Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012)

Uau! Nem deu tempo de saborear a pipoca. Aliás, é melhor deixar a pipoca para depois. Pois “Protegendo o Inimigo” é acima de tudo um entretenimento muito bom. Confesso que não esperava tanto. Eu adoro quando um filme me surpreende! E nesse não veio por reviravoltas mirabolantes. Nem em descobrir quem são os inimigos. Um deles já se detecta pelo olhar de desconfiança de um dos personagens. A adrenalina ficou mesmo em cima dos dois personagens principais. Pela química entre eles. Pelo crescimento de um dos atores. Pela generosidade do outro em dividir esse palco, como um mestre sentindo orgulho de um pupilo. Por eu nem sentir o tempo passar. Por eu nem querer que terminasse.

Ter Denzel Washington nos créditos já me leva a ver um filme. Mas confesso que em “Protegendo o Inimigo” o motivo maior foi em ver como se sairia o Ryan Reynolds num personagem como esse: um aspirante a agente da CIA. Em Comédia, ele saiu-se muito bem, pelo menos nas duas mais recentes que assisti – “Eu Queria Ter a Sua Vida” (2011) e “A Proposta” (2009), posso atestar. Agora, já não gostei dele no “X-Men Origem: Wolverine (2009)”, que entre outros Gêneros também é um de Ação. Muito embora nesse outro ele foi um coadjuvante. Por conta disso estava por demais curiosa em ver a sua performance neste aqui. E não é que Ryan Reynolds se saiu muito bem em “Protegendo o Inimigo“! Aplausos para os dois pelas excelentes performances!

Faça a Coisa Certa!”  “Não sou seu único inimigo.”

Apesar de não se ter surpresas, eu recomendo que não leiam muito sobre “Protegendo o Inimigo” antes de vê-lo. Tanto que farei quase um pequeno resumo da história, evitando assim em trazer spoiler. Para mim – os dois atores + o tema + a trama -, já bastara. As perguntas, seriam respondidas conferindo o filme. Onde a primeira delas, seria o porque de um deles estar nesse tipo de safe house. Mais! E o porque desse abrigo não ser tão seguro assim. Isso veio com a lida numa simples sinopse. Nela continha que o Agente Matt Weston (Ryan Reynolds), mantendo guarda num dos abrigos da CIA, em plena zona urbana na Cidade do Cabo (África do Sul), receberia como mais um a ser protegido um dos lendários da CIA, o ex-agente Tobin Frost (Tobin Washington).

Frost conseguira sair do mapa por uma década. Acharam até que já tivesse morrido. Pelo seu lado sociopata – de um excelente matador -, quando mudou de vez de lado, ou melhor, quando ele passou a escolher os “seus patrões”, se tornou o mais perigoso dos renegados. Agora, se tornou perigoso para quem? CIA, Mossad, Interpol, MI6…? E por que pediu proteção logo aos Estados Unidos? Cacife, ele tinha. Mas era uma faca de dois gumes. Na era dos chips, pode-se transportar grandes arquivos, e muito bem escondidos. E com a internet pelo celular, saber o que estariam nesses arquivos. Muito ladino, acabou conquistando Weston.

Já Weston se encontrava entendiado em manter guarda entre quatro paredes. Querendo logo entrar em ação. E seu desejo, meio que por linhas tortas, se realiza. Nem tanto com a chegada de Frost ao abrigo, mas sim por ele ter sido invadido, obrigando Weston a fugir com ele dali, enquanto aguardava uma nova ordem. Que para ele seria um novo local até tirarem Frost daquele continente. Mas além de uns imprevistos, ele descobre que terá que se proteger também. O que leva manter Frost vivo era também importante para si mesmo. Ou Frost, ou o que tanto queriam dele.

Meus aplausos também vão para o Diretor Daniel Espinosa! Porque foi brilhante! Não é fácil levar um filme de Ação com quase duas horas do início ao fim. (Final esse que me fez pensar no Wikileaks.) Em nenhum momento o filme perde o ritmo. Como citei antes, mesmo já sabendo quem são os verdadeiros inimigos, a tônica do filme recai mesmo no duelo entre os dois personagens principais. Parte disso também se deve ao Roteiro. Quem assina, e sozinho, é David Guggenheim. Ele conseguiu ser realmente original com um tema tão recorrente: corrupção na CIA. Assim, vida longa na carreira para esses dois: o Diretor Daniel Espinosa e o Roteirista David Guggenheim!

