As Montanhas se Separam (2015). Numa Promessa de uma Vida Melhor

as-montanhas-se-separam_2015_cartazPor Christine Marote.
Assisti o filme “As Montanhas se Separam”, do diretor chinês Jia Zhang-ke, e resolvi dividir com vocês, por alguns motivos. O filme é em mandarim, legendado em português. E sempre se fala que uma boa maneira de se aprender uma outra língua é assistindo filmes… Isso é fato. Mas nunca me atrevi a assistir um filme em mandarim desde que comecei a aprender essa língua. Achava que nunca iria entender nada, que ficaria perdida. Ok, também morando na China nunca havia encontrado um filme com legenda em português. Mas o fato é que fiquei super empolgada em reconhecer as palavras e expressões da fala cotidiana. Como usam expressões que eu achava que só servia para uma situação, e percebi que não. E faz todo sentido. Muito legal.

as-montanhas-se-separam_2015_02“As Montanhas se Separam” retrata a China do começo do século 21. Ele começa na virada do século, e algumas cenas que vi, me lembrou muito algumas situações que presenciamos em Chang Chun, quando chegamos na China em 2004. Até porque ele é rodado no interior do país, o que mostra uma outra realidade, bem diferente de Shanghai, mesmo naquela época.

A abertura econômica e as possibilidades que se abriram para o enriquecimento da população, ou não. As consequências que esse dinheiro, que chegou muito rápido, trouxe para as pessoas e a sociedade chinesa. Bem interessante.

Ele está em todos os cinemas do Brasil! Essa é a melhor parte, né? Estou falando de um filme que todos terão acesso. Não esperem uma produção hollywoodiana, mas um filme cativante e bem interessante sobre uma sociedade, que apesar de estar na mídia mundial, poucos conhecem de perto.

as-montanhas-se-separam_2015_01Um resumo de “As Montanhas se Separam”: Uma história narrada em três períodos: 1999, 2014 e 2025. Começando pela China em 1999. A professora Tao (Zhao Tao) é cobiçada pelos seus dois amigos de infância, Zang (Zhang Yi) e Lianzi. Zang (Jing Dong Liang) é proprietário de um posto de gasolina e tem um futuro promissor, enquanto Liang trabalha em uma mina de carvão. No coração dos dois homens, Tao terá de fazer uma escolha que determinará o seu destino e o futuro de seu filho, Dollar. Zhang, com espírito empreendedor capitalista, vai se tornar dono da mina em que Liangzi trabalha e, assim, o confronto amoroso se espelha e se reflete no confronto da China moderna, entre trabalho e capital, que põe em xeque a própria identidade do país.

Tempo depois, entre uma China em profunda mutação e uma Austrália com a promessa de uma vida melhor, esperanças, amores e desilusões, esses personagens irão encontrar os seus caminhos.

As Montanhas se Separam (Shan he gu ren. 2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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LOVE (2015). Pôr um Ponto Final na Relação Significa o Fim do AMOR?

love-3d_filmegaspar-noe_cineastaPor: Karenina Rostov.
[Contêm revelações sobre o enredo.] [E o filme contêm cenas de sexo explícito.]

Era uma vez um diretor de cinema argentino chamado Gaspar Noé que resolveu nascer novamente para contar a história de AMOR, segundo o seu entendimento, entre seu pai Murphy e a namorada dele Elektra. Uma história instigante e complexa.

Gaspar nasceu por obra do acaso. Seu pai Murphy e a namorada Elektra acabaram envolvendo uma terceira pessoa: a jovem Omi. E no encontro íntimo do trio acidentalmente a convidada acabou engravidando. Consequência essa que acabou dando novo rumo a vida de cada um deles. Mudando planos, projetos e provavelmente possíveis sonhos. Foi assim que se deu a reviravolta ‘no LOVE’ e a jovem convidada tornou-se mãe, aos dezessete, por acaso, de Gaspar.

love_2015_01Murphy, um jovem diretor de cinema. Elektra, uma artista plástica linda, atraente tal qual a Elektra da mitologia grega. Muitos autores falaram sobre ela… e Eurípides deu um tratamento especial transformando-a em divindade. Enxergando em Elektra uma mulher amargurada e impulsiva, levada mais pela fúria do que pela maldade… A impressão que dá é que Gaspar Noé parece sentir muita admiração pelo mito Elektra. A formosura, a força e por ela ser como pólos divergentes: boa e má; desajustada e correta; que ama compulsivamente e odeia ao extremo; sendo como o fim e o começo. Afinidade e identificação.

love_2015_02LOVE é praticamente contada através da linguagem corporal, um ensaio fotográfico, ou uma peça teatral, e no palco três personagens se digladiando entre o tato, olfato, felação e a suficiência da linguagem não-verbal, não dando lugar ao tabu, pré-conceitos, ou julgamento de valor e nem para as palavras propriamente ditas pois poderiam quebrar o feitiço que o casal buscava nas relações ardentes mais de volúpia do que de encanto.

