Série: Gotham (2014-). Uma Nova Ótica Lançada Sobre um Conteúdo Aparentemente Inesgotável

Gotham_seriePor: Cristian Oliveira Bruno.
Batman_KaneQuando adapta-se uma cosmologia tão rica e tão famosa quanto a do Batman, icônico personagem de Bob Kane, se faz necessário manter uma cautela toda especial no que diz respeito às alterações que serão feitas tanto na cronologia quanto na concepção dos personagens. No caso do super-herói em questão, tudo é mais complicado ainda, pois quase não há o que já não tenha sido feito. O tom mais cartunesco já fora ditado e orquestrado com maestria por Tim Burton em seus Batman (1989) e Batman – O Retorno (1992). A atmosfera mais sombria e pesada a qual parece ter sido a versão definitiva dada ao personagem nos anos 80, com O Cavaleiro das Trevas, do Deus dos quadrinhos Frank Miller – a melhor série já feita sobre o Homem-Morcego – foi recente elevada a um outro estágio com a consagrada trilogia de Christopher Nolan (Batman Begins [2005], The Dark Knight [2008] e The Dark Night Rises [2012]). Mesmo a inocência e a fantasia dos primeiros exemplares dos quadrinhos teve sua vez entre 1966 e 1968, com uma série de TV contendo 60 episódios da dupla dinâmica. Assim sendo, o que de novo e diferente o produtor Bruno Heller (The Mentalist [2008-2015]) e o diretor e produtor executivo Danny Cannon (O Juiz [1995]; Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado [1998]) poderiam apresentar em mais uma adaptação para a TV? A resposta veio com o título da série: Gotham.

Gotham_01Voltando pelo menos 15 anos no tempo, a proposta desta vez é apresentar uma nova ótica e lançar o olhar sobre a cidade, ao invés de seu mais ilustre residente, e mostrar como uma cidade tão corrupta e dominada pelo crime chegou ao ponto de precisar de um justiceiro mascarado para manter a ordem. E isso é o mais interessante em Gotham. Mais do que acompanhar os primeiros passos e a origem de vários personagens do universo dos quadrinhos (alguns famosos, outros nem tanto), a série se baseia no fato de que ainda não há um justiceiro mascarado para defender Gotham. E com a polícia, a justiça e o próprio prefeito Aubrey James (Richard Kind) e o comissário Loeb (Peter Scolari) nas mãos dos dois chefões das famílias mafiosas que controlam todo o crime da cidade, Carmine Falcone (John Doman) e Salvatore Maroni (David Zayas), cabe ao ainda jovem detetive James Gordon (Ben McKenzie) assumir o papel de paladino solitário da justiça. E quando eu digo solitário, não é força de expressão. Embora com o passar do tempo Gordon vá adquirindo aliados em sua inspiradora jornada de combate ao crime mais do que organizado, até um certo ponto dela ele se vê abandonado por seus companheiros, chefe e seu parceiro Harvey Bullock (Donal Logue).

gotham_02O plot da série é o assassinato de Thomas e Martha Wayne e a promessa feita por Gordon ao pequeno Bruce Wayne (David Mazouz) – retratado aqui aos 12 anos – de encontrar o responsável. A partir desse momento, Gordon adentra de vez no submundo e começa a entender como a cidade funciona. Não é que todos os seus habitantes sejam corruptos, mas todos têm família e jamais arriscariam oporem-se a Falcone ou Maroni. Essa faceta de uma Gotham dominada por figuras poderosas, mas sem super-poderes acaba por tornar-se, naturalmente, o segmento mais interessante da série. Não que a relação tutor/serviçal/pai entre Alfred Pennyworth (Sean Portwee) e seu determinado protegido não seja deveras comovente, ou que a luta da ambígua e maliciosa Selina Kyle (Carmen Bicondova) para sobreviver nas ruas não tenha seus momentos – embora seja a ramificação mais trôpega do programa -, mas é no núcleo criminoso que encontram-se os melhores personagens, situações e conflitos mais tensos e interessantes.

