Slideshow: Presenças Femininas por Aqui (2009 e 2010) – parte II

Ainda dentro do espírito de Homenagear as Mulheres… Mais uma coleção de Filmes analisados aqui no blog entre 2009 e 2010 em destaque as personagens femininas.

Bateu curiosidade em ler as análises basta digitar o título do filme no busca aqui do blog. Apareçam por lá e deixem os seus comentários!

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Caramelo (Sukkar Banat. 2007)

nadine-labakiPor Roberto Vonnegut.
Mesmo tendo visto o trailer, eu fui ver o filme libanês Caramelo (سكر بنات) crente que seria um filme sobre delícias da cozinha. Foi só com as primeiras cenas que percebi que o caramelo tinha outro contexto, talvez feminino demais para que me tivesse passado pela cabeça.

A diretora Nadine Labaki conta a estória de cinco mulheres de Beirute e alguns de seus amores. Mulheres de raças, credos e amores diferentes, em estórias que mal se entrelaçam: Nisrine, muçulmana light, tem um noivo de família ortodoxa; Jamale, recém-divorciada, tenta ser jovem e amar quem vê no espelho; Layale, cristã, tem um amor complicado; Tante Rose descobre que o amor pode ter calças curtas. Mas o ponto alto do filme é Rima, personagem que a diretora disfarça de coadjuvante para contar, de forma velada mas sem rodeios, uma linda história de amor possível.

Sem os plot turns das produções modernosas, Caramelo oscila entre as cinco estórias num ritmo desigual, mas que é amplamente compensado pela sensibilidade da diretora.

O filme tem ainda um detalhe sedutor. O Líbano, sabemos todos, era a pérola francesa do Oriente Médio. Há muitos anos. O filme mostra uma Beirute sem o menor caráter bleublancrouge, mas a herança francesa fica clara no falar das pessoas: expressões francesas fazem parte da comunicação e se misturam à língua local, dando um colorido interessante ao filme.

De resto, impressiona a capacidade de Nadine de captar a beleza de forma sutil em um ambiente bruto. Desde sua própria beleza (ela é a Layale que domina algumas cenas com seus olhares e decotes) e a das companheiras, até a irresistível e quase irreal beleza de Fatmeh Safa, que faz o papel de uma das clientes do salão de beleza de Layale.

Vá ver. É daqueles filmes que te deixam bem no final.

Livro: Divã, de Martha Medeiros.

diva_livro_martha-medeirosPor: Gilberto Ortega Jr.

Eu realmente gostaria de ter um motivo mais inteligente ou diferenciado para comprar, e ler, este livro: Divã. Mas a verdade é que eu não tenho uma justificativa, além da minha clássica: vi um pedaço do filme na televisão, mas como prefiro ler o livro a ver o filme foi o que fiz, o comprei e guardei durante um bom tempo, e somente agora me sobrou tempo pra que eu pudesse ler ele.

Mercedes é uma mulher, de quarenta e poucos anos, que decide fazer análise, isso a leva e pensar e repensar sua vida e condição, o que resulta sempre em mais dúvidas do que respostas. Porém é como se ela passasse a se descobrir mais, a tirar o conforto da prioridade… É com se ela decidisse pensar isso é confortável, não machuca ninguém, mas me faz feliz?

O que me ajudou muito a gostar facilmente do livro é que há uma empatia muito grande entre o texto de Martha Medeiros e o leitor, não no sentido de sei como uma mulher de 40 anos se sente, mas no de muitas vezes pensar isso é tão simples e comum que poderia ter acontecido comigo ou com qualquer um.

Nunca assisti a um atropelamento. Nunca fui cantada por um amigo de um filho meu. Nunca fui assaltada. Nunca ganhei um concurso. Não saberia dizer qual seria minha reação diante disto tudo. O que eu vivi até hoje foi o que costuma ser vivido por todos…” (Página 167)

Todos os capítulos são curtos de no máximo quatro páginas, e vão desfilando acontecimentos que vão desde lembranças do casamento dela, passando por perda de virgindade, morte de pessoas próximas, amantes, relacionamentos com parentes que ela não se dá muito bem, e tudo isso vem mesclado com reflexão e bom humor.