Em “Protegendo o Inimigo” também podemos destacar as atuações dos coadjuvantes. Alguns de peso, como: Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Robert Patrick, Sam Shepard e Liam Cunningham. Também as cenas de perseguições. Além claro, da Cidade do Cabo. O que me fez pensar se seria porque o Agente Weston passaria por incríveis tormentas. Gracinhas à parte! Para mim o único porém do filme foi por não ter Hits conhecidos, e adequados a um filme de Ação. Deveria ter na Trilha Sonora um repertório com Rocks Clássicos. Não que Ramin Djawadi fez feio. Mas as músicas estavam mais para um filme mais lento.

Enfim, é isso! Esqueçam a pipoca. Porque o filme por si só já é muito bom! De querer rever!
Nota 9,5.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012). EUA / África do Sul.
Gênero: Ação, Crime, Thriller.
Duração: 115 minutos.

Anúncios

Contra o Tempo (Source Code. 2011)

Uau! Foi o que exclamei quase no finalzinho de “Contra o Tempo“. Pela estória em si, já ficamos conhecendo durante o desenrolar do filme. A perplexidade, e de tirar o fôlego, ficou em cima do que ousaram fazer. Um Robocop da era virtual. Abrindo espaço para o que é ético daquilo que fazem uso no mundo militar. Até que ponto um soldado, e sem esquecer de que ele é uma pessoa, pertence aos seus superiores? Mas pela trama em si, logo em seguida, veio um “E por que não?

Por mais estranho que possa parecer uma grande parte das invenções estão voltadas para as guerras. E desde os primórdios das civilizações. Atualmente, esse percentual não mudou muito. Talvez tenha se minimizado por forças de um vazamento para além das cercanias desses laboratórios militares. Com a sociedade tomando conhecimento do que estão fazendo. O que até pode vir como um alento que não irão muito fundo em novas armas de guerras. Agora, no mundo da ficção não há limites nessas criações. Em transformar um quase soldado anônimo numa máquina bem especial a serviço da nação. Realidade ou ficção, seguem a máxima de que os fins justificam os meios.

O Thriller é excelente! O que leva a um cuidado maior em não deixar spoilers ao contar um pouco da estória do filme.

Mesmo sem lhe perguntar se aceitaria ou não tal missão, o herói desse filme já se viu no circo armado. Ele é o personagem de Jake Gyllenhaal: o capitão Colter Stevens. Ele acorda dentro de um trem num corpo que não é dele, nem muito menos tem o mesmo nome. A jovem a sua frente parece conhecer o cara do corpo. O que ninguém sabe é que Stevens tem apenas 8 minutos para identificar o terrorista que colocou uma bomba nesse trem de passageiros, que vitimou milhares de pessoas.

É, Stevens é levado a um passado recente. Essa volta a um momento antes de um grande atentado é ainda algo experimental, denominado: Código Fonte (Source Code). O sucesso de sua missão é o que esperam para a aprovação nos escalões superiores. Na base, e diretamente ligada a ele, fica a oficial Colleen (Vera Farmiga). É quem fará a ponte entre ele e o que é ético num experimento dessa magnitude.

Falar mais, corre-se o risco de estragar a surpresa. Mas deixo a sugestão de que aproveitem cada trecho desse filme. Deixem que só o personagem é quem está correndo contra o tempo. Pois é um filme de querer rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Contra o Tempo (Source Code. 2011). EUA. Direção: Duncan Jones. +Elenco. Gênero: Ação, Mistério, Sci-Fi, Thriller. Duração: 93 minutos.

Amor Sem Escalas (Up In The Air. 2009)

O Diretor, e também Roteirista, Jason Reitman continua numa subida rumo ao topo dos Grandes Diretores da História do Cinema. Veio com ‘Obrigado Por Fumar‘, depois ‘Juno‘, nos brindando agora com ‘Up In The Air’. Os três filmes são ótimos! Até por trazerem críticas mordazes da sociedade atual. Por vezes, metendo o dedo na ferida. E que para mim, do melhor jeito: com um humor refinado.

O título dado no Brasil – Amor Sem Escalas -, foi péssimo. Até por deixar a impressão que se trata de uma Comédia Romântica. Mas não é! Tem Romance. Tem Comédia. Tem Drama. Mas tudo dentro do contexto.

O filme fala de escolhas.

