Cinema em 3D. Estão esquecendo de um grande detalhe…

avanco-em-oculos-3DAqui o assunto será mesmo sobre o Cinema em 3D: Filmes e Salas. Em destaque as Salas onde não tem como passar esse tipo de filmes, mas assim mesmo exibem filmes com essa tecnologia. Em específico sobre as Salas IMAX, o Evandro escreveu um texto delicioso de ser lido, esse: IMAX Fundo do Mar 3D. Além de uma tecnologia diferente, as Salas IMAX ainda são em um número bem menor no Brasil. Agora, voltando aos 3D…

Mesmo tendo alguns filmes em 3D produzidos bem antes, o boom do Cinema em 3D foi na Década de 50. Uma projeção onde a visão reproduzida aparentava estar em formato de relevo. Mas esse jeito não persistiu por muito tempo. O porque ao certo, não sei. Há muito poucos dados sobre esse início. Numa pesquisa que fiz para colher dados para esse artigo o que achei foi numa página em inglês. E o mais curioso era a fonte: o Guinness Book. Ficando uma pergunta se deram pouca importância a essa tecnologia, ou até por não ter atraído muito o público depois disso. Quem sabe com o novo boom do momento apareçam mais estudos sobre o Cinema em 3D.

Cronologia da História do Cinema em 3DCom o avanço dessa tecnologia, inclusive nos óculos, os filmes em 3D voltaram à cena. Mas ainda faltava mais. James Cameron esperou por mais de uma década para só então filmar ‘Avatar‘. Por querer usufruir de todo avanço. E fez bem! Pois o filme Avatar fica como marca na História do Cinema em 3D. Mesmo os que não gostaram desse filme terão que concordar com esse fato. Com esse feito desse Diretor. Fiz um gráfico para ilustrar essa trajetória.

Eu fiquei encantada com o ‘Avatar’ em 3D! Por um tipo de campanha viral* na Blogosfera eu ganhei um Dvd desse filme. Chegando na minha casa fui correndo rever o filme. Parando nas cenas onde me lembrava do 3D. Uma em específica por ter sido a única que me “assustou”… E vi que nesse filme a Fotografia não perdeu em nada na nitidez e nem na minha televisão que nem HD é.

nitidezFiz isso até para tirar uma dúvida. Tudo por conta de outro filme. Talvez a Sala de Cinema onde vi o tal filme tenha sido a grande vilã dessa história. Fora algo que me irritou quase a ponto de sair do Cinema. O filme foi ‘Como treinar o seu dragão‘. Numa Sala comum exibiram uma versão em 3D. Ficando tudo esbranquiçado ao fundo, só destacando algo no meio… e em várias cenas. A colagem que fiz com o dragão ilustra um pouco o que estou contando. Na segunda foto mostra como fica a cena do 3D numa Sala comum: perde a nitidez. Acontece que até para ir num Cinema mais próximo onde de onde eu moro eu gasto também com o táxi, e não é por frescura, mas sim porque sou cadeirante. Sendo assim pelo menos quero ver num filme uma ótima Fotografia. Uma boa imagem eu até aceito. Mas uma péssima me leva a odiar essa “febre 3D”.

Pelo jeito os Produtores, ou mesmo os donos das Salas, não estão nem ai para esse detalhe importante.

Numa comparação seria assistir um show de um excelente cantor, num acústico – no gogó e acompanhado de um violão, por exemplo -, ou ouvi-lo num grande e potente show. A essência dele – voz, letra, melodia -, está nas duas apresentações. O que muda, é o espírito de quem vai assisti-lo em cada um dos shows: se quer algo mais intimista ou não. E que o mesmo não aconteceria num cantor de playback. Pois não saberia cantar, e encantar, num ao vivo. Ou até que poderia ser ouvido em casa mesmo.

