Gilda ou um homem como Heleno.

Carlos Henry

P.S.: Detesto futebol e não sou fã do Rodrigo Santoro.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011). Brasil. Direção: José Henrique Fonseca. Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Orã Figueiredo, Henrique Juliano, Duda Ribeiro. Roteiro: José Henrique Fonseca, Felipe Bragança, Fernando Castets. Fotografia: Walter Carvalho. Gênero: Biografia, Drama. Duração: 116 minutos. Inspirado no livro Nunca Houve um Homem como Heleno, do jornalista Marcos Eduardo Neves.

BICHO DE SETE CABEÇAS, Rodrigo Santoro e algo mais…

Se vocês gostarem do filme, indiquem para os seus amigos. Se não gostarem, indiquem para os inimigos. Mas, por favor, indiquem. Rodrigo Santoro.
BICHO DE SETE CABEÇAS, Rodrigo Santoro e algo mais…

Abro este espaço para  registrar a minha admiração e meu carinho ao jovem e talentoso ator brasileiro Rodrigo Santoro. Ele é o cara, como se diz na linguagem moderna  e não se pode deixar de elogiar quem é merecedor, ainda mais quando é um produto nacional tipo exportação.

A primeira vez que vi Rodrigo Santoro na telona, foi atuando em  seu primeiro longa, o BICHO DE SETE CABEÇAS, e me deixou impressionada, com a certeza de seu talento e apostando que ele teria um futuro promissor. Minha curiosidade de  fã levou-me a pesquisar a sua biografia. Rodrigo Junqueira dos Reis é de Petrópolis,   nasceu no dia 22 de agosto de 1975 e o ‘Santoro’ é sobrenome de fantasia. Estudou jornalismo na PUC do RJ e cursou  a Oficina de Atores da Rede Globo, mas em seu primeiro teste para a minissérie Sex Appeal ele foi reprovado, porém naquele mesmo ano conseguiu uma ponta na novela Olho no Olho, depois, entrou no elenco de Pátria Minha, e a partir daí não parou mais, e decolou para a carreira internacional.
Rodrigo Santoro atuou internacionalmente pela primeira vez no ano de  2005, em um comercial de um perfume ao lado da atriz Nicole Kidman. Depois se deu ao luxo de recusar  convite para protagonizar a novela Bang Bang da Rede Globo, aí ele já despontava  carreira mundial atuando na terceira temporada de LOST que estreou no Brasil em 2007, e mesmo sem tempo aceitou também o convite para a  minissérie  Hoje é Dia de Maria. No fim de 2006 foi indicado para o ranking dos homens mais sensuais do planeta, promovido pela revista norte americana People. Ele foi considerado o MELHOR ator no Primeiro Festival Iberoamericano de Cine “Cero Latitud” do Equador. Ganhou também prêmios de melhor ator em vários outros festivais de cinema do Brasil e do Exterior.
Quando a história é boa, o ator ótimo, e a direção maravilhosa, o resultado só podia ser uma obra de arte. O filme Bicho de Sete Cabeças é ficcional, mas pode-se assistir como um documentário, baseado em fatos reais do próprio autor do livro Canto dos Malditos,  o brasileiro Austregésilo Carrano Bueno, no qual ele  conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições.

A expressão Bicho de Sete Cabeças tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules.

A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

A adaptação e a história real, em certos momentos, fundem-se.  Austragésilo (autor) e Neto (personagem), adolescente de 17 anos, usuário de maconha e outros medicamentos de uso restrito, passa por maus bocados quando o seu pai depois que encontrou a erva  em sua mochila, resolve interná-lo em um  hospital psiquiátrico, sem ao menos comunicá-lo. O rapaz só descobriu ao chegar lá. O pai,  pensou que estaria fazendo o bem tentando curá-lo do ‘vício’, mesmo sabendo que o moço era apenas usuário. Neto foi transferido de um hospital a outro sem ao menos ter sido examinado, e foi submetido a muitas torturas e eletrochoques. Isso durou, aproximadamente, três anos, até que, desesperado, ele ateou fogo em sua própria cela, para chamar a atenção das autoridadess por tudo o que estava passando, e conseguiu. O ato despertou seu pai, que depois o tirou do manicômio. Neto acabou sofrendo muito, inclusive nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. As conseqüências das torturas sofridas nos hospitais tornaram-se irreversíveis. O moço ficou impotente e meio idiota.

