Magnólia (1999). Um Complexo Mosaico da Vida Cotidiana

magnolia-1999_cartazmagnolia-1999_01Por: Cristian Oliveira Bruno.

Uma vez montado, o quebra-cabeças de P.T. Anderson forma uma das mais belas pinturas sobre a difícil vida cotidiana, tão em voga no final do século passado.

Linda Partridge (Julianne Moore) é uma mulher que se casou por puro interesse financeiro com Earl (Jason Roboards), um milionário idoso consumido pelo câncer. Sentindo-se culpada e cada vez mais apaixonada pelo marido, Linda está entregue aos antidepressivos e contrata o enfermeiro Phill Pharma (Phillip Seymour Hoffman) para tomar conta de seu marido moribundo enquanto tenta cancelar o testamento que lhe coloca como única herdeira de toda a fortuna de Earl. Phill, tentando realizar o último desejo de seu paciente, tenta contatar Frank Mackey (Tom Cruise) o único filho de Earl, com quem ele não fala há anos. Frank é um astro do universo masculino escrevendo livros de auto-ajuda e palestrando para homens fracassados sobre ‘como dominar as vaginas’. Enquanto isso, Jim Kurring (John C. Reilly) é um religioso policial que faz sua patrulha rotineira pelas ruas do vale que acaba atendendo a um chamado de perturbação da paz. Na residência, conhece e inicia um flerte com Claudia (Melora Watters), uma drogada traumatizada que odeia seu pai, Jimmy Gator (Phillip Baker Hall) com todas as forças. Jimmy é apresentador de um programa de perguntas e respostas com crianças prodígio na TV, que esconde estar com câncer e tenta reaproximar-se de sua filha que o acusa de ter abusado dela quando criança. Stanley Spector (Jeremy Blackman)é um dos garoto prodígio estrela do programa de Jimmy, explorado pelo pai que parece esquecer-se de que trata-se de um garoto apenas e não uma máquina. No meio disso tudo, Donnie Smith (William H. Macy) ficou famoso quando criança ao participar do programa de Jimmy, mas agora luta para se auto-firmar e para assumir sua sexualidade”.

magnolia-1999_03Por esta ‘pequena’ sinopse acima, nota-se que tão difícil quanto acompanhar Magnólia (1999) é mostrar-se indiferente com a obra-prima de Paul Thomas Anderson. Exímio conhecedor e estudioso de cinema, o diretor é pertencente a uma casta cada vez mais escassa de cineastas que ainda põem o cinema e a arte em primeiro lugar. O que por vezes pode aparentar arrogância, aos meus olhos é pura e simplesmente uma demonstração de respeito para com o espectador. P.T. Anderson não apenas quer, mas exige que nos entreguemos por completo ao filme e o acompanhemos com atenção quase letárgica para assimilar ao máximo os pormenores desta magnífica e esplendorosa alegoria.

magnolia-1999_cartazAcompanhando um único dia da vida de dez personagens, cujas estórias encontrar-se-ão entrelaçadas em determinado ponto (daí a associação fantástica com as flores do título, inseridas cirurgicamente ao fundo de cenas aparentemente despretensiosas, como se cada vida e cada história fosse uma pétala que em determinado ponto se unem para formar algo muito mais complexo e bonito), o excelente roteiro de Anderson é transposto para a tela de forma brilhante em uma narrativa extremamente atípica e nada convencional. Todo aquele arsenal de jogadas e macetes cinematográficos demonstradas em Boogie Nights (1997) agora seriam elevadas à máxima potência e detalhadamente trabalhadas em 3h e 10 minutos de filme. E os artifícios empregados pelo diretor para evitar que seu filme acabe por se tornar cansativo e desinteressante (afinal não é todo mundo que tem paciência para acompanhar um filme de três horas sem uma gota de ação sequer), já que exige uma dose cavalar de boa vontade por parte do espectador, são tão amplos e ricos que chega a ser até ultrajante tentar identificá-los e enumerá-los. Mas, talvez o mais perceptível de todos seja o tempo que Anderson desprende para cada personagem e estória paralela. Quando uma das subtramas começa a tornar-se prolongada demais, Magnólia corta de imediato para aquela que a mais tempo abandonada pelo filme, obrigando você não só a tentar remontar aquele estória na memória, como também a prestar uma enorme atenção ao que está por vir. E este ciclo repete-se incessantemente até o final, quando alguns dos personagens se cruzaram. Mas também se faz necessário citar o excelente ‘clipe’ inserido no início do longa apresentando rápida, porém certeiramente cada personagem e seu universo, num momento interessante momento de instante de inspiração narrativa – bem como alguns belos planos-seqüência bem elaborados ao longo da obra.