Gaspar, agora com dois aninhos de idade é acordado pelo celular de seu pai, enquanto que no quarto ao lado Murphy e Omi estavam em seu momento íntimo de amor, embriagados de sexo muito antes do amanhecer. Insistentemente chama o pai. E só assim Murphy atende àquela ligação. A partir daí o pequeno Gaspar sai de cena e todo o desenrolar da história, então em flashback, é focada nos acontecimentos de dois anos atrás. Murphy se vê mergulhado nas lembranças com a amada Elektra.

love_2015_03A chamada era da mãe de sua ex-namorada Elektra. Entra em cena todo aquele seu passado ardente. Pouco mais de dois anos se passaram e Murphy, agora aparentemente sossegado, outra pessoa, outra vida, família formada, pai e marido, trabalho, contas a pagar, compras, lazer… rotina. E agora quem fazia parte do trio é ele, a sua atual companheira e o bendito fruto dessa relação, o Gasparzinho. Rs!

Na chamada recebida, a mãe de Elektra, disse-lhe que a filha sumiu do mapa já há algum tempo e que ela estava muito preocupada, porque Elektra passou a sofrer de depressão e a ter tendências suicidas.

love_2015_04Parece que Murphy arquivou aquela sua história de amor e tocou sua vida dando novo rumo a ela. E aquele LOVE que dizia sentir por Elektra, o que poderia ter acontecido? Simplesmente desapareceu? Acabou quando ela ficou sabendo que a jovem vizinha engravidou de seu amado? Murphy só voltou a pensar na sua ex-namorada depois da ligação da mãe dela. O amor entre o casal acabou? Ou como diria um poeta foi eterno enquanto durou? Ou só estava adormecido?

Reza a lenda que, o corpo é o santuário da alma. E o sexo é o complemento do amor. Estão interligados corpo-alma-sexo-amor. E quem ama deveria jamais se descuidar.

love_2015_05Amor é mesmo uma caixinha de surpresas?! A culpa de não ter sobrevivido? Se existe nessa história um culpado, parece recair sobre a Elektra. A teoria literária investiu nessa crença de que a culpa é geralmente da fêmea e o autor quase sempre trata de matar o AMOR pondo um ponto final na vida dela, principalmente quando se trata de ligações perigosas, envolvendo mais de duas pessoas.

Sabe-se que em um relacionamento a três, há perdas e danos e certamente alguém acabará sobrando ou sofrendo as consequências.

Gaspar Noé usou e abusou de alguns clichês físicos para literalmente gozar na cara do espectador. O relacionamento emocional entre Elektra e Murphy, fora superficial? Tiveram bons momentos, se divertiram, eternizaram suas lembranças através de fotos, vídeos, pinturas, compartilharam anseios… até o momento em que um novo ser resolve nascer. Então se deu o corte do cordão umbilical de uma história que foi linda para começar do zero uma outra.

love_2015_06Afinal, quanto tempo mesmo dura uma paixão? Dizem que há um prazo de validade.

Gaspar Noé resolveu dar uma deixa ao estampar na parede de LOVE o cartaz do filme “Saló ou Os 120 dias de Sodoma”, de Pasolini, dando uma pista aos que testemunhariam o conto de fadas entre Murphy e Elektra, ou seria só um pré-texto?

Era de fato LOVE? Era AMOR? Ele só passou a pensar em Elektra dois anos depois.

Noé precisou nascer para trazer à tona uma história de amor dos tempos modernos. Onde tudo pode ser possível num relacionamento quando as pessoas envolvidas consentem. Elektra e Murphy tinham afinidades de sobra no quesito relacionamento sexual. Só que ele próprio confessou-se um conservador.

love_2015_07Talvez o filme seja condenado por pecar pelo excesso de tórridas cenas de sexo por mais de 90 minutos. Sexo, muitos gostam, mas ficam incomodados em testemunhar terceiros mostrando suas performances além de quatro paredes. Não seria hipocrisia? Afinal todo ser é resultado de sexo entre duas pessoas, e como diz um filósofo de botequim, “somos resultado de um orgasmo… ou uma gozada?

