Boa Noite, Mamãe (2014). Um único defeito… nesse primor do Terror!

Boa-Noite-Mamae_2014_posterPor: Carlos Henry.
Logo que começa esta pérola austríaca, é inevitável não lembrar de outra joia do terror psicológico dos anos 70: “A Inocente Face do Terror” (The Other), de Robert Mulligan. Até no curioso fato de os atores principais, também terem emprestado seus nomes verdadeiros aos personagens principais: Um misterioso par de meninos Gêmeos. Embora a trama seja diferente, os diretores de “Boa Noite, MamãeVeronika Franz e Severin Fiala certamente se inspiraram naquele trabalho notável de 1972 para criarem este suspense de 2015, onde os irmãos Lukas e Elias Schwarz vivem uma difícil relação de desconfiança e agressividade com a mãe numa mansão isolada.

Boa-Noite-Mamae_2014Se em “The Other”, os meninos Chris e Martin Udvarnoky mantinham uma discreta bizarrice em sua dual relação com a família, no filme deste século os garotos descambam em dado momento para o mais explícito gore sangrento, o que quebra o clima tenso e enigmático do delicado conjunto artístico, sendo talvez o único defeito grave da obra. Apesar de arranhada pela relativa gratuidade da violência exagerada e desagradável que rompe abruptamente o ritmo lento e preciso da história, o filme é primoroso no que tange a seu invólucro, executado em gloriosos 35mm como é alardeado nos créditos finais. Ainda assim, um filme muito bom de assistir para os apreciadores deste gênero raro.

Boa Noite, Mamãe (Ich Seh, Ich See – Eu Entendo, Eu Entendo. 2014)
Ficha Técnica: na página do IMDb.

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Jogos Mortais (Saw. 2004)

“Quanto vale a sua vida? Quanto sangue você daria para continuar vivo?

Jogos Mortais (SAW) é um filme do gênero terror e fez um sucesso considerável no ano de seu lançamento, (mais de 600.000 assistiram nos cinemas) tanto que seus realizadores o transformaram numa série. O primeiro foi escrito pelo também ator Leigh Whannell, que se baseou no curta Saw ½ de aproximadamente dez minutos, de James Wan, o que deu origem a esta saga. Para muitos, Saw deveria terminar no terceiro episódio com a morte de John, o vilão, mas parece que está conseguindo sobreviver para sorte dos fãs do gênero tanto que conta já com um lançamento anual, caminhando para o sétimo exemplar.

Jogos Mortais não é um mero filme de terror com finalidade de mostrar simplesmente sangue e vísceras. Saw tem um argumento instigante, um roteiro criativo e inteligente; uma idéia original o que geralmente me atrai é exatamente o diferente. A produção é caprichada, este suspense psicológico é um dos melhores dos  últimos tempos. Destaca-se pela qualidade de um thriller, muito bem feito e de tirar o fôlego. A fotografia é o ponto alto como também a montagem, e a direção excepcional; as atuações competentes. Gostei do elenco, tudo nos seus conformes. Mesmo para quem não gosta de filme com cenas fortes e de muita violência acaba se interessando e assistindo por curiosidade, pelo trailer caprichado e também pelos próprios críticos que deram parecer bom, dando crédito e concordando que vale uma conferida, pois prende a atenção do inicio ao fim. Afirmaram que nada deixou a desejar aos clássicos de terror vampirescos, que sempre reservavam para o final o melhor dos sustos. Este não, é o tempo todo. O final surpreende, nada do tipo obvio.

Diz em um dos cartazes desta série: É o melhor serial killer desde Seven e uns dos melhores do gênero feito nos últimos tempos.

JOGOS MORTAIS – SAW – nada mais é que um jogo comparado aos simples ou super produzidos para computadores, ou aqueles joguinhos nossos velhos conhecidos de damas, xadrez, cartas etc, que certamente precisa de parceiros para que se concretize. Jogos Mortais, porém, vai além; é um Jogo de vida ou morte.

