Seus Cem Anos Fizeram Companhia a Solidão de Muitos! Valeu Gabo!

gabriel-garcia-marquez_cem-anos-de-solidaoSe o exercício da leitura é num momento de solidão, de quem escreve precisa antes estar em meio as vozes do mundo para buscar a inspiração. E então, talvez, um recolhimento para encontrar o tom certo da história. Gabriel García Márquez partiu para o mundo, mas foi numa volta às raízes que vislumbrou que tinha em sua bagagem uma grande história. Nessas tiradas em que o destino presenteia alguém, sua mãe lhe chama para vender a casa dos avós com quem passara a infância. E entre memórias da família e lendas populares do interior da Colômbia, nasce “Cem Anos de Solidão“.

Cem anos de solidão” se passa na fictícia aldeia de Macondo e acompanha ao longo de gerações a saga da família Buendía. Obra prima literária da segunda metade do século XX é um livro que dispensa apresentação e que deveria ser lido principalmente pelos latinos americanos.

Eu li Cem anos de solidão há muito tempo atrás. Com isso traçar uma análise de toda a história ficariam muitas lacunas. O mais certo seria reler o livro e que até o faria com prazer, mas com o falecimento de Gabriel García Márquez não teria tempo hábil para então prestar um tributo a esse grande escritor. Deixando essa singela homenagem a quem não chegou aos cem anos de idade, mas que por certo suas histórias nos levaram a viver tanto quanto.

Assim, contando algo que ocorreu-me tão logo terminei de ler Cem anos de solidão”, deixando como sugestão para quem for ler ou mesmo reler o livro. Pegue uma folha em branco e um lápis. Vá montando uma árvore genealógica à medida que for avançando na leitura. Comece pelo personagem principal José Arcadio Buendía; o casamento com Úrsula Iguarán; os nascimentos de filhos e netos; marcando também as mortes… Pois a trama é muito rica em personagens e histórias até particulares. Com esse diagrama em paralelo parece que fazemos a mesma trajetória ao mesmo tempo e com isso sem perder nada. E foi assim que quando eu reli e chorei no final. Quando se sente no âmago a solidão desses cem anos.

Difícil não era inventar histórias. Difícil era fazer um norte americano, um europeu acreditar na realidade de qualquer país da América Latina.” (Gabriel García Márquez)

O Escritor se vai (1927/2014), a Obra permanece!
Aplausos a Gabriel García Márquez!
Vai em Paz!.

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O Tempo e o Vento (2013)

o-tempo-e-o-vento_2013Jayme Monjardim já provou que o cinema definitivamente NÃO é a sua praia quando alguns anos atrás, quase destruiu o livro de Fernando Morais, transformando sua instigante obra “Olga” num filme insosso e pálido apesar da grandiloquência.

Afeito a superproduções, Monjardim arrisca-se novamente ao adaptar a série literária de Érico Veríssimo e transforma “O Tempo e o Vento” numa espécie de seriado televisivo de gosto duvidoso, cheio de closes intermináveis (ainda que alguns bem vindos, como o de Thiago Lacerda e sua bela estampa) e situações incompatíveis com um verdadeiro épico da tela grande.

A saga regional do início do século XX, originalmente repleta de paixão e guerras no sul do Brasil não consegue deslanchar em momento algum, especialmente no início modorrento.

Atrelado a um ritmo comprometido e irregular, a estória se perde num roteiro canhestro cheio de falas risíveis e de pouca densidade. Tudo se prejudica com os sotaques inconvincentes de parte do elenco obviamente mal preparado para pronúncias e línguas. Mesmo Thiago Lacerda, que defende bem o seu personagem do Capitão Rodrigo, protagoniza cenas embaraçosas com sua entonação forçada, prejudicando a sua boa composição. A situação toda é agravada com produção, figurinos, maquiagem e fotografia algo descuidados e ordinários para um trabalho deste porte.