Bem, pôr um ponto final no relacionamento nem sempre significa por um ponto final no sentimento de AMOR. E Elektra em algum momento de LOVE pergunta a Murphy: “- O que significa AMOR? Você saberia responder?

LOVE (2015).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

P.s: Essa é uma compilação de um texto bem mais longo. Para o ler na íntegra, clique aqui.

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985)

o-primeiro-ano-do-resto-de-nossas-vidas_1985Por Francisco Bandeira.
Não há nada melhor que um filme sobre a adolescência, com personagens encantadores, uma boa premissa, com debates ainda presentes na juventude atual, com questionamentos sobre a vida adulta, o poder da amizade, quanto o amor platônico nos consome… E o pior (ou melhor): o quão difícil é assumir responsabilidades.

Esse é o tema abordado por Joel Schumacher neste filme pra lá de simpático, simples, com rostos marcantes no elenco, onde todos estão exalando carisma, esbanjando talento e, por mais que a mão pesada do diretor e o roteiro cheio de furos deixem o filme bem longe de aproveitar seu potencial máximo, não compromete o resultado final do longa que poderia ter alcançado o mesmo “status” de clássico adolescente como os dirigidos por John Hughes na mesma década.

A fita tem alguns momentos marcantes, como quando Billy explica a metáfora do Fogo de Santelmo que dá nome ao filme para consolar sua amiga, ou os personagens se questionando sobre as amizades durarem para sempre, romances impossíveis e o peso que os mesmos têm que carregar na vida adulta. ‘O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas‘ é sim um pequeno filme meio esquecido, mas isso não o torna menos profundo, tocante e divertido, como todo bom filme dessa safra cada vez mais extinta nos dias atuais.

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire. 1985). Detalhes Técnicos: página no IMDb.

Não Me Abandone Jamais (Never Let Me Go. 2010)

Never Let Me Go” é um filme elegante, contido, lindamente fotografado por Adam Kimmel, e emoldurado pela belissima trilha sonora de Rachel Portman. O sotaque britânico dos personagens, enriquece e acalma, que parece ser o proposto pelo diretor Mark Romanek. Mas é melhor não se enganar – apesar de ser baseado no livro escrito por Kazuo Ishiguro, que também escreveu “Vestígios do Dia.”

Ponto fraco:

Never Let Me Go” é uma exploração do amor e da beleza sobre a vida com um toque de ficção científica. Particularmente, é um filme para ser admirado, mas achei que Romanek tentou ser tão fiel ao livro de Ishiguro, que sua narração se move de uma maneira tranquila como no livro, mas na tela, tudo soar lento e muito rebuscado pelo fato de seguir quase a mesma ordem, frequencia, e ritmo da linguagem escrita.

[A partir daqui, o texto contém spoiler.]

A principal coisa perdida na tradução do livro para a tela é a parte substancial do romance que teve lugar em Hailsham, um colégio interno, onde as crianças são ensinadas a temer o mundo exterior, e sempre obedecer às instruções, e tomar cuidado meticuloso em seus corpos. Enquanto no livro,  Ishiguro revela muito mais, o roteiro de Alex Garland vai direto ao ponto- explicado por uma professora (Sally Hawkins, fazendo mais uma pequena ponta depois de “An Education”, 2009): as crianças do colégio interno vão crescer para doar seus órgãos, até quatro vezes antes de morrer. Os jovem atores dão conta do recado, mas eu, do meu lado, fiquei chocado com passividade que eles aceitam as palavras da professora.

Aos 18 anos, quando saem de Hailsham, as crianças fazem pouco mais do que lamentar tristemente o seu cruel destino.  A narração é intradiegetica, isso é, o narrador Kathy (Carey Mulligan) é também um personagem no filme. Kathy é o tipo de sofrimento em silêncio. E, por ela que vemos seus anos dolorosos com o comportamento leviano da sua melhor amiga, a “glamourosa” Ruth (Keira Knightley), que lhe rouba o amor de sua vida, o quase dolorosamente contido Tommy (Andrew Garfield). Kathy, Ruth e Tommy não tem escolhas na vida, e, mesmo vivendo no mundo, onde suas lutas são as mesmas que todos os humanos, eles sofrem mais tragicamente porque seus destinos são agendados desde o inicio do filme.