De uma hora pra outra, meu corpo mudou, fiquei mais matrona e menos temperada. Eu que dormia de cobertor em fevereiro, passei a sonhar com frigoríficos e excursões pela Sibéria.” (Página 140)

Ouvi muito falar que ele dava pra ser lido em uma sentada, mas eu preferi ler alguns capítulos e tomar um ar pra que tudo fosse se encaixando de forma calma e natural em mim. Como se fosse constantes mergulhos na alma de alguém, e assim como mergulhar na água exige que voltemos para respirar, tive que sair de fora do livro para ir tomando fôlego e deixando tudo se encaixar em mim.

Por: Gilberto Ortega Jr. Blog Ler Até a Exaustão.

Augustine (2012)

Augustine_01Augustine_02Própria de seu tempo e de uma cultura repressora, a histeria feminina foi uma das questões que levaram Sigmund Freud a iniciar suas pesquisas sobre o que viria a ser a psicanálise. O que alguns não lembram, ou talvez não saibam, é que ele iniciou suas pesquisas com o Dr. Jean Martin Charcot, neurologista francês atuante no Hospital La Salpetriere, em Paris. Na verdade, os primeiros livros de Freud foram baseados em casos de Charcot e Josef Breuer. Após Freud e Jung terem sido “redescobertos” recentemente pelo cinema, nada mais justo, portanto, do que o foco sobre um pioneiro.

Augustine_03Augustine é uma serviçal de uma família francesa, acometida por tais ataques histéricos. Após uma crise convulsiva durante um jantar em que trabalhava, ela é mandada ao hospital, onde permaneceria esquecida, não fosse uma nova crise, desta vez em frente ao próprio Charcot. As diferenças sociais que já atingiam Augustine em sua vida permanecem quando de sua internação: a “superioridade” e frieza científica de Charcot colocam a jovem como mero objeto de observação e estudos, cuja doença cai como uma luva aos propósitos do neurologista, que luta para firmar a seriedade de suas pesquisas junto à comunidade médica.

Augustine_1.JPGAos poucos, a relação entre observador e observada extrapola os limites do rigor da ciência. Da ingenuidade, a jovem paciente passa a notar o poder que tem sobre Charcot, e se faz valer desse poder. Aqui, a atuação de Soko como Augustine quebra os tons pastéis da fotografia, e de um quase academicismo da direção da estreante Alice Winocour. Sua interpretação é o que engrandece o filme, permitindo ao espectador uma identificação com a personagem, inocente e maliciosa, pueril e cheia de força. Tal desenvolvimento de Augustine permite até mesmo uma leitura da protagonista como o sujeito que, enfim liberto e dono da situação, manipula aquele que seria o detentor do poder na relação. Em que ponto ela descobre sua força perante Charcot? Em algum momento, ela simulou alguns de seus ataques? Nas palavras de Freud, afinal, o que quer uma mulher? (e o que ela faria para consegui-lo?).

“Augustine” é um retrato da condição do feminino no fim do séc. XIX. Porém, mostra o quanto as relações entre os gêneros não são estáticas, e a força do indivíduo pode suplantar os limites sociais aos quais está submetido.

Por Eduardo Carvalho.

Augustine (2012). França. Direção e Roteiro: Alice Winocour. Elenco: Vincent Lindon, Soko, Sophie Cattani, Grégoire Colin, Chiara Mastroianni. Gênero: Drama. Duração: 103 minutos. Classificação: 14 anos.

O Cinema Mergulha no Universo Feminino E Sai Revigorado!

because-i-said-soQuem diz que nós mulheres somos o sexo frágil por certo não aguentaria a tripla jornada de trabalho que não apenas executamos bem como também ainda com um sorriso face a face. Pois é! Nosso giro cinematográfico será com personagens femininas. De dondocas às que pegam no pesado. Doidivanas ou centradas. Amadas ou não. As que romperam seus próprios limites. Mas acima de tudo com orgulho em ser mulher. Enfim, um pouco de cada uma delas. Vem comigo!

