A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars. 2014)

a-culpa-e-das-estrelas_filmeA Culpa é Das Estrelas poderia ser mais um filme com temática drama-juvenil com o objetivo de arrancar litros de lágrimas dos adolescentes nas salas de cinema, conseguiu essa proeza, mas pela diferença em vários aspectos. Entre os fatores que mais chamam atenção do público está no roteiro fiel ao livro e bem adaptado, a química de um casal de protagonista promissor no cinema e uma direção bem caprichada.

a-culpa-e-das-estrelasEmbora o primeiro amor entre jovens e a doença terminal sejam assuntos tratados inúmeras vezes no cinema – salve “Uma Prova de Amor” e “Minha Vida Sem Fim”-, Josh Boone conseguiu cativar o grande público desde o primeiro encontro do casal. Na história, Hazel (Shailene Woodley) se mantém viva graças a uma droga experimental. Tímida, sua família a obriga frequentar um grupo de apoio, lá conhece Augustus (Ansel Elgort), um rapaz que sofre da mesma doença. Neste cenário de intimidade, o casal vive essa história de amor com o pano de fundo da luta pela sobrevivência.

Firmes no papel, Shailene e Ansel – conhecidos por Divergente – conseguem suavizar a gravidade da situação com o carisma que o casal pede e tiram de letra cenas desnecessárias, como quando Hazel, que sofre com problemas respiratórios, sobe várias escadas com um balão de oxigênio sem grandes dificuldades. Mesmo com os típicos clichês, a semelhança com o livro deixa os fãs mais contentes. Além disso, o longa apenas não atrai um público variado como leva muitas pessoas as lagrimas. Nunca se vendeu tantos lenços de papel para assistir a um filme.

É uma boa pedida!

Por Rafael Munhos.

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O FRACASSO DO ANTICRISTO

Anticristo
Por: Affonso Romano de Sant’Anna.
Acabei assistindo ao ANTICRISTO de Lars von Trier durante o Natal. Pura coincidência.

Fui ver as polêmicas que se seguiram ao filme quando apresentado em Cannes: parte do público, injuriado, saindo da sala, outros vaiando, e numa entrevista coletiva que vocês podem ver no site (http://www.festival-cannes.com/en/mediaPlayer/9902.html), Trier , aparece ao lado de Willem Dafoe e de Charlotte Gainsbourg. Quando lhe perguntam porque fez o filme diz que não tem satisfação a dar a ninguém. Que não tem porque explicar a obra.

Confessa, no entanto, que havia saído de uma crise de depressão, que estava perdidão e fez o que lhe deu na telha.

Vi o filme. Ali estão algumas de suas obsessões: ele (diretor) tem uma relação perversa e complicada com mulheres (ver filmes anteriores, inclusive o maravilhoso Dogville). Neste a personagem feminina prepara uma tese inacabada sobre tortura de mulheres e sexo está sempre relacionado a sangue, violência e morte. Mas o que desagrada não é exatamente fato de a mulher não salvar o filho que se joga da janela, tentar matar o marido passar a tesoura no próprio clitóris ou jogar uma tora de madeira no sexo do marido, masturbando-o até sair sangue. Também não é o fato de no meio da discussão em Cannes ele dizer  publicamente que é o maior diretor de cinema do mundo e comparou-se a Deus. Todo mundo tem direito de alucinar.

O que dá a sensação de fracasso estético é outra coisa, que não passa pela moral. O diretor perdeu o leme da obra (ele sabe disto). O filme muito bem dirigido tecnicamente, vai indo com uma tensão psicológica e quase metafísica instigante, mas, de repente, vira filme de terror, terror de terceira. Não é uma fábula, não é uma alegoria, não é uma obra surrealista. O diretor se perdeu. E o expectador sente isto e se vê fraudado. Afinal, toda obra de arte é um pacto.

