Uma História de Amor e Fúria (2011)

Certamente, um dos mais elaborados desenhos animados já feitos no Brasil, o filme atravessa quatro períodos da história do país desde o descobrimento até uma visão apocalíptica em 2096 quando o mundo enfrentaria um sério problema de escassez de água. Tudo na ótica de um ser de cerca de 600 anos que vai reencarnando em busca do seu grande amor sempre em combate contra o Anhanguera (O mal).

Camila Pitanga dubla Janaína, a heroína do filme com o talento de sempre. Já a voz do ótimo ator Selton Mello incomoda eventualmente quando soa destoante na pele de um índio Tupinambá e outros personagens similares pouco adequados ao seu timbre monocórdio.

As épocas distintas às vezes são mal entremeadas mas mantém o interesse na trama recheada de momentos curiosos como quando converte um famoso herói da pátria em vilão sanguinário.

Ainda que o traço modernoso embace o tom épico da obra em alguns momentos, o apuro visual e técnico impressiona especialmente na quarta parte do desenho, quando surge a futurista cidade do Rio de Janeiro anunciada como muito segura e cheia de tecnologia com o seu monumento mais famoso pichado e mutilado por um suposto passado violento.

O maior mérito de “Uma História de Amor e Fúria” é a ousadia de abrir caminhos para uma arte ainda pouco desenvolvida no Brasil com um trabalho marcante e de qualidade.

Anúncios

Curta: Tarantino’s Mind (2006)

Selton Mello, Quentin Tarantino e Seu Jorge (necessariamente nessa ordem!)

“Tarantino’s Mind” é um curta-metragem brasileiro dirigido pela dupla carioca 300ML, com o ator Selton Mello como protagonista, contracenando com Seu Jorge, o seu interlocutor. O cenário é um barzinho onde Selton, numa conversa informal e com diálogos descontraídos, inteligentes e engraçados, defende a tese de que os filmes do diretor Quentin Tarantino pertencem, na verdade, a uma obra única havendo intertextualidade com outras histórias de outros filmes que reaproveitam, inclusive, cenários, personagens e situações.

Selton Mello vai dando pistas, citando e enumerando os respectivos atores e diretores. Ele vai fazendo sua explanação, argumentando de que há certas peculiaridades entre um filme e outro desse diretor do cultuado “Pulp Fiction” ou apenas dos produzidos por ele e até mesmo dos dirigidos por terceiros, como: “Eles Matam e nós Limpamos”, “Cães de Aluguel”, “Um Drink no Inferno”, “Kill Bill”, “Top Gun”… tendo unidade, ligação e particularidades, acrescentando ainda várias referências filmográficas e outros apontamentos interessantes.

Tarantino’s Mind pelo seu estilo nada convencional, ousado e original, entrou para a lista dos curtas cult movies. Vale a pena conferir!

Nunca escondi que sou fã desse formidável ator brasileiro tipo exportação! Rs.

Conheci o ator Selton Mello pessoalmente na Maratona Odeon (que acontece na primeira sexta-feira de cada mês do mês) no lançamento de seu filme “O Cheiro do Ralo”.  Coincidência ou não, nesse dia o ar condicionado não funcionou e fazia um calor insuportável justamente nessa sessão e, de repente, o ambiente ficou tomado pelo mau cheiro de esgoto sanitário. Até hoje não sei se foi armação para promover o filme ou realmente foi um acontecimento inesperado, o tal ‘elemento surpresa’. Sempre o admirei pelo seu talento e simplicidade.

Considero-o um dos melhores de sua geração, versátil, perfeccionista e talentoso em tudo o que faz. Mostrou que veio pra ficar e fazer história. Logo cedo, Selton conquistou o reconhecimento, a começar pela família. Os pais se mudaram para São Paulo quando ele ainda tinha oito anos, por causa de seus trabalhos.

Um ator versátil. Dança conforme a música, graças ao seu espírito de camaleão. E não deixa nada a desejar.

Conquistou, merecidamente, reconhecimento do seu trabalho pelo público e crítica. Foi convidado para realizar reportagens internacionais, apresentar programa, fazer novelas, gravar CD, dirigir vídeoclipe, entre outros projetos de dublagens e vários comerciais.

