Uma Vida Melhor (A Better Life. 2011)

Uma-Vida-Melhor_2011O Diretor Chris Weitz faz uma leitura de “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio de Sica, para “estruturar” nesse seu filme. Em vez de termos a sofrida situação vivida por italianos no pós-guerra, Weitz desenrola a trama de “A Better Life” a partir do dia em que um pobre jardineiro – e imigrante ilegal – tem a sua camionete roubada.

um-vida-melhor_2011Carlos (Demián Bichir) é um pai viúvo. Seu filho adolescente nasceu nos EUA, e enfrenta alguns problemas na escola – com gangues do gueto onde moram. O conflito entre pai e filho é basicamente o mesmo que fora explorado no filme “La Mission” (2009), mas em “A Better LifeWeitz não discute questões sobre sexualidade, apenas faz uma sincera jornada ao quão difícil se torna a vida para quem é um imigrante ilegal, pois a lei nunca pode estar ao lado deles.

Lutando para dar um vida melhor para o filho, o destino de Carlos se torna cruel quando ele compra o seu próprio veiculo – mesmo sem ter carteira de motorista-, para assim capacitá-lo a ter mais trabalho. Porém um dos seus companheiros – também ilegal – rouba a camionete. Devido a sua ilegalidade, Carlos é incapaz de comunicar o roubo para as autoridades, mas isso não o impede de sair numa missão para conseguir a camionete de volta. De uma forma estranha, esta missão lhe traz para mais perto de seu filho, enquanto compromete sua vida nos EUA.

Particularmente, o roteiro é sobrecarregado com o drama e aflições dos personagens principais, e mesmo que as intenções de provir uma vida melhor para o filho sejam as melhores, Carlos em si tem uma vida de cachorro. Mas Demián Bichir é tão brilhante que faz o filme ser digno ser visto e revisto. A raiva, a confusão e a dor expressa no rosto de Bichir eleva o roteiro excessivamente sentimental – valendo mais do que qualquer diálogo num tipo trama já tão explorada.

Nota 6.0.
Por Rogério Silvestre.

P.S.: Fiquei muito feliz que Demián Bichir ter sido indicado ao Oscar por esse papel, mas gostaria que ele estivesse ao lado de outros atores que estiveram brilhantes nesse mesmo ano como Joseph Gordon- Lovitt por “50/50“, Leonardo DiCaprio por “J. Edgar”, Michael Fassbender por “Shame” e Ryan Gosling por “Drive.”

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Uma Saída de Mestre (The Italian Job. 2003)

uma-saida-de-mestre_2003_posterLadrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão? Brincadeira à parte! O filme “Uma Saída de Mestre” tem como pano de fundo em dar uma volta em que antes fora parceiro num grande roubo. E esse tal roubo, ou melhor, ambos os roubos é a tônica de toda a ação nessa nova leitura de “Um Golpe à Italiana” (1969) e Dirigido  F. Gary Gray.

Eu acredito nas pessoas, só não acredito no demônio dentro delas.”

Após todo um meticuloso roubo na Itália, levando milhões em barra de ouro numa fuga espetacular pelos canais de Veneza, um dos ladrões envolvidos, Steve (Edward Norton), trai a todos levando o produto do roubo. Pior! Ele até arma em dar fim a todos, mas na realidade um deles que morreu de fato, John Bridger (Donald Sutherland).

Do Velho Mundo partem frustrados para a América tentando levar a vida, como também em tentar encontrar o traidor. E acabam por encontrá-lo vivendo numa bela mansão com um grande aparato de segurança e usufruindo de tudo que o dinheiro possa comprar. Afinal, mesmo que ninguém mais o ligasse ao tal roubo, precisava se proteger de algum outro grupo tão bom quanto eles foram. Steve seguia a vida tranquilo até ser descoberto…

A diferença do amor e o ódio é que por ódio você mata. Por amor você morre.”

