Minissérie: The Casual Vacancy (2015). As Elites em Lados Opostos!

the-casual-vacancy_minisserie_hboPor: Valeria Miguez (LELLA).
the-casual-vacancy_livro_jk-rowlingEm três episódios a minissérie “The Casual Vacancy” é baseada no livro homônimo da escritora JK Rowling. Onde ela deixa o mundo da fantasia da “Saga Harry Potter” para adentrar na realidade dos moradores de um pequeno vilarejo no Reino Unido – Pagford -, mas que também se ambientaria bem em um em qualquer país pelas temáticas abordadas. Como pano de fundo o destino de uma Clínica de Reabilitação para viciados em drogas que parte da elite local quer vender onde então seria construído um SPA de luxo. A decisão fica a cargo do Conselho Distrital que até o início estaria empatada na dependência de um voto e justamente do conselheiro que morre de repente no início da história: e ele era um dos que queriam a permanência da tal clínica. Pois é! Nem se trata de um spoiler pois como o nome da história nos mostra toda a trama se desenvolve com essa vaga que surge. Abrindo então uma acirrada disputa para quem ocuparia essa vaga que daria o voto decisivo. Num vale tudo onde muita coisa virá à tona.

the-casual-vacancy_enterro-de-barryA vaga surge com a morte de Barry Fairbrother (Rory Kinnear) que deixara a reunião sem finalizar seu voto. Advogado. Escritor. Professor de Educação Física. Barry mantinha um bom relacionamento com os adolescentes. Pelo bom humor. Pela generosidade. Barry tentava ajudar principalmente os que seguiam pelos caminhos das drogas. Mas também aqueles que ainda não tinham metas para um futuro próximo mesmo tendo algum talentos: era o verdadeiro Mestre indicando caminhos. Entre os que ele estava ajudando tinha a jovem Krystal Weedon (Abigail Lawrie). Sendo ela uma das personagens importante na história voltarei a ela mais adiante.

the-casual-vacancy_01Continuando com Barry que não era muito querido pelo meio irmão Simon Price (Richard Glover). Mas esse até pelo temperamento violento nem era estimado pelos próprios filhos. Barry tinha também deixado uma “porta aberta” para um dos sobrinhos, o Andrew “Arf” Price (Joe Hurst). E esse talvez em reconhecimento ao tio, ou mesmo numa desforra ao pai que entre os maus tratos por conta da acne de Andrew o chamava de “Cara de Pizza“, ele então invade a website de Pagford e difama Simon às vésperas da eleição para a vaga advinda da morte de Barry. Mas além disso ele pensa no futuro e até longe dali, para tanto vai trabalhar numa Cafeteria.

the-casual-vacancy_02Na busca por um Conselheiro e que siga com a permanência da Clínica a médica Parminder Jawanda (Lolita Chakrabarti) tenta convencer o Vice Diretor da escola local, Colin “Cubby” Wall (Simon McBurney). Pelo temperamento “sem ter papas na línguaParminder acaba cutucando com vara muito curta o principal casal opositor: Howard (Michael Gambon) e Shirley Mollison (Julia McKenzie). Como também deixa a princípio um clima tenso entre o casal Cubby e sua esposa Tessa Wall (Monica Dolan), Orientadora Educacional e grande amiga de Parminder. Para Cubby além da timidez essa eleição o deixa apreensivo por descobrirem algo do seu próprio passado.

the-casual-vacancy_03Tessa e Cubby têm um outro grande problema: o rebelde filho Stuart “Fats” Wall (Brian Vernel). Fats tem como melhor amigo Arf, mas a amizade entre os dois terá altos e baixos ao longo da história. Talvez por ter sido adotado Fats busca por uma superioridade, mas mais por intimidação praticando bullying contra os próprios colégios da escola. Fats também se envolve com Krystel mesmo contrariando a mãe que embora gostando da jovem tem consciência que o filho não tem estrutura para um relacionamento mais sério com a jovem que além de ser mãe solteira tem uma mãe que vive drogada e em más companhias. Fats fica mesmo num baseado de vez em quando e sem nenhuma vontade de trabalhar.

the-casual-vacancy_04Entre os que se veem nas mãos de Fats por conta de ser disléxica se encontra Sukhvinder Jawanda (Ria Choony): filha de Parminder com um famoso cirurgião plástico, Vikram Jawanda (Silas Carson). Com a campanha para que Cubby vença Parminder acaba negligenciando Sukhvinder que se ressente ainda mais. Se retrai no mundo da música. Como também resolve colocar “fogo” na eleição invadindo também a website de Pagford, mas como o “Fantasma de Barry Fairbrother“. Que além de desagradar alguns, causa curiosidade entre os principais interessados no “voto decisivo” em saber qual babado forte virá a seguir.

