Boa Noite, Mamãe (2014). Um único defeito… nesse primor do Terror!

Boa-Noite-Mamae_2014_posterPor: Carlos Henry.
Logo que começa esta pérola austríaca, é inevitável não lembrar de outra joia do terror psicológico dos anos 70: “A Inocente Face do Terror” (The Other), de Robert Mulligan. Até no curioso fato de os atores principais, também terem emprestado seus nomes verdadeiros aos personagens principais: Um misterioso par de meninos Gêmeos. Embora a trama seja diferente, os diretores de “Boa Noite, MamãeVeronika Franz e Severin Fiala certamente se inspiraram naquele trabalho notável de 1972 para criarem este suspense de 2015, onde os irmãos Lukas e Elias Schwarz vivem uma difícil relação de desconfiança e agressividade com a mãe numa mansão isolada.

Boa-Noite-Mamae_2014Se em “The Other”, os meninos Chris e Martin Udvarnoky mantinham uma discreta bizarrice em sua dual relação com a família, no filme deste século os garotos descambam em dado momento para o mais explícito gore sangrento, o que quebra o clima tenso e enigmático do delicado conjunto artístico, sendo talvez o único defeito grave da obra. Apesar de arranhada pela relativa gratuidade da violência exagerada e desagradável que rompe abruptamente o ritmo lento e preciso da história, o filme é primoroso no que tange a seu invólucro, executado em gloriosos 35mm como é alardeado nos créditos finais. Ainda assim, um filme muito bom de assistir para os apreciadores deste gênero raro.

Boa Noite, Mamãe (Ich Seh, Ich See – Eu Entendo, Eu Entendo. 2014)
Ficha Técnica: na página do IMDb.

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Uma Longa Viagem (2013). Para Encarar de Frente Seu Pior Pesadelo!

uma-longa-viagem_2013Por: Valéria Miguez (LELLA).
uma-longa-viagem_2013_02Em uma trama que retrata prisioneiros britânicos em plena Segunda Guerra Mundial, tendo entre eles engenheiros e ainda mais a construção de uma ferrovia… o que vem de imediato à lembrança é o “A Ponte do Rio Kwai” (1957), do Diretor David Lean e que eternizou o personagem de Alec Guinness até por odiá-lo em um certo momento. Longos anos se passaram e eis que um outro filme surge trazendo também esse pano de fundo, é o “Uma Longa Viagem“, do Diretor Jonathan Teplitzky. Se com o personagem do primeiro filme eu fiquei na torcida para que detonasse a tal ponte, com o desse a minha torcida foi para que não fizesse algo. É! Por vezes a vida nos leva a detonar pontes, mas o destino não diz qual, nem porque, nem muito menos aquela que ao atravessar levará ao encontro de algo que até pode vir a ser um outro divisor de água em nossas vidas…

uma-longa-viagem_2013_03Uma Longa Viagem” é um filme baseado numa história real: nas memórias de Eric Lomax de quando fora um dos prisioneiros dos japoneses em plena Segunda Grande Guerra. É por ele que o conhecemos partindo de um ponto presente – que no decorrer saberemos o porque -, até o seu passado mais tenebroso. Será um mergulho sem dó nem piedade. Nesse seu tempo presente é alguém que tem como um hobby trens: dos vagões às ferrovias, passando pelos horários… A bem da verdade é um entusiasta no assunto. Do passado, quando em campo de batalha em plena guerra ficara responsável pelo rádio: as escutas da época. Até que seu superior diz a todos que irão se render e ordenando que antes destruíssem tudo que pudesse comprometer a tropa. Lomax então resolve guardar uns componentes de um rádio. Um ato que sairá bem caro mais adiante.

uma-longa-viagem_2013_01Com a rendição parte de seu grupo por serem engenheiros são levados aos empecilhos da construção de uma ferrovia: a que ligaria a Tailândia à Birmânia. Quanto aos demais prisioneiros seguiram pela construção propriamente dita: desmatando, assoreando, fazendo barreiras de contenção, na colocação dos trilhos… O trabalho braçal, pesado, cheio de perigos até pela selva e abaixo de chicotes. Enquanto esse trabalho avançava – e com ele muitas baixas iam somando àquela que ficaria conhecida como a Ferrovia da Morte -, o pequeno grupo resolve fazer um rústico rádio de onde passaram a ouvir notícias de fora. Desejosos de com elas tentar levantar a moral dos demais prisioneiros, acabam sendo descobertos e…

