Série: Scandal (2012 / ). Oba! Vem Ai Nova Temporada!

scandal-serie-tvQuem assistiu o filme “Mera Coincidência” (1997) e gostou, vai gostar ainda mais de “Scandal“. Uma Série que veio mostrar mais do que os bastidores de uma firma de advocacia, também traz o marketing político tão indispensável no jogo do poder e do mundo real também. Pois é! Uma casadinha que não deixa por menos: assessores de impressa + equipe altamente especializada em espionagem = felicidade e principalmente sucesso na carreira ou vida pessoal do cliente. A trama foi baseada numa ex-assessora de imprensa do governo de George W. Bush, a Judy Smith. Que aliás além de co-produtora Smith também é consultora da Série. E “Scandal” é uma criação de Shonda Rhimes que já traz como bagagem uma Série de sucesso como “Grey’s Anatomy“.

_ Não da para se afastar quando as coisas ficam feias. Se está acreditando nisso, então está vivendo uma fantasia“.

Ambientada em Washington (D.C) “Scandal” também traz os bastidores da Casa Branca, como também do Congresso. Passando um raio-x na Política e nos Políticos e até nos Lobistas do Estados Unidos. Em um dos episódios, por exemplo, a Séria trouxe uma discussão sobre a 2ª Emenda: a que garante o direito de todo americano portar uma arma. Onde até fora da ficção, os que defendem um controle armamentista, se veem derrotados no Congresso. “Scandal” também traz o Grande Júri; até porque muitas das tramas começam e terminam nos Tribunais.

serie-scandalAntes mesmo de começar, a Série rendeu um buchicho de bastidores. Pelo o que contam a atriz protagonista foi uma militante na campanha de Barack Obama e diretamente ligada a ele. Com isso, ciente de que seu personagem na ficção teria um envolvimento com o presidente, ela pediu para que colocassem um ator branco para o papel. Algo prontamente atendido. E fora dos bastidores, o comentado também seria o ciúme da Primeira Dama real para com essa atriz. Disseram até que ela teria passado também a usar franjas como a atriz. Bem, se tudo seria mera coincidência ou não… O certo é que o Presidente Obama é um gato!

scandal_kerry-washingtonScandal” traz como protagonista uma ex-consultora de mídia do Presidente dos Estados Unidos; o porque saiu é mostrado ao longo da trama. Ela é Olivia Pope, numa grande atuação de Kerry Washington. Ciente de seu talento, Olivia não abre uma simples firma de advocacia, indo além: uma empresa apta a tirar o cliente do meio de uma monumental crise e que não é para qualquer um! Para quem já teve, e ainda teria livre acesso na Casa Branca, sua clientela teria que ser da elite, seja ela da política ou não, desde que fosse alguém que atrairia para si próprio os holofotes da grande mídia: se já no meio ao crise ou na iminência dela… Para se verem livres… Manter todo o aparato da empresa nessa empreitada: o custo é bem alto. Até para manter sua equipe escolhida a dedo. Olivia buscou também pelo talento de cada um deles em resolver toda a situação e sem deixar rastros, mas há também um outro motivo contado também ao longo da Série. Enfim, Olivia até pode não cair na simpatia de todos, mas até fora do Capitol Hill, se estivessem vivenciando uma crise ou um grande escândalo, sabiam que ela era pessoa certa a ser chamada. Olivia só não era muito boa quando o assunto se resumia a sua vida pessoal. Ah! A personagem tem em seu guarda-roupa algumas das marcas mais famosas como: Armani, Christian Dior, Prada, Gucci… Como se diziam antigamente, ela é uma moça de fino trato!