the-casual-vacancy_05Os Mollisons veem com o casal que quer construir o tal SPA a entrada para uma elite bem acima deles. Como comerciantes bem sucedidos de Pagford se veem a si mesmo como a fina flor da sociedade local. Mais até! Odiando a base da pirâmide social. E então para conseguirem o tão sonhado “voto decisivo” tentam convencer o próprio filho, Miles Mollison (Rufus Jones), a entrar na disputa. Mesmo que para isso baguncem o já fragilizado casamento de Miles com Samantha Mollison (Keeley Hawes). Por certo Miles gostaria mesmo de tentar conciliar a vontade dos pais com o relacionamento com a esposa. Além de continuar exercendo tranquilo sua advocacia, ainda mais que com a morte do sócio, o Barry, terá a firma só para si. Mas Samantha não deixará barato a indiferença conjugal como a falta de postura do marido perante os pais. Para tanto organiza um jantar com os principais opositores dos sogros. Um jantar bem apimentado!

Há outras tramas paralelas como também atreladas a disputa pela tal vaga. Com interessados ou com os que nem estão ligando eleição, e até por aqueles que teriam na tal Clínica uma saída do mundo das drogas. A mobilização de fato recai entre parte da elite do pequeno vilarejo: onde de um lado há os que querem ver pobres e drogados bem longe dali e do outro lado os que possuem um pensamento socialista por quererem menos desigualdade no condado.

A Minissérie “The Casual Vacancy” foi apresentada em 2015 pelo canal HBO. Mas como tem sido reprisada vale conferir. Até para rever! Que foi o que eu fiz até por conta dos temas abordados. Que nos leva a reflexões. Ficando o querer rever todo esse longo filme. Como também me deixou com vontade de ler o livro no qual o filme foi baseado. Livro esse que aqui no Brasil recebeu o errôneo título de “Morte Súbita“. É que desfigura o contexto principal da trama: a guerra pela vaga aberta. Enfim, confiram essa excelente história!

The Casual Vacancy (2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Mini-Série: Gracepoint (2014). Um Morto Desenterrando Velhos Fantasmas

gracepoint_2014_serie-de-tv_cartazgracepoint_2014_03Em uma Mini-Série presume-se ser uma obra fechada: com um desfecho já pronto. Acontece que assim como Hollywood, Canais da Televisão americana também gostam de levar Séries com relativo sucesso em seus países de origens. Onde também é de praxe essas versões ficam à mercê da audiência americana: não rendendo a desejada, não são renovadas. E foi o que ocorreu com essa versão americana de uma britânica, a “Broadchurch“, que não alcançou a audiência desejada, com isso “Gracepoint” mal foi exibida nos Estados Unidos e logo passando ao status de Mini-Série: com 10 uns episódios e um desfecho. Assim ela também nos chega, público brasileiro, e pelo canal TNT Séries. O que até tem um lado bom: o de terminar logo. Faltando então conferir o conteúdo, já que eu gostei das chamadas antes da estreia.

Gracepoint” traz uma ótima trama! O corpo de um pré-adolescente aparece numa praia. Numa comunidade com pouquíssimos habitantes, mas que tem seus dias de agito quando recebe turistas por conta da migração de baleias antes do verão, essa tragédia acontece um pouco antes desse evento turístico, o que também abala a economia local. Até porque era local sem um registro policial desse porte. Essa morte não apenas irá abalar a todos os moradores, como também colocará alguns como possíveis suspeitos. Algo que também irá gerar grandes injustiças.

gracepoint_2014_01O que houve com ‘Precisamos de mulheres em mais cargos de chefia neste departamento’?

