A Grande Aposta (2015). “Desenhando” a Crise/2008 Para Que Assimilem de Vez?

a-grande-aposta_2015_posterfinancial-crisis_us_comicsPor: Valéria Miguez (LELLA).
Um Professor diante de uma matéria muito complexa sabe que o caminho seria se expressar de forma lúdica. Ainda mais tendo que fazer uso de terminologias bem específicas. Explicando com humor torna a aula mais prazerosa e com isso os alunos terão mais chance de entenderem a lição de vez, ou quando não muito, o necessário. Digo isso porque foi meio por aí que “A Grande Aposta” me passou. O que em nada diminui o filme, muito pelo contrário! Mesmo tendo vindo como a didática de um Professor de Cursinho… É justamente essa aulinha para lá de bem humorada, do tipo que “mete o dedo na ferida”, que traz o diferencial do filme. Pois tendo que contar o que foi a Crise Financeira de 2007/2008, uma história tão bem decantada em 2011 por “Margin Call“, teria que ser por um outro ângulo. E meio que “desenhando” o Diretor Adam McKay conta essa história em especial para os próprios conterrâneos o ponto alto do filme! Muito embora creio que o pessoal de lá possam a vir não gostar muito, ou nada, quando de fato a ficha cair. Afinal, o “desenho” é principalmente endereçado a eles, os estadunidenses! Esse detalhamento como um PowerPoint de sala de aula fica também como um alerta para que ninguém se esqueça do que foi o maior golpe financeiro desse século. Crise essa que pode ser traduzida por “Como Aplicar um Mega 171 Impunemente!“. Algo que coloquei como subtítulo no do filme de 2011.

Agora, “A Grande Aposta” também nos traz um outro dado que não deveria ser esquecido: de que quase uma década já se passou e pelo jeito varreram tudo para debaixo do tapete… Vejam quem de fato foi o único punido. Pior! Pois as tais Agências de Classificações de Riscos (Standard & Poor’s, Moody’s…) continuam por aí “avaliando” até mercados internacionais e a serviço de um seleto grupo diretamente. Ou como temos visto atualmente no Brasil, os que usam de má fé essas avaliações para fomentarem uma crise… É! Elas seguem livres e se linchando para os que foram, são e serão ludibriados com as “projeções” dada por elas. Esses outros são os reais “patos” (Algo que também nos remete a história atual do Brasil…) Quer sejam eles pessoas físicas, jurídicas, ou mesmo países… são quem de fato pagarão as consequências desse capitalismo selvagem! Há uma cena no filme que enfatiza bem a perversidade do Sistema! Ainda restando um certo pudor no que fará, questiona uma delas por ter dado um “triplo A” para um título já em queda livre. Ainda perplexo com tudo, o personagem ouve que se ela não o fizer, perde “o cliente“. E ainda lhe põe em xeque: já que para ambos o que realmente interessa são os lucros! Que o prejuízo, os “patos” que paguem! Assim, se o Sistema do Mercado de Ações é bem cínico… Logo, Adam McKay fez muito bem em também o ser nesse filme! Bravo, McKay!

E seguindo de um jeito meio documental Adam McKay conta toda essa história em “A Grande Aposta“. Com paradas para as explicações do “economês” do Mercado de Ações usando até algumas Celebridades. Com clips bem dinâmico de acontecimentos, fatos, momentos em evidências ao longo desses trinta anos: desde a entrada dos Títulos Hipotecários no Sistema até o “desfecho” em 2008. Com uma ótima Trilha Sonora! Agora, como num desses clips eu ri muito, mas para não estragar de todo a surpresa… Direi que a inserção da foto de uma famosa dupla de um Filme já Cult, veio como: “Golpista é golpista, não importa se da plebe ou da elite!“. Perfeita a analogia! É hilário!