serie-scandal_os-gladiadoresUm pequeno perfil dos que ela trouxe para a “Olivia Pope & Associates“, que ela denominou como os seus gladiadores:
– Huck (Guillermo Diaz): Um ex-agente da CIA. Com um passado nebuloso. Tem uma dedicação/devoção extrema por Olívia. É um hacker dos bons: algo que com certaza ajuda nas investigações. De pavio curto, tende a tomar medidas extremas. E que tenta a todo custo se livrar da “carcaça” podre que a CIA deixou nele.
– Harrison Wright (Columbus Short): Wright é o oposto de Huck. Esbanja elegância e refinamento, e que contribui como sua principal arma nas investigações: a sedução. É uma pena que o ator Columbus Short não pode ser escalado para a 4ª Temporada. Pois se envolveu numa briga de bar: foi indiciado; pagou fiança e aguarda a sentença que pode até a vir ser condenado à 4 anos de prisão. Pena mesmo! Seu personagem era um gato! Como um suspense: no último episódio da 3ª temporada seu personagem apontava uma arma para a própria cabeça. Morreu? Não Morreu? Saberemos na Temporada que vem por aí…
– Abby Whelan (Darby Stanchflield): É a investigadora mor da equipe. Sem papas na língua. Indomável. Poucas coisas escapam à ela em suas pesquisas. Mantém uma grande amizade com Olivia. Além de uma gratidão por algo de seu passado que até a fez perder seu grande amor.
– Quinn Perkins (Katie Lowes): Quinn fora a última aquisição da equipe. Perita em explosivo, mas sem muita utilidade para a firma. Até porque discrição é fator fundamental para as soluções dos casos. Com isso sente que caiu ali de para-quedas. Aos poucos desvenda o seu próprio mistério. Em busca de adrenalina… terá a sua perdição ao se envolver numa relação explosiva com um agente da B-613, que até por conta disso Huck e Olivia a mantém em “monitoramento”.

Essa B-613 é… Digamos que é mantida por um “caixa 2” do Congresso. Eles sabem que o dinheiro terá que ser liberado, mas sem saber para que.

Olívia: É tão engraçado.
Cyrus: O quê?
Olívia: Eles são todos assassinos. Reston, Sally, Fitz… o debate presidencial. É literalmente a fileira de assassinos (em referência ao apelido do time dos Yankees, Murderers Row). Não importa quem seja eleito, eles são todos assassinos.
Cyrus: Ninguém é perfeito.”

serie-scandal_elencoAlém deles, destaque para outros personagens que continuarão na Série:
– President Fitzgerald “Fitz” Grant (Tony Goldwyn): Do Partido Republicano. Só irá saber como ganhou de fato a eleição mais tarde. Casado. Tem três filhos: Jerry, Karen e Teddy. Mais parece um menino mimado que recebeu tudo de bandeja. Ou que teve tudo facilitado pois o queriam na Casa Branca. De verdadeiro mesmo seria o seu amor por Olivia. Por ela até abandonaria a presidência. Mas isso também não estaria nos planos daqueles que o colocaram “no topo do mundo”.
– Mellie Grant (Bellamy Young): Primeira Dama dos Estados Unidos. Sabe do caso de Olivia com Fitz. Muito ambiciosa, acaba engolindo sapos demais. Domina bem a arte da manipulação.
– Cyrus Beene (Jeff Perry): Chefe de Gabinete e “braço direito” do Presidente. Cy vive e respira todo o jogo de poder conquistado. Mantém uma relação de amor e ódio por Olivia: amor em admiração pelo talento dela, e ódio por quase sempre ter que recorrer a ela. Por conta das “ideologia” de Fitz, esconde a sua homossexualidade. Até que ao conhecer o tempestuoso James Novak (Dan Bucatinsky), se apaixona assumindo de vez a relação em um grande baile na Casa Grande. Uma relação que terá de tudo, de tudo mesmo ao colocar em cheque o “animal político” Cy…
– Jake Ballard (Scott Foley): Amigo antigo de Fitz, que ao receber desse uma missão, acaba abalando essa amizade. É que Jake se apaixona por Olivia. O que o coloca também como mais um a protegê-la. Mas aí a B-613 entra em cena…
– David Rosen (Joshua Malina): David tinha um alto cargo na Promotoria do Estado. Sendo um calo no pé para Olivia por não concordar com os métodos que ela empregava. Até que acaba perdendo esse emprego e um pouco da credibilidade ao investigar o caso Defiance sobre a eleição presidencial. Quando então e ainda sempre tentando seguir a lei, passa a ser um Promotor Distrital. David se apaixona por Abby e ela por ele.

serie-scandal_pais-de-olivia-popeAinda vale destacar mais esses que também continuarão nessa 4ª Temporada: são os pais de Olivia. Rowan Pope (Joe Morton), o pai e Maya (Khandi Alexander), a mãe. Bem, Olivia já descobriu que ele era o temido Comandante da B-613 e que também a mãe além de estar viva é uma terrorista perigosa. Bem servida de pais essa jovem, hein! Resta saber o que aprontarão agora.