gotham_03Com um elenco bastante regular e em sua maioria experiente, os personagens acabam ganhando uma roupagem diferenciada e uma cara própria, embora não abandonem os aspectos e traços mais fortes pelos quais ficaram mundialmente conhecidos. Ben McKenzie (do seriado OC e de 88 Minutos) compõe um Jim Gordon intenso e forte, com uma segurança e uma presença em cena muito boas, mostrando o quanto evoluiu com o passar dos anos. Sua parceira inicial, Erin Richards – que interpreta Barbara Keen, primeiro par romântico de seu personagem na trama – não está tão mau, mas carece de uma química maior com o protagonista. Falha esta corrigida absurdamente com a inserção da personagem da Dra. Leslie “Lee” Thompson, interpretada pela brasileira Morena Baccarin (do seriado V – Invasores), cônjuge do ator, tornando a interação entre ambos algo natural, e isso reflete-se na tela. Também destaca-se neste quesito, sem a menor sombra de dúvidas, Oswald Cobblepot, o Pinguim, de Robin Taylor Lord, tão afetado e tresloucado quanto ameaçador e doentio. Taylor Lord vive a dolorosa saga de ascensão daquele que será o futuro Rei do crime da cidade. Donal Logue recebe uma tarefa ao mesmo tempo motivadora e arriscada ao viver o Det. Bullock como um dos protagonistas, já que o personagem não havia ganhado tanto destaque até aqui fora dos quadrinhos – olhe lá uma rápida aparição no primeiro filme de Tim Burton – e sempre fora retratado como policial corrupto e desonesto, com o perdão da redundância. Aqui, Bullock ganha um novo ponto de vista e é retratado não apenas como um mau policial, como alguém que viveu a vida inteira em Gotham e conhece aquela cidade e como ela funciona, sabendo jogar de acordo com suas regras. O choque de personalidades com Gordon faz com que Bullock passe de um obstáculo para ser o primeiro aliado de Gordon – e um importante aliado, pois Bullock conhece o crime da cidade.

gotham_os-viloesCriada especialmente para a série, Fish Mooney (interpretada com muita ferocidade e ímpeto por Jada Pinkett Smith) não só possui um papel importantíssimo na trama, tanto no andamento desta quanto na formação de background de demais personagens, e com certeza agradou (ou agradará) grande parte dos fãs – embora o desfecho dado a ela não seja dos mais agradáveis, ou mesmo bem pensados, provavelmente sua relação com seu fiel capanga Butch Gilzean (Drew Powell) promete arrebanhar muitos fãs para a dupla. Vários outros personagens tradicionais nas páginas das revistas da DC Comics dão as caras por aqui, sendo que alguns são bastante conhecidos do público, como Harvey Dent (Nicholas D’Agosto) – o Duas-Caras -, Edward Nygma (Cory Michael Smith) – O Charada -, Victor Szasz (ANthony Carrigan), Dr. Francis Dulmacher (Colm Feore) – o Mestre dos Bonecos -, Dr. Gerald Crane (Julian Sands) – criador do gás alucinógeno usado por seu filho Jonatan, o futuro Espantalho – e outros mais conhecidos apenas pelos mais familiarizados com o universo Batman, como Jack Buchinski (Christopher Heyendahl) – o Eletrocutador -, a policial Renee Montoya (Carmen Cartagena), Richard Sionis (Todd Stashwick) – o Máscara Negra -, Aaron Helzinger (Kevin McCormick) – o Amígdala, vilão muito semelhante e freqüentemente confundido com Bane – e Larissa Diaz (Lesley-Ann Brandt) – a Cobra venenosa.

gotham_04Mas dois vilões destacam-se neste paraíso dos “Batmanáticos“, cada um a sua maneira. O primeiro deles é Jerome Valeska (Cammeron Monaghan) que, mesmo sem ser oficialmente apresentado como tal, trata-se da versão do seriado para o maior inimigo do Homem-Morcego: o Coringa. O episódio onde o vilão aparece não é um dos melhores da temporada, mas Monaghan destaca-se no diálogo final quando a referência ao coringa é feita, em uma atuação muito boa. O outro é apresentado apenas no episódio 19 (e mantém-se ate o episódio 21, penúltimo da temporada – tendo sido especulado também na segunda temporada, embora fique claro e óbvio que isso não ocorrerá). Jason Solinski, o “Ogro” (Milo Ventimiglia), surge como o principal vilão da série até então, oferecendo sensação de risco real para os mocinhos. O Ogro é aquele com quem todo policial da cidade tem medo de mexer. Gordon também, mas isso não o faz recuar. Esse ponto da trama é um dos pontos altos da série e poderia ser, inclusive, o desfecho (não que o episódio 22 não seja satisfatório, mas o 21 é ainda melhor.

gotham_06Mas a própria Gotham City é a principal personagem da série. Todo personagem da cosmologia criada por Bob Kane, de Bruce Wayne à Mr. Freeze, é composto com base em traumas, seja a perda de um ente querido ou a sensação de impotência perante as situações enfrentadas diariamente. E Gotham está repleta de traumas os todos os cantos. Traumas e mitos. Em Gotham qualquer um pode ser o que quiser. Heróis e vilões usam máscaras visíveis, enquanto a alta sociedade usa máscaras políticas e diplomáticas. Por isso o Bandido do Capuz Vermelho representa mais do que um simples elemento daquela sociedade, mas também um sentimento. Gotham resume o sonho americano de ser a terra das oportunidades. Qualquer um pode ser rei em Gotham, basta tomar o que é seu por direito. Mesmo que não seja seu de direito. E a maneira como Heller e Cannon retratam esteticamente a atemporalidade da mística cidade é curioso. Há celulares e computadores, o que nos põe imediatamente nos dias de hoje. Os carros são das décadas de 60, 70 e 80 e os prédios e as ruas remetem aos anos 30 e 40. Sabemos que Gordon lutou recentemente em uma guerra, mas não sabemos qual foi. Nada é dito sobre o que ocorre além das fronteiras da cidade. Quem é o presidente, de onde vêm as pessoas de fora e tudo mais que não envolva Gotham permanece um mistério. Gotham é uma cidade que existe apenas no imaginário e está sempre em constante formação e Cannon e Heller nos permitem preencher estas lacunas, cada um a nosso modo.