Por sorte, temos Fernanda Montenegro no elenco, emprestando dignidade e talento indiscutíveis ao seu personagem Bibiana Terra, em todas as cenas em que aparece, salvando o filme da mais completa mediocridade.

Por Carlos Henry.

O Tempo e o Vento. 2013. Brasil. Direção: Jayme Monjardim. Gênero: Drama, Épico, Ficção Histórica, Guerra, Romance. Elenco: Thiago Lacerda (Capitão Rodrigo Cambará), Cléo Pires (Ana Terra (jovem)), Suzana Pires (Ana Terra (adulta)), Fernanda Montenegro (Bibiana (idosa)), Marjorie Estiano (Bibiana (jovem)), Janaína Kremer (Bibiana (adulta)), Luiz Carlos Vasconcelos (Maneco), César Troncoso (Padre Alonzo), José de Abreu (Ricardo Amaral), Paulo Goulart (Ricardo Amaral Neto), Leonardo Medeiros (Bento Neto), Vanessa Lóes (Maria Valéria), Mayana Moura (Luzia), Igor Rickli (Bolívar), Matheus Costa (Pedro Missioneiro (jovem)). Duração: minutos. Baseado na trilogia homônima de Erico Verissimo.

Sudoeste. (2011)

Cuidado! Definitivamente, “Sudoeste” de Eduardo Nunes não é para qualquer plateia acostumada aos produtos de fácil digestão ou sequências vertiginosas e barulhentas que infestam as telas. No entanto, está longe de ser pretensioso ou chato se houver disposição para encarar uma experiência nova, intimista e silenciosa. Portanto é necessário esquecer COMPLETAMENTE os celulares (Por que parece tão difícil e doloroso nos dias de hoje?), os cochichos e pensamentos evasivos. Relaxe, respire fundo e tente imergir no estranho e fascinante clima ambientado numa vila pacata, carente e supersticiosa perto do mar.

Magnificamente fotografado em preto e branco num ousado e raro formato panorâmico muito mais estreito do que o usual 2:35.1, valorizando os horizontes das paisagens à larga, as imagens deslumbrantes começam a surgir para contar sem nenhuma pressa a saga de Clarice, uma menina cuja mãe faleceu no parto e foi resgatada em segredo por Dona Iraci (Léa Garcia). A velha é conhecida como bruxa pelo povo da região e atiça a curiosidade das crianças que se aproximam de sua palafita no meio da água para descobrir seus segredos e supostas forças ocultas. Logo, Clarice decide explorar a vila à procura dos meninos e encontra personagens e situações que parece ter vivenciado em algum outro momento.  A partir deste momento, é exigida do espectador uma boa dose de sensibilidade para perceber que não se trata de uma estória ordinária e linear. Clarice, já crescida (A ótima Simone Spoladore) oscila intemporalmente seus momentos de criança e adulta onde encontra personagens que se confundem e convergem com habilidade para um momento chave: Uma situação de violência sexual que irá marcar a vida de Clarice em toda a sua existência. João que é seu novo amigo poderá ter sido seu irmão e algoz num outro momento, bem como seu próprio pai pode ser um estranho ou inimigo disfarçado por uma máscara bizarra de folia folclórica. Os papéis secundários como o da amante vivida por Dira Paes são perturbados pelos acontecimentos aparentemente sobrenaturais, tanto quanto a audiência menos experiente que corre o risco de estranhar este intrincado jogo de cena.

A obra deve ser encarada como um experimento belo, original, onírico, singular e poético sobre um ciclo de pessoas que chegam e partem como o vento do título (Que permeia todo o filme como outros sons da natureza). Definitivamente ou não.

Por: Carlos Henry.

Sudoeste. 2011. Brasil. Diretor: Eduardo Nunes. Roteiro: Guilherme Sarmiento, Eduardo Nunes. Elenco: Simone Spoladore, Raquel Bonfante, Julio Adrião, Dira Paes, Mariana Lima, Everaldo Pontes, Victor Navega Motta, Regina Bastos, Léa Garcia. Gênero: Drama. Duração: 129 minutos. Classificação: 12 anos.