A-Grande-Aposta_2015_01Além disso, temos em “A Grande Aposta” um personagem como um mestre de cerimônia que ao contar como ele entrou nessa história acaba meio que contando a dos demais envolvidos diretamente na trama. Ele é o corretor Jared Vennett interpretado por Ryan Gosling. Vennett é um cara bem antenado! Ao ouvir uma certa história vai atrás de quem o ajudaria a confirmar o fato. Mas antes de falar dos demais, temos quem teve a tal grande sacada: Michael Burry. Personagem de Christian Bale. Burry é cara bem excêntrico, mas com um olhar clínico para os números, algo que o qualifica como um grande investidor, onde até então era bem quisto no meio. Foi ele quem identificou que os tais Títulos – a “menina dos olhos” de todo Sistema americano -, estava para ruir. Como ficou desacreditado decide lucrar em cima do fato. Apostando contra o mercado de então, mas com uma segurança. Ávidos não apenas com o capital de Burry, mas também com o que lucrariam dos demais, já que para eles eram favas contadas Barry perder, aceitam! Surge então os Títulos de Seguros Contra as Hipotecas. Não sei se foi proposital o Diretor colocar esse personagem com um certo problema físico… Porque sei foi, a analogia foi ótima! Por ter sido o único que vislumbrou o problema!

Com isso, foi com um dos corretores se gabando do lucro certo que teria com a derrota de Barry, que a história chegou aos ouvidos de Vennett. E por conta dele ir atrás de Barry, ou não… alertou uma Corretora. Quem está a frente dessa outra é Mark Baum, personagem de Steve Carell. Esse percebe que pode estar diante de um grande negócio, mas resolve investigar primeiro. Acontece que Baum está passando por uma grave crise pessoal… Somado ao seu jeito de ser de não ter papas na língua… O leva, ou melhor, nos leva a conhecer o quanto esse mundo não tem o menor escrúpulo em arruinar pessoas, empresas, nações. No filme ele seria um dos pesos pela moralidade e ética nessas, ou dessas negociações. Até por tudo que veio depois também com a tal grande aposta de Barry: quem de fato lucrou junto com ele, quem não arcou com o monumental prejuízo deixada por ela (Algo que mais especificamente pode ser visto em “Margin Call“…

Há ainda dois personagens ligado a tudo isso onde então entrará o do personagem de Brad Pitt! Eles são dois pequenos investidores que de posse do lucro resolvem entrar na Wall Street… Eles são Charlie (John Magaro) e Jamie (Finn Wittrock) que pareciam um pouco com Barry: de investirem em coisas que a maioria não acreditava que traria lucro certo. Assim, de posse da fortuna acumulada, vão em busca de um lastro maior para grandes investimentos… Nesse breve e frustrante caminho… ficam cientes dos planos de Barry… Tentam então contatar Ben Rickert (Brad Pitt): alguém respeitado na Wall Street, mas que se encontrava fora de toda aquela máquina: daquele que seria um circo dos horrores para muitos… Entretanto, mesmo longe de lá, para Rickert business is business, ainda! Paralelo a isso, essa dupla também tenta que alguém da imprensa noticie o que já estava acontecendo e o que estaria por vir… Para que os incautos, ou até gananciosos, do andar de baixo não caíssem no golpe dos poderosos que não iriam arcar com o prejuízo que a própria ganância os cegaram também para o que o Barry a princípio tentou mostrar… Enfim, todos nós estamos cientes quem caíram. Até porque isso já faz parte da cultura deles! Perdendo ou ganhando, a têm como a principal indústria!

O filme é muito bom! Mesmo que não queiram assistir pelo receio de um déjà vú, assistam! Pois “A Grande Aposta” não apenas traz uma radiografia bem cáustica do que foi essa crise, mas também porque o filme mostra que muitos poderão voltar a cair novamente em golpes parecidos: com uma nova roupagem. Afinal, além da impunidade, a crise mostrou aos do andar de cima as falhas do próprio sistema. Mais! Dando a eles mais know-how para o perpetuarem. Além dele não nos deixar esquecer quem afinal acaba pagando o pato! E salvo raríssimas exceções do andar de baixo que terão chances de conhecer o andar de cima e recebidos com tapete vermelho!