Acontece que Charlie (Mark Wahlberg) não apenas quer recuperar a fortuna roubada, como também quer vingar a morte do amigo Bridger que o considerava como um pai. Para isso terá que reunir os demais companheiros, como também tentar convencer a filha de Bridger a ajudá-los nessa nova empreitada. Ela é Stella (Charlize Theron) que herdara do pai o talento de arrombar cofres. Só que essa perita usa o seu talento ajudando a Polícia arrombando cofres em cenas de crimes, como também em testar os componentes de segurança. Stella ficará tentada entre seguir sua vida honesta ou aceitar o convite de Charlie para vingar a morte do pai.

Paralelo a isso temos Charlie em reunir os antigos comparsas. Onde cada um é dotado de um talento específico. A Charlie cabia traçar todo o plano. Lyle (Seth Green), o especialista em informática. “Ouvido Esquerdo” (Mos Def), o expert em explosivos. “Rob Bonitão” (Jason Statham), o galante sedutor para conseguir as informações necessárias ao roubo, como também o motorista oficial para a hora das fugas. E Steve, o grande vilão da história, se antes era quem despistava a polícia nas fugas, teria que usar todo o seu talento para se safar dos demais na nova empreitada.

Roubo, morte, traição, fugas alucinantes, perseguições… pode não ser nada novo. Dai se faz necessário contar e bem uma história. Algo que “Uma Saída de Mestre” faz. E para meu agrado, há cenas hilárias! Além de belas paisagens, uma Trilha Sonora ótima! Atuações incríveis! Num ótimo filme para ver e rever! Nota 08!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Uma Saída de Mestre (The Italian Job. 2003)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2. 2013)

meu-malvado-favorito-2_2013Meu Malvado Favorito 2” entra para a lista das continuações que deram muito certo! E mais! Com história bastante para outras continuações, e não estou falando do com os “amarelinhos”, os Minions, que está em fase de produção. Afinal, como o título original denota esse lado malvado no protagonista Gru (voz de Leandro Hassum) ainda pode entrar em várias terapia. Os personagens de Woody Allen que o digam. Fora que além dos minions há as três filhas do coração desse não tão vilão assim: Agnes, Edith e Margo.

Nesse segundo filme Gru de vilão passa a ser espião. O que faz aumentar a admiração que as filhas já sentia por ele. Afinal, ter um pai “007” aumenta também a fantasia nelas: a casa ganha mais movimentação. Só que em se tratando de Gru, até o “convite” vem de um jeito meio torto: colocam uma “estagiária” para isso. A jovem agente Lucy (voz de Maria Clara Gueiros). Que resolve já ir demonstrando todos os seus dotes e apetrechos para uma importante missão.

meu-malvado-favorito-2_os-minionsGru é levado até a Liga Anti-Vilões. Seu feito do “roubo da lua” o qualificou para um grande mistério: encontrar um laboratório que foi roubado por inteiro. Porque com ele foi uma fórmula em estudos, e meio ao estilo “Dr Jekyll e Mr Hyde“. Reforçando o que eu falei no início: “que bem e mal existem em todas as pessoas“. Ainda sem um antídoto, a vacina criaria uma legião de criaturas “do mal”. Mesmo tentado, Gru recusa. Afinal ele agora tinha uma família de fato para zelar. Mas as circunstâncias seguintes o levam a aceitar o novo desafio. Uma dessas consequências me fez lembrar do filme “Baby Boom” (1987), mas diferente do personagem da Diana Keaton, a produção de geleia de Gru nem saiu do laboratório: tinha um gosto intragável. O que foi a gota d’água para que o Dr. Nefario ir embora. Com um ego nas alturas, esse cientista “do mal” ainda queria uma vida de ação. Assim, Gru cancela sua aposentadoria e segue em missão com a Lucy: uma dupla que promete! Gru leva alguns minions, deixando outros cuidando das filhas.

meu-malvado-favorito-2_as-filhas-de-gruClaro que as três meninas – Agnes, Edith e Margo – também pontuam e muito nessa continuação. Margo, a irmã mais velha vai vivenciar o primeiro amor. Que nem tanto como “Romeu e Julieta”, mas que o pai do jovem é o suspeito principal. Fazendo Gru se dividir entre a espionagem: ora no vilão (voz de Sidney Magal), ora no jovem casal. Edith, a irmã do meio, vê essa vida dupla de Gru como uma herança paterna. Seu gosto por brincadeiras “de menino” ganha mais intensidade. Ela ama as invenções e as armas usadas pelo pai. Agnes, a irmã caçula, está na expectativa de sua primeira festa de aniversário, com direito a Princesa do Mundo Encantado. Como também da sua primeira apresentação de um evento para o Dia das Mães na escola. Levando Gru se dividir nisso também com ela declamando sua fala.