A narração de Kathy cobre um longo flashback, fazendo “Never Let Me Go” um filme extremamente nostálgico e melancólico. Nós raramente vemos Kathy, Tommy e Ruth rirem juntos. Uma vez que são adultos, eles evitam a verdade sobre seus destinos. A equipe de Romanek, fez um trabalho belo, mas muitas vezes, os três personagens centrais ainda surgem mais como cifras de vítimas do como personagens de carne e osso como seres humanos que estão lutando para serem reconhecidos.

Pontos Fracos 2:

Não entendo a razão da minha antipatia pela Knightley.  Acho-a uma atriz super estimada. Não consigo “sentir” esse talento todo, e nem mesmo ve-la como uma mulher glamourosa. Em “Never let me go”, quando o personagem Ruth exige de Knightley um pouco mais de fragilidade (veracidade também!), a atriz passa o tempo fazendo cara feia.

Mulligan é boa atriz, mas nesse filme, ela nada faz de especial; e Garfield parece um pouco mais perdido em um papel que exige que ele jogue uma ingenuidade e inocência que às vezes beira o retardamento emocional.

Quando o filme chega a sua devastadora conclusão, apenas  alterando uma pequena parte do livro, eu senti muito por Ruth, Tommy e Kathy- por causa das estranhas circunstâncias de suas vidas. “Never Let Me Go” é sem dúvida  um filme bonito de se olhar, mas um pouco oco para ser totalmente sentido- o que não sustenta o desejo que o intitula: “Não Me Abandone Jamais.”

Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009)

Coco Chanel era para mim muito mais uma marca de Alta Costura. De uma moda Clássica. Que mais que uma roupa, a menção do seu nome me vinha a mente Jackie Kennedy. Também era a de um Perfume, o Chanel 5. Que Marilyn Monroe imortalizou no imaginário sedutor de várias gerações.

Com o filme “Coco Antes de Chanel” foi quando conheci de fato a mulher. A sua trajetória de vida até fazer o seu nome ser conhecido e respeitado mundialmente. E o fez de um jeito tão inovador que eu coloquei como subtítulo ao escrever sobre esse filme, esse: Uma Mulher a Frente do Seu Tempo. Eu fiquei tão encantada com ela que fui dura com a performance da Audrey Tautou. Porque eu queria me emocionar das lágrimas rolarem naquela cena final com ela na escada.

Em “Coco Chanel e Igor Stravinsky” temos uma fase seguinte. Nesse é como se o grande diamante bruto fora lapidado nos mostrando todo o seu esplendor. Coco Chanel agora esbanja elegância. Mais amadurecida. Ciente do seu poder de sedução. E porque não, do seu poder de intimidação. Pela época, uma mulher que não seguia o padrão comum, com relacionamentos livres de papéis e igrejas, tinha que ser muito segura de si.

Não gosto muito de fazer isso, mas não deu para não comparar as duas atrizes: Audrey Tautou e Anna Mouglalis. Não deu para não pensar se essa também teria sido brilhante no filme anterior. Mas como Anna Mouglalis tem um porte de uma mulher já amadurecida – contrário da Tautou que parece uma menina travessa -, creio que não. E isso me fez querer rever “Coco Antes de Chanel”, para então ver se eu daria uma nota melhor para a performance da Tautou.

Agora, confesso que me decepcionei um pouco com essa continuação da vida de Coco Chanel. Não deveria, até pelo título que já denota que o filme traria os dois – Chanel e Igor -, como protagonistas. É que eu queria que mostrasse mais do trabalho dela. Do seu lado profissional. Dela vestindo grandes damas da sociedade da época. Entretanto, ao mesmo tempo, o filme me fez continuar encantada por Coco Chanel. Conto mais adiante.

Coco Chanel e Igor Stravinsky” dá um destaque maior a Igor Stravinsky. A sua crise existencial. A sua traição, já que mesmo casado com Katarina (Yelena Mozova), teve e manteve o romance com Chanel. Muito bem interpretado por Mad Mikkelsen. Mesmo assim não me levou a gostar desse músico. Para mim, o filme o mostrou como um autor de uma obra só, a “A Sagração da Primavera“. A Ópera onde foi vaiado em sua estreia em Paris. Onde Chanel colocou seus olhos nele. Igor, com mulher e filhos, pedira exílio à França, por conta da Revolução Russa. Mais. No filme vemos que Igor ganhou mais popularidade porque Chanel, secretamente, patrocinou suas viagens com a Ópera. Além de levá-lo, com a família, para morarem em sua casa de campo. Onde teria tranquilidade para compor.