A Lenda dos Guardiões (2010). Um 3D bem aproveitado.

Um dos pontos positivos nessa febre por versões em 3D, para mim, está em levar um público maior para os Cinemas. Depois, em se ele faz realmente toda a diferença em seu uso num filme. E nesse, “A Lenda dos Guardiões“, o 3D foi muito bem aproveitado. Sendo a estória ambientada no universo das corujas, assim grande parte das cenas se passa à noite, onde o 3D veio dar um maior destaque aos personagens com a escuridão por trás. Nos períodos diurnos, o 3D também teve boa aplicação. Os vôos das corujas é impactante, principalmente com as peninhas das aves ao sabor do vento. É de se perguntar o que mais teriam em tecnologia no Gênero Animação. Tudo fantástico. Então, fica já a sugestão de irem assistir em 3D. Vale o ingresso!

O grande motivador para que eu fosse assistir, fica por conta dos personagens: Corujas. As dos cartazes por si só já eram um convite para mim. Eu sempre gostei delas, desde criança, mais ainda quando fiquei sabendo que são o símbolo da sabedoria. Nos Zoos, só eu parava para vê-las… Uma delas, das Telas, que eu amei, é o Arquimedes, de “A Espada Era a Lei”. Agora terei outras para guardar com carinho na memória: Soren, Eglantine, Gylfie, Crepúsculo e Digger.

Eu assisti a versão dublada, e já disse em outros textos, que sendo em Animação, eu não ligo mesmo. Por gostar das vozes dos Dubladores Brasileiros escolhidos para esse Gênero de Filme. Mas preciso me dedicar um pouco mais nisso, até para ligar a voz a pessoa. Em “A Lenda dos Guardiões“, não foi diferente: as vozes escolhidas foram excelente. Assim, quis já deixar aqui os nomes: quem dublou quem. Fiz uma longa pesquisa pela net, mas não há muitos divulgando os nomes das vozes aqui no Brasil. Nessa pesquisa pela net, eu só encontrei o de quem dublou o Kludd (o irmão malvado do Sorem): Clécio Souto. O jeito foi usar o telefone… E cheguei ao Estúdio que fez a Dublagem: a Delart. Por telefone, me foi passado alguns nomes. Mais que divulgar, uma homenagem a esses Profissionais: alguns dos Dubladores Brasileiros de A Lenda dos Guardiões:
– Soren -> Gustavo Pereira
– Kludd -> Clécio Souto
– Gylfie -> Luisa Palomanes
– Digger -> Gustavo Nader
– Ezylryb -> Mauro Ramos
– Nyra -> Mariangela Cantú
– Echidna -> Isaac Bardavid
– Bico de Ferro -> Jorge Vasconcelos
– Grimble -> Alexandre Moreno
– Pete -> Iago Machado

Em ‘A Lenda dos Guardiões‘ temos nele a saga de um herói. Assim sendo, todo o caminho mítico de um herói, está presente. A saber: foi separado dos pais; não pediu pela missão, ela foi apresentada de forma abrupta, e sem chance de recusa; parte para a missão a princípio acompanhado, mas depois terá que seguir sozinho; se decepcionará por alguém a quem era muito devotado; a missão não apenas muda o universo onde vive, como também a si próprio. Sendo o filme baseado em três dos quinze Livros contando toda a sua saga, só parte desse caminho foi mostrado. Para quem amou ler todas as aventuras do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, vai acompanhar toda essa estória com brilho nos olhos. E até ficar com vontade de que venha logo a continuação. Como também em ler todos os volumes escrito por Kathryn Lasky. O filme é altamente recomendado para quem traz o gosto pela leitura desde a infância.

