Don Juan Demarco (1994). Romantismo e Loucura…

don-juan-demarco_1994_capaPor Cristian Oliveira Bruno.

Romantismo e Loucura em uma Adaptação Fora dos Padrões

Com o auxilio da produção de Francis Ford Coppola, o roteirista Jeremy Leven (Diário de Uma Paixão; Gigantes de Aço) se aventurou pela primeira – até onde me lembro, única – vez no comando de um filme lá no longínquo e rico ano de 1994. Sua adaptação do clássico de Lord Byron, Don Juan Demarco, possui toda uma identidade própria e aposta num tom de comédia romântica das boas para conduzir uma narrativa extremamente lenta, baseada apenas em diálogos, mas que divertem e encantam na maior parte do tempo.

don-juan-demarco_1994_01Marlon Brando interpreta o Dr. Jack Mickles, psiquiatra de um instituto para pessoas com distúrbios mentais que, a dez dias de se aposentar, salva um misterioso jovem antes que este cometesse suicídio. Este jovem (Johnny Depp) acredita fielmente ser Don Juan Demarco e um trato faz com o Dr. Mickles – quem ele acredita ser Don Octávio da Silva, tio do de Don Francisco, o único homem que pode lhe conceder uma morte honrosa – que consiste no seguinte: se nestes dez dias ele não convencer o Dr. Mickles de que realmente é Don Juan, ele aceita submeter-se aos medicamentos e ao tratamento. Do contrário, pede o aval para ir embora.

don-juan-demarco_1994_02À medida que as sessões vão acontecendo e o jovem vai contando sua fantasiosamente absurda e igualmente apaixonante história, o Dr. Mickles começa a reavaliar sua vida e os rumos que ela tomou e acaba por indagar-se: o que houve comigo? Cadê aquela paixão de outrora? Será tarde de mais para retomar os trilhos e viver tudo o que eu sempre quis?Será que meu mundo é tão diferente do deste jovem, ou será que só vivo uma fantasia da felicidade? Embora saibamos, assim como os personagens, que aquele garoto não é Don Juan, é quase impossível não ser tocado pela paixão na sua voz. Uma pessoa capaz de enxergar beleza em tudo e em todos seria mesmo assim tão louca, ou só teria uma visão diferenciada das coisas? E a relação entre as histórias mirabolantes de Don Juan e as experiências de vida do Dr. Mickles começam a afetar o psiquiatra de uma maneira positiva, fazendo com que, inclusive, redescubra uma maneira de olhar para sua amada companheira como não fazia há um bom tempo nestes últimos 32 anos.

don-juan-demarco_1994_03Porém, fica evidente que aquele jovem sofre de um trauma gravíssimo, o qual o Dr. Mickles encontra uma barreira que o impede de acessar: a imagem fixa que ele tem de seus pais. Mesmo com a distorção dos fatos, algumas peculiaridades são percebidas, como a possível infidelidade de sua mãe e a trágica morte de seu pai. Aliás, há um belo momento, após Don Juan contar sua versão da morte de seu pai, percebemos os olhos do Dr. Mickles cheios de lágrimas e a câmera de Leven percorre a sala e encontra várias fotos do personagem com seu pai. Nada mais é dito, pois não é necessário. Um belíssimo momento muito bem dirigido por Leven.

Do meio pro final, Don Juan Demarco (o filme) assume de vez seu lado fantasioso e inverossímil, inclusive optando por um desfecho improvável que serve para ressaltar seu romantismo. Quem conseguir entregar-se ao filme e sua magia, com certeza terá uma experiência doce e muito bonita. É uma bela pedida contra as adaptações enfadonhas que vemos aos montes por aí.