A Série “Scandal” teve início em 2012. Agradando a muitos desde então! Eu virei fã! A 3ª Temporada foi abreviada por conta da gestação já avançada da atriz Kerry Washington, que aliás ganhou uma menina. A nova temporada aqui no Brasil estreia no dia 5 de março, às 22:30h, pelo Canal Sony. Estou aguardando ansiosa!

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A Separação (2011). Ou: o Declínio da Família Contemporânea.

E quem estaria com a razão? Todos… Ninguém… Pois tanto em termos da natureza humana, quanto da sociedade, tudo dependerá de seu próprio ponto de vista.” (Asghar Farhadi)

O filme “A Separação” traz em primeiro plano uma reação em cadeia devido a separação de um casal. Pois quase todos os envolvidos se viram na obrigação de mentir, ccomo também de omitirem certos fatos. E que para alguns deles o que antes parecia ser uma mentirinha de nada, tomou um rumo inesperado.

Agora, seria mesmo uma casualidade de chegarem ao ponto onde chegaram? Que ao mentirem crendo ser com boas intenções não haveria implicações? Até porque para manter a mentira que se contou terá que obter pelo menos o silêncio de outros envolvidos. E estando de posse da mentira do outro, teria como se eximir da própria? O ato de mentir traria muito mais o peso do pecado ou o do perjúrio? Mas e quando Religião e Estado ocupam o mesmo estado de direito? Mais! E quando o Sistema Judiciário, sobrecarregado, se perde nas próprias malhas da Lei? A sucessão de erros fora por que alguém não segurou a onda? Mas quem, ou melhor, o que foi o ponto inicial desse drama familiar? Que terminou envolvendo outras pessoas. Onde inocentes ou culpados todos pagaram um preço.

Além dessas reflexões, o filme também traz um outro tema: o de ter um membro da família já idoso, com o agravante de precisar de atenção e cuidados por quase 24 horas diárias. Interná-lo, ou mantê-lo em casa? Quando a renda familiar não permite colocar profissionais para esses cuidados, aceita-se qualquer um? Mas nesse filme vemos um outro ponto. A mulher ganhando mais que o marido, e sendo o idoso o pai dele. Onde eu acho que tudo começou. Sobrecarregada, mesmo gostando do sogro, ela tomou uma decisão precipitada. O marido que antes já não tinha aceitado que a esposa pagasse por enfermeiro, não seria com a nova decisão dela que ele mudaria de opinião. Numa de que é o “macho que sustenta a todos da família”? Mas ele também se precipita aceitando a primeira que apareceu para tomar conta do pai. E o pobre do idoso, sem querer, termina por ser a causa da separação do casal.

A separação veio por mais uma decisão sem pensar de Simin (Leila Hatami) que vira na permissão dos vistos (passaportes) uma chance de sair do Irã. Acontece que o marido, Nader (Peyman Moadi), não quis abandonar o próprio pai (Ali-Asghar Shalbazi); o tal idoso, e acometido do Mal de Alzheimer. Então, também orgulhosa, ela pede a separação de direito do casal. Até porque Nader concordou com o desenlace deles, mas  não concordou que ela levasse a filha do casal: Termeh (Sarina Farhadi, filha do Diretor do Filme: Asghar Farhadi.). E que essa por sua vez, já uma adolescente, não queria perder os estudos.

Simin pensou que assim intimidaria o marido. O que talvez teria conseguido se houvesse mais diálogo entre o casal. Já com quase 15 anos juntos, estavam à beira de uma crise, e que pelo jeito nenhum dos dois percebeu. A seu favor, havia o peso de uma sociedade machista e autoritária, e de tradição centenária. Dai o fato de ter focado mais no destino final – o de viverem em outro país -, do que ir preparando terreno aos poucos. Sufocada, não pensou direito.