Sobre a estória do filme, de início conhecemos a família e o lar desse pequeno grande herói. Uma família de corujas cujo lar foi destroçado numa certa noite. Enquanto os pais saíram para caçar alimentos, os três filhos – Soren, Kludd e Eglantine – ficaram aos cuidados da babá, Mrs. Plithiver, uma cobra-cega. Soren é um sonhador. Adora ouvir, como interpretar a sua estória preferida: Os Guardiões de Ga’Hoole. De tanto ouvir, acredita piamente que eles existem, assim como o lugar onde vivem: aos pés da Grande Árvore Sagrada. Eglantine, a caçulinha, nutre um carinho especial por Soren. Diferente de Kludd, que ressente não ter do pai, a mesma preferência: acredita que o pai ame muito mais Soren.

Momento para que os adultos com filhos, observem se um dos seus também se sente excluído do amor paternal. E após o filme, dialogar com ele. Durante o filme, um afago já é uma boa pedida.

Soren e Kludd, aproveitando-se da ausência dos pais, resolvem aprender a voar. Soren já demonstra que será ótimo em vôo. contrário de Kludd, que terá que aprende a arte de voar. O que o deixa mais furioso. Ao desafiar Soren, ambos caem da árvore. Sendo raptados e levados para uma espécie de Quartel. Lá, há outras corujinhas também raptadas.

Numa triagem, as corujinhas são separadas. As que tem potencial para serem soldados, são separadas das que serão trabalhadoras braçais, no caso: com os bicos. É onde Kludd e Soren se separam de vez. Kludd vê ali, onde aprender a ser superior a Soren. As outras corujinhas passariam por uma lavagem cerebral. É quando Soren conhece Gylfie, e ela lhe diz como escapar disso. Então fingem-se. Mas um dos guardas, percebe. Acontece que ele ajuda os dois a saírem dali.

Mas em vez de voltar para casa, Soren vai em busca dos Guardiões de Ga’Hoole. Para com isso, não apenas libertar as outras corujinhas, como destruir a arma secreta que os guerreiros Puros planejam dominar toda a Floresta. No caminho, se reúne a eles: Crepúsculo e Digger. Juntos, é diversão garantida.

O filme é muito bom! E como já comentei, toda a tecnologia empregada, é o que mais prende a atenção. Foram brilhante. Nota 10. Vale muito a pena ver em 3D.

Por: Valéria Migues (LELLA).

A Lenda dos Guardiões (Legend of the Guardians: The Owls of Ga’Hoole). 2010. Austrália / EUA. Direção: Zack Snyder. Roteiro: John Orloff, Emil Stern. Gênero: Animação, Aventura, Fantasia. Duração: 90 minutos. Baseado nos três primeiros volumes – A Captura, A Jornada e O Resgate -, da Série ‘A Lenda dos Guardiões’, de Kathryn Lasky (- 01: A Captura; – 02: A Jornada; – 03: O Resgate; – 04: O Cerco; – 05: The Shattering; – 06: The Burning; – 07: The Hatchling; – 08: The Outcast; – 09: The First Collier; – 10: The Coming of Hoole; – 11: To Be a King; – 12: The Golden Tree; – 13: The River of Wind; – 14: Exile; – 15: The War of the Ember.).

AVATAR (2009) – Em Busca das Pernas Perdidas…

Sendo eu uma recém cadeirante, segui com esse olhar a saga desse herói paraplégico em Avatar. Será difícil não trazer spoilers, assim, se ainda não foi ver o filme, certifique-se se quer continuar a ler o texto. Adianto que eu amei o filme! Que não vi o tempo passar. É um filme que vale a pena pagar mais para assistir em 3D. Eu vi.

Coloquei como subtítulo o – em busca das pernas perdidas -, não no sentido de que a vida acabou para nós. A cadeira de rodas deu a mim uma nova vida. Só não aproveito mais porque a acessibilidade ainda é deficitária nos locais onde gosto de ir. No meu texto sobre o filme ‘Substitutos‘, eu disse que aquele com certeza eu não gostaria de ter. Porque eu quero sentir que faço parte da paisagem: sentir o vento, frio, calor… Experimentar por mim mesma todas as sensações que me sobraram. Se andar, correr, é sentada numa cadeira, que assim seja.