O título do filme vem da canção Bicho de Sete Cabeças interpretado por Zeca Baleiro na qual a própria letra é referência aos acontecimentos trágicos dessa história protagonizado  por  Neto (Rodrigo Santoro) e seus amigos moradores da periferia de São Paulo, onde a historia se passa. Sem recursos financeiros, o lazer e o entretenimento, dos jovens   era pichar muros e fachadas públicas, ou distrair-se fumando maconha nas madrugadas, até que um dia o rapaz cai nas mãos da polícia.  Maconha, por lei, é droga ilícita, considerado crime. Contrário do o cigarro, ainda dito charme da burguesia. O vicio da mãe do rapaz interpretado por atriz Cassía Kiss, é menos hediondo do vício de seu pai, vivido pelo ator Othon Bastos, bebedor de cervejas, vendidas livremente nos bares, mercados, praias, rotuladas como drogas lícitas. Hoje só considerado crime “SE dirigir, NÃO beba!” Assunto que daria muitas filosóficas defesas de teses.

No hospital psiquiátrico é que começa a tortura e a tragédia do moço; lugar que deveria salvá-lo, é que acaba destruindo-o aos poucos; um lugar horrivelmente real, verdadeira fábrica de loucos, sujo, pessoas maltratadas, sem alimentação, sem cuidados pessoais, em péssimas condições de higiene, e diariamente dopadas, deixando seqüelas para toda a vida.

A trilha sonora foi  composta por canções de diversos estilos, desde mpb, rock, rap e punk.
Bicho de Sete Cabeças
Zeca Baleiro

Não dá pé

Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez desapareça
Cresça e desapareça…
Não tem dó no peito
Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
Eu não fiz nada disso
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças…
Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça (Não tem ninguém que mereça)
Não tem coração que esqueça (Não tem pé, não tem cabeça)
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito (Não dá pé, não é direito)
Não tem nem talvez ter feito (Não foi nada, eu não fiz nada disso)
O que você me fez desapareça (E você fez um)
Cresça e desapareça… (Bicho de Sete Cabeças)
Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!
Bicho de Sete Cabeças!
(Repetir a letra)

Bicho de Sete Cabeças foi dirigido por Laís Bodanzky e  o autor do  roteiro é Luiz Bolognesi. Laís teve muita dificuldade para captação de recursos porque os patrocinadores  não queriam ver o nome da marca vinculado a um filme que falava de drogas, preconceito e hospícios. Mesmo com poucos recursos ela conseguiu fazer bonito, este maravilhoso filme.

Assisti a uma reportagem na tevê educativa falando do projeto Cine Tela Brasil sob a responsabilidade dessa cineasta e do seu marido Luiz Bolognesi,  cujo objetivo seria exibir  sessões gratuitas itinerantes em cidades dos estados brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.  É claro que o projeto tem um patrocinador, mas estou comentando isso porque a ideia de levar o cinema aonde não chega e para quem não pode pagar é formidável. O Cine Tela Brasil funciona dentro de um caminhão que transporta todo o equipamento profissional,  necessário, além de cadeiras que são montadas e desmontada a cada exibição, (quatro sessões por dia) e para a minha alegria, sempre com exibição de um filme brasileiro.  Não sei se o projeto ainda existe, mas de uma coisa tenho certeza: por onde passou, fez muita gente feliz, gente que nunca havia assistido a um filme, viveu essa experiência única.
Rodrigo Santoro, Cássia Kiss, Othon Bastos, elenco de primeira, assim como a montagem o roteiro, a fotografia, a música, tudo nos conformes. Considero Bicho de Sete Cabeças um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Cenas marcantes, emocionantes, e a realidade de muitos jovens de maneira crua e real.
Penso que todo brasileiro deve se orgulhar do seu país e da sua gente quando alguém brilhantemente o representa mostrando que o Brasil é tão capaz quanto outras nações destacando-se na ciência, nos esportes, nas artes em geral, fazendo bem o dever de casa em qualquer área.