Tanto um quanto o outro usaram a própria filha como desculpa. Grande erro! Pior! Jogaram nos ombros dela a decisão final. Simin via em sair do pais um futuro não tão rígido para Termeh. Já para Nader ele achava o país o melhor lugar para criar a filha. Mas no fundo, ambos sabiam que a filha os manteriam pelo menos próximos um do outro. E é algo que machuca: em ver que ainda havia amor entre esse casal.

Termeh, em meio a esse fogo cruzado, fica sem saber o que fazer. Como agir. Talvez por conta de um temperamento calado, muito mais propensa aos rigores da tradição do país, do que a própria mãe, ela foi cozinhando os dois em banho-maria. Desejava a reconciliação deles.

Em “A Separação” vemos como pano de fundo um Irã de uma classe média alta. Se não fosse pelos lenços cobrindo as cabeças das mulheres, o lugar passaria por um bairro em algum país do Ocidente. Mas avançando o olhar, ele é definido como sendo um com tradição Islã pela modo como tratam as mulheres.

Agora, como em todo lugar do planeta, se há a classe que se dá o luxo de pagar por empregados domésticos, também há esse outro contigente advindos das classes mais baixas. Onde moram no filme é ilustrado pelos ônibus: significando que moram longe dali. O que pesa também para essas pessoas: distância + custo das passagens + cansaço por essa jornada…

Personificando esse proletariado teremos um outro casal, e que serão envolvidos nessa separação inicial. A primeira envolvida será Razieh (Sareh Bayat), com a filhinha. Depois, seu próprio marido: Hodjat (Shahab Hosseini). Se para o primeiro casal, nem o fato de “não faltar nada em casa” pesou para manter o casamento, o mesmo foi um fator preponderante em salvar a própria união. É que desesperada em ver o marido, há meses desempregado, ter sido levado pelos credores, Razieh mesmo grávida, mesmo indo contra a sua religião, implora pelo emprego a Nader. E ocultando tal fato do marido.

Nader tendo que ir trabalhar, não querendo ser render de que precisaria da esposa de volta, ciente também de que estaria indo contra os princípios do islamismo, aceita que Razieh tome conta do pai, e da casa. Ela por sua vez fica ciente de que o idoso Alzheimer. Logo, em algum momento teria que tocar nele. Num homem. E quando tal hora chega, é um quadro patético em vê-la ao telefone querer saber se isso seria pecado ou não.

Não ficando só nisso, ainda há lhe pesar… Pela distância percorrida até chegar nesse emprego, pela gestação em período de cuidados, pela jornada dupla de trabalho, Razieh coloca a filhinha para ajudá-la no serviço da casa. A criança ao descer as escadas com o lixo, acaba entornando-o. Uma moradora do prédio impõe que Razieh limpe, e logo. Aturdida, ela esquece do idoso. E…

A partir daí mais erros se sucedem. Como uma avalanche. Mentiras e omissões em lugar de diálogos francos e respeitosos. E quando Hodjat descobre tudo, a teia de situações conflitantes aumentam. A grande questão que se estampa: Quem iria dar um freio aquilo tudo? Para no mínimo tentar uma conciliação geral. Um meio-termo onde ninguém achasse que não teve razão no que fez.

Não pude evitar em pensar na crise atual e no mundo real. Onde estão aumentando a população pobre dos países tidos como do primeiro mundo. Como também, que mesmo criticado por muitos, o Brasil com o seu Bolsa-isso-Bolsa-aquilo fez foi diminuí-la. Então, no filme, para esse casal de baixíssima renda, o próprio país era ainda mais opressor do que para o outro. Não havia o Bolsa Família do Ocidente, por exemplo.

Mas tanto Estado quanto Religião, em geral, incentiva em se ter uma família. Não importando se terão como mantê-la ou não. Não é de boa política o planejamento familiar. Algumas tradições ainda incentivam em trazer mais filhos ao mundo.

Para o casal pobre o desemprego viera já estando casados e com uma filha nascida e outra a caminho. Pesando ainda o fato de que psicologicamente Hodjat não estava tarimbado para ser um pai, nem em constituir uma família. A recessão que passava só trouxe a tona seu temperamento explosivo. Com tudo isso, o casal não apenas se envolveu, como também Hodjat quis tirar proveito de um fato. Já que com a indenização, teria como se livrar dos credores.