E aí surge uma questão: diferença entre obra de arte e neurose. Obra de arte é uma metáfora de utilidade pública. Neurose é um aprisionamento pessoal. Nem toda neurose (ou psicose) é obra de arte. Um simples e forte exemplo: Kafka: transformou suas neuroses a alucinações em metáforas/símbolos de utilidade pública, uma coisa transpessoal. Lars von Trier não conseguiu isto. Dialogou para dentro e não para fora.

Tem ele o direito de fazer isto? Claro.

O mesmo direito do público em rejeitar  ou cobrar algo.

Essa coisa de que o artista é um “sujeito acima de qualquer suspeita” e pode fazer o que quiser, é um dos equívocos da arte do século XX.

Aliás, já que Trier andou se comparando a Deus, tem um detalhe. Até Deus erra. Errou naquela história do Eden, errou de novo ao tempo de Noé, por isto teve que mandar o dilúvio; novamente errou, daí a uns anos, e teve que mandar seu filho Jesus. Diante da situação atual vamos ver como ele vai tentar corrigir o que está aí.

Como dizia o poeta Rubens Jardim: HERRAR É UMANO!

Mas, como desde a Idade Média os teólogos afirmam que o Diabo é parte de Deus, então a gente vai botando a culpa dos erros no OUTRO.

AntiCristo (AntiChrist. 2009)

willem-dafoe-and-charlotte-gainsbourg_anticristoVon Trier,  cineasta dinamarquês, não poupa esforços para fazer de sua obra a mais complexa amostra de cultura de 2009 no mundo. Mal compreendido no Festival de Cannes, onde fora questionado do por que fez esse filme, defende-se como pode e deve, entenda como quiser:

“Trabalho para mim mesmo. Não devo satisfação a ninguém. Não tive escolha (ao fazer o filme). Foi a mão de Deus, eu temo. E eu sou o maior diretor de cinema do mundo. Não sei se Deus é o melhor Deus do mundo”, completou.

Polêmico.

AntiCristo (nome também de uma bela obra de F. Nietzsche – Filósofo Alemão) foi realizado pelo diretor num momento em que tentava superar uma crise de depressão. Segundo ele:

“Não conseguia trabalhar. Seis meses depois, apenas como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se eu ainda faria algum filme”.

E fez bonito!

A Depressão não é um fetiche burguês, um piti nostálgico que liga nada a lugar algum. Não. A Depressão corrói o sujeito por dentro entre uma Melancolia faltosa e um vazio absoluto que vai aos cumes do desespero. No texto Luto e Melancolia, Freud conceitua Luto como um trabalho psíquico que diz respeito a  reação à perda de objeto de investimento libidinal, onde uma de suas maiores características é a incapacidade de investimento em outro objeto. O momento do luto, portanto, é do sujeito se recompor de tal perda para então conseguir investir energia em outro objeto.

Sabedoria popular: Não dizem que cura-se um mau de amor com um amor mais especial? Exatamente. No momento em que “aparece” um amor mais especial é o momento em que o sujeito já dá conta de investir energia em outro.

E a Melancolia que é agente direta da Depressão? Conceitualmente é a mesma coisa do Luto, porém com nuances mais delicadas. Primeiramente, demora demais para cessar o tempo de reação à perda. Segundo, uma das maiores características é a Autodepreciação. A autodepreciação é importante para entender que na verdade quando o sujeito diz: “eu não presto pra você, sou chato, mau, idiota etc” ele está dizendo que o objeto de seu investimento libidinal que não presta 😉 . Por isso, os suicidas escrevem cartas maravilhosas: “Eu não presto, o mundo é bonito demais pra mim” ou “Essa vida não me traz mais nada, não compensa ficar nela para te dar trabalho” e por aí vai, no fundo trata-se de um ódio absoluto que ao invés de ser dirigido pra fora é dirigido pra dentro, pra si próprio. Autoagressividade. O Suicida quando se mata está matando o objeto de amódio. Por isso, também, a carta. É preciso que ele culpe o objeto a ponto de deixá-lo – o objeto – com o máximo sentimento de culpa que ele puder.

Obviamente que o assunto não cessa aqui, é longo, vasto e in-tenso. Mas com essas premissas em mão é possível entender melhor a obra de von Trier que se divide em capítulos que pelos títulos já se tem uma noção do que virá.