gotham_05A primeira temporada, apesar do caráter experimental, foi melhor do que o esperado. Sofre alguma irregularidade com relação ao ritmo e a consistência – coisa mais do que comum em séries sem um diretor fixo -, mas no fim das contas Heller e Cannon seguram bem as pontas e trilharam um belíssimo caminho para ser expandido nas próximas temporadas já anunciadas. Foi muito bom ver que ainda há o que explorar – com dignidade – de um universo já tão esmiuçado no decorrer dos anos. Este que vos escreve é fã do herói em questão e confessa sem vergonha que estava desesperançoso com esta série, mas fiquei bastante satisfeito com o resultado final desta primeira temporada e a recomendo sem medo para os fãs de Batman e até mesmo para os não fãs, dada a boa distribuição dos núcleos.

Avaliação Geral da Primeira Temporada: 7,5.

Série: Gotham (2014 – )
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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A Psicologia por Trás do Homem-Aranha. Desse pequeno grande herói.

Por Charles Alberto Resende.

No filme ‘O espetacular Homem-Aranha’, Peter Parker ajuda o cientista Curt Connors a elucidar sequência lógica incompleta há anos.

A trilogia do Homem-Aranha, de Sam Raimi, assim como a nova série “O Espetacular Homem-Aranha”, tratam do processo de amadurecimento de Peter Parker, e também da nossa individuação, enquanto heróis da nossa própria vida. O primeiro filme trata da ferida que dá origem ao herói: a culpa pela morte do tio Ben. O segundo sobre a dúvida se ele deve continuar sendo um herói ou não. O terceiro resolve essa dúvida, pois Peter se identifica com seu papel de herói, o que constela sua sombra: Venon, que terá de confrontar para o bem de sua integridade psíquica. A nova série já desloca a ferida do herói para o abandono dos pais, fato que irá repercutir em todos os filmes, principalmente na insegurança e no sentimento de exclusão de Peter. Uma análise mais completa dessa série só será possível ao seu término, para se encadear um filme ao outro e se detectar para onde a aventura está caminhando.

peter-parker_homem-aranhaPeter, psicologicamente, é um pensador, mas tem que lidar com seus sentimentos, conteúdos opostos às ideias. Enquanto aranha, ele “balança” de um oposto psíquico para outro, a fim de alcançar a condição humana de equilíbrio, sem se identificar com um ou outro, uma vez que ambos fazem parte da vida e da psique. O azul associa-se à tranquilidade, à pureza, à exatidão, ao frio, à imaterialidade e à espiritualidade. O vermelho, se liga à vida, aos instintos, à vigilância, à inquietude. Identificar-se com um deles, sejam eles quais forem, é querer tornar-se um deus, resolver tudo com uma fórmula só, como num “passe de mágica”, o que nos torna impiedosos para com aqueles que se identificam com o lado oposto. Isso é bem ilustrado no Homem-Aranha 3, na forma como é cruel com Mary Jane e seu amigo. Por isso a aranha, que possui oito patas, faz uma mandala no peito do herói, um símbolo de totalidade, de abrangência dos opostos.

O que ajuda Parker a resistir à tentação a se tornar uma espécie de deus é já ter estado do “outro lado”, já ter sido um fraco, e por isso conhece o valor da força. Ele sofria bullying na faculdade, e é provável que sofrera também nos estágios escolares anteriores. Mas é justamente essa vivência que o impede de cair na tentação do poder, e usá-lo contra os demais. Sua sombra é o herói, o homem poderoso, e sua tarefa é integrá-la à sua vida e tornar-se um homem íntegro.

mary-janeNo primeiro filme, Peter assume a persona de herói, simbolizada pelo uniforme, e se identifica com ela. No segundo, sente necessidade de reprimir a vida de herói, pois acabou deixando outras necessidades de lado, como a paixão por Mary Jane. Por isso perde seus poderes e fica novamente míope. Mas a chave para saber lidar com a vida de herói e com as necessidades humanas é a disciplina, e não a repressão. Esta é usada devido ao medo de usar compulsivamente seus poderes. Isso só ocorre quando não se está consciente de possuir as qualidades opostas, devido à repressão de uma das polaridades. Porém, o Aranha só vai descobrir isso no 3º filme, quando descobre o quanto pode ser mau.