Meu Malvado Favorito 2” é diversão garantida! Diferente do primeiro, esse eu assisti em 3D. Mas creiam, o uso dessa tecnologia para esse filme é como a pipoca que se come durante o filme. Diverte, mas não entra como um coadjuvante de peso. O 3D será lembrado mesmo nos créditos finais com alguns minions tentando tocar o público. Falando neles, eles continuam divertindo e encantando! Até nas cenas musicais, indo da romântica “I Swear” à alegre e performática “YMCA“. Show! Um filme para ver e rever!

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2. 2013). EUA. Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud. Gênero: Animação, Comédia, Crime, Família. Duração: 98 minutos.

Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover – Part III. 2013)

se-beber-nao-case-parte-3_2013Eis que chega a última parte da trilogia ‘Se Beber, Não Case!‘ sob a batuta de Todd Phillips. Nos anteriores já havia de antemão a despedida de solteiro de um deles. Onde no primeiro “ganharam” de brinde o pancadão do Alan (Zach Galifianakis) por Sid (Jeffrey Tambor), o sogro do Doug (Justin Bartha). E Alan mostrou e provou que no quesito aventura urbana ele não faz por menos, apronta mesmo. Só que no fundo é um crianção. Talvez por conta disso Doug, Phil (Bradley Cooper) e Stu (Ed Helms) podem não ter caído de amores por Alan a princípio, mas depois fizeram dele um amigo. Com certeza mesmo o elo que o ligava aos três amigos já de longa data é por ser Alan cunhado de Doug. Por outro lado, Alan os tem como amigo, tendo Phil como um líder para essas loucuras. Algo que na cabeça de Alan é tudo normal. Até ter ficado amigo de outro louco como Chow (Ken Jeong).

se-beber-nao-case-parte-3_00Mas mais do que alguém carente de afeto, Alan extrapolou com sua última aventura. Mais precisamente com uma aquisição: a compra de uma girafa viva. Mais do que um brinquedinho, o sem noção dos limites do Alan termina provocando uma tragédia na auto-estrada, cujas consequências levou o pai a um ataque fulminante. Sem Sid que ainda detinha um certo controle sobre ele, sua mãe e irmã decidem interná-lo. Cabendo então aos três amigos levá-lo para a tal instituição.

E é quando a última aventura começa! Seria realmente a última? De qualquer forma, a caminho da clínica para doentes mentais tinha mais do que uma pedra a mudar o plano inicial. Sendo que dessa vez alguém corria risco de ser morto.

se-beber-nao-case-parte-3_01Como nas aventuras dos filmes de 2009 e de 2011, Doug também fica de fora nesse. Sendo que dessa vez a turma terá que fazer um servicinho para tirá-lo das mãos de um gângster. Onde entra em cena o personagem de John Goodman, o nem todo poderoso chefão Marshall. Que quer reaver algo que Chow roubou dele. E como Alan e Chow mantém contato, Doug fica de refém até recuperarem as barras de ouro roubadas. Assim, Phil, Stu e Alan partem para Las Vegas. Como bem disse o finado Sid certa vez: ‘O que acontece em Vegas, fica em Vegas!‘. Mas querendo também que o seja para Tijuana, no México.

se-beber-nao-case-3_02Além de trazerem personagens dos filmes anteriores, algumas participações merecem destaque. Uma é com a Melissa McCarthy. Ela faz Cassie, que se mostra tão louca como eles. Ela se encanta por um deles, e que há reciprocidade. Quem se lembra pelo menos um pouco do primeiro, viu que havia um bebê. Alan passou grande parte do filme carregando ele no colo até descobrirem a mãe dele. Pois nesse ele cresceu um pouco. Ele é Tyler (Grant Holmquist). O menininho não titubeou diante do louco Alan. Foi ótimo! Vida longa ao pequeno Holmquist!