magnolia-1999_chuva-de-saposP.T. Anderson permite-se uma liberdade poética genial em alguns pontos chave, mais evidentes linda na montagem onde todos os personagens cantam a mesma canção e depois seguem as cenas de onde elas pararam e na enigmática e controversa chuva de sapos. E essa liberdade reflete diretamente no talentosíssimo elenco magistralmente dirigido por Anderson, onde todos recebem personagens riquíssimos com histórias densas e emocionantes. Isso faz com que nenhuma passagem seja gratuita ou desinteressante, pois afinal, nos identificamos seus defeitos e nos importamos com cada um deles. Impressionante como Anderson compreende que os defeitos de seus personagens são aquilo que mais nos aproxima deles, ao invés de depor contra eles. Desse modo, ao acompanharmos um filho proferindo palavras duras e cheias de ódio para seu pai no leito de morte do mesmo, não sentimos raiva dele, mas sim tristeza, pois reconhecemos ali uma intensa mágoa e uma desilusão quase mortífera em seu olhar (e o fato de ele pronunciar as frases “eu espero que você sofra muito, pois eu te odeio” e “não morra, por favor, não morra” nos dá a dimensão do real estado conflitante do personagem).

Magnólia é daqueles filmes que não é pra qualquer um. Acompanhá-lo exige mais de nós e em alguns momentos exige demais. No entanto, apreciá-lo é uma das mais magnificamente prazerosas experiências que o cinema nos proporcionou nas últimas décadas. Quem se dispor a assisti-lo, ficará maravilhado com forma como todas as subtramas se conectam perfeitamente para formar um complexo mosaico da vida cotidiana atual. Magnólia não fácil, não é simples e não é para qualquer um. É simplesmente magnífico!!! Nota 9;5.

Magnólia (1999).
Ficha Técnica: na página no IMDb.

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Série: Os Desajustados (2011 / ). Eles São o que São! Mas com Muitas Reticências…

shameless_serie_personagensA Pobreza Não Glamourizada nos Estados Unidos.

A Série “Shameless” traz como pano de fundo a realidade do “lado pobre” em um país tido como do primeiro mundo. Uma realidade sem os retoques tão comuns por Hollywood num retrato 3×4 de um microcosmo dentro de uma metrópole como Chicago. A pobreza existe em qualquer país! Daí é muito bom quando isso é mostrado bem de perto até porque uma das principais críticas ao Cinema Brasileiro seria justamente por isso: em retratar muito mais a pobreza no país. E mesmo que alguns filmes tragam esse mesmo pano de fundo, como em “O Solista“, por exemplo, terminam sendo diluido por contra da trama principal. Com isso é muito bom quando o tema vem numa Série porque terá bastante tempo para maiores detalhes. Melhor ainda quando usa o humor para fazer sua crítica ao establishment vigente.

Quem é você não apenas para si próprio, mas também para as pessoas ao seu redor?

shameless_serie_00E é assim que segue “Shameless” levando com humor o drama da Família Gallagher. Que como o nome da série também diz: eles vão levando a vida sem o menor pudor até para sobreviver, mas principalmente em não deixarem de ser uma Família. Talvez seja essa a principal mensagem: que mesmo sendo uma família disfuncional, eles são os Gallagher para o que der e vier.