uma-longa-viagem_2013_05Uma Longa Viagem” ora se encontra num tempo presente, 1980, no norte da Inglaterra, com Eric Lomax já um homem adulto. Ora nos leva a viajar juntos com ele ao passado dele então um jovem prisioneiro de guerra. Nesse seu presente encontra-se recém casado com Patti (Nicole Kidman). Apaixonados, mas… Ela passa então a ver que ele é um ser atormentado e tenta um jeito de ajudá-lo. A presença dela traz mudança em sua rotina até por ele ser um cara bem metódico. O que talvez possa ter contribuído para que seus traumas de guerra viessem à tona. Na tentativa de ajudá-lo, Patti vai em busca de um grupo que vivenciaram o mesmo pesadelo, e dai se reúnem justamente para tentarem superar. Por lá Patti encontra-se com Finlay (Stellan Skarsgård) pedindo que lhe conte o que houve. Ele então conta a parte que ele cabe, não sem antes tentar demovê-la, pelo conteúdo muito cruel como também que lhe é muito penoso relembrar desse período.

uma-longa-viagem_2013_04Traga de volta o passado somente se for construir algo a partir dele.”

Mas é por Eric Lomax que conheceremos uma parte dessa história que nem eles sabiam: as das torturas. Até que Finlay mostra algo a ele: fizeram um memorial numa das estações da tal ferrovia. Justamente onde foram torturados. Ele então resolve visitar literalmente seu passado viajando até lá. Onde então fica novamente frente a frente com o seu pior pesadelo: o carrasco mor, o oficial Takeshi Nagase (Hiroyuki Sanada). Não ficará pedra sobre pedra nesse reencontro.

uma-longa-viagem_2013_06E nesse passado temos o jovem Lomax interpretado por Jeremy Irvine (de “Cavalo de Guerra”). Numa excelente atuação. Mas sem sombra de dúvida a magistral performance é a de Colin Firth. Seu Lomax nos leva a voos de doer na alma até ao mostrar o que todas as guerras deixam como “saldos” em quem dela participa. Vilões para um lado, Heróis para o outro, mas nos campos de batalha são homens, jovens à mercê de uma guerra cujos “donos” nem dela participam… É nessa sua volta onde fora torturado que terá um novo dilema a ser superado… Onde a minha torcida fora para que não o fizesse… Bem, posso adiantar apenas que chorei junto com o Eric Lomax de Colin Firth.

The-Railway-Man_posterO Diretor Jonathan Teplitzky ainda não está no mesmo patamar de David Lean, até pela pouquíssima bagagem, mas com certeza está no caminho certo! Pois temos em “Uma Longa Viagem” um novo ângulo da Segunda Guerra Mundial: contada por um que a vivenciou e que conseguiu sair vivo dela. De nos deixar em suspense até o final. Num timing perfeito entre passado e presente. Efeitos de cores em Fotografia. Trilha Sonora ótima! Atuações catárticas: um soco no emocional de quem assiste. Que embora a personagem de Nicole Kidman não tenha tido altos voos, todos sem exceção tiveram grandes performances no conjunto dessa obra que veio para ficar. Agora, é no reencontro entre Lomax e Nagase o ponto alto do filme. Até por conter nessas cenas o peso de anos do emocional até então guardados tanto de um como do outro. Aplausos entusiásticos para Colin Firth e Hiroyuki Sanada! Bravo! Num filme Nota 10!

Uma Longa Viagem (The Railway Man. 2013)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013)

trem-noturno-para-lisboa_2013trem-noturno-para-lisboa_2013_04Pensamento e ação unos. Assim eram os antigos romanos…

Sou apenas uma admiradora do legado de Jung. Com isso, é muito mais uma visão leiga do pensamento junguiano. Digo isso porque creio que esse filme é um belo exemplo de um de seus estudos. Já que ele traz uma sucessão de eventos cujo final trouxera significado para alguém. Eventos esses que de repente levou um certo professor a sair de sua rotina… Que levaria o nome de sincronicidade. Parece até que o primeiro sinal viera com a caixa de chá vazia. Um simples esquecimento bem casual a muitos, fez com que ele buscasse por uma solução bem fora do comum. O alerta mesmo que diminuto, já deixara o cérebro processando…

trem-noturno-para-lisboa_2013_01O verdadeiro cenógrafo da vida é o acaso, um cenógrafo repleto de crueldade, de compaixão, de fascinante encanto“.