homem-aranha_os-vilõesOs vilões que o Aranha enfrenta representam obstáculos em sua psique que ele precisa superar. Todos eles podem ser classificados em duas categorias: ou são cientistas, ou são objeto/produtos de estudo científico avançado. De alguma forma estão relacionados à atividade intelectual, e acabam por sucumbir ao poder. Os vilões dos dois primeiros filmes e de “O Espetacular Homem-Aranha” são admiradores da performance intelectual de Peter, como que denunciando o perigo de se fixar apenas em uma função ou qualidade psíquica. As quatro funções psíquicas (pensamento e sentimento, sensação e intuição) são formas de orientação da consciência para adaptação à vida. Elas formam pares em oposição, e não podem se desenvolver sem prejuízo da função oposta, pois uma interfere no funcionamento da outra. Por isso, quando o sentimento se desenvolve, a função intelectual não progride, e vice-versa. As funções que não progridem. alcançam uma feição inferior, primitiva. Caem totalmente ou em parte no inconsciente e a partir daí operam através do indivíduo de forma involuntária, podendo ocasionar acidentes e todo tipo de erro. Isso está explicado de maneira mais extensa na monografia “A intuição e a sensação em dependentes de droga na perspectiva da psicologia analítica”, onde os opostos intuição e sensação são explicados com mais propriedade. Como Peter desenvolveu mais a função pensamento, e é do tipo psicológico intelectual, mas ao mesmo tempo sente necessidade de evoluir seu sentimento, pois percebe que não consegue lidar muito bem com pessoas caras em sua vida. Harry e Marko parecem ser do tipo sentimento, e são os únicos vilões que Peter perdoa.  

Já os demais (Norman, Otto, Curt e Max) morrem no final, pois representam justamente o uso excessivo do intelecto que precisa findar na vida de Peter. É como se estes fossem personificações de sua função intelectual que precisava de maior objetivação para que ele pudesse percebê-la melhor para se aproximar mais da função oposta.

A título de conclusão, é pertinente fazer um paralelo das aventuras do Homem-Aranha com a estrutura das sagas dos heróis em geral. O herói quase sempre é engolido pelo monstro na batalha decisiva, o que ocorre com Peter quando é “engolido” pelo Simbionte, que toma seu corpo com o traje negro. Isso ocorre com Jonas, na Bíblia. É no interior da baleia que este começa a ajustar contas com ela, que nada na direção do nascer do sol (JUNG, 1991d, §160). No caso, o Aranha ajustou contas com a sombra coletiva na igreja, e depois ao explodi-la, quando o sol desponta. Só então Peter perdoa o Homem-Areia, uma alusão ao seu renascimento.

(Leia mais a respeito: “A sombra do Homem-Aranha“)
Por Charles Alberto Resende.

Panorama do Festival do Rio 2013 – Parte II

festival-do-rio-2013A GAROTA DAS NOVE PERUCAS (Heute Bin Ich Blond) de Marc Rothemund tem um tema forte. Uma menina cheia de vida que de repente enfrenta um câncer devastador. Quando começa a perder cabelos por conta do tratamento, decide comprar várias perucas e assumir diversas personalidades. O humor e a criatividade da jovem ajudam a combater a doença. Um tema comum numa ótica alemã bem diferente, cheia de talentos e sem os excessos de dramaticidade comuns a Hollywood.

TATUAGEM é uma pérola hedonista de Hilton Lacerda. Ambientado numa periferia nordestina no final da ditadura no Brasil (1978) traça um retrato pouco visto da época já exaustivamente focada no eixo Rio/São Paulo. Ao sair dessa zona urbana conhecida, o filme ganha um colorido único com números musicais poderosos e sequências geniais amparadas por um roteiro preciso e um elenco vigoroso onde todos se destacam. Clécio (O excelente Irandhir Santos) quer montar um show ousado num cabaré decadente com o nome de chão de estrelas e se apaixona por um menino soldado cujo apelido é Fininha (Jesuita Barbosa). A paixão resulta num aparente contraste entre a resistência burlesco-nordestina e a severidade militar. Não tarda para que a trupe comece a se rebelar contra a aparente ameaça. O extravagante Paulete (Rodrigo Garcia numa composição inspiradíssima) está à frente dessa pacífica oposição. O que mais funciona no filme é a ausência de falsos pudores nos diálogos e especialmente nas cenas de sexo. O primeiro encontro de Clécio e Fininha é um primor de erotismo precedido de uma arquitetura de sedução notável, bem como o assédio sexual no quartel militar. Destacam-se também os curiosos relatos populares ligados ao pecado como o bebê que nasce sem cabeça ou o burburinho causado pela liberação de obras proibidas como “A Laranja Mecânica” de Kubrick com as famosas bolinhas pretas censurando a nudez frontal dos atores. Tudo costurado com primor e talento formando um espetáculo único e inesquecível que volta a orgulhar o cinema nacional ultimamente estremecido com produções grosseiras de bilheteria fácil. Salve o nordeste!