Entre tantos filmes para iniciar acabei optando por um que apesar da crítica ter crucificado, eu gostei! É o “Minha Mãe quer que eu case“. E por que? Não apenas por eu ser fã da Diane Keaton. Mas até por uma passagem do filme (Durante a cena da foto.) onde ela confidencia algo para a sua filha. Algo que era raro de acontecer entre as mulheres de gerações passadas. Não apenas de confidenciar a própria filha sobre relações sexuais, como também o fato de nunca ter sentido orgasmo. Cena belíssima que não deu para segurar as lágrimas. Mas o filme também foca em uma preocupação nas gerações atuais: o casamento. Ou a preocupação por uma filha que focou mais na carreira profissional esquecendo o lado pessoal. Agora, traçando um paralelo com um outo filme, o “Sex and the City – O Filme” – o qual eu resumiria nisso: ‘as-patricinhas-de-beverly-hills-agora-são-quarentonas‘ -, onde o em comum seria procurar por um marido, eu prefiro muito mais o com a Diana Keaton por já escrachar de vez a situação. Ah sim! O ‘quarentona’ não tem um sentido pejorativo. Ok? É apenas um registro da mudança de idade.

Eu vejo que você é uma mulher protagonista, mas por algum motivo está agindo como a melhor amiga. Você deve ser a protagonista da sua própria vida!

Ainda em cima de casamentos, no “Vestida para Casar” tem algo como o que disseram (Frase acima.) no “O Amor não tira Férias“. Onde a personagem em questão (Do primeiro filme.) estava vivendo o ser uma ‘dama-de-honra-oficial’ nos casamentos de outras mulheres esquecendo até de si própria. Aceitando apenas o fantasiar em sua vida. Até curtia um amor platônico pelo chefe. Enfim, como as duas personagens do segundo filme, ela também não estava protagonizando a própria vida. E as três mesmo indo bem profissionalmente, não iam bem no lado pessoal. Quem assina a Direção e Roteiro do segundo filme é Nancy Meyers que mete o dedo na ferida nesse tipo de questão: amar e não ser correspondida.

intolerable-crueltyA protagonista de “O Amor Custa Caro” faz do enlace um meio de vida. Ela e um tal ‘clubinho’ por lá, vivem da pensão advinda do divórcio. Se nome de Diretor pesa em não torcer a cara para alguns tipos de filmes, saibam que quem dirige esse é Joel Cohen. O que poderá motivar alguns. Só que eu confesso que o que me motivou mesmo a assistir esse filme foi o ‘colírio’ George Clooney. Gente! As mulheres desse filme chega a assustar, mesmo tendo muitas delas também no mundo fora da ficção.

Agora, também tem aquelas que após anos de casada de repente se veem sozinhas, tendo que arcar não apenas com as despesas, mas também com dívidas que ficaram. Entre tantas sugestões escolho um filme até por ser de um gênero que eu amo: Comédia. Pois a personagem desse filme encontrou um jeito bem peculiar de quitar a dívida deixada pelo marido, e que a levaria a perder a própria casa. E foi ajudada pelo ex-jardineiro. Precisam ver o “O Barato de Grace” um filme de ver e rever. A Grace é ótima! Até porque precisou pegar um atalho para então voltar ao caminho certo.

Acreditariam que um cara abandonou a esposa por ela ser uma pessoa boa demais? Onde até o Padre a induz que cometa um pecado. Mas para alguém que nunca pecou fica difícil sentir que está pecando. Afinal, o que é pecar? Teria apenas um peso para a Religião? Mais! Sexo é algo tão pecaminoso assim? Mesmo sendo “Sexo por Compaixão“? Pois é! O título do filme é mesmo esse, e que vale muito a pena vê-lo. E o grande barato é que essa personagem só fez o que fez para recuperar o marido. E por tabela, acabou salvando muitos casamentos já com longa quilometragem. Onde também só uma esposa muito mais jovem mostrou-se ser a mais radical.

irina-palm-3Agora, entre ficar rezando por um milagre, uma senhorinha resolveu agir. Para conseguir custear o que seria a última chance de salvar seu netinho internado num hospital, essa personagem arregaçou as mangas e pôs a mão na massa, literalmente. Dona de casa até então, sem nenhum preparo profissional, ela teve que superar o que a sociedade prega como viver dentro da moral e dos bons costumes. Mas seria algo tão imoral assim? Seria o fim justificando os meios? Para ela o que pesava na balança era ter a grana para o tratamento do neto. Ela é “Irina Palm“. E que encarou o único emprego que lhe daria um retorno rápido em dinheiro. Como também lhe deu alma nova. O tal empregou a revigorou. O filme é ótimo!

Como se encara uma traição? Dar um tempo indo para longe e vendo se assim esqueceria mais rápido? Ou tentar pagar na mesma moeda?