Vale também destacar ainda as atuações! Todos em uníssonos! Alguns bem caricatos, mas talvez para mostrar que mais do que os personagens em si é a história a grande protagonista ao mesmo tempo que pelo teor, também a grande antagonista. No qual eu darei um ‘9,5’ pelo conjunto da obra em “A Grande Aposta” porque a nota máxima ainda está com “Margin Call“! Agora, enfatizo é um Filme para ver e rever!

A Grande Aposta (The Big Short). 2015.
Direção: Adam McKay (co-Roteirista)
Baseado no livro homônimo de Michael Lewis.
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Tudo Pelo Poder (The Ides of March. 2011)

Tudo Pelo Poder é, definitivamente, sobre política, mas mais especificamente naquilo que acreditamos, ou melhor ainda, a quem optamos a votar. George Clooney – que tem cara de PAU, isso é, de político, cai bem no papel do candidato presidencial, o governador Mike Morris. Ele diz as coisas certas e, melhor ainda, as pessoas estão acreditando nele.

Ryan Gosling conduz o filme através dos seus olhos — é um ator expressivo onde se pode sentir através do seu olhar, quando o seu personagem esta perturbado, ou cheio de determinação ou vazio por causa de tanta decepção. Tudo que seu personagem está sentindo está ali em seu rosto!. Clooney, Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti estão muito bem, mas o show pertence a Gosling. Nao que aqui, ele merecesse ser indicado ao Oscar, pois achei que RYAN brilha muito mais em DRIVE. Também gostei muito de Evan Rachel Wood– ela arrasa no glamour!!!!.

Não li a peça de Beau Willimon “Farragut North”, mas o filme não detalha muito sobre o processo político nos Estados Unidos, embora mesmo assim seja um drama político- sem levar para a sátira!. O filme não foca em um drama pessoal, mas explora muito bem as intrigas, mentiras e traições daqueles que estão atrás de uma campanha política!. O elenco esta PERFEITO, e Clooney ACERTOU a mão em filmar e editar o filme de uma forma bem tradicional de um bom drama, e isso em 101 minutos!!!!.

Talvez o seu final aberto possa incomodar alguns, mas não esperava um DRAMA pesado para os atores precisarem atuar de uma forma tão visceralmente assim!. Não creio que essa era a proposta da fonte original que Clooney tinha em mãos!. TUDO pelo PODER é um conto realista sobre o jogo da política e de como a política pode mudar a vida, e o espírito dos envolvidos!.

E nao tenho vontade de rever o filme, o qual ja se encontra em DVD!.
Nota 7.5.

Drive (2011). E Tinha uma Loura no Meio do Caminho…

É o Amor / Que mexe com minha cabeça / E me deixa assim / Que faz eu pensar em você / E esquecer de mim / Que faz eu esquecer / Que a vida é feita pra viver.”

Meio brega, mas mesmo com uma belíssima Triha Sonora era esse estribilho que vinha em minha mente durante o filme. Grudou de uma maneira tal que ao final do filme eu vi o porque. Já que o protagonista fez o que fez por amor. Seu coração era a única máquina que ainda não sabia guiar. E por conta disso, capotou feio. Pois é! Temos em “Drive” a história de um cara que apesar de tudo tinha um lado romântico escondido em si.

Mas não se trata de um Drama Romanceado, “Drive” é muito mais. É também um excelente Thriler. Porém desliguem o reloginho de querer adivinhar a trama do filme. Desliguem principalmente o botão do politicamente correto. Para ir de carona junto com esse herói bandido. Pois será uma viagem alucinante. E quem é ele?

