Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez? (And When Did You Last See Your Father?. 2007)

quando-voce-viu-seu-pai-pela-ultima-vez_2007O filme é baseado numa história real. Como só isso não bastasse, é o personagem principal, o escritor Blake Morrison, quem nos conduz nessa viagem por algo que lhe era muito doloroso: o relacionamento com o pai. Mais do que um conflito familiar é um filho ainda sedento por amor e respeito pelo próprio pai. Quem assina o Roteiro é David Nicholls, autor do livro “Um Dia“. Ele conseguiu ser a ponte para que o Diretor Anand Tucker não ficasse apenas num drama pessoal, até porque deu ao asas ao ator Colin Firth para que não caísse na mesmice de um personagem já comum em sua carreira. Era o meu receio antes de ver o filme de o terem escolhido pelo estereótipo. Mas ele soube dar voos incríveis fazendo do seu Blake único. Comprovando que Colin Firth é um excelente ator!

when-did-you-last-see-your-father_cartazReviver antigos fantasmas foi o que o destino aprontou para Blake. Mas de um jeito que criou uma ponte para chegar ao coração do pai. Com isso, esses sentimentos puderam fluir sem mais barreiras. Mas ainda teria tempo de fazer as pazes com o pai, e até consigo próprio? Porque esse reencontro se deu por conta de um câncer devastador que estava levando Arthur Morrison. Vivido pelo ator Jim Broadbent, numa performance também excelente!

Pai e Filho de temperamentos tão opostos têm a chance de passarem esse relacionamento a limpo no leito de morte de um deles. Mas essa busca fica muito mais por Blake, até porque no passado fora Arthur quem tentou uma aproximação. Mesmo que tenha sido de um jeito tosco. Mas na cabeça do então jovem Blake já se acumulava tantos traumas que rejeitou, além de também criar muralhas nessa relação.

Quando se é muito jovem o que os olhos veem, o coração pressente. Só não se tem discernimento bastante para entender a real situação. Ou mesmo uma vivência que o faria perceber. Mas aí corre-se o risco de sofrer mais porque teria comparações. Muita das vezes uma terapia é que pode mostrar que nunca o teria como desejava. Como também que por mais que não aceitasse há uma herança genética ligando-os. Que dessa outra pessoa por mais que menosprezasse há algum traço em comum. Seria tão mais leve para muitos desses filhos que sofrem por essa rejeição, se desde cedo não se importasse muito com isso. Que pudessem crescer desencanados, ou que não pesassem tanto tal fato ao longo da sua jornada chamada vida.

Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez?” veio como um exorcismo a uma tristeza de anos para então o já adulto Blake. No decorrer do filme o personagem também terá a fase em criança – vivida pelo ator Bradley Johnson -, quando sente que a mãe, Kim (Juliet Stevenson), também guarda um segredo do relacionamento dela com o marido. Na adolescência quem o interpreta é o ator Matthew Beard. Blake então cada vez mais tímido e intimidado pela personalidade do pai. De um caráter duvidoso que ia aumentando ainda mais os pesos para esse jim-broadbent_e_colin-firth_quando-voce-viu-seu-pai-pela-ultima-vezjovem.

Assim eram as coisas com meu pai. Trapaças insignificantes, pequenas fraudes. Minha infância foi uma teia de pequenas fraudes e triunfos. Estacionar onde não se devia. Beber depois do horário permitido. Os prazeres da ilegalidade. Ele ficava perdido se não conseguisse trapacear um pouco.”

O tão terrível pai de Blake – grande interpretação de Jim Broadbent que ganha maquiagem para o envelhecimento – é tão carismático que faz com que os fantasmas de Blake foram carregados na tinta e por ele próprio. Claro que ele teve motivos até para o distanciamento tido até então do pai. Mesmo extrovertido, no fundo Arthur também se ressentia do seu próprio passado. Só que sabia mascarar seus segredos, diferente de Blake.

O título do filme “And When Did You Last See Your Father?” veio para mostrar que conflitos como esse podem ir passando de uma geração para a outra até que alguém se toque e rompa esse ciclo. Mesmo que um pouco tarde demais para a então relação, mas a tempo de seguir livre desse passado e sem cometer os mesmos erros com as próximas gerações.