Nota: 7.0.
Don Juan Demarco (1994)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Anúncios

Drop Dead Diva. (Série). E o “Patinho Feio” Aprende o Quanto Pode ser Belo!

drod-dead-diva_cartazSem querer fazer aqui um patrulhamento em relação ao peso corporal das pessoas, mas quando mais de um terço da população dos Estados Unidos se encontram “acima do peso” o esperado seria ver muito mais personagens e artistas “gordinhos” protagonizando bons Filmes. Como também por conta não apenas do politicamente correto, mas também do quanto de bullying essas pessoas padecem no mundo real… eu fico meio sem saber como descrever… Enfim, gordinhos, acima do peso… É mais do que justo que mais e mais Filmes e Séries deem espaços a eles atores e personagens com histórias mostrando que mesmo com alguns percalços eles levam uma vida como todo mundo. Por isso e muito mais “Drop Dead Diva” merece ser vista!

Foi por acaso que eu comecei a acompanhar essa Série, numa de zapear pela grade de canais… E foi justamente por ver uma protagonista interpretada por uma atriz “gordinha” e o que seria melhor ainda sendo a personagem uma advogada. (Um tema que gosto muito: os bastidores de um Tribunal.). Além claro do sugestivo título! Algo como: o espírito de uma louca baixou em mim… A Série até traz o tema da reencarnação, mas ai como “uma segunda chance“. O que também seria o motivo da profissão escolhida para essa personagens. A Série já seguia em temporadas adiantadas, que por sorte o canal Lifetime em paralelo passou a reprisar desde a primeira temporada. Pois mesmo tendo um resumo dessa reencarnação antes de cada episódio – em quem se apoderou do corpo de quem -, além de também ser um tema interessante e meio surreal, dentro dessa realidade algumas perguntas me viam acompanhando já pelo meio “Drop Dead Diva“. Assim, fui montando aos pouco o quebra cabeça dessa nova Diva/Advogada.

drop-dead-diva_deb-e-janeA história de “Drop Dead Diva” une dois esteriótipos tão propagandeados pela indústria cinematográfica: a “gordinha” com a “loura burra”. E faz mesmo uso disso até para tentar quebrar outros mais. Um deles seria em relação a indústria da moda que ainda segue com o padrão de que ser magro que é belo. Numa de que se a pessoa fora desses padrões não pode se vestir com elegância, dentro da “moda”. Nessa história a personagem da “loura burra” tentava ser uma modelo famosa, mas já sentido o peso de um outro padrão: o da idade. Pois nessa indústria… Ter mais de vinte anos de as chances diminuíam. Agora, ela volta ao mundo dos vivos no corpo de uma “gordinha” que já está com quarenta anos de idade. São duas coisas a mais para lidar. De cara dá, ou melhor, se dá um banho de loja, dos pés a cabeça, se sentindo mais “atraente” aos olhos de todos. Até provocando certas invejas à princípio em quem se situava dentro dos padrões de beleza convencional. Toda essa “maquiagem” externa é passado com humor, sensibilidade e em certos momentos até com certa ironia para quebrar certas convenções. Um “Bravo!” a mais para essa Série! Até porque certos paradigmas merecem mesmo ser quebrados, pois se para muitos possam até parecer cômicos, no fundo são bem cruéis. O que também acena para que a Indústria da Moda repense o seu establishment.

drod-dead-diva_jane_antes-e-depoisAgora, embora eu possa ter dado um caráter mais pesado, a Drop Dead Diva mostra de um jeito leve a vida de uma advogada que por conta de um acidente do destino “trocou” de mente. Pois quem ganhou uma segunda chance de vida foi a modelo. Essa por sua vez, se não ganhou o corpo de antes, se deslumbrou com a inteligência que até então não tinha. Até porque com ela veio saber que se pode ter sucesso vindo além da aparência física. O que nos leva a pensar no passado de nerd da advogada, de anos dedicado ao estudo até por conta de sentir discriminada socialmente… Mas meio que como compensação…ela amou o carro conversível “herdado”. Até por conta disso, pelo seu jeito extrovertido de ser, faz com que o “patinho feio” além de ir aprendendo que já é um “belo cisne”, que use e abuse dos prazeres que o dinheiro possa comprar. Sem querer trazer um spoiler, mas já trazendo… Essa lição em será também aproveitada pelo então “patinho feio” num dos episódios… O que devo confessar que em igual situação, eu também teria feito a mesma escolha.