Agora, me pondo no lugar do herói do filme, eu também faria a mesma opção que fez no final. Aliás, a minha torcida foi para isso, desde a hora que Jake (Sam Worthington) saiu correndo com o seu Avatar. Parecia uma criança, correndo feliz. Mas ainda ai, durante o filme, tal como em ‘Substitutos’, ele, o Jake paraplégico, estava no comando desse avatar, deitado, fechado, dentro de uma câmara.

Alguns detonam logo o filme por ter um final previsível. À esses, que vão ver outro filme. A história em Avatar nos é contada de modo diferente. Mas todos os pontos chaves estão lá, quer seja de um Romance, de um Drama, de um Épico, de um filme de Guerra… Assim, o Herói termina por ganhar uma torcida para que vá ser feliz em outra galáxia. O que me fez lembrar de ‘Contatos Imediatos do 3° Grau‘, de ‘Cocoon‘…

Em ‘Avatar‘, também tem o sonho acalentado de alguns, em descobrir novos recursos minerais fora da Terra. Como se não bastasse destruir a natureza do nosso Planeta, aqui queriam destruir um local lindo demais. E nele, uma imensa árvore venerada pelos na’vis. Conto o que de fato queriam desse solo, bem embaixo dessa árvore, mais adiante.

Quem seria o herói dessa história?

Ele é Jake, um ex-marina, que além de ter ficado paraplégico, perde seu irmão gêmeo. Sem mais ninguém na Terra… aceita ir até Pandora dar prosseguimento a um trabalho científico do qual o seu irmão fazia parte. O Projeto Avatar. Sendo convidado por militares, era como estar de volta a ativa. Mas só chegando lá, foi que tomou conhecimento do que terá que fazer. Dar “vida” a um ser gerado em laboratório. Um nativo de Pandora com DNA de terraquéos. No caso, do seu irmão.

Querem com esse novo ser, voltar a estabelecer contato com os Na’vis. Habitantes de um local cobiçado nesse outro Planeta. Aliás, por ter ficado curiosa, foi saber um pouco sobre Pandora. É uma Lua. Onde seus habitantes veneram, e vivem em total harmonia com a natureza. A Gaia deles é ainda preservada em toda a sua essência. Além dos na’vis possuírem formas primitivas, inclusive com caudas, os animais têm aparência jurássicas… Essa parte do filme é em Animação. O cenário é lindo demais. De uma riqueza nos detalhes sem igual. De se ver encantada.

Quem estariam de olho em Pandora?

De um lado, temos os cientistas, biólogos de formação. À frente, a Dr. Grace Augustine (Sigourney Weaver). Que não gostou nada de ter um Fuzileiro – o Jake – como um membro de sua equipe. Mesmo sendo irmão de um ex-membro tão importante. Como toda pesquisa científica, há de se ter quem banque. Dai, tendo que ficarem um tanto quanto subserviente. Mas Grace além de ousada, é atrevida o bastante para não se deixar dominar por completo. E terá um grande papel na defesa de Pandora. Pausa para falar da atriz, Sigourney Weaver. No filme anterior que vi, o ‘Ponto de Vista’, ela não atuou bem. Assim, foi prazeiroso vê-la atuando bem. Mesmo que filmes com extraterrestres já façam parte da sua filmografia, a sua Dra. Augustine ficará na lembrança.

Ainda dentro de sua equipe, eu gostei de ver um com um perfil de um indiano. Dando um caráter menos frio ao Projeto Avatar. Ele é o Dr. Max Patel (Dileep Rao). Um outro personagem, tal como a Dra. Grace, fica de pé atrás com a contratação de Jake. É o Spelman (Joel Moore). Mas Jake termina por conquistá-los. Até porque, tendo ficado perdido em Pandora, sozinho, e sobrevivido, passa a ser assediado por mais pessoas… No final, esse será o lado que fará a grande diferença.