Além da crise financeira poderia se pensar que é por culpa de uma cultura machista? Se sim, ela não é privilégio das de tradição Islã. As do Ocidente, mesmo que veladamente, também se calca nela. Se alguém achar que não, que preste atenção nas propagandas de algum produto voltado ao lar, a família, só como exemplo. Eles colocam a mulher como compradora compulsiva, ou como uma “do lar”. Já para o homem, o mesmo produto é vendido como um hobby. Então a culpa não seria por ocidentalizar os costumes locais.

Para mim, o que Asghar Farhadi quis mostrar em “A Separação” é que a instituição Família que está em falência.

Que não importa se no Ocidente, ou no Oriente, é esse laço que precisa ser revisto. Ser pesado. Ser reavaliado sempre. O “sombrio” sentar para discutir a relação precisa acontecer. E que em vez de já numa mesa de um Juiz da Vara de Família, por que não com a ajuda de alguém da Área Psico, assim evitando chegar as vias de fato. Tem uma certa hora que o melhor a fazer é sentar e conversar. Saber o que cada um ainda estaria procurando nessa relação. O que, ou em que, cada um cederiam para uma boa convivência. Pesar se é o ser ou o ter que é alicerce da mesma. É por aí. Já que para cada casal também há conflitos únicos.

Não sei se por conta de não sofrer censura do governo e com isso não teria o filme liberado que Asghar Farhadi deixou o final em aberto. Os créditos subindo, e de cá ficamos sem saber a sentença final. Mas que para mim houve sim um desfecho. Como citei anteriormente: ele quis mostrar o declínio da instituição Família. Em qualquer classe social, e a bem da verdade, em qualquer cultura também!

O filme deixa uma vontade de rever logo em seguida. Por ficar a sensação de ter perdido tal cena quando mais a frente ficamos ciente de que foi ela que levou a tal consequência, a tal mentira. É uma uma mentira levando a outra, e depois a outra, e mais outra… A trama vai se revelando aos poucos, como num Thriller. A impressão de não termos prestado atenção no fato anterior, é por também querer conhecer, saber de todos os detalhes para melhor avaliar; para então ver se havia razão de ser. O ter como ponderar, como numa cena entre Nader e Termeh. Na realidade, sabemos como o fato anterior se deu. Julgá-los já se perde a razão de ser. Até porque: está feito! Como também não é de nossa alçada.

Então é isso! Com um elenco afinado – de querer vê-los em outros trabalhos -, temos em “A Separação” um filme Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Separação (Jodaeiye Nader az Simin. 2011). Irã. Direção e Roteiro: Asghar Farhadi. Gênero: Drama. Duração: 123 minutos.

Querido John (Dear John. 2010)

Ainda vendo o filme – Querido John -, fiquei pensando se teria que me posicionar como uma estadunidense para entender melhor o que ia pela cabeça do casal de protagonistas. Para pelo menos não ser tão crítica com eles vendo-os como superficiais demais. Até o engajamento de ambos não pareceu vir de dentro. Talvez por uma fuga, ou mesmo por não ter uma perspectiva maior para si mesmos. Claro que nem todos precisam nadar contra a correnteza. Nem todos precisam ter ambições profissionais. Até entenderia que a personagem aqui tivesse “saído” da Escola do filme ‘O Sorriso da Monalisa‘. Que a estória deles até possa ter dado certo no Livro. Mas no filme a estória de ambos se perdeu. Eu não sabia se abandonava a sessão ou se ansiava que chegasse logo ao final. Por fim, terminei de assistir. E… Tudo por conta de John (Channing Tatum) e Savannah (Amanda Seyfried).