BEHIND THE CANDELABRA foi concebido para ser exibido na tela grande, daí a qualidade em todos os quesitos da produção. No entanto, o diretor Steven Soderbergh teve de se contentar em vender os direitos para a televisão por conta da temática gay exagerada. Como conseguir conter um personagem como o músico Liberace que exalava excentricidade por todos os poros? Liberace já era famoso e tinha quase 60 anos quando conheceu o adolescente Scott Thorson que se tornou seu amante por muitos anos. Os dois são vividos magistralmente por Michael Douglas e Matt Damon que travam batalhas verbais elaboradas numa estória muito bem roteirizada. Mas o ponto alto é para a maquiagem que transforma Damon de menino a adulto, Michael num velho afetado que definha com uma doença mortal e Rob Lowe em um cirurgião plástico hilário e deformado que certamente é um dos pontos altos de sua carreira. Vai passar na HBO. Vale a pena ser visto.

SHAMPOO um filme de Hal Ashby datado de 1975 provou que perdeu força ao longo do tempo. Exibido em película riscada, com a cor adulterada e o som distorcido, mostra os então jovens Warrem Beaty e Goldie Hawn numa comédia de difícil digestão com drama demais inserida no roteiro para ser engraçado. Tudo gira em torno do cabeleireiro George, que aproveita da fama homossexual que a profissão lhe conferia na época para se envolver com todas as mulheres que se aproximavam. O atrativo maior da sessão seria a presença da estrela Goldie Hawn que simplesmente não apareceu.

GRAVIDADE (Gravity) de Affonso Cuarón apesar de incursões mais profundas inseridas nos (bons) diálogos deve ser encarada como puro entretenimento. Diversão do tipo montanha-russa mesmo com muita aflição. A sensação conferida com o 3D e o Imax  é de queda livre e afogamento. Tudo se passa no espaço dividido pela engenheira Ryan e pelo astronauta Matt numa missão delicada quando são atacados por uma chuva de meteoros que os deixam flutuando à deriva sem contato com a Terra. George Clooney está perfeito como sempre, mas o filme é de Sandra Bullock que imprime terror e coragem assombrosos em cada fotograma onde aparece lutando pela vida. Hollywood continua a fazer filmes extraordinários.

GATA VELHA AINDA MIA de Rafael Primot teve sessão de gala no Odeon com a presença das estrelas Regina Duarte e Barbara Paz. Regina é Gloria Polk, uma escritora solitária que já teve seus dias de Glória e é entrevistada por uma jovem jornalista (Paz) num embate furioso regado à inveja e amargura. Ainda que com deslizes no roteiro, o filme mantém interesse por conta dos diálogos cáusticos e da força das atrizes, ganhando um diferencial no epílogo surpreendente, quase noir com toques de terror para acabar derrapando um pouco no desfecho um tanto mal solucionado. De qualquer modo, vale conferir nem que seja para observar a estranha composição de Gilda Nomacce no papel da intrometida vizinha Dida. Gilda já havia feito outro filme exótico e excelente, o cultuado “Trabalhar Cansa”.

GIGOLÔ AMERICANO (American Gigolo) teve apresentação em película no CCBB o que é sempre uma boa experiência apesar do desgaste do tempo. O próprio diretor Paul Schrader estava presente na projeção desbotada e riscada de sua obra de 1980. Richard Gere brilha no auge de sua beleza, numa trama quase ingênua para os dias de hoje, vivendo um prostituto de luxo envolvido num crime. O talentoso Giorgio Moroder faz a música no mais fraco dos seus trabalhos para o cinema e Armani assina os figurinos que marcam época. Schrader afirmou na conversa após a sessão que não faria o filme hoje com o conteúdo homofóbico daquela versão que coloca gays como vilões inescrupulosos e o personagem de Gere imitando gratuitamente um homossexual. Cita a boate The Probe mostrada no filme como um cenário estereotipado e underground. No entanto era um lugar freqüentado por todos, inclusive por ele na época. Revela, afirmando não ter preconceitos.

festival-do-rio-2013_03O LOBO ATRÁS DA PORTA pode ser considerado um thriller. Baseia-se no caso conhecido como “A Fera da Penha” que chocou o Rio na década de 60. Extremamente bem conduzido por Fernando Coimbra, o longa conta com um elenco de grandes nomes como Milhem Cortaz, Leandra Leal e Fabíula Nascimento nos papéis principais, bem como participações muito especiais de Juliano Cazarré e Thalita Carauta (A Janete de Zorra Total num papel parecido com o trabalho que vem fazendo, mas com o sabor de cinema). Tudo começa com o desaparecimento de uma criança. Os pais da menina são chamados à delegacia e Rosa, a amante do pai, é a principal suspeita do sequestro. Nesta versão, o macabro acontecimento continua a acontecer no subúrbio do Rio, embora se desloque um pouco da Penha para Oswaldo Cruz e tem a época atualizada para o tempo corrente, o que lhe confere um distanciamento perfeito para manipular com a suposta obscuridade psicológica de cada personagem sem a preocupação da exatidão e fidelidade dos fatos. O resultado é um grande filme.