Mas teria sido o acaso que levou aquele professor a passar naquela ponte justo a tempo de salvar aquela jovem de tentar se jogar lá do alto? Mais! Teria sido levado apenas por um impulso que o levou a fazer tudo mais a partir desse episódio? Fora de fato um sinal do destino? Essas são só algumas das reflexões que deixa desde o início e até mesmo pela conclusão de “Trem Noturno para Lisboa“.

As horas decisivas da vida, quando a direção dela muda para sempre, nem sempre são marcados por dramatismos ruidosos. Aliás, os momentos dramáticos das experiências que a alteram são frequentemente muitíssimo discretos. Quando exibem os seus efeitos revolucionários e se certificam que a vida é mostrada a uma nova luz, e fazem silenciosamente. E é nesse maravilhoso silêncio que está sua especial nobreza“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_06Uma chuva… um pequeno atraso… eis que avista a jovem já de pé na amurada… corre… a pasta se abre espalhando os trabalhos de seus alunos… o guarda-chuva sai voando até o rio… mas ele então consegue salvá-la a tempo! A jovem em choque, talvez nem acreditando que tomara tal decisão, encontra nele um amparo imediato. Uma segurança para que pudesse concatenar seus próprios pensamentos. Daí segue-o até a sala de aula. Lá, até causa espanto aos alunos vê-lo com a jovem. Tentando não perder o foco, ele dá início a aula.

Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido.”

trem-noturno-para-lisboa_2013_03Passado um tempo, talvez já refeita do susto, ou nem tanto assim já que ao ir embora, a jovem esquece o casaco. Ele ainda tenta alcançá-la, mas ela se foi. Então, vasculhando os bolsos do mesmo, encontra um livro com o carimbo de uma livraria conhecida. Segue para lá, deixando seus alunos sozinhos. Causando espanto até no Diretor do Colégio… Bem, se aquele dia já o fizera sair de sua rotina… Era então seguir pela noite adentro. Que foi o que fez! Pois encontrando uma passagem de trem para Lisboa, e na tentativa de encontrar a tal jovem na estação… ela não estando lá… ele então embarca… E de Berna, Suíça, até Lisboa ele aproveita para ler o tal livro, cujo titulo era “Um Ourives das Palavras“. Apontamentos num diário de um jovem médico em constante ebulição com tudo que o cercava.

trem-noturno-para-lisboa_2013_07Quando a ditadura é um fato, a revolução é um dever“.

Para alguém já acostumado a dormir pouco, passar uma noite lendo seria tranquilo. Talvez até pegasse o trem de volta… Mas a história do livro lhe tocou tão profundamente que resolveu ficar em Lisboa e tentar conhecer os personagens daquele livro de memórias. Pelo menos parte deles que pelo contexto vivenciaram uma parte importante da história daquele país e culminando com a Revolução dos Cravos…

Se descer sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será concretizada, subitamente deixamos de saber viver o tempo que já não pode fazer parte da nossa vida“.

trem-noturno-para-lisboa_2013_02

Embarquemos junto com Jeremy Irons nessa comovente viagem com o seu Professor Raimund Gregorius. Que quase vira um menino levado até pela curiosidade, mas muito mais com o coração aberto que acaba descobrindo também mais de si próprio. Nem precisa dizer que ele está esplêndido! Aliás, o filme também conta com um time de primeira: Mélanie Laurent, Bruno Ganz, Lena Olin, Christopher Lee, Charlotte Rampling… Mesmo tendo como pano de fundo uma História real de Portugal – Ditadura de Salazar -, o Diretor Bille August deixa tudo fluir com um timing preciso entre passado e presente. Como nos versos do tal livro. Deixando até a vontade de ler o livro de Pascal Mercier o qual o filme foi inspirado. Filme para ver e rever! Cujo único senão foi que também deveria ter falas em português. Mesmo assim… Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Trem Noturno para Lisboa (Night Train to Lisbon. 2013).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

O Cinema Mostrando o Lado Sombrio da História da Humanidade

hotel-rwandaNo princípio quando o homem decidiu viver em grupo o que seria para compartilhar até tarefas veio junto o sentimento de posse. Em uns, muito mais exacerbado. Dai só um passo para que sentissem donos do mundo. Onde vidas humanas eram mercadorias sem o menor valor; descartáveis ao seu bel prazer. O pior é que isso ainda existe… Então trazendo alguns Ditadores, como também Guerras, Genocídios… Enfim, páginas lastimáveis na História da Humanidade mostradas em Filmes. Vem comigo!