Os Gallagher tem como patriarca um cara mais preocupado com a própria sobrevivência do que ser um pai de fato. Personagem de William H. Macy cujo papel lhe caiu muito bem até por conta do esteriótipo/meio estigma que Hollywood lhe trouxe. Sendo mais um loser em sua carreira ou não… Macy está excelente como Frank Gallagher. Nossa! É até surreal seu empenho em conseguir um rim! Um tanto macabro também por fazer humor com sua tragédia. Nessa “campanha” terá ajuda primeiro de um dos Gallagher, seu filho Carl (Ethan Cutkosky). Mesmo ou até pela lealdade ao pai, Carl vai fundo nessa ajuda. O que tem como agravante é que Carl está entrando na adolescência sem nenhuma referência sobre a moral e a ética. É como um carro desgovernado sem saber quando irá parar, sem se dar conta dos estragos…

Eles não têm muito em suas vidas no sentido de segurança, e assim por seus relacionamentos se tornam mais e mais importantes. A questão que entra em jogo para todos eles é: Como o amor ou carinho um pelo outro compensa a escassez?” (John Wells, criador da Série).

shameless_serie_01Sem a presença de uma mãe… É a filha mais velha, Fiona Gallagher (Emmy Rossum), que toma para si essa missão em cuidar dos cinco irmãos. Mas Fiona ainda é jovem, logo mais propensa a não visualizar o todo em cada atitude tomada. E numa delas, é quando terá que prestar conta com a justiça: “ganhando” uma tornozeleira eletrônica. Com isso, perde o emprego que era a principal renda da família. Fiona terá que se virá nos trinta para não desestruturar de vez a família. Como também amadurecer.

Por conta disso, Phillip “Lip” Gallagher (Jeremy Allen) o único da família a cursar uma universidade, mas mesmo com uma bolsa integral sabe que precisa ter uma renda própria para se manter por lá. O que dificulta se manter acima da média para não perder a bolsa. Com a história de Fiona, Lip até pensa em deixar a faculdade para cuidar do caçula da família, o pequeno Liam. Lip acaba trazendo a irmã de volta à realidade das consequências dos próprios atos. E Fiona o demove de deixar a faculdade. Agora, numa de os fins justificando os atos… Lip tem uma saída nada ética para colocar comida na mesa da família.

shameless_serie_02Dentro do universo dessa família ainda há Ian Gallagher (Cameron Monaghan) e Debbie Gallagher (Emma Kenney). Ian sentiu necessidade de ser afastar da família para então assumir a homossexualidade. Sem bem que pode ser por conta de uma provável bipolaridade como “herança materna”. Com a crise provocada pelo deslize de FionaIan volta para casa, mas onde também volta a se relacionar com um cafetão russo, o MilkovichPor último há Debbie Gallagher. Sensível, sofrendo pela entrada na adolescência e com tudo mais que essa fase trás. Onde ante às pressões externas, carece a presença de uma pessoa madura nos aconselhamentos. Até por ser levada, de modo torpe pelas colegas da escola, a perder a virgindade. Algo que a levará não medir os atos.

Nós temos na comédia um tradição de tirar sarro de pessoas nesses ‘mundos’. A realidade é que essas pessoas não são ‘os outros’ – eles vivem quase na mesma quadra de onde você mora” (Paul Abbot, criador da Série)

Shameless” é mais uma série levada pelos Estados Unidos de um sucesso do Reino Unido. Traz como marca um questionamento no início de cada episódio com um dos personagens perguntando algo ao espectador para logo então entrar na cena. De qualquer forma esse remake é muito bom! Atuações ótimas! Roteiro afiado! Uma gama de personalidades distintas com um ponto em comum: a Família como um porto! Enfim, vale a pena assistir! Transmitida aos domingos, às 22 horas pelo canal TNT Séries. Fica a sugestão!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer. 2011)

A advocacia é a maneira legal de burlar a Justiça.”

Eu gosto de filmes cuja temática gira em torno de Tribunais, sem nem me preocupar se com atores conhecidos ou não. Esse, “O Poder e a Lei“, ambos os títulos, o original e o dado no Brasil, me deixou mais ainda interessada. Com uma lida numa sinopse, fechou! E não me decepcionei! Acompanhei atenta toda a trama. O filme é muito bom! A dúvida ficou se escreveria com ou sem spoilers. Por conta de algo nele, mas que pende mais para um viés psicológico. Muito embora o que eu deixaria no ar seria a minha dúvida, até porque isso não é a minha praia. Enfim…

Quem seria o advogado dono do Lincoln preto? Ele é Michael Haller, personagem do Matthew McConaughey. A quem eu daria um 8. Sua atuação convenceu, mas me fez pensar se um outro ator faria um Haller memorável. Creio que quem ficará mais tempo na memória será o motorista Earl (Laurence Mason). Fizeram uma dobradinha ótima esses dois. Ops! Os três, já que o Lincoln preto também conta. O carro era o QG do Advogado. Seu escritório volante. Numa cidade grande, e de tantos contrastes sociais, ele não podia perder tempo.