Começando por John e por algo positivo do personagem. Algo que costumo ressaltar em meus textos. O de canalizar um aspecto próprio que poderia até destruir a vida de uma pessoa. Pois já que é nato o melhor a fazer é encontrar um outro caminho, num fim benéfico, ou menos destruidor. John era extremamente forte. Mais! Reagia muito rápido, e com violência, a até a uma agressão verbal. Muito embora fosse uma pessoa pacata. Por conta de uma briga… se alistou. Para mim foi para ter como descarregar essa força e sob um comando. Criado pelo pai (Richard Jenkins – Sempre ótimo!) desde a infância. A mãe abandonara os dois. Seu pai colecionava moedas. Um hobby passado pelo filho após esse ter-se encantado com uma visita na Casa da Moeda quando criança. Ambos, de pouca fala. Seu pai era uma pessoa extremamente metódica. E tendo boa índole também.

John estava de férias – duas semanas -, do serviço militar. Em seu primeiro dia uma jovem chama a sua atenção. Ela nem o notara. Chegara com um grupo no pier onde John olhava o horizonte após surfar. O rapaz que acompanhava a jovem, ao brincar com a bolsa dela, acaba deixando cair no mar. Enquanto ele corre para sair do pier e então ir pela praia buscar a bolsa, John pula lá de cima mesmo. Um gesto imprudente que poderia até ser fatal. Era um macho chamando a atenção da fêmea. E conseguiu. Ela é Savannah. Que se sente na obrigação em retribuir o favor. Já que ele lhe trouxera sua bolsa.  Aos poucos o gelo foi se quebrando e eles começaram a namorar. Cientes que ele voltaria para o Quartel,e ela iria para a Faculdade.

Às vésperas dele embarcar, eles se desentendem. Tudo porque Savannah comenta do problema do pai do John. Ele fica indignado. Na cabeça dele, era como se ela chamasse seu pai de maluco. Savannah tinha percebido que o pai dele era autista. Ela tinha um pouco de experiência nisso por conta do filho, o Alan (Braeden Reed), de um grande amigo, o Tim (Henry Thomas), de seus pais.

Refeito e já mais calmo John vai procurá-la até para se desculpar. Não a encontrando deixa um bilhete com um vizinho. O tal pai do menino e que já sentira fisicamente uma das explosões de John. Mais tarde Savannah vai ao seu encontro e com uma carta. Selando de vez o compromisso de sempre escreverem cartas contando tudo o que faziam, enquanto estivessem longe.

A princípio, John daria baixa dali a alguns meses. Mas um grande incidente o fez mudar de ideia, e seguir carreira militar. Fora o 11 de Setembro. E é por conta disso, um dos motivos que citei no início do texto. Logo de início, até dá para entender a causa que o Bush levantou: combater os terroristas. Mas com o passar do tempo caberia uma reflexão maior. Mas é o que falei: eu não sou uma cidadã americana. Como já deixei meu ponto de vista sobre o que veio com o 11 de Setembro em alguns textos de filmes como em ‘Soldado Anônimo‘ e ‘No Vale da Sombras‘, para citar dois exemplos.

Com isso o tempo longe um do outro foi aumentando.

Savannah até pelo carinho com o pequeno autista investe seu tempo e dinheiro num Haras para uma ajuda terapêutica, ou até reabilitação de Crianças com algum tipo de sequela. Mas sem nenhum planejamento não soube levar o espaço adiante. Era algo caro demais para se manter. A bem da verdade ela estaria melhor como uma dona de casa que ocupasse seu tempo vago como voluntária em causas humanitárias. Os bastidores, era muito trabalhoso para ela. E sem John por perto a sua realidade como pessoa a levava a tomar uma decisão, e logo. Para ela a receita da felicidade era ter sonhos realizáveis.

A distância consegue matar um grande amor?

Quando se está de fora é até fácil dizer: ‘Isso eu não faria!‘. Até aqui, eu aceito. Mesmo assim o que esses dois fizeram fora um desperdício de vida. Eles se “engajaram” em causa alheia esquecendo deles mesmos. No que ela fez pode até ter um que de humanitário, mas fora precipitado.

Enfim, se enxugassem um pouco o filme ficaria como um bom sessão da tarde. Mas do jeito que está ficou um tédio. Não recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Querido John (Dear John). 2010. EUA. Direção: Lasse Hallström. +Cast. Gênero: Drama, Romance, Guerra. Duração: 105 minutos. Baseado no livro homônimo de Nicholas Sparks.