A foto inicial é do filme “Hotel Ruanda“, de 2004, que nos mostra um genocídio real e de um passado recente, em que o personagem do Joaquim Phoenix diz na cena desta foto ao de Don Cheadle vem com o efeito de um soco no estômago de tão verdadeiro. Assistam e vejam o que ele está dizendo. Ainda em território africano… “Lágrimas do Sol“, de 2003, nos mostra sobretudo a bestialidades de alguns homens quando estão em guerra. O pior é que fazem as barbáries também com mulheres… É! Aonde vão com a tortura… É por demais chocante! E saindo do território africano indo para a Europa, mas onde temos também um outro que mostra as selvagerias com mulheres, é o “A Vida Secreta das Palavras“, de 2005. São fatos que chocam até por saber por quem foi feito! Além do que é muita crueldade em todos.

in-the-valley-of-elah-posterUm pouco antes da internet invadir os lares, as guerras reais foram parar nas televisões: num acompanhamento quase ao vivo… Numa delas e desse passado recente foi a da invasão do Iraque pelos Estados Unidos. Claro que há inúmeros filmes sobre esse fato, mas eu citarei dois deles e saberão o porque. Num para não apenas conhecer um pouco do tão sem propósito foi essa guerra, mas principalmente porque “Soldado Anônimo“, de 2005, traz como enfoque maior quem são os que se alistam nessas guerras que o título original traduz bem: são mentes vazias na espera de encher com ideais dos outros. Um quase aliciamento desses jovens até no propósito de continuar com a cultura do porte de armas para qualquer cidadão americano. Agora, esse outro mostra com propriedade o quanto eles são programados para matar, mas que depois se esquecem de “desprogramar” esses mesmos jovens quando voltam dos campos de batalha, é o “No Vale das Sombras“, de 2007. Filmaço!

Focando essa região ainda, Oriente Médio, mas voltando o tempo em alguns anos, chegaremos ao Afeganistão… Mostrando um pouco da invasão pelos russos temos o “Caçador de pipas“, de 2007. Muito embora o filme trouxe uma versão muito mais leve do que foi relatado no livro… Mas temos nele a visão dos que moram nesses territórios sitiados. Dos que perdem muito mais do que os bens materiais. Agora, mostrando como os russos saíram de lá do Afeganistão, assistam “Jogos do Poder“, de 2007. Por ele também se vê como se dá as reais regras do jogo, e que só por isso já vale a pena assistir!

Paradise-Now-2005_02Subindo no mapa… E parando ali entre a Palestina e Israel… Um filme que muito que querer tentar entender o que se passa na cabeça de um homem-bomba, “Paradise Now“, de 2005, nos deixa a certeza que tanto por uma nação como para outra os jovens não passam de joguetes nas mãos desses que detém o poder. Que são meras peças dessa engrenagem até para os que continuam fomentando a guerra e num conflito que não tem previsão de acabar. Principalmente por Israel pois poderia vir a perder grande parte de um território que usurpou ao longo desses anos. Mas também é um filme que mostra como é viver num território muito sitiado. Sem o direito de ir e vir onde se vive.

Essa outra história ocorreu em 2002… E na apuração dos fatos ao ataque as Torres Gêmeas, um jornalista americano é sequestrado no Paquistão. O filme é “O Preço da Coragem“, de 2007, quem conta essa história é sua esposa. O que pesou também sobre ele era o fato de ser judeu. Um filme que também de certo modo faz uma homenagem aos jornalistas que apuram os fatos, que não ficam nos achismos. Vale muito a pena ser visto!