E o filme começa com a seguinte frase: QUE OS JOGOS COMECEM!

Jogos Mortais é um dois em um: um filme e um jogo. Quando se assiste em DVD, para se começar a rodá-lo, deve-se clicar, interessantemente, na palavra JOGAR, o que chamou a minha atenção.

Nesta primeira edição John é o vilão interpretado pelo ator Tobin Bell, mas aqui ele está desfocado, não é o centro das atenções, só será foco a partir do II episódio.

O jogo começa com duas vítimas trancadas e que acordam acorrentadas pelo pé num banheiro úmido, sujo e assustador; uma delas desacordada numa banheira cheia de água, e ao despertar, tamanho é o susto, esvazia a banheira e uma chave que se encontrava lá acaba indo pelo ralo; e outro corpo ensanguentado estirado de bruços no chão, parece estar morto, em uma das mãos segura um mini-gravador e em outra uma arma. Eles não sabem exatamente o que aconteceu e o motivo de estarem nessa situação até que o mistério aos poucos vai sendo desvendado.

Um dos presos é médico, Dr. Lawrence Gordon, e outro, um detetive, Adam Faulkner. Conversa vai, conversa vem, eles acabam seguindo pistas do porquê estarem naquele lugar e daquela maneira.

Adam: – Socorro, alguém me ajude!
Dr. Lawrence: – Não adianta gritar, ninguém vai te ouvir, eu já tentei.
Adam: – Acende a luz!
Dr. Lawrence: – Acenderia se pudesse. Eu sou médico. Acordei aqui como você. Sabe por que veio parar aqui?
Adam: – NÃO! E quanto a você?
Dr. GLawrence: – Hoje você vai se ver morrendo, Adam. O que pensa a respeito disso?

Dr. Lawrence  – Temos que pensar por que estamos aqui. Há um relógio novinho na parede. A pessoa que fez isso nos monitora através do tempo.

A primeira pista é Adam que encontra em um de seus bolsos, uma fita cassete dizendo: TALK ME. Conseguem dar um jeito de pegar o gravador que está na mão do corpo estirado no meio do chão. (No final é que se descobre que aquela pessoa estirada é o John, o vilão ou anti-herói desta história que acaba se levantando e eis o desfecho inesperado e surpreendente dessa história). A fita lhes dá a primeira coordenada, dizendo que devem encontrar algo para que se livrem da armadilha. Adam encontra dois pequenos serrotes. O maquiavélico jogador colocou com o objetivo de serrarem o tornozelo para se desvencilharem e escaparem, mas a dupla entendeu que era para serrar as correntes, o que não deu certo por serem grossas e acabaram desistindo. E foram encontrando outras pistas, outra fita e um celular que serviria somente para receber chamadas do jogador-mor.

Enquanto isso a polícia já começa suas investigações a partir de Amanda, garota bonita, porém transtornada por tudo que viveu e passou, nas últimas semanas e a sua luta para sair viva da situação absurda que se viu; ela uma ex-drogada que estava presa em uma armadilha juntamente com o namorado, e a pessoa que os prendeu é a mesma que agora “joga” com essa dupla. Amanda teve que matar o namorado para poder pegar uma chave que estava no estômago dele e se livrar da sua armadilha num tempo mínimo de menos de três minutos, caso contrário essa armadilha a detonaria, exatamente como acontece num game qualquer.

Para se entender essa história de vez, a filosofia de Jigsaw (John) é a seguinte: Quem ama a vida, não briga com ela, não a destrói, é “politicamente correto” E Amanda, não se amava, já que usava drogas o que acabava com sua vida aos poucos.

Amanda dizendo para o delegado: “– Foi por isso que ele te escolheu. Eu era uma viciada, e ele me ajudou, me salvou.”

Acompanhando as cenas dos próximos filmes se descobrirá a performance de Amanda como seguidora e ajudante de John. Totalmente mudada. Transformada numa exímia jogadora e súdita do rei dos jogos mortais. Quem te viu, quem te vê.