Em “Drop Dead Diva” a advogada Jane Bingum é interpretada pela atriz Brooke Elliot. Até então desconhecida para mim. Agora, fico na torcida para que paralelo a esse personagem deem a ela outros personagens em Filmes, mas sem ser muito caricatos como estão dando a atriz Melissa McCarthy. Que nem estou me referindo ao da Série “Mike & Moly” que aborda o romance e a vida em família entre dois personagens “de peso”: merecedor também de aplausos. Enfim, personagens não apenas caricatos: onde o peso maior seja o do próprio corpo. A menos que tal e qual as histórias como nessas duas Séries numa de derrubar preconceitos. Já a modelo que reencarnou no corpo de Jane, a Deb Dobkins (interpretada por Brooke D’Orsay), visualmente só aparece em alguns episódios até porque ela era namorada de um advogado, Grayson Kent (Jackson Hurst). O que estreita mais a relação entre ambas. Mais ainda por conta de acontecimentos na temporada atual (2014)…

O contraponto entre ambas, Jane e Debb, que é a tônica da história: a união de duas personalidades distintas até fisicamente num único corpo. Debb deu a Jane beleza, vaidade, leveza, elegância, sedução… Jane deu a Debb inteligência, talento, compromisso, seriedade… E ambas aprendendo que melhor mesmo é não perder tempo em vida!

drod-dead-diva_elencoDrop Dead Diva também traz tramas paralelas, não apenas os personagens das causas que advogam, mas sobretudo dos que por lá trabalham. Onde o destaque maior vai para a assistente de Jane, a “investigadora” Teri Lee, vivida pela atriz Margaret Cho. Teri tem seus momentos revenge pelos bullying de outrora de carona com a nova personalidade de Jane. Sendo que a ajuda com a “nova roupagem” veio mesmo com a antiga amiga de Debb, que por contingência do destino, se torna também grande amiga da nova Jane. Falo da Stacy Barret, vivida pela atriz April Bowlby. Stacy ainda vive o sonho de ser uma atriz famosa, mas mesmo sem perceber muito sabe que o tempo também está passando por ela. Com isso, um outro sonho toma ponto em sua vida: o de ser mãe. Onde na busca por um pai ideal para seu filho… Termina por abalar a nova/velha amizade com Jane. Tudo por conta do escolhido: Owen French (Lex Medlin). Pois ambos, Stacy e Owen, não contaram com o fato de se apaixonar um pelo o outro. E Owen seria como uma “Jane de calça comprida“: também gordinho, também se viu cobrado pela sociedade… Enfim, Owen sem querer mais desperdiçar o tempo na terra, resolve se entregar a espontaneidade e vitalidade de Stacy. Em meio a tantos romances… ainda há a presença dos anjos da guarda de Jane meio que a policiando para que Dedd encarne de vez Jane. O destaque vai para Fred (Ben Feldman), o mais atrapalhado. Além desses, vale também a menção de mais dois personagens: Kim (Kate Levering) e Parker (Josh Stamberg): ambos também advogados.

Enfim, Drop Dead Diva é de ver e rever! Com personagens atuando em uníssonos: há química entre eles. A Trilha Sonora também como um coadjuvante de peso! Em destaque os sonhos de Jane onde se vê como uma grande Diva da Música. Onde solta a bela voz aliado a nova postura ousada, que faz até pegar o microfone nos karaokês em idas a bares algo também inusitado para ela. Aplausos também para o criador da Série Josh Berman! Berman quis mesmo com essa Série tentar quebrar os paradigmas de beleza de manequim 38 e com menos de 28 anos de idade. Bravo! E na torcida para que Drop Dead Diva emplaque novas Temporadas, pois pelo o que eu li, a atual que já está terminando veio mesmo por pedidos de fãs! Com isso, segue aqui mais uma fã querendo mais continuações! A Série merece ter vida longa!
Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Mulher que Caiu na Terra : “SOB A PELE” Além de Scarlett Johansson

sob-a-pele_2013_cartazPor Eduardo Carvalho.
Uma estória bem contada sempre é uma estória bem contada. A literatura e o teatro valem-se dessa premissa há muito tempo. No entanto, o cinema tem peculiaridades que lhe permitem extrapolar uma estória bem contada. Fotografia, edição, som, quando bem utilizados, podem criar uma linguagem diversa, para gerar uma obra diversa.