der-untergangPor falar em judeus… Não dá para esquecer do carrasco-mor desse povo: Hitler. Nesse filme “A Queda – Os Últimos Dias de Hitler“, de 2004, quem conta a história foi a secretária particular desse ditador. Nele também se vê o que motiva mais as pessoas, como também o quanto disso “ajuda” aos que se aproveitam disso. Esse é um dos filmes que deveria ser passado sempre nas escolas até pelo documento histórico. Agora por outro lado tem quem resolve contar de um jeito muito divertido essa terrível perseguição aos judeus: o filme “Trem da Vida“, de 1998. Onde os esteriótipos são inseridos de propósitos até para ver o quanto é insano todas as guerras. E ainda por conta do nazismo… Naqueles que conseguiram sair… Um que retrata uma única família, mas por ser contada por alguém que era criança nessa época, o enfoque foi onde foram morar fugindo dessa perseguição nazista: na África. É um belíssimo filme o “Lugar Nenhum na África“, de 2006, até em mostrar quais são as reais bagagens a se levar quando se vê  frente até em escapar de uma guerra insana ao abraçar uma nova terra, como também por fazer frente ao preconceito racial muito mais do que ao cultural.

Infelizmente não são poucas essas páginas lastimáveis na História da Humanidade e que o Cinema sempre traz.. Sendo assim posso voltar à elas com outros Filmes… E para encerrar esse, a história contada por um jovem quando conviveu com um dos mais cruéis ditadores desse passado, é o “O Último Rei da Escócia“. Até porque é mais um a mostrar o quanto alguém se deixa iludir por um podre poder. Ficando a esperança que as novas gerações venham até com mais humildades para não perpetuarem um poder que enoja e que em nada é pensando na população.

Uma ótima releitura a Todos!
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

P.s: Esse texto faz parte de uma coletânea que escrevi e postados numa coluna de uma revista eletrônica, a qual não exite mais. Dai readquiri o direito sobre eles até para postar onde eu quisesse. Por conta disso tenho trazido eles para cá. Já trouxe outros dando uma repaginada. Neste aqui também. E que é 2008.

Série: Scandal (2012 / ). Oba! Vem Ai Nova Temporada!

scandal-serie-tvQuem assistiu o filme “Mera Coincidência” (1997) e gostou, vai gostar ainda mais de “Scandal“. Uma Série que veio mostrar mais do que os bastidores de uma firma de advocacia, também traz o marketing político tão indispensável no jogo do poder e do mundo real também. Pois é! Uma casadinha que não deixa por menos: assessores de impressa + equipe altamente especializada em espionagem = felicidade e principalmente sucesso na carreira ou vida pessoal do cliente. A trama foi baseada numa ex-assessora de imprensa do governo de George W. Bush, a Judy Smith. Que aliás além de co-produtora Smith também é consultora da Série. E “Scandal” é uma criação de Shonda Rhimes que já traz como bagagem uma Série de sucesso como “Grey’s Anatomy“.

_ Não da para se afastar quando as coisas ficam feias. Se está acreditando nisso, então está vivendo uma fantasia“.

Ambientada em Washington (D.C) “Scandal” também traz os bastidores da Casa Branca, como também do Congresso. Passando um raio-x na Política e nos Políticos e até nos Lobistas do Estados Unidos. Em um dos episódios, por exemplo, a Séria trouxe uma discussão sobre a 2ª Emenda: a que garante o direito de todo americano portar uma arma. Onde até fora da ficção, os que defendem um controle armamentista, se veem derrotados no Congresso. “Scandal” também traz o Grande Júri; até porque muitas das tramas começam e terminam nos Tribunais.

serie-scandalAntes mesmo de começar, a Série rendeu um buchicho de bastidores. Pelo o que contam a atriz protagonista foi uma militante na campanha de Barack Obama e diretamente ligada a ele. Com isso, ciente de que seu personagem na ficção teria um envolvimento com o presidente, ela pediu para que colocassem um ator branco para o papel. Algo prontamente atendido. E fora dos bastidores, o comentado também seria o ciúme da Primeira Dama real para com essa atriz. Disseram até que ela teria passado também a usar franjas como a atriz. Bem, se tudo seria mera coincidência ou não… O certo é que o Presidente Obama é um gato!