É meio por ai para diferenciar os filmes em 3D. Não apenas os bons dos ruins. Dos que o 3D entrou de fato como um Coadjuvante, daqueles que estão mesmo aproveitando do 3D como caça-níqueis. Como disse antes até a ida ao Cinema tem um custo, como também o preço do ingresso. Se a Sala não tem a tecnologia para exibir um em 3D que projete um sem essa tecnologia. E quem não tem a competência para fazer um nos moldes do que Cameron fez com “Avatar”, deveria pelo menos fazer o filme em duas versões. O público merece esse respeito. Ou eu é que teria ficado mal acostumada com a qualidade do 3D no filme do James Cameron. Eu até tentarei ir com mais complacência nos próximos em 3D. Mas por favor! Respeitem também o meu bolso.

E vocês, o que teriam a dizer do Cinema em 3D?

p.s: (*) A tal Campanha partiu da iChimps. E me escolheram pela segunda vez. Grata! E fica aqui o registro de que são profissionais de markenting confiáveis. Espero continuar sendo escolhidas nas próximas Campanhas.

Por: Valéria Miguez (LELLA), em 13/10/2010.

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E o OSCAR 2011 Vai Para?

Por: Karenina Rostov e Valéria Miguez (LELLA).
Ao longo da história, vários assuntos já receberam suas respectivas listas de melhores e piores. Com A Sétima Arte não poderia ser diferente, e foi a partir daí que surgiu a mais conhecida de todas as listas de premiação: o Oscar.

O Oscar foi criado em 1927 pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, e desde então se tornou uma referência mundial para todas as demais listas que passaram a definir seus prêmios máximos. A primeira edição oficial de entrega da estatueta aconteceu no ano de 1929.

Cínéfilos do mundo inteiro aguardam ansiosamente por essa data que costuma ser no mês de fevereiro, e todos os meios de comunicação voltam-se nesse momento especial e único para não perder nenhum registro de seus astros e estrelas, e para confirmar suas apostas em todas as categorias de premiação.

Também há aqueles que criticam essa premiação. Uma das críticas seria por ser comercial demais. A esses eu costumo dizer que olhem além do prêmio, para o fato que muitos dos filmes nem chegariam às Salas de Cinemas em pequenas cidades, mas que com a indicação eles ultrapassam as fronteiras das grandes cidades. A simples menção de fazer parte da lista dará muito mais chances a mais cinéfilos de sentir todo o encantamento diante da Telona.

Além de não nos esquecermos do que houve com o filme “Guerra ao Terror”. Ele foi primeiramente lançado em Dvd, onde a divulgação é muito menor, fazendo com que muitos terminem nem sabendo da existência do filme. Por vezes, só numa pesquisa pela Filmografia de um Ator/Atriz, ou de um Diretor… Então veio a indicação. Eles recolheram os Dvds e o filme foi levado às Salas de Cinema. E como todos viram, Filme e Direção – Kathryn Bigelow -, foram premiados. Esse fato torna-se então um exemplo clássico da importância de receber uma indicação para a entrega do OSCAR.

Um outro fator que também recebeu críticas – porque também não pensaram que haveria um aumento das Salas de Cinemas -, foi que passaram de 5 (cinco) para 10 (dez) os que concorreriam na final ao prêmio de Melhor Filme. Fato esse que merece os nossos aplausos.

As premiações são para: Filme, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Maquiagem, Fotografia, Efeitos Especiais, Som, Edição de Som, Figurino, Edição, Direção de Arte, Animação, Filme Estrangeiro, Canção Original, Trilha Sonora, Documentário, Curta-Metragem, Documentário Curta-Metragem, Curta-Metragem Animado.

Neste ano de 2011 será a 83° edição da maior premiação, onde diretores, atores e todos que fazem parte deste mundo do cinema aguardam por uma indicação e claro, também pela premiação. E de nós, fica sempre uma torcida aquele que nos encantou mais. De minha parte, eu criaria mais uma premiação: aqueles que levaram um público maior ao Cinema.