Selton nasceu dia 30 de dezembro de 1972, em Passos – MG.

Em sua terra, acontece até festival de vídeo em sua homenagem.
O rapaz está com tudo. Obrigada, Selton pelos bons momentos de diversão que você nos proporciona.

E eis o curta. Pegue o refrigerante, a pipoca e divirta-se!
Karenina Rostov.

Ano de produção: 2006
Duração: 13 min
País: Brasil
Direção: 300 ML
Elenco: Selton Mello, Seu Jorge
Gênero Comédia, drama
Idioma: português

A Mulher Invisível

a-mulher-invisivel_posterUm exemplo de propaganda cinematográfica bem feita e instigante foi a chamada para o filme “Tubarão” (Jaws) de Spielberg na década de 70. Era misterioso, aterrador, mas mostrava muito pouco. O filme “A Mulher Invisível” de Cláudio Torres comete o erro de entregar quase todas as cenas-chaves e mais hilárias no 2º trailer largamente divulgado. Isso torna tudo um tanto cansativo e meio sem graça até a última meia hora quando se retoma o interesse pelo desfecho razoavelmente bem solucionado.

O esforço do (bom) elenco é evidente em desenvolver um roteiro bacana sobre uma suposta mulher perfeita, mas provavelmente inexistente que surge na vida ou imaginação de um homem que acaba de perder sua esposa. Apesar da criativa metáfora sobre o amor próprio, os diálogos são quase sempre rasos e de humor previsível e a duração é longa demais para uma comédia. No entanto vale pela beleza de Luana Pìovani cujo talento é adequado para o cinema. Selton Mello e Fernanda Torres estão ótimos como sempre.

Mas se você é muito exigente e já viu o segundo trailer (O primeiro era perfeito, compacto e exibia só o necessário), não convém arriscar.

Por: Carlos Henry.

A Mulher Invisível. 2008. Brasil. Comédia, Romance.

Meu Nome Não é Johnny (2008)

vlcsnap-617761

O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos” (M. Y)

Esse foi o cartão que João Estrella recebeu de Natal da Juíza que lhe concedeu o indulto. Presente sem preço que ele conseguiu escutar.

Vamos ao início do Drama: João Guilherme Estrella, muito bem representado por Selton Mello (ator excepcional, em minha opinião), nasceu numa família onde os limites não eram colocados na mesa.

Algumas cenas mostram isso muito bem: tudo era de alguma forma aceito pelo pai. Boa coisa isso não dá. As crianças precisam não só de Educação, mas de limites também; aliás, educar é amar dando limites. Numa família completamente desestruturada, com um pai excessivamente permissivo, uma mãe que pulou fora por não aguentar isso e também por não saber pegar as rédeas da nave, João Estrella se enveredou pelos caminhos da droga e das festas com amigos drogados no Rio de Janeiro. Como ele diz: “O Rio de Janeiro é nosso”.

vlcsnap-644202 O problema do traficante, além de todos que estamos cansados de saber, é que eles são burros.

Sim, são extremamente burros. Pois sobem no poder com extrema facilidade financeira e não arrumam um emprego nem que seja pra disfarçar o dinheiro ganho.

A Polícia tarda, mas não é burra…

Como justificar viagens para Europa, compras, jóias, apartamentos em Copacabana etc sem trabalho?

Essa novela vemos em todos os jornais diários, não é novidade mais, o interessante desse filme é que João é consciente de sua total falta de estrutura, diz ele para a Juíza (Cássia Kiss): “Eu nunca soube o que é dentro da lei e fora da lei, as coisas foram acontecendo“…

vlcsnap-644732

As coisas geralmente acontecem, e esse rapaz nunca soube o que era limite. Palavrinha cara exercida por quem ama de verdade. O olhar benevolente dessa juíza (rara no judiciário, só podia ser filme mesmo) soube captar a falta paterna e materna de João, mesmo tendo pai e mãe.

E ela não errou, pois ouviu que todos os atos dele era nada mais que um pedido de “me tire dessa realidade”.