Foi meio por ai que a personagem de “Um Beijo Roubado” fez ao por o pé na estrada: tentar diminuir a dor pela traição sofrida. Onde nesse percurso conheceu outras desilusões amorosas. Outras formas de tentar reter um amor que já se foi. Num aprisionamento dolorido para ambos. Ou mesmo os que sufocam a queixa de um amor que não era o que esperavam. Um filme lindo! E do mesmo Diretor de “Amor à Flor da Pele” que também fala dessa dor. Sendo que nesse outro há o encontro dos cônjuges traídos, mas pensando em dar um troco. Uma gravata masculina que fez a ponte. Outro filme belíssimo!

Mas quando se descobre que a traição está dentro da própria família? O que faria se soubesse que o marido a está traindo com sua irmã caçula? O que pesa também o se sentir trocada por alguém mais jovem. Você iria mesmo querer saber? Seguindo a máxima: “O que os olhos não veem, o coração não sente.”. Ou você iria preferir fingir que não está sabendo? Numa de: “Ruim com ele, pior sem ele.”. Essa opção é meio complicada em aceitar nos dias de hoje. Mas para gerações passadas era até bem comum. Numa de dizer: “Prefiro as mentiras de meu marido, a ouvir as verdades dos outros.” Quem disse isso, já na velhice, passou seus últimos dez anos inerte numa cama, e teve do marido, tantas vezes infiel, o mais carinhoso, o mais paciente companheiro. Que não demorou muito a falecer depois dela. É algo a se pensar!

hannah-and-her-sisters1Voltando na história onde o marido a trai com a irmã caçula, é no filme “Hannah e suas Irmãs“. Essa personagem, de toda a família, ela é a mais centrada. O que irrita um pouco alguns. Que não esperam dela chiliques, nem muito menos o “rodar a baiana“. Onde mesmo que inconscientemente todos a têm como um porto seguro, e deles próprio. Ela é uma atriz de sucesso. E que nos deixa em suspense se a sua melhor atuação fora em fingir que de nada sabia. Vale muito a pena ver esse filme de Woody Allen.

Mas na busca por prazeres sexuais tem também aquela que trai o marido. Por querer vivenciar o que não sentia em seu casamento. Um Clássico com esse tipo de história é “A Bela da Tarde“. Onde a bela Catherine Deneuve consegue envolver não apenas a platéia masculina, mas a feminina também. Um lado prostituta de ser por gostar muito de fazer sexo, e sexo selvagem. Mas que queria que esse lado ficasse na clandestinidade. Ou seria na sombra? Até porque gostava de todas as mordomias que a vida de casada lhe dava. E um acidente do destino ouviu suas preces, deixando-a livre para levar as duas vidas: dona de casa e  prostituta.

Falando em Clássicos um filme que nos deixou uma outra personagem feminina marcante, e às vésperas dos 80 anos de idade, é “Ensina-me a Viver“. Onde ela mostra que se pode escolher sair de cena com dignidade. Ela, a Maude é eletrizante até seus últimos dias de vida. Levando a um jovem a ver que ele estava desperdiçando a própria vida. E que nos leva a refletir também em cima desse lance: a eutanásia. Belíssimo filme!

awayfromher1Mas como bem diz a canção “mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá…“, há também um tentar sair de cena, não da vida ainda, mas do relacionamento, com dignidade quando ainda terá um pouco de noção de seus próprios atos. Até em libertar o marido do peso que a doença (Alzheimer) trará na vida do casal. Essa personagem além disso também preferiu não dizer que sabia das escapulidas (traição) do marido ao longo do casamento. Levando-o a amá-la mais por isso, mas até por isso se vê obrigado a respeitar essa decisão dela. Em aprender a viver “Longe Dela“. Ela é especial até por isso.

Com certeza voltarei a esse tema. Até porque em minhas críticas costumo salientar que há muito mais filmes que mostram com muita sensibilidade o universo masculino. Onde também há muitos que costumam esteriotipar o universo feminino. Sendo assim, farei questão de trazer mais e mais personagens femininas. Por hora, fico por aqui. E parodiando a canção: “Não as provoque, essas rosas choque!“.

A vida se contrai e se expande proporcionalmente à coragem do indivíduo.” Anaïs Nin.
See You!

Por: Valéria Miguez (LELLA) (Um texto de uma coluna em um outro site… Publicado lá em: 11/07/08)