Bem, cada um sabe da dor que carrega, e se quer exteriorizá-la ou não. Blake um escritor de talento, e que só não tinha o reconhecimento pelo próprio pai, resolve colocar tudo isso em palavras escritas. Contar todo o drama vivido lhe fora salutar. Até em descobrir que recebera de herança paterna o de ser original. Ser o que é!

Além das performances, da Direção num timing perfeito com o Roteiro, a Trilha Sonora vem como coadjuvante de peso. É um filme que emociona até a cena final. Mais do que doer na alma, lava a alma. Simplesmente perfeito! Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quando Você Viu seu Pai pela Última Vez? (And When Did You Last See Your Father?. 2008). Reino Unido. Direção: Anand Tucker. Roteiro: David Nicholls. +Elenco. Gênero: Biografia, Drama. Duração: 92 minutos. Baseado em livro homônimo de Blake Morrison.

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Séries: Becker & Dr. House – Dois Médicos Bem Rabugentos!

series_becker_houseApesar de encerradas, as séries são reprisadas. Becker ficou no ar de 1998 a 2004. Dr. House ficou no ar de 2004 a 2012.

Em principio fanática pelo seriado Dr. House (Hugh Laurie), aos poucos parei de assisti-lo por vários motivos preferindo vê–lo quando o foco eram alguns dos personagens e não o abecedário de probabilidades de doença. Por acaso numa madrugada com a Dª Sonia (insônia para os íntimos) a fazer companhia, descobri o seriado BECKER no canal TBS com carismático ator Ted Danson que interpreta Dr. Becker. Para os fãs de Dr. House é uma heresia compara-lo a qualquer outra coisa. Eu particularmente senti que existem semelhança entre Dr. House e Becker apesar de cenários bem diferentes.

becker-e-margaret_house-e-cuddyOs Médicos, Cuddy e MargaretDr. House atende em um hospital em New Jersey e com a quase ajuda da diretora Cuddy (Lisa Edelstein) e sua equipe médica consegue diagnosticar e tratar os pacientes que o procuram. Becker é medico que apesar de formado em Harvard, tem clínica no bairro do Bronx em NY, dirigida com mão de ferro pela enfermeira Margaret (Hattie Winston).

A diferença entre a Cuddy e Margaret é que a primeira apesar de tentar ser enérgica com as atitudes de House como médico, muitas vezes precisa concordar com o que ele decide além do envolvimento entre ambos que varia entre carnal, emocional e platônico. Margaret tem um casamento de longo tempo sem grandes emoções. Ela é enérgica na administração da clínica, mas também ela é quase uma mãe para Becker quando o repreende pelas atitudes azedas, diárias, em relação ao dia a dia fora da clínica.

Em ambientes distintos House e Becker são extremamente competentes no diagnóstico da doença e tratamento. House manipula a equipe e o paciente atrás das respostas. Em Becker a solução dos problemas de saúde de seus pacientes deriva de seu eterno mau humor e nas confusões que se mete por isso.

Deus: Ambos são ateus, logo não adianta apelar para esse lado. Numa das frases de House quando o paciente louva a deus: “_Você acredita em deus, mas olha nos 2 lados da rua antes de atravessá-la.” Quando paciente diz que vai embora com deus, Becker responde: “_Não se preocupe com deus porque nem ele vem aqui no Bronx.”.

becker_houseModo de ser: Ambos são rabugentos, egoístas, questionam de modo a incomodar as pessoas e não gostam quando há uma inversão de situação na qual eles ficam encurralados.

Aparentemente House não é apegado a bens visto que parcialmente adotou a casa do Wilson (Robert Sean Leonard) como lar e não faz cerimônia em usar o que tiver na hora incomodando ou não Wilson que no fundo parece gostar como se fosse uma relação de irmãos sendo ele o mais velho e “ajuizado”. Becker vive com as mesmas coisas antiquadas de sempre. Quando seus amigos reclamam das roupas fora de moda ou de uma televisão movida a transistor que precisa ser trocada ele responde que não é um muquirana. Apenas eliminou as coisas supérfluas da vida. Só que quando a televisão “não pega” numa noite de insônia ou quando há jogos, ele não tem vergonha de ligar para qualquer um de seus amigos para assistir o que quer. Os amigos próximos reclamam do jeito de ser, mas gostam e se preocupam com eles.