Em Paris (Dans Paris. 2006)

Moscou não acredita em lágrimas.

O que me levou a assistir esse filme foi o ator Louis Garrel. Por ter gostado dele em “As Canções de Amor“, li que participara desse. E foi por apenas essa informação. Meio que ainda sem saber da trama, logo na cena de início me fez pensar em outra do outro filme. Se lá ele dividia a cama com duas mulheres, nesse eram dois homens. Com mais esse detalhe, segui atenta. Até que tomo um susto, por vê-lo olhar para a câmera. Olhar para mim. Foi um susto gostoso, meio que pega num flagra! Logo em seguida ele conta um pouco do que iremos ver. Mas antes de voltar ao filme… Deixa uma pergunta no ar… Como a minha resposta seria um não categórico. Pois seria algo que eu não faria. Acompanhei com mais interesse a história. Quem teria feito tal coisa?

O outro na cama é seu irmão, Paul (Romain Duris). Com o desenrolar da história ficamos sabendo que está sofrendo muito com uma separação. Nesse período depressivo foi morar com o pai, Mirko (Guy Marchand) e o irmão Jonathan (Louis Garrel). Esse, acaba cedendo o lado da cama para o irmão. E com um temperamento inverso de Paul, pelo seu jeito extrovertido, tenta levantar a moral do irmão.

A frase no início do texto é mais que um chavão do pai. É como uma armadura para enfrentar os dissabores da vida. Até da sua separação. Como Mirko para os filhos passa a idéia de ser uma fortaleza, Paul fica mais vulnerável ainda. Há uma cena onde ele diz ao irmão – ‘Não me massacra!‘ – nos faz sorrir carinhosamente. Pois não tem como não se encantar com o jeito moleque de Jonathan, nem pela fragilidade de Paul. E quando Jonathan diz – ‘… te dou uma porrada!’ – percebemos o quanto Paul precisa dele. Mesmo sendo Paul o irmão mais velho. (Ah! As reticências são para encobrir um spoiler.)

O filme deixa a mensagem que o homem pode chorar sim por amor. Que isso não é exclusividade de nós, mulheres. Muito embora, muito deles não chorem.

Falando em mulheres… O filme traz uma inversão do que comumente se vê entre casais. E o faz com duas personagens femininas, no caso, duas ‘ex’, a de Paul, e a de Mirko. Essa, com algo muito mais comum aos homens. A mãe de Jonathan e Paul em vez de um nome ganha uma alcunha bem pejorativa.

A história se passando às vésperas do Natal, deixa a idéia do peso do sentir-se protegido, de ter um porto-seguro, de saber que é amado… Mirko, é um pai zeloso. Meio bronco no que se refere a carinho, mas se preocupa com eles. É gostoso vê-lo em seus cuidados, principalmente com Paul. E também é de se acompanhar emocionada as conversas com os dois irmãos.

E o filme tem um trecho musical lindo. Com Paul e a ‘ex’. Numa de mostrar que se é definitivo a separação, que é melhor fazê-la antes de virar uma guerra. Sair de cena enquanto há um diálogo amigável.

Pois é, mais um belo filme focando o universo masculino. Mas com um diferencial. Sendo eles, cada um a seu modo, passando pelo sentimento de perda. Eu gostei de ‘Em Paris‘! Bom para ver e rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Em Paris (Dans Paris). 2006. França. Direção e Roteiro: Christophe Honoré. Elenco: Louis Garrel, Romain Duris, Guy Marchand, Joanna Preiss, Marie-France Pisier, Alice Butaud. Gênero: Drama. Duração: 92 minutos.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights. 2007)

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou…

Embora o filme tenha uma belíssima trilha sonora, ao longo dele, era esse trecho da canção do Cazuza que ficava como um fundo musical em minha mente. Se o amor acabou de um dos lados… Insistir, pode ser pior. Por outro lado, guardar rancor por não ter recebido aquilo que esperava, também é ruim. Cada um tem um jeito de amar. Tem um jeito em doar esse amor. Cobranças, não abre portas.

