Splice – A Nova Espécie (2009)

Splice” (2009) é um daqueles filmes que quase atinge a grandeza de ser uma obra-prima, mas infelizmente fica aquém.

O filme narra a história dos melhores engenheiros genéticos- Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley)-, quando se trata de juntar DNA de várias criaturas para criar novas espécies. Infelizmente, a criatividade deles é reduzida quando a empresa farmacêutica se recusa a deixá-los experimentar DNA humano. Mas eles fazem isso de qualquer maneira e criam uma criatura humanóide que eles chamam de Dren (o nome é um anagrama da palavra Nerd, que a criatura escreve com letras do tabuleiro).

Inicialmente, sendo um animal de estimação para os cientistas, Dren começa a crescer, e ganha características faciais- olhos se espalham, a pele fica impecável e pálida. Dren é uma criação icónica impregnada de vida, graças à presença física da atriz Delphine Chanéac, que se move com fluidez e agressividade animalesca, mas ainda mantém uma vulnerabilidade dolorosa que faz com que ela se torne estranhamente simpática, mesmo se tornando um ser um pouco assustador.

É uma vergonha, que esse filme com tanto potencial- começa sério-, e se torna ridículo. Por exemplo, numa cena envolvendo uma demonstração de aula de teatro, a audiência leva um banho de sangue-  algo grotesco e desnecessário!

Depois, a relação de Elsa com a criatura é comparado com sua própria infância trágica, e, Clive se torna sexualmente atraído por Dren por ter DNA de Elsa. A criatura tem desejos humanos, principalmente em ser amada (nada de errado contra isso, pois não é de hoje que no cinema, e na literatura, a criatura se apaixona pelo o criador), mas ter uma cena de amor entre Clive e Dren foi um pouco demais!

“Splice” teria sido um clássico, se não tivesse um final tão decepcionante (não vou revelar nada!), o que me fez pensar que o roteirista-diretor Vincenzo Natali teve sua fonte de inspiração secada, enquanto estava escrevendo o roteiro ou a produção ficou sem dinheiro. Parte horror, drama e comédia- bem híbrido, mas agradável, e ainda assim, vale a pena ser visto!.

 

Lançamento no Brasil em 21/01/2011.

 


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eXistenZ (1999)

Existenz_1999A primeira coisa dita no filme é como se escreve o título: letra ‘e’ em minúsculo e ‘X’ e ‘Z’ em maiúsculo: eXistenZ. Confesso que até agora estou me perguntando se isso não passa de um mero fetiche caprichoso ou se tem algum sentido extra que ainda não captei. Mas também, não captar tudo desse filme não é nenhum pecado, ao contrário; pois trata-se de uma obra que te convida a inúmeras questões.

A primeira delas é: O que é real? O que é realidade?

Vemos a moçada de hoje em dia usando uma linguagem de jogos internáuticos bem distante da linguagem dos Ataris de outrora, pra eles isso é um B a Bá muito simples e fácil, nós mais velhos tivemos que buscar aprender esse conhecimento que já faz parte do cotidiano e que é difícil apreender tudo que é lançado diariamente no mundo comunicativo.

Esse filme mostra que os jogos podem ser bem sérios e absurdamente reais. Não há como deixar de lado Baudrillard enquanto enunciador de que real e virtual não se diferem.

Passei o dia de hoje pensando sobre isso, sobre a Second Life que há cada dia se torna mais comum. Ter uma segunda vida, esta virtual, é tentador por muitos motivos, principalmente por – de alguma maneira – ter algum controle tanto das felicidades quanto das adversidades. É uma vida que dominamos: escolhemos personagens, nicknames, roupagem, linguagem etc.

Imagine se no real pudéssemos nascer e dizer pros nossos pais: Quero que meu nome seja tal, quero me vestir de tal maneira etc?

O que Second Life atrai é justo essa possibilidade de domínio em uma vida totalmente ideal pra quem a escolhe.

Onde a realidade esbarra na ilusão? Real é aquilo que vemos ou que achamos que vemos? O que construímos? E as ilusões?

De certo, Baudrillard está pra lá de correto ao dizer que não se diferem.

Porém, é preciso lembrar que tudo tem seu preço…

😉

 Por: Deusa Circe.

eXistenZ

Direção: David Cronenberg

Gênero: Suspense, Ficção Científica

EUA – 1999

Minha Vida Sem Mim (Mi Vida Sin Mi. 2003)

mi-vida-sin-miO que você faria tendo apenas menos de dois meses de vida? Se não estivesse só, com filhos ainda crianças. Tendo uma relação estável. Contaria a eles? Fica difícil pensar sem estar vivenciando. Até em pensar que é uma jovem com 23 anos que chegou a isso.

O filme ‘Minha Vida Sem Mim‘ não faz um drama do drama da jovem Ann (Sarah Polley). Que após uns exames recebe do médico Dr. Thompson (Julian Richings) a sua sentença de morte. O câncer já se alastrou, e se tivesse mais idade onde as células se reproduziriam mais devagar ainda poderia ter uma chance. Paradoxo, não? Se para certos casos um corpo jovem conta a favor, no dela não. Acelerava mais.