O ABC DA MORTE (The Abcs of Death) como quase todo filme com muitos diretores não é um filme regular. No caso, a situação se agrava por conta de reunir diretores de diversas partes do mundo para contar o tema macabro através do alfabeto. No entanto, há momentos muito originais e até geniais no meio de uma sucessão de escatologia e terror gore. Digamos que muitas letras se salvam.

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2. 2013)

meu-malvado-favorito-2_2013Meu Malvado Favorito 2” entra para a lista das continuações que deram muito certo! E mais! Com história bastante para outras continuações, e não estou falando do com os “amarelinhos”, os Minions, que está em fase de produção. Afinal, como o título original denota esse lado malvado no protagonista Gru (voz de Leandro Hassum) ainda pode entrar em várias terapia. Os personagens de Woody Allen que o digam. Fora que além dos minions há as três filhas do coração desse não tão vilão assim: Agnes, Edith e Margo.

Nesse segundo filme Gru de vilão passa a ser espião. O que faz aumentar a admiração que as filhas já sentia por ele. Afinal, ter um pai “007” aumenta também a fantasia nelas: a casa ganha mais movimentação. Só que em se tratando de Gru, até o “convite” vem de um jeito meio torto: colocam uma “estagiária” para isso. A jovem agente Lucy (voz de Maria Clara Gueiros). Que resolve já ir demonstrando todos os seus dotes e apetrechos para uma importante missão.

meu-malvado-favorito-2_os-minionsGru é levado até a Liga Anti-Vilões. Seu feito do “roubo da lua” o qualificou para um grande mistério: encontrar um laboratório que foi roubado por inteiro. Porque com ele foi uma fórmula em estudos, e meio ao estilo “Dr Jekyll e Mr Hyde“. Reforçando o que eu falei no início: “que bem e mal existem em todas as pessoas“. Ainda sem um antídoto, a vacina criaria uma legião de criaturas “do mal”. Mesmo tentado, Gru recusa. Afinal ele agora tinha uma família de fato para zelar. Mas as circunstâncias seguintes o levam a aceitar o novo desafio. Uma dessas consequências me fez lembrar do filme “Baby Boom” (1987), mas diferente do personagem da Diana Keaton, a produção de geleia de Gru nem saiu do laboratório: tinha um gosto intragável. O que foi a gota d’água para que o Dr. Nefario ir embora. Com um ego nas alturas, esse cientista “do mal” ainda queria uma vida de ação. Assim, Gru cancela sua aposentadoria e segue em missão com a Lucy: uma dupla que promete! Gru leva alguns minions, deixando outros cuidando das filhas.

meu-malvado-favorito-2_as-filhas-de-gruClaro que as três meninas – Agnes, Edith e Margo – também pontuam e muito nessa continuação. Margo, a irmã mais velha vai vivenciar o primeiro amor. Que nem tanto como “Romeu e Julieta”, mas que o pai do jovem é o suspeito principal. Fazendo Gru se dividir entre a espionagem: ora no vilão (voz de Sidney Magal), ora no jovem casal. Edith, a irmã do meio, vê essa vida dupla de Gru como uma herança paterna. Seu gosto por brincadeiras “de menino” ganha mais intensidade. Ela ama as invenções e as armas usadas pelo pai. Agnes, a irmã caçula, está na expectativa de sua primeira festa de aniversário, com direito a Princesa do Mundo Encantado. Como também da sua primeira apresentação de um evento para o Dia das Mães na escola. Levando Gru se dividir nisso também com ela declamando sua fala.

Meu Malvado Favorito 2” é diversão garantida! Diferente do primeiro, esse eu assisti em 3D. Mas creiam, o uso dessa tecnologia para esse filme é como a pipoca que se come durante o filme. Diverte, mas não entra como um coadjuvante de peso. O 3D será lembrado mesmo nos créditos finais com alguns minions tentando tocar o público. Falando neles, eles continuam divertindo e encantando! Até nas cenas musicais, indo da romântica “I Swear” à alegre e performática “YMCA“. Show! Um filme para ver e rever!

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2. 2013). EUA. Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud. Gênero: Animação, Comédia, Crime, Família. Duração: 98 minutos.

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man. 2012)

E O Espetacular Homem-Aranha alça um voo muito mais alto…

Espetacular, sim! Até por prender a atenção com uma história já conhecida. Partindo de uma breve premissa – o nascimento do Homem-Aranha -, construiu-se uma nova e empolgante história para o jovem Peter Parker. Confesso que ainda no início era forte a lembrança do rosto de Tobey Maguire, mas depois forcei-me a não pensar mais nele para dar uma chance ao Homem-Aranha de Andrew Garfield. E ao vê-lo radicalizando com o skate, a imagem do outro se desfez. Nascia ali um novo Homem-Aranha, e com algo mais que conto mais adiante. Por hora, deixo meus aplausos ao Diretor Marc Webb.