Do outro lado, mas de quem banca a pesquisa, temos à frente, o jovem meio yuppie Selfridge (Giovanni Ribisi). Que querendo mostrar serviço, aos acionistas, não terá nenhuma consideração, nem com os humanos, nem com Pandora por completo: povo, cultura e lugar. Para ele o que interessa são as jazidas de Unobtanium. Um minério supercondutor. Pesquisando sobre a importância desse tipo de pedra: “A utilização crescente de magnetos supercondutores nos diversos setores, desde a medicina, transporte, energia, extração mineral e até fusão nuclear, demonstra a importância deste mineral, assim como da tecnologia que fará uso dele no presente e no futuro“. Pausa para falar do Ribisi. Que para mim, sempre deixa a sua marca nos personagens que interpreta.

No comando, mas dos militares, temos Coronel Quaritch (Stephen Lang). O vilão dessa história. Mas que não entrou para o rol dos Grandes Vilões da História do Cinema. Talvez pela histeria… ou pela amargura de ter sido uma mera cobaia nos primeiros testes do Projeto Avatar. A mim, causou um sentimento de pesar. Não sei qual seria a intenção do Diretor para esse personagem. Cheguei a pensar se um outro ator teria feito melhor. Quaritch tenta um acordo com Jake: trazer informações vitais para os militares, lá de Pandora. Em troca, lhe daria novas pernas. Mecânicas. Que mesmo que durem muito, terminam por desgastar a parte do corpo onde ficarão ligadas. Com o avatar, ou melhor, encarnando, de corpo e alma, o seu na’vi, ai sim daria a Jake uma nova vida. Lá, em Pandora, com seus novos companheiros. Uma reencarnação em vida.

Em seu comando, a jovem Trudy (Michelle Rodriguez). Pilota helicóptero, e bem. Uma militar com ideais em xeque. Se obedece cegamente, ou não. Termina por ajudar o lado da Dra. Augustine. A cena onde adentra nas brumas, é de pensar em Avalon. E dela ser mais uma guerreira a salvar Pandora. Trudy até em enfrenta o Quarich durante um ataque.

Dos habitantes de Pandora…

O destaque vai para Zoe Saldanha, a jovem herdeira do trono, Neytiri. Ciente de sua missão futura, entrará em conflito ao se apaixonar por Jake. Mas também por acreditar nas mensagens advindas da mãe natureza, poupa-lhe a vida. Pois Jake é tido como um enviado. Neyrtiri então é designada para ensinar a Jake toda a cultura dos na’vis. E é durante esses ensinamentos, que ficamos conhecendo todo o esplendor de Pandora.

E Jake fará de tudo para salvar Pandora da invasão. Mas ciente de que terá que escolher um dos lados. Agora, ‘Avatar’ não traz um ‘Salve a Natureza!’, mas sim uma busca por uma qualidade de vida melhor. Da que vivia até então. E mais de acordo com a sua natureza.

Um ótimo filme. Que eu o veria outras vezes mais. Pena que o ingresso para 3D é caro. Mesmo pagando meia, a grana está curta, e tenho muitos filmes para ver. Ah! A trilha sonora é linda! A começar pela música, tema central:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mito e Psique em Star Wars

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Por: Eduardo S. de Carvalho.

Difícil justificar de modo sintético todo o fanatismo em torno da série Star Wars. Qualquer adulto com um mínimo de bom senso saberia tratar-se de mera fantasia sci-fi, uma atualização dos velhos filmes de faroeste ou de samurais produzidos em décadas passadas. Porém, George Lucas sabe que cinema é apenas isso; ou melhor, é muito mais do que isso. Prova disso é a fonte inspiradora mais próxima do primeiro filme da série, uma fita de Akira Kurosawa, A Fortaleza Escondida. A sinopse pode dizer alguma coisa: um rapaz e um mercenário têm que levar uma princesa a uma fortaleza infestada por vilões … junte-se a obra de Kurosawa a O Senhor dos Anéis, de Tolkien – leitura assumida de Lucas –, e você terá a fórmula responsável pelo sucesso alcançado em 1977, quando o primeiro Guerra nas Estrelas, hoje mais conhecido como Episódio IV – Uma Nova Esperança, foi lançado.