Ann então decide não contar a ninguém. Diz que está com uma anemia profunda. Por querer poupá-los das idas aos hospitais, pois poderiam querer que tentasse todos os recursos. Ann prefere viver esses seus últimos dias com eles. Uma das cenas mais comoventes é com seu marido, Don (Scott Speedman). O que ele diz a ela. Além de ser uma bela declaração de amor, me fez ficar em lágrimas por ela. Tão jovem, e já partindo dessa vida. Pedia tão pouco da vida. Mesmo assim se vê obrigada a sair dela tão jovem.

Ela então ao pensar no que irá fazer em tão pouco tempo que lhe resta, decide fazer uma lista. Para não perder tempo era melhor priorizar o que faria. Entre os itens faria algo que nunca havia se permitido fazer, como também em num que antes nem teria feito. Um seria um banho de chuva sem pressa, sem fugir dela. É o início do filme, dai não ser nenhum spoiler. (E isso é eu algo que sempre gostei de fazer, desde criança.) O que faz o filme fluir tão leve. Em uma dessas escolhas nem dá para julgá-la. Pois nenhum dogma, nenhuma regra teria subsídio para condená-la. Ela tinha pleno direito.

Ao longo do filme vamos vendo-a se despedir da vida, da sua família… Sem que pressentissem. Pois queria partir em paz com eles. Com sua mãe, uma mulher amargurada. Com seu pai, que não via a 10 anos. Das suas duas filhinhas. A todos eles, ela deixou uma lição maior: que aproveitassem mais a vida. E que lembrassem dela pelos momentos alegres.

isabel-coixet_mi-vida-sin-miConfesso que antes de vê-lo achava que iria chorar muito. Me enganei. O filme é muito bem conduzido. De uma simplicidade no contar a história que o faz belíssimo. Não há retoques a fazer. Meus Parabéns a Isabel Coixet. Um filme que vale a pena ver e rever. Destaco também a trilha sonora!

Uma última reflexão. Pegando como gancho a compulsão de uma das personagens, da fome que sentia. Onde há tantas pessoas fazendo cavalos de batalhas por tão pouco. Onde de uma hora para outra o destino prega uma grande peça. Fica a pergunta: Tens fome de que? Lembre-se que a vida é bela, mas pode ser também muito curta!

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Minha Vida Sem Mim (Mi Vida Sin Mi). 2003. Espanha. Direção e Roteiro: Isabel Coixet. Elenco: Sarah Polley, Amanda Plummer, Scott Speedman, Maria de Medeiros, Mark Ruffalo, Alfred Molina, +Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 106 minutos. Baseado em livro de Nancy Kincaid.

A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words. 2005)

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E no início era o verbo

Numa plataforma petrolífera quis o destino unir duas pessoas: uma jovem e um homem mais maduro. Ele com uma cegueira devido a uma explosão. Ela usava seu aparelho de surdez apenas quando queria ouvir as vozes do mundo…

Como ela chegou ali? Por conta de umas férias forçadas…

Ela estava incomodando os companheiros de seção. Agora, vejam vocês o porque desse incômodo. Era o seu silêncio. Ela queria apenas cumprir somente a sua função. Incansável. Fazia o seu trabalho sem incomodar ninguém. Sem reclamar. Como se isso fosse ferir alguém. Mas para eles ela não fazia parte daquela engrenagem. Então, seu chefe a obrigou a sair de férias.

Assim foi parar num local à beira-mar. E estando num restaurante ouve parte de uma conversa numa mesa. Precisavam de uma enfermeira na plataforma. Por conta das queimaduras alguém ainda não poderia ser removido de lá. Então se ofereceu. Teria algo para fazer novamente. Algo para ocupar seu tempo. Não ter tempo de ouvir a sua voz interior.

Naquela imensidão azul havia um grupo pequeno. Que por lá permaneceram até saber quais seriam seus novos locais de trabalho. Seus novos destinos. Um grupo reduzido, mas que pareciam ter algo em comum. E aos poucos foram contando suas histórias para ela.

Achei interessante o título desse filme: “A Vida Secreta das Palavras“. Se de um lado por elas há até o perpetuar certas atrocidades, por outro ao proferi-las há algo meio catártico.

Que dizer então de ouvir, ler, ver não apenas os registros das atrocidades existidas na História da Humanidade, mas também por aqueles que as vivenciaram?

Sabe quanto sangue, quantas mortes? Sabe quanto ódio cabe nestas fitas? Sabe por que as gravamos? Antes do holocausto, Adolf Hitler reuniu os seus colaboradores e para convencê-los de que o seu plano funcionaria, perguntou:” Quem se lembra do extermínio armênio?”. Foi isso o que ele disse.
Trinta anos depois, ninguém lembrava que um milhão de armênios tinham sido exterminados da maneira mais cruel possível.
Dez anos depois… Quem se lembra do que aconteceu nos Bálcãs? Os sobreviventes. Ou os que por alguma… virada do destino, viveram para contar.

O filme vai nos levando de mansinho. Como num livro. Não há pressas em dizer; em contar. Mas aos poucos, naquela plataforma, aquelas poucas pessoas querem enfim, contar, falar, soltar aquilo que estava guardado. E eu confesso que chorei quando finalmente a personagem “soltou” a sua história, ou as suas palavras.

Amei esse filme! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words). 2005. Espanha. Direção e Roteiro: Isabel Coixet. Com: Sarah Polley. Tim Robbins, Javier Cámara, Julie Christie. Gênero: Drama.