A polícia local recebe ajuda de fora, do detetive Emmett Carver (David Tennant). Vindo para liderar a investigação, Emmett termina sem querer adiando a promoção da Detetive local Ellie Miller (Anna Gunn). Esta por sua vez até pela gravidade da situação, acaba engolindo tal tal fato, e no decorrer da história fica ciente de que fora preterida por alguém não tão perfeito. É! Emmett traz um velho fantasma na bagagem, assim como um outro grande segredo que o deixaria longe do caso. A primeira a descobrir será a dona da única pousada. Ellie tem também pela frente conhecer mais de perto sua gente, e se espanta com o que vem à tona.

gracepoint_2014_02O tal corpo é do filho caçula do casal Beth (Virginia Kull) e Mark Solano (Michael Peña). Onde a outra filha ao esconder algo do namorado em sua própria casa fará com que a investigação rume para outro lado. Aliás, Mark por não ter álibi para a noite do provável crime também atrasará as investigações. E antes de enterrar de vez o corpo do jovem… No desenrolar das investigações muitas outras histórias dos demais moradores serão “desenterradas”.

Gracepoint” já segue rumo ao desfecho por aqui. Exibido às segundas-feiras pelo canal TNT Séries, no horário das 22 horas, com uma reprise do episódio anterior antes. No elenco também consta Nick Nolte, Josh Hamilton e Jacki Weaver entre outros. A cada virada da trama o suspense aumenta. Fazendo dela uma ótima mini-série! Bem, pelo menos até agora! Tomara que o final esteja a altura. Se reprisarem desde o primeiro episódio, fica a dica! Eu estou gostando.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mini-Série: Gracepoint (2014).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)

Se-Eu-Ficar_2014Se-Eu-Ficar_2014_01Às vezes você faz escolhas na vida e às vezes as escolhas fazem você.”

Ao término do filme, “Se Eu Ficar“, as faces ainda continuavam umedecidas pelas lágrimas que rolaram bem mais num momento de decisão para um avô que de uma só vez perdera entes tão queridos… Para esse avô era como se avaliasse a si próprio… como também tentar aceitar tal fato… onde até ficaria uma vontade imensa de dar um murro na cara do destino se isso fosse mudar alguma coisa… pois era uma mudança irreversível… O personagem desse avô – numa uma ótima interpretação de Stacy Keach (A Outra História Americana) -, com certeza irá tocar mais profundamente em que já vivenciou passagens parecidas. Mais ainda em que teve um ser amado em coma…

A vida é uma grande, gigantesca confusão. Mas essa é também a beleza dela.”

Se-Eu-Ficar_2014_02Agora, em “Se Eu Ficar” esse avô é mais um a tentar dizer a uma jovem que sim, que ficasse! Que não ficaria sozinha. Ela é a peça central dessa história, a jovem Mia. Numa comovente e brilhante atuação de Chloë Grace Moretz (A Invenção de Hugo Cabret). Mia tinha sonhos, tinha planos para um futuro que a levaria para longe dali para se aprimorar nos estudos de violoncelo. Mas de repente se encontra em coma e… de uma tragédia que talvez pudesse ter sido evitada… Mas aí não haveria essa breve e dolorosa história…

_E se nada der certo? Vai me ajudar a catar os caquinhos?
_Cada um deles.”

Se-Eu-Ficar_2014_03Num dia onde por conta de uma nevasca, e que o recomendado a todos seria ficar em casa… Mas como a escola onde o pai de Mia, Denny (Joshua Leonard – “A Bruxa de Blair“), lecionava e ela e o irmão, Teddy (Jakob Davies – “Uma Viagem Extraordinária”), estudavam não iria funcionar… Motivando também a mãe, Kat (Mireille Enos – “Sem Evidências”), a faltar ao trabalho… Essa família feliz com esse “feriado” resolvem pegar a estrada para uma visita aos avós… E no meio do caminho, numa curva, um carro derrapa atingindo o deles com violência.

Me apaixonar pelo Adam foi como aprender a voar. Era empolgante e assustador ao mesmo tempo.”

Se-Eu-Ficar_2014_04Mia então inicia uma peregrinação extracorpórea… Uma alma ainda tentando descobrir o que tinha acontecido com ela e sua família. E enquanto seu corpo permanecia em coma no hospital… Com cada um que ali se encontrava a esperar e pedir que ela ficasse com eles… Mia rever sua vida… Em especial com tudo o que vivenciou com Adam (Jamie Blackley – “Branca de Neve e o Caçador”)… Adam tinha uma banda de rock, logo também um apaixonado por música. De boa índole, mas um pouco descompromissado com a vida aos olhos da amadurecida Mia. Aliás, filha de ex-hippies Mia se sentia como um peixe fora d’água perto de todos eles. Algo que pesava muito em se deixar partir…

Quero que me toque como faz com o violoncelo.”