Filme engraçado que se difere dos fomélicos brasileiros que só abordam as misérias nordestinas e favelas cariocas; mostra que a classe média também tem seus problemas. Gostei muito desse filme, foi um excelente entretenimento para uma sexta-feira comum.

Ah! Já ia esquecendo… Meu nome também não é Johnny, é Vampira Olímpia rs.

Por: Vampira Olímpia.

Meu Nome não é Johnny

Direção: Mauro Lima

Gênero: Policial, Drogas

Brasil – 2008

Nina (2004)

Cinema Nacional Legendado.

Nina é nome de mulher e título de um filme nacional saído das páginas de uma novela russa, da obra máxima de Dostoievski – CRIME E CASTIGO. Dizer tratar-se de um nome feminino foi um pleonasmo proposital, já que Nina é a metamorfose da metamorfose da atormentada alma e personalidade do próprio autor, (a alma de Dostoievski é complexa, “como não ser ao mesmo tempo anjo e diabo?” um imenso labirinto) mais a personagem central ou principal dessa obra batizada de Raskolnikov. Autor e personagem fundem-se de tal forma que não se sabe onde começa um e termina o outro. Uma obra da grandiosidade de Crime e Castigo sendo transformada em um roteiro para filme é maravilhoso; mais maravilhoso ainda é saber que a idéia partiu de um cineasta nacional, um roteiro nacional, o que muito me orgulha e lisonjeia.

Raskolnikov foi transformado em Nina, isso me faz lembrar do filme Transamérica, cujo objetivo de vida da protagonista era mudança de sexo. Há muito o que se questionar em relação a isso, principalmente nos tempos atuais que praticamente quase tudo é possível: clonagem, barriga de aluguel, produção independente (basta pesquisar em um banco de sêmen e fazer a escolha), mudança de fenótipo, e por aí vai… (e isso seria assunto para outra história). Será possível fazer mudança de alma? Alma masculina e feminina são iguais? Há o paradoxo do manto diáfano, da tênue linha que separa ambas. Pólos divergentes. Distintas. E como. Mas voltando ao filme Nina. Nina / Raskolnikov / Dostoieviski são almas atormentadas.

Assisti ao filme e fiquei maravilhada. Há tempos não via um filme tão interessante que me motivasse e que me divertisse. Quem leu essa obra dostoievskiana sabe muito bem do que estou falando. É a mesma história para almas diferentes: alma feminina e alma masculina. O criador de Nina agiu como um cirurgião competente, retirando o excesso, fez uma lipo, colocou silicone onde precisava, botox e uma leve maquiagem. Mas há tanto que se falar dessa obra. Nomes de personagens das obras dostoievskianas são geralmente forjados; Ralkolnikov, por exemplo, vem do verbo rachar, dividir. Daí é só concluir a razão dessa escolha de palavra.

Retomando o que queria dizer sobre o filme NINA – personagem femininA, inteligente e sensível, porém solitária e abandonada à própria sorte da cidade grande, destino incerto, retrata a condição humana das pessoas e seus conflitos existenciais. Ela nada tem de valor material, vive de pequenos bicos e favores. Ela pouco tem de valor imaterial: a sensibilidade poética e artística, porém não a usa adequadamente. Nina (o filme) é ousado e sensível, num estilo meio sombrio, meio gótico, consegue desenvolver-se despertando o interesse das pessoas que o assistem (Mexeu comigo). Nina, meio pretensioso, meio envolvente, fazendo suas escolhas, desempregada, prostituir-se ou não para sobreviver? Ou os caminhos da vida ou da morte, pelo livre-arbítrio (matar ou morrer de inanição?) Há tanto o que se questionar…Coincidência ou não predestinado a ser desconstruído por todo roteirista que se preze, por ser tão significativo. Tenta levar o expectador à beira da loucura, insana e obediente, claro, transportando-nos aos eus mais profundos.