O jovem Peter Parker continua um jovem tímido, inteligente, mas sem um esteriótipo nerd. Com uma aparência mais desleixada poderia passar despercebido pelos colegas do colégio, mas ainda sofre nas mãos de líder de uma certa turminha. Mesmo aparentando fragilidade, não se furta a tentar defender os demais oprimidos. Com isso, passa a ganhar a atenção da jovem a quem já dedicava olhares furtivos. Ela é Gwen Stacy. Então! Nesse filme não há mais a Mary Jane. Logo, a construção desse personagem feminino fica mais livre de comparações. Quem faz a Gwen é Emma Stone. Gostei dela em “Histórias Cruzadas“. Confesso que ao saber que ela que faria par romântico com o novo Homem-Aranha, foi que me fez pensar como seria a performance do Andrew Garfield. Não apenas na química entre os dois, mas também se ela não roubaria a cena quando atuassem juntos. Após ter assistido, para mim ela carimbou o passaporte para uma continuação. Não que ele fez feio, pelo contrário, interpretou tão bem que fez do personagem um ser livre para ser interpretado por outros jovens atores. Com ele é o personagem que aparece.

Com as demais atuações, destacaria ainda:
– Martin Sheen fez um Tio Ben, bem marcante.
– Já Sally Field ficou a desejar com a Tia May.
– Um Chefe da Polícia diplomático, bem interpretado por Denis Leary.
– E o vilão da vez: um também lagarto. Cabendo a Rhys Ifans interpretá-lo. Soube pular do cientista arrependido para o que buscava um outro tipo de poder.

Coube também a ele uma das cenas mais emocionantes, até por lembrar de uma outra com os personagens de Harrison Ford e Rutger Hauer no filme “Blade Runner: o Caçador de Andróides”. É! Numa de quem seria a caça, quem seria o caçador… O poder também pode escravizar. Já que poder é para quem pode. No caso em questão, é fazer com que o lado científico concilie com o lado humano, em vez de rivalizar.

A cada nova versão cinematográfica para esse personagem, para a sua trajetória de vida, mais que o avanço na tecnologia do 3D, seria a sofisticação do laboratório onde ele é picado pela aranha, e pela trama que vem daí. No uso que dariam para tal pesquisa. São os fins justificando os meios. Nessa versão, também se vê um avanço nisso. Lembrando que Stan Lee criou o Homem-Aranha na década de 60. De lá pra cá, muita coisa mudou também fora da ficção.

Claro que se poderia falar muito mais desse super-herói tão fascinante. O filme é excelente até focando apenas no quesito entretenimento. Como já citei, essa nova versão para o Homem-Aranha o deixa livre do peso do ator. O que vale dizer que Andrew Garfield não deixou saudades. Agora, se é válido pedir algo. Que as futuras escolhas fiquem mais naquele que aparentar ter uns 18 anos de idade.

Então é isso! Peguem bastante pipocas porque o filme é longo, mas é empolgante e com cenas emocionantes! Ah! Não saiam antes dos créditos finais. Há uma cena gancho para uma continuação e que deixa uma enigma: “Quem será ele?”
Nota 9,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man. 2012). Direção: Marc Webb. Roteiro: James Vanderbilt, Alvin Sargent, e Steve Kloves. Elenco: Andrew Garfield (Peter Parker); Emma Stone (Gwen Stacy); Rhys Ifans (Dr. Curt Connors); Denis Leary (Capitão Stacy); Martin Sheen (Tio Ben); Sally Field (Tia May); Irrfan Khan (Rajit Ratha); Campbell Scott (Richard Parker); Embeth Davidtz (Mary Parker); Chris Zylka (Flash Thompson); Max Charles (Jovem Peter Parker); C. Thomas Howell (Pai de Jack); Jake Keiffer (Jack); Max Charles (Peter Parker /Age 4). Gênero: Ação, Fantasia, Thriller. Duração: 136 minutos. Baseado em HQ.

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012)

Desde que eu vi um dos primeiros teasers já fiquei na maior expectativa. Querendo muito ver toda a história contada pelo genial Tim Burton. Como também a performance de Johnny Depp, prometia. Enfim o filme chegou por essas praias. E… Peguem a pipoca no tamanho grande, pois não desgrudarão os olhos da tela. É diversão garantida!

Vi numa entrevista na tv que o filme foi baseado numa antiga Série de tv. Como eu não a conheço, vou me ater ao filme em si. Tim Burton contou, e muito bem, a história da Família Collins. Só pecou num único detalhe, que eu contarei qual é mais adiante. O filme “Sombras da Noite” foi muito bem construído. Fazendo certas homenagens a outros filmes numa ponte entre os de Terror com as Paródias a esses. O que não deixa de ser um show à parte: um quiz para identificar que cena lembra a tal filme. Não querendo estragar a brincadeira, mas deixo um: “O Exorcista” (1973), por exemplo. Se é com alta dose de humor, será fácil matar essa charada. Além da cena clássica desse, uma outra me fez lembrar, mas de um outro filme mais recente, o “A Morte lhe Cai Bem” (1992), pela performance da Meryl Streep, que me fez pensar se uma outra atriz mais tarimbada teria também dado um show em “Sombras da Noite“. Pois nesse aqui, foram outros dois personagens que brilharam.