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Com o fim da saga, trinta anos depois de seu início, podemos ver toda a estória com mais objetividade. No primeiro filme, Lucas reforçou os aspectos míticos de Luke Skywalker, que nada mais é do que o herói arquetípico junguiano. A ausência da família, o mentor espiritual, a irmandade em torno do objetivo comum, o enfrentamento com a sombra – o próprio pai do protagonista – , não passaram desapercebidos a Joseph Campbell, em seu O Poder do Mito. Até os irmãos Wachowski terem criado o messiânico Neo em Matrix, e Peter Jackson ter filmado a obra de Tolkien, a primeira trilogia de George Lucas tinha ao menos a originalidade em mostrar o caminho de Skywalker à individuação, tal qual a teoria apresentada por Jung.

Tanto quanto o apelo dos efeitos especiais, podemos notar o quanto esse aspecto atrai e encontra eco em nossa psique. Filmes como Guerra nas Estrelas remetem o espectador a um mundo heróico, ideal, onde tudo é definido prontamente. Se cada um puder se lembrar, retornará a uma infância povoada por estórias fantásticas e contos de fadas, contadas por nossas mães, nossas avós. Tais estórias são atualizações de tradições orais míticas, que perdem-se na noite longínqua de nossos ancestrais. Freud aponta similaridades entre o pensamento mítico das primeiras culturas e a psique infantil, desde seu Totem e Tabu. Os trabalhos de Jung, e especialmente de Melanie Klein junto à criança, apontam para esse núcleo, aprofundando as primeiras conclusões do pioneiro da psicanálise.

Segundo Klein, as primeiras relações do bebê, imerso em fantasias que originam um mundo interno, são com objetos parciais. A criança não distingue a parte do todo, tomando a parte como se fosse o todo. Para exemplificar, Klein elegeu a figura do seio materno como símbolo dessas relações fantasiosas, uma vez que o bebê não vê a mãe como um ser completo e distinto dele. Há o seio bom, aquele que alimenta, aconchega, gratifica; o seio mau afasta-se, provoca fome, medo, deixando o bebê com raiva e ansiedade por não saber se sobreviverá sem tal objeto. A criança acredita ter criado tais objetos, uma vez que essa fase é extremamente narcísica, e aponta para a onipotência como importante característica.

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Há ainda a possibilidade de que a criança tenha dificuldades em reconhecer e aceitar que ambos sejam o mesmo objeto, e que exista independente de sua vontade. De acordo com o desenvolvimento psíquico do indivíduo, essa visão dicotômica da realidade externa, onde tudo é polarizado em bom ou mau, claro ou escuro, poderá perdurar por muito tempo após a infância, e o adulto não saberá lidar com um mundo muito mais complexo do que este, dividido simplesmente em Lukes e Darth Vaders.

A segunda trilogia traz uma sutil diferença em relação à primeira. Enquanto os primeiros filmes possuíam uma dimensão mítica que trazia implícito o conflito do protagonista com o relativo e o absoluto, os episódios I, II e III mostram como ambas as polaridades encontram-se naturalmente no mesmo indivíduo. Deficiências dramáticas do roteiro à parte, o tema que perpassa os três últimos filmes de George Lucas é a possibilidade de cada um apresentar sentimentos condenáveis, sem ser mau em sua essência.

