Últimas Conversas (2014), de Eduardo Coutinho

ultimas-conversas_de-eduardo-coutinho_2014Por Carlos Henry.
Em complemento ao notável filme de Carlos Nader, surge mais esta relíquia, Últimas Conversas, fruto dos últimos trabalhos de Eduardo Coutinho. No caso, esta obra inacabada devido à morte repentina do cineasta, conta com a já conhecida e impecável montagem de Jordana Berg e uma versão final e definitiva assinada por João Moreira Salles.

eduardo-coutinho_ultimas-conversasO feliz resultado é mais um tributo ao genial processo criativo do documentarista, neste caso, visivelmente contrariado com um projeto envolvendo estudantes adolescentes. A proposta inicial de Coutinho era rodar um filme com crianças, mas a ideia foi alterada por questões jurídicas. Este conflito e insatisfação com o rumo do projeto aparecem no início do filme e tornam o entrevistador bem mais falante, irônico e cáustico do que o habitual tornando a obra um pouco diferente de sua filmografia.

Ainda que visivelmente incomodado com o trabalho, o cineasta abusa do seu já conhecido “bom mau humor” para tentar arrancar pérolas dos adolescentes com quem conversa. Afinal acaba conseguindo a fórceps algumas lágrimas, revelações, depoimentos confusos próprios da idade, silêncios curiosos e até uma surpreendente interpretação da música “Listen to Your Heart” da banda Roxette.

ultimas-conversas_2014A crise de Coutinho parece chegar ao final quando surge a menina Luiza de apenas seis anos que parece iluminar o estúdio com sua graça e espontaneidade. Espirituoso como sempre, ele conduz a última entrevista bem mais satisfeito, certo de que faria um trabalho muito melhor se pudesse ter realizado um filme somente com crianças como tinha imaginado no início. Exalta a divertida interpretação que Luíza confere a Deus e abraça a menina que parecia muito à vontade naquela altura a ponto de voltar para se despedir com uma mesura típica da classe alta. Todos se divertem inclusive a plateia. Naquele momento, o artista deve ter imaginado que poderia voltar com a ideia original das crianças num futuro próximo. Infelizmente não deu tempo.

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O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia. 2001)

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Não sei por onde começar ao falar desse filme. Talvez por ter acompanhando com brilhos nos olhos, com um sorriso na face. Mesmo em cenas que seriam tristes, elas foram feitas com tanto carinho (Me foge um termo profissional.) que chegam a nós como um brinde a nossa sensibilidade! Quase duas horas que não sentimos o tempo passar.

O filme poderia sair como um dramalhão a uma simples lida numa sinopse. O que estaria nela? Um workaholic, quarentão, com uma filha; e que após um enfarte resolve “re-pensar” a sua vida. Seus sentimentos afloram. E não viram clichezão. É um enfoque masculino e dele.

O filho que tomou às rédeas do restaurante da família. O filho que passa a olhar a mãe que agora sofre do mal de Alzheimer com outros olhos. O filho que tenta entender a vontade atual do pai em casar na igreja com sua mãe. O pai que ele até então estava se comportando (Só um dia na semana para estar com a filha.). O namorado, ou melhor, o namoro que apenas ia levando. E outras descobertas mais nessa pós-parada.

Agora, todos os outros personagens que poderiam apenas orbitar estão tão bem interpretados, com falas  bem encaixadas, que parece não ter um só protagonista. O pai, a mãe, a ex-mulher, a filha, o primo, o amigo de infância, o cozinheiro, os outros com pequenas passagens, enfim todos estão ótimos! E claro, não esquecendo da namorada atual. Atentem a conversa dos dois na UTI. Ela bem que poderia ter dito um: “Vai à merda!“, mas ela queria mesmo era ir com ele. (Ah, essa expressão figura no filme.).

Há momentos hilários, como na que é parado por um guarda de trânsito! Ou onde contracena com o amigo de infância.

É um filme para ver-e-rever. Quando me falaram isso, de imediato achei que fosse por querer rever outras vezes. Até é. Mas com o Dvd, o ver-e-rever será para não perder os diálogos. Pois em algumas vezes são corridos; e também para não perder as expressões, o mis-en-scène dos atores, como também o cenário. O bom mesmo é ficar voltando o filme.

Há uma cena nesse filme que me levou a pensar see o Juan José Campanella (Diretor e Roteirista) também foi fã de “All That Jazz”. A cena no corredor do hospital. Mais precisamente um certo desfile com a roupa do hospital. Se foi, gostei da homenagem!

Assistam, não irão se arrepender! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia). 2001. Argentina. Diretor e Roteirista: Juan Jose Campanella. Elenco: Ricardo Darin, Hector Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke, Gimena Nobile, Claudia Fontan. Gênero: Comédia. Duração: 124 minutos. Produção: Mariela Besuievsky. Classificação: Livre.