scandal_kerry-washingtonScandal” traz como protagonista uma ex-consultora de mídia do Presidente dos Estados Unidos; o porque saiu é mostrado ao longo da trama. Ela é Olivia Pope, numa grande atuação de Kerry Washington. Ciente de seu talento, Olivia não abre uma simples firma de advocacia, indo além: uma empresa apta a tirar o cliente do meio de uma monumental crise e que não é para qualquer um! Para quem já teve, e ainda teria livre acesso na Casa Branca, sua clientela teria que ser da elite, seja ela da política ou não, desde que fosse alguém que atrairia para si próprio os holofotes da grande mídia: se já no meio ao crise ou na iminência dela… Para se verem livres… Manter todo o aparato da empresa nessa empreitada: o custo é bem alto. Até para manter sua equipe escolhida a dedo. Olivia buscou também pelo talento de cada um deles em resolver toda a situação e sem deixar rastros, mas há também um outro motivo contado também ao longo da Série. Enfim, Olivia até pode não cair na simpatia de todos, mas até fora do Capitol Hill, se estivessem vivenciando uma crise ou um grande escândalo, sabiam que ela era pessoa certa a ser chamada. Olivia só não era muito boa quando o assunto se resumia a sua vida pessoal. Ah! A personagem tem em seu guarda-roupa algumas das marcas mais famosas como: Armani, Christian Dior, Prada, Gucci… Como se diziam antigamente, ela é uma moça de fino trato!

serie-scandal_os-gladiadoresUm pequeno perfil dos que ela trouxe para a “Olivia Pope & Associates“, que ela denominou como os seus gladiadores:
– Huck (Guillermo Diaz): Um ex-agente da CIA. Com um passado nebuloso. Tem uma dedicação/devoção extrema por Olívia. É um hacker dos bons: algo que com certaza ajuda nas investigações. De pavio curto, tende a tomar medidas extremas. E que tenta a todo custo se livrar da “carcaça” podre que a CIA deixou nele.
– Harrison Wright (Columbus Short): Wright é o oposto de Huck. Esbanja elegância e refinamento, e que contribui como sua principal arma nas investigações: a sedução. É uma pena que o ator Columbus Short não pode ser escalado para a 4ª Temporada. Pois se envolveu numa briga de bar: foi indiciado; pagou fiança e aguarda a sentença que pode até a vir ser condenado à 4 anos de prisão. Pena mesmo! Seu personagem era um gato! Como um suspense: no último episódio da 3ª temporada seu personagem apontava uma arma para a própria cabeça. Morreu? Não Morreu? Saberemos na Temporada que vem por aí…
– Abby Whelan (Darby Stanchflield): É a investigadora mor da equipe. Sem papas na língua. Indomável. Poucas coisas escapam à ela em suas pesquisas. Mantém uma grande amizade com Olivia. Além de uma gratidão por algo de seu passado que até a fez perder seu grande amor.
– Quinn Perkins (Katie Lowes): Quinn fora a última aquisição da equipe. Perita em explosivo, mas sem muita utilidade para a firma. Até porque discrição é fator fundamental para as soluções dos casos. Com isso sente que caiu ali de para-quedas. Aos poucos desvenda o seu próprio mistério. Em busca de adrenalina… terá a sua perdição ao se envolver numa relação explosiva com um agente da B-613, que até por conta disso Huck e Olivia a mantém em “monitoramento”.

Essa B-613 é… Digamos que é mantida por um “caixa 2” do Congresso. Eles sabem que o dinheiro terá que ser liberado, mas sem saber para que.

Olívia: É tão engraçado.
Cyrus: O quê?
Olívia: Eles são todos assassinos. Reston, Sally, Fitz… o debate presidencial. É literalmente a fileira de assassinos (em referência ao apelido do time dos Yankees, Murderers Row). Não importa quem seja eleito, eles são todos assassinos.
Cyrus: Ninguém é perfeito.”