Ele é Driver. Isso mesmo! Alguém sem passado. Sem um nome próprio. Que leva nessa identidade a marca do seu talento maior: é muito bom no volante. Mas ele não apenas guia, ele sempre buscou conhecer o carro por um todo. Para ai sim ter o domínio por completo. Foi por conta disso que um dia pediu um emprego na Oficina Mecânica de Shannon (Bryan Cranston), caindo nas graças desse. Shannon vendo o potencial de Driver, o leva para ser Dublê em cenas de perseguição de carros. Driver é o personagem de Ryan Gosling. Que está com uma excelente performance. Aplausos para ele!

Assim, esse pacato cidadão tem dois empregos a tomar o seu dia, mas também tem um outro que lhe ocupa durante a noite. O de Hollywood também lhe rende outros ensinamentos para esse seu ofício noturno. Se com a ajuda de Shannon tem uma máquina turbinada, é nas filmagens que aprende a se manter calmo diante do perigo. Com isso, é preciso nesse outro trabalho. Driver aluga o seu talento para ser o motorista de fuga em um assalto. Onde mantém toda a calma. Toda a tensão recai nos assaltantes. Se cercando de cuidados, até para eventuais acidentes de percurso, ele não admite vacilos de quem contratou, nem de quem pensa em contratar seus serviços.

Tudo seguia dentro dessa normalidade, até que se esbarra numa vizinha do prédio onde morava. Mesmo ficando muito pouco em casa, um dia teriam que se cruzar. Ou pelo corredor, já que moravam no mesmo andar. Ou no elevador… Enfim, Driver arriou os quatro pneus por aquela lourinha. Fora amor à primeira vista. Ele até tentou ignorá-la, mas seu lado cavalheiro não poderia deixar de ajudá-la numa hora que o carro dela enguiçara. Ainda mais com compras e um garotinho. No fundo, ele até gostou desse momento família. Mas ela era casada. Às vésperas do marido sair da cadeia.

Ela é Irene. Personagem de Carrey Mulligan. Não sei se pesou na escolha da atriz e em ficar com os cabelos louros o fato de ter dado muita química entre Ryan Gosling com duas louras em trabalhos anteriores: com Michelle Williams em “Blue Valentine” e com Kirsten Dunst em “Entre Segredos e Mentiras“. Se sim ou não, o fato que Carrey Mulligam também conseguiu que sua Irene desse química com o Driver de Ryan Gosling. Irene e Driver trafegam entre a amizade e uma relação perigosa. E Benício (Kaden Leos), o filho de Irene, também se encanta com Driver.

Sendo Driver muito bom no volante, cresce uma outra cobiça em Shanon. Em fazer dele um piloto de corridas. Mas faltava grana para o investimento inicial. Ele recorre então a Bernie Rose. Personagem de Albert Brooks. Um coadjuvante de peso! Com isso um novo tipo de holofotes recai sobre Driver. Acontece que Bernie vê nisso uma chance de se livrar de uma dívida. Sem contar para os dois, traz Nino (Ron Perlman) para participar dessa empreitada. O jogo complica. E para piorar a estrada de Driver, Standard (Oscar Isaac) já sai da prisão com uma grande dívida. Como um aviso de cobrança, é espancado, e à vista de Benício. Driver então, pelo amor à criança, além da Irene, resolve quitar a dívida desse.

Há algo dentro de você / É difícil de explicar / Estão falando de você, garoto / Mas você ainda é o mesmo.” (Nightcall)

Mas quando caiu em si, já era tarde demais. Ele não sabia que esses caminhos convergiam em um único ponto. Se entrou teria que arranjar um jeito de sair. Essa seria a rota de fuga mais difícil que já fizera. A mais perigosa. A mais traiçoeira. E pensar que Hollywood era logo ali. Mas a realidade ali não trazia roteiro pronto. Ele que teria que ser o autor, e em tempo real, se queria ter de novo o controle da sua vida.

