Na Natureza Selvagem (Into The Wild)

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Apontar algumas noções de Antropologia agora não será um desperdício. Um animal homem sozinho não tem a força de vários animais homens reunidos; isso é óbvio. Não se torna difícil perceber que uma sociedade é composta por vários homens afim de se defenderem de uma natureza dita selvagem. Isso é o bê-a-bá da Antropologia Sócio-Cultural. As chances de um animal homem (que é animal social assim como as formigas, cupins, leões, macacos etc) sobreviver à selva sozinho se torna mínima. O Homo sapiens precisa de “calor humano” para dividir a força-tarefa e para aumentá-la. Um paradoxo inegável no mundo social.

O filme mostra as etapas de um rapaz que decide experimentar a liberdade longe do social e em contato apenas com a natureza mais rústica. Pra isso, ele muda seu nome e desaparece de sua família de origem. Assim, vai viver sem raízes, criando suas próprias origens e referências.

Entende que o poder e o dinheiro são apenas ilusões que prendem o homem na matéria, o ilude em um máximo torpor. E vive assim, como um ‘Supertramp’… um dia de cada vez.

No entanto, seus planos para buscar a liberdade e a felicidade são audaciosos demais… pois foge ao caráter instintual do homem: o convívio com outros homens. Fugir a isso é tentador, mas é negar a própria natureza.

Um paradoxo confuso, por sua vez. Pois o homem não é uma ilha, e ainda que se ilhe interiormente (conheço vários assim), exteriormente necessita de uma comunidade para sobreviver à própria vida. A natureza não tem piedade… e nós fazemos parte da natureza.

Essa obra requer uma certa paciência pois é um “Naufrágio” consensual. (quem viu Náufrago entenderá essa minha colocação).

Diria, inclusive, que a idéia não passou de um suicídio ilusório… Pois onde há liberdade? também quero saber!

Por: Vampira Olímpia (com apoio e colaboração textual de Deusa Circe).

Into the Wild – Na Natureza Selvagem

Direção: Sean Penn

Gênero: Drama

EUA – 2007

Curiosidades retiradas do site Adoro Cinema:
– Sean Penn aguardou 10 anos para rodar Na Natureza Selvagem, pois queria ter a certeza da aprovação da família McCandless para que o filme fosse realizado.
– Sean Penn chegou a fazer um teste com Leonardo DiCaprio, quando teve interesse em rodar Na Natureza Selvagem pela 1ª vez.
– Daveigh Chase fez testes para a personagem Tracy, mas foi preterida por Kristen Stewart.
– Brian Dierker foi inicialmente contratado como consultor para as cenas de rafting do filme. Foi Emile Hirsch quem sugeriu a Sean Penn que o escalasse como o personagem Rainey.
– Emile Hirsch perdeu 18 quilos para seu personagem em Na Natureza Selvagem.
– Foi inteiramente rodado em locações.
– Nenhum dublê foi usado nas cenas de Emile Hirsch em Na Natureza Selvagem.
– Foram necessárias 4 viagens ao Alasca, em diferentes épocas do ano, para a gravação de cenas.
– O orçamento de Na Natureza Selvagem foi de US$ 15 milhões.
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Roubando Vidas (Taking Lives)

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Há muito tempo que estava para escrever alguma coisa sobre o filme Roubando Vidas, mas o tempo me roubava meu tempo para a escrita.

Agora aqui estou pensando sobre esse filme…

Quem pode dizer se é certo ou errado querer ter outra vida senão essa que foi dada e destinada a ser assim? Querer ter outra vida é blasfemar? Deixando a racionalidade moralizante desse tempo moderno de lado, pensando sob outro viés, só se quer algo diferente quando o que se tem não satisfaz. Não vejo erros nisso.

O Erro talvez possa vir em como se faz para se satis-fazer.

E aí, nesse filme e em qualquer lugar da Sociedade Ocidental e Oriental, roubar é um erro. Dentro ou fora dos dez mandamentos, não importa, está errado roubar.

Diferente de obter outra vida com outros tipos de méritos.