se-beber-nao-case-parte-3_03O filme também traz como referências cenas de outros filmes, que termina como um ‘Quiz’ para quem assiste. Há como elo de ligação: a amizade, ou melhor, a cumplicidade entre os personagens. Uma seria com a fuga em ‘Um Sonho de Liberdade‘. Uma outra com a travessia da faixa de pedestre mais famosa do mundo. Uma, com o Alan no elevador bancando um funcionário do hotel me fez lembrar de uma em ‘Margin Call – O Dia Antes do Fim‘. Se foram homenagens ou não, já valeram pelo sorrisão no rosto.

Mas do que viverem uma nova e última aventura, ‘Se Beber, Não Case! Parte III‘ no final das contas também foi uma despedida de solteiro. Fechando assim o ciclo desse tipo de evento masculino a caminho do altar. Se bem que o final do filme deixou uma porta aberta para novas agruras… Ops! Digo novas aventuras com esses marmanjos. Que se vier, com certeza eu irei ver! Até porque um filme antes de tudo é entretenimento.

O Diretor Todd Phillips provou que sabe conduzir bem temas bem corriqueiros do Cinema. Atestado com mais esse. Conseguindo fechar e bem a trilogia com a saga desses homens em suas despedidas de solteiros. Mesmo  esse terceiro não tenha sido uma comédia rasgada quanto o segundo, eu gostei!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Beber, Não Case! Parte III (The Hangover – Part III). 2013. EUA. Direção e Roteiro: Todd Phillips. Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis, Justin Bartha, Ken Jeong, Heather Graham, Jeffrey Tambor, Sasha Barrese, Rachael Harris, Jamie Chung, Mike Tyson, John Goodman, Mike Epps. Gênero: Comédia. Duração: 100 minutos.

Um Plano Brilhante (Flawless. 2007)

Por Roberto Souza.

Uma Receita Contra a Mesmice

Se existe um gênero no qual os produtores investem seu dinheiro sem medo é o thriller. Mexendo com os nervos da audiência eles garantem o investimento e várias noites de sono tranqüilo. O filme de suspense caiu no gosto do público há tempos, desde que Sir Alfred Hitchcock explorou todas as suas possibilidades, vertentes e variações. Além disso, a presença de astros veteranos ou na berlinda, a convocação de um diretor competente e um script elaborado com um mínimo de engenhosidade garantem o sucesso da receita.

É o exemplo de Um Plano Brilhante (Flawless), estrelado por Demi Moore e Michael Caine, sob a direção do britânico Michael Radford. O roteiro original de Edward Anderson tem o mérito de conferir aos personagens principais uma sutileza pouco comum ultimamente, neste tipo de espetáculo. Situado na Londres dos anos 60, o enredo nos apresenta Laura Quinn (Moore), executiva de uma poderosa firma de diamantes, cuja ascensão profissional vem sendo barrada por ser mulher. Aos poucos, ela se aproxima do Sr. Hobbs (Caine), o velho zelador que foi descartado após toda uma vida dedicada à empresa. Juntos eles irão responder ao preconceito e à demissão esquematizando um golpe genial: o roubo de uma valiosíssima coleção de jóias, se vingando da corporação que friamente os menosprezou.

Radford (O Carteiro e o Poeta, O Mercador de Veneza, 1984), um realizador que costuma driblar a mesmice, conduz a narrativa com muita habilidade e acerta em cheio no ângulo da abordagem. Ao invés de apostar na trama, na armação do plano mirabolante, constrói o filme baseado na fragilidade dos protagonistas frente à estrutura que os devora. A impressão de que a tarefa está acima de suas capacidades e que andam sempre à beira do abismo, remete à tensão ao nível psicológico, garantindo uma densidade que confere equilíbrio ao todo.