O Diretor Nicolas Winding Refn começa muito bem sua carreira. Ganhando a Palma de Ouro 2012, em Cannes, para a Melhor Direção. Mesmo diante de um ótimo Roteiro, tem nas cenas sem falas a certeza de também ter escolhido bem os atores. Como escolhera bem a história. O filme é baseado no livro homônimo de James Sallis. Agora, o filme está tão completo, que nem me fez querer ler o livro. Sei lá, pode ser que o Driver do livro não seja como o de Ryan Gosling. Esse quase domina por completo o filme. Excelente do início à cena final. Além disso, destacando também a Fotografia. Onde conhecemos os arredores de uma Hollywood a quilometros da dos cartões postais. E embalados numa Trilha Sonora perfeita a nos guiar por essas ruas junto com Driver.

Então é isso! Não deixem de ver “Drive”!
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tudo Pelo Poder (2011). Até tu, Brutus!?

Ter esse quarteto – George Clooney, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Ryan Gosling – nos créditos, por si só já seria um grande convite para assistir esse filme. Mas por trazer os bastidores de uma campanha política já era um aditivo a mais. Acontece que “Tudo Pelo Poder” centra esses bastidores em um marqueteiro. Alguém jovem e que sente o gosto do poder. Pronto! Era conferir e…

Numa campanha política temos de lado um candidato como um produto a ser vendido, e de outro, os eleitores que irão comprar ou não resultado dessa publicidade. Tudo é bem calculado, ainda mais se há um interessante cargo em jogo: candidatura a Presidência da República. Consultores Políticos podem até dar um background histórico como suporte. Mas atualmente se faz necessário a presença de um marqueteiro.

Em “Tudo Pelo Poder” temos um breve momento na vida de um excelente marqueteiro. É o personagem de Ryan Gosling, o Stephen Meyers. Um cara que tem uma excelente visão espacial, conseguindo com isso até mudar os holofotes da mídia enquanto apara algumas arestas. Mas tão focado nessa sua recente carreira, e talvez até pelo arrojo da juventude, acaba esquecendo algo simples, e essencial: em solidificar uma amizade. Não a que faz parte do jogo de interesse. Mas sim uma verdadeira amizade.

Amizade essa que teria sem sombra de dúvida com Molly Stearns. Personagem Evan Rachel Wood, que teve uma ótima atuação. Mas com Molly, Stephen só quis sexo, e depois, em usá-la para um outro fim. O poder já o seduzira, mas esse fora um erro menor diante do seu perfil. Ciente de que era muito bom, o ego inflamou, a ponto de não ver que caíra numa grande teia. Ai, pensou que teria uma ajuda em alguém que considerava uma amiga, Ida Horowicz (Marisa Tomei). Mas Ida sabia que essa relação era pura fachada, e de um jogo de interesse por ambos os lados. Principalmente por conta do cargo dela: ser Correspondente Política do The Times.

Na verdade, Ida considerava muito mais Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), o Consultor Político do Governador Mike Morris (George Clooney). Stephen estava subordinado a Paul. Esse que era o braço direito de Morris, e há décadas. O trabalho de Stephen tinha um caráter temporário. Consistia em fazer com que Morris fosse eleito pelo Partido Democrata para então concorrer a Presidência da República.

O adversário de Morris, o Senador Pullman (Michael Mantell), tem como homem forte, Tom Duffy (Paul Giamatti). Esse, diferente de Paul, que tenta sempre colocar a ética à frente dos seus passos, e que não tem um Stephen Meyers a seu dispor, sabe que terá que jogar pesado para o seu patrão/candidato sair-se vencedor no importante estado de Ohio. Tanto Paul como Duffy terão que “vender” bem seus candidatos aquele que detém um número considerável de votantes: o Senador Thompson (Jeffrey Wright).