O médico Lawrence é um dos suspeitos da polícia, porque encontraram na cena de um dos crimes uma caneta dele, e ninguém sabia nem mesmo ele como ela foi parar lá. John, o vilão tem tumor cerebral (câncer) e, coincidentemente é paciente de Lawrence. No hospital, um dos enfermeiros sabe muito desse vilão e descobre-se que está metido na história dos “jogos” da cabeça aos pés; a princípio é um dos colaboradores de John; é ele que está monitorando no momento aqueles dois do início da história.

A polícia, o detetive David Trapp (Danny Glover) que foi escalado para conduzir esta investigação, e rastrear o serial killer juntamente com o seu companheiro acabam descobrindo o esconderijo do jogador. E “voam” para o local. Lá encontram a próxima vítima, todo amarrado numa cadeira, pronto para ser executado. São recebidos pelo que passei a chamar de bonequinho vil andando numa bicicleta. Esse bonequinho está presente nas histórias falando por John, quase sempre pelo monitor, passando as informações aos jogadores.

A dupla de policiais procura se esconder ao perceber que o assassino esta prestes a executar essa vitima, mas John percebe a presença de ambos e tenta matá-los. Corta o  pescoço de um deles e acerta com um tiro o outro. Enfim, o sortudo vilão consegue escapar.

Enquanto isso o médico e seu colega continuam se questionando a fim de descobrirem o motivo de estarem presos e o tempo começa a se esgotar.

O médico era infiel, traia sua esposa com uma colega de trabalho; o detetive fora contratado para tirar fotos para o policial David (Glover) que o tinha como suspeito. Enfim, para o vilão, segundo a sua filosofia, todos teriam motivo de sobra para não continuarem vivendo até que se provasse o contrário. O médico resolve serrar seu tornozelo para poder escapar. Pega a arma que esta no chão, atira no seu companheiro de cárcere que não morre, enquanto o médico sai se arrastando e sangrando muito para procurar ajuda.

Na verdade, John, nunca matou ninguém, então ele não é assassino. Indiretamente ele tenta por meio de suas vítimas, fazer com que uma elimine a outra. O objetivo dele é dar propósito à vida dos jogadores.

E no fim ele diz que as pessoas não dão valor ao que possuem, e que algumas pessoas são ingratas por estarem vivas, e tem sempre aquele que merece segunda chance.

E ele fala: – “Nestes últimos anos você fez de tudo para morrer (jogo de vida ou morte). Agora você tem tanto tempo para tentar. A ironia de tentar viver. Mas seja rápido porque a porta estará trancada e o quarto será o seu túmulo. Mas não você; nunca mais.” E conclui dizendo a célebre frase:

“GAME OVER.” Trancando definitivamente Adam naquele lugar.

O Jogo Terminou.

Neste primeiro o clima de terror psicológico e mortes são considerados incríveis e sem clichês. A história é bem coerente e procura desvendar os mistérios e a razão em comum dos escolhidos a participarem desse Jogo Mortal.

***

Como dizem os fãs “Perfeito! Soberbo! Surpreendente! Tornou-se um clássico do gênero.”

O expectador acaba entrando no jogo, tornando-se bem participativo, mesmo não conhecendo as regras acaba aprendendo e como se sair delas. Ética e lição moral, conseqüências dos atos. A platéia em certas cenas parece se identificar e vê a vida girando como se estivesse em um carrossel, baseando-se nas vivências e experiências humanas. Ficção e realidade mesclam-se.

Usa-se freqüentemente da abordagem e função social de um filme para se dizer se ele é bom ou ruim e todos os elementos que se esperam do dito “qualidade”. A trama está bem amarrada. Pode-se assistir aos jogos seguintes independentemente de não ter assistido a sequência ou a todos da série, pois o recurso flashback está ativado. Assista e saberá.