De expectativas por elas. De ter a certeza de que fora a opção certa. Mas será que se tem de fato essa certeza? Mais! Quando o planejado não dá certo, o que fazer? Ficar, ou pegar outra rota? Ou até, ficar, mas tendo uma rota paralela, como válvula de escape?

Uma dessas escolhas, estaria em viver, morar sozinho.

Mesmo tendo família, há de se pesar o quanto vale a pena construir mais uma. Dando seguimento ao nome? Seria esse um forte motivo? Não teria outra forma de perpetuar seu sobrenome? Constituir uma nova família seria por opção, ou uma meta? Ou, porque é assim que tem que ser? Algo já estipulado pela sociedade. O ‘E foram felizes para sempre‘ existe de fato?

Enfim, o filme nos leva a várias reflexões, inclusive quanto ao significado do título original: Up In The Air. Para mim, seria algo como: ‘O céu é o limite!‘ Pelo fato do protagonista ter em mente uma meta… Mas também porque viver nas nuvens, o mantém em repouso para as suas tarefas mundanas. Ah! De vez em quando é muito bom a sensação de ‘Estar nas nuvens!‘ E qual seria o seu significado para o título original desse filme?

Ele é o personagem de George Clooney, Ryan Bingham. Que optou por viver sozinho. Ele tem no seu passado, algo que, se não justifica, pelo menos explica o porque de não querer criar raízes. Ele até tem duas irmãs, mas se não fosse por uma, mal saberia delas. Aliás, nem acompanhou o crescimento da irmã caçula. Voltando a vê-la ás vésperas do seu casamento. O que irá render ótimas cenas com o seu provável cunhado. Tudo por conta da sua feliz solteirice.

Ryan até tem um apartamento. Mas tem como lar, os aeroportos, os vôos, os hotéis onde se hospeda, os bares e restaurantes onde bebe seus drinks e faz sua refeições… Seu ‘Lar’ de fato cabe todo numa mala. Ali carrega os seus itens essenciais. E mais, que em nada atravancam sua rotina de vida. Mesmo viajando dentro do país, às revistas nos check-in, tendo muita bagagem lhe tomaria muito tempo. Aliás, as cenas nos aeroportos são divertidíssimas! Se para alguns, parecerão preconceituosas… o fato é que para quem viaja muito, e gosta de observar, tenderá a concordar com algumas. E no caso de Ryan, é fator primordial. Também no quesito: ganhar tempo. Ou melhor, em não desperdiçar tempo.

Por sua fidelidade numa certa companhia aérea, por suas milhas já conquistadas, ele consegue caminho livre – sem esperas em filas -, nos aeroportos, como também nas empresas conveniadas. Mas a sua grande meta, é entrar para um clube muito mais seleto ainda. E isso só conseguirá ao ultrapassar aos 10 milhões de milhas em vôos. Ai sim, ele ficará nas nuvens.

Acontece que, aparece alguém para atrapalhar seus planos de ‘vôos’. Seu chefe, Craig (Jason Bateman), compra a ideia de uma novata na empresa. A jovem Natalie (Anna Kendrick). Como todos recém formados, ela também acredita ter a ideia original. Natalie tem na internet a grande deixa para alavancar a firma. Como nessas fórmulas sempre constam corte nas despesas, os chefes acabam cedendo. Internet… Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Ryan a põe em xeque diante do seu projeto. Inexperiente, e por conta do vacilo dela, Craig encarrega Ryan de ensinar-lhe como agir ante uma situação limítrofe. Embora aborrecido por ter que levá-la junto em suas viagens de trabalho, ele concorda. Pois com isso ganhará um tempo maior para alcançar o tão sonhado Cartão.

É nem só dinheiro que se transformou um cartão. Hoje, até um título de elite, também o é. Seria o cartão magnético o tapete voador das Mil e Uma Noites? Bem, como já bem disse o slogan de um… certos prazeres na vida, não tem preço.

Natalie ganha sua primeira aula no aeroporto. Pois se vai ter que viajar com ele, terá que se adequar. Tralhas demais, com o Ryan, nem pensar. Servindo de lições até para nós. Confesso que exagero um pouco no que coloco na mala. Numa de: posso precisar. Agora, aquela mala da Natalie, nem em sonho carregaria. Precisam ver. Ou seria, ouvir!?