Fisicamente: Ambos são pouco mais altos que a média das pessoas com os quais convivem. Uma analogia de que deus está acima e pode tudo? House e Becker não são deus e podem quase tudo como médicos.

os-viciosMau exemplo: House consome remédios aos montes e aleatoriamente por conta da perna e talvez pelos conflitos internos que tenta esconder. Becker fuma principalmente em ambiente fechados, na mesma proporção que reclama de tudo e todos a sua volta: e não se importa e nem aceita o quanto a fumaça do cigarro incomoda. O consumo de remédio sem prescrição médica assim como fumar são um perigo à saúde . Somente as pessoas próximas aos dois sabem que eles sabem desse vicio. Em Dr. House há uma tentativa de tratá-lo desse vício quando as coisas saem do controle. Foi um período quase sombrio desse seriado. Becker só se preocupa em tentar parar de fumar quando o preço do cigarro sofre reajuste, mesmo importa se for reajustado em centavos. Nesse aspecto a situação torna se cômica.

O começo dos episódios de cada seriado é distinto: em House com a entrada de paciente e Becker reclamando de qualquer coisa que o aborreceu no caminho entre a casa e a clínica. Por exemplo: Becker reclamando montes de uma ambulância estacionada em fila dupla perto de onde ele trabalha. Margaret então diz que a ambulância está ali para socorrer uma pessoa, mas que não deu tempo porque a pessoa faleceu. Becker responde: “_Oras, não é porque ele teve um péssimo dia que precisa estragar o meu.”.

Apesar dos absurdos que Becker costuma dizer, de alguma forma consegue ser mais real e próximo às pessoas a sua volta e em seus problemas diários do que House. Além dos casos serem mais engraçados. Os seriados têm um enredo chave em comum, mas que formaram públicos distintos. Como ambas séries já tiveram seus episódios finais, resta saber qual será a próxima novidade.

Por Criz de Barros.

Antes de Partir (The Bucket List. 2007)

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Assisti o filme motivada por esses dois atores: Jack Nicholson e Morgan Freeman. E eles não me decepcionaram. Mais até! Parece que pediram por uma história qualquer porque o que queriam mesmo era bater uma bolinha juntos. Bateram um bolão! Com o jeito irreverente do Jack e a elegância do Morgan – ganhamos nós com essa dupla.

História do filme? Ih! Vejamos… Como diria Hitchcock: “É melhor partir de um clichê do que acabar nele.” Temos aqui uma história… divertida: Jack faz um bilionário – Edward. Dono de uma rede de hospitais; e que por uma de suas imposições… fica internado junto com o personagem do Morgan – Carter. Um mecânico; alguém que batalhou muito para dar aos filhos algo que não pode dar para si: um diploma universitário. E que mesmo dividindo o mesmo quarto no hospital recebem tratamentos diferenciado.

Você gostaria de saber o dia da sua morte? E estando ciente, o que faria?

No passado, numa aula de filosofia, Carter fizera uma lista de coisas que faria antes de “bater com as botas“- daí o título original: The Bucket List. Então ao ficar ciente que tem poucos meses de vida lembra dessa lista e a refaz. Ao vê-la, Edward pergunta o que significa. Depois diz que falta emoção naqueles últimos desejos. E a reescreve. A princípio Carter reluta achando que seriam tidos como tolos. Mas Edward o convence. Afinal, ambos tinham pouco tempo de vida.

Com o dinheiro do Edward embarcam numa viagem pelo mundo. Aproveitando os prazeres que o dinheiro pode oferecer. Entre conversas e discussões, a amizade entre eles cresce mesmo tendo temperamentos diferentes. Um ajuda o outro nesses últimos meses. Até em se descobrirem por inteiro.

Como na música, “É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte.” Embarcamos com eles nessa despedida. Enfim, peguem a pipoca, esqueçam o clichezão do roteiro e curtam esses dois grandes atores. Eu ri muito com eles. Adorei! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Antes de Partir (The Bucket List) .2007. EUA. Direção: Rob Reiner. Com: Jack Nicholson, Morgan Freeman, Sean Hayes, Beverly Todd. Gênero: Comédia dramática. Duração: 97 minutos. Produção: Alan Greisman.