Série: Under the Dome (2013/)

Under-the-Dome_seriePor Rafael Munhos.

Durante as férias forçadas do Programa do Jô, a Globo resolveu investir em séries aparentemente conhecidas pelo grande público para tapar buraco nas madrugadas. Depois de uma bem sucedida terceira temporada de Revenge, fora da grade, a emissora decidiu colocar no ar uma das séries mais complexas que assisti: Under The Dome.

under-the-dome_01Stephen King tem trabalhos magníficos no cinema e na TV, mas pode-se dizer que chupou limão quando criou o roteiro desta série. Considerada como ficção-científica, Under The Dome tem uma temática bastante interessante, mas é complicada demais do início ao fim. O enredo gira em torno da pacata Chester´s Mill, que vira de cabeça para baixo quando uma redoma invisível cobre a cidade do resto do planeta. A partir daí só restam as perguntas. De onde surgiu a redoma? Como os moradores vão reagir a prisão? Quem está por trás disso? Os questionamentos são bem vindos, o problema é a falta de resposta durante os treze episódios da série tornando a trama totalmente confusa.

Além das complicadas histórias, grande parte das atuações são razoáveis. A começar pelo galã Barbie (Mike Vogel), o forasteiro chega para arrasar o coração da jornalista Julia (Rachelle Lafreve), mas mesmo seguindo a linha bom moço, tem caráter duvidoso e esconde alguns segredos. Apesar de boa aparência, a atuação de Vogel é precária como de um ator que está sempre nervoso em cena. Já Nathalie Martinez, a policial Linda, não consegue passar segurança e impor respeito com sua irritante voz rouca a uma formiga, quem dirá para uma cidade tumultuada. Já o vilão da história coube para Dean Norris. O intérprete do todo poderoso Big Jim não é das piores, mas suas caretas o deixam mais para comediante do Zorra Total.

Under the Dome_02Calma pessoal, Under The Dome leva crédito em algumas questões. Se o elenco adulto deixa a desejar, os jovens são bem mais convincentes. Alexander Roch faz do seu problemático Júnior um dos personagens mais interessantes da trama. Apaixonado pela bela Angie (Britt Robertson), o filho de Big Jim apresenta uma extrema psicopatia que deixa qualquer um doido. Qualquer semelhança é mera coincidência com Laerte da novela Em Família. Se Junior é obsessivo, Joe (Colin Ford) e Norrie (Mackenzie Lintz) foram um casal juvenil aparentemente estável e bonito. A aproximação é em torno de uma força oculta, a qual só será revelada nos capítulos mais adiante.

Embora complexa, Under The Dome merece ser assistida. Os grandes mistérios em torno da redoma conseguem nos fazer cada vez mais fiel ao suspense, deixando qualquer grande falha para trás, além disso os efeitos especiais são excepcionalmente bem construídas. Só para constar, a segunda temporada já estreou nos EUA.

Por Rafael Munhos.

Curiosidade: No Brasil a série é exibida em duas emissoras, e em cada uma recebeu um título diferente. Na Rede Globo é exibida com o título Under the Dome – Prisão Invisível, já na TNT o título da série é O Domo.

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Uma sutil referência a… ou uma lembrança vaga

Às vezes, assistindo a um filme, nos deparamos em uma determinada cena situações ou aspectos que nos remetem a outro filme. E uma atmosfera gira em torno dessa lembrança que pode sem em forma de música, citações, atores, diretores, lugares, objetos, cenários, enfim, um verdadeiro exercício de memorização, nos leva a uma pesquisa dentro de nosso arquivo-morto ou atual.

Recentemente assistindo ao Pai e Filha do diretor japonês Yasujiro Ozu, a tia da protagonista faz referência ao ator Gary Cooper dizendo achá-lo parecido com o rapaz que é o amigo da família. Ele foi citado tantas vezes que acabei aprendendo o seu nome verdadeiro: Frank James Cooper.

No filme O Nevoeiro do diretor Frank Darabont, baseado na obra do mestre do terror Stephen King, o ator David Drayton (Thomas Jane) é um artista que cria cartazes para filmes de Hollywood. Enquanto está em seu ambiente de trabalho, aparece num canto da parede o cartaz de A COISA, (The Thing) de John Carpenter (aqui no Brasil foi batizado de O Enigma do outro mundo).

E a cena do carrinho de bebê descendo as escadarias de Odessa, do clássico Encouraçado Potemkin de Serguei Eisenstein, inspirou a cena final de Os Intocáveis de Brian de Palma escrito por David Mamet, sem dúvida a arte imitando brilhantemente a arte. Dois momentos emocionantes.

E as lembranças e citações não param por aí. Gosto de encontrá-las. Se acaso você se lembrar de alguma…

Karenina Rostov

Louca Obsessão (Misery. 1990)

É incrível como os filmes baseados nas histórias de Stephen King que não são do seu gênero mais conhecido, o horror, são de uma qualidade impressionante. Temos vários exemplos, como “A Espera de Um Milagre”, “O Aprendiz”, “Um Sonho de Liberdade”, “Eclipse Total” e “Louca Obsessão” – todos excelentes e sem precisar valer-se de criaturas ou demônios da escuridão.

Os dois últimos desta lista foram interpretados pela magnifica Kathy Bates, sendo que neste último sua interpretação foi tão suprema que lhe valeu o Oscar de melhor atriz, além de um Globo de Ouro. Também não é para menos: o que Bates faz em “Louca Obsessão” é semelhante ao que Jack Nicholson faz em “O Iluminado” – uma aula de variações de expressões que traduzem perfeitamente o sentimento da personagem, que varia da tranquilidade para a insanidade em questão de poucos segundos.

A história não tem nada de mais: um escritor famoso por uma série de livros envolvendo uma personagem chamada Misery deseja escrever o último episódio. Ao se retirar com o manuscrito, acaba por se envolver em um acidente de carro num local distante.

Annie Wilkes, uma moradora das redondezas, socorre o escritor, que está bem debilitado, e passa a cuidar dele. Quando acorda, ele se encontra na cara de Wilkes, que se apresenta como enfermeira e fã número de sua personagem Misery. Devido à tempestade de neve que está caindo, ela fica impossibilitada de leva-lo para o hospital, então resolve trata-lo ali mesmo.

Tudo parecem flores para o escritor, que até então vinha sendo muitíssimo bem tratado até que Wilkes lhe faz um respeitoso pedido: que pudesse ler o manuscrito de Misery. Como forma de gratidão, o escritor consente sem nem imaginar os problemas que isto iria lhe trazer.

Logo nos primeiros capítulos, Wilkes fica possessa com o vocabulário chulo de Misery, porém quando ela descobre que a protagonista morre no final do livro é que a mulher se converte numa figura pior que o próprio diabo: tem início o terror psicológico e a tortura física que irá impor ao seu convidado.

Com momentos extremamente tensos e aterrorizantes, provenientes de situações inesperadas, “Louca Obsessão” tem um resultado muito acima da média do gênero, fruto dos diálogos bem construídos somados com as interpretações magistrais de Bates e de James Caan. Outro filme imperdível que não pode ficar de fora.