O Marketing Político está a serviço de quem, ou de que? E é isso que o filme mostra. Se toda a campanha publicitária traz algo novo, como a exposição diante da tv e da internet, por outro lado todo o jogo político já vem de muito longe. É a referência histórica que está no título original “Os Idos de Março“: a data se refere a conspiração sofrida por Júlio Cesar, onde foi assassinado pelo seu Consultor Político, Brutus. Então, nessa campanha política, um único erro pode ser fatal.

Não é o primeiro trabalho de George Clooney como Diretor, mas quero focar apenas nesse filme. A escolha dos atores fora perfeita! A história é ótima! Mas ao final do filme me perguntei se com um outro Diretor, ficaria um filme nota 10. Faltou trabalhar, explorar, trazer à tona toda a carga emotiva em cenas importantes. Faltou a Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Ryan Gosling algo mais visceral. De arrepiar. De querer rever o filme. Eles foram ótimos, mas porque são muito bons. Faltou muito pouco para emocionarem. O que me faz pensar que a falha ficou na Direção.

Agora, em ano de eleições a cargos públicos, podem acrescentar com certeza esse filme a lista de filmes a serem visto. É um ótimo filme! Mas não me deixou vontade de rever.
Nota 09.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Tudo Pelo Poder (The Ides of March. 2011). EUA. Direção: George Clooney. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 101 minutos. Baseado na peça “Farragut North” escrita por Beau Willimon.

“Drive” ( 2011)

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O triunfo do filme de Nicolas Winding Refn, se chama Ryan Gosling, que mais uma vez se transforma. O cara não erra uma, por exemplo, este ano Gosling igualmente brilha na comedia “Crazy, Love, Stupid”, e  “The Ides of March”, mas é  por “Drive” que ele deveria ser destinado ao Oscar em fevereiro proximo.

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Refn inspira uma sensação profunda de saudade, amor, choque e pavor, que faz desse filme uma obra interessantissima. “Drive” é centrado nas consequências das escolhas feitas por criminosos e o estado profundamente meditativo da vida que pode vir a ser um reflexo dos crimes que cometemos ao longo dos anos. Achei o filme uma jóia, principalmente o personagem “Driver” (Gosling), um mecânico de automóveis, dublê de Hollywood e piloto de automóveis em potencial de ações que ocasionalmente faz bicos como motorista de fuga criminal. Gosling cria um personagem que é calmo sob pressão, metódico, concentrado , confiável e, claro, um grande motorista. Ele evoca o espírito de cowboy-solitário de Clint Eastwood, e a intensidade de Steve McQueen. Suas escolhas o assombram e, finalmente, o colocam em uma posição onde ele deve buscar a redenção diante do mal que corrompeu o único bem em sua vida.

Num mundo cheio de dor e miséria, o “motorista” de fala mansa que, encontra um grande vázio na vida da sua vizinha, Irene (Carey Mulligan), a quem ele abriga um amor a distância. Quando ele consegue insinuar-se, é instantaneamente encantado com o afeto de Irene, mas logo sofre com a presença de Standard (Oscar Isaac) marido da sua amada, que sai da prisão!. O mais interessante é que em vez de lutar  por sua felicidade, “Driver” tenta ajudar Standard a dar um futuro melhor para Irene e ao filho do casal. Em uma fuga criminal, onde Standard está envolvido, termina em tragédia, deixando “Driver” numa situação onde suas intenções pesa diante da consequência de sua escolha.

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Dirigido numa estética neo- noir, numa mistura inebriante de tom de cores, ângulos interessantes e ideais naturalistas- brilhante trabalho do diretor Refn e o seu fotografo Newton Thomas Sigel-, “Drive” ainda tem outros grandes triunfos, principalemente na trilha sonora de Cliff Martinez, a qual tem um valor indispensável para a narrativa do filme. O elenco é muito bom, com destaque para Gosling e um irreconhecivel Albert Books, que interpreta o vilão.