Se-Eu-Ficar_2014_05Em “Se Eu Ficar” temos os medos, anseios… de uma adolescente num momento de decisão: viver ou se deixar morrer. Parabéns ao Diretor R.J. Cutler pela construção da trama e performance dos atores. Uma Trilha Sonora primorosa! Do Clássico ao Pop Music! De Beethoven a Christina Aguilera! Além do que Cello e Cellist passam muita sensualidade! E pareceu que o roteiro de Shauna Cross também contou bem a história do livro homônimo de Gayle Forman. Um Filme para ver e rever! Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Se Eu Ficar (If I Stay. 2014)
Ficha Técnica: na página no IMDb.

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes. 2014)

relatos-selvagens_cartazUm momento de fúria pode poupar décadas no divã do analista. Mas extravasar sem pensar aquela raiva contida pelas regras da civilidade pode causar sérias conseqüências.

relatos-selvagens-2014Neste caso, na hora de botar para quebrar, melhor assistir antes o excelente e divertido filme argentino de Damián Szifron: Relatos Salvages que reúne seis historinhas sobre as reações humanas em situações limite. O prólogo, um dos melhores dos últimos tempos já anuncia um filme extraordinário, quando um grupo de pessoas percebe que estão no mesmo voo com algo em comum: Todos conhecem um tal Pasternak em situações tão diversas quanto desagradáveis. Outro curta hilário versa sobre os efeitos de um veneno de rato já vencido no organismo de uma criatura não grata. Não falta um Road movie quando dois sujeitos de pavio curto se digladiam com seus carros no meio do nada. Ricardo Darin surge no episódio cujo entrave é a burocracia exagerada tão conhecida também no nosso país repleto de filas, guichês e funcionários mal treinados e arrogantes. Há uma sequência inteligente, mas que destoa das demais por ser um tantinho arrastada, sobre um pai rico que quer livrar o filho da cadeia a qualquer custo. Nada que comprometa o filme que fecha brilhantemente com uma festa de casamento que tinha tudo para ser perfeita, não fosse a infeliz decisão do noivo de convidar uma de suas amantes parra o evento.

Curiosamente, o filme preenche (sem nenhum dano) em parte essa lacuna animalesca e instintiva que a maioria dos seres vivos têm quando pressionados ou feridos.

Carlos Henry

Livro: O Doce Amanhã (The Sweet Hereafter), de Russell Banks

o-doce-amanha_livro-de-russell-banksPor: Gilberto Ortega Jr.
Como sempre, na hora de escolher um livro minhas manias não faltam se por um lado ‘O Doce Amanhã‘ não é um livro com titulo esdrúxulo, eu acabei o escolhendo por um outro simples motivo, o forte conteúdo psicológico que o livro poderia ter, afinal toda fatalidade gera pensamento sobre ela, e outras possíveis temáticas; como quem tem culpa, como reagir, é possível superar, dentre tantos outros.

o-doce-amanha_filmeEm uma cidade do interior do estado de Nova York, Dolores Driscoll como sempre faz apanha todas as vinte crianças no seu ônibus escolar, mas no meio do caminho acontece um acidente de ônibus e todas as crianças morrem apenas Dolores e uma única menina sobrevive, Nicole Burnell, que fica paralítica, além disso, com a tragédia surge na cidade o advogado Ilmo.sr. Mitchell Stephens (como ele mesmo gosta de ser chamado), a intenção dele é representar as famílias das crianças em um processo, mas o mais interessante é que nem ele sabe contra quem, em especifico, se dirigira este processo, em um determinado momento do seu relato na trama ele diz que faz isso não por caridade ou beneficência, mas somente porque realmente gosta deste tipo de processos.

Há dentro do livro quatro vozes narrativas envolvidas de alguma forma no acidente, Dolores Driscoll, Nicole Burnell, Billy Ansel e Mitchell Stephens.
– Dolores é a motorista do ônibus, mãe de dois filhos e casada com Abbot que após sofrer um derrame fica com um lado do corpo paralisado e passa a mostrar dificuldades na fala, ela mantém uma dependência muito grande com seu marido, parece que ele funciona como um cérebro para os dois.
– Nicole é uma garota normal, bonita e um pouco popular, trabalhava de babá, ela sofria abuso sexual do seu pai, após o acidente ela fica paraplégica, mas passa a viver em um mundo só seu, não que ela fique louca, é que aparentemente a personagem descobre sua “vida interna”, outro fator com que faça que ela saia pouco é que a irrita o fato de as pessoas terem pena dela.
– Billy Ansel é um veterano do Vietnã, tem um posto de gasolina, onde constantemente emprega outros veteranos. Ele já é um personagem bem pra baixo, pela morte da mulher, quando os filhos morrem basicamente ele fica sem motivos para viver, e acaba se tornando uma espécie de zumbi, alcoólico, ele também é visto como um cidadão modelo da cidade.
– O Sr. Stephens é aparentemente um grande advogado, que tem uma filha com constantes problemas com drogas, e gosta dos processos de fatalidade.