James rouba vidas por não suportar a sua. Não suporta quem ele é, quem ele foi, de onde ele veio, e assim, como quem troca de roupagem, ele mata e se apossa da vida de quem morreu. Talvez nessa era cibernética, muitos são salvos por apenas criar um fake rs, um nick, outra vida. Mas a pergunta que não dá para calar nesse filme é: mesmo na fantasia, há como ter outra vida? Second life?

Aparentemente sim, mas internamente, não. James nasceu James e essa fatalidade não lhe dá chances de ser outro além dele mesmo.

Um filme excelente pra ser apreciado em qualquer tempo, qualquer horário.

Por: Vampira Olímpia.

Roubando Vidas (Taking Lives). 2004. EUA. Direção: D.J. Caruso. Elenco: Angelina Jolie (Illeana Scott), Ethan Hawke (Costa), Kiefer Sutherland (Hart), Gena Rowlands (Sra. Asher), Olivier Martinez (Paquette), Tchéky Karyo (Leclair), Jean-Hughes Anglade (Duval), Paul Dano (Asher – jovem), Justin Chatwin (Matt Soulsby), André Lacoste. Gênero: Suspense. Duração: 103 minutos. Música: Philip Glass. Baseado em livro de Michael Pye.

GALLIPOLI. (1981)

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“E assim Mogli sentou e chorou como se o seu coração fosse partir-se. Em toda a sua vida ele nunca havia chorado.
‘_Agora, eu irei até os homens’, disse ele.”

Gallipoli nos leva a várias reflexões. Pois é um filme de guerra que dói na alma. Nele, ou por ele, temos as Guerras que muito pouco sabemos. Muitas delas, em pequenos parágrafos nos livros escolares. Ou, quando nos vêem com a história de que não houve derramamento de sangue. Ou até, quando há, dizem terem sido necessário. Perguntar o porque de haver guerras, não cabe aqui essa reflexão. Mas sim em como recrutam os jovens. Em como eles entram nela.

A Batalha de Gallipoli aconteceu durante a Primeira Grande Guerra. Jovens australianos e neozelandeses foram recrutados sem saberem qual seria de fato a sua missão. Pelo menos, se é que isso possa ser um atenuante, mas enfim, pelo menos os kamikases sabiam o que iriam fazer. Mas esses rapazes não. Foram movidos por ideais patrióticos, por acreditarem que isso lhes daria um emprego melhor, que teriam uma outra vida… Enfim, pelo prazer de uma nova aventura. Mas foram enganados de maneira vil. Sem a menor consideração pelos ingleses. É chocante a desfaçatez deles.

Esse filme é mais um a mostrar o quanto a guerra é estúpida. E tal do fogo-amigo das guerras atuais, é fichinha perto do que os ingleses fizeram a esses jovens.

Quem seriam esses jovens recrutas? De um lado, um grupo meio entediados no trabalho. Dentre eles, o jovem Frank (Mel Gibson). Num outro lado, o bem mais jovem Archy (Mark Lee). Em comum com ambos, o gosto pelas corridas. Se para Archy, via nela sua profissão de fé. Para Frank, a corrida era uma chance a mais de obter dinheiro. Mas em vez da corrida rivalizá-los, ela os uniu. O prazer sentido nesse esporte, a camaradagem, e sobretudo o respeito pelas diferenças entre eles foi o que consolidou de vez a amizade desses dois.

Archy era um sonhador. Frank tinha um olhar mais realista do que estava a sua volta. Numa gíria atual, era o mais safo. O inesgotável bom humor de Archy, por vezes deixava Frank contrariado. Mas quem não gostaria da companhia de alguém bem humorado? Eu gosto! Até porque sou assim. Se vêem nisso até uma frieza perante a dor… Archy mostra a todos que não. Que há nisso um modo estóico de ser. O tempo não deu tempo de verem que se pode balancear os dois modo de encarar as vicissitudes da vida. Até para avançar mais na vida, e não na morte…

O título do filme, Gallipoli, é por ser o nome da Península onde ocorreu a Batalha…