Pagando bem, ele aceitava o caso. Não importando se inocente ou não. Para ele quem deveria se preocupar com isso, seria a Promotoria. Não era bem quisto entre os Detetives da Polícia, mas com o escalão mais baixo, sim. Até por conta de pagar pelos préstimos. Ele sabia usar o Sistema. Na gíria: era alguém safo! Teve um reconhecimento de Earl ao dizer que ele se daria bem na rua. E ele já se considerava nela. O lincoln preto era uma ponte que o ligava a mundos distintos. Também por lhe dar uma certa fachada, para não se passar por um mero advogado porta-de-cadeia.

Tudo seguia a sua rotina, até que alguém do andar de cima precisou de seus serviços. Numa de um favor levar a outro, foi o primeiro passo para não perceber que estava entrando numa cilada. O novo cliente era um jovem milionário preso por estupro e agressão a uma jovem. Ele, Louis Roulet (Ryan Philippe), alega inocência, como também diz ser vítima de uma armação.

Haller que julgara estar diante de um caso fácil segue não prestando atenção aos pequenos sinais. Só acordando quando alguém muito estimado é assassinado. Mais! Colocando-o como principal suspeito. Sendo obrigado a inocentar Louis, Haller começa a se questionar. Mas essa crise de consciência terá que ser direcionada: tirar dos erros a chave do mistério.

Mais do que tentar também descobrir o que está acontecendo com ele, deixo uma sugestão. A de prestar atenção nos desdobramentos entre Haller e os agentes da Lei. Se o Sistema está corrompido, parte dele pode ajudar a consertar as falhas. Compliquei? É por não querer estragar a surpresa de vocês.

As demais atuações também convencem. Destaco uma, a de William H. Macy. Com cabelos compridos, perdeu um esteriótipo de loser, algo comum a vários papéis que fez. Bem, mais um destaque, e para os rapazes, terão um belo colírio: Marisa Tomei.

Para finalizar, a Trilha Sonora é uma ótima coadjuvante. E resolvi levar a minha dúvida diretamente aos da área psico já que transpareceria um grande spoiler. Assim feito! Fica a sugestão: não deixem de ver o filme “O Poder e a Lei“. É muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer. 2011). EUA. Direção: Brad Furman. +Elenco. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 119 Minutos. Baseado em livro de Michael Connelly.

Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997)

Eu poderia dizer que essa é a história de um jovem bem dotado e que tudo mais seria pano de fundo. Que por ele estar numa época certa, pudera mostrar o seu “talento”. Onde por talvez por conta de ama imaturidade a fama lhe subiu a cabeça. Ou desceu… Daí por ter se considerado grande, desrespeitou a quem lhe dera a chance de mostrar o único talento que de fato possuía. Então, dançou! Pior! Conheceu o inferno por conta das drogas. E que por mais de uma década acompanhamos a trajetória de Eddie (Mark Wahlberg).

Acontece que os demais personagens também têm suas histórias para contar. E o elo entre elas é o Diretor de Filmes Pornô Jack Horner (Burt Reynolds). Ele não apenas dirige, ele mantém toda a máquina em pleno vapor. A indústria de filmes para adultos é praticamente a sua casa.

O filme mostra toda a trajetória desse tipo de filmes. Do início dos anos 70 até a chegada da outra década com as fitas de vídeos. Levando a excitação do Cinema para dentro dos lares. Também traz a cocaína correndo solto nas festinhas. De overdose a desatinos, levando a praticarem crimes, há também a perda de uma identidade. É um inferno que poucos sabem sair. E que os atores desse tipo de filmes ficam marcados; por preconceitos, nem atores ele são considerados.

Então é isso, muito Sexo, Drogas e… não, não é Rock-on-roll. É também o início da Disco. O som das Discotecas. Com uma moda sui-generis. A trilha sonora também tem destaque nesse filme. Boogie Nights também faz uma radiografia desse período. Filmaço!

Por: Valéria Miguez.