scarlett-johansson_sob-a-peleCineastas como Stanley Kubrick, Nicolas Roeg, David Lynch e Andrei Tarkovski, cada qual à sua maneira, souberam explorar uma linguagem que valorizasse a imagem como fio condutor de algumas de suas obras. “Sob A Pele”, de Jonathan Glazer, parece se encaixar nesta categoria. Ao apresentar Scarlett Johansson como uma alienígena que chega à Terra, que se vale da beleza e da sensualidade das formas que tomou para si, a fim de seduzir homens que lhe serviriam de alimento, o diretor opta por uma narrativa que mais sugere do que explicita. Quem quiser saber por que e para que a protagonista está ali, esqueça. Quem quiser saber a exata função dos aliens motoqueiros, esqueça. O filme centra seu foco na figura da bela serial killer extraterrestre, que busca homens solitários para sua empreitada. Entre uma sedução e outra, entre uma morte e outra, a protagonista observa um casal afogar-se no mar, enquanto o bebê órfão chora ao lado na areia. Impassível diante do ser humano e seus dramas, como qualquer ser de outro planeta o faria.

sob-a-pele_2013_cenasPorém, ao conhecer um homem tão diferente por fora como ela é por dentro – o britânico Adam Pearson, que realmente sofre de neurofibromatose, que causa deformidades no rosto –, a predadora começa a apresentar sinais de compaixão. Assim como os homens que destrói, ela também passa a se sentir uma solitária. A partir daí, tenta compreender o ser humano a partir de sensações e rascunhos de sentimentos. Conhece gestos de bondade de que os homens podem ser capazes, se afeiçoa a um deles; passa a enxergar suas formas humanas no espelho com um outro olhar. Sua curiosidade gera mais sentimentos, e estes geram fraquezas. E sua fraqueza gera sua desgraça.

sob-a-pele_2013_fotografiasHouve quem notasse uma semelhança entre seu isolamento e o da personagem Valentina, de “A Noite”, de Antonioni – realmente, o cabelo preto de Scarlett Johansson está muito parecido com o de Monica Vitti. Somos todos seres incompletos e silenciosamente inquietos, e o alimentar-se do outro preencheria esta lacuna insolúvel. Da mesma maneira, as semelhanças entre as imagens de abertura e a de “2001”, bem como o uso de uma trilha sonora de tons enervantes, como em “De Olhos Bem Fechados”, ambos de Kubrick, não parecem ser ocasionais, e não passam desapercebidas. Através de sons e imagens – é ótima a fotografia explorando luz e sombra das paisagens da Escócia – , Jonathan Glazer parece evocar um certo sentimento de estranheza e de não pertencimento que a reflexão provoca no indivíduo, deste e de qualquer planeta.

Dividindo público e crítica, “Sob A Pele” já tem seus detratores e seus admiradores. Lento e bocejante para uns, uma obra-prima incompreendida para outros, o filme está em algum lugar entre estes pólos. Ao misturar, ao menos na superfície, ficção científica a um terror que nunca se evidencia, Glazer cria uma obra aberta, curiosa e única, com camadas de leituras possíveis. “Sob A Pele” torna-se forte candidato a cult movie. O tempo dirá o que aconteceu.

Augustine (2012)

Augustine_01Augustine_02Própria de seu tempo e de uma cultura repressora, a histeria feminina foi uma das questões que levaram Sigmund Freud a iniciar suas pesquisas sobre o que viria a ser a psicanálise. O que alguns não lembram, ou talvez não saibam, é que ele iniciou suas pesquisas com o Dr. Jean Martin Charcot, neurologista francês atuante no Hospital La Salpetriere, em Paris. Na verdade, os primeiros livros de Freud foram baseados em casos de Charcot e Josef Breuer. Após Freud e Jung terem sido “redescobertos” recentemente pelo cinema, nada mais justo, portanto, do que o foco sobre um pioneiro.