serie-scandal_elencoAlém deles, destaque para outros personagens que continuarão na Série:
– President Fitzgerald “Fitz” Grant (Tony Goldwyn): Do Partido Republicano. Só irá saber como ganhou de fato a eleição mais tarde. Casado. Tem três filhos: Jerry, Karen e Teddy. Mais parece um menino mimado que recebeu tudo de bandeja. Ou que teve tudo facilitado pois o queriam na Casa Branca. De verdadeiro mesmo seria o seu amor por Olivia. Por ela até abandonaria a presidência. Mas isso também não estaria nos planos daqueles que o colocaram “no topo do mundo”.
– Mellie Grant (Bellamy Young): Primeira Dama dos Estados Unidos. Sabe do caso de Olivia com Fitz. Muito ambiciosa, acaba engolindo sapos demais. Domina bem a arte da manipulação.
– Cyrus Beene (Jeff Perry): Chefe de Gabinete e “braço direito” do Presidente. Cy vive e respira todo o jogo de poder conquistado. Mantém uma relação de amor e ódio por Olivia: amor em admiração pelo talento dela, e ódio por quase sempre ter que recorrer a ela. Por conta das “ideologia” de Fitz, esconde a sua homossexualidade. Até que ao conhecer o tempestuoso James Novak (Dan Bucatinsky), se apaixona assumindo de vez a relação em um grande baile na Casa Grande. Uma relação que terá de tudo, de tudo mesmo ao colocar em cheque o “animal político” Cy…
– Jake Ballard (Scott Foley): Amigo antigo de Fitz, que ao receber desse uma missão, acaba abalando essa amizade. É que Jake se apaixona por Olivia. O que o coloca também como mais um a protegê-la. Mas aí a B-613 entra em cena…
– David Rosen (Joshua Malina): David tinha um alto cargo na Promotoria do Estado. Sendo um calo no pé para Olivia por não concordar com os métodos que ela empregava. Até que acaba perdendo esse emprego e um pouco da credibilidade ao investigar o caso Defiance sobre a eleição presidencial. Quando então e ainda sempre tentando seguir a lei, passa a ser um Promotor Distrital. David se apaixona por Abby e ela por ele.

serie-scandal_pais-de-olivia-popeAinda vale destacar mais esses que também continuarão nessa 4ª Temporada: são os pais de Olivia. Rowan Pope (Joe Morton), o pai e Maya (Khandi Alexander), a mãe. Bem, Olivia já descobriu que ele era o temido Comandante da B-613 e que também a mãe além de estar viva é uma terrorista perigosa. Bem servida de pais essa jovem, hein! Resta saber o que aprontarão agora.

A Série “Scandal” teve início em 2012. Agradando a muitos desde então! Eu virei fã! A 3ª Temporada foi abreviada por conta da gestação já avançada da atriz Kerry Washington, que aliás ganhou uma menina. A nova temporada aqui no Brasil estreia no dia 5 de março, às 22:30h, pelo Canal Sony. Estou aguardando ansiosa!

Teatro: O Homem Elefante (2014)

peca_o-homem-elefante_2014A história de John Merrick, um jovem com terrível deformação que viveu no século XIX, foi mundialmente conhecida quando foi levada às telas do cinema pelo magnífico trabalho de David Lynch. O menino foi apresentado em freak shows, após ter sido abandonado pela mãe que supostamente foi atacada por um elefante quando estava grávida. Esta versão teatral de “O Homem Elefante” tem texto de Bernard Pomerance impregnado do tom solene típico dos tablados e boa direção de Cibele Forjaz e Wagner Antonio. A encenação no teatro Oi Futuro do Flamengo é curiosa e fluente, mas peca pela ousadia. Há muita movimentação de palco, o que obriga a maioria dos telespectadores mal acomodados em almofadas no chão a se contorcerem para tentar acompanhar os personagens. Neste caso, a peça deveria sofrer alguns cortes, pois o resultado final após duas horas pode ser tão doloroso quanto o sofrimento de Merrick.

Tecnicamente, o trabalho tem muitos méritos como a iluminação precisa e criativa, bem como um cenário bem planejado cheio de elementos cênicos caprichados e um belo figurino. Apesar do já citado desconforto, o roteiro prende a atenção especialmente por conta do bom time de atores. Regina França se desdobra em vários papéis até encarnar a Sra. Kendal, uma atriz que consegue nortear o miserável destino do homem elefante com sua ternura e amizade. Davi de Carvalho está correto como o jovem médico Dr. Traves e Daniel Carvalho Faria exagera, mas brilha em alguns momentos desempenhando o showman Ross, que acumula a função de vilão e mestre de cerimônias.

Vandré Silveira ganhou o difícil encargo de protagonizar o espetáculo e o fez com dignidade e talento. Sua apresentação é vigorosa, alternando notável expressão corporal e vocal com coreografias difíceis e corajosas que exigem força física, nudez total, desprendimento e exatidão de movimentos. Mas sinceramente, acho que os atores deveriam moderar nas tatuagens, ainda que na maior parte do tempo, dá quase para esquecer que é um jovem malhado e tatuado na pele de um ser que tanto sofreu pelas deformidades. É a magia do teatro.

Carlos Henry