Desejo a Rodrigo Santoro tudo de bom, que continue brilhando em sua carreira e nos representando muito bem com todo o seu talento. Nota 10 para ele e para este filme!

Aplausos.
*
Para quem gostou de Bicho de Sete Cabeças deve prestigiar também “AS MELHORES COISAS DO MUNDO” que está na lista dos filmes nacionais pré-candidato ao Oscar 2011. Torçamos.

Karenina Rostov

CHE – O Argentino

che-o-argentinoEm seu segundo trabalho realizado com o ator Benicio Del Toro, (O primeiro foi o ja bastante conhecido TRAFFIC, que inclusive rendeu o Oscar de diretor ao próprio e o de Ator coadjuvante para Benicio, além de outros 2 Oscars na categoria Edição e Roteiro Adaptado) o diretor Steven Soderbergh apresenta um filme que não necessariamente é uma biografia sobre a vida e morte de Ernesto Guevara mas tão somente o período que abrange desde a concepção do plano revolucionário que se iniciou no México… o médico que se torna “porta-voz” de uma revolução e um ícone que perdura até hoje… a chegada dos rebeldes a Cuba por mar em 1956, e uma grande seção é dedicada a três anos de combates nas selvas da Sierra Maestra, até o “xeque-mate”, que foi a vitória em Santa Clara, em 1959.

Concebido inicialmente como um épico de 4h28 de duração, dividido em 2 atos, o filme foi apresentado na mostra de Cannes como um filme único de cerca de 2h de duração. E assim ele chegou por aqui.

A abertura é enfadonha pois se estende por 3 longos minutos mostrando a bandeira da Ilha de Cuba e suas divisões e na sequência da espaço a uma montagem confusa que misturam o ano de 57 e 64. Interessante destacar que o diretor optou por realizar toda a sequência de 1964 em preto e branco. Nesse período é retratada a presença de Che nas Nações Unidas, em Nova Iorque, seu encontro com o então senador, McCarthy. Essa passagem dá um realismo interessante pois faz referencias as imagens que se tem registro de discursos de Guevara, também em preto e branco.

Passada essa confusão inicial de montagem brusca o filme se encontra e acerta no ritmo e não se estende mais do que deve nem se torna cansativo como pode-se até se esperar.

O filme não toma partido de HERÓIS ou VILÕES e nem esmiuça a sua vida pós CUBA, como suas visitas a outros países da América Latina (Onde sua grande pretensão era espalhar a revolução armada por toda ela.) e tão pouco sua ida a países africanos. Muito menos sua morte pós captura. O filme é enxuto e não soa pretensioso justamente por não se alongar em questões foras do contexto da historia por ele narrada.

Verborragias e discursos prolixos sobre o tema a parte, é um filme que consegue falar num ícone bem conhecido de nós, latinos, sem o seu endeusamento e por isso mesmo acho válido. O filme não se prende nem em detalhes menores como Aelida (Catalina Sandino Morena), um mensageiro que acabaria por se tornar a mulher de Guevara e que no filme faz uma breve – apesar de importante – aparição.

Para concluir… parafraseando o próprio:

“PÁTRIA OU MORTE!”

Hehehe

NOTA 7.0

Esqueci de frisar algo que achei muito interessante porque dá um toque de veracidade a mais ao filme. Ele é todo falado em castelhano ao invés do sempre clichê inglês.

Por: Korben Dallas.

Che – O Argentino (The Argentine). 2008. Espanha. Direção: Steven Soderbergh. Elenco: Benicio Del Toro (Che Guevara), Demián Bichir (Fidel Castro), Catalina Sandino Moreno, Franka Potente, Rodrigo Santoro (Raul Castro), Benjamin Bratt (Ente). Gênero: Biografia, Drama, História, Guerra. Duração: 126 minutos. Baseado no livro ‘Reminiscências da Guerra Revolucionária Cubana’, de Che Guevara.