Respeitar o Luto é de suma importância tanto pra quem sente, quanto para quem convive com um sujeito de e em luto. Explicações racionais não são alcançadas para quem sofre. Não adianta um médico dizer para um sujeito às raias do desespero: “Você tem depressão”. E daí? Saber disso não o cura!!! O diagnóstico serve mais para o profissional como forma de saber como vai trabalhar com aquela pessoa do que para a pessoa em si que nem sabe o que fazer com isso…

Além disso, o filme é uma crítica direta ao americanismo do fast food terapêutico, onde são pautados no Behaviorismo que privilegia apenas a consciência do sujeito. Mas, isso é um longo assunto que pode ser massacrante para um blog onde a pauta é cinema rsrsrs. Freud, felizmente, não morreu.

Paciência, silêncio e atenção são elementos básicos para assistir o filme. Ele lida com questões humanas densas, feridas, fraturas expostas. Segundo Freud, quando se abre uma caixa de escorpiões o que encontrará lá dentro? Escorpiões. Não se iludam.

Por: Deusa Circe, Vampira Olímpia (Vamp) e Morgana.

AntiCristo – AntiChrist

Direção: Lars von Trier

Gênero: Complexo demais para defini-lo, mas … Thriller Psicológico, Terror

Dinamarca – Alemanha – França – Suécia – Itália – 2009

Anticristo (Antichrist. 2009)

willem-dafoe-and-charlotte-gainsbourg_anticristoVi na semana passada e fiquei pensando: qual é o critério usado pra se classificar um filme como de TERROR? Por que aterroriza quem o vê? Se for só isso, eu não classificaria ESTE filme como de terror. Diria que tem DUAS cenas terríveis e foi só. Como psicóloga que lidou com o inconsciente por mais de 20 anos, através de sonhos, mitos, lendas, símbolos, eu o classificaria como DRAMA PSICOLÓGICO.  Ou ser testemunha desse tipo de drama é que aterroriza qualquer um que desconheça seus próprios demônios? A mulher foi a culpada pela morte do filho? Nananinanum: sexo se faz a 2!

Vi este filme como quem vê um processo psicoterapêutico profundo, sem entender muito bem porque levou o nome de Anticristo. Viver o lado sombrio – no caso, 1º como todos, tentando fugir dele, mas depois deixando-o vir à tona – transformou-se numa inabilidade do terapeuta/marido em lidar com o seu próprio lado sombrio. Matar sua contra-partida sexual porque é inábil me pareceu a grande derrota de alguém que se diz terapeuta, mas que não faz a menor idéia do que venha a ser o inconsciente. Mexeu com o que não devia: não ‘salvou’ ninguém nem nada, como costuma ser a proposta dos que se dizem terapeutas sem serem psicólogos do inconsciente, entrando – inevitavelmente – em contato com seu próprio “buraco negro”: se contaminou. E por se contaminar, foi derrotado, não lhe restando outra opção a não ser eliminar sua própria proposta falida.

À parte das cenas ‘surrealistas’, pra mim este filme expressou os nossos próprios ‘monstros’ a serem reconhecidos e não, escamoteados como o filme mostrou: quer se acalmar –> uma boa trepada resolve… O PRAZER, a busca pelo prazer ACIMA de tudo? É a fuga, a eterna fuga de si mesmo. Vai ver que o ‘anticristo’ está nisso…

Este filme me lembra Os Idiotas, não por acaso do mesmo diretor.

Por: Eli@ne L@nger.

Anticristo (Antichrist. 2009)

anticristo_posterNão espere por um filme fácil. Afinal trata-se de Lars Von Triers numa espécie de terror-fantástico-cabeça num estilo que lembra Zulawski e Tarkovski.

A belíssima e perturbadora abertura, que é a cena-chave, mostra o casal copulando em closes explícitos enquanto sua prole inocente salta da janela para a morte ao som de uma ária conhecida (ópera “Rinaldo”, de Handel) que também está no epílogo.