Primeiro filme em inglês do Diretor de “Amor à Flor da Pele”, o Wong Kar-Wai. Só nesse quesito já seria um incentivo para que eu assistisse. Ah sim! O Jude Law e o seu queixinho, também.

Viajando no título… Para ser mais preciso, na fruta escolhida para o recheio dessa torta. Ainda bem que ele não escolheu a maçã, até porque essa fruta eu só gosto dela ao natural. Daí, numa rápida pesquisa… Blueberry é nativa dos EUA (Também do Canadá, mas esse não vem ao caso.). De coloração forte. Tem um sabor doce-ácido… A mim, me deu água na boca, pois não gosto muito de doces muito doce. Creio que ele chegou a essa fruta por conta disso: o de que nem tudo é tão doce na vida.

Entrando na história… Jeremy (Jude Law) tem a sua rotina quebrada com a chegada de Elizabeth (Norah Jones). A princípio, seria mais uma sentindo a dor de uma separação. Mais uma que crê que ser a única a sofrer uma desilusão amorosa. Mas Elizabeth tem um diferencial: ela mais do que falar, gosta de ouvir. Um prato feito para esse solitário e encantador dono de um Café. Ele conhece as pessoas por aquilo que pedem no cardápio. Sendo a primeira vez dela, ao final da refeição sugere algo especial. Algo que ninguém pede, mesmo assim ele a prepara todas os dias. Elizabeth então aceita. A torta de Blueberry. E gosta! Ele mais ainda.

Nesse seu posto, sobretudo ciente de que tem talento na cozinha, como também por ser tão encantador, tem a confiança de seus fregueses. E por conta da movimentação, ele rever as fitas gravadas após o expediente. Ficando mais por dentro do que cada um deles faz, come, olha… Seu Café além de um ponto de encontro, também torna-se um ponto de separações de casais. Dão a ele as chaves dos corações desfeitos. Ele as guarda por talvez achar que algum dia se abrirão. No final, ele descobre que… Melhor assistirem. É algo que ele diz a quem… É, tal qual a Elizabeth, ele também fora preterido.

Elizabeth resolve colocar o pé na estrada. Tentar esquecer que fora trocada por outra. Sem um carro, segue de ônibus; decidindo trabalhar com afinco até comprar um. E aí sim, curtir mais todo o trajeto, por poder seguir no seu tempo. Sua curiosidade a faz conhecer outras desilusões. Tal qual Jeremy fez com ela, também trata com carinho àqueles a quem serve. É, não como dona, mas por trás de um balcão, diante de uma mesa.

Tanto Jeremy, como Elizabeth, são duas pessoas cativantes. De diferencial, seria que ele não é chegado à mudanças. Não tem pressa. Para ela, que se lançou ao mar, aquele local, ficou como um porto seguro. Daí, sempre que podia escrevia a ele. Mas como estava na estrada, ele não tinha como responder. O jeito fora esperar.

Enquanto isso, Elizabeth se enternece com a história de Arnie (David Strathaim) e Sue Lynne (Rachel Weisz). Foram casados, mas Arnie ainda desejava a mulher de volta. A prisão que ainda sentiam, faziam com que machucassem um ao outro. Não fisicamente. E sim na alma. Elizabeth conhece então a dor vinda de uma relação maior que a sua. De um casamento onde parecia que não fora alimentado.

Depois, indo trabalhar num Cassino, conhece Leslie (Natalie Portman), uma jogadora compulsiva. Que aprendera jogar ainda em criança com o próprio pai. Mas nem sempre o vento está a favor… Com elas, vamos do riso a emoção. A dor aqui vem de uma relação pai e filha.

Então Elizabeth compreende que aquele a quem deixara atrás daquele balcão era com quem queria ficar para sempre. Restava-lhe saber se ele também queria o mesmo. Pois mesmo enviando tantos postais, não lhe dera chance de responder.

Eu amei esse filme! Atuações brilhantes! Não se vê o tempo passar. Deixou uma vontade de ir lá comer aquela torta de blueberry todas às noites com Jude Law. Esse, entrou para a minha lista de rever. Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights). 2007. Hong Kong. Direção e Roteiro: Kar Wai Wong. Elenco: Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz, Natalie Portman, David Strathaim. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 90 minutos.