Augustine_03Augustine é uma serviçal de uma família francesa, acometida por tais ataques histéricos. Após uma crise convulsiva durante um jantar em que trabalhava, ela é mandada ao hospital, onde permaneceria esquecida, não fosse uma nova crise, desta vez em frente ao próprio Charcot. As diferenças sociais que já atingiam Augustine em sua vida permanecem quando de sua internação: a “superioridade” e frieza científica de Charcot colocam a jovem como mero objeto de observação e estudos, cuja doença cai como uma luva aos propósitos do neurologista, que luta para firmar a seriedade de suas pesquisas junto à comunidade médica.

Augustine_1.JPGAos poucos, a relação entre observador e observada extrapola os limites do rigor da ciência. Da ingenuidade, a jovem paciente passa a notar o poder que tem sobre Charcot, e se faz valer desse poder. Aqui, a atuação de Soko como Augustine quebra os tons pastéis da fotografia, e de um quase academicismo da direção da estreante Alice Winocour. Sua interpretação é o que engrandece o filme, permitindo ao espectador uma identificação com a personagem, inocente e maliciosa, pueril e cheia de força. Tal desenvolvimento de Augustine permite até mesmo uma leitura da protagonista como o sujeito que, enfim liberto e dono da situação, manipula aquele que seria o detentor do poder na relação. Em que ponto ela descobre sua força perante Charcot? Em algum momento, ela simulou alguns de seus ataques? Nas palavras de Freud, afinal, o que quer uma mulher? (e o que ela faria para consegui-lo?).

“Augustine” é um retrato da condição do feminino no fim do séc. XIX. Porém, mostra o quanto as relações entre os gêneros não são estáticas, e a força do indivíduo pode suplantar os limites sociais aos quais está submetido.

Por Eduardo Carvalho.

Augustine (2012). França. Direção e Roteiro: Alice Winocour. Elenco: Vincent Lindon, Soko, Sophie Cattani, Grégoire Colin, Chiara Mastroianni. Gênero: Drama. Duração: 103 minutos. Classificação: 14 anos.

Menos que Nada (2012)

Uau! Muito bom mesmo o filme “Menos que Nada”, do Diretor Carlos Gerbase, que também assina o Roteiro. É de acompanhar quase sem respirar, num silêncio meio comovedor, até porque o pano de fundo seja como se move a dor de amor no coração de alguém. Muito embora em alguns momentos sonorizei algumas interjeições censuráveis pelo o que fizeram a esse coração fragilizado demais.

O filme teve inspiração no conto “O Diário de Redegonda”, de Arthur Schnitzler. Que trazia uma história de amor impossível. Onde o personagem em vez de correr o risco de morrer por esse amor, ele mergulhou em sua imaginação para então poder viver esse amor. Delírios ou Realidade. Loucura ou Sanidade. São pontos que nos leva nessa outra história. Gerbase entra um pouco no mundo da esquizofrenia para contar a história desse novo personagem, o Dante. E o faz num lançamento simultâneo em mídias distintas: Cinema, Televisão, Dvd e Internet. Eu assisti pelo Canal Brasil.

Sem querer entrar na patologia, pois essa não é a minha praia, prefiro falar da história de Dante, um ser humano esquecido num hospital psiquiátrico. Muito embora o filme deixe uma ideia de que a esquizofrenia, mais que por conta de fatores genético, tem como um trauma um fator desencadeante. Mas se o tal fato apertou o botão de iniciar, haveria mesmo algo guardado em si?

A história de Dante – muito bem interpretado por Felipe Kannenberg -, começou meio por acaso. Ele chama a atenção de uma jovem médica, ainda movida pelo espírito inovador de início de carreira, em sua primeira ronda pelo hospital. Ela é a Dra. Paula. Muito bem conduzida pela atriz Branca Messina.