O “Cinema é a minha praia!” não poderia ficar fora dessa festa. E com uma grande Equipe, entre Autores e Colaboradores, trouxemos vários dos que estão nessa final. Como também por sermos múltiplos há mais de uma crítica para um único filme. A seguir, com a listagem final ficarão os links que os levarão a elas, nossas Críticas, com o nome do autor.

A lista dos indicados ao Oscar 2011.

Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso. 1988)

cinema paradisoPor Rafael Lopes

Uma vez me perguntaram: “Porque você gosta tanto de cinema?”. Respondi: “Assista Cinema Paradiso e terá sua resposta.”.

O cinema é algo mágico. Desde garoto, quando ia nas matinês religiosamente acompanhado do meu pai, ficava ali, deslumbrado com a magia causada por “24 quadros por segundo”, numa sala escura, onde assistia a vida contada com sentimentos múltiplos. Talvez o que torna o cinema uma arte tão bela, seja a mitologia que ela consegue criar em todos. Quando nos impressionamos com uma cena de ação mirabolante, onde algo inimaginável está por acontecer e quando acontece, mesmo sabendo que é de “mentirinha”, você continua impressionado com o que viu e se pega perguntando ”…como eles fizeram isso?!”.

Só que através dos tempos essa magia foi se esgotando. Não assistimos mais aos filmes esperando aquele encanto que tanto nos enchia os olhos. Isso infelizmente acabou lá nos anos 50/70, antes de os grandes efeitos especiais dominarem tudo. Agora nos anos 2000, onde tudo parece ser mais artificial, onde tudo é gerado por um computador e não mais causa o impacto devido e fica apenas aquela sensação de diversão temporária. O cinema está desgastado? Não. As pessoas que aprenderam a não gostar mais.

Hoje o que temos é o DVD na casa de todo mundo, onde preferem ver no conforto de seus lares o que a indústria proporciona. Compram seus DVD’s em bancas piratas ou originais ou ainda alugam e pronto. Em casa mesmo. Mas em casa a coisa não é a mesma da sala escura.

Nada supera a magia que só a sala escura proporciona, aquele friosinho que a gente sente quando a luz apaga e a tela mostra a vida em seus “24 quadros por segundo”.

É sobre isso que Cinema Paradiso, filme italiano de 1989 dirigido por Giuseppe Tornatore, inspiradíssimo, que queria contar uma história de amor ao cinema, atrapalhada pelo progresso, como sabiamente comenta o personagem Alfredo em certo momento do filme. A sinceridade e sensação de nostalgia que o filme proporciona é incrível e indescritível, e faz com que os verdadeiros amantes do cinema, sintam a emoção de seus personagens em momentos cuidadosamente criados para despertas essas emoções.

É a história do pequeno Salvatore, ou melhor “Totó”, como é conhecido por todos da pequena cidade onde vivem na Sicília. A diversão do pequeno é passar o tempo livre no cinema Paradiso, uma das poucas opções de lazer da população local. Lá encontramos todo tipo de gente, mal educados, apaixonados, dorminhocos, falastrões, briguentos e porque não, os apaixonados por cinema, sendo um deles o pequeno Totó. Esperto, ele tenta por tudo conseguir a amizade do projecionista Alfredo (Philippe Noiret), um senhor de sorriso amigável e que logo se rende às astúcias do pequeno garoto.

cinema paradiso

Em meio as dificuldades, o garoto torna-se pupilo do velho projecionista e após um acidente, que deixa Alfredo deficiente, começa a trabalhar pra valer no ramo. O tempo vai passando e o pequeno Totó começa a enfrentar o mundo pra valer. A vida real tenta lhe tirar a imaginação que o cinema despertou nele, mas o amor pela sétima arte o transforma num grande cineasta.