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Através de Anakin Skywalker, é apresentada uma ambivalência que inexistia nos primeiros filmes (escute com atenção o tema de Anakin na trilha sonora do Episódio I, onde as últimas notas remetem à Marcha Imperial da primeira trilogia). O garoto é apresentado como um messias, “aquele que trará equilíbrio à Força”. Para nossa surpresa, a visão de Lucas amadurece aqui, escapando às tendências maniqueístas da primeira série; esse equilíbrio dá-se justamente pela metamorfose de Anakin Skywalker em vilão, junto ao imperador. Está derrubada a barreira da dualidade; é justamente por amor, considerado o mais sublime dos sentimentos, que nasce Darth Vader.

Retomando as idéias de Melanie Klein, o ser humano possui uma tendência psíquica à integração do ego. Junto ao desenvolvimento natural do sistema nervoso, esse ego em processo de amadurecimento seria responsável pelo reconhecimento de um mundo ambíguo, onde a convivência com todas as gamas do espectro emocional é possível. A criança, antes envolvida por visões incompletas da realidade externa, consegue unir os objetos bons aos objetos maus, enxergando-os como um só, integrando, assim, seu mundo interior ao mundo exterior. Os pais deixam de ser deuses ou demônios; tornam-se meros mortais. Embora não o tivesse dito claramente, a maturidade psíquica para Klein envolve a passagem de uma visão mítico-religiosa do mundo para uma visão mais abrangente e sutil, onde todos temos o direito de sentir, pensar e agir conforme nossos sentimentos, sempre dentro de limites sócio-culturais.

Enquanto não reconhecermos esse nosso “lado negro da Força” – as pulsões mais destrutivas de nosso inconsciente – , corremos o risco de cair no seu abismo.

Por tal ponto de vista, o personagem de Lucas que fecha seu ciclo psíquico por completo é Anakin Skywalker: nasce como salvador, sucumbe às forças pulsionais de sua psique, e gera aquele que o destruirá. No entanto, é através da morte de Darth Vader pelo próprio filho que Anakin renasce, mesmo que por alguns instantes. Passando pelo céu e pelo inferno, Anakin torna-se, enfim, apenas – e demasiado – humano.

Guerra nas Estrelas (Star Wars). EUA. Direção e Roteiro: George Lucas. Gênero: Ação, Aventura, Fantasia, Sci-Fi.
# Episódios:
I. A Ameaça Fantasma. Direção: George Lucas. 1999.
II. O Ataque dos Clones. Direção: George Lucas. 2002.
III. A Vingança dos Sith. Direção: George Lucas. 2005.
IV. Uma Nova Esperança. Direção: George Lucas. 1977.
V. O Império Contra-Ataca. Direção: Irvin Kershner. 1980.
VI. O Retorno de Jedi. Direção: Richard Marquand. 1983.
# Personagens:
– Anakin Skywalker (epis. I Jake Lloyd) (epis. II e III : Hayden Christensen) (epis. VI Sebastian Shaw).
– Darth Vader (epis. III Hayden Christensen) (epis. IV, V, VI David Prowse) (epis. III, IV, V e VI dublando a voz: James Earl Jones)
– Obi-Wan Kenobi (epis. I, II e III Ewan McGregor) (epis. IV, V e VI Alec Guiness)
– Luke Skywalker (epis. IV, V e VI Mark Hamill)
– Princesa Leia (epis. IV, V e VI Carrie Fisher)
– Han Solo (epis. IV, V e VI Harrison Ford)
– Padmé Amidala (epis. I, II e III Natalie Portman)
– Mace Windu (epis. I, II e III Samuel L. Jackson)
– Mestre Yoda (performance Frank Oz) (epis. I, II ,III,V e VI)
– Chewbacca (epis. III, IV, V e VI Peter Mayhew)
– C-3PO (epis. I a VI Anthony Daniels)
– R2-D2 (epis. I, III, IV e VI Kenny Baker)
– Lando Calrissian (epis. V e VI Billy Dee Williams)
– Palpatine/Darth Sidious(epis. I, II ,III,V e VI Ian McDiarmid)
– Conde Dookan/Darth Tyrannus(epis II e III Christopher Lee)
– Qui-Gon Jinn -(epi. I Liam Neeson).
# Música John Williams acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Londres.