Paula resolve investir seu tempo naquele ser humano esquecido por todos. Se foi o acaso que a levou a esse paciente, resolve conhecer a história de Dante de um jeito mais científico. De filmadora em punho, começa entrevistando quem ainda o procurou no início de sua internação, que se deu há 10 anos atrás. Então, teria menos que nada para tentar ajudá-lo. E é através desses depoimentos que conhecemos Dante. Um romântico que a vida maltratou.

Tocante! Sensível! Um filme Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Menos que Nada (2012). Brasil. Direção e Roteiro: Carlos Gerbase. Elenco: Felipe Kannenberg (Dante), Branca Messina (Dra. Paula), Rosanne Mulholland (René), Maria Manoella (Berenice), Carla Cassapo (Laura), Janaína Kremer (Mãe de Dante), Paulo Rodrigues (Escrivão), Cris Kessler (Repórter de TV). Gênero: Drama. Duração: 105 minutos.

Como Arrasar um Coração (L’arnacoeur / Heartbreaker). 2010

Ao término do filme fiquei me perguntando porque esse filme não me agradou. Teria sido porque ficou Hollywood demais? Por terem alongado muito para mostrarem mais Mônaco? Tudo lá é muito lindo, mas todo esse cenário acabou deixando o filme cansativo. Como também o que poderia não ter feito a estória decolar fora a falta de química entre os dois protagonistas? Sendo que uma francesinha do início, Florence, é que poderia ter ficado com o papel principal. Enfim, a soma de tudo me leva a dizer que não vale o ingresso.

Uma pena! Porque dois motivos me fizeram ver o filme: Cinema Francês e o ator Romain Duris. O seu Alex até que esteve muito bem. Mas não conseguiu levar o filme sozinho. Seu personagem deu mais química com o cunhado, Marc (François Damiens), do que com Juliette (Vanessa Paradis). Muito sem graça, essa atriz. Ou o Diretor não soube mostrar que ela tem talento.

A temática principal não é original. Pois podemos lembrar da Dama e o Vagabundo, da Princesa e o Plebeu. Nem por ser previsível o final não seria um motivo para não ter me encantado. Da maneira como a estória foi contada, ela se perdeu  nas ruas de Mônaco. Falha da Direção? Do Roteiro? O mote viria com um ar de renovação a essa comédia romântica: uma agência de matrimônio às avessas.

Alex, sua irmã Mélanie (Julie Ferrier), e Marc, são contratados para desmanchar um relacionamento amoroso. Na totalidade, são parentes chegados a mulher, que os contratam. Além de só aceitarem que o trabalho seja para atuarem com a mulher, Alex impõe que se ela realmente esteja infeliz na relação. Acontece que com uma grande dívida pendendo sobre a sua cabeça, ele acaba aceitando o serviço de separar Juliette de seu noivo, Jonathan (Andrew Lincoln). Mesmo ciente que ela está super feliz com o futuro casamento. Com poucos dias para o enlace, Alex tem pouco tempo.

Então é isso! Um filme mediano. Com prós e contras. É pesar, e ver se quer ir ver “Como Arrasar um Coração“. Onde o Roteiro tem furos. O Turismo por Mônaco não teve muita razão de ser. A Trilha Sonora é linda! Romain Duris ainda continua me motivando a vê-lo atuando. Ainda mais com a cena onde dança como a final do filme “Dirty Dance”, com a música: Time of my life.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Como Arrasar um Coração (L’arnacoeur / Heartbreaker). 2010. França / Mônaco. Direção: Pascal Chaumeil. Elenco: Romain Duris (Alex Lippi), Vanessa Paradis (Juliette Van Der Becq), Julie Ferrier (Mélanie), François Damiens (Marc), Héléna Noguerra (Sophie), Andrew Lincoln (Jonathan Alcott), Jacques Frantz (Van Der Becq), Amandine Dewasmes (Florence). Gênero: Comédia / Romance. Duração: 105 minutos.