É surpreendente do início ao fim. Gostei. Recomendo! Que venham os outros jogos!

Karenina Rostov.  Blog: Letras Revisitadas.

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título original:Saw
gênero:Terror
duração:01 hs 42 min
ano de lançamento:2004
site oficial:http://www.jogosmortais.com.br
estúdio:Evolution Entertainment / Saw Productions Inc.
distribuidora:Lions Gate Films Inc. / Paris Filmes
direção: James Wan
roteiro:Leigh Whannell, baseado em estória de James Wan e Leigh Whannell
produção:Mark Burg, Gregg Hoffman Oren Koules
música:Charlie Clouser
fotografia:David A. Armstrong
direção de arte:Nanet Harty
figurino:Jennifer L. Soulages
edição:Kevin Greutert
efeitos especiais:Title House Digital

Topo.

Curta: Batman: Dead End (2003)

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Acreditem ou não, antes do reinício da franquia do homem morcego (Batman Begins e The Dark Knight), este foi considerado por muitos como o melhor filme feito para o personagem de todos os tempos. Detalhe: estamos falando de um Fan Film.

Para quem não sabe o que é um Fan Film, como diz a expressão, é um filme amador e não-oficial feito por fãs, geralmente inspirado por filmes de ficção científica, quadrinhos ou desenhos animados. Como não são filmes autorizados, eles não podem ser distribuídos por questões de copyright. Portanto não possuem fins lucrativos e na maior parte das vezes são curtos e de baixo orçamento (geralmente realizados apenas para serem exibidos em alguma feira promocional de SCI-FI ou para um trabalho de conclusão de curso). Com o advento da Internet agora eles são facilmente acessíveis, portanto eles estão crescendo em quantidade e qualidade.

A história traz um Coringa sádico e insano (que eu desconfio que possa ter servido de modelo para aquele interpretado pelo falecido Heath Ledger) que acaba de fugir do Asilo Arkham, uma espécie de Guantánamo de Gotham City.

Batman então é acionado e passa a perseguir o vilão pelos becos de Gotham City. Misteriosamente, o Coringa é arrebatado por um – preparem-se – Alien! Na sequência o mesmo Alien vai para cima de Batman, que graças a um raio disparado por um Predador (!!!) consegue sair ileso raio. Batman está em fogo cruzado: está havendo uma caçada! Resta saber como Batman lidará com a iminente ameaça ao planeta Terra.

O mais interessante aqui não é a história, embora nenhum elemento tenha sido esquecido: Gotham City está mais dark do que nunca. A histeria do Coringa está explícita assim como o ódio de Batman pelo inimigo. Os Aliens continuam criaturas repugnantes e insanas. Os Predadores continuam com a ética e moral de caçadores alienígenas intactos.

O que chama a atenção realmente é a qualidade da produção, que está muito acima da média dos fan films, senão acima mesmo da média dos filmes anteriores. O Batman, até aquele momento, nunca havia sido tão bem caracterizado. Ele nunca esteve tão próximo ao herói que encontramos nos quadrinhos em sua fase mais sombria.

Além disto, esta salada-mista entre três franquias de peso pode ser vista no formato cinematográfico, algo pensável somente nos quadrinhos até então (os chamados crossovers)!

Portanto, clique aqui e confira este curta metragem de apenas 8 minutos que deixa muitos fãs com gosto de ‘quero mais’.

Por: Evandro Venancio. Blog: EvAnDrO vEnAnCiO.

Link IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0374526/
Filme na Íntegra: http://www.youtube.com/watch?v=vUQ0jrIuHQA

Batman: Dead End. 2003. EUA. Direção e Roteiro: Sandy Collora. Clark Bartram, Andrew Koenig.