Nota 8.5

Entre Segredos e Mentiras (All Good Things. 2010)

O filme é baseado num caso real – o desaparecimento de uma jovem, em 1982, no seio de uma rica e tradicional família novaiorquina. Onde o Diretor Andrew Jarecki leva o espectador a conhecer de perto toda a estória. Mesmo ela sendo contada pelo principal suspeito, o marido da jovem. Em “Entre Segredos e Mentiras” mais que tirar conclusões sobre como ocorreu o desaparecimento – já que o filme lança suspeita de como aconteceu o sumiço -, ele nos leva analisar os principais envolvidos: além do jovem casal, o pai do suspeito. Até por conta disso eu fiquei na dúvida: mergulhar na personalidade de cada um desses três personagens – David Marks (Ryan Gosling), Katie Marks (Kirsten Dunst) e Sanford Marks (Frank Langella) -, ou fazer um resumo de modo a motivá-los a ver esse filme. Pois o filme é muito bom! Tentarei não trazer spoilers. Muito embora o filme nos leva mais a um estudo dessas personalidades.

Não sei se pelo fato do ator, ou da estória desse sumiço que fica sem uma punição, ou até por ambos, o lance foi que pensei em “Um Crime de Mestre“. Sem que isso deponha contra o filme, talvez reforce a performance de Ryan Gosling para esse gênero de filmes. Nesse aqui, é ele quem brinca com todos que queiram penalizá-lo pelo sumiço da esposa. Parodiando o outro: “Matei minha esposa. Agora provem!

O filme começa com duas vozes em off, dentro de um tribunal, em 2002. Uma dessas vozes é de David. E nesse interrogatório, ele retrocede no tempo. Esses flashback começam na sua infância. Onde tudo parecia ser saudável. Principalmente a relação dele com a mãe. Depois o filme avança até o dia em que ele conhece Katie. A estranheza que ambos sentiram pela ida dele até o apartamento dela, é meio que explicado mais tarde, já num almoço entre Sanford, David, Katie e a mãe dela.

Aos olhos de Sanford, Katie era uma interesseira. Mas sendo ela culta, e pelo filho estar muito apaixonado, ele faz vista grossa. Só interferindo depois. Mas não a ponto de ver o filho como um sociopata. Aos olhos dele, David era um fraco. Com o desenrolar da estória ficamos sabendo o porque de carregar uma culpa. E que devido a ela, fez o que fez pelo filho. Só não deu a ele o controle da empresa.

Katie se encanta com David, e até com tudo que ele pode lhe oferecer. Mas depois vai descobrindo que o marido não era quem ela imaginava. Fantasiara, mesmo ele tendo lhe dito certas coisas. Não que isso o abone pelo o que ele fez. Mas fica uma reflexão no porque dela ter voltado atrás no rompimento ao saber que sairia sem grana nenhuma. É fácil falar com conjecturas, mas vem a ideia de que sairia sim sem um tostão, mas sairia viva desse casamento.

Sobre a personalidade de David, deixo a sugestão em especial a todos da área psico: terão nele um excelente material de estudos. Para mim, leiga no assunto, o relaciono a uma sociopatia num grau maior. Para os não leigos, talvez já dariam-no como um psicopata.

E o que levou, ou melhor, o que trouxe à tona vinte anos depois esse desaparecimento, tem como consequência esse julgamento que ouvimos desde o início do filme. Levando David a uma queima de arquivos.

Além de toda essa trama, que nos deixa até perplexos, é interessante ver como era a Times Square naquela época. Esse é daqueles filmes que dá vontade de rever logo em seguida, pois deixa a impressão que perdemos uma peça desse jogo. Tamanho é o fio condutor sobre tudo o que aconteceu. Tudo amarradinho num filme muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Entre Segredos e Mentiras (All Good Things. 2010). EUA. Direção: Andrew Jarecki. Roteiro: Marcus Hinchey e Marc Smerling. Gênero: Crime, Drama, Mistério. Duração: 101 minutos.Censura: 16 anos.