Só que tudo isso longe de casa. 30 anos sem visitar a cidade onde cresceu, onde aprendeu a apaixonar o cinema.Tudo isso por causa das descrenças do velho Alfredo, que só queria ver o garoto feliz e com uma vida melhor, sem os fantasmas que ficaram na cidade velha. Totó volta para o enterro de Alfredo e se depara com todo o seu passado, sem fazer julgamentos, apenas o fazendo pensar em como tudo aquilo lhe foi importante, e como tudo aquilo foi crucial na sua vida.

Suas duas horas de duração são uma grande homenagem ao cinema e à magia que a sétima arte causa. Todos os sentimentos que um filme causa, são enaltecidos em praticamente todas as cenas do filme. Tudo o que o pequeno Totó faz para ir ao cinema nos faz sentir pequenos de novo, quando assistíamos aqueles filmes escondidos dos pais de madrugada (fiz muito isso), e juntávamos aqueles trocados pra alugar um filme na locadora, todas essas coisas que nos fazem perceber o que um filme verdadeiramente nos causa. Esse é o principal objetivo do filme e ele o alcança com muita graça e sucesso.

Muito bem dirigido, e emocionante na medida certa, com atuações fabulosas (principalmente por parte de Phillippe Noiret e do pequeno Salvatore Cascio – que interpreta o pequeno Totó na infância) e uma produção maravilhosa, Cinema Paradiso é um filme rico em detalhes, rico em sinceridade e sentimento, rico em cinema. Que além de emocionar – sem ser piegas em nenhum momento – abre espaço para discutir o avanço da tecnologia nesse ramo, e o triste fim das sessões de cinema.

Na cidade onde moro, assisti ao fim de um cinema há dois anos atrás, mais ou menos a época em que vi Cinema Paradiso a primeira vez, e refleti muito a cerca disso. Afinal de contas, era um cinema muito antigo por aqui, desde os anos 30 funcionando, onde assisti minhas primeiras sessões de cinema, e que fechou por causa da pirataria. Há uma passagem no filme onde o antigo dono do cinema comenta algo parecido.

Eles fecharam as portas porque simplesmente deixaram de ir ao cinema. Televisão e videocassete querendo ou não foram revoluções para a exibição de filmes, mas acredito que nenhum consiga fazer a experiência de assistir um filme ser tão mágica e intensa como num cinema.

Claro que tudo é mais intenso garças a trilha do monstro do cinema Ennio Morricone, linda em todos os momentos, perfeita em cada detalhe, encaixada perfeitamente dentro da proposta do filme. Inspiradora durante todo o filme, torna tudo mais agradável e delicioso, dando uma inocência prazerosa ao filme.

E o filme consegue passar tudo isso de maneira formidável, cito como exemplo, a alegria do povo que, sem poder entrar no cinema, consegue com a ajuda do esperto Alfredo, ver o filme sendo fora do cinema, quando o projecionista põe a imagem para ser passada dentro e fora do cinema ao mesmo tempo. Outra cena que mostra bem isso, é o cinema lotado e todo mundo rindo das palhaçadas do vagabundo Charlie Chaplin, ou chorando assistindo a filmes de Renoir, Viscontti, entre outros.

Mas o melhor mesmo, é ver o personagem Totó, já adulto e consagrado, assistindo a uma montagem de beijos, que eram censurados na sua infância pelo padre, e se emocionando muito com o que via. É a magia do cinema acontecendo.

cinema paradiso

Cinema Paradiso é um filme simples e sensível cheio de emoção e sentimento verdadeiro. Uma grande obra dedicada a quem ama a sétima arte, e principalmente, uma obra que quer dizer: “O cinema não morrerá!”.

Viva a Sétima Arte!

Nota: 10 (e com aplausos em pé).

Nuovo Cinema Paradiso, 1988 (Itália)
Direção: Giuseppe Tornatore.
Atores: Antonella Attili , Enzo Cannavale , Isa Danieli , Leo Gullotta , Marco Leonardi.
Duração: 123 min