Um fime que mesmo contando uma triste história do que os homens são capazes de fazer, fica um querer ver de novo. Além da história desses dois jovens. Por ter sido feito com tanto esmero. Fotografias de tirar o fôlego! Trilha sonora que emociona! Atuações brilhantes! Cenas que ficarão para sempre na memória; e entre elas, o final do filme. Dou nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gallipoli (Gallipoli). 1981. Austrália. Direção: Peter Weir. Elenco: Mel Gibson (Frank Dunne), Mark Lee (Archy Hamilton), Bill Kerr (Jack), Harold Hopkins (Les McCann), Charles Lathalu Yunipingli (Zac), Heath Harris (Stockman), Ron Graham (Wallace Hamilton), Gerda Nicolson (Rose Hamilton), Robert Grubb (Billy), Tim McKenzie (Barney), David Argue (Snowy), Brian Anderson (Railway Foreman). Gênero:  Drama, História, Guerra. Duração: 112 minutos.

SHORTBUS (2006)

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SHORTBUS é um filme subestimado de John Cameron Mitchell pois ficou mais conhecido pelas ousadas cenas de sexo explícito como a estranha abertura com vários momentos simultâneos de orgasmo que incluem um de auto felação. No entanto, há mais do que isso entranhado no vasto leque de personagens bem construídos e bem desenvolvidos com os próprios atores ao longo das filmagens. O elenco não muito experiente em filmes tradicionais inclui Sook-Yin Lee, Paul Dawson, Justin Bond, Lindsay Beamish, PJ Deboy, Raphael Barker e Peter Stickles.

Os acontecimentos giram em torno de Sofia, uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, tratando de um casal de rapazes que procura uma terceira pessoa para uma relação aberta. Eles freqüentam o mesmo clube underground chamado Shortbus onde acontece de tudo. Lá, Sofia conhece Severin, uma dominatrix disposta a ajudá-la e os rapazes encontram Ceth, um modelo bonito que parece perfeito para o ménage. Mas um voyeur que mora em frente ao casal, se incomoda com o fato e vai causar confusão no clube.

O filme rende bem com diálogos muito interessantes e seqüências originais como o trio masculino cantando o hino nacional americano no meio do sexo oral. Outro ponto positivo é a trilha sonora bem bacana assinada por Michel Hill e o grupo Yo La Tengo de New Jersey que embala  estórias entrelaçadas de pessoas dispostas a superar o pânico e unir-se  após os ataques terroristas na Nova Iorque de 2001. O maior mérito do filme é justamente este: Levanta temas pesados e tristes mas tudo acaba bem numa fanfarra animada e conciliadora fazendo a cidade de Manhattan em maquete animada iluminar-se cheia de esperança e luz após as trevas.

Afinal os problemas devem ser encarados e solucionados. É como deve ser.

Por: Carlos Henry.

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2. 2004)

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Aviso: Caso ainda não tenha assistido ao filme, o texto a seguir contém spoilers.

Quando saí do cinema tive a sensação de ter assistido um ótimo… episódio de um seriado de tv. Parece que eles pegaram um capítulo de uma série de 50 minutos e esticaram por duas horas usando toda a sorte de truques possíveis.

Homem-Aranha 2 é muito superestimado. É o que me vêm à cabeça quando penso nesse filme. Eu me lembro da época, ficava procurando alguma crítica que não necessariamente dissesse que ele era ruim (até porque não é) mas, em vez de só enaltecer as suas qualidades, reconhecesse também os seus defeitos, e olha que alguns são primários.

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Bom, o longa continua acompanhando a vida de Peter Parker após os eventos do primeiro filme. Agora morando sozinho, ele está mais azarado do que nunca nos dois empregos, mal consegue falar com Mary Jane, não consegue controlar o ódio de Harry pela morte do pai, e os estudos estão péssimos. Tudo pelo stress de sua vida dupla como Homem-Aranha. Existe principalmente, até mais do que no primeiro filme, uma tendência desde a primeira cena a focar a história na relação entre Peter e Mary Jane, o que é um equívoco, pois joga o filme no nicho dos romances lugar-comum. Afinal, Peter idealiza a Mary Jane (não é bem a Mary Jane) e não convence que realmente gosta da pessoa dela. Ao menos, a mim não convenceu…

O melhor do filme é mesmo Sam Raimi mostrando que sabe dirigir drama. A rotina estafante de Peter não cansa o público, pelo contrário.