Porém, em nenhum momento tal visão minimiza a diversão que todos procuram em histórias assim, muito pelo contrário. Ao final, a sensação que fica é da rara mistura de complexidade emocional e ação mirabolante, agradando aos olhos e à inteligência. Além do prazer de sempre rever a altivez natural de Michael Caine, e a grata surpresa de constatar que Demi Moore, amadurecida, tornou-se capaz de representar com sensibilidade, alcançando alturas que ninguém julgava possível.

Um gato em Paris (Une Vie de Chat. 2010)

Num tempo onde usam e abusam da tecnologia para contarem uma estória, “Um Gato em Paris” vem como um colírio aos nossos olhos. Uma Animação com técnicas simples, que sem os tais efeitos especiais, encanta. Dá gosto em acompanhar cena por cena pois parece que estamos diante de telas tiradas de uma Galeria de Arte. Agora, eu não sou conhecedora da Pintura Mundial por um todo. Por vezes, identifico uma tela ou um traço, daí mesmo que os autores quiseram homenagear Pintores Franceses, os traços dos personagens me lembraram Di Cavalcanti. Merecem aplausos pelo desenho como um todo! Lindo demais!

Como o título já diz, o personagem principal é um Gato: o Dino. De cor preta com umas listras rosadas. Talvez numa de homenagear a Pantera Cor de Rosa, já que esse filme aqui também é um Policial. Dino tem uma vida dupla. Durante o dia ele faz companhia a uma menininha solitária, a Zoé. À noite, ele acompanha um ladrão de jóias, Nico. E gosta de atazanar um cãozinho vizinho da casa de Zoé.

Zoé ficou traumatizada com a morte do pai, por conta disso, emudeceu. Sua mãe, Jeanne, uma Delegada de Polícia, super atarefada, quase não tem tempo para a filha. Ficando a menina aos cuidados da empregada, e afagada pelo Dino. Além de estar às voltas com roubos de jóias, Jeanne quer prender o bandido que matou o seu marido. Ele é Victor Costa. Ela usará a chegada de uma importante, e caríssima, escultura africana para prender Victor e seu bando.

O bando de Victor mais parecem uma turma de adolescentes que mesmo empenhados, são bem atrapalhados. Parte cômica, até na referência que fazem a “Cães de Aluguel”. Mesmo sabendo que terá toda a polícia parisiense protegendo o Colosso de Nairóbi, Victor fará de tudo para roubar a peça.

Assim como Zoé, Nico é um cara solitário. As jóias que rouba, ficam guardadas num cômodo. De hábitos simples, o ato de roubar não é um desvio de personalidade. Talvez seja mais como um exercício físico e mental à noite. O que também contará ao seu favor no final.

A vida desses três se unem por causa de um bracelete que Nico deu para Dino, e esse deu para Zoé. Jeanne ao ver a jóia, leva para a delegacia e confere que está na lista dos objetos roubados. Curiosa, Zoé aproveitando-se de falta de atenção da mãe para si, resolve seguir Dino. E terá uma aventura inesquecível numa única noite.

À primeira vista, o filme como Animação, e do jeito em que foi montado, me levou a pensar: “Um ótimo e não tão caro jeito de se contar uma estória.” Depois, pelo modo como hipnotiza, deixou a impressão que na cena seguinte iriam se materializar: que ai entrariam atores de carne e osso. De tão real que era a estória. Outro ponto alto está em nos mostrar a Cidade Luz com os seus mistérios na calada da noite. Tudo regado a um bom Jazz.

O final pode parecer como aberto, ou que pularam uma parte. Até por também se dirigir a um público teen, poderiam ter mostrado que o bom ladrão teve a prisão relaxada pelo o seu ato de bravura. Algo que não seria necessário se o público fosse todos de maior idade. Mesmo com esse único ponto negativo, eu dou Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um gato em Paris (Une Vie de Chat. 2010). França, Holanda, Suíça e Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd. Vozes: Zoé (Oriane Zani); Jeanne (Dominique Blanc); Nico (Bruno Salomone); Victor Costa (Jean Benguigui); babá (Bernadette Lafont). Gênero: Animação, Crime, Mistério. Duração: 70 minutos. Censura: 10 anos.