São pequenas homenagens que abrilhanta a trama, pois afinal, essa Família não tem nada de comum.

Há cenas que me fizeram lembrar do Vovô da “Família Monstro” quando ele tentava dormir em alguns lugares inapropriados. E segue por ai as referências a outras obras. Mas ainda no campo dessas homenagens, Tim Burton não esqueceu de, em vez de lembrar, trazer um ator dos Clássicos do Gênero. Tim deu um personagem para Christopher Lee, que já participou de outros filmes dele. Mesmo num pequenino papel, um grande ator quer é mais continuar atuando. Valeu, Tim!

O filme “Sombras da Noite” vem em dois atos. Ou seria em três? Por conta do final que deixa um gancho para uma continuação.

Há um prólogo, contando o início de uma família inglesa em solo americano, no ano de 1752. Tendo gostado, e prosperado, por lá resolveram morar, construindo uma imponente mansão. O lugar, por ter se tornado um importante porto de pesca graças a essa família, ganha o nome de Collinsport. E a mansão, de Collinswood.

Numa virada de tempo, com os filhos já crescidos, um deles passa a ser cobiçado por corações femininos. É o então personagem de Johnny Depp: Barnabas Collins. Mas que só tinha olhos para uma jovem. Acontece que uma das preteridas, uma das criadas da mansão, não deixará barato. Tendo ai o início de uma briga secular. Ela é Angelique, personagem de Eva Green. Onde para mim Tim Burton errou na escolha dessa atriz. Pois ela deixou escapar um importante papel: o de vilã dessa história. Mesmo na cena de uma transa ao som de “You’re the First, the Last, My Everything”, de Barry White, cena essa que ficará na História do Cinema, mas o brilhou ficou mesmo com o “partner” e os efeitos especiais. Teve momentos que ela me fazia lembrar da Anne Hathaway. E quando isso acontece, já são pontos a menos para a atuação. Além do que, não esteve à altura da performance de Depp. Esse foi fenomenal!

Após uns rounds, Angelique põe o belo príncipe para dormir, mas diferente do Conto da Bela Adormecida, ele vira um vampiro e Collinsport continua viva, não “adormece” com ele.

Passando então para o segundo ato, que na verdade é quase o filme por inteiro. Nessa passagem de tempo, Collinsport se encontra no ano de 1972. A cidade prosperou. Em contrapartida, a mansão entrou em decadência.

Junto com ela, os membros da Família Collins: a então nova matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer); sua adolescente e rebelde filha, Carolyn (Chloë Moretz); um irmão que tenta manter uma pose de lorde, Roger (Jonny Lee Miller), com seu filho David (Gulliver McGrath), que todos acham que pirou após a morte da mãe.

Morando também na mansão: – Há dois empregados: o faz tudo Willie (Jackie Earle Haley), que depois será um mordomo para o Barnabas; muito boa a cena onde ele escuta e canta “The Lion Sleeps Tonight”, de The Tokens. E uma senhorinha cujas cenas são hilárias depois com o Barnabas de volta à mansão, nas que ele tenta dormir; merecendo também o registro do nome da atriz: Ray Shirley. Ainda na residência dessa estranha Família, uma convidada que fora contratada para tratar do pequeno David, mas que acabou por lá ficando: a Dra. Julia Hoffman, personagem da Helena Bonham Carter. Uma Psiquiatra, diria que “aditivada”. Uma outra jovem chega à mansão, e que será a governanta do David. É Victoria Winters (Bella Heathcote), que ao longo do filme vamos conhecendo a sua história, e porque foi parar ali. Só a Dra. Julia que não morreu de amores por Victoria.

Além de Depp, outras das excelentes performances foram com as atrizes Michelle Pfeiffer e Helena Bonham Carter. Excetuando Eva Green que eu daria uma nota 6, aos demais, estiveram ótimos.

Cenário, Maquiagem, Figurino, Fotografia, Efeitos Especiais, além claro desse trio primoroso – Direção, Roteiro e Trilha Sonora -, dariam ao filme uma nota máxima. Mas… Pelo o que já contei acima, darei nota 8. E o personagem do Depp deixou uma vontade de vê-lo num Number Two.

Então, é isso! Peguem a pipoca, pois terão diversão garantida!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Sombras da Noite (Dark Shadows. 2012). EUA. Direção: Tim Burton. +Elenco. Gênero: Comédia, Fantasia. Duração: 113 minutos. Baseado em Série de Tv.