Depois, suas lições recebidas são para ver que os métodos até então empregados na firma, e no caso por Ryan, não é nada jurássico. E por que? Porque eles lidam com um material humano, e num momento crítico. Tudo porque o que fazem é demitir pessoas. Trabalhadores que não mais serão necessários nas firmas onde trabalham. Porque a firma de Craig é contratada para fazer esse serviço que, como disse Ryan – um Chefe não teve culhões para fazê-lo. Natalie também ficará sabendo que o know how adquirido em tantos anos de trabalho, não se aprende nos bancos escolares.

Ryan também dá Palestras. Mais que de simples motivação, para que vejam que ‘bagagem’ demais, ‘pesa’ muito. Que o essencial basta. Mas ao longo do filme, ele será testado involuntariamente para saber que, ou quais, itens essenciais que realmente contam, ou contarão dali para frente. Que lhe bastam nessa jornada chamada vida. E quem lhe porá em xeque, é a pentelhinha. Ops! É a Natalie.

Entre uma escala e outra, uma mulher num bar lhe chama a atenção. Por quase meditar sobre um cartão em sua mão. De cartões, Ryan entende. Bem, sendo uma cantada ou não, é preciso que a outra parte também esteja afim. E ela estava. Ela é Alex (Vera Farmiga). Pausa para dizer que deu química essa dobradinha: Clooney e Farmiga. Alex se mostra uma mulher independente, até em romances passageiros, sem o menor vínculo. O que conquista ainda mais Ryan. A ponto de convidá-la para o acompanhar ao casamento da irmã. Inteligente e elegante, Alex tem ciência de seu fascínio. Mas que também traz um mistério…

‘Up In The Air’ é quase um homem posta à prova. Por o filme ser desse personagem – Ryan Bingham. Com algumas mulheres meio que contribuindo para esse check-in interior. Se ele vai decolar, ou ficar de vez em solo. E é um grande convite de irmos junto com ele. Agora… Sabe aqueles filmes que não faz muita diferença em se ver na Telona (Cinema) ou na telinha da TV? Mesmo tendo gostado muito dele? Para mim, esse é mais um deles. Assim, em tempo de grana curta… A escolha será sua, se irá aguardar em vê-lo pelo DVD, ou correr para o cinema. Afinal, George Clooney é um deus do Olimpo.

O filme também traz participações de peso. Ponto para o Diretor, um quase desconhecido antes de ‘Obrigado por Fumar’, de 2005! Alguns, participaram de seus outros filmes, como por exemplo: J.K. Simmons e Sam Elliot. Mas também tem um outro coadjuvante que está bem vivo em nossa memória: Zach Galifianakis (‘Se Beber, Não Case‘).

A trilha sonora é outro ponto alto. Como as tomadas vista do alto. Então é isso, ‘Amor Sem Escalas’ é imperdível.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amor Sem Escalas (Up In The Air). 2009. EUA. Direção e Roteiro: Jason Reitman. +Cast. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 109 minutos. Baseado em livro de Walter Kirn.
Curiosidade: Ganhou o Globo de Ouro 2010, de Roteiro.

Topo.

A Órfã (2009). Onde para cada acerto, 2 erros…

Por Rafael Lopes.
O cinema de terror já nos brindou com muita coisa boa. Obras Primas do cinema estão dentro desse gênero que tanto admiro e gosto. Mas de uns tempos pra cá, sem aquele tesão delicioso de conquistar fãs e sim encher cinema, os filmes de terror deram uma decaída monstruosa em qualidade. Vez ou outra aparece algo interessante e que realmente vale a pena, só que também, em proporção geométrica, me aparece ofensas que dão até raiva, ao invés de medo.

Jaume Collet-Serra deixa qualquer um duvidoso ao ver seus filmes. Ele primeiro aparece com “A Casa de Cera”, em 2005, que dispensa comentários. Mas conseguiu se redimir (ao menos comigo) com o divertido e eficiente “Gol II: Vivendo o Sonho”, em 2007. Com “A Órfã“, ele conseguiu ser bem mediano, mas nada que salvasse o filme do completo desastre.

Enquanto ele amadurece como diretor, a sua insistência em usar métodos medíocres e picaretas para conseguir a atenção do espectador compromete esse ponto quase positivo. Ainda bem que ele soube fazer uma ou outra coisa boa quando o assunto é drama (rendendo uma cena muito tocante no filme quando a mãe conta uma história para a filha que é deficiente auditiva), e é nas cenas mais dramáticas que o filme consegue mostrar certa qualidade.