The Sweet Hereafter_bookO que eu mais gosto no livro do Russel Banks é o fato do que não foi feito à trama de uma história que podia ter explorado a veia sanguinária, a questão da culpa, que em minha opinião: buscar culpas em fatalidade é se comportar como cachorro que corre atrás do rabo. A grande temática do livro não é uma tragédia, mas sim a vida como fica após a tragédia, o legal é que o autor não entope o leitor desta vida pós-acidente, na verdade ele pega o acidente como gancho para fazer sondagens sobre a vida em uma cidade pequena, com pequenos comentários dos narradores sobre a vida alheia, é como se o acidente fosse um motivo qualquer para ele focar a vida naquela cidadezinha, e isso ele faz com minuciosas descrições da cidade e de quem vive lá, o estilo fluido e leve engana o leitor, que acredita que qualidade do livro se mede em dificuldade na leitura, outro detalhe que muito me impressionou foi que não há um caos ou pânico na cidade após o acidente, talvez ele esteja lá, mas como o fato é mostrado através de pensamentos lúcidos fica uma grande coerência.

Para quem tem medo de este sem um livro pesadão ele não é, pelo contrário como o título faz menção é como se todos acordassem em um doce amanhã, de certa forma melhores e mais serenos, apesar da deliciosa melancolia que envolve o livro. E assim este livro se torna um dos melhores que li em 2012.

Curiosidade: Em 1997, o Diretor Atom Egoyan fez um filme do livro de Russel Banks.

O Divisor de Água de Cada um desses Personagens do Cinema!

ratatouilleAo longo da nossa trajetória nos deparamos com ocasiões que ficarão como um divisor de água. Pois de alguma forma trará uma mudança. Ele pode resultar de algo trágico ou não, de vacilos ou não. Como também pode vir de outra pessoa, quer ela saiba ou não. Às vezes um simples toque já é o bastante. É como um ‘Acorda!’ Ou como uma parada para uma revisão do carro para então seguir em frente. O bom é quando nos faz retirar algumas tralhas que só ocupavam lugar em nossas mentes, em nossas vidas. E é por ai nosso papo de hoje. Vem comigo!

Fiquei pensando em qual filme eu traria primeiro. Escolhi então ‘Ratatouille“. Para Remy mais que um ídolo aquele o Chef de Cozinha que assistia pela televisão era seu herói. Tinham algo em comum. Algo que lhes era nato. Dai um acidente de percurso o faz sair da mesmice. Dando-lhe coragem para fazer algo diferente. Muito melhor que ficar se lamentando.

Esses acidentes que o destino nos impõe por vezes é algo duro demais. No filme “O Escafandro e a Borboleta” o personagem ficou só podendo movimentar o olho esquerdo. O filme é um belíssimo exemplo de vida! De alguém que apesar dos pesares ainda pulsava em si a vontade de querer viver. Da tragédia ele fez um livro. Do livro nos presentearam com esse filme. Deixo uma dica: esse é um filme para assistir com tempo e calma.

_dumboSe esses acidentes do destino acontecem ainda na infância se não houver a sapiência de um adulto por perto o trauma será muito pior. Culpas poderão ficar retidas. Se foi por um descuido, por um erro, por algo interpretado errado, cabe a um adulto dar uma mão amiga e guiá-lo no caminho certo. Até para que consiga digerir bem pelo o que passou. Pois se nós adultos somos falíveis, o que dirá uma criança. Na falta de um adulto por perto feliz de quem encontra um amiguinho com mais discernimento. Alguém como o Grilo Falante, em “Pinóquio“. Ou como o ratinho Timóteo em “Dumbo” ajudando-o a superar a separação da mãe. Outros Clássicos da Disney que também trazem esse divisor de água podemos destacar ainda: “Bambi“, “Mogli“, “O Rei Leão“. Saindo do gênero Animação temos “Heidi” e “O Jardim Secreto“, onde ambas as menininhas mesmo se sentindo abandonadas fizeram a diferença na vida das pessoas a sua volta. Lembrando também da “Lassie“, um anjo da guarda canino.