Chanel só o procura como uma mulher após retirar o seu luto por Arthur ‘Boy’. E é quando vemos o seu talento também para a decoração de interiores. O interessante foi que essa tomada em “dar um colorido a sua vida” vem mesmo como um pequeno duelo com Katarina. Rivalidade entre duas mulheres apaixonadas pelo mesmo homem. Aliás, Katarina mesmo parecendo ter saído da escola em “O Sorriso de Mona Lisa” – alguém que nasceu para ser uma perfeita dona de casa -, ganhou a minha admiração. No filme, se nota que ela tinha estudos, já que repassava, que revia os erros nas composições do marido. Como ela bem disse a Chanel, ela, Katarina, era a crítica mais sincera do trabalho do marido. Katarina ainda mantém por um tempo o papel de esposa que finge que não vê a traição do marido. Mas quando tal romance fica visível até para seus filhos menores, é chegada a hora de uma tomada de decisão. De Igor escolher com qual das duas ficaria.

Chanel diz a Igor que ele não merecia ter duas mulheres. E no caso em questão, as duas. Para Igor, as duas se completavam no papel de uma perfeita esposa para um homem bem egocêntrico e inseguro. Elas eram suas colunas de sustentação. Igor não as respeitava como pessoas. No caso de Chanel, a considerava uma mera lojista. Quanto machismo! Eu amei quando Chanel diz a ele: “_Eu não sou sua amante!” E estava certa! Se ali naquela relação alguém estava traindo alguém, era ele e não ela.

Eu gosto de filmes biografias. Claro que Diretor e/ou Roteirista, tem a liberdade em contar a história do seu jeito. Nesse filme, seria em mostrar um romance real entre duas personalidades tão distintas, tão antagônicas. Não posso dizer que não valeu ter visto “Coco Chanel e Igor Stravinsky”. Valeu sim. Como também me deixou vontade de ver um terceiro filme, e com a Anna Mouglalis interpretando Coco Chanel. Sendo que nesse outro filme detalhassem mais Chanel em sua Maison. Esse realçou mais seu lado perfeccionista até com seus funcionários.

“Coco Chanel e Igor Stravinsky” é um bom filme. Mas o é para um público bem específico. Os adoradores dos de tipo blockbuster, melhor passarem longe desse. Eu até posso rever, mas será para rever a excelente atuação da Anna Mouglalis.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Coco Chanel e Igor Stravinsky. 2009. França. Direção: Jan Kounan. +Elenco. Gênero: Biografia, Drama, Romance. Duração: 118 minutos. Baseado no livro homônimo, de Chris Greenhalgh.

Curiosidades:
– A atriz Anna Mouglalis é umas das musas de Karl Lagerfeld. Sempre circula com vestidos da Maison Chanel, grife da qual é embaixadora desde 2002.

– Todo o figurino de Anna Mouglalis é assinado pela Maison Chanel e foi feito especialmente para o longa, em um processo de criação que envolveu de perto Karl Lagerfeld, no comando da grife desde 1983.

– Foi durante seu romance com Stravinsky que Chanel lançou seu icônico perfume Chanel Nº5.A

Simplesmente Complicado (It’s Complicated. 2009)

Sensacional! Eu amo os roteiros de Nancy Meyers! Seus diálogos são tão reais. Contando as vicissitudes, as alegrias, as tristezas, as surpresas… tão rotineiras em nossas vidas. E sendo ela a detentora da estória, sua Direção flui melhor.

Mesmo o título explicando bem eu diria que é Realmente Complicado. Viver? Não! Os relacionamentos. Mesmo que cheguemos num ponto que parece já estar tudo estabilizado, o inesperado se faz presente. Com isso, lá vamos nós desatar um novo novelo. Agora se ele vem com o sabor de comida requentada… será preciso achar um ingrediente novo para realçar, ou até para enganar o nosso paladar.

Tendemos a complicar mais onde nem teria porque. Mas insistir para que? Ou por que? O melhor seria virar a página e seguir em frente. Mas tem ocasiões, lances… que até que vale a pena insistir um pouco mais. Numa de: ainda dá um bom caldo. Ou mesmo por esperar que isso aconteça.