Kate (a ótima Vera Farmiga) é uma mulher cheia de problemas. Ex dependente de álcool e que havia perdido uma filha de forma traumática, ela está se reerguendo aos poucos. Mesmo que pesadelos de sua ultima gravidez ainda aterrorizem sua vida. Casada com John (o péssimo Peter Sarsgaard), um designer pai coruja, e mãe de 2 filhos (Max, a filha deficiente e Daniel, o filho), ela sente que precisa doar o amor que daria para a filha que não nasceu, e depois de muito pensar, aposta na delicada decisão de adotar uma filha.

No orfanato conhecem a doce e amável Esther (Isabelle Fuhrman – que tem futuro no cinema), que em pouco tempo conquista a confiança de todos na família, mas aos poucos começa a cultivar a inveja e a desconfiança em todos, mas não contra ela, mas sim, uns contra os outros. Kate começa a perceber que Esther não é nenhuma santa, mas as suas tentativas de provar isso e tentar reparar o erro culmina na morte de pessoas, e a amável garota que conheceu no orfanato se mostra o diabo em pessoa.

orfã 1

Mas aí vem o melhor: a menina não é nenhum espírito ruim, não está possessa pelo tinhoso, não é nada disso que poderíamos esperar de um filme medíocre, mas sim algo até diferente, surpreso e acreditem inteligente. Só que ainda assim soa fantasioso, mas tudo culpa da produção do filme.

O clima de tensão é bom, mas cansa. As atuações são ruins, tirando Vera Farmiga, que segura as pontas e convence na maioria de suas cenas, exceto no fim, quando sua personagem ganha uma certa limitação e precisa virar uma super heroína, desvendando todo o mistério em menos de 5 minutos.

A pequena Isabelle Fuhrman também consegue se destacar. Ela também convence e tenho até a audácia de compará-la ao garoto Harvey Stephens que em 1976 fez minha espinha congelar com seu sorriso em A Profecia. Ela tem uma atuação tão convincente que fez toda a explicação de seu passado ser até plausível.

A parte técnica é esforçada. O melhor foi o pesadelo que abre o filme, transformando a sala de parto no pior lugar do mundo. Só que a adição de sustos pré fabricados, aquele efeito de “pessoa chegando perto” e todos os clichês possíveis que estão no manual “Como Fazer um Filme de Terror Ruim Nos Dias de Hoje” estão lá. O diretor tenta ser bom, mas a sua insistência nisso compromete o filme.

Em resumo, com todos os defeitos (que não são poucos), o filme tem para cada acerto, 2 erros. Contabilize isso em duas horas de duração e tenha a sua resposta.

Tinha tudo pra ser um bom filme, mas consegue ser mais um esquecível!

orfã 2

Nota: 2,0

Orphan, 2009
Direção: Jaume Collet-Serra.
Atores: Vera Farmiga , Peter Sarsgaard , Isabelle Fuhrman , CCH Pounder , Jimmy Bennett.
Duração: 02 hs 03 min

A Órfã (Orphan. 2009)

a-orfa

Um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos.

orphanA Órfã” (Orphan. 2009) de Jaume Collet Serra (de Casa de Cera) é um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos. E o melhor de tudo, com um roteiro afiadinho a partir de uma estória já meio batida dentro do gênero: Um casal (os excelentes Peter Sarsgaard e Vera Farmiga) comum com dois filhos – Daniel (Jimmy Bennett) e Joyce (Lorry Ayers) -, resolve adotar uma terceira criança, a estranha russa Esther (Isabelle Fuhrman), uma menina enigmática e precoce que aos poucos cria um clima de insegurança, terror e discórdia entre todos os que a cercam.

isabelle-fuhrman_orphanA atriz Isabelle Fuhrman, com a ajuda da direção, elaborou uma órfã cheia de nuances, abundante em detalhes psicológicos que surpreendem o tempo todo. O conjunto de personagens tão completos e verossímeis como a macabra protagonista enriquece a trama até um clímax interminável de gelar o sangue.

Prepare-se para pular da poltrona num desfecho que realmente ninguém poderia prever.

Carlos Henry

A Órfã (Orphan). 2009. Canadá / EUA. Direção: Jaume Collet-Serra. +Elenco. Gênero: Drama, Horror, Mistério, Thriller. Duração: 123 minutos.