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Por outro lado a trama da origem do Dr. Octopus é completamente largada no meio do filme. O Alfred Molina pode ser um ótimo ator, as cenas de ação podem ser fodas, mas não dá comparar em importância na vida do Peter (e esse é justamente o filme que mais foca no seu lado pessoal) o Duende Verde com ele. Primeiro ponto fraco do roteiro é não conseguir amarrar bem as ações do Octopus na trama.

Mas a verdadeira escorregada começa quando o herói perde os poderes. Tá certo que ele perde gradativamente, mas haja abstração do público pra entender como funciona a biologia do Homem-Aranha.

Mas isso logo é esquecido por aquela belíssima sequência com o Tio Ben no carro, extremamente simbólica.

As cenas de Peter voltando ao “normal” são ótimas. Como o primeiro filme já tinha visitado toda a fase clássica e procurado transformar numa história de começo, meio e fim pra um longa, o segundo recuou um pouco pra aproveitar o que tinha sido pulado, como fica claro na antológica cena do uniforme na lata do lixo.

Também é muito positivo a forma como Peter vai percebendo que tem que ser o Homem-Aranha, como na cena do incêndio.

É interessante como a única trama que anda nesse momento é a do Peter. Mary Jane tá cuidando do enxoval, Harry tá bêbado em algum lugar e o Dr. Octopus só vai reaparecer como capanga desse último. O universo do Aranha nunca apareceu tão pobre diante da excelente caracterização do protagonista.

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Mesmo assim, mais um vez o filme dá uma bela guinada quando Peter revela a Tia May como o Tio Ben morreu. Essa é A cena do filme! O jeito como ela se levanta quando ele vai segurar sua mão é de partir o coração. A cena é tão boa que em nenhum momento Peter precisou mencionar o Homem-Aranha.

Logo vem outro ótimo momento, quando a Tia May diz a Peter com uma naturalidade comovente o que é um verdadeiro herói. Tia May está pra Homem-Aranha 2 como o Tio Ben pro Homem-Aranha 1. Fantástica!

Infelizmente, a seguir a coisa degringola.

A cena de Peter conversando com Mary Jane no restaurante quando Octopus ataca é um ótimo comercial de carro, mas esquisita demais nesse longa. Pior é o jeito ridículo como Peter sai dos escombros já com os poderes de volta num estalo. Isso depois dele sofrer a perda dos mesmos bem lentamente.

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Então, mais uma vez, temos um ponto alto pra compensar o furo anterior. A luta no trem é incrível mesmo. E a na sequência, o jeito como o Aranha para o trem é extraordinária. Só que ele ser visto logo depois por meio mundo não é exatamente a idéia mais bem bolada possível. É o tipo ame ou odeie.

O que realmente odiei é o que vem depois.

Aquele final é bizarro. Quando você ainda está se acostumando com a idéia de que tanta gente viu o Homem-Aranha sem máscara, o Dr. Octopus o deixa à mercê do filho de seu inimigo… e Harry Osborn desmascara o Homem-Aranha de novo! E do jeito mais clichê possível!

Daí na sequência vai Peter salvar Mary Jane, que foi gratuitamente sequestrada pelo vilão e, para convencer Octopus a impedir a explosão de uma bomba para destruir Nova York, Peter… TIRA A MÁSCARA OUTRA VEZ! Eu, que me emocionei nas cenas com a Tia May e vendo o Aranha se arrebentando pra parar o trem, tive uma súbita vontade de levantar e ir embora do cinema!