No filme “O Caçador de Pipas” um pai muito exigente não consegue valorizar a veia romântica do próprio filho, por exigir uma postura forte. O menino por sua vez carrega o peso de uma culpa que não tinha, mas que o pai nada fazia para mudar. Sua mãe morrera no parto. Na vida do pai a perda da esposa fora um divisor de água. Mas ele não soube trabalhar o sentimento que ficou. Não tirou lições dai.

um-sonho-de-liberdadeA vida é uma escola! Com os erros precisamos extrair um aprendizado maior. Às vezes a pena a ser paga torna-se maior por conta de ter outras pessoas que continuam errando e levando outras pessoas nisso. Onde em muita das vezes a saída é fingir que aderiu ao sistema. Para então galgar enfim, por fim, a sua tão sonhada libertação. É! Me deu até vontade de rever “Um Sonho de Liberdade” por conta disso. Um outro que também fiquei com vontade de rever é “O Sol da Meia-noite“, onde uma mão amiga num ‘Vem comigo!‘ deixa a escolha de se quer sair dali ou não. Mas em ambos, saindo encontrará esse grande amigo.

A culpa guardada termina gerando um peso maior: o de se sentir tão responsável levando a fazer qualquer loucura. Tal qual como raiva esse sentimento também cega a pessoa. Foi por aí que a personagem de “Dançando no Escuro” seguiu. Ela sabia de que imporia a um filho o mesmo destino que o seu: a perda progressiva da visão. Mesmo assim ela o trouxe a vida. Por querer ser mãe. Mais tarde ao ficar sabendo que num outro país haveria uma chance de pelo menos parar a eminente cegueira do filho, mudou-se para lá. Trabalhando com afinco para conseguir o dinheiro da cirurgia. Mas encontrou pela frente o que já citei acima: uma pessoa que não aprendeu com os próprios erros, e o que é pior, carrega um inocente para o lodaçal em que vive. Assim para essa mãe o sistema fora cruel demais.

Se o inesperado nos leva a parar de repente, que seja pelo menos para uma mudança do carro. Ou quando já não terá mais como mudá-lo, que seja para uma reforma geral. Seguindo por essa analogia o carro seria o nosso próprio corpo; o motorista somos nós como todo; o ritmo ou a velocidade desse carro seria a nossa mente; e digamos que a bagagem, os acessórios que carregamos são as nossas emoções. Então tal e qual uma engrenagem tudo deveria estar em harmonia. Mesmo que alguns componentes fiquem na sombra (Jung…), além de tomarmos consciência que tudo é parte de nós, devemos canalizar aquilo que nos feriu tanto para uma outra finalidade. Pois nossos sentimentos não são de todos descartáveis. São eles que muita das vezes nos levam a ousar, a fazer algo que até então não acreditávamos que faríamos.

crashSe tais acontecimentos veem como um tapa na testa nos alertar de que havia peça podre, great! Um ótimo filme que mostra um alerta desse tipo, até em várias pessoas é o “Crash – Limite“. Eu confesso que chorei muito vendo esse filme. Principalmente na cena do carro incendiando com a jovem lá dentro. Por me fazer lembrar de algo parecido. Onde segundos depois de retirarem alguém que me é muito querido, o carro explodiu. É! Foi punk! A ficcão não é algo tão irreal assim. De repente uma vida pode se perder para sempre.

Mas há quem só a partir dai – de momentos trágicos -, perceba que em trechos de sua trajetória não deu a devida consideração, ou até carinho a quem dele sentiu falta. Então se somente a partir dai irá tentar recuperar esse tempo perdido, terá que aceitar que para o outro podde ainda não ser o divisor de águas dele. Mas como é bom quando combina de o ser para ambos, não é mesmo?! Pois como falei, será um peso a menos a se carregar pelo futuro. Nesse tocante deixo algumas sugestões desses outros filmes. Em “Invasões Bárbaras” e “As Leis de Família” há o reencontro de Pai e Filho, mesmo que para um deles já não há tanto tempo para aproveitar o voltar a ser uma família de fato e de direito. Já em “Magnólia” há muito mais que o pedir perdão. Em “Amores Brutos” e “21 Gramas” também há até o que a falta de diálogos pode acarretar uma sucessão de erros.

Um tema onde há muitos filmes a serem indicados. Quem sabe se voltarei a ele noutra ocasião. Por hora fico por aqui.
See you!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Em 25/07/08).