Boogie Nights – Prazer Sem Limites. 1997. EUA. Direção e Roteiro: Paul Thomas Anderson. Elenco: Mark Wahlberg, Heather Graham, Burt Reynolds, Rico Bueno, Julianne Moore, Don Cheadle, John C. Reilly, Luis Guzmán, William H. Macy, Nicole Ari Parker, Alfred Molina, Philip Seymour Hoffman. Gênero: Drama. Duração: 156 minutos.

Obrigado por Fumar (Thank you for Smoking. 2006)

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O filme é ótimo! O início é hilário, de querer voltar algumas vezes por se perguntar: “E o pior que estou rindo!”. Pelas argumentações do lobista. Não por uma ingenuidade nossa, mas por ser um retrato da realidade. O roteiro é muito bom. E não se assustem com o título, pois ninguém vai passar a fumar, nem muito menos a largar o vício.

A história do filme: O protagonista (Aaron Eckhart) é um lobista das Companhias de Tabaco. Defende-las é o seu ganha-pão. Ele é um grande manipulador, ou melhor, como ele mesmo diz, é um ótimo argumentador. Separado da mulher, tenta manter um bom relacionamento com o filho. Numa ida a escola do filho, num dia onde os pais falam sobre suas profissões, o filho já ciente da causa defendida pelo pai, diz para ele não arruinar a infância dele… hehe!

As cenas com o filho (Cameron Bright; atuou em “Bird”) ficou muito bom! Houve química entre os dois. O filho acaba admirando o pai. Até por ver que ele é muito bom no que faz. O que leva o pai a reavaliar a sua profissão.

William H. Macy… Me faz lembrar de “Fargo”. Gosto dele. Mas no momento não consigo lembrar de outra atuação onde foge desse estereótipo: perdedor. Mas fez um belo trabalho. Um Congressista que está na outra ponta, a de querer culpabilizar a Indústria do Cigarro por tantas mortes.

Tem uma hora no filme que dá vontade de exclamar: “Que foda!!!” É sensacional! Ah, depois, tem um “troco”. Noutra, de certas “cenas melhoradas”, a minha exclamação foi um: “Que pqp!!” (Mas mais pausadamente; meio que no estilo do “O Filho da Noiva”).  Sorry por essas minhas “exclamações”, mas elas foram ditas com brilhos nos olhos e entre largos sorrisos.

Um trechinho entre pai e filho, até para terem uma idéia do que seria argumentar?

_ Dad, porque o governo americano é o melhor?
_ Pelas apelações infinitas. Está escrevendo o que eu disse?
_ Humhum…
_ Pare um segundo. Qual é o tema?
_Por que o governo americano é o melhor do mundo?
_ Sua professora que elaborou essa pergunta?
_ Sim, por que?
_ Vou ignorar os problemas óbvios da gramática e me concentrar na pergunta. Tem os Estados Unidos o melhor governo? Qual é o critério para julgá-lo? Crime? Pobreza? Analfabetismo? O dos EUA não é o melhor, nem é dos melhores. É um governo divertido.
_ Daaaad!
_ Sorry! Conhece o termo B.S.?
_ Significa “falar merda”.
_ Exato. B.S., se me permite, é feita para perguntas como essa que a professora fez. Ainda que fosse o melhor governo, não conseguiria provar. Quantas páginas?
_ Duas páginas.
_ Duas… Em duas páginas, impossível.
_ Então o que eu escrevo?
_ O que você quiser.
_ Ok.
_ Escreva sobre a incrível habilidade dos EUA de lucrar não cumprindo acordos comerciais internacionais e levando empregos daqui para o terceiro mundo. Ou o quanto somos bons para executar réus. São boas respostas.
_ Posso escrever isso?
_ Essa é a beleza da argumentação. Se argumentar bem, nunca estará errado.

Assistam, é diversão garantida! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Obrigado por Fumar (Thank you for Smoking). 2006. EUA. Direção: Jason Reitman. Elenco: Maria Bello, Aaron Eckhart, Robert Duvall, Katie Holmes, Adam Brody, Kim Dickens, David Koechner, Rob Lowe, Connie Ray, Sam Elliott, Todd Louiso, Cameron Bright, William H Macy, J.K. Simmons. Gênero: Comédia. Duração: 92 minutos. Classificação: 12 anos.