Simplesmente Complicado‘ até poderia atrair somente um público bem mais adulto. Mas por eu ver tantos jovens com mentes bem retrógradas, que os convido a assistirem também. Assim, quem sabe já vão deixando de complicar seus relacionamentos. E até para que vejam que três jovens do filme também complicaram a vida dos pais. Conto já, o que fizeram. Só um, o futuro genro – Harley (John Krasinski), que não. Além do que ele é ótimo!

Antes, quero falar dos atores que formam o triângulo amoroso.

Meryl Streep está glamourosa. É de fato uma Grande Diva do Cinema. Nesse filme, enquanto deu química com Alec Baldwim, com o Steve Martin não decolou. A mim, ele parecia intimidado com a presença dela. Fiquei pensando se um outro ator teria esquentado mais a estória deles. Não que fez feio, mas eu ficava querendo que chegasse logo outra cena dela com o Alec. E Martin já conseguiu química contracenando com a Goldie Hawn, Daryl Hannah, Queen Latifah. E creio que nem é pela Meryl. Pois recentemente conseguiu química com Stanley Tucci. Enfim, não gostei da escolha de Steve Martin para esse filme.

Agora sim, entrando na trama do filme…

Meryl faz Jane. Mãe de três filhos – Luke (Hunter Parrish), Gaby (Zoe Kazan), Lauren (Caitlin Fitzgerald). Dona de uma Confeitaria (Padaria). Que enfim, conseguiu manter um bom relacionamento com seu ex marido, Jake (Alec Baldwin). Encontra-se com amigas – Joanne (Mary Kay Place), Trish (Rita Wilson), Diane (Alexandra Wentworth), Sally (Nora Dunn) -, de vez em quando para entre degustações de suas receitas conversarem sobre a vida.

Jake, casado com uma mulher mais jovem, no auge da sua carreira profissional, já pensando num – desfrutar a vida sem mais correrias… se vê envolvido com um enteado pequeno, e a atual esposa querendo um filho com ele. Que pelo jeito, está querendo mais um ‘Lar Doce Lar‘… Filhos criados… Uma mulher boa de cama e fogão… e já resolvida por um todo. Onde mais encontraria tudo isso? Com a atual? Ou com a ex?

Então, Jane e Jake após dez anos de divórcio começam a ter um caso. E ai começa a complicação. Não deveria. Mas

Para Jane estava um gosto nada desejado de vingança. É! Mesmo não sendo ético era como se estivesse vingando daquela que roubara seu marido. Que mandasse às favas as convenções sociais. No auge da sua independência tinha mais que curtir esse caso amoroso. E saber se conseguiriam reacender a velha chama dessa paixão antiga. Jake estava achando que redescobrira o quanto a amara. Será mesmo que estava novamente apaixonado pela ex esposa?

Ambos aproveitam para discutirem a relação de outrora.

Paralelo a isso, Jane conhece o arquiteto que conseguiu colocar no papel a tão sonhada ampliação da sua casa. Ele é Adam (Steve Martin). Ainda sofrendo com um divórcio recente. Mas que se encanta por Jane. Complicando a relação por não querer ser mais um na cama. Querendo exclusividade. Ora! Será que não via que deveria curtir mais a vida nova: voltar a ser solteiro.

Bem nem todo mundo teme a solidão. E chega a uma certa altura da vida… que é melhor cueca pelo chão de vez em quando do que na gaveta permanentemente.

Estaria Jane dividida entre dois amores? Ou pensando em ter um homem novamente em casa?

Mas não fica apenas nisso. Pois mesmo estando já crescidos e morando fora do lar, seus filhos não gostaram dessa novidade: seus pais tendo um caso. Queriam o que? Ver a mãe entre preparando quitutes e cuidando da horta? Achavam que ela estava velha para os romances? Ai, a mãezona se sente insegura. Agradar ou não os filhos?

Em a quem ou o que Jane ouviria… Seu coração? Seu corpo? Sua mente?…

Num Top Ten de Comédia Romântica, ‘Simplesmente Complicado‘ já garantiu um lugar. O filme é excelente! Eu ri muito. E a cena do baseado é quase um convite a experimentar. Ah! A Trilha Sonora é nota mil! Sem esquecer que o lugar onde a Jane mora é paradisíaco: Santa Bárbara.

Por fim… Não compliquem, pessoal! Pois a vida é curta!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Simplesmente Complicado (It’s Complicated). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Nancy Meyers. +Cast. Gênero: Comédia Romântica. Duração: 118 minutos.