Sob Controle (Surveillance. 2008)

surveillanceEu que ainda achava que tivesse algo no passado do psicopatas que trouxesse uma explicação para tamanha perversidade, definitivamente concluí com esse filme, ‘Sob Controle‘, que não entendo mesmo deles. Nem com os que se enquadram na terminologia mais recente: sociopatas. E não estou me referindo a descobrir quem são eles. Mas sim por ter ficado pasma porque matam pelo simples prazer de matar. Chegam até a um gozo numa das cenas. Pelo jeito não há nenhum histórico traumático que os levem a esse sadismo. Nem a de que foram molestados na infância.

Nesse filme é como pegar uma carona paralela a eles, protegidos é claro. Observando aquela matança toda. É muita carnificina em tão pouco tempo. Embora já existia uma busca deixado por uns serial killers, o filme vai de um dia ao outro. Ele já começa por um dos ataques deles à noite. E segue na manhã seguinte com eles pegando mais algumas pessoas pelo caminho. Gente que pegaram a estrada em férias. No caso, inocentes na história.

Pois é! Temos em ‘Sob Controle’ um road movie de serial killers.

Se eu fosse definir o filme seria: jogo de palavras. Mesmo sendo tão bem definido no título original: surveillance. Pois quase todos ali estão medindo as palavras. No que irão dizer porque têm lances a esconder. Mesmo uma das sobreviventes ao mais recente ataque deles, uma menininha (Ryan Simpkins), desenhando mais do que falando, ela também segue controlando o que irá desenhar. Já as duas outras testemunhas, uma jovem e um tira, têm um porque de não contarem tudo. Embora estivessem inocentes nesse crime, não são nada inocentes em outros. Para eles seria algo como: estar no lugar errado e numa hora pior ainda.

Enquanto prestam seus depoimentos naquela manhã ficamos sabendo o que fizeram antes. Mas não são dispensados porque chegam dois agentes do FBI que vinham no rastro dos criminosos. Os dois são Elizabeth Anderson (Julia Ormond) e Sam Hallaway (Bill Pullman). Fazia tempo que não assistia filmes com esses dois. Só a menção do nome da Ormond eu pensava logo em ‘Sabrina‘. Com o Pullman em  ‘Gasparzinho‘. Agora terei para esses dois esse filme. Pois eles mandaram bem em ‘Sob Controle‘. O personagem de Pullman teve uma hora que me fez lembrar de um do De Niro. Só não digo em qual para não trazer um spoiler.

jennifer-lynch_surveillanceO filme é muito bom! A Diretora Jennifer Lynch está de parabéns. Para um universo com muito mais homens dirigindo filmes, ela começa bem a sua trilha. Embora eu não tenha visto o seu anterior, o ‘Encaixotando Helena‘, parabenizo-a por esse. E pelo sobrenome já dá para imaginar de quem é filha. É! O pai dela é David Linch.

Pelo suspense do filme, para não tirar o prazer de vocês, é que não fui mais fundo na análise dessa trama. Posso voltar a assistir sim, mas deixando passar um bom tempo. Agora, para quem gosta de um bom Trilher fica a sugestão. Assistam. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sob Controle (Surveillance). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Jennifer Chambers Lynch. Elenco. Gênero: Crime, Drama, Policial, Suspense. Duração: 98 minutos.

Contos Proibidos do Marquês de Sade (Quills. 2000)

Contos-Proibidos-do-Marques-de-Sade_2000Marquês de Sade deu origem ao termo muito comum e falado hoje em dia: Sadismo. Em sua época, em plena Revolução Francesa, as perversões tão feitas e faladas pelos homens passaram a ser condenadas pelo princípio de Igualdade, Fraternidade e Liberdade; Sade, então, foi tido como louco e perturbador da ordem, preso por 27 anos liberava suas perversões via escrita.

Não importa a tão comum discussão se Sade foi ou não um perverso, é elementar esse embate quando pensamos no quão escandaloso pra época escancarar o sadismo e o masoquismo como ele fez.