O pior de tudo não é ele perder a máscara três vezes seguidas! A essa altura o que eu me perguntava era porque diabos eles deram ao trabalho de fazer ele RECOLOCAR A MÁSCARA PRA PERDÊ-LA AUTOMATICAMENTE NA CENA SEGUINTE!

Na sequência, enquanto Dr. Octopus dá razão a Peter após conversar com seus tentáculos… Ops! CONVERSAR COM OS TENTÁCULOS? De ONDE tiraram uma idéia tão cretina, Meu Deus? O que o bom doutor diria pra alguém que o estivesse incomodando? Em vez de “Fala com a minha mão”, “Fala com o meu tentáculo”? kkkk

Bom, pra acelerar as bizarrices e chegarmos logo ao fim…

O Dr. Octopus se sacrifica pra salvar a cidade. Peter salva Mary Jane, que descobre sua identidade secreta ao vê-lo sem máscara.. .ela e a torcida do Flamengo! Essa cena da revelação é TÃO sem sal… num comparativo ela não tem um pingo da sutileza da revelação de Bruce a Rachel em Batman Begins, que é um clichê, mas bem-feito e não jogado de qualquer jeito como aqui. A seguir tem um momento visualmente bonito da conversa entre Peter e Mary Jane.

E depois de não terem feito nada de útil o filme inteiro…

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Na última hora Harry descobre o legado do Duende Verde. Mary Jane “recebe” Julia Roberts e sai correndo da igreja largando o filho de Jameson no altar para ir atrás de Peter. Essa parte é tão atroz que vendo ela correndo eu tive a nítida impressão que o Peter estava prestes a embarcar num avião pra bem longe… Mas lá estava Peter Parker, sentado no seu apartamentinho… mais broxante impossível! hehehehe!!!

O roteiro desse filme não consegue criar uma história bem amarrada, com começo, meio e fim como o anterior. O que se vê aqui caberia melhor numa série de tv. Outro erro é não pensar a longo prazo, o que ajudou a prejudicar a franquia como um todo.

Se Norman, além da fórmula do Duende, precisava de uma armadura pra enfrentar o Aranha no primeiro filme, como o Dr. Octopus pode sair na porrada com o Escalador de Paredes se ele só tem tentáculos acoplados ao corpo e não super-força e muito menos proteção? Raimi peca pelo exagero em ambos, mas no caso de Octopus beira a inverossimilhança, já que vai contra a lógica criada pelo próprio diretor.

E se em vez do síndico e de sua filha, não seria melhor que quem ocupasse esse espaço fossem o Capitão Stacy e Gwen, assim já apresentando-os ao público? Mas não, eles acabaram sendo jogados no 3, que acabou sendo um filme ainda mais equivocado do que esse…

Quando o Octopus mata a equipe de cirurgia. Essa cena fez referência ao cinema de terror, tem momentos em que só aparecem as sombras dos tentáculos, sem falar da serra elétrica. O Sam Raimi está habituado com isso, desde os tempos de Uma Noite Alucinante. Mas eu fiquei meio frustrado de no fim o vilão ser a inteligência artificial dos braços e não o próprio Octavius.

Continuo achando o primeiro filme melhor do que esse.

O filme 3 só é bom naquelas propagandas compradas que passavam na tv quando o filme estava em exibição no cinema. Era um negócio tão exagerado que estava na cara que era pra melhorar a imagem do filme.

harry-osborn-in-spider-man2Quanto ao 2 continuo achando que exatamente a bela caracterização do Peter Parker/Homem-Aranha deixa mais nítido o quanto o universo dele foi pobremente adaptado no cinema. Nesse filme Harry fica bêbado metade do tempo, Mary Jane fala com o Peter como se fosse a Gwen Stacy (por que não usaram a Gwen logo então?) e Tia May e Jameson são os únicos coadjuvantes que aparecem bem desenvolvidos. O filho do Jameson está fazendo o que nessa história, meu Deus? Até o Octopus querendo fazer um aparelhão de fusão nuclear que destruiria a cidade parece mais assunto pra um episódio de uma série do que de um longa-metragem. E não podemos esquecer da brilhante participação do mordomo de Harry Osborn… que aparece em UMA CENA em HA 2 e no HA 3 resolve tudo! rsrs

Por: Guilherme Cunha.   Blog: Panorama Imaginário.

Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2). 2004. EUA. Direção: Sam Raimi. Elenco: Tobey Maguire (Peter Parker / Homem-Aranha), Kirsten Dunst (Mary Jane Watson), Alfred Molina (Otto Octavius / Dr. Octopus), James Franco (Harry Osborn), Elizabeth Banks (Betty Brant), Bruce Campbell (Snooty Usher), Rosemary Harris (Tia May), J.K. Simmons (J.J. Jameson), Vanessa Ferlito (Louise), Ted Raimi (Hoffman), Dylan Baker (Dr. Curt Connors), Joanne Baron (Jane Brown), Daniel Gillies (John Jameson), Donna Murphy (Rosalie Octavius), Willem Dafoe (Norman Osborn). Gênero: Ação, Aventura, Crime, Sci-Fi, Thriller. Duração: 127 minutos. Baseado em estória de Miles Millar, Alfred Gough e Michael Chabon e nos personagens criados por Steve Ditko e Stan Lee.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading)

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Queime depois e ler, é uma piada, que fará rir quanto mais despretensiosamente for assistido. Lava a alma de quem já cansou de ver americano salvar o mundo ou apenas um homem americano acabar sozinho com a banda podre do mundo.
Ver a liberdade sexual e o divórcio virar brincadeirinhas de pessoas depressivas, fúteis e entediadas em vez de a salvação afetiva que o mundo precisaria aprender com a América.
Ver o quanto uma americana acima de 40 valoriza a amizade e sua necessidade vital de fazer cirurgias estéticas.

É isso, um agente da CIA é demitido ou levado a demitir-se, quer virar consultor e escrever suas memórias e sua mulher grava em CD esse arquivo que é levado paras as mãos erradas pela gorducha secretária que malha numa academia onde se encontram tipos hilários e improváveis…

“Queime Depois de ler”, achincalha o poder. O poder da mulher empregada em detrimento do marido que pede demissão por motivo de orgulho profissional.
O poder da Inteligência Americana e sua relação com os crimes ocorridos em função dos seus próprio erros.

O filme começa com uma tomada de imagem via satélite muito legal e com uma música que sinceramente, gostei. A imagem “invade” o prédio da CIA e mostra a demissão arbitrária de um agente nível 3. Ligeiramente deprimido ele vai pra casa e não consegue contar à mulher da demissão, pois ela está ocupada com os preparativos para receber visitas, um casal amigo que o marido detesta, aliás eles se detestam mutuamente. Tem o agente que em 20 anos de serviço nunca usou a arma e os caras da CIA que há tempo no poder nada fazem de sério, relevante ou coerente. Enfim, o filme vai brincando com tudo aquilo que os americanos levam a sério e que nós nos acostumamos a acreditar.
A noção exata de que se trata de uma comédia chega com  Brad Pitt dando uma de detetive, vigiando a casa de um suposto espião, dono do CD com uma inimaginável dancinha de braços, simplesmente impagável! A cena do armário, achei excelente! Nunca achei tão divertido ver alguém morrer, então o filme tem um humor negro funcional.
Excelentes atuações porque comédia, afinal, não é pra qualquer um.

queime-depois-de-lerUma comédia sobre falsos espertos querendo faturar uma grana e sobre todos tentando se livrar uns dos outros. Enfim, é um filme que não vai deixar lembrança, vai te dar umas breves oportunidades de riso e talvez satisfaça aquele lado todo-americano-é-ridículo.
O que aprendemos com o filme? Que não se escolhe filmes pelo trailer, nem pelos atores bonitões; que depois de pago um ingresso ele até pode pode valer a pena, se a sua alma não for pequena…

Por: Rozzi Brasil.   Blog:   Casa das Fadas.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen. Elenco: George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Brad Pitt. Gênero: Comédia, Crime. Duração: 95 minutos.