A partir daí, a desesperança e dor da raça humana representada por este casal de personagens sem nome reinará sem tréguas em meio a imagens chocantes e gravuras diabólicas, ilustrando a essência de uma maldade congênita e assustadora.

Há uma dolorosa redenção no sexo que culmina em sangue ejaculado no lugar do esperma e na tesoura que extirpa o clitóris em sequencias de cair o queixo.

Nesta sarabanda de momentos assombrosos com toques misóginos e alusões a um Éden sinistro, o bicho-ruim encarnado num cão danado horripilante articula: “O caos reina!” Lars então lança uma questão na frase polêmica: “A natureza é a igreja de Satanás”. O mundo seria mesmo regido pelo mal? A única reação que o espectador não terá quando os créditos subirem será a indiferença.

Carlos Henry.

Anticristo (Antichrist). 2009. Dinarmarca. Direção e Roteiro: Lars von Trier. Elenco: Willem Dafoe (He), Charlotte Gainsbourg (She). Gênero: Drama, Horror. Duração: 109 minutos

A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou)

a-vida-marinha com-steve-zissou_posterNão estar mais em evidência após ter encantado várias gerações com os seus Documentários é o começo de tudo em ‘A Vida Marinha com Steve Zissou‘. Onde o peso do seu nome avaliava jovens universitários que seguiam como estagiários em suas expedições. Mas o que pesa mais: em não mais atrair mais fãs para o seu trabalho ficando mesmo no coração dos que por anos curtiram o seu trabalho, ou porque a grande mídia quer mesmo algo como uma tragédia? Se para um Oceanógrafo registrar uma espécie nova na fauna marinha é algo para se comemorar, o mesmo não é mais para o grande público. E se não atrai mais multidões… os investidores também desaparecem.

Acontece que o destino se encarregou de colocar novamente Steve Zissou (Bill Murray) diante dos holofotes. Um grande tubarão-jaguar devorou seu grande parceiro e amigo de décadas, Esteban. E Zissou viu tudo. Ainda traumatizado, tenta organizar fundos para ir atrás do monstro. Entre captar recursos e preparar a equipe para essa nova aventura, somos brindados em conhecer o Belafonte, que mais parece uma velha baleeira que não resistirá ultrapassar a primeira arrebentação de ondas.

Nessa canoa furada… ops! Nessa caça ao tubarão além de sua equipe… já, já, farei um resumo dela… embarca a jornalista grávida, Jane Winslett-Richardson (Cate Blanchett), que parece que pediu a si mesma por um tempo longe do pai do seu filho… e um filho de Zissou, que surge de repente, o piloto Ned (Owen Wilson). Como Zissou nunca quis ser pai, como Ned quase que banca toda a expedição…  ele terá que também mergulhar com mais essa. Um mergulho profundo em si mesmo.

E para completar o caos que reinará nesses dias no mar, uma equipe nada ortodoxa. Bem heterogênea em matéria dos países de onde vieram. Alguns deles: Eleanor Zissou (Anjelica Huston), sua esposa e patrona; o engenheiro Klaus (Willem Dafoe); o produtor Drakouilias (Michael Gambon); o médico e compositor da trilha sonora, Vladimir (Noah Taylor); o chefe da segurança que passa grande parte do dia tocando seu violão, Pelé dos Santos (Seu Jorge); o representante do investidor; uma roteirista que adora andar de topless, mas que não é assediada…

Na cola de Zissou, seu rival cheio da grana, Hennessey (Jeff Goldblum).

O filme vai meio manso ganhando mais ação da metade para o final. Agora, parece que foi feito para prestar uma singela homenagem a esses aventureiros dos mares. Um tanto esquecidos na atualidade. Vale a pipoca! Gostei! AH! A trilha sonora é ótima!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Vida Marinha com Steve Zissou (The Life Aquatic with Steve Zissou). 2004. EUA. Direção: Wes Anderson. Elenco. Gênero: Aventura, Comédia, Drama. Duração: 118 minutos.