Nina tem seu valor – qual foi o seu crime? E qual será o seu castigo? A sua caridade e boa ação, em dinheiro roubado, dinheiro doado, a velha história de ladrão que rouba ladrão (na cena caliente de paixão em que rouba do cego, inversão de valores, e doa à prostituta que por sua vez paga a viagem de taxi) Que viagem! Nina (Guta Stresser) a garota sensível que via-se envolvida com seus desenhos em seu quarto, revelando um pouco de sua alma, é aquela que mata a bruxa, envolvida nos fantasmas do seu inconsciente, assim como Raskolnikov, um ser imortal pelo sopro de seu criador, envolvida no crime, vive angustiado pelo seu pecado ou pelos conflitos existenciais… assim é Nina-Raskolnikov, e punido será tendo como prisioneiro suas lembranças e a lâmina que fere… enfim… libertar-se, quem sabe…

Esse filme, com certeza, superou todas as expectativas. As cenas muito bem ilustradas com imagem metafóricas dos pintores de paredes (Selton Mello e Lázaro Ramos) que trabalhavam no apartamento ao lado onde Nina morava de aluguel, com a proprietária dona Eulália (Myriam Muniz) contrastando com as pinturas e desenhos de Nina. O diretor desse longa é Heitor Dhalia, que eu não conhecia, e a partir de então considero-o talentosíssimo. Adorei o filme! O cinema nacional está a cada dia mais maravilhoso. Há nesse filme a figura constante da antítese: fome material x fome espiritual; vida e morte, miséria x riqueza; matéria x alma; bem e mal; juventude e velhice. Uma vitória e tanto para o cinema brasileiro também no que se refere às interpretações e aos excelentes atores. Tudo no filme é envolvente, inclusive na escolha de cenário que dá aquele aspecto de antiguidade, de coisa velha e cheiro de mofo. Aliás, é um filme genial. Sinto um grande orgulho do cinema brasileiro. Nota 10!

Há muito filme nacional interessante, mas esse além de interessante é genial. E se esse é o primeiro longa do diretor Heitor Dhalia, já começo a imaginar os seguintes… E se você está se perguntando o porquê do título “Cinema Nacional Legendado”, assista ao filme e descubra entre os desenhos feitos nas paredes por Nina, que há palavras em russo não traduzidas, uma por exemplo, é a palavra “Saída”. Talvez seja uma forma de nos apontar um caminho, uma saída, uma escolha para nossa própria condição humana, nossa própria vida. Existe saída???? P.S.: Esse filme NINA participou do Festival de Cinema de Moscou e acabou ganhando um prêmio de crítica.

Por: Karenina Rostov. Blog Letras Revisitadas.

Nina. 2004. Brasil. Direção e Roteiro: Heitor Dhalia. Elenco: Guta Stresser, Renata Sorrah, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Myrian Muniz, Selton Mello. Gênero: Drama. Duração: 85 minutos. Censura: 16 anos.

Lisbela e o Prisioneiro (2003)

Não sei bem como falar, tem pouquíssimo tempo que escrevo sobre filmes e em um caderno que ninguém lê… rs
Enfim, vou tentar.

É aquela história conhecida do malandro conquistador e a mocinha noiva.

Acabei de assistir e continuo com o sorriso bobo no rosto. Deve ser pelo final feliz de filme que termina com beijo apaixonado depois de tanta vontade de ficar junto. Mas Lisbela e o Prisioneiro me encanta e não sei bem o porque. Aplaudo as cores, a atuação, o roteiro, a trilha sonora e o jeito como me leva. Intercala o sentimento e a história de Lisbela com o filme que ela vê. E talvez seja isso que dê a esperança de acreditar, “o amor é filme“.

Em suma… Lisbela e o Prisioneiro derruba a máxima – muito em volga nos dias de hoje – de que um produto popular tem de ser necessariamente ruim.” ( Roberto Guerra).

Por: Isabela Herig.

Lisbela e o Prisioneiro. 2003. Brasil. Direção e Roteiro: Guel Arraes. Elenco: Débora Falabella, Selton Mello, Virginia Cavendish, Marco Nanini, André Mattos, Bruno Garcia, Tadeu Mello, Lívia Falcão, Paula Lavigne, Aramis Trindade. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 110 minutos.