O filme narra sua história já contada no tempo de sua prisão, por ter sido a época de sua vida em que mais escreveu. Como era Marquês (Geoffrey Rush), tinha algumas regalias, escrevia seus contos e os divulgavam através de Madeleine (Kate Winslet), lavadeira do local. Ele e Madeleine tinham uma forte ligação, até sexual, mas no que tange no gozo de um escrever e do outro ler pra si e para demais pessoas as histórias sexuais contidas naqueles papéis. Gozo em chocar com as mais sombrias perversões que os homens dão conta de pensar e fazer. Gozo no exibicionismo sádico da exposição do tesão que perturba a mais carola freira de um convento medieval.

Contos-Proibidos-do-Marques-de-Sade_2000_02No filme, tal qual na época, os asilos e sanatórios eram governados e/ou mediados pelo Clero, já que tratava-se de obra demoníaca tanta “possessão sexual”. O Padre do filme, tão bem interpretado por Joaquin Phoenix, um dos confidentes de Marquês, é tentado o tempo todo por ele no que se refere à Madeleine…

É muito interessante notar como as perversões sexuais extrapolam o sexo em si, onde deveria acontecer todas as fantasias tão desejadas, e vazam na vida de cada um como um duelo entre o Bem e o Mal da moralidade/imoralidade/amoralidade da época.

Cenas chocantes, mas com um toque artístico que faz desse filme um dos melhores “no ramo” sado-masoquista. Não pense que vai ver sexo selvagem e torturas gostosas não, a dominação sexual psicológica é atuante o tempo todo; o que faz desse filme uma obra artística daquilo dito ser tão sujo pelos medievos recalcados de outrora e da atualidade.

Por: Deusa Circe.

Contos Proibidos de Marquês de Sade – Quills

Direção: Phillip Kaufman

Gênero: Drama, Sexo

Alemanha, EUA, Inglaterra – 2000

Lua de Fel (Bitter Moon. 1992)

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Muito cuidado ao pensar nesse filme, pois ele dá margem para muitos viéses de pensamentos pela temática abordada que vai de encontro com questionamentos inevitáveis de serem feitos.

Direção de Polanski com elenco que “prometeu e cumpriu”, o filme é um mergulho em queda livre numa relação que mescla o sadismo e o masoquismo no amor e no ódio. Uma viagem – materializada num Cruzeiro – sem voltas e ao extremo de uma paixão desproporcional e perigosa.

Os elementos sadismo/masoquismo e exibicionismo estão no filme com um requinte inigualável. O vouyerismo fica por conta de quem vê e enxerga o que o filme quer mostrar, pois a sedução é tão bem explorada por Polanski que os olhos vidram na tela pedindo por mais e mais.

Polanski não é econômico! Ele dá! Ele dá um filme que retrata a relação de Mimi (Emmanuelle Seigner) e Oscar (Peter Coyote) e nos provoca ao extremo com a seguinte questão dita por ele, mas através da boca de Oscar: “os casais deveriam se separar no auge da paixão e não esperar por seu inevitável declínio”.

Será que em algum momento deixaram de se amar?

Eu penso que não.

Penso que se amaram até o fim numa ambição desenfreada sustentada por uma completude sintomática de perder o fôlego.

E viva o sadismo!

“Todos têm traços de sadismo, nada como ter alguém a sua disposição para revelá-los”; diz Oscar pra si mesmo…

Ele usufruiu seu sadismo de todas as maneiras, viveu seus fetiches com paixão e Mimi até o acompanhou como pôde. Deu conta de muita coisa, coisas que não fazem parte de uma submissão e entrega BDSMista, inclusive. Seu erro, se é que existem erros no jogo incerto da vida, foi deixar de se olhar para obter o olhar do outro…

Apenas olhou pra si quando Oscar já não tinha condições de enxergá-la além de sua própria culpa…

… é… também acho que vocês dois foram ambiciosos demais, babies… Mas com paixão, quem não é guloso?

Ficha Técnica: Lua de Fel (Bitter Moon). Direção: Roman Polanski. França – Reino Unido . 139 minutos. 1992.

Por: Deusa Circe.